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Alemão do Cavaco

Alemão do Cavaco

CARNAVAL/RJ. Formado pela Faculdade de Música Carlos Gomes em São Paulo, é compositor, arranjador, produtor musical e multi-instrumentista (cavaquinho, bandolim e violão). Como compositor, é autor de diversas obras em escolas de samba, sendo 8 na Gaviões da Fiel, uma na X-9 Paulistana, duas na Estação Primeira de Mangueira, agremiação em que foi diretor de harmonia e musical no Carnaval de 2013.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



07/05/2013 11h52

Amor verdadeiro ao maior espetáculo do planeta
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoQuando falamos em amor, abrimos um leque gigantesco de interpretações para essa palavra se transformar em algo grandioso e emocionante.

Cada um pode dimensionar, imaginar ou aceitar da maneira que quiser, mas é indiscutível o seu sentido e o seu entendimento por todos sobre o que representa este sentimento.

Pois bem, se é assim na vida, não seria diferente no samba e no Carnaval.

Pegando uma licença poética de um grande sambista e amigo, Zé luiz do Império Serrano, e do grande historiador e poeta Nei Lopes, "quem ama, nao deve saber a razão por que ama, a chama deve arder e nada mais".

Pois é, aí me pergunto: com tanto amor aflorando, abdicação de vidas, horas sem dormir, e vários outros exemplos deste sentimento, o amor ao Carnaval tem preço?

O amor que sentimos pelo samba e pelo Carnaval é incondicional, atemporal, e principalmente emocional. Quando uma criança, em seus primeiros passos, começa a sambar, tocar ou cantar, taí o primeiro sintoma deste amor, sem querer saber a razão, onde irá terminar e quanto irá ganhar se for ganhar, pois o ganho real, é completamente emocional.

Claro que quando comecei a me interessar pela música e principalmente pelo samba e pelo Carnaval, foram estes parâmetros e sentimentos que me levaram à certeza de que sem "ele" eu não viveria, e por "ele", de tudo eu faria.

Mas o Carnaval foi mudando, a vida foi acompanhando e percebendo que pra viver literalmente com o samba e a música, precisaria "sobreviver".

Ganhar pelas horas trabalhadas, estudar, desenvolver, aprimorar e se concentrar no segmento vai nos levando a busca de um profissionalismo natural como em qualquer outra profissão.
 
Isso é ruim? Perde-se a essência? Em minha visão sem titubear respondo: claro que não. É de certa forma a recompensa diante de um investimento e ao mesmo tempo uma necessidade.

Foto: Divulgação
 
Mas essa abordagem vai mais longe do que podemos imaginar. Cito  exemplos de pessoas abnegadas sem uma especialização técnica, sem "ganhos", ou quaisquer outros retornos que nao sejam o samba. O desfile, a emoção de ouvir a sirene na abertura dos desfiles, o esquenta da bateria, o samba no pé da passista, a baiana com seus bordados, a costureira que colocou a arte nas fantasias, e qualquer outra pessoa que contribuiu ou apenas estava lá pra assistir e se deliciar com a magia de da folia, todos estes sentimentos são demonstrações de um amor verdadeiro ao nosso Carnaval.

Ah! tudo isso é realmente gratificante, afinal podemos esquecer, interesses políticos, sociais e financeiros. Deixamos de lado nossos problemas para viver a fantasia por apenas alguns minutos.

Respirarmos esta "festa" o ano todo e esperamos aquele momento mágico, que consisero ser uma das maiores emoções que um ser humano pode sentir, tanto quanto o nascimento de um filho, um casamento ou a conquista de um bem muito almejado.

Por isso, claro que respeitando e muito os profissionais do Carnaval, onde me enquadro nisso, respeito demais o amor verdadeiro ao maior espetáculo do planeta.

Salve o samba! Salve o Carnaval!

Imagem: GRES Estrela do Vale - Carnaval 2013 de Belo Horizonte



08/04/2013 12h56

Quase tudo igual?
Alemão do Cavaco

Foto: SPTurisDepois da grande festa vem o descanso de mais um Carnaval de árduo trabalho e dedicação. Passados dois meses do fim da folia, temos a serenidade de analisarmos o que ficou de bom e o que devemos jogar fora para 2014.

Falando especificamente sobre o Carnaval de São Paulo, mesmo tendo assistido com calma, e várias vezes seguidas, ainda não consegui entender o rebaixamento de duas agremiações paulistanas: Mancha Verde e Unidos de Vila Maria.

Claro que percebemos erros em diversos setores, mas erros que outras escolas também cometeram. Analisando com atenção a todas as notas dadas pela comissão julgadora, cheguei a conclusão de que o Carnaval de Sampa está nivelado por baixo, em suas análises.

Analisando friamente a apuração deste Carnaval, como pode, doze ou até treze agremiações de um total de catorze, terem a nota máxima alcançada em alguns quesitos? Fizeram o mesmo Carnaval? Então não teríamos campeã e nem rebaixada. Em uma disputa que é decidida por décimos, isso faz muita diferença.

O que me deixa extremamente preocupado, é a dúvida de como e quem faz este julgamento, pois se há um ano de trabalho duro, sério e árduo por parte das escolas, tudo acaba sendo jogado no "lixo" com justificativas parecidas e sem critério.

Sabemos que temos diferenças grotescas na pista e nos desfiles, mas que não aparecem nas notas e justificativas.

Se uma pessoa que não assistiu ao Carnaval, pegar as notas, terá a conclusão de que o Carnaval paulistano foi completamente igual, com desfiles milimetricamentes perfeitos ou cheio de defeitos.

