SRZD


12/04/2011 17h07

Um novo julgamento
Eugênio Leal

O julgamento do carnaval deste ano gerou muita reclamação. E deu motivos para isso ao quebrar a linha de evolução dos últimos anos. Isso é péssimo para o evento. É hora de dar um basta neste sistema para o bem do próprio carnaval. A sociedade vive um momento de transparência que exige a renovação deste processo.

Há quem defenda a troca de todo o corpo de julgadores, mas o problema não está só nas pessoas. Já tratei muito do assunto, mas esse momento é oportuno para reafirmar algumas posições pessoais. É um assunto de solução praticamente impossível, mas acho que os erros podem ser minimizados.

REFORMA DE CONCEITOS E CRITÉRIOS

A primeira mudança - mais urgente - é a revisão dos conceitos e critérios de julgamento. É fundamental que se minimize a possibilidade de distorções e que se premie o mérito ao invés de punir a falha.

É preciso acabar com esta história de que todos começam com a nota máxima e vão perdendo pontos ao longo do desfile. O julgamento deve começar da nota mínima e graduar cada escola conforme ela for preenchendo os itens pedidos pelo manual do julgador.

É preciso, entretanto, diferenciar quem faz o básico previsto no regulamento de quem faz mais do que isso. E um décimo muitas vezes é pouco para medir esta diferença. Uma escola que preencher todos os critérios básicos deve obter um número limite e de pontos e a partir daí quem fizer melhor vai ser premiado - também com limites para evitar exageros.

Ao mesmo tempo é importante padronizar a pontuação para que não haja distorções. Cada item previsto na redação do quesito vale um determinado número de décimos de acordo com a sua importância. Em cima disso cada julgador vai avaliar com objetividade o que vê. Diminuir o peso da imprescindível subjetividade deveria ser uma das metas.

Alguns quesitos carecem até de uma tabela que ajude a definir o peso dos problemas apresentados. Quanto vale um buraco? Qual a diferença entre um buraco pequeno e um grande? Isso tem que estar previsto.

Para que isto funcione, cada quesito precisa ser estudado a fundo a fim de sabermos o que se pretende de cada um deles. Os textos que norteiam o julgamento atual estão ultrapassados e extremamante vagos. Reunir quem faz o desfile (coreógrafos, casais, carnavalescos, mestres de bateria, diretores de harmonia, etc.) com os julgadores, dirigentes e pesquisadores é o melhor caminho. Após um longo debate é possível chegar a um consenso sobre os critérios a serem adotados. Esta é uma situação que não pode ser decidida de cima pra baixo.

TREINAMENTO

O que para muitos é apenas uma festa, para outros representa o trabalho, o meio de vida. E para um grande grupo, uma verdadeira paixão. É inadmissível que o emprego e a emoção desta gente sejam decididos por um grupo de pessoas despreparadas. O treinamento dos julgadores não pode ser feito numa única palestra.

Um julgamento tão complexo merece um curso sério, com várias palestras, vídeos, simulações, testes. Porque não testes? E mais: deve se exigir dos julgadores um mínimo de qualificação para a função. Alguns deles cometem erros de português inaceitáveis nas suas justificativas. É importante para o mundo do carnaval que o julgador saiba explicar sua nota. É preciso aumentar o nível!

TECNOLOGIA

Estamos em 2011! Porque não usar a tecnologia em nosso favor? Defendo que tudo o que acontece perante as cabines de julgamento seja filmado, fotografado e gravado em áudio. Este material seria usado para ilustrar as justificativas das notas.

CONSENSO

Duas cabeças pensam melhor do que uma. As notas podem ser atribuídas durante uma reunião de todos os julgadores do quesito, comandados por um coordenador com saber notório sobre o tema.

Sairia uma nota única por quesito levando em conta o que foi apresentado ao longo de toda a pista. Nesta reunião cada um faria um relato do que viu e apresentaria suas fotos, vídeos ou áudios para comprovar. O coordenador resolveria eventuais diferenças de opinião.

Esta reunião poderia se realizada no dia seguinte ao final do desfile, com todos descansados e refeitos da "última impressão". Haveria mais tempo para avaliar com calma o que aconteceu.

TRANSPARÉNCIA

Não há porque esperar tanto tempo para divulgar as justificativas. A sociedade exige respostas imediatas. É preciso divulgar as justificativas imediatamente após a leitura das notas. A reunião dos julgadores de cada quesito produziria um relatório com os anexos necessários para ilustração. A divulgação deste documento poderia ser feita, no máximo, no dia seguinte à apuração.

Talvez seja caro fazer tudo isso, mas quanto vale a credibilidade de um evento milionário? Esta é a questão principal.


50 Comentários | Clique aqui para comentar

23/03/2011 14h48

Análise do Grupo Especial
Eugênio Leal

Seguindo a avaliação dos desfiles do carnaval 2011, passo agora ao Grupo Especial.

SÉO CLEMENTE

Ainda não é uma escola pronta para buscar os primeiros lugares, mas mostrou uma enorme evolução em relação a seus últimos carnavais. O trabalho do carnavalesco Fábio Ricardo foi de bom gosto e leveza, com um sopro de criatividade.  O cantor Igor Sorriso fez um desfile de gente grande! Ele tem tudo para ir muito longe.

A escola ainda peca na questão dos componentes - que não passam tanta energia quanto se faz necessário nos desfiles atuais. Faltou uma coordenação melhor de desfile para evitar a abertura de buracos durante a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira para os módulos de julgamento.

IMPERATRIZ

Começou muito bem com uma comissão de frente inspirada, que soube carnavalizar o difícil tema da medicina. Além dela, funcionaram bem a bateria (terceiras e caixas maravilhosas) e o canto dos componentes - embalado por um samba valente e um bom carro de som.

