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Ednei Mariano

Ednei Mariano

CARNAVAL/SP. Natural de São Paulo, nasceu no bairro de Vila Mariana, Zona Sul. É pesquisador, escritor, dançarino, carnavalesco e professor. Foi o primeiro passista da escola de samba Vai-Vai. Como mestre-sala, defendeu durante 34 anos de carreira os pavilhões da Barroca Zona Sul, Tucuruvi, Vai-Vai (de Honra), Rosas de Ouro e Unidos de São Lucas.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



07/01/2016 10h00

Série 'Perfil': Joice Cristina
Ednei Mariano

Nasceu na cidade de São Paulo, no segundo dia da primavera, em 23 de setembro de 1980. Filha de um grande sambista da Zona Leste, Jorge Rui Martins Prado, conhecedor profundo do quesito harmonia, onde militou por muitos anos na Nenê de Vila Matilde.

E também de Maria Cristina Brito, funcionária de carreira da prefeitura de São Paulo, é uma afixionada por samba, não perde um desfile, está sempre com a galera da Águia Matildense, é uma crítica em matéria de escolas de samba.

Joice. Foto: Divulgação

Nossa personagem começa sua carreira de porta-bandeira em 1997, na cidade de Batatais. Em 1998 é chamada para ser a primeira da Barroca Zona Sul, por onde ficou até 2000. De 2001 a 2004, para a felicidade de seus pais, entra para o quadro de casais da Nenê.

Em paralelo com este trabalho na azul e branca, ela desfila na Mancha Verde. No ano seguinte vai para o quadro da Mocidade Camisa Verde e Branco, onde teve grande visibilidade, pois em 2012, teve a honra de ser primeira porta-bandeira desta gigante do nosso samba.

Joice casou-se em 2006 com Leonardo Trindade, que é dançarino e compositor, com quem teve Naomi Brito, seu grande tesouro. Tem ensino superior, é formada em Odontologia, guerreira, nossa menina montou seu consultório na Zona Oeste da cidade onde exerce ativamente sua profissão.

Na música o seu som preferido vem de Seu Jorge e Ana Carolina, no cinema, seu ator é Edie Murph. O livro que recomendaria é "Kairós, renovação da minha fé, de Marcelo Rossi. É catolica. Joice tem uma coleção de notas máximas pela Colorado do Brás, em 2006 e 07, e Nove de Julho, de Bragança Paulista, em 2011 a 2013.

Joice e Marcelinho. Foto: Divulgação

É moradora no bairro de Arthur Alvim e tem em mente a seguinte filosofia; "Ajude, sem se preocupar quem seja, Ajude, sem esperar recompensa, Ajude, porque com este ato o maior beneficiado será você". A dança para Joice é como o ar que ela respira, fundamental. Nossa querida estará bela com certeza, competente como sempre com o pavilhão de enredo da azul e branca, mostrando todo seu talento ao lado de seu parceiro Marcelinho.

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17/12/2015 10h00

Série 'Perfil': Marcos Eduardo da Costa
Ednei Mariano

Hoje vamos viajar um pouco pela vida deste, que desde garotinho, leva a dança muito a sério se apropiando dela em seus vários movimentos e estilos.

Procurando dar sempre o melhor de si, o resultado não poderia ser outro, uma carreira vitoriosa que o leva ao ponto máximo para um dançarino ligado em samba, que será a defesa do pavilhão de uma das grandes do nosso Carnaval.

Marcos Eduardo da Costa nasceu em julho de 1987, filho amado de Marcos Tadeu da Costa e de Conceição Aparecida da Costa, divide o amor destes, que também são ligados em samba, com sua irmã Virginia, uma bela porta-bandeira, e Ana Clara, que segue a carreira de dançarina, mas no lado clássico da arte.

Marquinhos. Foto: Divulgação

Nosso personagem nasceu na cidade de Santo André, na grande São Paulo. Hoje casado com a bailarina Larissa Silva Cunha, reside em São Bernardo do Campo. Tem uma carreira vitoriosa em competições de dança esportiva e é o atual campeão brasileiro na modalidade danças latinas.

Campeão Paulista de dança esportiva, tricampeão brasileiro na modalidade, Marcos com sua companheira Larissa, formou o primeiro casal brasileiro a competir neste segmento na Europa, em setembro de 2013.

Conquistou ainda uma série de outros títulos ao longo de sua caminhada.

Seus idolos na música são Michael jackson e Alexandre Pires, Will Smith como ator. O livro que recomenda é "As Valquirias", de Paulo Coelho, e um dos filmes que marcou muito foi "Hotel Ruanda".

Marcos Eduardo tem uma carreira extensa como mestre-sala, não economiza dança, como ele diz; "eu gosto é de dançar". Já houve oportunidade em que desfilou por três escolas.

Começou menino nesta área, sempre levado e protegido pela mãezona Conceição. Foi em Poços de Caldas, Minas Gerais, que começou a encantar com seus passos eletrizantes, na Sociedade Amigos do Casca.

Aqui em sampa nós o encaminhamos para a X-9 Paulistana, Morro da Casa Verde, Barroca Zona Sul e Dragões da Real.

Em 2013 assume a posição de primeiro mestre-sala da Império de Casa Verde, e no ano de 2014, foi para a Rosas de Ouro. Marcos tem como profissão a dança, tem formação superior em Educação Fisica e ministra aulas de dança de salão, é professor de expressão corporal e rítmica em escolas particulares.

Isabel, Marquinhos e Angelina Basílio. Foto: Divulgação

Aonde há dança, lá está o sócio das pistas, com um sorriso aberto, passos em marcação na condução. É um dos poucos mestres-sala da nossa cidade que tem DRT em dança.

Toda grandeza da sua arte poderá ser constatada quando Rosas de Ouro realizar seu desfile, e lá estará Marcos Eduardo ao lado da bela Isabel Casagrande, na defeza do pavilhão oficial da escola da Vila Brasilandia.

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03/12/2015 10h00

'Me senti entrando para uma academia de sambistas imortais'
Ednei Mariano

No "Dia Nacional do Samba", em cerimônia na sede da União das Escolas de Samba Paulistanas, a Uesp, recebi o título de Embaixador do Samba Paulistano!

Ao ser chamado para receber este título me senti como se estivesse entrando para uma academia de sambistas imortais!

Eu olhava do pulpito da Uesp, e via ali sentados senhores e senhoras, com seus cabelos brancos, olhos acesos como quem enxerga além do corpo...eu tremi, mas agradeci a Deus por me permitir ter vivido este momento.

Ednei Mariano. Foto: Michele Martins

Quando olho para a plenária e vejo muitos mestres-sala e porta-bandeiras ali prestigiando este meu momento, senti que tudo o que tenho feito não foi em vão, estava ali o meu maior tesouro, porque na minha visão, para que serve um prêmio se ele não pode ser partilhado?

O meu momento era de muita emoção porque estavam ali meus amigos, crianças que eu treino, e a noite foi misericordiosa, porque eu receberia a minha honraria, e meu grande parceiro de dança e de trabalho, receberia a honraria maior conferida para um sambista.