Foto: Reprodução TVPor exemplo, uma escola "x" com um samba antológico, fantástico, tem a mesma nota máxima de uma agremiação "y" que apresentou um hino mediano ou fraco.

A diferença dos sambas onde se decidiriam posições muito importantes, foram anuladas, prejudicando o resultado na classificação final.

Percebo a evolução do Carnaval de São Paulo e fico feliz pela profissionalização e crescimento, mas os profissionais envolvidos diretamente e principalmente no julgamento, precisam ter mais serenidade e principalmente coragem de dar as notas merecidas para os desfiles.

É preciso julgar as diferenças. A cada ano temos uma disputa acirradíssima, séria e grandiosa, portanto, merecemos um julgamento compatível com a beleza e o tamanho da folia paulistana.

O nosso papel é este, discutir, questionar e lutar por justiça e reconhecimento do trabalho de muita gente séria.

Salve o Samba, salve o Carnaval!


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08/03/2013 11h46

O que passou, passou...
Alemão do Cavaco

Foto: Jefferson Pancieri - SPTurisO Carnaval acabou? Para a grande mídia, foliões itinerantes, aventureiros, e os não tão aficcionados como nós, até pode se admitir que sim.

Mas que nada. Ele somente teve seu ápice e agora volta a viver seu tempo em todos nós amantes das escolas de samba.

Depois de uma maratona de ensaios, desfiles, emoções, alegrias, tristezas, erros, acertos, o que passou? Quem passou? O que ficou? O que valeu?

Claro que muitas coisas, muitos erros, a maioria, pois são a inspiração para os jurados se deliciarem nas grandes canetadas, buscando uma justificativas técnicas, profissionais e teóricas.

Evidente que concordo com o julgamento. É a premiação de quem trabalha sério, é o que diferencia as disputas, mas também tenho o sentimento do Carnaval que aprendi a amar. A emoção a flor da pele de uma concentração, de um ritmista, um diretor de harmonia em sua solidão momentânea, mesmo que sendo acompanhado por milhares de pessoas em diversos países do mundo pela transmissão televisiva, aquele momento é único.

O filme de um ano todo de trabalho vem a mente, e nem mesmo sequer dá tempo de valorizar este momento, pois o grande momento virá em segundos. Na sequência, hora do desfile. Tão rápido, principalmente para quem está curtindo, se divertido, e tão angustiante, e não menos emocionante e vibrante pra quem está trabalhando.

Passam os casais de mestre-sala e porta-bandeira, as divinas baianas, a batucada, os passistas, o carro de som que contagia a plateia e o samba.

O samba? Ele é a única coisa que fica depois de tudo isso. Trata-se do único elemento que não irá se desfazer após a faixa amarela da dispersão e que poderá ser relembrado depois. Claro que se for bom, fica eternizado em nossa memória e se torna hino que será relembrado e cantado eternamente.

Tudo que passou no momento do desfile fica para a história nas mentes e no registro de câmeras. Que bom! Memórias, emoções, brincadeiras, missões cumpridas, tudo isto e mais um pouco compõe a maior festa do mundo.

Fico na torcida para que cada vez mais, as escolas escolham grandes melodias para embalar os desfiles e ao mesmo tempo, emocionar nossos corações e imortalizar Carnavais.

Salve o Carnaval, salve a música e salve o Samba!


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08/02/2013 14h03

É hoje !
Alemão do Cavaco

Foto: SPTurisÉ com grande satisfação que escrevo este artigo nesta data tão especial. Para nós, amantes do Carnaval, sabemos que mais um ano de lutas, dedicação, entrega, comprometimento, problemas, decepções, mas de muita emoção, e inúmeros adjetivos imensuráveis está terminando.

A contagem regressiva começou e o tempo aperta para os últimos ajustes visando a perfeição que será buscada em sessenta e cinco minutos, em quinhentos e trinta metros e muitas sensações. Mas para que tudo isso? Pra tudo acabar como num passe de mágica antes da dita quarta-feira de cinzas?

Não ! Simplesmente porque a maior festa popular cultural do planeta vive hoje o seu ápice, mas o que ficará eternamente em nossa lembrança é a conclusão de um ano de trabalho e empenho das agremiações que se prepararam para este momento durante um ano inteiro.

Carnaval ! Uma brincadeira muito séria, que vem dos ancestrais europeus, elitizados, e que, com o nosso "brasileirismo", ganhou um toque especial, se transformando em ópera popular, orquestra de músicos de percussão somadas ao lindo trabalho de marceneiros, escultores, ferreiros e artistas em geral. E claro, com a consagração popular, mesmo que a maioria das pessoas ainda não entenda a essência do espetáculo.

O desfile das escolas de samba é democrático, agrega pessoas de todas as classes sociais, cores e lugares. Já ouvi muita "baboseira", desde pessoas que acham que músico não é profissional, não é comprometido, até gente que diz que o Carnaval é uma festa "suja", é um festejo da "carne", e que, por esta questão, não deve ser exaltado. Pensamentos lamentáveis e ignorantes que não combinam com a representatividade das ações feitas pelas escolas de samba que ultrapassam os limites da faixa amarela da dispersão.

Somos os únicos a organizar um ato tão grandioso, cultural, belo e emocionalmente, e que, por culpa das transmissões despreparadas de emissoras de televisão e de alguns veículos de imprensa, ficamos condicionados a uma visão apenas comercial que esconde as raízes, os integrantes das comunidades e o povo.

Enfim, voltando ao Carnaval, é inegável afirmar que a festa se modifica a cada ano. Tudo se modifica, evolui, algumas coisas melhoram, outras pioram, mas o mais importante é que a comununhão de sambistas se faz presente anualmente, realizando sonhos de anônimos e condecorando os trabalhos e o compromentimento de todas as comunidades.