A Imperatriz voltou a ser uma escola tecnicamente correta, mas pecou no visual pouco apurado e no desenvolvimento precário do enredo. Faltou inventividade. Conseguiu uma vaga nas campeãs porque o ano foi atípico. Ainda precisa melhorar para voltar a brigar pelos primeiros lugares.

PORTELA

A majestade do samba não merece um desfile como esse. Foi o pior do ano. Alegorias inacabadas (não, elas não queimaram no incêndio), enredo sem mensagem e desenvolvido de forma "careta", comissão inexpressiva. Faltou capricho em muitos setores.  

De positivo apenas excelente casal de mestre-sala e porta-bandeira e a execução do samba pela bateria e pelo intérprete Gilsinho. Um belo casamento musical para defender uma obra apenas mediana.

TIJUCA

Excelente apresentação que sofreu inevitável comparação com o desfile de 2010. Todo o público ficou esperando as sacadas de Paulo Barros. E elas estavam lá, mas não conseguiram causar o mesmo impacto do desfile sobre o segredo. O chão da escola, que deu show nos ensaios técnicos, pareceu "travado" no desfile e só melhorou na parte final.

A Comissão de Frente conseguiu a interação esperada, mas se transformou em carro coreografado deixando as pessoas que estavam no nível da pista de lado. O truque das cabeças foi muito repetido e era fácil de ser desvendado. Foi ótimo, mas perdeu para 2010.

Apesar disso, mais uma vez, a escola mostrou sua competência e marcou um estilo de carnaval bem definido. Ela tem a sua cara, seu jeito. E isso é muito bom, mas não significa que os outros sejam obrigados a segui-lo.

VILA ISABEL

A Vila foi bonita, mas comportada. Rosa Magalhães reafirmou seu bom gosto e mostrou capacidade de fazer carnaval em escala maior. Um dos entraves, como esperado, foi o enredo. A enésima viagem pela história das civilizações que termina em carnaval não conseguiu arrepiar os cabelos de ninguém. A leitura era clara, mas o público clama por novidades!

A Comissão de Frente foi a mais estranha de todo o carnaval. O que era aquela medusa? Porque Thatiana Pagung só saía lá de dentro depois da apresentação para os jurados? Um equívoco dos grandes.

A bateria mostra que vive uma crise de identidade: não toca o ritmo tradicional da escola nem repete as inovações que Mestre Átila apresentava no Império Serrano. É complicado mexer numa bateria com tanta essência.

É importante destacar o belo casal Rute e Julinho e a garra dos componentes.

MANGUEIRA

Impressionante a capacidade da velha Manga de reverter situações contrárias a ela. O atraso inexplicável e o discurso mal projetado do Milton Gonçalves irritaram o público, mas quando a escola finalmente pisou a avenida, tudo mudou.

A Comissão de Frente não usou a alegoria apenas como palco, mas como cenário para a teatralização que executou com maestria, resumindo a trajetória de Nelson Cavaquinho no morro. Os malandros saltando como gatos pelos tetos dos barracos estavam sensacionais!

Gelo quebrado, a Mangueira foi contando seu enredo com uma clareza que poucos esperavam. E nada como um enredo sem Egito, Grécia, Roma, etc. Destaque para os carros da Praça Tiradentes e do Zicartola.

Quando a bateria chegou e marcou o samba na sola do pé, veio a explosão consagradora. O resto do desfile serviu para curtir a beleza do samba e reverenciar a história de um ícone da MPB. 

UNIÉO DA ILHA

A tricolor insulana comprovou que poderia disputar o carnaval. Se fosse julgada, a escola estaria com certeza no desfile das campeãs. Seus carros alegóricos estavam intactos, exibindo todo o bom gosto do carnavalesco Alex de Souza. As fantasias que foram refeitas poderiam gerar a perda de alguns décimos, mas estavam dignas e representativas.

De resto, a escola estava excelente! Vibrante, colorida, original. Não foi à toa que levantou a platéia na Apoteose. Repito: foi um erro não tê-la julgado.

SALGUEIRO

Quando a Comissão de Frente chegou à Praça da Apoteose todo mundo na avenida tinha certeza de que ali estava a campeã. Era um desfile perfeito em todos os aspectos: Samba, Enredo, Alegorias, Fantasias, Comissão de Frente, Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Harmonia...

Mas o Salgueiro acabou pagando pela mania de fazer carros que ocupem todos os centímetros da pista. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece. Será difícil encurtar as laterais em meio metro? Os problemas com a entrada de quase todas as alegorias na pista obrigaram a escola a ficar dez minutos parada e jogaram um desfile campeão no lixo. Uma pena!

MOCIDADE

Alguns torcedores não entenderam a palavra decepção que eu usei para descrever o desfile da verde e branco. Diante da animação dos componentes e dos elogios ao barracão da escola, eu esperava um desfile para, quem sabe, brigar pelo título. Acreditava mesmo que isso fosse possível, daí a decepção.

A Mocidade não me encantou em momento algum. Desde a Comissão, passando pelo casal, Alegorias, Fantasias, Enredo, Bateria, Samba. Tudo podia ser melhor. Não que tenham ido muito mal, mas apenas passaram sem despertar atenção. Muito pouco para uma escola do tamanho da Mocidade. Acredito que a direção tenha percebido isso, pois já planeja mudanças.

GRANDE RIO

Um dos melhores momentos deste carnaval. Pouca gente imaginava que a Grande Rio pudesse produzir um desfile dessa qualidade em menos de um mês. Uma prova de superação gigantesca que deve ter feito muito bem à escola. Além de tudo o desfile foi debaixo de um dilúvio, mais uma provação depois do incêndio.  Muita garra, muita emoção e a prova de quando se tem vontade e união tudo é possível.

