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Dicá

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CARNAVAL. Ativista negro, embaixador e cidadão samba paulistano de 2004, é compositor, batuqueiro, passista e fundador da Velha Guarda da Rosas de Ouro de Vila Brasilândia, junto com a embaixatriz do samba Maria Helena. É pesquisador cultural e estudioso da cultura popular brasileira e afrodescendente.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



25/10/2016 11h59

Há treze anos Rosas de Ouro perdia seu eterno presidente
Dicá

No ano de 2003 o mundo do samba perdeu grandes personagens, dentre eles, o presidente da Sociedade Rosas de Ouro, Eduardo Basílio.

A máxima de que ninguem é insubstituível, é na verdade, um grande engano: ninguém é substituível.

O criador nos faz a sua semelhança, mas cada um tem sua missão específica e, como seres humanos, somos todos iguais, mas na essência, que é o espírito, somos muito diferentes.

Busto de Eduardo Basílio. Foto: SRZD - Cláudio L. Costa

Por vezes a saudade bate e somos levados a lembrar de alguns desses sambistas que também nos deixaram no ano de 2003. Dentre outros, após cumprirem suas missões, se foram: Elaine Cruz Bichara e a minha amiga e porta-bandeira Nene, que bailava junto ao Jorginho, que também foi antes do combinado, com diz Moisés da Rocha.

Lembrando que esse casal foi um dos grandes na arte da dança de meste-sala e porta-bandeira que vi em ação no Carnaval de São Paulo e na minha querida Rosas de Ouro.

Nesse ano se foram também Chico da Ronda, do Império de Casa Verde, deixando sua aguerrida escola de samba, a nossa "Caçula do samba". Partiu ainda o grande cantor Noite Ilustrada e um dos mais sábios e firmes presidentes, que viveu a frente do seu tempo, ensinando e comandando a grande nação azul e rosa: Eduardo Basílio.

Esse tinha muito a ensinar e assim o fez. Desse eu posso falar, pois lhe acompanhei por algumas décadas...

Tristeza a parte, hoje peguei a caneta para escrever sobre ele, que conheci no ano de 1974, quando cheguei na roseira para o desfile do ano vindouro, levado pelo meu eterno amigo Mug, o poeta da Brasilândia...

Inegavelmente aprendi muitas coisas com o presidente, principalmente a defender nosso pavilhão e andar pelo caminho do bem, onde conheci Maria Helena, que já vinha do início da escola.

Formamos nossa familia e contribuimos para a formação e grandeza que a escola sempre buscou, com honradez, respeito e, acima de tudo, lutando para levar o nosso pavilhão ao mais alto patamar do samba brasileiro.

Nesse curso em que o rio da vida nos leva aprendi que todas as pessoas são insubstituíves, sem exceções! A vida sempre continua para quem fica, mas nada será igual novamente sem aqueles que se foram...

Vivemos Carnavais memoráveis, principalmente na Brasilândia, onde crescemos e de lá saimos em busca de novos horizontes. Descemos o morro da "brasa" e levamos conosco todos os ensinamentos recebidos por mestres como Salá, Zelão da Rosa, Chupin, Bonga, Valtão, Zeca da Casa Verde, Manézinho, Braizinho, Rua, Ivan, Chinês e Nego Dois.

E também de famílias que centralizavam toda cultura ancestral que traziam consigo: Mercedez, Catatau, Paulão Borracha, a familia do Mug, Rubinho, a família do Cordeiro e tantas outras que vinham de celeiros de bambas como o Catimbó, Inferninho, Terezinha, Tiro ao Pombo, Pentado, Servidão, Estrada do Veja, Largo do Icaraí e Itaberaba, formando a comunidade da Brasilândia, que chamamos de "brasa, pois prima por um fogo que jamais se apagará.

Famílias que formavam a comunidade da escola, dando a ela uma notável capacidade de desfile que encantou São Paulo, isso tudo sob a batuta do maestro Eduardo Basílio!

Eduardo Basílio. Foto: Reprodução

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08/10/2016 09h23

Enredos religiosos em 2017 vão esclarecer a opinião pública
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Confesso que o samba produzido pelas escolas como cultura e ensinamento, trazem, entre tantos quesitos, uma das coisas que mais gosto: o enredo.

A história contada e avaliada na grade de quesitos pelos jurados, sem dúvida, é o que mais me encanta.

Devido a isso sempre procuro entender os enredos das várias escolas, independente dos grupos que pertençam. Costumo mergulhar mais fundo nos que me interessam. Esse ano vendo a preparação para o Carnaval vindouro me deparei com dois belos enredos, que normalmente, dividem opiniões causando curiosidade e polêmica.

Quando as escolas de samba falam em seus enredos de religião ou fatos correlatos, sempre geram expectativa na dualidade: "sagrado e profano". Acho até natural, pois essa ligação com divindades e a humanidade sempre dividiu opiniões diante das opções religiosas. Isso acaba criando polêmica, principalmente no Brasil, onde a formação é multirracial e as religiões e crenças são diversas.

A Unidos de Vila Maria fez um grande Carnaval este ano, e promete. Infelizmente não pude acompanhar suas eliminatórias cujo enredo vem falando de Nossa Senhora Aparecida, nossa "Padroeira", e uma das santas mais queridas do Brasil. Com esse enredo a escola tentará o primeiro titulo.

Sabemos do potencial da agremiação, da garra dos seus componentes, da busca da taça inédita e da trajetória do seu novo carnavalesco paulista, Sidnei França.

Como o samba tem um trecho da música do nosso eterno "Rei" Roberto Carlos e sua anuência para ser utilizado, o mesmo demonstrou um grande gesto de generosidade exacerbada, talvez por sua fé em nossa padroeira. Também confesso que fiquei surpreso com a Igreja católica, pois pensei que não fossem dar autorização para o desfile, e dessa vez (ainda bem) me enganei, pois os tempos mudam e pela primeira vez me surpreendi!

O desfile no sambódromo do Anhembi certamente será um marco na mostragem de uma santa católica e de uma Iyalorixá (mãe de santo) do Candomblé.

Do outro lado, o que também espero é que essa mesma anuência e compreensão não seja somente da igreja católica, mas também de todas as religiões professadas no Brasil. Porque outra das grandes escolas de samba de São Paulo, nossa querida Vai-Vai, que sempre trouxe em suas fileiras muitos negros, virá falando de Mãe Menininha do Gantois, a Iyalorixá (Mãe de santo), filha de Oxum, como uma das mães de terreiro mais famosa do Brasil, que traz em sua história o culto dos negros que hoje é seguido por muitos brasileiros independente da cor ou mesmo da religião que seguem.

Sabemos da luta de Mãe Menininha para abertura do Gantois para os cidadãos brasileiros de cor branca, entendendo que o Brasil é multirracial e o estado é laico, mesmo com estranhamentos, ela foi em frente nessa abertura.

Portanto, uma das maiores escolas de contingente negro de São Paulo e talvez do Brasil, terá a incumbência de nos brindar com mais esse enredo religioso, esclarecendo à opinião pública diversas dúvidas, e que com certeza trará mais um pouco de clareza sobre as várias manifestações da fé no Brasil.