Desejo uma festa maravilhosa aos foliões de todo o Brasil. Que tenhamos um espetáculo de superação, amor, samba, alegria e feliciades em todos os sentidos.

E como dizia o poeta Didi: É hoje o dia, da alegria.


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08/01/2013 11h35

Reflexão: é tempo de festas?
Alemão do Cavaco

Este clima de fim e início de ano traz uma vibração ainda maior quando falamos de Carnaval.

Pra quem ama verdadeiramente o samba como nós, não existe distância de tempo entre fim e início.

Respiramos "Carnaval" o ano todo e esperamos por este momento único e especial que são os desfiles oficiais no sambódromo.

Por isso, logo pensamos: Por que não chega logo os ensaios técnicos, os ensaios de rua, os fogos, as festas de baterias, passistas, compositores, enfim o Carnaval?

É o que nos move, é também o que nos emociona, por isso, para o povo é a "festa da festa". É verdade, mas será que os estes eventos tão importantes e emocionantes, têm o respeito que merecem? Será estas ações possuem uma merecida e necessária divulgação?

Tenho visto sete ou até oito escolas ensaiando no mesmo dia no Anhembi, sendo com isso, esmagadas umas pelas outras, sem veIculações nas grandes mídias, preços abusivos em ensacionamentos e serviços de alimentação e transportes deficitários.

Será que ainda é uma festa para o povo?

Os amantes e participantes dos desfiles das agremiações, principalmente aquelas que tem os ensaios marcados no Anhembi, esperam praticamente o ano todo para este momento, por isso, não podemos suportar o que vem acontecendo com estes ensaios com falta de organização, divulgação e preparação para receber o público que treina e assiste.

Falta organização e planejamento para os eventos que antecedem a folia. Hoje o próprio componente está carente e precisa ser valorizado.

Com uma organização melhor, agremiações, visitantes e foliões ganham. Precisamos trabalhar e lutar por uma real evolução para o maior espetáculo cultural do planeta para que possamos enfim afirmar: É tempo de Festas!


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17/10/2012 15h03

Como era o refrão mesmo?
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoJá estava com saudades deste espaço maravilhoso e deste nosso encontro, pois além de expressar minha opinião, troco muitos conhecimentos e recebo vários comentários de leitores e amigos.

A cada texto aprendo mais e fico contente em poder falar de Carnaval o ano inteiro. Em um destes comentários recebidos nas colunas anteriores, um querido leitor questionou o motivo de muitos sambas de enredo atuais não terem ficado em nossas memórias, alegando que as obras estão cada vez mais "descartáveis".

Claro que nenhuma mudança vem sozinha da noite para o dia, mas de fato tenho que concordar com esta indagação. Os fatores são variados, mas podemos citar alguns, que são cruciais para o resultado final dos hinos que embalam os últimos desfiles.

Infelizmente, a grande maioria das melodias parecem ser obras de "ontem à noite".  O que quero dizer com isso, é que muitos sambas viraram "receita de bolo" e as escolas de samba, "confeitarias". O samba precisa funcionar na passarela, independente se tem ou não qualidade, precisa cumprir seu papel no atual formato de competição. Esta é a regra.

Algumas agremiações muito preocupadas com o resultado final do desfile, com títulos, subvenções maiores, interesses políticos e outros, passaram a ditar as regras do Carnaval disputadíssimo na passarela, pagando caro perante aos amantes do samba e grande espetáculo artístico que é o Carnaval.

Devido a estes e outros interesses, diretores, presidentes, e muita gente ligada a tudo isso, esquecem da essência do samba preocupando-se apenas com o objetivo final. Claro que temos que admitir a evolução do espetáculo, e o crescimento dos desfiles, mas o medo e a pergunta que fica no ar é, será que um dia isso não ultrapassará a razão principal que é o movimento carnavalesco como todo envolvido? Sambas, bateria, folclore, passistas, arte etc...

O resultado disso, está sendo muito preocupante. Hoje temos sambas muito iguais, na qual ficam nítidas as famosas "colchas de retalho", pedaços de sambas antigos do próprio autor ou o que é pior, plágios descarados a fim de um suposto "me engana que eu gosto".

Consequentemente não temos mais aqueles refrões antológicos e marcantes, gostosos de serem cantados até o raiar do dia. É uma pena, pois o que está valendo são muito interesses que nada tem a ver com nosso querido desfile de escola de samba.

Onde estão as melodias inéditas de "Mareô, maré levou, Lá no largo São Francisco bem no centro da cidade, Bate batéia...Pra lá e ra cá, ooooo...", e por aí vai....

Volto a dizer, tudo muda e o Carnaval não pode ser diferente, mas temos que policiar, pois daqui a pouco vamos nos pegar cantando um refrão novo para o próximo Carnaval, que até a chegada do mesmo, não o lembremos mais, ou até mesmo estaremos cantando um que já foi cantado e julgado há mais de trinta anos.

É de se pensar!

Salve o Carnaval!

Foto: Divulgação


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22/08/2012 15h18

Intérprete de samba-enredo: reflexão sobre a valorização nas eliminatórias
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoO desfile das escolas de samba, assim como qualquer evento que ocorre durante muitos anos, sofre inúmeras mudanças e transformações.

É muito interessante e ao mesmo tempo preocupante, pensar no rumo em que estas mudanças estão tomando.

Em praticamente todos os setores de uma agremiação que compõe o maior espetáculo do planeta, notamos mudanças drásticas, seja nas baterias, sambas, coreografias, alegorias e também na parte administrativa e organizacional dessa grande festa.