PORTO DA PEDRA

Um desfile bonito, de bom gosto, colorido e passando com perfeição um bom enredo. Pena  ter sido tão frio. Falta emoção ao Porto da Pedra. E não é de hoje. Destaque positivo também para a muito boa bateria de mestre Thiago Diogo.

BEIJA-FLOR

A imagem que não sai da minha mente é da escola flutuando na avenida. Uma aula de canto e evolução. O tal "desfile de escola de samba" que o Laíla defende,  embora seja mal interpretado pelo grande público. Neste aspecto a Beija-Flor voltou a ser a melhor do carnaval, com larga vantagem. Fruto da diminuição no volume das fantasias.

Mas não foi um desfile perfeito. A Comissão de Frente não me convenceu: um carrinho de brinquedo puxando uma mesa com um rádio. Componentes que subiam na mesa pulando (alguns caíram). Alguns se emocionaram com a atuação do menino. Não fui um deles. O casal foi  prejudicado pela pista escorregadia e onde eu estava fez uma apresentação apressada e básica.

A Beija-Flor foi competente no acabamento de suas alegorias, mesmo que para muitos a concepção artística delas tenha sido de gosto duvidoso. Elas estavam completas e luxuosas. O enredo teve leitura fácil, casando-se com a letra do samba que a bateria se propôs a impulsionar com muito vigor. Uma bateria que serviu ao desfile e não a ela própria. É importante que se pense nisso.

Ah... e teve a presença de Roberto Carlos, que para mim era mais um homenageado, mas para a maioria é um mito. Isso ajudou a "levantar o astral" no encerramento do desfile.


46 Comentários | Clique aqui para comentar

18/03/2011 15h21

Um carnaval esquecível
Eugênio Leal

Foi um carnaval esquecível. Não quero ser chato e repetir uma série de questões que já abordei em anos anteriores. É preciso rever conceitos urgentemente. O mundo mudou e a sociedade está cada vez mais atenta a tudo. O carnaval só é um espetáculo internacional de sucesso porque milhares de pessoas dedicam suas vidas a ele. Não é um bom caminho desestimular estes apaixonados que são os verdadeiros donos do carnaval.

Conforme prometi vou fazer uma análise individual sobre cada escola. Não vi todas do mesmo lugar nem do mesmo jeito, devido às minhas diferentes funções na transmissão da rádio. Na maior parte do tempo estive no camarote da Tupi, em frente ao primeiro módulo de julgamento - mas concentrado na transmissão me dividi entre a vista da nossa janela e a da televisão. Em alguns outros casos estive na pista onde a emoção e a percepção são totalmente diferentes. Isso pode influir diretamente na minha percepção dos desfiles.
 
Começo com o Grupo de Acesso e, em breve, comentarei o Especial.
 
Alegria da Zona Sul

Abrir o desfile de sábado é muito complicado. Ainda mais para uma escola que acaba de subir, que passou por incêndio no barracão, perdeu carnavalesco e madrinha de bateria. O caos já estava instalado antes de entrar na avenida. A escola começou sua apresentação com sete minutos de atraso e acabou estourando o tempo, o que neste grupo é fatal. O desfile foi frio.
 
Renascer de Jacarepaguá

Mais um desfile sem comunicação com o público. Apesar da assinatura de Paulo Barros a Renascer não inovou e fez uma apresentação apenas correta. O destaque negativo foi o abre-alas, inteiramente importado do Salgueiro, apenas pintado.

Viradouro

Esperava mais da vermelho e branco. A começar pela comissão de frente, que deixou a impressão de que veio pela metade. Problemas na entrada dos carros geraram alguns buracos e o lindo samba não funcionou como esperado.

A bateria estava fantástica e os componentes cantaram muito.

Acadêmicos de Santa Cruz

A Santa Cruz precisa urgentemente de um choque de alegria. É uma escola fria que a cada ano perde qualidade em seus desfiles - em todos os seus segmentos.
 
Império da Tijuca

Apostou num enredo simples e, bem organizada, foi bela e feliz. Muito superior à escola que a antecedeu - o que lhe favoreceu - teve como destaque a bateria, o excelente Pixulé e a espontaneidade de seus componentes. Um dos desfiles mais agradáveis da noite.

Inocentes de Belford Roxo

A homenagem aos Mamonas não funcionou. E eu não era um dos que rejeitavam a idéia. O desfile foi correto nos itens de chão, mas deixou bastante a desejar no visual e no desenvolvimento do enredo.

Cubango

Um desfile grandioso, bonito, empolgado, passando a proposta do enredo. Alguns carros apresentaram problemas de acabamento, o que não lhe tirou o ar de favoritismo devido ao excelente trabalho da direção de desfile que conduziu a escola com fluência na avenida.

Estácio de Sá

Vir depois da Cubango não fez bem à Estácio. A vermelha e branca não conseguiu apagar o impacto da agremiação anterior embora tenha feito uma apresentação correta e bem resolvida esteticamente. O jovem carnavalesco Marcus Ferreira preferiu uma proposta clássica nas suas bonitas e bem resolvidas alegorias e fantasias frustrando minhas expectativas de inovação.

Império Serrano

É uma escola de samba de verdade. Tem chão, essência, bateria, samba e...só. Desfile de baixo nível em vários quesitos, especialmente os plásticos. Uma pena. Precisa de uma injeção financeira e, acima de tudo, de união.

