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Haroldo Monteiro

Haroldo Monteiro

VAREJO. Formado em Administração de Empresas e Engenharia Econômica pela UERJ. Possui vasta experiência no mercado de varejo tendo atuado como executivo em várias empresas deste setor. MBA em Business Administration pela Ohio University, e sócio da Planning & Management, consultoria especializada em gestão e estudos de tendências econômicas para o varejo. É professor convidado do Coppead, onde ministra Administração Financeira de Curto Prazo.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



12/06/2015 08h31

E o mercado de luxo se rendeu ao e-commerce
Haroldo Monteiro

As marcas de luxo durante muito tempo relutaram em vender produtos on-line. Porém, as últimas semanas foram marcadas por notícias sobre o e-commerce como um importante canal de vendas de produtos do mercado de luxo. Na realidade, os fatos vêm mostrando o crescimento do setor há algum tempo, e o desenvolvimento de novas estratégias para utilização deste mercado pelas empresas de luxo vem se acelerando.

Mercado de luxo e e-commerce. Foto: Reprodução

Estamos diante de um movimento no qual as marcas luxo se renderam às vendas on-line. Ou seja, as vendas de produtos de luxo pela internet vieram para ficar e comprovam a importância deste canal de vendas para o setor.

Em recente evento (Luxury Summit que ocorreu em 08/06/2015 em Monte Carlo), um analista da consultoria McKinsey & Company fez uma previsão de que o e-commerce no mercado de luxo chegará a representar 18% até 2025.

Segundo Nathalie Remy, sócio da McKinsey & Company, os "compradores de luxo são muito digitais, eles são muito mais móveis digitais do que o resto da população". Ela complementa ainda: "As marcas têm de estar em toda parte, mas você tem que gerenciar, e certificar que sua estratégia é consistente".

O fato é que as notícias do e-commerce voltado para as marcas de luxo não param de sair na midia, e os exemplos são vários:

A Net-A-Porter irá introduzir a fotografia em 360 graus, junto com a sua primeira loja "pop up" digital da Chanel, de modo que os clientes poderão ampliar, expandir e ter uma experiência real, de perto e pessoal com as peças ultra-luxuosas da Chanel. O novo aplicativo irá se adaptar a qualquer desktop, tablet ou dispositivo móvel.

Na China, as marcas de luxo Louis Vuitton, Burberry, Saint Laurent e Balenciaga se associam a empresas de venda on line como o TMALL e outros sites, para atingir uma grande parte de seus consumidores via e-commerce conseguindo assim um aumento de suas vendas, e consequente redução da compra de produtos falsificados que acabam prejudicando a marca. - fonte BOF (Business of Fashion)

A Fendi, que atualmente vende acessórios e "read-to-wear" on-line através de varejistas como a Neiman Marcus, Bergdorf Goodman e Net-a-Porter, acaba de anunciar planos para vender diretamente para seus clientes através de seu próprio e-commerce local - fonte Fashionista

Gian Giacomo Ferraris, CEO da Versace, vê a internet como um alavancador deste mercado, dado que a China passou a consumir menos produtos de luxo.

"Sinceramente, se você me perguntar, neste momento, se esta oportunidade de vendas pela internet
poderá substituir o mercado chinês, ainda é dúvida, pois a diferença nas vendas é enorme. Mas é uma grande oportunidade", afirma Gian.

"A Web não é apenas um canal de vendas, na realidade ela é uma maneira de interagir com o nosso cliente, é uma maneira de criar inteligência, é uma maneira de criar o futuro (...) Estilo de vida, moda, luxo significam garantir o futuro e se você não está atraindo a geração mais jovem, você não vai ter um futuro.", Gian acrescenta. - fonte Luxury Daily

Por fim, nesta semana, o presidente da Richemont, Johann Rupert, convidou as gigantes do mercado de luxo LVMH e Kering para se juntarem, e aderirem à plataforma Yoox Net-a-Porter em uma tentativa de construir um site de varejo de luxo que possa competir com os maiores vendedores on-line do mundo. "As empresas de artigos de luxo precisam de mais massa crítica em e-commerce para sobreviver contra a concorrência", disse ele. - fonte BOF (Business of Fashion)

Ou seja, é mandatório estar neste mercado. Com certeza, as estratégias que serão desenvolvidas por estas marcas para vendas nestes canais deverão ser aperfeiçoadas para que o consumidor deste nicho continue tendo uma experiência de compra diferenciada.

No entanto, alguns autores de livros especializados em mercado de luxo sempre alertam para esta "nova fronteira do luxo" e seus desafios de manter estas marcas com suas "auras" preservadas. Segundo Jean Noel Kapferer, alguns pontos devem ser observados:

1) Marca de luxo não é uma seguidora, e copiar estratégias de massa não faz parte de sua essência. Ou seja, ser parte de algo não significa estupidamente seguir a multidão

2) O digital tem uma forte contradição com luxo em vários aspectos.

3) O digital é barulhento, lotado e altivo; luxo é calmo e elegante.

4) O digital é sobre a impermanência, o imediatismo, disponibilidade, acessibilidade, facilidade; o luxo está ligado a intemporalidade, cultura, herança, raridade, esforço.

5) O digital esta ligado à automação; o luxo é de um-para-um com foco nas relações humanas.

No entanto, o mesmo autor acaba se rendendo a esta nova cultura do luxo na internet e afirma em uma passagem no seu mais novo livro entitulado "Como as empresas de luxo podem crescer e se manter raras" na parte em que fala sobre: - Adaptando uma organização de luxo a web:

"Como diz um famoso provérbio: Quando você vive perto do mar, em vez de construir um grande muro, é melhor você aprender a nadar, portanto é chegado o momento das empresas de luxo aprenderem a nadar", explica Jean Noel Kapferer.



05/06/2015 08h56

O 'Dead Cat Bounce' do varejo de vestuário
Haroldo Monteiro

Estava analisando as vendas de algumas varejistas de moda de maio/2015 em relação ao mês passado e também a maio/2014 e fazendo algumas projeções para o resto do ano, quando me veio à mente a melhor maneira de definir o movimento que ocorreu nas vendas deste mês. "Dead Cat Bounce", uma expressão muito utilizada no mercado financeiro e que em português significa o "O Salto do Gato Morto".

Dead Cat Bounce. Foto: Reprodução

A definição do "Salto do Gato Morto" é: uma recuperação temporária de um declínio prolongado, seguida pela continuação da tendência de baixa. Um salto de gato morto é uma pequena recuperação, de curta duração, no preço de um título em declínio. Frequentemente, estas tendências de baixa são interrompidas por breves períodos de recuperação - ou pequenos "ralies" - onde os preços sobem temporariamente.

Na realidade, o mês de maio para muitos varejistas deste setor é uma época mais importante do que o Natal, principalmente as de moda feminina. Ainda que em algumas corporações as vendas em relação a abril/15 tenham sido bem melhores, quando comparamos maio/15 a maio/14 não obtivemos nenhum crescimento que mereça destaque, me parecendo ser uma tendência. Algumas empresas até comemoraram, pois não foi tão ruim assim, porém não vejo motivos para comemorações.

Creio que o pior ainda está por vir, pois alguns dados me chamam atenção, e ainda podem fazer alguns estragos maiores com o setor de vestuário, tais como:

- Setor automobilístico aumentando as demissões a partir de maio;

- Abril foi mais um mês com retirada recorde de recursos da caderneta de poupança. Segundo o Banco Central (BC), os saques superaram os depósitos no mês passado em R$ 5,850 bilhões - configurando o pior abril desde que os dados começaram a ser coletados, em 1995; as pessoas estão mantendo seus gastos utilizando suas reservas financeiras, o que fará com que em breve este estoque de recursos diminua, freando o consumo.