Quis o destino que eu e Gabi estivessemos mais uma vez juntos, não podia acontecer coisa melhor!

Sou um cara feliz e com mais responsabilidade. Este é meu sentimento, agradecido por ter na minha vida muitos obstáculos, mas muitos amigos que acreditam no meu trabalho, e que se não fossem eles, eu não estaria ali, naquela noite, recebendo este título.

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30/11/2015 10h00

Série 'Perfil': Simone Gomes
Ednei Mariano

Simone Gomes; "A tradição com muita garra".

Sem dúvida, uma das mais respeitáveis dama da nossa dança, nascida, e moradora, até hoje, na Zona Oeste da cidade.

Simone e Jairo. Foto: Divulgação

Mulher de muita personalidade, não leva desaforo para casa, mas sem perder a graciosidade e gentileza, está sempre pronta para ajudar e orientar. Nasceu em 3 de outubro de 1969, de Maria José Gomes, uma grande sambista conhecida por Duda, destaque por sua alegria na Velha Guarda da Tom Maior.

Simone deu muito de sua beleza para seus dois filhos, Kaike Gomes, mais ligado em Soul Black, e Pamela Gomes, esta bela mulher, que além de assistente de palco em um programa de televisão, é rainha de bateria da Tom Maior.

O grande amor da Simone é sem duvida o maridão, Jairo Pereira, que é também seu mestre-sala. Nossa dama já teve passagens por outras escolas, mas seu verdadeiro amor, está no pavilhão da vermelho e amarelo do Sumaré. O envolvimento é total, seus olhos brilham ao falar de sua história na entidade.

Simone começa sua trajetoria em 1987 na Pérola Negra, onde ficou até 1992. Em 1994 foi sua estreia na Tom Maior, onde desfilou até 2002. No Carnaval de 2003 foi defender a Império de Casa Verde, ficando no "Tigre" por duas temporadas.

Não teve jeito! O amor era muito forte e em 2006 já estava novamente na sua querida Tom Maior, voltou na condição de convidada, mas em 2008, assumiu novamente o primeiro pavilhão, que ostenta até hoje, fazendo, sem dúvida, belíssimos desfiles.

Clássica como manda a tradição, mas com garra nos giros e movimentos de braços sincronizados. Olhando, vemos dois corpos em movimentos diferentes, sempre com muita elegância.

Simone Gomes. Foto: Divulgação

Marko Antônio, o presidente e amigo, lhe deu mais uma vez a honra de ostentar o pavilhão que tanto amou, este homem fantástico do nosso samba.

Sua vida gira em torno do campo pessoal, sobretudo dedicando-se a sua mãe Duda, companheira de todos os momentos de dança. Tem em Fernanda Montenegro o que há de melhor na nossa dramaturgia, e se encanta pelos trabalhos de Glória Pires.

Um livro que gostaria de recomendar é; "Nada é por acaso", de Zíbia Gaspareto. Se emociona toda vez que assiste ao filme;"A espera de um milagre".

Simone cursou até o ensino médio, tem secretariado, profissão que exerce. A frase que costuma citar é; "Seja simples, sonhe alto, seja grato e ria muito".

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13/11/2015 10h00

Série 'Perfil': Edgar Carobina
Ednei Mariano

O segundo personagem da nossa série é um menino pouco conhecido na roda dos mestres-sala da nossa cidade.

Porém, no meio dos alunos da Amespbeesp, tem um trênsito bacana porque já frequentou nossas classes em diversas oportunidades.

Em breve estará circulando nas manchetes carnavalescas, porque em 2016, terá a honra de defender o primeiro pavilhão da Unidos de Vila Maria, ao lado de uma das grandes damas da nossa passarela, Lais Moreira.

Edgar e Lais. Foto: Divulgação

Agora trago para nosso leitores um pouco mais de Edgar Carobina, o "Garoto da Praias". Nosso mestre-sala nasceu na cidade de Santos no ano de 1994, filho de Vania Cristina Menezes Castro, e Edgar Carobina, torcedor do Corínthians Paulista, solteiro, terminou há oito meses seu compromisso com o serviço militar.

Trabalha no cais santista em uma empresa de logística. Começou a dançar na sua cidade sob a orientação de mestres mais antigos, mas foi aqui na Amespbeesp que teve sua formação básica de dança e da nossa história. Seu caminhar começa em 2006 na Unidos da Zona Noroeste como segundo mestre-sala, ficando nesta entidade por mais dois anos.

De 2008 a 2013, sua dança floriu ainda mais na X-9 Santista, também como segundo. Foi em 2014 seu grande teste de dançarino ao defender o pavilhão oficial da Vila Mathias, batismo de fogo, compromisso sanado.

Edgar, além do futebol de praia, faz natação, tem como formação o ensino médio e pretende fazer faculdade de economia. Na dramaturgia, sua atriz preferida é Cléo Pires, destila toda sua versatilidade na música com Zeca Pagodinho, caminha para Natiruts, Maneva, e vai curtindo firme o som de Marcelo D2.

Edgar Carobina. Foto: Divulgação

O livro que recomenda é "A princesa que enganou o diabo". Nosso garoto gosta muito de comédia e sempre que pode passa na locadora para buscar "Se beber não case", 1 e 2.

Hoje, segundo ele, está vivendo o maior momento de sua vida, resolveu no início do ano fazer um aperfeiçoamento na sua dança em nossa associação, na sala dos avançados, não demorou para chegarem os convites para desfilar aqui em Sampa, a sutileza de seus passos, o domínio dos giros no seu próprio eixo e um jogo especial de pernas, logo chamou a atenção, que o levou a ser primeiro na Vila da Zona Norte, um sonho se tornando realidade, um presente que não tira seu foco, e a confiança de fazer um belo desfile e defender com muita bravura o pavilhão que lhe foi confiado.

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26/10/2015 11h00

Série 'Perfil': Adriana Costa
Ednei Mariano

Daqui até o Carnaval 2016, nossa conversa é outra, traremos aos internautas um pouco da vida dos nossos mestres-sala e das nossas porta-bandeiras; o lado pessoal, os gostos artísticos e a personalidade de cada um. Começando nossa série; Adriana Costa, a "Menina de Mauá".

Adriana Teixeira Costa, a pequena guerreira, quem conhece sua história se apaixona por sua bravura e pelo seu trato na arte de ser uma das mais destacadas porta-bandeiras da nossa cidade.

Filha dos negros Siberto e Marina, nasceu em 1979, ainda garotinha, foi morar em Mauá, município da Grande São Paulo, e lá, com uma infãncia pobre, mas sem miséria, se fez mulher. É casada com seu parceiro de dança Gilson Santos, é mão de Pedro Vinicius, de 18 Anos, e de Beatriz, de 14.

Adriana Costa. Foto: Divulgação

Cursou até o ensino médio e é atualmente Operadora de Produção em uma multinacional de veículos. Os desfiles das escolas de samba sempre foram sua paixão, e desde menina acompanhando tudo pela TV, e quando sua mãe a levava, ia ver os desfiles no sambódromo de sua cidade.