Rocinha

O melhor e mais completo desfile da noite. Com um enredo inusitado, a escola de São Conrado foi perfeita desde a sua interessante comissão de frente até a última ala. Teve o mérito de criar carros alegóricos totalmente novos e bem resolvidos esteticamente, feitos dentro do espírito do tema. Apresentou um samba muito bem resolvido. Bateria e Anderson Paz perfeitamente entrosados conduziram o canto e evolução dos componentes com fluidez. Um sopro de inovação e competência numa noite que esteve abaixo do esperado.

Caprichosos
Lamentavelmente repetiu o desfile trágico de 2009, só que com menos raça dos componentes. Precisa mudar muita coisa.


35 Comentários | Clique aqui para comentar

08/03/2011 16h57

Nota de esclarecimento
Eugênio Leal

Não sei se esta é a melhor hora para escrever, mas preciso deixar claras algumas situações. Tenho dedicado meu corpo e minha alma para tentar fazer a melhor cobertura possível do carnaval pela rádio Tupi e lamento que muitas pessoas não entendam isso. Os textos divulgados aqui nos últimos dias sobre os desfiles não foram escritos por mim. Não só os meus, mas de todos os outros colunistas.

É desumano pedir para que alguém sente em frente a um computador após uma noite/madrugada de desfiles e escreva um texto. Por isso o procedimento é o seguinte: alguém da redação nos liga e nós passamos o que achamos. Acontece que, naturalmente, quem está do outro lado traduz isso para suas palavras. Nem tudo que é dito é transcrito na íntegra e daí surgem questionamentos. Tenho muito mais a dizer e explicar sobre o que senti de cada desfile. Algumas ideias foram mal interpretadas pelos redatores e aviso que não mais participarei de um processo como este.

Entendo que a festa envolve paixão e que isso gera uma certa "cegueira" por parte dos torcedores. Gostaria que houvesse compreensão do outro lado também. Um desfile de escola de samba é um espetáculo dinâmico, que se apresenta diferente a cada metro de pista. E desperta emoções diferentes em cada espectador. Por isso gera tanta discussão. O que não pode faltar é respeito das partes. Procuro sempre tratar tudo com o maior respeito, mas nunca vou me furtar de expressar minhas opiniões.

Estou agora a caminho da Sapucaí para a transmissão do Grupo B, mas prometo escrever individualmente sobre cada desfile. É importante para mim. Espero que entendam.

Nota da redação: Respeitamos a nota de esclarecimento do colunista Eugênio Leal e explicamos que o sistema é feito desde o Carnaval 2009, onde os colunistas falam com a redação e passam os flashes dos comentários. Erros nessa passagem de ideias acontecem e devem ser corrigidos, como os que ocorreram e foram alterados. Temos uma vasta equipe no Sambódromo e na redação do site. Mesmo com muitas dificuldades nossas e do próprio evento, nós conseguimos realizar um trabalho difícil de ser encontrado na internet em termos de informação. Estamos cientes das nossas deficiências e procuramos melhorar a cada dia. Deixamos claro que o colunista possui plena liberdade editorial para expressar sua opinião e que, em breve, como o mesmo citou, ele vai escrever sobre cada desfile.

 


15 Comentários | Clique aqui para comentar

08/03/2011 07h43

O dia da superação
Eugênio Leal

Foto: DivulgaçãoO grande destaque da noite vai para as escolas que sofreram com o incêndio, e que foram exemplos de garra e superação. Deixaram bem claro, que caso viessem concorrendo ao título, seriam fortes candidatas a vencedoras. Maior destaque à Grande Rio, que mais sofreu perdas com o incêndio, mas que mesmo assim mostrou muita garra e superação ao cruzar a avenida. A escola de Caxias conseguiu mostrar um desfile de qualidade, o que surpreendeu a todos. E nesse mesmo contexto, a União da Ilha também ganha destaque pelo desfile muito bem feito.

O Salgueiro, que era uma das grandes favoritas, chegou a mostrar alegorias bem trabalhadas, fantasias com bastante luxo e enredo muito bem desenvolvido, entretanto se perdeu e conseguiu se perder durante a evolução na avenida, o que fez com que a escola jogasse fora o que seria um desfile de campeão. Mocidade foi uma decepção em todos os sentidos. E a Porto da Pedra apesar de aparecer muito bonita na Sapucaí, mostrou um desfile frio e totalmente distante do público. A Beija-Flor terminou a segunda-feira de desfiles com problemas na comissão logo no início da apresentação, o que fez com que a escola esfriasse. Além de não ter apresentado um diferencial, nem alguma coisa que pudesse levantar o público.


54 Comentários | Clique aqui para comentar

07/03/2011 07h30

Nenhuma escola de domingo apresentou desfile arrebatador
Eugênio Leal

A campeã não chegou ainda. Não teve nenhuma escola com um desfile arrebatador, não houve bons impactos.

A superação da Mangueira surpreendeu a todos pelos problemas. Conseguiram traduzir bem o enredo.

A Unidos da Tijuca foi bem, mas era esperado algo mais acima do ano passado. Ela acabou perdendo para ela mesma, mas teve belos momentos. Paulo Barros mostrou sua capacidade de criar.

A Vila Isabel fez um desfile correto na volta da Rosa Magalhães. Houve problemas na comissão de frente que ninguém entendeu. A falha principal foi na comissão. Também não fez um desfile arrebatador.

A Imperatriz, nem de longe foi um melhores do trabalho do Max Lopes. A combinação de cores e os próprios carros ficaram bonitos na avenida. A comissão de frente foi uma das grandes surpresas da noite de hoje.

A Portela passou. O nível das fantasias foi melhor do que das alegorias, o que não dá para entender, porque as fantasias pegaram fogo. Acho que o fato da escola não estar concorrendo fez com que não fosse com garra para avenida.