- Confiança do consumidor continua despencando, logo o consumo é diretamente afetado.

Índice Nacional de Expectativa do Consumidor. Foto: Reprodução

- Pessoas que perderam o emprego e demoram a se recolocar vão frear ainda mais o consumo

- Pessoas que estão empregadas vão aumentar o medo de perder o emprego e evitarão gastos desnecessários, e não custa lembrar que roupa não é um artigo de primeira necessidade.

- Demissões ocorrendo em vários setores da economia, juros altos, inflação alta e inadimplência alta completam o quadro de pessimismo

Um curto e médio prazos desafiadores

Vejo as varejistas de vestuário demitindo pessoal do "overhead" para cortar custos, porém o maior custo do varejo vem do salário de funcionários de lojas e custos de locação. Cabe ressaltar aqui que o custo dos condomínios em shoppings dispararam e, mesmo que as varejistas negociem algum desconto temporário no valor do aluguel, a despesa de condomínio mais alta acaba neutralizando em parte este desconto obtido.

As estratégias utilizadas para enquadrar os custos destas empresas a uma nova realidade de vendas já foram postas em prática, portanto não existem muitas mais opções disponíveis. Além disto, em um ambiente de consumo desaquecido, as liquidações e descontos passam a ser mais utilizados e acabam forçando a margem destas empresas. Enfim, muitas empresas de menor porte deste setor sucumbirão pelo caminho.

Dead Cat Bounce. Foto: Reprodução

Portanto, esperem um cenário mais desafiador para frente, pois antes de melhorar ou, no mínimo, estancar a queda de vendas, acredito que ainda iremos piorar mais um pouco! Este maio foi realmente um "salto do gato morto".



12/05/2015 08h54

Franquia como aposentadoria: 5 cuidados que futuro aposentado deve ter antes de comprar uma
Haroldo Monteiro

Todo trabalhador que está próximo ao período da aposentadoria começa a pensar no que fazer quando "parar" de trabalhar. Muitos querem fazer algo novo, que lhes dê prazer, ou ainda uma atividade que não tenha tanta responsabilidade (como horário e cobranças por performance), mas que gerem alguma receita para que possam se manter. Outros ainda pretendem somente viver dos recursos monetários que estão aplicados em ativos no mercado financeiro e/ou receita de aluguéis de imóveis.

Franquia como aposentadoria. Foto: ReproduçãoEnfim, as opções são muitas. Vamos falar aqui de uma opção que vem sendo muito analisada e implementada por pessoas que estão próximas de se aposentar e querem ainda trabalhar mais um pouco em seu próprio negócio, assim, a compra de uma franquia como o plano B de sua aposentadoria aparece como uma boa opção.

A faixa etária de uma pessoa que se aposenta hoje está na casa dos 55 anos (os mais novos), daí para cima. Então, com a expectativa de vida aumentando, ela ainda tem muito tempo de vida e ainda se sente produtiva; portanto, a opção de comprar uma franquia é sempre considerada como uma boa possibilidade de geração de renda.

Porém, a compra de uma franquia sempre exige certos cuidados por parte do investidor, mas, no caso de uma pessoa que está se aposentando ou já está aposentada, exigem certos cuidados "a mais".

Abaixo falo dos 5 cuidados especiais que devem ser tomados por este tipo de investidor.

O limite gasto com a franquia não deve ser maior que 20% de seu patrimônio

- Quando o trabalhador está próximo de se aposentar ou aposentado, os seus investimentos devem ser em sua maioria conservadores. A compra de uma franquia envolve riscos e não é uma opção de investimento conservadora. Logo, a parcela de patrimônio investido neste negócio não deve exceder a 20%. Cabe ressaltar que, geralmente, uma franquia que não seja bem sucedida pode gerar prejuízos consideráveis.

Verificar minuciosamente a saúde financeira da franqueadora

- Este é um fator que, na realidade, deve ser sempre observado por todo comprador de uma franquia. Mas ressalto que, como este investidor tem que minimizar ao máximo os riscos do negócio, uma franqueadora que esteja numa situação financeira delicada poderá gerar problemas para a performance dos franqueados. A falta de abastecimento de mercadoria, falta de apoio à operação, ou falta de investimentos em publicidade são as principais consequências desta situação.

Analisar o seu momento atual em relação a compromissos profissionais no que tange a jornada de trabalho

- No início do meu artigo, falei que geralmente um trabalhador próximo a se aposentar procura "uma atividade que não tenha tanta responsabilidade (como horário e cobranças por performance)". Ou seja, este pensamento é contrário ao que deve ser o comportamento de um franqueado, pois a administração de uma franquia exige dedicação, horários a cumprir e também a cobrança por performance é bem alta. Portanto, pense bem antes de tomar a decisão de entrar no mundo do franchising, caso você queira uma vida tranquila e sem maiores responsabilidades, comprar uma franquia não é uma boa opção.

Você se identifica com o negócio que está franqueando?

- Outra vez, volto ao início do artigo, quando falo de outro desejo do trabalhador que está prestes a se aposentar: "Muitos querem fazer algo novo, que lhes dê prazer". Logo, a identificação com o tipo/setor da franquia deverá ser muito forte. Se já é importante para um investidor comum, imagina para um investidor que tem vários anos de carreira e quer em sua terceira idade fazer algo que se identifique, que lhe dê prazer. Nunca compre uma franquia por comprar, mas compre algo que seja prazeroso, ou você acabará tendo problemas de performance de seu negócio.

Coloque o custo de oportunidade de estar empregado no retorno de investimento da franquia

- E, por fim, pense bastante. Vale a pena eu me aposentar agora realmente? Estou preparado para este novo ciclo de vida? Após analisar se a compra de uma franquia é uma boa opção, coloque como custo de oportunidade o salário que você teria se estivesse trabalhando no custo mensal de sua franquia, e analise se o retorno mensal da franquia é maior do que este salário.

Caso não seja, aborte a ideia, continue trabalhando mais um pouco e espere uma nova oportunidade de investimento.

Caso o lucro mensal seja maior, pode ser uma boa aposta, mas esteja ciente dos cuidados que você deve tomar.

Na dúvida, mantenha-se líquido e espere uma outra oportunidade. Lembre-se que, nesta fase da vida, o conservadorismo tem maior importância na escolha de seu portifólio.


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27/04/2015 10h09

E-commerce de moda: Novas estratégias vão sendo criadas para potencializar vendas
Haroldo Monteiro

O e-commerce de moda é uma das modalidades de venda on line onde a habitual desconfiança do consumidor é mais acentuada.

A política de devolução de mercadoria, o caimento, e a necessidade de "tocar a roupa" são fatores que sempre depuseram contra as vendas on line. Outro ponto abordado pelas marcas e pelo público consumidor é a experiência de compra proporcionada por uma loja física onde o "store design" e o atendimento fazem parte do "produto". Ou seja, quando se compra pela internet, o consumidor passa não ter mais esta experiência.

Mas a realidade passa a ser outra com o desenvolvimento de novas estratégias de venda multi-canal e da inovação das vendas do varejo pela internet.

O fato é que as empresas estão se reinventando, e algumas estratégias adotadas chamaram mais atenção recentemente. O paradigma de uma empresa com loja física que passa a vender on line é quebrado e uma loja on line abre uma loja física como estratégia de diferenciação.

Vejamos o case da Dafiti que foi criada em 2011. A marca se define como o maior e-commerce de moda do país. "Sempre anunciamos no digital. O Google e o Facebook são mercados muito importantes para nós. Mas, com o tempo, percebemos que a TV gera mais confiabilidade para a marca no Brasil", explica Malte Huffmann, sócio-diretor de marketing da Dafiti.