Deixando como ensinamento que cultura e religião devem ser respeitadas. Será um bom momento para combater intolerâncias religiosas, intransigências, homofobias, e preconceitos. Características desumanas, não cabem em lugar nenhum...

Amém e axé, para todos nós! 

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11/08/2016 16h15

'Plantei uma Rosas de Ouro no meu coração'
Dicá

Hoje acordei com a notícia da partida de um grande amigo, irmão, parceiro musical e sambista, com o qual tive a oportunidade de conviver por várias décadas. A Vila Brasilândia perdeu um dos seus filhos mais ilustres, o poeta "Mug".

Paulo Sérgio de Oliveira, um bamba de fato, que veio a falecer na fria manhã desse 11 de agosto.

Mug. Foto: Reprodução

Mug levou-me para a "Roseira" em 1974, pois queria me mostrar a escola que estava crescendo no meio daquela gente negra, pobre e boa de samba...Quando adentrei no ensaio e vi a quadra em apoteose, fiquei encantado e por lá fiquei por muito tempo. Aprendi com ele muito de samba e juntos tivemos várias parcerias musicais, desfiles naquela inesquecível ala de passo marcado, a "Baixada do Maestro", onde ele era o chefe e nos passava a ginga, os passos e a graça de ser passista.

Apresentou-me Maria Helena, com a qual construi minha familia. Juntos, apaixonados pelo samba, fomos compositores de sambas de enredo e samba de quadra, fomos também chefe de ala e harmonia. Fundamos a velha guarda da agremiação.

Sua família é de suma importância para a Vila Brasilândia, pois seu pai era o seo "Quin sapateiro". O grande zagueiro e treinador que ensinava o bom futebol aliado à educação para as crianças do bairro. É sempre assim, a tristeza espreita e nos pega quase sempre de surpresa levando nossos queridos pares até chegar nossa vez.

Só para lembrar...

Mug, como dantes, chegou a nossa quadra com seu terno de linho com calça boca de sino, sapato branco e, como sempre, pegou o microfone, subiu o pequeno palco de nossa quadra na "Brasa" e cantou a noite inteira como nos velhos tempos de Rosas de Ouro de Vila Brasilândia. E aquela gente, sambou, sambou, até amanhecer...Era o Rosas de Ouro, a nossa escola!

Obrigado meu Deus por possibitar a convivência com esse grande ser humano!

"Plantei, ah! Eu plantei uma Rosas de Ouro no meu coração"

Sambista de fato!

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22/07/2016 11h01

Samba-enredo: Até que ponto vamos chegar?
Dicá

Penso que os compositores de escola de samba estão se tornando cada vez mais raros.

Nos dias de hoje poderíamos, com raras exceções, afirmar que os compositores não são mais da "escola de samba".

Samba-enredo: Até que ponto vamos chegar? Foto: Reprodução

Infelizmente já não existe aquela fidelidade ao pavilhão, aquele amor à escola como nos tempos idos e a resposta é sempre a mesma:

"As coisas mudaram, quem vive de passado é museu". E digo eu, quem vive sem passado é árvore sem raiz! Pau podre...

Antigamente os compositores, em sua maioria, eram ligados a uma escola de samba, sentiam orgulho de representar a verve poética daquela agremiação.

Por incrível que pareça, não era um reality show, tampouco um "the voice"...

Faziam parte de uma "escola de samba", tanto para aprender, como para ensinar. Aliás é bom ressaltar que compositores compunham mesmo!

Raramente as obras tinham mais que três compositores e o samba de enredo não eram avaliado pelo árduo, enfadonho e caro processo expositivo dos dias de hoje. Não havia pessoas bancando o samba em troca do seu nome nas obras ou qualquer outro artifício menos nobre.

Naquele tempo, colocar o nome num samba era uma questão de dignidade, de verdade, de honra, e podemos dizer até, de vergonha na cara. Quando vejo um samba composto por um batalhão de pessoas, fico imaginando como foram feitos os versos...

Um leilão? Sorteio? Chute? E muitas vezes o samba fica como uma colcha de retalhos, um emaranhado de versos, um quebra-cabeça, muitas vezes, de difícil compreensão, e depois de escolhido é digerido pela escola através de um processo exaustivo de ensaios coreografados.

Samba-enredo: Até que ponto vamos chegar? Foto: Reprodução

Sabemos que não é possível colocar todo enredo montado pelo carnavalesco numa letra capaz de explicitar o que a escola vem mostrando. Geralmente os compositores são sugestionados pelos carnavalescos (o que não ocorria no passado) a colocar o que ele (carnavalesco) entende como pontos principais da "peça".

Assim, o ponto principal do enredo vem centrado no que o carnavalesco expõe nas sinopses e nas palestras feitas aos compositores...

Eu quero isso, aquilo ou aquilo outro...Diante desse "modus operandis" a composição fica meio direcionada gerando quase sempre "rimas forçadas" em formas de versos e refrões definidos. O samba não é livre, tem amarras, é predeterminado, vêm de uma espécie de fórmula do tipo:

Dez linhas de história, quatro linhas para o primeiro refrão, dez linhas de história, quatro linhas para o segundo refrão, e lá vamos nós entre rimas forçadas e coreografias num desfile alucinante.

Até que ponto iremos chegar? As alas de compositores encontram-se em extinção, consequentemente os samba de quadra também. Passistas, cabrochas, pandeiristas, carnavalescos, rainhas de bateria da comunidade, puxadores de samba de enredo e baterias com mestres genuínos então, nem se fala.

Este pessoal está cada vez mais raro de surgir nas "salas de aula", que antes eram extensões dos mágicos terreiros que denominávamos de "quadra". Viraram objetos de estudo. Aí eu pergunto: Onde estão as escolas?

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04/05/2016 10h00

Enredo: reeditar ou não?
Dicá

De alguns anos para cá as escolas de samba descobriram a reedição de enredos, através de desfiles que marcaram época, com seus sambas antológicos e imortais.

Essa possibilidade de reedição surge como uma chance de reviver uma felicidade passada, ou seja, reaviva a mente daqueles que desfilaram na época, e propiciam ainda aos mais novos desfilantes a chance de contato com um passado de glória.

E talvez pode se pensar ainda na economia e praticidade em executar o desfile.

Na verdade é impossivel não criar expectativas e comparar os dois momentos, pois este aspecto sempre estará presente, e indagações, não faltam...

Arte. Foto: Arte

E ouve-se por aí: Aquele desfile foi mágico! Imortal, não dá para superar, e por aí vai. Penso que são dois momentos distintos e não é só o enredo que possibilita o sucesso, há de se pensar que serão novas pessoas, os atores de uma mesma peça.

Nas rodas de conversa sobre escolas de samba sempre há aqueles que são favoráveis e os que não são.

Que tal reeditar "Narainã", ou talvez "Os cinco bailes da história do Rio", não seria melhor "Kizomba", ou "O sonho de Candeia", da Nenê de Vila Matilde?. Que tal "O sabiá", um desfile inesquecível da roseira! Que tal "Chica da Silva", em que o mestre Pamplona e "Trinta" revolucionaram o formato dos desfiles. Teríamos dezenas para elencar...