A São clemente conseguiu se superar.


33 Comentários | Clique aqui para comentar

06/03/2011 08h00

Grupo de Acesso já viveu dias melhores
Eugênio Leal

O desfile do Grupo de Acesso A foi de nível médio. Não foi bom. As escolas apresentaram dificuldades. Não houve uma que tivesse brilhado intensamente, que merecesse aclamação total. O Grupo de Acesso já viveu dias melhores.

A minha campeã da noite foi a Rocinha. Apresentou o desfile mais redondo. Sem grandes erros, sem grandes problemas. Desfile original. Em todos os sentidos, foi diferenciado. Bom desempenho geral em todos os setores.

Além da Rocinha, a Cubango também foi bem e briga pelo título. Mais abaixo vem Viradouro e Império da Tijuca. Destaque negativo para Alegria da Zona Sul, que apresentou muitos problemas, e Caprichosos, que mais uma vez não honrou a tradição da escola e apresentou um desfile muito fraco. Santa Cruz e Inocentes também não foram bem.


23 Comentários | Clique aqui para comentar

08/02/2011 11h36

O Show tem que continuar
Eugênio Leal

Parecia um pesadelo, mas era realidade. A semana começou com uma verdadeira tragédia para o mundo do samba. As imagens são fortíssimas e servem principalmente como lição: o sistema de prevenção ao fogo é precário ou inexistente. Se eu fosse presidente de uma das outras nove escolas estaria a essa altura comprando centenas de extintores e contratando dezenas de bombeiros. É preciso que este aspecto seja revisto com urgência porque o que aconteceu ontem pode se repetir a qualquer momento em outros barracões e acabar com o carnaval 2011. O mais importante desta história é que não houve vítimas e por isso já devemos agradecer aos céus. Se fosse em outro horário a coisa seria muito pior.

É claro que decisões precisavam ser tomadas, mas acho que elas foram precipitadas. Pensadas em cima do desespero e da emoção, as medidas anunciadas ontem podem ser revistas depois que a poeira baixar. Um mês é pouco tempo sim, para quem perdeu todas as suas alegorias como a Grande Rio. Mas refazer fantasias não é tão complicado, apesar da escassez de material. As escolas receberão verbas extras para tal e as comunidades se organizarão para repor o tempo perdido.

É por isso que eu acredito que o "não julgamento" de Portela e União da Ilha devem ser repensado. Como nenhuma escola será rebaixada (medida correta), e não haverá riscos para elas, não vejo motivo para impedi-las de tentar uma vaga pelo menos no desfile das campeãs - o que já seria uma vitória. Vimos ontem os belíssimos carros que a Ilha fez e que foram salvos. O julgamento é composto por dez quesitos e "fantasias" é apenas um deles. Recentemente a Mangueira, com problemas visíveis em suas alegorias, chegou num honroso sexto lugar porque foi muito bem nos outros itens.

A competição é a motivação do componente. É por ela que o sambista se esforça. O homem está em busca constante por superação, ainda mais numa situação como essa. Fazê-lo entrar na avenida para um "jogo amistoso" significa acabar com seu carnaval. União da Ilha e Portela salvaram suas alegorias e têm o direito de lutar por uma colocação. Seus componentes devem exigir isso junto às suas diretorias. E o tempo vai dizer que isso é possível sim.

O caso da Grande Rio é diferente. A escola perdeu todas as suas alegorias e encontrará dificuldades para refazer um carnaval competitivo. Ainda ssim acredito que será um bonito e emocionante desfile.

Sofremos uma grande perda material, mas não podemos perder a esperança, a garra, a vontade de fazer carnaval. Que a lição seja aprendida quanto à segurança e que os sambistas possam mostrar que podem se superar. Ainda há tempo!


30 Comentários | Clique aqui para comentar

24/01/2011 15h36

Sem maquiagem
Eugênio Leal

Escola de samba em ensaio técnico é como uma mulher nua e sem maquiagem. É ali que a gente vê se ela é bonita de verdade. Na hora do desfile ela vira uma noiva, com vestido, penteado e pinturas que dão uma impressão diferente da realidade.

No ensaio técnico não tem fantasia, alegoria, som espalhado pela pista, bateria microfonada, fogos de artifício, efeitos especiais... nada disso. É a hora de mostrar quem canta, evolui, toca e samba de verdade. E mais: quem sabe como armar um "cortejo", ou "esticar a cobra". Sem duplo sentido, por favor!

Pelo ensaio técnico não dá pra dizer quem será a miss Brasil (ou melhor, a campeã do carnaval) porque a maquiagem tem um peso neste concurso, mas é possível apontar quem tem o corpinho mais bonito, mais charme, mais graça, mais alegria.

Claro que até o dia decisivo ainda há tempo para corrigir alguns detalhes: perder uma barriguinha, queimar algumas calorias, entrar em forma. Mas uma verdade precisa ser dita - quem já está bem agora tem mais chances de estar melhor no desfile oficial.

Ainda não é hora de fazer um ranking destas apresentações, mas não vou fugir desta responsabilidade. Quando acabar a primeira rodada de ensaios vou fazer minha lista de preferidas. E farei uma segunda na semana anterior ao carnaval. Você pode montar a sua também, sem compromisso. Faz parte da brincadeira! Por enquanto o que dá pra adiantar é que temos mulheres bonitas se preparando para o carnaval 2011!!!

PREOCUPA

Trocar diretor de bateria a 40 dias do carnaval não é uma manobra simples. A Ilha, ao que parece, corre o risco de perder Riquinho para uma co-irmã que deve estar insatisfeita. Isso preocupa os insulanos.