Estratégias para e-commerce de moda. Foto: ReproduçãoEm março de 2015, a Dafiti criou uma loja física conceito estilo "pop-up store", na Oscar Freire de 410m² da sua marca Dafiti Live, para que seus clientes tenham uma experiência de compras; é uma mistura de universo online e offline. Pagamentos via smatphones e tablets facilitam o consumidor, que podem fazer transações em qualquer canto da loja. As compras também podem ser feitas na loja e serem entregues em casa como forma de evitar que o cliente ande com sacolas pela rua em suas próximas compras. Esta estratégia "ao contrário", ou seja, do "online"para o físico, foi a forma que a Dafiti encontrou para trazer mais fluxo as suas vendas "online", segundo Malte Huffmann.

Já no mercado de luxo, a resistência ao e-commerce é ainda mais forte, pois a experiência de compra para este consumidor se torna ainda mais importante. Na realidade, vários atributos deste mercado são, à principio, contrários à existência de uma política mais agressiva de vendas pela internet.

Vejamos a posição de um dos mais importantes autores de estratégias para mercado de luxo:

"Digital é, de fato, em forte contradição com luxo na maioria dos aspectos. Digital é barulhento, lotado e altivo; luxo é calmo e elegante. Digital é sobre a impermanência, o imediatismo, disponibilidade, acessibilidade, facilidade; luxo é atemporalidade, cultura, herança, raridade, esforço. Digital é sobre crowdsourcing; luxo é sobre a criação. Digital é sobre preço - boas promoções e bons descontos; luxo não tem preço - é algo além disto, não existem descontos. Digital é uma forma de automação; luxo um-para-um e nas relações humanas. Misturar vendas online e luxo requer um excelente entendimento de ambos - o que é muito raro". - Kapferer, Jean-Noël (2012/09/03); "A Estratégia de luxo: Quebrando as regras de marketing para construir marcas de luxo".

Porém, paulatinamente, várias marcas de luxo vêm quebrando esta resistência e veem no e-commerce, uma forma de crescer suas vendas.

Um case recente foi da Chanel, que durante anos se recusava a dar ênfase em suas vendas on line, mas agora se associou ao site de venda de luxo on line Net-a-Porter e, finalmente, fará seu debut on line. Vejamos os dois momentos da empresa, conforme entrevista para o site "Fashionista", em março de 2014, e a recente entrevista no "Fashion Journal", em abril de 2015.

"A moda é sobre a roupa, e roupa que você precisa para ver, sentir, entender," de Bruno Pavlovsky, presidente da moda global da Chanel, disse a Bloomberg em janeiro passado, acrescentando que as iniciativas digitais da empresa são projetados "mais para trazer os clientes para o boutique ". Março/2014

"Bruno Pavlovsky, diz que podemos esperar o lançamento do e-commerce oficial em algum momento antes do fim de 2016, estamos animado para anunciar que a Chanel vai nos dar um preview. O marca fez uma parceria com a empresa high-end de vendas on-line Net-A-Porter para mostrar uma coleção pequena, edição limitada de Jóias e Coco Crush". Fashion Journal - Abril 2015

A Net-A-Porter também irá introduzir a fotografia em 360 graus, junto com a sua primeira loja "pop up" digital da Chanel, de modo que os clientes poderão ampliar, expandir e ter uma experiência real, de perto e pessoal com as peças ultra-luxuosas da Chanel. O novo aplicativo irá se adaptar a qualquer desktop, tablet ou dispositivo móvel.

Outro bom exemplo ocorre no mercado chinês onde a compra de produtos falsificados é alta e o potencial de vendas é enorme. As marcas de luxo Louis Vuitton, Burberry, Saint Laurent e Balenciaga se associam a empresas de venda online como o TMALL e outros sites, para atingir uma grande parte de seus consumidores via e-commerce conseguindo, assim, um aumento de suas vendas, e consequente redução da compra de produtos falsificados que acabam prejudicando a marca. - fonte BOF (Business of Fashion).

Como podemos verificar, as empresas estão mudando suas concepções e passam a ajustar suas estratégias de venda a um mix de vendas online e na tradicional loja física. E aí vale a criatividade de cada uma. Estamos vendo um movimento por parte destas empresas de mistura de estratégias entre lojas físicas e online, aproveitando o que cada uma tem de melhor, enfatizando suas qualidades. E o que é mais interessante: este mix vem potencializando as vendas de uma maneira geral.



22/04/2015 09h54

Desmistificando efeito do e-commerce em rede de franquia de moda
Haroldo Monteiro

Reunião com franqueados! A reclamação é geral. Não podemos competir com a franqueadora vendendo produtos pela internet. Nesse momento de vendas mais fracas, pela situação econômica do país, esta reclamação ganha ainda mais força.

Mas não é de hoje que ouço esta reclamação. Ou seja, mesmo em períodos de economia aquecida havia franqueados reclamando. Mas, afinal, o fashion e-commerce feito pela franqueadora afeta ou não a sua rede de franqueados?

Vamos voltar um pouco na história e fazer uma analogia ao evento do e-commerce de roupas. A revolução industrial substitui o homem pela máquina no seculo XIX; fato. Na década de 80, os bancos começam a informatizar a atividade bancária e muitos bancários perdem o emprego. Logo, os sindicatos dos bancários gritam nas ruas sobre o problema da demissão. Ou seja, o homem vinha sendo trocado pelo computador. E o fato se repete agora: a venda pela internet veio para ficar.

Vendas online. Foto: Reprodução

Hoje até as marcas de luxo internacionais que tanto resistiram ao evento de vendas pela internet já aderiram às vendas por este canal. Até a marca Chanel programa seu "debut" no site de venda de produtos de luxo "Net-a-Porter" para 2016. No Brasil, a categoria moda já representa 18% do total de vendas para internet, e é a maior categoria de vendas. (Fonte e-bit 1º sem. 2014).

A ordem agora é inovar e utilizar a própria internet a seu favor para incrementar as vendas nas lojas físicas. Portanto, a época de vendas fáceis ficaram para trás. E as franquias de moda não estão imunes a estas mudanças. Não adianta reclamar e nem usar esta desculpa pelas vendas que poderiam ser maiores se a franqueadora não vendesse pela internet.

O franqueado de moda deve ter uma postura ativa, em busca de uma melhor performance de suas vendas. Muitas destas estratégias deverão partir do próprio franqueado, portanto não esperem pelo franqueador tomar a iniciativa.

1) Usem a internet a seu favor; ela é uma excelente ferramenta de vendas - Mídias sociais - Instagram, Facebook e Pinterest são excelentes para divulgar sua franquia. Com certeza, esta dica parece uma estratégia já "batida", no entanto, só parece. O fato que muitos utilizam de forma convencional o que acaba não trazendo o resultado esperado. Não adianta postar uma foto da vitrine ou de um manequim com as novidades que chegaram. O consumidor gosta de "ação". Ou seja, poste novos looks, de dicas sobre qual o melhor look para ir a uma festa, ou um casamento, ou uma saída mais casual, qual a roupa você deve escolher para ir para o trabalho. Além disto, siga ou convide seus clientes no Pinterest e construa boards com looks de suas roupas usando blogueiras.

2) Contrate uma blogueira e divulgue as fotos pelas mídias sociais - além dela promover os looks da coleção, ela pode fazer uma produção com peças que estão em liquidação, trazendo mais fluxo para a sua loja e, assim, você poderá vender peças da nova coleção também.

3) Cadastre seus clientes - utilize este banco de dados para promoções, ou ainda avisando-os dos novos lançamentos. Promova eventos dentro da loja. Franquias situadas fora das grandes capitais devem usar bastante esta estratégia.