Teve curso de formação básica em dança, e em 2006, estréia com porta-bandeira na Camisa Azul e Branco. No ano seguinte, entraria na Acadêmicos de São João, também de Mauá, onde ficaria por vários anos.

Inquieta, logo veio dançar em Sampa, começando pela Unidos de São Lucas, como ela diz; "bebi a água do samba de sampa, daqui não saio mais". E assim foi para a Morro da Casa Verde.

Mas foi a partir de 2010 que começou seu destaque entre nossas damas, quando foi levada pelo presidente Leandro Donato para a Colorado do Brás.

Como primeira dama da escola vem colecionando notas dez e participando diretamente deste retorno meteórico da vermelha e branca do Brás ao seio das escolas da Liga.

Adriana, com sua performance, vem contribuindo muito com seus exelentes desfiles, em 2015, foi muito elogiada pelo dinamismo ao enfrentar o desafio da chuva, deslizando na pista molhada como se estivesse nas nuvens, garra e desempenho que lhe renderam muitos elogios e uma bela nota, considerando as circunstâncias. Segue firme se esmerando para o desfile de 2016.

Adriana Costa. Foto: Divulgação

Adriana gosta muito de ler, e o livro que marcou em sua mente foi, "Entre Guerra e Paz". Gosta de drama, disse que este tipo de filme mexe com sua capacidade de busca. Elegeu o melhor da sua lista, "Um Sonho de Liberdade".

Vive cantarolando, seus sons prediletos são os de Milton Nascimento e Djavan. Adriana é Católica, mas seu grande ídolo é o mestre maior, Jesus Cristo.

Na dramaturgia defende os trabalhos de Regina Duarte. Hoje, além de acumular o cargo de primeira porta-bandeira da Colorado, deu sua contribuição para a escola Vale Encantado, do Grupo 2 da Uesp, conseguindo a nota máxima, que lhe rendeu o Troféu Amespbeesp 2015.

Há dois anos vem atuando como instrutora da Amespbeesp, na sala "Kids". Risonha, mas de personalidade forte, Adriana dribla, e muito bem, um problema crônico e faz disso seu maior desafio, vencido com muito trabalho e dedicação, além de uma dieta rígida que lhe da fôlego de uma pantera.

Sua frase de vida é; "Tudo posso Naquele que me fortalece".

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09/10/2015 00h00

'A Dança sem fronteiras'
Ednei Mariano

O bom dançarino pode nascer em qualquer parte do mundo, em qualquer cidade, em qualquer bairro. A sua arte poderá se tornar viva mesmo longe dos grandes centros de formação.

João Carlos. Foto: Divulgação

O que a pessoa terá que ter, é muita determinação, foco, acreditar em si e não ter medo das dificuldades, das barreiras a enfrentar os desafios. Este foi o caminho trilhado por João Carlos Camargo.

Nasceu em um bairro pobre de uma cidade dormitório da região metropolitana de São Paulo, Diadema.

Mas teve a sorte de ter sido gerado por uma negra determinada, raçuda, Solange Aparecida, foi sua mãe e seu pai, deu a este mirradinho e marrento muleque, o caminho do ouro que foi o estudo, mesmo em condições precarias, conseguiu para ele o ensino em uma das melhores escola da região, e lá, o moleque teve toda a base estudantil e diciplinar. A dança também estava nas veias de Solange, que se destacou na cidade como uma grande porta-bandeira.

Ela veio no começo dos anos 90 se aperfeiçoar em Sampa, na Amespbeesp, e teve uma das nossas divas com instrutora, a Dona China, que logo adotou o menino como um dos seus. China, primeira dama da Vai-Vai, por muitos anos, passou também para Solange toda sua bondade e rigor. Assim, o menino vendo a mãe gurreira e vencedora, resolveu seguir os passos da matriarca na dança.

Com 17 anos já era o primeiro mestre-sala da Águia de Ouro. A vida é dificil, e na véspera de completar 21 anos, perdeu sua maior incentivadora, jovem, Solange parte para o mundo espiritual, mas deixou como herança no coração do garoto, a garra e vontade de vencer. Assim fez João Carlos, sozinho no mundo, mas com o bojo recheado de nobres ensinamentos, fez vários cursos e aproveitou a oportunidade dada pelo presidente visionário, Sidnei Carriuolo.

Seguiu na sua carreira, capacitando-se em várias modalidades de dança, trilhou, em conjunto, o balcão da universidade e se formou em Recursos Humanos. Assíduo em sua carreira profissional, também se destacou na área bancaria. João vive a dança, e em 2011, quando pausava como mestre-sala, se preparou e encarou o primeiro concurso de passistas da Uesp, tornando-se "Passista de Ouro", o primeiro da cidade.

Segue em sua jornada de dança e, em 2014, após sua saída da X-9 Paulistana, onde em duas passagens conquistou notas máximas, é convidado pelo presidente Sidnei a fazer um intercambio cultural no Japão. Nosso dançarino se preparou muito para este desafio, já que não tinha como projeto desfilar em 2015.

Como mestre-sala, foi para esta jornada, levando seus conhecimentos para serem aplicados na terra do sol nascente. Participou com a comitiva da Águia de Ouro do maior desfile de escolas de samba fora do Brasil, o de Asakusa. Como passista, fez vários workshops, que lhe renderam uma grande experieêcia.

A Dança Sem fronteiras. Foto: Divulgação

João Carlos se preparou mais ainda, e agora, como primeiro mestre-sala da Águia de Ouro, esteve na equipe que levou o melhor da nossa dança para vinte casais em Tóquio.

Assim foi o trabalho deste garoto, que com respeito e humildade, além de muito estudo, vem conquistando espaço em um ambiente que não era tão favorável aos sambistas de Sampa. João Carlos Camargo, nos mostra com seu trabalho, que a dança, realmente, não tem fronteiras.

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14/09/2015 11h30

Parte 2: 'Tributo aos Deuses da Passarela'
Ednei Mariano

Os anos 70 fluiam e com ele novas escolas de samba foram surgindo, enquanto outras, iam desaparecendo...Mas a realidade era a solidificação dos nossos desfiles, o engrandecimento das nossas escolas e blocos.

Esta década estava marcada pela organização e a somatização de forças para a conquista em definitivo do nosso espaço na cultura sem perder o foco de que nosso samba é rural e esta influência se fazia presente ainda em nossas agremiações.

Neste contexto se estabeleceu a segunda grande ceia, e dela a participação dos cardeais do samba, e gente que chegava forte para somar nesta luta de várias décadas como; Juarez da Cruz, da Mocidade Alegre, Eduardo Basílio, da Rosas de Ouro, Renato Correia e Castro, o ator e diretor Plinio Marcos, o jornalista Cloves Messias, que tinha uma coluna especializada em samba, Paulinho Valentim, e o compositor Marco Aurélio, mais conhecido como Jangada.

Em 1975, a Uesp, União da Escolas de Samba Paulistanas, já era uma realidade, os dirigentes da época reconheciam através destes encontros que o Carnaval de São Paulo não teria retrocesso, por outro lado, o poder público destinava empresas mistas para organizar a festa e outros eventos da cidade, ali já se imaginava um maior profissionalismo para alcançar o reconhecimento nacional.