Porem é bom lembrar que algumas reedições poderiam sofrer correções históricas como o clássico de 1964, "Aquarela Brasileira", de Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola, que para mim é um dos melhores de todos os tempos, e que foi reeditado pelo glorioso Império Serrano.

Conta a lenda que o samba perdeu pontos preciosos na disputa com a Águia de Madureira, deixando de levar o campeonato, que foi conquistado pela rival histórica, a Portela!

Na "Aquarela", em que os compositores "pintavam" os estados brasileiros, o poeta Silas de Oliveira e sua trupe vinham discorrendo características e fatos históricos da região norte em direção aos estados do sul do Brasil, ocorre porém, que como vinha numa sequência lógica abordou a Bahia e depois Pernambuco, que deveria vir antes, criando um erro geográfico, que deve ter tirado pontos do glorioso Império.

Desfile do Império Serrano em 1964. Foto: Acervo

Por outro lado pode-se dizer que a reedição evita o desgaste do atual "modus operandis" das disputas de sambas de enredo que originam um alto custo para os poetas privilegiando interesses vorázes sobre direitos autorais e televisivos, em disputas em que "irmão desconhece irmão", e ainda de quebra, geram o sumiço de alas de compositores e seus sambas de quadra.

Além de tudo isso ainda cria desilusões, jogo de interesses onde o mais forte, muitas vezes, prevalece sobre tudo e todos, mesmo com um samba ruim.

As reedições de enredo ainda possuem alguma vantagem, pois os carros alegóricos, figurinos e samba já tem um desenvolvimento traçado e normalmente sofrem poucas mudanças.

Portanto basta mergulhar no enredo e trazer à tona a história. Então a escola fica entre a cruz e a espada lidando com o fantasma de um desfile imortal e com um Carnaval de inevitável comparação.

Ainda existem as comissões de Carnaval e os atores de um novo tempo, muitas vezes sem formação sambística nenhuma e funcionando apenas como componentes.

Estes terão essa difícil missão de fazer brilhar novamente o diamante que a história mostrou, e não é fácil. Embora os carros alegóricos e as fantasias sejam mais incrementados, o samba, a ginga, a leveza e a graça dos sambistas daquele tempo, nesse momento, criam um paradoxo que fala mais alto, pois reeditam o enredo, mas não os sambistas... 

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31/03/2016 10h15

Comentarista reflete sobre estágio atual do Carnaval de SP
Redação SP

O desfile das escolas de samba deixou em algumas pessoas alegria, em outras tristeza...

Após o Carnaval, tivemos algumas surpresas agradáveis, pois nem tudo se resume as agremiações que desfilam na Avenida.

Os blocos carnavalescos tomaram de vez as ruas com seu samba livre, com sua alegria contagiante e muita gente se divertiu de maneira despretensiosa pela cidade, e isso é muito positivo.

Carnaval de rua em SP. Foto: Divulgação

Sabemos que nem todos os foliões ou sambistas conseguem desfilar numa escola de samba, seja pelo preço da fantasia, pelos problemas encontrados, ou simpliemente pela preferência em brincar o Carnaval com menos custo, cantando, dançando e extravasando sua alegria sem mexer no bolso ou submeter-se aos padrões de um concurso.

Carnaval de rua em SP. Foto: Divulgação

Há alguns anos atrás, nos dias de momo, muitos não tinham o que fazer na cidade, ou viajavam, ou ficavam em frente da televisão vendo os desfiles. Hoje a coisa está mudando...

É possível num giro pelas ruas ver as pessoas montando seus próprios blocos e outros ainda curtindo o velho e bom samba nas bandinhas e nas batucadas.

Quanto as escolas de samba, o que me surpreendeu foram os quesitos alegoria e fantasia. Eles me parecem os pontos principais do desfile para quem não tem caixa forte, pois os carnavalescos na contenda necessitam usar, e muito, a criatividade para compensar essa dificuldade rumo a disputa do título.

Hoje as escolas caminham cada vez mais apostando na visibilidade, na grandiosidade dos seus desfiles como se fosse um cardume de fantasias ornado por alegorias.

Felizmente nem tudo se resume a esses dois quesitos, existe o samba extratificado no canto, dança e batuque, que nada mais é do que harmonia, evolução e bateria que acabam se transformando no calcanhar de Aquíles decidindo o título de campeão do Carnaval.

Esse ano o quesito evolução, que se anunciava pelos desfiles aeróbicos exacerbado durante esses anos que se passaram, transformou-se definitivamente no vilão.  

Como sempre mostrou o descaso com o natural samba no pé, ginga e interação entre os expectadores e as escolas. Quando se consegue criar um clima mágico entre essas duas partes (quem passa e quem vê) a escola sai um pouco na frente, pois normalmente esse clima contagia até os jurados e suas notas, mas não dessa vez!

Esse ano escola nenhuma obteve as quatro notas dez em evolução, ou seja, não houve unanimidade. Ficou a impressão que o resultado se deveu a desconstrução do conceito evolução mostrado pelas escolas, além do imperdoável esquecimento de jurados em anotar sua notas.

A decisão do Carnaval paulistano se revelou em meio a um triste espetáculo...

Tumulto na apuração 2016. Foto: Reprodução

Espero que em 2017 possamos suplantar essas nulidades, pois espelhos têm! Foi um fato triste e muito ruim para a imagem do Carnaval protagonizado por nossas escolas de samba! Oxalá nos guie...

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19/01/2016 10h00

'Samba de lá que eu sambo de cá'
Dicá

Quando se fala em "Escola" seja ela qual for somos de imediato somos levados a pensar que lá iremos aprender ensinamentos que professores, mestres, educadores e irão nos passar.

Nas escolas de samba não é diferente ou pelo menos não deveria ser. Quando vejo uma escola de samba desfilar, sou levado a pensar que está mostrando seus mestres, e os alunos o aprendizado. Aprendizado esse que espelha na formação e na grandeza dos mestres em suas fileiras.

Samba. Foto: Reprodução

Muitas vezes uma escola campeã em desfile é uma escola montada, genuinamente não é a melhor escola, pois a melhor escola é aquela que forma e mantém os grandes mestres disseminando seus saberes e por consequência formando alunos para manter e mostrar as fundamentais características hereditárias de uma escola de samba, é o que chamamos de tradição!

Hoje, em função das escolas de samba terem se tornado empresas acabam buscando no "mercado de trabalho' os melhores profissionais para a obtenção do título de campeã ou no mínimo para permanecerem em seus grupos de desfiles. Cada ano que passa aumenta a busca por esses profissionais. Portanto nem sempre podemos afirmar que a escola campeã é a melhor escola de samba que ensina e forma alunos.

Para as escolas de samba formar, manter os alunos e seu corpo docente nos dias de hoje parece inimaginável. Devido a isso, muitas vezes somos levados a pensar que alguns títulos obtidos em desfile muitas vezes não exprimem a melhor escola de eamba e sim o melhor espetáculo e muitas vezes que contratou ou manteve os melhores profissionais!