4) Venda externa - Dê este mimo para seus clientes vips. Leve a roupa até eles. No escritório ou em casa. Faça um banco de dados com estes clientes selecionados.

5) Use o e-commerce de sua franqueadora a seu favor - Negocie com sua franqueadora para que ela divulgue quais os clientes que compram por e-commerce de sua região. Entre em contato e dê uma atenção especial. Faça-os curtir uma experiência de consumo em sua loja.

6) Treinamento, treinamento e treinamento de sua equipe de vendas - Motive-as. Reduza o "turn-over" de suas vendedoras. Veja com a sua franqueadora alguns índices de venda que a sua franquia deve acompanhar.

7) Cuide de seu estoque, faça uma planejamento de sortimento cuidadoso - Nestes casos, o suporte da franqueadora é essencial. Qual grade o franqueado deve comprar? Como balancear os estoques de acordo com as vendas planejadas? Evite o efeito Tostines. para saber mais sobre o tema.

Estas dicas são diferenciais no trato com o cliente em um mundo digital. Lembrem-se que a experiência do consumidor em sua loja, o atendimento diferenciado, e o serviço de "personal styling" de uma consultora de moda (a vendedora de sua loja) são fatores preponderantes no sucesso de vendas de sua franquia de moda.



07/04/2015 16h01

Por que estilistas do mercado de luxo como Paul Gaultier estão deixando o ready-to-wear?
Haroldo Monteiro

Esta semana, o famoso estilista Jean Paul Gaultier declarou em uma entrevista ao The Associated Press, e publicada no Business of Fashion - BOF, que está deixando o mundo da moda no que diz respeito ao ready-to-wear. O famoso designer francês da alta costura, ex-Hermès, que ganhou fama como criador de tendências para a moda mundial, surpreendeu o mercado mostrando sua desilusão com o fashion business nos moldes atuais.

Tendências da moda. Foto: Reprodução

Ele vai se concentrar na sua linha rentável de alta costura, que ele apresentará em Paris em janeiro e julho de cada ano, bem como nos trabalhos de teatro e cinema.

"Roupas demais matam as roupas ... A moda mudou. Existe uma proliferação de roupas. São oito coleções por temporada - Que são 16 por ano", disse ele.

"O sistema não funciona... Não há número suficiente de pessoas para comprá-los. Estamos fazendo roupas que não estão destinadas ao uso", acrescentou ele.

Na mesma linha, a dupla de designers holandeses Vikor & Rolf também desistiram de sua linha ready-to-wear este ano, citando razões similares as de Gaultier. Eles simplesmente não conseguiam acompanhar o ritmo esgotante da indústria da moda e quiseram se concentrar na alta costura.

Mas o que realmente há por trás desta decisão de Gaultier e também tomada por outros estilistas de deixaram o ready-to-wear das marcas de luxo?

1) Umas das causas que Gautier cita em sua entrevista: "Há marcas que fazem roupas baratas muito bem, como Zara, H & M, Uniqlo. As pessoas podem vestir-se bem por pouco dinheiro", disse ele. "Então, por que ir e comprar roupas caras?" - Esta colocação de Gaultier faz muito sentido principalmente com o consumidor aspiracional, que deixa de gastar com roupas caras, pois pode encontrar modelos fashion nestas lojas, principalmente em momento de desaceleração econômica.

2) As marcas de luxo vêm sofrendo ameaça pela necessidade que o mercado financeiro tem de buscar ganhos cada vez maiores no valor destas empresas. A grande maioria delas hoje tem capital aberto em bolsa. Logo este crescimento força as empresas a adotarem a estratégia de massificação na venda de alguns de seus produtos trazendo uma perda de sua aura de luxo.

3) O colapso financeiro da alta-costura é hoje praticamente completo, pela boa razão de que não é mais relevante às atuais questões sociológicas. O fast fashion cada vez mais domina o mercado de moda como podemos observar os casos de H&M e Zara, que estão brilhando e performando ótimos resultados financeiros. A alta-costura não gera resultados satisfatórios, na realidade são apenas investimentos na marca. O retorno sobre o investimento ocorre através de outros produtos derivados que na verdade se tornam as verdadeiras estrelas dos desfiles de moda. Os vestidos mostrados na passarela não são para serem usados, mas apenas para mostrar os acessórios.

4) A marca de luxo não tem a rapidez de produção necessária para acompanhar o mercado dinâmico do fashion business, onde os novos produtos devem ser lançados frequentemente para despertar o desejo de consumo pelos seus clientes. A adoção desta estratégia vai contra os pilares de uma real estratégia de luxo, que prima pela qualidade e durabilidade, além disto existe pouca relevância destes produtos no que diz respeito à elevação social ou uma recompensa pessoal, assim só o lado financeiro ganha destaque.

5) A visão destes estilistas é de que o fashion luxury deve voltar às suas origens, ou seja a criação de produtos exclusivos pela alta costura, a qualidade de seus produtos, e a relação do luxo com as artes. Este é o foco destes artesões da moda mundial.



30/03/2015 08h36

Moda Masculina: Homens, criem sua identidade usando perfumes especiais
Haroldo Monteiro

A moda masculina ganha cada vez mais destaque nas passarelas. As grandes marcas investem neste novo perfil do homem moderno. No último New York Fashion week, alguns analistas de moda já questionavam se o fashion business para homens iria brilhar mais do que o feminino.

Na esteira desta nova tendência, o mercado de perfumes especiais vem ganhando força. Para os homens que querem se diferenciar, a opção é escolher perfumes de "nicho". Hoje existem várias opções de fragrância com edição limitada de produção que vem fazendo sucesso principalmente no mercado americano. Na realidade, o que está dentro do frasco é o que, naturalmente, distingue uma fragância de nicho de um produto de massa. "As fragrâncias de nicho tendem a se concentrar sobre o suco real do produto, ao invés da embalagem, do design do frasco ou da publicidade", diz Nazrin Ladha, proprietária de uma perfumaria em Vancouver. "Além disso, a qualidade dos ingredientes é muitas vezes maior", acrescenta ela.

Um dos fatores que também impulsionam esta tendência é o "relaxamento" na estratégia das próprias empresas de fragrâncias de específicar o gênero masculino ou feminino em seus perfumes. Este é um fenômeno que realmente "abriu o mercado para os homens e incentivou a exploração de perfumes unisex", acrescenta Harry.

Alguns dos mais preferidos são: o intensamente amadeirado e picante Tanoke de Odin 07, o DS & doce e esfumaçado Mississippi Medicina de Durga e o couro da Le Labo, o Santal 33.

Todos eles são considerados fragrâncias de nicho, ou seja, eles são produzidos em pequenas quantidades e distribuídos de forma mais seletiva do que aromas de mercado de massa.

Segundo Harry Sheff, o fundador e editor do blog Cocktails & Cologne, "é a vontade dos homens pós-metrosexual de se aventurarem além das ofertas de produtos tradicionais, que está por trás da ascensão atual em vendas deste tipo de perfumes".

DS & Durga:

D.S. e Durga. Foto: Reprodução

Odin Perfumes - Tanoke Odin 07

Perfume Odin. Foto: Reprodução

Le Labo Perfume - Leathery Santal 33

Le Labo Perfume. Foto: Reprodução

David Teeter, vice-presidente da divisão da Holt Renfrew de cosméticos, também tem notado que muitos compradores do sexo masculino estão mais do que dispostos a livrar-se das noções pré-concebidas sobre o que constitui um perfume masculino. Pode-se notar que as de marcas de perfumes de nicho tais como, como Byredo, Frederic Malle e Killian estão atraindo consumidores masculinos de fragrâncias de luxo. "Os homens estão interessados em encontrar um perfume que irá ajudá-los a se destacar no meio da multidão", diz Teeter. "E uma vez que estas marcas são unissex, elas têm permitido que os homens experimentem uma variedade de aromas".