Mas uma das mudanças que vejo com alegria em alguns momentos e com profunda tristeza está no microfone do Carnaval.

Antigamente, tínhamos verdadeiros "guerreiros" cantores, assunto até já mencionado aqui em textos anteriores, mas para pontuarmos aqui, digo que no passado tinhamos muito mais "puxadores" do que intérpretes.

Não havia qualidade em equipamentos de som, muito menos recursos tecnológicos existentes nos dias atuais, sem falar no respeito e consideração a esta função, que é de suma importância para o desfile.
Claro que muitas outras funções também são fundamentais, mas o intérprete ou puxador, é peça preponderante para o sucesso de uma escola na passarela. Até aí, tudo bem, houve uma sensível valorização e reconhecimento, principalmente entre as agremiações do grupo especial, mas a tristeza é quando alguns cantores, acabam achando que são mais importantes do que tudo, até mesmo mais importantes do que o próprio pavilhão. Claro que em toda regra, existem exceções e nesta área, acredito haver muito mais do que exceções. Temos talentosos e excelentes profissionais.

Infelizmente os intérpretes mais novos estão condundindo tudo e acabam ditando uma regra em que se o mercado não perceber, muito em breve, algumas escolas de samba estarão pagando e valorizando mais o intérprete do que a própria entidade.

Volto a dizer, existem diversos cantores acima da média que merecem respeito, espaço, valorização financeira e reconhecimento profissional, mas assim como na vida, tudo tem que ter equilíbrio natural, pois ao contrário, nem para estes haverá mais espaço no mercado.

Tenho muito receio de que, do jeito que a coisa está seguindo, não conseguiremos nem mais ter acesso a esses profissionais.

Principalmente devido aos valores cobrados aos compositores nas disputa de sambas. Existem parcerias que arrecadam 60% da verba para gastar com os "canários", desde estúdio até a desejada final. Muitas vezes, acaba-se pagando mais ao próprio intérprete, do que o próprio prêmio, que em São Paulo ainda está muito longe de poder ser receber o título de premiação.

Tenho muitos amigos intérpretes e sou o primeiro a valorizá-los em relação a importância e talento dessas vozes que nos emocionam. Acredito que eles precisam ser reconhecidos, mas sem exageros. Cabe uma refexão para que essa função continue sempre em evidência.

É fundamental existir o respeito e a humildade do cantor em relação aos outros setores das escolas, senão, principalmente em época de disputa de samba como estamos vivenciando, os compositores voltarão a cantar sozinhos as suas obras, pois não suportarão os gastos e a vaidade de alguns cantores, que muitas vezes mudam de comportamento em razão as obras em disputa.

Depois desta fase dura de eliminatórias, voltaremos ao tema que é muito rico. É muito importante entendermos que os intérpretes são profissionais e buscam, além de respeito, boas condições de trabalho e valorização no segmento, mas a recíproca tem que ser verdadeira quanto ao respeito, identificação com o pavilhão e cultura do Carnaval.

Torcendo pra que cada vez tenhamos mais equilíbrio, deixo um grande abraços a todos os verdadeiros cantores profissionais do nosso carnaval Paulistano.


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25/07/2012 01h23

Eliminatórias: a saga dos compositores nas disputas de samba - parte 2
Alemão do Cavaco

Foto: Raul Machado - SRZDConforme o prometido em nosso encontro anterior, segue a segunda parte de nosso tema: Disputa de samba-enredo.

Além de tudo aquilo que já comentamos anteriormente, agora temos a continuidade de um processo, desgastante, tenso, muitas vezes desesperador, mas inegavelmente, muito emocionante e por vezes gratificante.

As eliminatórias de samba começaram. Para os apaixonados por Carnaval e por obras musicais, é um momento delicioso, onde poderão comparar obras em suas letras, melodia e emocionantes "sacadas" musicais.

Trata-se também de um momento que poderá definir a situação de sua escola no Carnaval. Com a escolha certa de um samba tudo pode ficar mais fácil. Um excelente samba está diretamente ligado à no mínimo cinco quesitos: samba-enredo, enredo, harmonia, evolução e bateria. Sem um bom samba nenhum desses segmentos poderá ter sucesso total. É como se fosse uma engrenagem de um automóvel, sem um "dente" ela não irá rodar de maneira harmônica e adequada. Podemos comparar também, como um carro zero, mas sem a chave da ignição ou sem os bancos, ele até pode funcionar, mas não da maneira esperada.

Voltando ao espetáculo das eliminatórias de samba, depois de passar por todas aquelas fases citadas na coluna anterior como a pré-disputa de formação da parceria, times de defesa, gravações, e outros detalhes, entra-se no processo de disputa.

Para muitos compositores é uma verdadeira saga. Toda semana um ritual repleto de ações e preocupações com torcida, fogos, intérpretes, ingressos, ônibus e diversos detalhes para os minutos de apresentação. Estamos falando de um grande show ou de uma preparação para uma festa de empresa? É quase ou mais que isso. Fazer um samba e concorrer em uma eliminatória nos dias atuais é um desafio imenso.

Foto: Raul Machado - SRZD

Vários são os métodos utilizados pelas escolas para escolher o samba vencedor. Existem os mais tradicionais, como citamos anteriormente e alguns formatos mais inovadores. Por um lado, as mudanças e transformações são positivas. Por exemplo, em algumas agremiações, a escolha do samba é feita por uma diretoria que se reune e escuta o áudio sem a promoção de um evento aberto ao público e apresentação com a bateria. É mais rápido, prático e menos oneroso aos compositores. Por outro lado, a escola diminui sua receita de arrecadação de quadra e de certa forma exclui parte da comunidade do contato direto com o samba. Sem o "embate" ao vivo com bateria e canto, fica um pouco mais difícil de perceber a funcionalidade das obras.