A Mangueira já trocou seu diretor principal (saiu Jaguara Filho e entrou Ailton Nunes). Por mais que o Ivo Meirelles entenda do riscado e que a bateria da Manga não precise de um nome de peso à sua frente para arrebentar, achei que algo de errado ocorreu no ensaio de domingo. Embora não tivesse cometido erros, a bateria da Mangueira esteve longe daquela que me encantou no último desfile oficial. Ah... e uma boa bateria não precisa de maquiagem! (mas pode perder uma barriguinha).

 


10 Comentários | Clique aqui para comentar

11/01/2011 13h26

Feliz Ano Novo
Eugênio Leal

"Há os que vão pra mata, pra cachoeira ou pro mar", mas para quem é do samba o início do ano novo foi na noite de domingo, no templo maior da nossa religião. É bem verdade que ele veio com algum atraso, mas por um bom motivo: a inédita e automaticamente clássica lavagem da pista pelas baianas, velha guarda e casais mirins de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Uma idéia que não podia ter sido mais feliz.

Ver a união dos sambistas do passado com os do futuro ao som de sambas que não eram necessariamente de enredo foi fantástico. Além de provar que se pode desfilar com um andamento mais lento! Só o fato de presenciar o veteraníssimo "Vitamina" do Salgueiro ensaiando alguns passos e arrancando aplausos da platéia já teria feito o evento valer a pena, mas o garoto Gabriel, de seis anos, aluno da escola de Mestre-Sala, Porta-Bandeira e Porta-Estandarte de Manoel Dionísio completou minha alegria ao "riscar os chão de poesia" sozinho durante o intervalo.

O clima de congraçamento e emoção tomava conta de todos e a reposta do público enorme (cerca de 30 mil pessoas) confirmou que o evento entrou de vez no calendário da cidade. O cansaço ao final foi recompensado pelos momentos de alegria que vivemos.

MESTRE CELINHO

Um dos maiores diretores de bateria do carnaval carioca estava circulando pela pista. Recuperado da doença que o afastou do comando da "Pura Cadência" ele agora dirige seu táxi pelas ruas da cidade. Sua qualidade faz falta ao desfile. Quem sabe alguma escola não o contrate?

FU

O ex-presidente do Salgueiro, Luiz Augsuto Duran, também recuperado de problemas médicos graves, foi acompanhar o ensaio da escola e avisou: após o carnaval vai disputar a eleição. Ele diz que pretende "continuar o trabalho que foi interrompido", mas não quer antecipar o clima eleitoral para não atrapalhar o carnaval da escola.

SEM ORÉAMENTO

Fernando Horta não quis revelar quanto está gastando neste carnaval, mas disse que está bem acima da média. Ele disse que não tem como medir o custo total porque muita coisa vem de parcerias com cessão de serviços e materiais. Ele disse que não pretende deixar a presidência da Tijuca caso seja eleito para comandar o Vasco. A eleição na colina, pra ele, deve ser no meio do ano.

ROCINHA DO FUTURO

É brilhante o trabalho de Deo Pessoa à frente da escola de São Conrado. Nascido e criado na comunidade, ele faz de tudo para integrar a agremiação à população local. Ele revelou que o carnaval já foi forte lá dentro na época dos blocos, mas que a escola se afastou do morro.

Para reforçar a cultura do samba, pensando no futuro, montou uma escola mirim para provar que a comunidade de nordestinos também pode abraçar o samba. Boa sorte!

BATERIAS E CANTORES

Sem sombra de dúvidas as baterias e os intérpretes se destacaram na primeira noite. Todos eles. Prova de que ensaiar dá certo. Falta agora os componentes se soltarem um pouco mais. O canto coletivo do Salgueiro foi um show.


1 Comentários | Clique aqui para comentar

17/12/2010 12h51

É o novo sambódromo que queremos?
Eugênio Leal

Vivemos um momento histórico para o carnaval carioca. A prefeitura anunciou que vai "ampliar" o nosso sambódromo. Este é um sonho antigo de todo sambista, mas será que o projeto apresentado é aquilo que nós queríamos?

Começa errado por que a motivação das obras não é o carnaval e sim a olimpíada. Uma prova de que o carnaval, por si só, não tem força para motivar um investimento oficial. Também não fui informado sobre qualquer tipo de consulta às escolas de samba sobre suas necessidades em relação ao local onde desfilam.

O sambódromo pode ser usado por outras atividades, claro, mas ele foi construído para ser o palco oficial do desfile das escolas de samba e elas deveriam ser sua finalidade principal. A obra é bem vinda, mas uma oportunidade como esta deveria ser aproveitada para que todos os problemas do local fossem discutidos e resolvidos. E eles não são poucos!

Acessos - Algumas das grandes dificuldades de desfilantes e espectadores são as ruas que cercam a pista de desfile. Toda a região precisa ser reurbanizada, limpa, iluminada e os acessos têm que ser claros, bem sinalizados e policiados. Isso inclui concentração e dispersão.

"Monta e desmonta" - Na época da construção da Passarela o motivo principal era acabar com as estruturas tubulares. O tempo passou, a construção ficou obsoleta e hoje temos frisas, HCs e cabines de imprensa montados em cima das mesmas estruturas - além das passarelas dos setores pares. Estas últimas são as únicas que devem acabar, mas ninguém pensou em montar uma base definitiva para as frisas e cabines?

O lado "Ímpar" - Lá se vão mais de vinte e cinco anos sem que uma reforme fosse feita na estrutura já existente. Qualquer um que passe pelo local percebe o desgaste natural que o tempo causa. Não ouvi qualquer referência a reformas na parte já construída da passarela.