Perfumes Byredo. Foto: Reprodução

Um bom exemplo desta história é o caso da Frédéric Malle que introduziu as Editions de Parfums em 2000, como um conceito completamente original no qual fragrâncias exclusivas e criativas seriam vendidas sob os nomes de seus criadores.

Em uma época em que a maioria das empresas dão mais importância às marcas, por maciças campanhas de marketing, Malle traz a atenção de volta para o próprio produto: o perfume. Através de um "back to basics" ou uma ideologia simples, as Editions de Parfums estão desafiando todas as tendências prevalecentes.

Perfume By Jean-Claude Ellena - Cologne Bigarade

Perfume Cologne Bigarade. Foto: Reprodução

Loja da Frédéric Malle em Nova York

Loja da Frédéric Malle em Nova York. Foto: Reprodução

Loja da Frédéric Malle em Paris

Loja da Frédéric Malle em Paris. Foto: Reprodução

Estes perfumes podem ser encontrados nos EUA ou comprados pela internet para entrega em alguns países autorizados. Para aqueles que quiserem se diferenciar, vale a pena o teste!


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24/03/2015 10h45

Moda e Samba
Haroldo Monteiro

Do mundo da moda para o mundo do samba. Uma experiência enriquecedora!!!

Com término do polêmico Carnaval 2015, onde as principais manchetes da mídia enfatizaram o patrocínio da Beija Flor pelo tirano da Guiné Equatorial Teodoro Obiang Nguema, outros importantes atores que ajudam todos os anos a criar, este grandioso evento popular, também merecem destaque.

Afinal criar todo o cenário de alegorias e desenhar todas as fantasias de acordo com o tema do samba enredo exigem muita arte e criatividade. Estes profissionais muitas das vezes fazem todo este trabalho de criação para a escola de samba na passarela por trás dos bastidores, e acabam não tendo destaque na mídia.

E foi pensando nesta estória que me surgiu a ideia de entrevistar um destes profissionais. Na realidade tive a oportunidade de trabalhar com o professor e cenógrafo Carlos Carvalho, em uma empresa de moda, na época ele estava à frente de projetos de visual merchandising e respirava moda. Hoje ele é pesquisador de carnaval da Unidos da Tijuca, escola de samba do Grupo A do Rio de Janeiro, e faz um trabalho com escopo bem diferente. Longe do glamour do mundo da moda, ele se diz realizado com esta mudança.

Mas como seria esta mudança de trabalho de criação entre mundos tão diferentes, moda e samba? Como sabemos arte é inspiração, e o que motivaria um artista a sair do mundo da moda e ir para o mundo do samba? Bem, enfim vamos deixar para Carlos, falar um pouco pra gente.

1) Você teve uma passagem pelo mundo da moda, como você descreveria esta experiência?

A experiência de respirar outros ares foi muito gratificante, mesmo sabendo que quando se trabalha com arte, temos diversas possibilidades. Inserir conhecimentos e adquirir outros foi uma grande troca.
Permaneci dois anos dentro de uma empresa com diversas lojas no Brasil e pude perceber que a linha de produção para uma loja ou vitrine, segue qualquer cronograma de produção de um espetáculo ou até mesmo o carnaval. Aprendi muito, acabei conhecendo outras possibilidades, mas não posso deixar de lado, meu conhecimento quando se faz um trabalho especifico, quando pude colocar em prática um "memorial descritivo" de toda ação do projeto até sua execução.
Hoje em dia, passo em frente a muitas lojas e a primeira coisa que reparo é a vitrine e a arrumação da loja, o que significa que realmente esses dois anos marcaram minha vida, as vezes bate uma saudade de produzir uma, mas só uma (risos).

2) Como foi esta mudança para o mundo do samba? O que mais te atraiu?

Na verdade não houve mudança e sim um retorno. Comecei minha vida dentro no carnaval em 1997, quando já era maior de idade e decidi desfilar. Fui "picado" pelo carnaval, no ano seguinte já fazendo faculdade na Escola de Belas Artes, procurei de todas as formas de estar participando deste mundo.
Em pouco tempo voltei meu conhecimento e aprendizado para esta festa. Tive alguns momentos que devido ao estudo tive que me afastar, mas o retorno era de fato certo.
Foi o que aconteceu quando decidi me afastar um pouco e a moda entrou na minha vida.
O que mais me atrai no carnaval, são as multiplas possibilidade de criação e de colocar o conhecimento em prática.

3) Qual o foi o seu maior desafio no mundo do samba?

Cada carnaval é um grande desafio, difícil dizer um especifico. Posso este ano por exemplo dizer que o maior desafio foi fazer parte do Departamento de Carnaval da Unidos da Tijuca, compor a equipe responsável em colocar na avenida todo um carnaval é de fato um desafio, pois só quem participa de todos as etapas sabe o que é colocar um carnaval na "rua".

4) Descreva a emoção no primeiro desfile de sua escola, com você como cenógrafo.

A emoção é muito forte, uma mistura de tantos sentimentos que vai da alegria ao nervosismo. Primeiro em ver seu trabalho e de uma equipe e agremiação na avenida e por outro lado, da escola passar sem algum problema, estar atento a tudo que acontece e tentar corrigir pequenas falhas na hora. Até o último componente sair da avenida e os portões fecharem muita emoção passa, um grande teste de resistência para o coração.

5) Qual trabalho que você mais gostou? No desfile de que ano?

Cada carnaval tem um gosto diferente, brinco que cada desfile é parte de quem ajuda a compor.
Africas em 2007, na Beija-Flor. Marcou muito pois era meu primeiro carnaval na escola e viemos consagrados campeões.
Na mesma agremiação nos anos seguintes 2008, meu primeiro ano que participei junto ao carnavalesco Alexandre Louzada, a quem era assistente, a desenvolver toda pesquisa e desenvolvimento da escola. E em 2009 com o enredo sobre o banho, quando estava mais por dentro desta área de pesquisa e agreguei também a busca de captação de parceiros.
O carnaval de 2010 também foi muito marcante, dentro da Unitos da Tijuca e comecei ali a gostar muito da agremiação.

6) E por último, porque a Unidos da Tijuca?

Como disse anteriormente e não completei, a Unidos da Tijuca tem uma estrutura muito boa de se trabalhar e o fato de ali estar com grandes amigos e companheiros de trabalho que há anos nos acompanhamos. Quando encontramos um ambiente propício ao desenvolvimento de trabalho e pessoas que agregam ao seu anseio, tudo torna-se mais fácil.
Hoje o carnaval tomou uma proporção maior que nos anos anteriores, e a tendência é cada vez mais crescer. Distante de discussões sobre se esse processo é certo ou fatal para as agremiações não posso afirmar, mas enquanto isso não acontece, elas, as agremiações, devem se estruturar para melhor desenvolver um carnaval.
São diversas partes que compõem um carnaval onde cada um com sua(s) habilidade(s) e competência(s), trabalhando em equipe para desenvolver um projeto. Isso não faz lembrar uma empresa?
Talvez seja por isso pelo gosto de se trabahar em uma agremiação como a Unidos da Tijuca. Ao mesmo tempo que ela não se afasta das tradições da festa.