Na esmagadora maioria das escolas ainda contamos com o tradicional sistema, que apesar de ter algumas injustiças e ser muito desgastante, ainda é funcional e sem dúvida gera mais emoções.

Outra coisa interessante, mas que não é nada bacana, são os reflexos desta competição. Na fase das eliminatórias, alguns sentimentos e atitudes nada positivas se afloram. Pelo fato de fazer um samba e estar na disputa, componentes perdem amizades, entram em discussões que envolvem a vida pessoal de outras pessoas e muitas vezes trocam ameaças via internet, o que é lamentável, pois estamos falando apenas de uma disputa de samba, onde o objetivo real é extrair a melhor trilha sonora para ilustrar o desfile de uma determinada escola.

Todo este universo de disputas internas com todas as suas nuances fazem parte da construção do Carnaval e muitas pessoas não imaginam que exista esta competição para se definir a música que embalará os desfiles.

O que nos resta, é desejar muita luz e inspiração aos amigos compositores e muito discernimento aos amigos diretores de Carnaval e presidentes das queridas escolas paulistanas.

Salve o nosso Carnaval!


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18/06/2012 16h24

Eliminatórias: a saga do compositor para colocar seu samba na disputa
Alemão do Cavaco

Foto: Acervo - SRZDMuita gente não tem a menor idéia de como uma escola de samba define o seu samba-enredo para o desfile no Carnaval.

Até mesmo muitas pessoas ligadas ao maior espetáculo cultural do planeta possuem dúvidas diversas sobre os procedimentos utilizados para a escolha do hino que será trilha sonora dos temas desenvolvidos pelos carnavalescos. A verdade é que este processo vem se reinventando e a cada ano e ganha formatos cada vez mais profissional.

Antigamente tudo era muito diferente. O que importava era somente a qualidade do samba, que de fato "carregava" a escola em seus desfiles, e em muitas vezes, tornava-se o destaque principal e inesquecível da folia.

Pois bem, saindo da esfera romântica citada, a qual ainda me agrada bastante, as melodias tiveram que acompanhar a evolução do Carnaval "profissional".

Claro que tudo passa por evoluções e modificações, no entanto lamento o grande "show pirotécnico" no atual processo para definição das músicas que irão embalar a apresentação das agremiações.

O concurso de samba-enredo passa por um processo de mutação muito grande. Em muitas escolas, tornou-se muito grande o investimento dos compositores para colocar o seu samba na disputa.

Inclui-se torcida, gravação, efeitos especiais, churrasco, cerveja e ingressos para aumentar o número de torcedores para emlalar a apresentação da obra. Tudo isso em contar a contratação de um palco composto por "estrelas" do Carnaval, na qual músicos e intérpretes de grande expressão chamam mais a atenção do que o própria letra criada pelos autores.

Assistimos verdadeiros espetáculos visuais produzidos em eliminatórias, onde a maioria das pessoas que ali torcem para uma determinada parceria, nada tem a ver com a comunidade e identidade das agremiações.

Foto: Walber SilvaSe falarmos apenas sobre o show, concluímos que de fato é um atrativo interessante para o público presente e foliões que prestigiam a festa realizada das quadras de ensaios, mas todos estes fatores atrapalham a escolha real do melhor samba.

Fica cada vez mais comprometido o julgamento das descrições dos enredos pela inspiração dos poetas, das grandes sacadas de melodias e da própria essência do samba.

Entrando na esfera da disputa em si, há todo um processo que poderemos até comparar com uma campanha eleitoral, onde o resultado final depende de muitas ações realizadas antes do início do concurso.

A disputa começa com a montagem dos times que irão compor as parcerias concorrentes. As estratégias para atrair a preferência da platéia e comissão julgadora se misturam com a questão financeira, afinal, o concurso requer muitos gastos antes mesmo do samba ser apresentado no palco.

Ponto fundamental para o processo, uma boa gravação do samba tornou-se ítem indispensável. Sem uma gravação de qualidade, dado ao elevado nível de disputa, a parceria pode já começar o concurso em desvantagem em relação aos demais concorrentes.

Para se obter sucesso na gravação, são contratados estúdio, músicos, produtores e até arranjadores para se obter o melhor material de divulgação possível. Em seguinda, escolhe-se o cantor para gravar e defender a obra na quadra e um time de músicos para acompanha-lo.

Depois de definir estes fatores, teremos tudo quase pronto para o início uma grande batalha, faltando apenas o ingrediente principal, que é o talento, a inteligência, a vocação e sagacidade para se fazer um excelente samba.

Em nosso próximo texto, vamos abordar mais detalhes dos bastidores deste assunto a partir do momento em que se inicia o processo de eliminatórias nas quadras de ensaios. É lá que começa a disputa, os cortes dos sambas, os comentários dos bastidores, o aumento do tempo de apresentação e o julgamento da obra de acordo com a sinopse e proposta definida pela comissão de Carnaval da escola organizadora do concurso.

Foto: Acervo SRZD


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15/05/2012 14h12

É tempo de projetar o próximo Carnaval
Alemão do Cavaco

Foto: Marcelo FioravantePara os apaixonados por esta festa popular tão complexa que é o nosso Carnaval, este hiato que vivemos desde o término dos desfiles até o início do segundo semestre é um pequeno descanso silencioso que podemos definir como uma espera angustiante de saudade misturada com o desejo de que tudo comece novamente. 

Para o grande público, o Carnaval acontece apenas durante os dias de folia do mês de fevereiro.