Conforto - Ninguém pensou em pedir a Oscar Niemeyer, enquanto ele ainda está entre nós, um projeto de cobertura para as arquibancadas e frisas? O pessoal que lá fica vai continuar pegando chuva. A acústica não é problema, pois existem revestimentos que evitam a reverberação do som. Basta querer. Não seria viável também, pensar em assentos de plástico como os dos estádios de futebol para que cada um tenha seu lugar marcado e delimitado, além de não sentar no concreto? O desfile é um espetáculo internacional que dura a noite inteira. Não é justo expor os espectadores a estes constrangimentos.

Praça da Apoteose - É um absurdo assistir ao desfile daquele local. As pessoas que ali estão só enxergam a escola quando ela passa por ali. E mesmo assim de muito longe. Aquelas arquibancadas precisam ser demolidas para dar lugar a outras mais próximas. Afinal, aquilo é a Passarela do Samba e não uma casa para show de rock.

Arrecadação - Não fiz as contas, mas imagino que o número de camarotes irá diminuir consideravelmente com o fim do atual setor 2, apesar do novo desenho dos setores. Acho também que os novos lugares de arquibancadas e frisas não suprirão a arrecadação que se perderá com os camarotes, o que pode ocasionar um aumento no valor do preço dos ingressos para estes outros setores. Algo a ser checado. Vale lembrar que, para as escolas, a verba dos ingressos passa a ser ainda mais importante com o fim da subvenção.

É verdade que há também pontos positivos na "ampliação" da Passarela do samba. A "possibilidade de ver o arco por inteiro", citada pelo prefeito é o menor deles. O mais legal vai ser o fato de que na teoria teremos mais "povo" assistindo. Quem desfila sabe que um dos momentos mais legais é quando a gente passa entre os setores 4 e 11 porque há uma troca de energia entre o pessoal que está nas arquibancadas que esquenta bastante o desfile. Ter isso ao longo de toda a pista será fundamental para que as escolas reencontrem o "calor humano" em seus desfiles.

Há também a questão técnica da acústica. O som agora se propagará com igualdade para os dois lados favorecendo as baterias e, quem sabe, diminuindo o volume ensurdecedor das caixas de som.

Outra coisa que me preocupa é a execução das obras. O que está lá foi feito em quatro meses, mas com a lentidão que a atual prefeitura trata o carnaval, temo que enfrentemos problemas para 2012. É importante que a obra fique pronta cedo - a tempo dos ensaios técnicos e dos testes necessários antes da festa maior desta cidade.


8 Comentários | Clique aqui para comentar

12/11/2010 12h52

O rumo das baterias
Eugênio Leal

Tenho muito orgulho de ter sido ritmista por muitos anos. Saí em inúmeras baterias de diferentes grupos. Já desfilei em dez escolas num único carnaval - sempre no tamborim. 

É nítida a evolução técnica alcançada na última década. Muitos dos diretores passaram a estudar música, procurando uma profissionalização que o carnaval atual exige. Aumentou a exigência por batidas uniformes de caixa, afinação de surdos e equilíbrio entre os instrumentos. Há desenhos para as terceiras  e escolinhas em profusão. As baterias estão melhores, é fato. Em quase todos os aspectos.

A única coisa que tem me preocupado são as paradinhas, ou "bossas". Depois que Mestre Odilon criou as "conversas" entre instrumentos, com cada um deles tocando num momento, a coisa ganhou rumos estranhos. Nada contra a criação (pelo contrário), mas tudo contra a tendência que se criou a partir dela.

A cada dia surge uma paradinha mais "espetaculosa" e menos integrada com a melodia dos sambas. Com todo respeito aos grandes mestres do samba: tem muita bossa confusa, mal pensada e mal executada. É importante ter em mente que a bateria deve acompanhar o samba, servir a ele, sustentá-lo e valorizar a sua musicalidade. A percussão é um acompanhamento, não o prato principal!

A moda hoje é criar as paradinhas em cima dos compassos, para encaixá-la em qualquer samba. Isso é errado. Fica uma tremenda confusão. A bossa deve ser pensada em cima dos desenhos melódicos, das modulações da melodia. Música é harmonia, gente! Tem paradinha que obriga o cantor a acelerar ou frear o andamento do samba. Fica muito feio!

Amigos mestres, diretores e ritmistas: é hora de deixar vaidade de lado e pensar no rumo que estamos trilhando. Pelo bem de sua escola e do carnaval. Como dizia um samba da Imperatriz, "mais vale a simplicidade a buscar mil novidades e criar complicação". És vezes uma manobra simples dá um efeito muito maior e mais e bonito do que a maioria das coisas que se tem criado.

O que importa, na verdade, é o "ritmo". Graças a Deus quase todas já acertaram esta parte. Deixem-nos ouvir um pouco mais dele!


61 Comentários | Clique aqui para comentar

09/11/2010 16h17

MP x Carnaval
Eugênio Leal

Prefeitura e LIESA buscam uma maneira de organizar o carnaval 2011 sem maiores atropelos. A notícia de que não haveria subvenção pegou muita gente de surpresa e gerou confusão porque não foi explicada direito. O que acontece é que o Ministério Público ameaça entrar com um processo contra a Prefeitura por "Improbidade administrativa" caso ela assine com a LIESA o mesmo contrato que regula o carnaval há muitos anos.

Há um processo correndo no MP desde 1998 que investiga as ações da LIESA. Até hoje este inquérito não chegou a uma conclusão, mas o Ministério Público não concorda que a administração da festa fique na mão da entidade que congrega as escolas de samba.

A Prefeitura tentou organizar uma licitação para que alguma outra empresa assumisse esta responsabilidade, mas não houve interessados. A única opção é manter esta administração com a LIESA, mas aí o MP acha que a entidade não pode receber a "subvenção" e que deveria administrar o evento com recursos próprios.