Dentro desse "vai da valsa", dificilmente conseguimos identificar uma escola de samba através de suas características hereditárias, ou escola de samba com identidade, pois esse movimento migratório acabou tornado-as idênticas no jeito de desfilar, "batucar" e de compor suas trilhas-sonoras.

Samba. Foto: Reprodução

Pois além de obedecerem a duros padrões impostos pelas normas de julgamento há sempre um olhar criterioso e assimilativo sobre o trabalho da escola que defende o último campeonato, o "modus operandis" é sempre bem vindo.

Por vezes ouço pessoas que estão no comando das escolas de samba falarem que o desfile está muito técnico e qualquer "coisinha fora dos padrões de avaliação" pode determinar a perda de um titulo.

Então os desfiles de Carnaval que antes primavam pelo lúdico, pela beleza, alegria, samba no pé e identidade, estão cada vez mais focados num título muitas vezes triste, previsível e atado as amarras de normas de quem nunca sambou, cantou ou batucou.

Denotam pessoas que expressam um sorriso impostado pela falta de ginga, alegria e centrados quase sempre nos treinamentos aeróbicos exaustivos das academias de ginástica, mas jamais de escola de samba. Mãos para o alto, corpos eretos, balancem as cadeiras e batam palmas...

Aquele samba que nasceu descalço, fazendo suas batucadas em beiras de campos que originaram muitas das atuais escolas de samba, a cada ano some. Fica cada vez mais enlatado, travestido de falsa modéstia, acaba mostrando gente que sai dos desfiles sem derramar um pingo de suor, de samba, de ginga e de nada se há, veio da academia.

Podemos chama-las de escolas de desfile talvez? Escola de samba é outra coisa...

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25/09/2015 00h00

Concurso de samba-enredo: 'A voz do povo é de fato a voz de Deus?'
Dicá

Uma reflexão sobre as eliminatórias de samba-enredo!

Se seguirmos o ditado popular, diríamos que sim, a voz do povo, é voz de Deus, mas se analisarmos os fatos nos dias de hoje ficariamos a pensar. Poderiamos dizer que sim, quando se trata de uma democracia onde na prática a maioria vence, mas quando se trata de disputa de sambas de enredo, não é bem por aí que a banda, ou melhor, a bateria toca...

Penso que nesse aspecto muitos de nós, que gostamos disso e acompanham essas disputas durante muitos anos, podemos dizer que já vimos coisas do "arco da velha".

Sambas-enredo que ganharam nas iliminatórias, mas não levaram, outros que caíram e renasceram das cinzas para vencer, outros, ainda que fossem escolhidos após as finais sem ao menos participarem, outros que incrívelmente após a escolha foram substituidos por outro samba do mesmo compositor...e por aí vai. Isso tudo posteriormente sussurrado pelo "povo do samba" diante de conceitos como lisura, honestidade, escolha democratica etc...

A grande verdade, é que nessa seara, as unanimidades foram raras e que a dúvida sempre pairou, pois os interesses são muitos e originam-se de todas as partes. Nessa nova configuração onde o dinheiro muitas vezes fala mais alto, a coisa piorou.

Nos tempos idos, os prêmios eram mais modestos, os poetas eram patrimônio da escola e se sentiam honrados em vestir as cores do pavilhão e participar da "Ala musical" com seus sambas-enredo, sambas de quadra, onde declaravam o seu amor à escola amada...

Eram ativos de fato e realmente da escola, isso era questão de honra! Os que chegavam tinham que provar através de um samba novo, a sua arte de poetizar! Sempre falo aos mais novos de um epsódio que li, onde Paulinho da Viola apresentava Noca da Portela ao presidente da ala.

Candeia. Foto: Reprodução

Nada mais do que o grande Candeia presidente na época da ala de compositores da Águia de Madureira, porém, teve que provar qualidade, fazer um samba para apresentar à notável ala, isso por norma instituida, por respeito a quem já estava por ali...

Outro fato famoso é Fernando Penteado quando presidente da ala de compositores da escola de samba Vai-Vai, diga-se de passagem, outro celeiro de bambas, brecar o já famoso Geraldo Filme, exigindo um samba novo para apresentar e ser analisado para poder entrar naquela outra grandiosa ala, como toda escola da época possuia...

E lá foi Geraldão...Acabou compondo o hino da escola...Ah e naquele ano também ganhou o samba-enredo discorrendo sobre Solano Trindade. Naquele tempo esse crivo era questão de honra, hoje predominam o que podemos chamar de "festivais de sambas-enredo", não importa donde vem e sim que venha, não precisa ter escola, escola prá que?

Geraldo Filme. Foto: Reprodução

Fatores como esse estão acabando com as alas de compositores, dificilmente sabemos quem são os "compositores" da escola ou se os que lá estão realmente compoem, cantam ou mesmo falam, pois num único samba são oito, dez, quinze...

Portanto com tantos fatores novos como esses nesse quesito chamado "samba-enredo", ficamos sem saber se a comunidade também existe de fato ,ou se é apenas mais uma massa de manobra que caminha de forma tão triste nessa encruzilhada!

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18/08/2015 11h30

O adeus de uma Matriarca
Dicá

São Paulo da terra da garoa, dos emboabas e do samba duro que cresceu nos terreiros de café deu adeus a uma de suas grandes sambistas, Dona Olimpia!

Aquela dama imortalizada num samba de Geraldo Filme. Partia assim no último sábado, dia 15 de agosto, a matriarca que contribuiu por quase um século de vida na construção da história do povo negro e sua resistência cultural e histórica dentro do Estado de São Paulo. Perdemos, ou melhor, ganhamos um grande presente do criador que foi conviver com tamanha grandeza em nosso tempo através de seus ensinamentos e caminhos apontados.

Dona Olimpia. Foto: Reprodução

Dona Olimpia nos deixou um registro precioso com sua participação construtiva e passagem nessa vida da história do negro remanescente das lavouras de café até a chegada ao grande centro urbano paulista. Foi fundamental desde os encontros nos lendários barracões de Pirapora de Bom Jesus onde passa a história do povo negro.

A principio proibido de ir as missas nas igrejas católicas os negros esperavam seus senhores nos barrracões onde praticavam seu batuque e louvores a seus Orixás. Acompanhou ainda a migração das familias negras em sua vinda a metrópole paulista que se formava no escoamento da produção agricola vinda do interior para a capital.

Foi imortalizada não somente por sua contribuição na fundação do histórico cordão Vai -Vai, mas também nos ensinamentos aos sambistas desse quilombo negro de resistência cultural que se tornou hoje a escola de samba, mas também, de todos aqueles que se sentaram à sua farta mesa de ensinamentos onde puderam alimentar seu espírito ávido de saber.

As grandes escolas sejam elas de qualquer saber que ensinam, são avaliadas por seus mestres e sua capacidade de ensinamento e melhoria do crescimento humano nas relações que o cercam. No samba como cultura não é diferente e Dona Olimpia foi uma dessas professoras que formou inúmeras crianças, jovens e adultos a se tornarem seres humanos melhores, honrando seus pais, respeitando aqueles que lhe são contrários em opiniões e sobretudo contribuindo ainda com a formação de "sambistas cidadãos" como faz hoje a nobre "Tia Creusi" com suas crianças...