Na passarela, nossos casais, já adaptados as formas e normas do julgamento, tratavam de se esmerar na dança e na roupagem, que iam ganhando volume e glamour, era o investimento na dupla que comaçava a aparecer, enquanto o par ia se tornado o destaque nas quadras e nos desfiles, para isso, a busca de situação de dança melhor era a meta, e vários deles foram buscar referência em grandes mestres e damas da arte no Rio de Janeiro, inspirando-se em Delegado, Neide e Mocinha, da Mangueira, Vilma Nascimento e Benicio, da Portela, Peninha do Salgueiro e Ilha.

Assim nossos casais cresciam e nossa dança ganhava mais firmamento, cada um dando o seu melhor, por amor a seu pavilhão, e nos anos 70 e 80, houve uma enchurrada de poesia através dos giros delas e da elegância deles, nas pistas da São João e Tiradentes, os palcos das nossas entidades carnavalesca nestas décadas.

Era magia pura apreciar o bailado de Wagner Caetano e Sueli pela Unidos do Peruche. Solano Trindade continuava no comando altivo desta dança pela Mocidade Alegre, agora ao lado de Eneidir Gomes, que também bailou com Lima, Neco e Marco Antonio, em defesa do escola do bairro do Limão.

Na Zona Sul, eu deixava minha ala de passistas na Vai-Vai para me tornar mestre-sala pelas mãos do meu tio, Pé Rachado, na recém fundada, por ele, Barroca, ao lado de Bethe Roque, e em meados dos anos 80, eu iria para a Tucuruvi, e conheceria aquela que seria minha companheira de dança por mais de duas décadas, Gilsa Gomes, uma Deusa pelas atitudes e postura em favor da nossa dança.

Para meu lugar o mago Pé Rachado preparou e lançou Gabriel de Souza Martins, nosso Gabi, primeiro com a carioca Alice, que veio do Império Serrano, e depois fez carreira com Bethe Roque, a dupla se destacaria entre as melhores da época. Maria Inês continuava plena na condução do pavilhão da Nenê de Vila Matilde, agora ao lado do jovem Euclides, que se fez dançarino em contato com grandes mestres do Salgueiro, a dupla daria muitos anos de glória em favor do manto azul e branco.

Tiana firme ostentando por mais de uma década o pavilhão do Imperador do Ipiranga, com seu filho Rubinho e alternando com seu companheiro Jacó, ainda na escola da Vila Carioca, o talento do casal Forrozinho e Vania. Na Bela Vista, China continuava como primeira dama da escola, agora com Serginho, um exímio dançarino, em um bailar eletrizante aos olhos do povo para a glória da Vai-Vai, que continua bem no quesito com Cleusa Rossi, de uma família tradicional na escola, bailando com versáteis mestres, Serginho, Batucada e Urco, com suas notas ajudando nos títulos da preta e branca.

Já grandiosa, a Camisa Verde e Branco apresenta um casal à sua altura nestes anos de firmamento, Solange e Carlinhos Perna Longa, e Serginho Modelo, que enaltece o pavilhão do "Trevo" com o magnetismo de sua dança no longo percurso de nossas pistas. Ainda no final da década de 80, Serginho vai para Unidos do Peruche fazer par com Lidia Oliveira, porta-bandeira reconhecida como grande na cidade de Santos, que sobe a serra para encantar nossa Sampa.

Dora, filha do presidente Sinval Rosa e da bela passista Jaci Brito, defende por muitos anos com sincronismo e comprometimento o pavilhão da Império do Cambuci, seu primeiro e único amor. Nos anos 80, a Rosas de Ouro já era uma das grandes do nosso Carnaval e nos primeiros títulos do Especial de hoje, em 83 e 84, tem como primeira porta-bandeira a linda Diva Pavanese ao lado de Valtinho, encantando a passarela da Tirandentes, tendo como resultado belíssimas notas para a agremiação.

Os anos 90 despontam, nasce a nossa nova passarela, o Anhembi é nossa casa, e nele o primeiro casal da Gaviões da Fiel na categoria escola de samba, Antonio Carlos e Lucy, um belo casal, que teve muito aprendizado no Rio de Janeiro, ela uma pérola em postura e graciosidade, ele, um mestre arrojado e constante, passaram o pavilhão para o casal que ficaria por mais de quinze anos defendendo a escola Corinthiana, Michel e Ildely.

Ainda nos anos 90, anos de renovação em nossa dança, a realidade chegou, nossos desfiles ganhariam o Brasil, e nossos casais acompanhariam esta evolução através de Venesia Martins e Gabriel Martins, Vivi e Gabi, pela já campeonissima Camisa Verde e Branco, comandada por Magali dos Santos e sua filha Simone Tobias, a competência e o amor à nossa dança destas dirigentes dariam um novo norte para a arte.

Na Mocidade Alegre, com a exelência em termos de dança, Murilo e Sonia Moreira, a gala e postura estava nas apresentações destas duplas que abririam novos horizontes para a grande massa que chegava.

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11/08/2015 11h30

'O Beija-Flor'
Ednei Mariano

Beija Flor, também conhecido por Colibri, reina absoluto em todas as regiões do país.

Nosso pássaro aqui, nasce de uma ninhada com mais oito irmãos. Todos em tons azuis com verde, somente nosso herói nasce completamente diferente na cor, todo dourado com os olhinhos bem pretos. Pela sua diferença, logo nos primeiros dias de vida, fora rejeitado por seus irmãos, que o apelidaram de feio. Quando o sol da manhã amazônica batia no ninho, ele se destacava, e reluzia, e isso incomodava os demais da casa.

Beija-Flor. Foto: Reprodução

A mamãe Beija-Flor sentiu este tratamento diferenciado dado pelos outros, tentou argumentar explicando os motivos desta diferença, mas os irmãos não compreenderam e a discriminação crecia dia a dia. Ela tratou de protegê-lo, com medo de que os irmãos tentassem contra a vida do Douradinho. O tempo passou, nosso Colibri, ficou adulto, triste em seu caminhar solitário, tinha que se esmerar para ser o melhor em tudo, inclusive nas tarefas.

Uma tristeza apossou-se do coração do jovem pássaro, quando o papai Beija-Flor, o chamou para uma conversa com seus irmãos. Juntos teriam uma missão, de busca e conquistas, mas para isso teriam que se dividir em grupos, e assim fizeram, mas os demais não aceitaram o Douradinho, que teria que trilhar seu caminho só. O pai, vendo esta divisão, e esta exclusão, nada fez para que Douradinho fosse adimitido em um dos dois grupos, mesmo sabendo que toda adolescência, ele sempre compartilhava suas conquistas caseiras com seus irmãos.