24/02/2015 09h43

Luxo e Elegância Masculina: quem disse que homem não gosta de bolsa?
Haroldo Monteiro

Hoje em dia, ser "metrosexual" não é mais desaprovado. Os homens finalmente estão descobrindo que gostar de moda e de se vestir bem não é algo que tenha a ver com sua sexualidade, isto é , ele não será menos homem por usar uma calça colorida! Muito pelo contrário, o homem moderno é um ser seguro que pode ousar e vestir aquilo que realmente gosta.
A verdade é estas mudanças de comportamento, na maneira de se vestir, gerou também o desejo de possuir bolsas estilizadas. Assim, mais e mais homens estão optando por bolsas elegantes para transportar os seus gadgets, documentos e até roupas de ginástica. As bolsas de luxo, chamadas de bags-messengers, portfolio-bags, carry-it-all bags estão com uma demanda crescente.

E, obviamente, as marcas de luxo, como Salvatore Ferragamo, Burberry, Louis Vuitton, Fendi, Montblanc entre outras estão lucrando com isso. Até mesmo as empresas de technologia como a Apple e Blackberry chegaram com linhas de acessórios, que incluem cases para iPads e Playbooks.

Bolsas estilizadas ganham destaque nos desfiles de Moda:

Burberry Prorsum Pret A Porter S/S 2015 Passarela Londres  e Fendi-man bag-Milan Fashion Week S/S  2015. Foto: Pinterest

A Louis Vuitton que hoje tem em sua linha a TADAO para homens, lançou uma versão mais compacta deste produto com um bolso interno para Ipads.

Tadao. Foto: Pinterest

Louis Vuitton - TADAO -  Men's Handbag Foto: Pinterest

Como podemos ver acima as grandes marcas estão apostando nesta nova tendencia. Porém no mercado de luxo a inovação está presente como também uma certa "expectativa" por novos designers e estilistas, como podemos observar segundo as palavras de Bernd Beetz, ex-executivo da Coty - "Eu vejo uma grande oportunidade no mercado, hoje há um certo tipo de fadiga dos (clientes) com relação as grandes marcas, o que criou espaço para novas marcas de luxo individualizadas".

Novos Talentos entram no Mercado

Recentemente tive a oportunidade de conhecer o trabalho, do jovem designer Mauricio Londoño que desenvolveu uma linha de bolsas masculinas na qual utiliza couro e fibra de carbono. A sua coleção é inovadora, elegante e de extremo bom gosto.

Bolsa Black Gold - Feita de Pele de Jacaré, Couro Negro e Fibra de Carbono e é feita apenas sob encomenda. Foto: Mauricio Londoño
O Designer Mauricio Londoño

Designer de Produtos Colômbiano trabalhou como consultor de design em Londres para uma fabricante de relógios suíço high-end. Em 2011 ele retornou ao seu país com a idéia de começar sua própria marca de pastas de luxo e acessórios feitos com materiais exóticos.

Foto: Divulgação

Londoño é uma marca inspirada na inovação e novos materiais, mantendo a tradição de produtos artesanais. Todos os nossos produtos são fabricados à mão com a melhor seleção de couro, fibra de carbono, Kevlar ® e Texalium, engenharia de materiais, que são utilizados em aplicações como Formula 1, aeronáutica e aparelhos à prova de bala ®. Existe também um serviço personalizado no caso de o cliente querer uma peça única.

Agora vamos bater um papo com Maurício e saber mais sobre seu trabalho.

1 - Mauricio, conte-nos sobre o seu trabalho como designer de Jean-Mairet & Gillman, uma marca de relógio suíço high-end.

Comecei a trabalhar como designer para JMG (Jean-Mairet Gillman), em 2009, quando eu estava prestes a terminar o mestrado em Plastic Product Design, em Londres.
Minhas principais atribuições nesta empresa eram projetar relógios tanto do ponto de vista estético e de engenharia utilizando ferramentas como prototipagem rápida e software CAD.
Entre os produtos que foram projetados estão os relógios turbilhão e instrumentos de escrita.
Graças a este trabalho que eu tive a chance ir às feiras de relógios mais importantes do mundo e aprender sobre de produtos de luxo e a forma como é o comportamento deste mercado.

2 - Como nasceu a idéia de projetar bolsas feitas de fibra de carbono?

Para mim, a fibra de carbono é o material mais incrível do mundo, é simplesmente perfeito, existem realmente poucos materiais que têm as propriedades mecânicas e beleza da fibra de carbono. Este material é cinco vezes mais forte do que o aço, mas com menos da metade do seu peso e sua aparência é muito original.

Eu comecei a pensar na maneira de criar um produto de luxo feito de fibra de carbono, então eu fiz minha pesquisa e descobri que não houve um grande esforço dos designers para criar um novo tipo de pastas para os homens, se você colocar lado a lado as pastas que estão no mercado, você verá que não há uma diferença muito grande entre elas.

Eu olhei para os fornecedores e fiz o meu primeiro protótipo até o final de 2011, quatro meses depois, lançou a coleção de Londres, que é a minha primeira gama de produtos, nesta coleção cada pasta é numerada e tem o nome de uma parte de Londres.

Squadra Carbono Bag - Feita de Couro e Fibra de Carbono. Foto: Mauricio Londoño

Park Lane. Foto: Mauricio Lordoño

As bolsas também tem um bolso secreto para um dispositivo de rastreamento GPS.
Após a coleta de Londres lancei mais três bolsas o No-12, que foi uma peça sob medida para um cliente em São Paulo, a Scuderia, que é inspirado no F-22 Raptor caça a jato com bordas afiadas.

Scuderia. Foto: Mauricio Lordoño

GPS - Inner bag. Foto: Mauricio Lordoño

Existe também uma última que eu chamei de Bad Boy com uma forma semelhante.

Bad Boy - Men's Handbag. Foto: Mauricio Lordoño

Entre a gama de produtos que existem também podemos citar as carteiras feitas com fibra de carbono flexível, Texalium e Kevlar ®

Carteiras - Feitas de Fibra de Carbono. Foto: Divulgação

3 - E por que você escolheu para começar seu trabalho com bolsas para homens em vez de bolsas para as mulheres, uma vez que as mulheres amam bolsas.

Acho que existe um nicho de mercado, a fibra de carbono que é muito popular em produtos como super-carros (Ferraris, Lamborghinis, etc) e formula 1, e estas coisas são mais atraentes para os homens. Além disto também acho que há muitos concorrentes no segmento de bolsas para mulheres no mercado. No entanto, eu estou trabalhando em alguns produtos para senhoras que espero lançar em breve.

4 - O uso de bolsas de design moderno por homens é uma nova tendência? Na Colômbia nos EUA ou em todo o mundo?

O que eu acredito é que, agora, os homens em todo o mundo estão mais conscientes de sua aparência e os acessórios que eles usam, por exemplo, hoje em dia ninguém precisa de um relógio, apenas com o seu celular, você pode saber o tempo, no entanto, as vendas de marcas como Patek Philippe são crescentes ano após ano, eu acho que algo semelhante acontece com as bolsas para homens.

5 - Como você analisa as novas oportunidades para produtos de luxo na América do Sul?

É verdade que as economias latino-americanas estão crescendo muito e os grandes grupos de luxo, como LVMH, Richemont , Hermes estão colocando seus olhos nestes mercados emergentes, algo impensável há 15 anos atrás.
Eu acho que para as marcas estabelecidas (especialmente na Europa), estes mercados são muito interessantes devido ao fato de que há mais e mais pessoas que se tornan rico e a melhor maneira de mostrar o seu sucesso é através de produtos de luxo.

Isso é muito irônico para as marcas de luxo locais, que podem ter a mesma qualidade que o produto europeu, no entanto, eles não são capazes de vender seus produtos por preços semelhantes.

Bem, gente agora após este artigos as mulheres tem uma ótima opção de presente para seus companheiros! Deixem eles mais elegantes e fashion!!!