Dessa vez tenho certeza, não perdemos uma biblioteca...Não, dessa vez não, seus livros foram espalhados por inúmeros "vaivaienses" e sambistas que puderam iluminar-se diante da grandeza de sua grande mãe!

Saravá Dona Olimpia! Que Oxalá a receba com um grande rufo de bateria!

Letra da canção, "Batuque de Pirapora", de Geraldo Filme

"Eu era menino
Mamãe disse: vamos embora
Você vai ser batizado
No samba de Pirapora
Mamãe fez uma promessa
Para me vestir de anjo
Me vestiu de azul-celeste
Na cabeça um arranjo
Ouviu-se a voz do festeiro
No meio da multidão
Menino preto não sai
Aqui nessa procissão
Mamãe, mulher decidida
Ao santo pediu pediu perdão
Jogou minha asa fora
Me levou pro barracão
Lá no barraco
Tudo era alegria
Nego batia na zabumba
E o boi gemia
Iniciado o neguinho
Num batuque de terreiro
Samba de Piracicaba
Tietê e campineiro
Os bambas da Paulicéia
Não consigo esquecer
Fredericão na zabumba
Fazia a terra tremer
Cresci na roda de bamba
No meio da alegria
Eunice puxava o ponto
Dona Olímpia respondia
Sinhá caía na roda
Gastando a sua sandália
E a poeira levantava
Com o vento das sete saias
Lá no terreiro
Tudo era alegria
Nego batia na zabumba
E o boi gemia
Lá no terreiro
Tudo era alegria
Nego batia na zabumba
E o boi gemia"

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10/08/2015 11h30

'A Fábrica dos Sonhos'
Dicá

As escolas de samba em São Paulo somente começam a serem notadas pelos órgãos governamentais no mês de janeiro após o aniversário da cidade de São Paulo. A partir daí a festa momesca se transforma no principal evento da cidade gerando renda através do turismo interno, do comércio e do trabalho sazonal na confecção de alegorias e fantasias.

Lembro que no início do ano de 2004 houve algumas reuniões no Anhembi com pessoas ligadas à prefeitura de São Paulo no intuito de encontrar um lugar que pudesse ser construído uma espécie de "Cidade do Samba Paulista", como a construída no Rio de Janeiro, buscando melhorar dessa forma a logística, construção e paridade entre as escolas do Grupo Especial, entre outros avanços.

Hoje após onze anos quando vejo reportagens retratando esse mesmo problema nas escolas de samba fico pensando:

Entre tantos problemas, esse da construção das alegorias nas escolas de samba, ainda persiste. Muitas escolas do samba paulistano vêem nesse quesito um "calcanhar de Aquiles", sofrendo inúmeros problemas como:

Logística, espaço para guardar seus carros após o Carnaval, locais de trabalho insalubres, pequenos, descobertos...Justificando quase sempre a perda de pontos em seus desfiles nesse quesito.

Obras da Fábrica dos Sonhos em 2015. Foto: Divulgação

A "Fabrica dos Sonhos" foi promessa de campanha feita a todos os sambistas, na época, pelo governo Kassab. Não li em noticiários nem me falaram, vi o então candidato e depois prefeito falando em diversos lugares, inclusive, ele me pareceu o candidato preferido das escolas de samba paulistanas, tamanho foi o entusiasmo e a inclinação de todos durante sua campanha política na época. Falou do terreno que já estava definido e um monte de providências a respeito. E é bom lembrar que não foi um privilégio somente dele não, tivemos Marta, Serra, Haddad e nada... 

O interessante é que muitas escolas o apoiaram para prefeito de São Paulo, em detrimento a candidata do governo federal Marta Suplicy, de quem também ouvi a mesma promessa, mas que não se elegeu...E isso é outra história.

Temos três esferas governamentais; a municipal, estadual e federal, lembro-me que a candidata do governo federal disse na Liga, "As escolas de samba deveriam criar mecanismos capazes de obter recursos das três esferas e não somente da esfera municipal". É preciso saber pedir! Copiamos tantas coisas do Rio, porque não copiar as coisas boas como essa captação de recursos de forma mais ampla? Nas coirmãs cariocas é possível entrar em suas quadras de samba e ver anúncio de apoios empresariais, inclusive das três esferas governamentais e ainda da iniciativa privada e até de órgãos internacionais.

Culturalmente as escolas de samba tem legitimidade para isso, pois deveriam funcionar como uma entidade cultural e social de fato, um pólo de múltiplas ações indo muito além da expectativa de um desfile de Carnaval.

Algumas das grandes escolas do samba paulistano vivem com seus barracões, quando não a própria escola, debaixo de pontes e em situações de risco. Entra ano, sai ano, é sempre a mesma história...O barracão da escola "X" está imerso, pegou fogo, a quadra esta lacrada, terá que mudar...

Além da pressão do governo para pagamento de impostos ou multas de toda sorte. Qualquer um que se propor a mergulhar na história das escolas de samba paulistanas saberá que infelizmente essa nobre arte constantemente come nas mãos dos políticos. Muitos deles vêem as escolas como moeda de troca, elemento de favores, pontos de concentração de votos fáceis, currais políticos.

Não foram poucas vezes que ouvi da boca dos prefeitos Kassab e Haddad essa história de "Fábrica do Sonho"...Era um discurso pronto. Esse bordão era repetido sempre que os encontros eram com sambistas e como sambista, a gente sempre espera o melhor para o samba de São Paulo, mesmo sabendo que é uma promessa política.

Bem, o ano que vem será mais um ano político. A partir do final desse ano de 2015 se preparem novamente; a "Fabrica dos Sonhos" virá a tona e será a bola da vez!

Vamos aguardar...

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16/07/2015 11h30

'Linda melodia, linda poesia, não tem defeito algum, mas samba-enredo só ganha um'
Dicá

"Linda melodia, linda poesia, não tem defeito algum, mas samba-enredo só ganha um"

A frase acima de certa forma define a final de uma eliminatória de sambas de enredo, que através das paixões, se agiganta durante as disputas dentro de uma escola de samba.

No início dos desfiles de Carnaval, as escolas desfilavam cantando estrofes de diversos sambas de sucesso, famosos no rádio e na boca do povo, pois não havia um tema, uma história a ser contada. O importante era mostrar um samba alegre e de fácil assimilação para conduzir os sambistas durante a apresentação.

Cavaquinho. Foto: Reprodução

Mas com o passar do tempo as escolas foram se modificando, crescendo e arrebatando mais gente para seus desfiles. Com a legalização das agremiações pelo governo foi introduzido o "Tema Pátrio", e a partir daí o Brasil ganhava uma nova escola, trazendo uma pedagogia diferente, a "Pedagoginga". Uma maneira de aprender ensinada pelo povo através do samba mostrado no pé, no batuque, na encenação e no canto que discorria sobre a história do Brasil.

Samba esse encenado de forma mambembe através de atos representados pelo povo, pois com suas alas, fantasias e alegorias, as escolas de samba cresceram e proporcionaram uma valiosa "aula em desfile" em forma lúdica, alegre e contagiante.