Neste dia de dor, o Colibri Dourado chamou a mãe caridosa e com os olhos cheios de lágrimas contou-lhe o ocorrido e que iria em busca de suas conquistas e aprendizado, só porque não fora aceito pelos seus irmãos. A mãe tentou removê-lo de seguir nesta odisséia só, pois o perigo era eminente, mas foi em vão, nosso pássaro estava decidido, assim fez sua despedida, com um belo presente a familia, trouxe o mais puro nectar das mais cheirosas flores da amazônia e depositou para os seus, em seguida, voou para mudar seu destino, prometendo que um dia voltaria.

Assim foi nosso herói atravessando a densa floresta da amazônia, em razantes, ora em levitação, mas sempre o brilho intenso de sua plumagem, causava adimiração e espanto no reino da passarada, por onde ia, era cortejado, tamanha sua beleza e precisão no trato com as flores, até os insetos se deixavam servir de alimento hipnotizados pelo belo reluzente.

Foi conquistando amigos por esta jornada, se sentiu feliz quando do acolhimento pela família dos Pardais. Saciava sua sede de voo, ao acompanhar o deslocamento das Andorinhas, se encantava com o canto matinal do Uirapuru. Ao longe a passarada avistava a chegada do nosso reluzente e tudo era festa nas manhãs e tardes da grande floresta do mundo. 

A turma se reunia para contemplar o bater de suas plumagens, em muitas vezes, na fuga de seus predadores. Nas suas andanças, dava auxílio e vitalidade a floresta espalhando sementes adubadas que escapavam de seu bico com o nectar recheado de essencias vitais dos insetos. A amazônia, e sua rica flora, agradecia. Nosso Douradinho seguia seu caminho incasável por suas conquistas e semeaduras, assim foi conquistando uma legião de amigos.

Pelos seus feitos, tornou-se gigante e respeitado. Os voos duraram anos, sua generosidade se espalhou pela floresta, tinha tudo para se perder, para dar errado sua odisséia, mas Douradinho acreditou em si, lutou e venceu os contras que estava dentro de si mesmo, jogou fora o feio estabelecido por seus irmãos.

Usou sua inteligência e alargou seus horizontes e a conquista veio embutida nesta marcha de superação. Usou seu aprendizado e colocou para fora o amor de mãe armazenado em sua mente, em sua meta. Douradinho voltou ao seio familiar, carregado de aprendizado e de conquistas.

Chegou em um cortejo de beleza intensa no centro de uma nuvem de pássaros de várias espécies, estava a frente, como um verdadeiro comandante, ornado de honrarias porque venceu a maior de todas a batalhas, com determinação, palavra chave para quem quiser vencer na nossa Dança. Muitos, como o nosso Douradinho, não recebem apoio em suas entidades, muitos precisaram buscar espaços nas coirmãs, e ali tiveram a oportunidade de mostrar seu valor, muitos também fizeram como os irmãos do nosso herói, discriminaram seu igual pela diferença da cor, na altura, da massa fisica, das vestimentas.

Esqueceram que somos iguais e que a dança do mestre-sala e da porta-bandeira é generosa, e abriga a todos os corpos, veio das fétidas senzalas, sim, da resistência da capoeira, sim, se abrigou na periferia, mas se fez nobre e grande porque tem fundamento e razão para existir. Hoje toda reverência ao pavilhão e ao casal, existe por causa deste passado. Hoje muitos Douradinhos estão ai encarnados em um casal, prontos para fazer história, ou melhor, ajudar a continuar a nossa história.

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29/07/2015 11h30

'O Jade e a Esmeralda'
Ednei Mariano

A noite era de festa e de confraternização, o coletivo comemorava mais um ano de vida da entidade mãe!

Gente dos quatro cantos da cidade reunidos no espaço do samba paulistano. A paulicéia fervilhava com vinte e quatro horas de cultura. Música, dança e interpretação, tudo rolava com tranquilidade na noite fria dos paulistas, e no seio do samba estavamos nós, ao lado da nata da nossa arte; embaixadores e embaixatrizes, na confraternização do espetáculo que já rolava em um grande show que antecedera o sorteio da ordem do desfile de mais um Carnaval.

Atento ao canto e a dança no gigantesco palco instalado no centro da nossa pista de desfiles, entre um ato e outro, um comprimento, um afago no concorrido camarote do samba, como eu sempre desejara, aquele gigante complexo ocupado pelo nosso povo, fora dos dias de desfile. A noite estrelada e a lua timida mostrando seu crescente, e de repente minha visão se volta ao palco guiada pelos acordes de "Aquarela Brasileira", vislumbro um negro todo em jade, de braços abertos, seus dentes reluziam.

Gabi e Vivi. Foto: Divulgação

Seu corpo esguio, passos e compassos, dobradas hora rápida, hora lenta, em um magistral dançar de quem conhece muito do que é ser um mestre-sala, ganha o palco em um deslize, compactando diversos movimentos, sua mão se estende e nos leva a ver que chama a atenção para sua dama que vem esguia, envolvente, toda em esmeralda, iluminada pelos belos passos e volteios sincronizados, um braço ostentava o pavilhão, o outro deslizava no ar em movimentos harmonicos eu uma suavidade plumaria.

Magistralmente se encontram no centro do palco, eletrizados pela força da música, nos envolvendo com a perfeição do conjunto em uma dança que fluia, com muita naturalidade, estava ali sua porta-bandeira, sua dama de muitos Carnavais, dois corações que se uniaram em duas doses de amor, na vida real e na vida artística, momento grandioso que fez o ambar ficar tímido dentro de tamanho explendor.

O velho mestre era uma criança naquele jogo de sedução do rei e rainha do Congo. Neste instante de embriagues e encanto, alguém bateu em meu ombro, apontando para o pavilhão ostentado pela rainha da noite e me perguntou; Pode? Respondi sem pestanejar; Só pode! Simplismente porque depois de tudo que este casal fez pela nossa arte, através do respeito, da postura com que caminharam pela nossa dança, sem falar de notas e prêmios, honra é para todos nós, vê-los ostentar nesta noite tão importante para o nosso samba, o nosso pavilhão nacional.

Senhoras e Senhores, este casal que nos dá a alegria de saber que a dança não tem idade, tem postura e tem tradição: Gabriel de Souza Martins e Venezia Martins, Gabi e Vivi, que nos enfeitaram e nos cobriram qual a nobreza de nossas pedras, neste templo sagrado que tem feito homens comuns virarem guerreiros, meninas e mulheres se tornarem rainhas pela busca, pelo objetivo, pelo esforço, em favor do nosso símbolo maior, que é nosso pavilhão.

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03/07/2015 11h30

A generosidade da nossa dança e o menino Augusto
Ednei Mariano

Extremo da Zona Leste de São Paulo, a negra de corpo avantajado e fartos seios, conhecida e bem quista no bairro, dá à luz a um rebento.

Tão pequeno, tão magro, que cabia na palma das mãos da negra Ligia.

Boa quituteira, boa de cozinha, conhecedora de muitas plantas, e em seus seios carregados de leite, faria a reviravolta na vida daquele moleque e o transfomaria em um negro de mais de um metro e oitenta, magro, mas cheio de vitalidade.