No entanto para quem trabalha e vive intensamente os bastidores das escolas de samba sabe que esse "mundo mágico" não descansa e não emudece em nada, pelo contrário, ele possui atividades o ano inteiro.

É muito curioso, mas escuto sempre as indagações:

Nossa, mas estamos em setembro, já tem samba para o próximo Carnaval?

Ah o carnaval ta muito longe. Definir enredo em maio?

Notícia de Carnaval. Agora? Ainda estamos em junho.

E por aí vai...

Se por um lado fico muito triste em ouvir tudo isso, por outro, percebo o quanto as pessoas não tem noção do trabalho, da expectativa, do planejamento que os componentes das agremiações possuem para trabalhar visando a realização do maior espetáculo cultural da Terra.

A cada ano os preparativos para os desfiles começam mais cedo. Mesmo com a falta de evolução em muitos aspectos, cada vez mais as escolas estão mais sérias e profissionais, mesmo que longe do ideal.

Observamos vários profissionais sendo valorizados e disputados, definições de enredos antes do fim do primeiro semestre, busca de patrocínios e diversas ações visando fortalecer as entidades.

Outro detalhe importante nos bastidores das escolas de samba neste período movimenta as alas de compositores. É neste período em que as parcerias que concorrem nos concursos para escolhas dos sambas começam a se formar. Os grupos de compositores iniciam seus planejamentos visando as acirradas eliminatórias. A disputa financeira e emocional do compositor para realizar o sonho de colocar um samba na avenida e todas as dificuldades que envolvem estes concursos será tema de nossa próxima coluna.

Em suma, o que parece um silêncio eterno neste período pós Carnaval, nada mais é do que uma falta absoluta de canais de divulgação como o SRZD-Carnaval/SP para poder noticiar e acompanhar a construção do sonho dos sambistas.

Percebo também que falta uma maior interatividade de muitas pessoas que fazem parte da festa, principalmente as que dirigem as escolas, pois deixam este tempo se tornar ocioso e desconhecido daquela grande massa.

As vezes me pergunto:

O que faz essa gente toda que lota as quadras e o sambódromo nos ensaios técnicos de janeiro neste meio de ano?

Por que não frequentam os eventos das escolas?

Por que as escolas não promovem festas e eventos diferentes?

Claro que algumas agremiações promovem diversas atividades e ações, mas acredito que a força real do movimento virá com a adesão da maioria e da mídia em geral que ainda não mostrou que o desfile de uma escola de samba é apenas o final de tudo um processo initerrupto.

Salve o samba gente!

Até a nossa próxima coluna!


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11/04/2012 20h11

Os segredos de um carro de som nota máxima
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoComo disse anteriormente, o assunto carro de som é um tema que rende bastante, e pelos comentários e mensagens que recebi, senti o compromisso de esclarecer algumas dúvidas e acrescentar mais detalhes para poder finalizar a nossa matéria. 

Em primeiro lugar quero agradecer a todos que leram e comentaram o assunto. Muita gente bamba do samba opinou.

Um esclarecimento importante: quando afirmei que o carro de som não era quesito, quis dizer que não era julgado sozinho como um quesito direto, mas no final da coluna, eu mesmo disse que influenciava diretamente no desfile, em outros quesitos  como samba-enredo, harmonia e evolução, uma vez que e São Paulo não temos o quesito conjunto.

Dando continuidade ao nosso tema, muita gente pergunta e mal tem idéia de como é o trabalho de uma equipe de músicos e intérpretes dentro de uma escola de samba.

Claro que cada intérprete e agremiação possuem o seu jeito particular de ensaiar e arregimentar o time, mas em quase todas as escolas, o processo final é o mesmo.

A junção de músicos, como cavaquinistas, violonistas, bandolinistas e pontualmente até outros instrumentistas, é feita de acordo com a necessidade, verba, inteligência e autonomia dos diretores musicais, intérpretes ou até diretores da agremiação.

Tendo um conjunto formado, durante o período de ensaios, a presença deste grupo é fundamental, para animar as festas, eliminatórias de samba, eventos e shows que venham a acontecer.

Após a escolha do samba-enredo, a coisa fica mais coesa e mais dirigida, pois aí é que são desenvolvidos os arranjos, o entrosamento de canto, a criatividade e o compromisso de enaltecer o samba.

De acordo com a capacidade e talento de cada músico, inúmeras alternativas podem acontecer, tanto num time que tenha dois harmonias e três cantores ou até um com mais de cinco harmonias e seis cantores.

Claro que quanto maior o número de integrantes, mais difícil o processo e maior a possibilidade de existir conflitos, uma vez que são mais harmonias para serem cuidadas e mixadas ao vivo, mais vozes para destoar em sincronismo, podendo resultar em uma gritaria infindável que pode prejudicar a harmonia geral.

Muitas vezes, uma equipe numerosa também pode alcançar um resultado positivo. Com uma direção bem feita pode-se obter uma sonoridade potente e agradável.

Foto: DivulgaçãoConfesso que tenho preferência por times mais enxutos, onde fica mais fácil se dirigir e atuar, porém isso não se faz regra.

Temos que pensar também que alguns profissionais, como não são valorizados devidamente, precisam trabalhar em duas ou mais agremiações para ter um mínimo de dignidade de reconhecimento em relação ao pagamento.

Infelizmente o amadorismo é tão grande neste setor, que a maior parte dos dirigentes das escolas se preocupam mais em gastar dinheiro com inúmeros investimentos de gosto duvidoso para o real benefício da entidade, do que valorizar um profissional da música que terá uma influencia direta nos desfile e no resultado do Carnaval.