Durante muito tempo os sambas de enredo com tema pátrio vigoraram, mas com o tempo foram se modificando e passaram a passear não somente pelos fatos históricos da história do Brasil, mas também de tudo que pudesse render uma boa história e patrocínio.

A nobreza eram os "poetas" que compunham as alas de compositores. Cada escola tinha a sua, e muitos se tornaram famosos e admirados em todos Brasil, pois eram capazes de criar para suas agremiações verdadeiras preciosidades e aulas inesquecíveis, sem ter que passar pela indução a que são hoje submetidos.

Por um bom tempo os poetas somente vestiam as cores de sua escola de samba, mostrando orgulho e impressionante fidelidade. É bom lembrar que esse amor não se limitava somente aos sambas de enredo, mesmo porque, durante o ano havia o período fora dos ensaios e desfile oficial, período esse que os poetas compunham os saudosos "samba de quadra", alimentando a fogueira das paixões que os sambistas tinham por sua agremiação e seus amores.

Muitos desses sambas extravasavam o universo da escola de samba alcançando sucesso e sendo cantandos em todo Brasil.

Com o passar do tempo as coisas foram se modificando, as escolas cresceram e os poetas que no início compunham seus samba por amor, começavam a ganhar algum dinheiro, e com isso, passaram a se profissionalizar transitando por outras agremiações. Acabava-se assim aquela fidelidade romântica do passado que nos dias de hoje raramente vemos.

Eliminatórias de samba-enredo. Foto: Reprodução

Com o avanço da tecnologia a metodologia da escolha do samba de enredo vem mudando a passos largos e em muitas escolas já é possível compor, gravar e participar das eliminatórias de sambas de enredo sem sair de casa, bastando enviar pela internet o áudio do samba e aguardar a escolha.

De certa forma essa nova tendência para o compositor é benéfica, embora tire-o do calor das disputas, permite que seu único desembolso seja fazer chegar sua composição a escola, limitando-o apenas a sua criação.

O custo nas quadras para apresentar um samba durante as eliminatórias foi ficando muito caro e por vezes impossível para os compositores de fato sustentar.

Isso falseou um pouco as disputas. Nos dias de hoje é comum ver gente que nunca escreveu um verso sequer em sua vida com seu nome na "pedra", apenas por ter ajudado a pagar a conta durante as disputas na quadra e pela obtenção de uma glória falsa, forçando os verdadeiros compositores a se afastar das disputas, aposentando suas canetas e empobrecendo as poesias de fato nas escolas de samba.

Nas eliminatórias em quadra, as "festas" muitas vezes sugestionam e fazem no calor da disputa os jurados escolherem sambas equivocados que acabam custando caro para a escola, deixando-as distante dos bons desfiles e até do título.

O que podia sanar esse "custo/samba-enredo", seria ter o time de canto das escolas assumindo a fase final das disputas tornando-as mais justas e por conseqüência mostrando o que ficaria melhor para a escola na voz de seus cantores oficiais.

Outra negatividade é esse esquecimento precoce nos dias de hoje dos sambas-enredos devido a divulgação radiofônica, que diminuiu muito, pois o rádio que é o principal veiculo de divulgação musical desse gênero, já não o faz com freqüência, fato que poderia ajudar muito o entendimento da história.

Assim os sambas de enredo estão morrendo na quarta-feira de cinzas o que é muito triste...

Vamos aguardar e esperar que essa nova forma de escolha dos sambas de enredo que se avizinha, que ela consiga tornar os poetas verdadeiros e longevos trazendo um pouco da difusão e do romantismo dos tempos idos...

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02/03/2015 00h00

Extra, extra! A folia acabou!
Dicá

O Brasil agora vai...

Teremos inflação menor, tudo irá melhorar! Haverá saúde, segurança, educação, transporte e trabalho para todos!

Doravante somente em 2016 é que iremos rever os desfiles de Carnaval ao vivo. Trago na memória apenas algumas lembranças da folia que se foi. Como diz aquele belo samba enredo campeão, "Se recordar é viver, vamos reviver agora".

A véspera dos grandes desfiles das escolas de samba acompanhei alguns blocos, bandas, grupos carnavalescos e afins. Confesso que o que mais me chocou foi ver alguns foliões beirando a barbárie. Exaltados queriam beijar a força as colombinas que passavam seus Carnavais na Vila Madalena, lá, as brigas pipocavam...

Ação policial na Vila Madalena durante o Carnaval deste ano. Foto: Reprodução

A quantidade de bebidas e gente era enorme e por entre bancários, "jatomóveis", ruas e avenidas, sobrava de tudo...

Garrafas, copos descartáveis, restos de fantasias, comida e toda sorte do lixo gerado em São Paulo participava juntinho a folia dos indóceis bárbaros!

Mas é bom lembrar, que os blocos mesmo assim se superavam e botavam a alegria nas ruas e os sorrisos brilhavam em meio as mascaras, as danças e as brincadeiras. E nesse vai e vem da folia, uma turma se deu bem, era a turma do dia, pois à noite tudo se transformava...Para pior!

Mais a frente a fase de ensaios técnicos no "sambódromo" e quadras havia passado, já não havia mais tempo para nada. O que havia era muita conversa fiada e raras verdades fervilhando nas boas coisas que persistem. Uma delas são as barraquinhas inesquecíveis em torno das escolas onde se faz a resenha e as apostas de quem vai ganhar ou perder, subir ou cair, pois ali se reúnem os "entendidos".

Aqueles ensaios chamados de "técnicos", traduzem a frase do lendário Didi, "jogo é jogo e treino é treino", pois quando se coloca os carros alegóricos, o povão em volta, as câmeras e o desfile a vera, tudo muda.

Não podemos esquecer-nos dos pobres foliões e alguns sambistas de plantão que recebem suas fantasias bordadas e adereçadas com chumbo e involução onde a leveza e a graça de um componente cai por terra. Alguns se arrastam pela passarela fazendo da evolução e da harmonia sua cruz, e da escola, o calcanhar de Aquiles!

Desfile campeão da Vai-Vai. Foto: SRZD - Claudio L. Costa

Cá em Sampa, Elis brilhou vestida de preto e branco e num samba arrebatador acabou conquistando o título e levando o troféu para o Bixiga numa disputa acirradissima com a grandiosa Mocidade Alegre, que nos últimos dez anos, brilhou intensamente e dessa vez fez uma bela homenagem a outra diva brasileira, Marília Pêra. Mas a pimentinha cantou mais alto!

Pelos lados de lá, havia uma comoção nacional pela vitória da Portela, a Águia de Madureira!

Grande parte do povo brasileiro torcia avidamente para que ela ganhasse o Carnaval carioca, mas o tal "quesito tira ponto" chamado de evolução entrou em ação mais uma vez e a surpresa guardada a sete chaves, sofreu uma dura queda, embora comovesse a todos! Os tais décimos de notas que decidem o carnaval no Rio, entraram em ação. Talvez se a manobra com a Águia/Cristo houvesse sido feita com uma distância maior passando normalmente pelo obstáculo ou mesmo se viesse abaixada e levantasse após passar o obstáculo, teria da mesma forma emocionado o público e o título ficaria mais perto, mas não foi assim.