Augusto cresceu como toda criança de periferia: chegava correndo da escola, realizava os afazeres de casa e se mandava, para os morros e vielas, empinando pipa e jogando bola, e assim se fez rapaz. Logo despertou para a dança, mas para fazer isso, tinha que dar as fugidas de casa, porque Ligia queria uma outra vida para o garoto, queria que ele se firmasse nos estudos.

Não teve jeito! Augusto tinha a dança nas veias e assim foi se destacando no meio da rapaziada, até que um dia, seu grupo foi se apresentar em uma escola de samba da região. Ele se encantou com a dança do mestre-sala, diferente de todas que já conhecera. Os passos e o cortejo eram novidade para ele, que resolveu estudar e, no Carnaval, não tirava os olhos da TV.

Procurou em vários lugares o aprendizado, e nada, até que um dia, foi levado por amigos a um Curso de Formação no centro de São Paulo. Lá, ficou alguns anos, não conseguindo destaque. Não desistiu. Quando tinha dinheiro, reunia-se com amigos e ia ao ensaio de uma grande escola de samba da Zona Leste, se extasiava com a dança do casal.

Até que um dia conheceu Diogo, um mestre-sala famoso, um verdadeiro profissional na arte. Diogo recebera o convite para ser primeiro mestre-sala de uma agremiação, desta vez, na Zona Norte, uma campeã em títulos.

Mestre-sala e porta-bandeira. Foto: Ilustração

Esta escola faria uma grande festa em homanagem a outras que foram campeãs do ano. Diogo não poderia dançar neste dia, porque estaria fora da cidade, então teve a ideia de convidar o menino Augusto para dançar em seu lugar na tal festa. O garoto ficou três dias sem dormir direito só pensando no grande momento, na grande noite, em seu sonho que estaria prestes a ser realizado.

Preparou o melhor terno e foi! Com seu sapato de verniz impecável para o maior momento de sua vida. Foi bem recebido pela direção da escola e pela primeira porta-bandeira Juliana Almeida. Lá estava ele, pronto para o hino da gloriosa verde, amarelo, azul e branca.

Colocando para centenas e centenas de espectadores sua dança, seu gingado, seu aprendizado. Braços largos, peito para frente, pernas ligeiras na condução e na chamada de atenção para seu pavilhão. Linda foi sua dança, mercedora de receber das coirmãs elogios foi por sua postura e galanteio a sua dama, reconhecido foi pelo respeito e fidalguia ao tocar naquele manto sagrado.

A familia toda estava lá, a negra Ligia, irradiava felicidade. A Zona Leste invadiu a Norte para ver o menino Augusto dançar! Teve a honra de conduzir a dama da grande campeã da cidade, um momento que jamais imaginaria nos mais belos de seus sonhos.

O menino fora aclamado como o mestre da noite. Um desconhecido do grande público, mas uma pessoa que estudou a nossa arte e no momento certo, na hora certa, com humildade e dedicação, soube colocá-la em prática. Está aí a generosidade que a nossa dança pode causar. Tem que percorrer o caminho, que a hora de cada um chegará e o brilho se fará natural, porque toda a graça e fortaleza está em amar o que se faz, porque fará em qualquer lugar, em qualquer momento.

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10/06/2015 15h39

Amespbeesp 20 anos: Uma realidade em favor da nossa dança
Ednei Mariano

Terça-feira do Carnaval de 1995, apoteose das escolas de samba, a passarela da Tiradentes fervia com a passagem das melhores colocadas no desfile do ano anterior, era assim antigamente...

A entidade que eu desfilava, não obtivera boa colocação, depois do desfile na Bela Vista, fui para casa e de lá, curtindo a trasmissão pela Rádio Gazeta, que tinha o comando de Evaristo de Carvalho, um dos sambistas mais lúcidos que já conheci. E lá fiquei, ouvindo os comentários, até que depois da passagem do Camisa Verde e Branco, José Carlos Alvarenga, jornalista, no final da pista começa uma entrevista com mestre Gabi, Gabriel Martins, então primeiro mestre-sala da verde e branco da Barra Funda.

Evaristo de Carvalho. Foto: Reprodução

A conversa girava em torno do nosso quesito. Gabi falava da preocupação em se manter a tradição da dança, e em termos pessoas com conhecimento sobre os fundamento dela, para poder nos julgar.

Ia por aí a animada conversa, quando o radialista Evaristo, deu um número de telefone para quem quisesse participar.

Não tive dúvidas, liguei para a rádio e me colocaram nesta conversa a quatro, e o papo rolou forte em torno das mudanças que os próprios casais estavam promovendo, indo mais para o lado da dança clássica, se esquecendo do jogo frenético que herdamos da capoeira, da tiririca.

Evaristo, muito atento, nos desafiou, a Gabi e eu, para nos orgarnizarmos em uma entidade.

Ele nos convenceu que aí teríamos mais força para lutar pela manutenção da tradição da nossa dança, e esta seria a zeladora desta arte, que vinha forte, bem antes da oficialização dos desfiles.

Aceitamos o desafio feito naquela noite de gala do samba, onde era só confraternização entre as entidades, nos colocamos a trabalhar. Lógico que recebemos uma série de críticas; uns falavam que a gente queria profissionalizar a dança, outros achavam que queriamos mudar o critério de julgamento, e vai por aí. Por outro lado, outros tantos nos apoiaram, na época, gente influente na dança e no Carnaval, como Magali dos Santos, então presidenta do Camisa, Eduardo Basilio, presidente da Rosas, o artista plástico e carnavalesco Raul Diniz, Tito Arantes, Robson de Oliveira, na época presidente da Uesp, a pesquisadora, comentarista e escritora Tereza Santos, entre outros.

Fomos fortalecidos no propósito e antes da fundação fizemos três encontros muito produtivos nas dependências do Anhembi, e no último, saiu a proposta de formar uma associação. Assim, em 10 de junho de 1995, nascia a Amespbeesp, Associação dos Mestres-Sala, Porta-Bandeiras e Estandartes do Estado de São Paulo, com o objetivo de trabalhar em função da tradição da nossa dança.

E deste caminho jamais nos desviamos nestes vinte anos. Estamos na vigésima edição do Curso de Formação Básica. Realizamos palestras por dezenas de cidades do estado de São Paulo, sem um espaço físico, estamos percorrendo, desde 1996, de dois em dois anos, as quadras das nossas escolas de samba, onde instalamos nossos cursos com todo apoio das entidades, que sem nos cobrar, vem reconhecendo nosso trabalho em favor do samba paulistano.

O Anhembi nos cede o espaço físico desde o Carnaval de 1996, e ali instalamos nosso galpão-camarim, para dar suporte aos casais que desfilam no sambódromo nos quatro dias de desfile oficiais.

Nosso povo desce com cada escola sinalizando ao jurado quem é o primeiro casal, trata-se de um trabalho voluntário e dinâmico, que ja virou tradição.

Todos os instrutores dos cursos e membros da diretoria desenvolvem este trabalho sem remuneração, tudo em amor a nobre arte.