Se o dinheiro gasto com tantas coisas inúteis fosse revertido para setores primordiais da escola como a parte musical, o resultado final seria outro.

Com um nível de competição acirrado em que um décimo pode determinar tanto um título como um rebaixamento, é importante saber que falhas neste setor podem ser evitadas.

Uma evolução contagiante, uma harmonia perfeita entre canto e cordas e até mesmo a correção daquele samba que tem falhas, mas que pode ser salvo por arranjos capazes de se fazer esquecer aquela colcha de retalhos de melodia e letra, são fatores que podem fazer a diferença em um desfile de escola de samba.

Que cada vez mais os nossos músicos, intérpretes e engenheiros de som consigam mais atenção e valorização em nosso Carnaval.


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22/03/2012 17h55

A importância do carro de som nos desfiles
Alemão do Cavaco

Foto: Raul Machado - SRZDMuitos me perguntam: Como funciona um carro de som no desfile de uma escola de samba?

Pensando nesta questão, resolvi escrever sobre este assunto que para nós músicos, possui grande importância e para o público em geral, pode ser de extrema curiosidade.

Em primeiro lugar é interessante deixar bem claro, que não existem regras e nem uma padronização específica para a montagem de uma carro de som.

As escolas cresceram e estão se profissionalizando em diversos setores, mas muitas ainda não tratam com grande atenção este importante ítem do desfile.

Muitas agremiações se preocupam somente com o intérprete principal, que realmente merece respeito e todos os cuidados, no entanto, o carro de som é composto por uma equipe que desenvolve um trabalho em conjunto.

Para o bom andamento e resultado positivo de um trabalho, precisa-se de coesão, união, talento e muita harmonia no sentido literal da palavra, estendendo-se à musical.

Em um time de excelentes cantores e ótimo entrosamento, faz-se necessário também uma equipe de músicos qualificados para realizar um perfeito acompanhamento. Sem a base musical correta e equilibrada, todo o trabalho pode ser prejudicado, mesmo a entidade tendo um excelente samba.

Antigamente, mal tínhamos um cavaquinho, o que dirá um violonista pra acompanhar o canto de uma nação regido por um puxador de samba-enredo.

Nos últimos anos, acompanhamos uma evolução musical considerável e gradativa neste segmento. Muitas escolas estão trazendo músicos qualificados para as suas apresentações no Anhembi.

Vários arranjos programados e até ensaiados ao extremo, enriquecem um desfile de Carnaval, fazendo com que a obra contribua consideravelmente com a evolução e harmonia da escola.

Aquele simples detalhe na trilha sonora do maior espetáculo da Terra pode ser decisivo em uma disputa de título. A música é capaz de emocionar, empolgar e comover os desfilantes e o público em geral. Daí a importância de sua plena harmonia.

Em nosso próximo encontro, especificarei detalhadamente sobre o funcionamento do carro de som,  que não é quesito, mas influencia diretamente no desfile das escolas de samba.


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07/03/2012 12h23

Não deixem o samba morrer
Alemão do Cavaco

Foto - Raul Machado - SRZD

Depois de semanas após o término do maior evento cultural, emocional e espetacular que possuímos em nosso planeta, estamos de volta a este "mundo" tão mágico e viciante.

Tomei o cuidado para não escrever tudo o que pensei, imediatamente após a apuração de São Paulo, para não agir por impulso e ferir alguma agremiação ou pessoa que participa deste evento tão grandioso. Afinal, poderia ser levado pela emoção negativa daquele trágico dia e cometer um grave erro.

Para os amantes do Carnaval, a confusão ocorrida na apuração é para ser profundamente esquecida, pois, além daquela atitude impensada daquele cidadão, que em meu pouco conhecimento, nada fez pelo samba paulistano em sua história, também constatamos a fragilidade de organização, segurança e respeito pela nossa cultura popular.

Não vou me estender neste assunto, pois não há merecimento de nenhuma das partes para isso, mas não poderia deixar passar em branco a minha indignação.

Sei que no Carnaval de São Paulo, temos muitos profissionais sérios, dedicados e competentes. No entanto, acho que ainda faltam, principalmente aos dirigentes e comandantes, mais amor pelo evento e comprometimento com a parte estrutural, técnica e de organização geral.

O que digo é: nos quesitos onde respiramos a arte, como batucada, samba-enredo, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira, entre outros, carece de uma maior valorização por parte do alto escalão das escolas. O que vejo nos dias atuais são muitos diretores e presidentes que não possuem o conhecimento técnico de muitos segmentos elementares dos desfiles.

Penso que, muito dos "poderosos" e até mesmo foliões paulistanos visam muito mais o poder e o status que esta festa pode proporcionar, do que uma contribuição efetiva que este evento cultural pode proporcionar.

Precisamos amar para dirigir com sabedoria. Estudar, buscar conhecimento para desenvolver a cada dia, mesmo que errando, a melhor forma para desenvolver o nosso Carnaval. 

Este assunto é bastante extenso e engloba muitas vertentes. Acredito que podemos caminhar em busca de um grande Carnaval de 2013, com união, comprometimento coletivo e amor para manter viva a chama deste grande teatro musical popular ambulante.

Por favor, deem ao carnaval de São Paulo, seriedade, amor e justiça. Com todo respeito, nada justificam aquelas horríveis atitudes de violência e despreparo. 

Não posso deixar de mencionar os critérios de julgamento. É de se revoltar as notas dadas sem critério ou coerência alguma. Por exemplo, de 14 escolas, dez atingirem a nota máxima no quesito samba-enredo. Alguma coisa está errada. Todos os sambas estavam perfeitos e iguais? Ninguém errou? Ninguém se superou?