Mas os erros sempre acontecem e num desfile de escolas de samba, sabemos que ninguém ganha pontos apenas, perde, e quem perde, menos ganha o titulo! Embora não foram somente erros que se sobressaíram. Dessa vez tivemos belos sambas, dentre eles o samba da Portela tendo Noca no timão e outro belíssimo samba que também nos brindou na Sapucaí entoado pela maravilhosa Imperatriz feito por outro grande compositor de sambas de enredo; "Axé Nkenda - Um ritual de liberdade".

Desfile 2015 da Portela. Foto: Reprodução

O desfile e o samba do lendário Zé Katimba e sua trupe encantou...

Mas a grande sombra que pairou sobre a Marques de Sapucaí sem dúvidas foi o enredo da Beija Flor. Se há 40 anos, exatamente em 1975, a escola exaltou o grande decênio da ditadura brasileira em meio a desconfianças, dessa vez a escola de Nilópolis trouxe aos pobres brazucas a situação da Guiné Equatorial e a sina de sua pobre gente!

"É de novo Carnaval, para o samba, esse é o maior prêmio".

Ano que vem tem mais!

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14/01/2015 00h03

É tempo de Carnaval!
Dicá

O samba está na boca do povo, está no vento forte africano sussurrando a milhões de ouvidos o seu compasso rítmico. Está nos guetos, nos grandes salões, nas casas grandes e sempre nos terreiros das senzalas.

A senzala dos excluídos, que hoje habitam os morros, quilombos, subúrbios, vilas, favelas e pontes. Está nos passos falsos dos políticos que usam como degrau e não cai graças à sustentação dos afins. Mas está também nas colunas sociais, nas manchetes de jornais, na televisão, revista, internet, enfim, em toda mídia.

Está no meio das classes sociais. Na baixa, na média, na alta e até no "High Society". Está também nessa nova classe social que chamam de "emergente". Está nas banquinhas dos camelos, nas estantes, nos aparelhos de som e televisões de todo mundo, nas praças, estações dos rádios, gravadoras e também guardado nas antigas mesas de som com aqueles rolos de fita enormes e nas modernas mesas de som digitais.

É tempo de Carnaval. Foto: Arte

Esse menino chamado samba, dorme feliz nas cabeças dos poetas. Vive encubado em versos que virão para nos encantar.

Ele continua nascendo, as vezes agoniza, mas sempre continua. Vive renascendo nos "fronts" de infinitas batalhas. Batalhas de associações, de ONGS de araque e de ONGS verdadeiras, em projetos que contemplam a "massa" e nos projetos da maioria... Que só contemplam quem mexe a massa!

Está no comércio que as vezes o torna reles, vil, insosso.

Está nas disputas de sambas de enredos prontos pra matar ou morrer. E pensar que a maioria dos sambas dessa espécie morre nas disputas, tornando-se cultura perdida. Assim acaba vivendo na mágoa do compositor que perde e na alegria dos que pensam vencer.

É tempo de Carnaval. Foto: Arte

Hoje muitos desses compositores, acabam vendo suas obras morrer na quarta feira de cinzas.

Traduzem-se num produto anual, efêmero, virando um filho que nasce somente para viver um desfile, não marcam os anais, somem.

Está nas mãos dos radialistas, que muitas vezes o encarcera e não permite que vivam.

Deixando-os presos na insensatez, nos acordos, nas armações escusas e por fim na escuridão das negociatas. Pois não foi pago os Jabaculês, a graxa, a verba que o deixaria viver tocando nas ondas sonoras de forma livre! Graças a sua beleza, a sua malemolência, ginga e inspiração passada aos poetas por Deus acaba sobrevivendo de alguma maneira.

O Samba de que falo, vive por vezes entrincheirado, fazendo através de sua magia, se requebrar até os mais duros dos quadris. E olha isso gente, hoje está no mundo todo e quem diria viaja por toda parte. Brinca nos barzinhos japoneses e nas dezenas de escolas de samba que lá existem. Vivem nos mais longínquos lugares, na Alemanha, Itália, África, China...Iiih olha ele lá!

Espero que não se esqueçam é brasileiro e é cultura heim!

Ah! Ia esquecendo...Está também nas diversas "rodas" formadas em todo Brasil, sejam em forma de batucadas, cantos, acordes, danças, assovios, caixinhas de fósforos, instrumentos musicais, declarações de amor, representações teatrais, barracas onde fazemos nossas resenhas em frente as quadras.

E por incrível que pareça ainda está em nossas escolas de samba! Surpresos?

Está sim, podem acreditar, pois é inerente, é resistente, independente, balança, mas não cai, "agoniza, mas não morre", se supera na força de um povo que o traz no sangue. O povo brasileiro!

Vem aí (como diz o locutor) o maior espetáculo da terra!

Axé! Vamos caminhando...Zero

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30/12/2014 15h59

'O samba nos torna diferentes no universo em que vivemos', celebra Dicá
Dicá

Quero deixar meu abraço a todos leitores do SRZD nessa data festiva que inicia um novo ano na vida de todos nós.

Espero que seja um ano de muita paz, prosperidade, amor e compreensão entre todos que são contemporâneos nesse momento tão importante que é o tempo de nossas vidas.

Relógio. Foto: Arte

Como uma pessoa apaixonada pela cultura brasileira e suas derivações, quero mandar um grande abraço a todos aqueles que dedicam suas vidas na criação, na manutenção, e na divulgação dos diversos fatores que mantém vivo esse "jeito brasileiro de ser" que é a arte brasileira, que nos torna tão diferentes diante do universo em que vivemos.

Como um brasileiro apaixonado pelo samba que sou e que me dá consciência, convívio e alegria, quero dividir com todos a nobreza de ser um sambista.

Embora tenhamos diversas atuações nessa vida de muitas funções como cidadãos, penso que o samba é um dos principais fatores de integração social, racial e politica.

Foi na defesa dessa cultura que ampliei minhas amizades, o reconhecimento e o respeito na sociedade em que vivo.

Como sambista, pude representar São Paulo juntamente com minha esposa a Embaixadora e Embaixatriz Maria Helena através de um honrado título ganho num terreiro de samba. O título de Cidadãos Samba no ano de 2004, ano esse, em que São Paulo comemorou seus 450 anos.

Como Cidadãos Samba, colocamos a família que é a base de toda sociedade em nossos passos e viajamos por inúmeras cidades brasileiras participando de diversos eventos.

Em São Paulo foi um ano mais que especial, desfilamos em blocos, bandas, escolas de samba, trios elétricos e também, com muita honra, recebemos todas escolas de samba nos desfiles do Carnaval paulista em nosso sambódromo.

Falamos da importância do samba em diversos lugares, principalmente no aspecto cultural e como fator de agregação racial em nosso país, principalmente sob o aspecto familiar.

Agradeço ao SRZD a oportunidade de poder relatar alguns pensamentos a respeito do samba nesse veículo de tamanha importância no cenário cultural brasileiro!

Um grande abraço a todos!