A Amespbeesp não recebe ajuda financeira de nenhum orgão público, ela se mantém com doações quando da realização de algum evento, como o nosso aniversário, que há quatro anos voltamos a comemorar em grande festa, realizada nas dependências da Sociedade Rosas de Ouro, como apoio total da agremiação.

A nossa associação continua firme em seu compromisso, no primeiro momento, estiveram conosco a nata da nossa dança, comandada por Gabriel Martins, na presidência, de 1995 a 2011, hoje, ela é comandada por Zelia de Oliveira, aluna no primeiro Curso de Formação Básica, em 1996.

Quando no início do caminhar, recebemos a valorosa contribuição do mestre Manoel Dionisio, do Projeto Mestre-Sala e Porta-Bandeira do Rio de Janeiro, que nos trouxe experiência e o norte de como lidar com aqueles que estão chegando para a arte.

Hoje a Amespbeesp está presente na maioria das escolas de samba paulistana, através de pessoas que já passaram por nossos cursos.

Amespbeesp 20 anos. Foto: Arte

Muitos passaram para colaborar, além dos já ditos, Edileia do Santos, Raimundo Mercadoria, Elaine Bichara, Jamil, Sólon Tadeu, Markinhos, Nena Cazita e Paulo Henrique, que abriu sua casa e nos agasalhou em nosso início de jornada.

As grandes divas da nossa passarela, porta-bandeiras; China, da Vai-Vai, Vivi, do Camisa Verde, Sonia Maria, da Mocidade. Os mestres, Ronaldinho Gonçalves, Paulinho Guedes, Renatinho Trindade, Jorginho.

Cito também Maria Gilsa, da Sociedade Rosas de Ouro. Esta, foi tão importante no processo de ensinar, que em respeito ao seu trabalho, e lógico, aos propósitos da associação, a vereadora Juliana Cardoso, porta-bandeira que teve a base de sua dança em nossa casa, lutou e aprovou a lei 15.404/2011, que marca o dia 10 de junho como o dia do mestre-sala e da porta-bandeira na cidade de São Paulo.

Nos sentimos felizes por ter sempre ao lado da associação pessoas que acreditam em nosso propósito, como o presidente Kaxitu Campos, da Uesp, nos escutando e realizando mudanças para melhor compreensão do quesito. Presidentes abrindo suas casas para continuarmos neste processo de formação, como Borjão, da Barroca, Alexandre, do Império, Sidnei Carriuolo, da Águia e Solange Cruz, da Mocidade, cujo terreiro estamos pelo segundo biênio.

Assim caminhamos com muita festa por tudo que realizamos, e portanto, que queremos ainda realizar. Saudar neste momento aqueles que estão presentes, passando o que aprenderam, mantendo acesa a chama viva que se acendeu a exatamente vinte anos atrás, da mente de quatro pessoas, em uma conversa cujo o único interesse era fazer com que nossa dança seja sempre bela e representativa!

Axé ao nosso povo! Jaqueline, da Amizade, Everson, da Pérola Negra, Adriana, da Colorado, Adriana Gomes, da Mancha, João Carlos da Águia, Jocimar, da Mocidade, Pingo, da Vai-Vai, Luana e Jefferson, da Nenê, Lyssandra, da Dragões da Real, Gilson, da Colorado, Diego e Jussara, do Tatuapé, Marcelo Luiz, da Mancha, e Lais Moreira. Além de Marcelo Maua, mestre André, Luizinho Ferreira, Isabele Andrade e Nicea Correia. Moçada que toca hoje a nossa associação, com carinho e respeito aos cento e dezoito alunos matriculados neste ano, sendo trinta e seis crianças, de várias partes do estado, inclusive do litoral. É hora de celebrar estes vinte ano anos. Bodas de Porcelana!

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03/06/2015 00h23

'Tributo aos Deuses da Passarela'
Ednei Mariano

1967 é o ano que se instalou a grande mesa da ceia do samba paulistano. Ali estavam reunidos homens e mulheres, cansados de serem jogados de lá para cá, de terem que esmolar para fazer suas entidades se apresentarem com decência no triduo de momo, uma mesa farta de gente ávida pela valorização da nossa maior cultura popular.

Chegava o momento de dar um basta aos concursos não oficiais. Assim, esta noite foi um marco para o crescimento dos desfiles das nossas entidades carnavalescas.

Ex-prefeito de São Paulo Faria Lima. Foto: Acervo

Entre os muitos presentes nesta ceia, estavam Xangô da Vila Maria, Mala do Tatuapé, Sinval da Império do Cambuci, madrinha Eunice da Lavapés, Ivonete dos Acadêmicos do Peruche, Inocêncio Tobias do Camisa Verde, Pé Rachado da Vai-Vai, Carlão da Unidos do Peruche, Alberto Alves da Nenê de Vila Matilde e Evaristo de Carvalho, que seria o presidente da Federação, para orientar a moçada do samba.

Estava também o radialista Moraes Sarmento, que faria a ponte com o prefeito da época, o carioca Faria Lima, que abraçou a ideia de organização pelo poder público dos desfiles das escolas, blocos e cordões, a partir de 1968.

Assim foi feita uma comissão dos "Cardeias da Ceia", que ficou incumbida de buscar no Rio de Janeiro o modelo de julgamento, já que no Rio já era realidade a grandiosidade dos desfiles.

Dentre os quesitos trazidos, chegou o de mestre-sala e porta-bandeira, que era julgado somente pela beleza visual da dupla, ou pela fantasia, no caso das porta-estandartes.

Agora havia com um balizamento mais técnico, começando então, a valorização deste segmento, que muito contribuiu para o engrandecimento dos nossos desfiles. Vários foram os que fizeram história, e muitos nomes se perderam no tempo. Para estes, nosso tributo especial pelo desempenho e heroísmo que marcaram o início desta caminhada.

Muitos ainda estão em minha mente. Na época, eu bem garotinho, registro o reconhecimento por toda a classe e pela dignidade com que defenderam nossos pavilhões.

Com uma roupagem sempre diferenciada dos demais componentes das escolas, com uma ligação gestual herdada do tempo do Brasil Imperial, mas sem esquecer a malandragem herdada da senzala, lá vinham eles, como reis e rainhas.

Muito se aprendeu com o mestre Manezinho, que emprestou sua arte ao Peruche, na oficialização, e na Rosas de Ouro, no início de seu caminhar ao lado de Angelina Basílio, que hoje é a presidenta da entidade. Tributo ao majestoso bailar com sua peruca impecávael, ao Ivo Branco, e à bela China, pelo Tatuapé A querida China também desfila de Marquesa no Cordão Vai-Vai.

Vai-Vai que teve a talentosa Ivonete, como dama principal em seu primeiro desfile como escola, em 1972. Tributo a Emílio Carlos e Iara, do Morro da Casa Verde, que teve também neste início, mãe e filho, na defesa do pavilhão verde e rosa, Marcelo e Laurinete, a Dona Guga, atual presidenta da agremiação.

Tributo a este negro esguio, de 1,90m de altura, Solano Trindade, que com seu talento ajudou a Mocidade Alegre a magnetizar em seus primeiros desfiles como escola, sagrando-se o primeiro mestre tricampeão.