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06/02/2015 08h15

Hering - tem hoje uma identidade definida?
Haroldo Monteiro

Quando eu estudava, lá na década de 80, minha mãe costumava me falar : "Vou comprar umas camisas Hering, para você usar por de baixo do uniforme e assim não vai sentir frio".  E assim a marca Hering era bem conhecida, camisetas brancas, e também coloridas,  Mas nos dias de hoje, como esta marca se identifica?

Foto: Reprodução

A empresa que iniciou suas atividades no século XIX como indústria, entra no mundo do varejo em 1993, com sua primeira loja própria. Após alguns anos, desenvolve um projeto de franquia muito bem suscedido e "surfa"no período de grande crescimento do consumo, obténdo um valorização expressiva na bolsa (2009 em diante) tornando-se uma coqueluche no mercado de varejo de vestuário nos olhos dos investidores.

Mas de um tempo pra cá, vem amargando resultados não muito animadores. Ainda que estejamos num período ruim de vendas para todo o varejo, notamos claramente um desempenho abaixo da média. Podemos observar uma preocupação por parte do mercado em saber o que está acontecendo. Tive a oportunidade de estar em diversos eventos falando com analistas sobre este assunto e é consenso que a marca perdeu identidade.

Quem seria um consumidor Hering?  Ou qual motivo levaria o consumidor a sair de casa e ir no shopping para comprar Hering?  Talvez uma camiseta para presente, ou uma blusa branca para vestir por baixo da camisa?  Talvez!
Ou ainda, como é a comunicação da marca com o consumidor?  Qual a mensagem que a marca passa para o seu consumidor?  Como ele é reconhecido?  Enfim, todos estes fatores vem prejudicando o desempenho geral da empresa.

Recentemente li uma reportagem sobre a GAP americana, que hoje passa pelo mesmo dilema, e lá muitos se perguntam se a magia da GAP se foi. Até a diretora de criação Rebekka Bay saiu recentemente da empresa, por não ter conseguido trazer esta magia de volta em sua coleção de roupas.

O fato é que a busca de uma marca de roupa por uma identidade não é muito simples, mas precisa ser conquistada. As vezes não só a coleção, ou o produto criam essa identidade. Vejamos o exemplo da Forever 21, uma empresa em que o produto não é de qualidade, mas esta sempre mudando (estratégia do fast fashion), aliado a um impecável visual merchandising e a uma política de preço agressiva, conquistou seu público pelo mundo. Os jovens querem sempre estar apresentando roupas novas em suas baladas de fim de semana, e a Forever 21, proporciona a realização deste sonho.

Talvez esteja na hora da Hering se reinventar, não apenas no produto mas em sua comunicação com o consumidor,  buscando identifica-lo e atendendo as suas demandas.  Novo formato de suas lojas, e um visual merchandising alinhado com sua estratégia. Ou ainda, a abertura de novas lojas em pontos estratégicamente definidos, assim como fez a Riachuelo na Oscar Freire - marcando presença em uma região nobre para atender a sua mudança de estratégia junto ao consumidor.

Os desafios são muitos, pois como a empresa tem um cadeia de franquias bem relevante, todas as mudanças vão envolver os empresários das franquias, o que pode nao ser uma tarefa tão simples de ser realizada, já que envolve custos extras e muitos podem não estar dispostos a investir em um negócio que já não está performando muito bem.
Acredito que devido a esses fatores , o mercado ainda vai precificar essas incertezas um bom tempo.

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21/01/2015 09h07

Gerenciamento pelo Whatsapp. Use com moderação!
Haroldo Monteiro

"Somos extremamente conectados pai!", diz minha filha quando reclamo sobre o tempo que ela passa digitando mensagens no celular. E aí pergunto: "­Porque não se falam pelo telefone, é mais fácil!". Mas não adianta, a "teclação não diminui", e utilizam o whatsapp para tudo até para paquerar, e conquistar um futuro namorado. Porém, muitas das vezes quando ocorre o encontro entre o talvez futuro casal a decepção é total! E assim alguns dos jovens afirmam: "Não era bem isso que eu esperava!!"

Assim, começo a retrucar que uma conquista amorosa ou mesmo "uma paquera" começa com o charme, passa pelo cheiro, o olhar, os gestos, a proximidade na hora que se está conversando, e o clima na hora do primeiro beijo. Pronto, nada substitui este roteiro. Ou seja, a pura conversa seca teclada muitas vezes ajuda, mas em muitas vezes o desfecho acaba sendo sem glamour e até decepecionante.

Quando fazemos uma analogia com a comunicação pelo whatsapp nas empresas, podemos ter as mesmas consequencias. Assim, os resultados obtidos podem ficar aquém dos esperados, ainda que em muitos casos as empresas ganhem velocidade e aumentem a produtividade.

Whatsapp. Foto: DivulgaçãoO fato é que se no início estas conversas eram apenas informais, hoje muitas empresas utilizam bastante esta ferramenta no seu dia a dia. A velocidade da informação, e a redução dos custos de telefonia, fizeram com que este meio de comunicação viesse gradativamente ganhando espaço no cotidiano das coversas entre os funcionários das empresas.
Como o whatsapp é de rápida utilização e funcionalidade, muitos gestores adotaram este meio de comunicação como forma de gerenciamento de suas equipes: cobrando resultados, implantando novas estratégias, resolvendo problemas do dia-a-dia , motivando subordinados e administrando conflitos. A criação de grupos por este aplicativos já é usado como "sala de reuniões" onde as vezes ocorrem calorosos debates sobre um determinado tema. "Tudo muito moderno, a utilização desta nova tecnologia nos faz ganhar produtividade, dada a rapidez da comunicação, a nossa equipe está sempre conectada", dizem alguns gestores.

Em uma recente reportagem publicada sobre a pesquisa da consultoria BCG no Jornal Valor Econômico de 16/01/2015 sob o título: Companhias que usam tecnologias móveis crescem mais rápido, é feita uma alusão a importância da tecnologia móvel no melhor desempenho das empresas. Apesar da reportagem não citar pontualmente a utilização do whatsapp, ela reforça de uma maneira geral a importância desta(s) formas de comunicação.

Desta forma, como falei no início deste texto que nada substitui o contato físico na conquista de um parceiro. E nas empresas também, este contato pessoal é muito importante! O fato é que o gerenciamento pelo "teclado" pode levar a interpretações dúbias no grupo que você está inserido ou em uma conversa pessoal através do teclado. Lembre-se que a simples colocação de uma vírgula errada pode gerar uma interpretação completamente errada. Além disto, a falta do olho no olho, a análise da expressão facial de quem está ouvindo seu discurso, a sua postura corporal, e a capacidade de você utilizar as palavras para persuadir seu companheiro de trabalho demonstrando a importância de alguma decisão, fazem muita falta.


Portanto acredito que a utilização do whatsapp na administração do dia a dia deve ser moderada, e apenas para conversas sobre decisões que já tenham sido previamente discutadas, e que estejam faltando detalhes para a sua execução. Fazendo uma analogia as conversas informais, o whatsapp deve ser utilizado em uma conquista do parceiro pelo qual você já criou todo o clima para conquistá-lo, faltando apenas marcar a hora certa de saírem juntos!!!!



19/12/2014 17h07

Desaceleração do consumo no Brasil leva varejistas a repensarem suas estratégias de mercado
Haroldo Monteiro

O recente relatório divulgado pelo BCG - Boston Consulting Group, sobre uma pesquisa realizada com 2000 entrevistados sobre as expectativas do consumo, chama a atenção das empresas de varejo para que pensem em novas as formas de "conquistar seu mercado", ajustando suas estratégias de acordo com as novas tendências para que assim consigam vencer as adversidades neste momento econômico de desaceleração do consumo que o Brasil vem passando.