Fogos de artifício. Foto: Reprodução

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11/12/2014 15h00

1975, um ano de sambas memoráveis
Dicá

No ano de 1975 com o enredo "Tropicalia", de Elifas Andreato, desenvolvido por um dos mais completos sambistas que pisou na terra da garoa, o lendário carioca Octavio da Silva, o Talismã, poeta, músico, carnavalesco e compositor, o "Trevo" da Barra Funda trouxe um samba de Neffi Caldas e L.C Xuxu, que dava sequência em Sampa a década de ouro da Camisa Verde e Branco, com a conquista dos campeonatos de 1974, 75, 76, 77 e 79.

Bethânia, Caetano, Gal e Gil. Foto: Acervo

O enredo verde e branco baseado no movimento musical dos baianos Gil, Veloso, Gal, Bethania, entre outros, lembrava a necessidade de mostrar o que era nosso, o que nós brasileiros tínhamos de original, revivendo a inspirada semana de Arte Moderna. O certo é que a tropicália combatia o estrangeirismo exacerbado e suas versões "brazuca" que musicalmente eclodiam em sucessos através dos "galãs" da "Jovem Guarda", representados pelo seu eterno rei...

A minha querida Rosas de Ouro da Brasilândia, debutava no grupo de elite das escolas de samba, obtendo em seu singelo e "rico" desfile o honroso segundo lugar. O bar do Gato, o bar do Moraes, Inferninho, Catimbó, Tiro ao Pombo, Terezinha, Baixada dos Macacos, Baixada do Maestro (alô velha guarda!) amanheceu em festa! E o samba do nosso grande poeta, Zeca da Casa Verde, pela Brasilândia ecoou:

Trecho do samba "Rosas de Ouro na Rua" - 1975

"É lindo contemplar a natureza
Que beleza é o clarão da lua
Reparem as estrelas
Como brilham lá no céu
Por isso nosso tema é rua
Lembramos a memória de um poeta
O príncipe da poesia
Poema de Guilherme de Almeida
Em verdadeira tempestade de alegria

Dá Licença
Abre alas
É Rosas de Ouro
Numa noite de gala"

Desfile do Império Serrano em 1975. Foto: Revista Manchete

No Rio, o Salgueiro de Joãsinho Trinta, um dos mais brilhante alunos do mestre Pamplona, levava a vermelha e branca a glória de ser a grande campeã do ano, cantando o genial enredo "As Minas do Rei Salomão". Embora os salgueirenses tivessem feito um desfile primoroso, na verdade, o que realmente me tocou e ficou em minha mente, foi o desfile da verde e banco de Madureira...

O Império Serrano! Escola de Molequinho, Mano Elói, Fuleiro, Avarese, Ivone Lara, Silas de Oliveira, Mano Décio, Roberto Ribeiro, Arlindo Cruz e tantos outros bambas.

Fundada em 23 de março de1947, entre tantas proezas, introduziu no samba o prato metálico e a frigideira e fez dos agogôs marca registrada em sua bateria, preservando a tradição e deixando viva a nobreza de seus números baixos. Ainda hoje, é possível ver os "cabeças brancas" cariocas desfilando.

Naquele ano, mostrando o enredo da bela morena Zaquia Jorge, os imperiais brilharam e ficaram com o terceiro lugar. Roberto Ribeiro fez o samba "sobrar" na avenida com sua grande interpretação aliada ao chão de uma das maiores comunidade de samba do Rio, e assim foi...

Trecho do samba "Zaquia Jorge, Vedete do Subúrbio, Estrela de Madureira" - 1975

"Baleiro bala
Grita o menino assim
Da central a Madureira
É Pregão até o fim"

Na época, meu amigo Waltinho, levado pelo Jorginho Saracura a Bela Vista, dava seus primeiros passos no solo do Bixiga, apaixonando-se de imediato pela preto e branco.

Porem, após assistir esse desfile no Rio, me confessou que acabara de arrumar um "caso carioca", que mal sabia ele, duraria até os dias de hoje...

A vedete Zaquia Jorge, na verdade, foi um enredo fenomenal, pois além de mexer com o emocional da cidade, da escola e o povo de Madureira, exaltou a vedete do teatro rebolado, uma mulher a frente de seu tempo, mulher essa, de personalidade forte, que enfrentou a opinião pública machista da época usando seus maiôs, que se cortados, nos dias de hoje, dariam para fazer três ou quatro biquínis para as mais recatadas senhoras.

Teatro Zaquia Jorge. Foto: Acervo

Grande empreendedora, foi empresária num tempo inóspito, com seu Teatro fundado em Madureira, o Teatro de Revista Madureira.

De pioneirismo ímpar, preocupou-se com o povo, fazendo a tão necessária cultura atravessar a cidade e brindar o subúrbio.

Num breve relato, a história nos conta que a bela atriz morreu fatídicamente em 1957, aos 32 anos, afogada numa praia da Barra da Tijuca.

O teatro então passou a ter o seu nome, mas não sobreviveu a perda de sua estrela maior e, num samba cantado por Joel de Almeida, grande cantor da época, o povo de Madureira firmou o refrão...

"Madureira chorou
Madureira chorou de dor
Quando a voz do destino
Obedecendo ao divino
A sua estrela chamou"

Mergulhando na história de "seo" Alfredo Costa, presidente e dono da Prazer da Serrinha, que como Paulo Brazão e Paulo da Portela, também foi cidadão samba, descobri que foi por dissidência de seus jovens sambistas Molequinho, Fuleiro e outros, que se deu a fundação do Império Serrano, escola que em 1975 cantou esse belo enredo.

Aliás, para quem gosta de pesquisar ou simplesmente conhecer a história das escolas de samba, aí está um bom prato. A escola Imperial tem um acervo desenvolvido pelo seu departamento cultural que retrata sua história e suas tradições com uma riqueza impressionante, talvez, uma das mais belas e completas do país.

O interessante é que no desfile de 1975, o samba de Avarese que foi para a avenida, sem dúvidas empolgou, e como, mas, o que até hoje não consigo compreender é o como o samba de Acyr Pimentel e Cardoso, cantado por Roberto Ribeiro num show na segunda metade da década de 70 na quadra da Rosas de Ouro em Vila Brasilândia, não foi o escolhido.

Não compreendo porque entre tantos outros, o samba cantado naquela noite na roseira me induziu a buscar o entendimento. Quem era Zaquia Jorge? Pesquisando fiquei com a impressão que a "Estrela de Madureira", sem dúvida, é uma das estrelas que brilham em nosso céu, eterna e a cada noite mais bela!

Soube também que aquele samba tão lindo, cantado na quadra da Rosas, era um samba de enredo, que concorreu e foi eliminado nas eliminatórias ou cortes de sambas enredos. Mas a pintura de samba que eternizou a bela Zaquia foi esse:

Zaquia Jorge. Foto: Acervo

Autores: Acyr Pimentel e Cardoso

Intérprete: Roberto Ribeiro

"Um imenso cenário
Num turbilhão de luz
Surge a imagem daquela
Que meu samba traduz
A estrela vai brilhando
Mil paetês salpicando
O chão de poesia
A vedete principal
No subúrbio da central foi a pioneira
E um trem de luxo parte
Para exaltar a sua arte
Que encantou Madureira
Mesmo num palco apagado
Apoteose é o infinito
Continua a estrela
Brilhando no céu
Brilhando"

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