Fora os outros quesitos em que a disparidade visual era grande, e constatamos notas absurdas. Claro que NADA justifica aquelas atitudes de revolta ocorrida no dia da divulgação das notas, mas tudo precisa urgentemente ser repensado.

Salve o Samba!


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17/02/2012 14h04

Esquenta pop ou trio elétrico de bateria?
Alemão do Cavaco

Foto - Raul Machado - SRZDPara os amantes do Carnaval como nós, principalmente quem gosta de bateria, adrenalina e emoções fortes, o tradicional "esquenta" de uma agremiação, é o momento mais emocionante do desfile.

Foi por estes momentos que minha paixão por Carnaval se estendeu tomando uma dimensão infinita de alegria e de uma certeza que estes momentos são especiais e únicos, fazendo-nos esquecer de tudo naquele momento, e "voltarmos à Terra", mesmo que extasiados, logo após o final de tudo.

Até aí tudo bem pra quem sabe do que estou falando, mas o que vem acontecendo, principalmente no Carnaval de São Paulo, é alarmante e no mínimo preocupante.

Vi em muitos ensaios de quadra e principalmente nos treinos técnicos no Anhembi, uma situação quase que desesperadora, onde nossos intérpretes, deixam de lado a história das escolas, com sambas tradicionais e belíssimos que o Carnaval de Sampa tem, pra fazerem um esquenta regado à músicas de cantores consagrados como Jorge Benjor, Tim Maia, e até Dona Ivone Lara.

Nada contra os reis do pop e até do samba, mas neste caso, estamos falando de uma coisa específica que se chama Samba-Enredo, e é o momento máximo de mídia e de atenção que temos de todos, inclusive, de crianças e pessoas não tão ligadas a este gênero maravilhoso, podendo lhes dar conhecimento e um pouco da história de nosso cultura popular, principalmente por se tratar de um Carnaval em estado crescente como o paulistano.

É uma alegria poder ver uma criança cantar um samba de Geraldo Filme, Ideval, Zeca da Casa Verde, Armando da Mangueira e outros bambas da paulicéia, pois foi plantado nela esta semente de informação e cultura, mas me entristece saber que neste momento tão importante e de holofotes, os amigos intérpretes priorizam canções de axé ou de qualquer outro tipo de mídia momentânea que nada contribui com nosso Carnaval.

Eu gostaria muito de ver na Bahia, os trios elétricos cantando sambas enredo antológicos e principalmente de São Paulo, mas sabemos que isto é uma utopia e nem devemos cobrar isso deles. No entanto, acredito que temos que fazer nossa parte, incluindo diretores de Carnaval e de harmonia que além de permitirem esta situação, ainda vibram como num trio baiano. 

Espero pela volta do "esquenta" emocionado dos sambas que tanto fizeram pelo nosso Carnaval e que passe gerações ensinando e cultivando nossa raiz e história, pois sem ela nada poderá ser cultivado, e vem o "medo" do Carnaval tão modificado acabar, e termos baterias acompanhando pagodeiros ou trios elétricos.

Salve o samba gente !


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03/02/2012 09h52

Puxador de samba mesmo!
Alemão do Cavaco

Foto - Raul Machado - SRZDComo é do conhecimento de todos, nosso querido e imortal Jamelão dizia: Puxador não, eu sou intérprete.

Claro que com toda aquela voz, suingue, boa dicção, ele era mesmo, mas não se aplica esta regra a todos não. Como rara
exceção o querido "Jamela", tinha este direito por saber a diferença de ser um gritador cantante e um cantor com técnicas e sensibilidade.

Mas se formos pesquisar a fundo mesmo, a palavra "puxador de samba", no Carnaval, faz todo sentido, pois antigamente, as escolas não possuíam harmonia musical, cuidados com tonalidade, muito menos arranjos programados e o que valia neste quesito, era o clima da bateria, um ótimo samba, as pastoras ecoando o seu cantar afinado por "Deuses do Carnaval", e claro um cidadão com uma voz grave e potente, onde também muitas vezes até com pouco domínio técnico, mas com muita garra, literalmente puxava o canto da escola.

Claro que com a evolução do Carnaval, são muito bem vindos: a técnica, a harmonização, os arranjos, pois tudo mudou e  precisamos melhorar e acrescentar movimentos positivos pra uma crescente em todos os sentidos.

Mas ainda sou a favor que o tal "puxador", mesmo que com um pouco menos de técnica, ainda esteja "vivo", pois hoje em dia, estamos vendo muitos cantores até que de certa forma afinados, e com mais conhecimentos musicais, estudando e até "abrindo vozes", mas que seriam ótimos cantores de meio de ano como chamamos no Carnaval.

Cadê o cara que puxa? Que canta num tom coletivo pro bem da escola?

Grande parte dos intérpretes da atualidade não são "puxadores", não suportam as tonalidades dos chamados "cavalos" de voz, no bom sentido e obrigam a escola toda, inclusive prejudicando a harmonia musical e de vozes da mesma, a cantar no tom adequado para o limite da garganta deles.

Aí com todo respeito, quando "jogam pra galera", o canto da escola some, pois o tom só é adequado para aquela voz treinada e colocada. Mulheres, homens e as pastoras perdem seu brilho pela escolha errada da tonalidade, porque a "estrela" maior que deveria puxar e incentivar, não tem a qualificação de voz que fez criar o termo "puxador de samba".

É triste, mas é uma realidade do novo Carnaval. Há espaço pra todos,  mas hoje em dia, qualquer "cara" que abre a boca no tom, pode trazer uma escola com uma bateria e comunidade nas costas?

É de se pensar!

Salve o samba gente!


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