Tributo aos Deuses da Passarela. Foto: Arte

Nosso tributo também vai para o casal excelência, Jacó e Tiana, da Imperdaor do Ipiranga, ao versátil Landão e à bela negra Maria Inês, ambos da Nenê de Vila Matilde.

A verde e branca da Barra Funda, teve seu pavilhão desfraldado na sua caminhada vitoriosa como escola de samba pelas mãos do talentoso Wilson Moraes, tendo como dama a bailarina internacional Marina Luiza. Tributo ao alfaiate mestre-sala Nivaldo, com sua maravilhosa esposa Glória, sempre impecáveis na condução do pavilhão da Império do Cambuci.

Os anos 70 fervilhavam e muitas escolas nasciam, outras se estruturaram, mas todas contribuindo para o fortalecimento de nossas entidades, e com elas, novos casais aparecendo encantando nossas passarelas, sempre em defesa do pavilhão. Mas esse capítulo é para a segunda parte do nosso "Tributo aos Deuses da Passarela".

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22/05/2015 00h01

Cavaleiro, sim!
Ednei Mariano

O dia era sábado, o bairro estava tranquilo, na cidade agitada, a capital de todos os paulistas, o garoto sonhou que era um Cavaleiro.

Envolvida pela bruma em seu leito, deu asas e foi para os braços de morfeu. Sonhou que estava diante de uma negra tão negra que sua pele reluzia no luminar da fraca luz da rua, ela de estatura mediana, chamou sua atenção pelos belos dentes brilhantes e brancos como a própria luz da lua.

E do alto iluminava aquela praça em Santo Amaro, ele via seus passos deslizarem pelo asfalto rústico.

Cavaleiro. Foto: Arte

Ela, sem perder o ritmo. Um dos braços iam longe e o outro firme como um poste de concreto, ostentava o pavilhão, que no logo se identificava, Plenário de Santo Amaro, o nome da escola.

Ousado se aproximou da dama e, sem que ela percebesse, começou a fazer um jogo de pernas, que ia da flexão dos joelhos, aos giros no seu próprio eixo.

Com a aceitação da dama, me larguei também em meus braços e tentei o primeiro contato físico. Lógico que ela me negou se fazendo de difícil, mas eu insisti e me postei como um nobre, desacelerei o ritmo e em compasso de valsa investi contra seu corpo perfeito, agarrei com um dos braços a cintura dela, entrei em seu giro.

Ali entrei na alma da negra, dançamos, dançamos, dançamos...

O mundo parou em minha volta, avançava e me afastava, com gestos e reverência, fizemos os dois o povo parar para nos admirar. Estava ali então a minha rainha, a primeira que viria em uma caminhada não só de alegria, mas numa caminhada de fé, de esperança, uma caminhada de glorificação, porque estava descobrindo ali, naquele terreiro, naquela escola o meu caminhar de quarenta anos em favor do pavilhão.

Cavaleiro sim, um andante que sairia dali e começaria uma jornada na recém-criada Faculdade do Samba Barroca da Zona Sul.

Cavaleiro sim, iria desbravar as matas da Cantareira na defesa do pavilhão da Acadêmicos do Tucuruvi, ao lado de outra mulher, de outra guerreira, a deusa da minha passarela.

Cavaleiro sim, em meu sonho de um sábado à tarde, voltaria à escola que me projetou, não para buscar nota, mas para ser homenageado com a bandeira de honra, ao lado de uma mulata de beleza sem igual, que encantou pela sua dança e por sua beleza.

Cavaleiro, sim, novamente ao lado da minha baiana querida de falar arrastado, novamente juntos, agora na defesa do pavilhão azul e rosa da Sociedade da Freguesia.

Cavaleiro, sim, neste sonho que era embriagador, que eu não queria acordar, quando me vi e me apaixonei pela morena dos cabelos longos, que já era a primeira-dama da São Lucas, um cavaleiro já cansado de tantas batalhas.

Vesti minha armadura e fui para a guerra novamente com esta mulher digna. Meu sonho terminaria com a volta aos braços da minha deusa, na escola que me deu tudo em termos de dança, carinho, respeito e dignidade.

Lá, encerrei minha jornada pelas passarelas. Não podia ser melhor ao lado daquela que um dia também defendeu o pavilhão azul e rosa para a nota, mas que neste dia, de 2013, me levou a cinco metros de altura em sonho, terminando ali, o meu sonho apoteótico de cavaleiro, cavaleiro, sim.

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30/04/2015 12h00

'O mestre-sala'
Ednei Mariano

Mestre-sala, um negro ladino, de pés ligeiros, e na mente sempre o desejo de fuga.

Este negro não vai para o campo, é agrilhonado na senzala durante a noite depois dos afazeres. Ele tem também como missão fazer crescer a turba de escravos como reprodutor, um bicho a procriar.

Durante as festas, os saraus, lá está ele, descaracterizado de sua origem, em uma roupagem quente, sufocante, empunhado de um grande bastão, a fazer com que os convivas adentrem ao salão para confraternização entre os abastados da época.

Não entende nada, e nem precisa, é só estar ali, como uma estátua se fazendo de gentil. A abolição chegou, a liberdade o levou do campo para a cidade, com a realeza na mente e a miséria na sua realidade, não se tornou um marginal, mas estava na marginalidade, era o que a vida lhe oferecia.

Sagaz com fome de vencer, não se dobrou à adversidade, no seu canto, fez a sua liberdade e dela foi buscando seu lugar na sociedade. A dança, a mistura dos ritmos, o europeu com o africano. Nas festas com seu povo, segura o estandarte e luta ao defendê-lo.

Bom de dança, bom de ginga, lá vão eles descendo e subindo ladeiras, tendo a cachaça como combustível nos dias da festa de momo.

É o bailar embriagador daquele que sabe fazer suas festas. Caminha, canta e caminha, junto aos seus, mais e mais gente se unindo nesta festa, ano a ano, outros grupos surgindo.

O batuque faz contraste com os pés hoje já calçados, vai galgando os degraus e fazendo ser reconhecido pela sociedade. Os instrumentos de sopro dos salões que durante o ano dava a alegria a este povo, se une ao rústico som dos atabaques e a festa continua. O tempo não para, e o povo negro ganha as ruas e faz a festa da plebe efervescente.

Hoje ele não carrega o estandarte! Ela chegou e se tornou cortejada, como uma dama, assim como era no tempo colonial.

Trouxe a roupagem que o oprimia e fez dela instrumento de poder ao incorporar a majestade e o brilho. Neste cortejo profano, os reis e as rainhas estavam na passarela, mas ele abdicou de ser nobre para continuar um guerreiro, que no dia a dia luta para sobreviver, mas que no Carnaval, protege e apresenta, o símbolo maior: o pavilhão!

Da humilhação, a redenção. Este é o mestre-sala, que hoje, com seus passos frenéticos, somado ao galanteio, ao gestual clássico, tornou-se das figuras mais importantes em um desfile de escola de samba, nos rodopios das fugas em proteção à sua porta-bandeira. 

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