Uma das saídas pensadas para diminuir o prejuízo das escolas é acabar com a participação da Prefeitura na bilheteria do evento. Até o ano passado ela ficava com cerca de 6% do total. As negociações, entretanto, não estão encerradas. Haverá mais uma conversa na próxima semana.

Existe a possibilidade também do contrato ser assinado sem previsão de subvenção, apenas para a organização do evento, mas com a Prefeitura pagando diretamente a cada uma das escolas a verba que seria distribuída pela LIESA. Este processo não envolve as agremiações dos grupos de acesso que, entretanto, não estão livres da fúria do MP. Primas pobres do carnaval, extremamente dependentes desta verba, algumas se assustam e admitem que teriam dificuldades em desfilar.

Aqui acaba a informação e começa a opinião. O carnaval do Rio de Janeiro é um evento importantíssimo para o turismo na cidade. Movimenta milhões. E, embora os blocos hoje sejam um fenômeno, o desfile das escolas de samba ainda é a maior atração. Nos últimos anos as questões relativas à administração e ao repasse de verbas vêm sendo discutidas na última hora. Sim, para quem planeja um carnaval nós estamos no limite. Este atraso prejudica a organização da festa que acaba sempre sofrendo com problemas de estrutura.

Os órgãos públicos precisam pensar carnaval profissionalmente. O certo seria que a festa de 2012 já estivesse sendo projetada. Os desfiles são cada vez mais elaborados e caros. Hoje as escolas pagam milhares de fantasias de comunidade, efeitos especiais, inúmeros profissionais. O carnaval é um mercado de trabalho que cresce e assim deve ser observado.

É preciso que se crie uma regulamentação especial para a administração das escolas de samba, observando suas especificidades e dando a elas condições de sobreviverem na legalidade - o que hoje é muito difícil. Não se pode tratar destas entidades como empresas normais, com fins lucrativos, mas elas também precisam prestar contas do dinheiro público que recebem.

Estamos no pré-histórico da história de um evento que ainda vai crescer muito e ensinar ao mundo o que é a nossa arte. Antes, nós sociedade organizada, precisamos entender este fenômeno e aprender a lidar com ele.


11 Comentários | Clique aqui para comentar

04/11/2010 17h34

Obrigado, poetas imperianos!
Eugênio Leal

Get the Flash Player to see this player.

Fico muito feliz quando vejo que o que a gente escreve aqui ganha repercussão e se transforma em realidade. Foi assim com a coluna "Samba no pé", que virou tema de seminário no SESC de Três Rios, e agora com meu emocionado texto sobre o samba do Império Serrano para 2011.

Inspirados pelas minhas palavras, Paulinho Valença, Victor Alves, Leo e Vitor Cunha compuseram uma nova obra - um samba de terreiro - e já o gravaram. O samba é lindíssimo e versa sobre a minha prosa: o DNA dos sambas imperianos. Ouça!

A minha casa é a casa de Mestre Fuleiro
Por isso sou feliz em viver aqui
Onde brilhou Molequinho e Mano Décio da Viola
E a lígua oficial é dó ré mi fá sol lá si
No sábado canto samba com Jorginho
Abençodo por Dona Ivone lara

Minha felicidade é renovada ano a ano
Meu lar é quadra do império Serrano

Acordo com versos de Silas de Oliveira
Embalo meu dia com o Beto Sem Braço
Roberto Ribeiro,Aluisio Machado e Arlindo Cruz
A arte que vem dessa gente me enche de luz
Na marcação da Sinfônica do Samba
Zé Luiz,Jorge lucas,Samara,lula e Maurição
Pra Marcão, Marcelo,Henrique, Popeye e Zé Paulo pedimos licença
Victor Alves, Leo, Vitor Cunha e Paulinho Valença

Vou cantar como é bom estar aqui
Ver o sambista sorrir e hoje poder exaltar
Assim como disse o poeta aqui é o meu lugar


7 Comentários | Clique aqui para comentar

04/11/2010 17h18

Consagrando a criação
Eugênio Leal

Festa de protótipos é uma das coisas mais chatas do calendário carnavalesco. Aquele desfile interminável de fantasias, com modelos nem sempre animados não é nada agradável. Na terça-feira, porém, resolvi aceitar o convite da assessoria de imprensa do Porto da Pedra e fui conferir o que o carnavalesco Paulo Menezes preparou para o carnaval 2011.

A escola foi além da mostra de suas fantasias: fez do evento uma apresentação do enredo, do samba e até mesmo de seu novo presidente (além de brindar o público com uma das peças de Maria Clara Machado). A festa foi realizada no teatro Carlos Gomes, aproximando a agremiação do universo da homenageada e criando um clima mágico em torno do enredo. Uma forma inteligente de "vender" a sua imagem e seu projeto.

A apresentação das fantasias não foi num desfile, mas através de uma exposição onde as pessoas podiam ver de perto as criações do carnavalesco por quanto tempo quisessem e ainda ler as explicações sobre cada uma delas.

É deste tipo de iniciativa que o carnaval precisa para crescer enquanto espetáculo, alcançar novos públicos e novas realidades. É preciso criar, pensar, sonhar - como diz o enredo. A escola está de parabéns.

Quanto às fantasias: não sou especialista, mas achei lindas - de fácil leitura, excelente acabamento, muito bom gosto, com um toque infantil e alegres. Só fiquei com pena dos componentes. Quem for desfilar no Porto da Pedra precisa estar em boa forma física e muito hidratado antes de entrar na avenida.


3 Comentários | Clique aqui para comentar