O release do BCG cita que, os brasileiros estão mais preocupados com o futuro em 2014, do que estiveram nos últimos cinco anos. Dentre os principais receios dos consumidores estão a perda de seus empregos e diminuição de sua renda.

Alguns indicadores que acompanho mostram em parte o porquê deste pessimismo. Queda na tomada de crédito, e queda na confiança do consumidor tem um grande peso nesta desaceleração do consumo.

Ainda segundo a pesquisa, os consumidores brasileiros estão gastando muito menos na maioria das categorias de produtos e estão procurando produtos que melhoram a saúde ou têm maior qualidade.

Outro ponto levantado no relatório foi quanto a localização geográfica domercadoe a influencia na renda familiarque afeta padrões de compra para itens alimentares e não alimentares. Por exemplo, os consumidores urbanos e de alta renda são mais propensos a jantar fora, consumir chocolate, cerveja e produtos premium do que consumidores que vivem fora das cidades e que ganham menos por família. Estas tendências de crescimento de diferentes produtos/mercados no longo prazo podem levar a diferentes oportunidades de mercado.

Desta forma as empresas deverão traçar novas estratégias, o fato de terem obtido sucesso no passado não lhe assegura o sucesso nem sua permanencia no mercado competitivo atual. A necessidade de inovação, amplo conhecimento de seu público consumidor e também de qual estratégia seguir para ganhar mais espaço entre novos consumidores.

Os dados dos consumidores de sua marca devem ser amplamente utilizados. O departamento de marketing deve focar em inteligência. A importância do branding e do valor percebido pelo cliente se tornam cada vez mais fundamentais para o sucesso da empresa. Hoje o cliente quer comprar o produto por um preço justo, e ele percebe muito bem esta relação preço x produto, seja o cliente das classes A,B ou C. Hoje percebo que o cliente da classe C também quer ter uma experiência de compra, e dá valor ao ambiente da loja, aos mimos no atendimento, e ao visual merchandising.

Ampliação de vendas através de diversos canais, se aproveitando dos baixos custos. Perspectivas de crescimento diferenciado em diversas cidades, também tornam o crescimento através de franquia, uma excelente oportunidade. Através da expansão por franquias podemos dar reconhecimento a marca e aumentar o mercado da empresa. Para se aprofundar um pouco mais no assunto franquia e atacado, leia também meu artigo recém publicado clicando aqui.

Toda estratégia desenhada pelas empresas também deverá ter foco no já conhecido controle de custos, porém sem perder de vista a qualidade do produto que seu cliente está acostumado a comprar. Redesenhar processos, capacitar os funcionários em busca de melhores práticas gerenciais é uma boa estratégia. Em tempos de mercados mais fracos a oportunidade de contratação de pessoal mais qualificado se torna real. Enfim o principal objetivo deve ser, se preparar para um ano dfícil em 2015!


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08/12/2014 08h51

Venda por atacado ou franquia? Qual melhor estratégia para varejista de moda?
Haroldo Monteiro

O tema gera discussões calorosas entre muitos empresários do setor e seus executivos. Quando o assunto é montar uma rede de franquias, ouço muitas idéias pré-concebidas, que muitas das vezes distorcem a verdadeira essencia do franchising de moda. Na realidade o empresário deveria estudar bem esta possibilidade antes de desenvolver esta estratégia.

Atacado ou Franquia? Foto: ReproduçãoQuando o assunto é atacado na maioria das vezes a empolgação dos empresários me parece maior e poucos são os que não veem esta forma de venda como uma ótima opção. Recentemente conversei com um executivo de marketing, e ele me chamava atenção para a salvação do varejo de moda: a venda por atacado, ela seria a grande solução para as empresas do setor para evitar os crescentes aumentos de ocupação das lojas. Ele pautou sua análise no grande sucesso da venda por este canal pela Le Lis Blanc, que teve grande participação na reversão de prejuízo da empresa.

Porém, em muitos casos, as empresas optam por seguir uma ou outra estratégia, pois seus gestores acreditam que elas sejam conflitantes. Já vi casos em que o empresário escolhe entre um ou outro canal, e acaba diminuindo uma importante fonte de receita pois a simples extinção de um dos canais não absorve a venda perdida do outro. Mas afinal, seriam mesmo conflitantes estas estratégias de venda? Qual a melhor opção?

A princípio sim, eu diria que uma varejista de moda tem espaço para desenvolver as duas estratégias. As combinações de como priorizar uma ou outra em determinada região podem variar, pois mesmo em se tratando de empresas do setor de moda, existem diferentes formas de administra-las, como também o foco em determinado tipo de consumidor pode mudar, e até no produto que é vendido pode ser diferente. Mas vamos aqui falar de forma genérica, dando enfase aos principais pontos positivos de cada uma, e assim o gestor poderá analisar a forma que cada uma pode se encaixar dentro do contexto de sua empresa.

A estratégia de franquia é mais adequada para cidades maiores, onde o varejista poderá "fincar" sua marca tornando-a (mais)conhecida. Além disto, a distancia geográfica entre a administradora da marca e suas lojas fazem muitas vezes com que os custos de supervisão de uma loja se tornem muito altos. Ou até mesmo olhando por um lado mais subjetivo, muitas vezes um franqueado da região sabe melhor como atender o "seu cliente" e fideliza-lo. Outro ponto positivo é a previsibilidade de vendas para estas franquias, o que facilita o planejamento e compras da franqueadora.

Mas antes de começar o projeto , o franqueador deverá estar pronto com uma estrutura de apoio a rede de franqueados. Treinamentos de vendas, informações sobre o produtos, quais tendências de moda para a estação, o tema da coleção, montagem de "looks" para fomentar a venda de determinados produtos. Um treinamentos sobre gerenciamento de loja se faz necessário também, abordando os temas de gerenciamento do sortimento de estoques, e demais assuntos pertinentes a operação.

Devem ser considerados na estruturação do projeto, pontos de vendas bem localizados, e mix de produtos adequados a região, sendo estes fatores fundamentais para o sucesso de uma franquia.

Pontos importantes para um franqueador de moda que não devem ser esquecidos:

1) Se a sua loja própria não tem uma boa performance de venda, a solução não é franquear. Em raríssimos casos pode dar certo e muitos gestores acham que franquear loja que vende mal é a solução para seus problemas.
2) Ao criar o plano de expansão considere metas de crescimento mais conservadoras, pois caso contrário você acabará tendo que franquear para candidatos que não tem perfil adequado para seu negócio. E lembre-se uma loja mal franqueada é uma dor de cabeça futura.

Quando consideramos a venda para multimarcas, esta é mais adequada para cidades de porte menor. A varejista de moda ganha capilaridade de suas vendas, com risco de crédito bem pulverizado. A estratégia de venda por atacado pode se beneficiar de um plano bem elaborado de crescimento de uma rede de franquias. Como disse acima, sendo as franquias localizadas em cidades maiores acabam gerando um conhecimento da marca que facilita a venda de multimarcas em cidades menores.

Este canal tem um custo de administração bem menor do que uma rede própria, ou uma estrutura de franquias, e deve ser bem utilizado pelas grandes redes de moda. O seu risco maior são as apostas, no que vai se vender, pois a produção das peças se dá com bastante antecedencia, e caso não seja efetuada a venda para alguma multimarca, os produtos deverão ser colocados nas lojas próprias, o que acaba gerando um excesso de estoque. Portanto aqui um bom planejamento de vendas é imprescindível.

Portanto, para fazer um bom gerenciamento de vendas por canal de atacado, é fundamental ter o sourcing da empresa bem "redondo", caso contrário a grande vantagem competitiva do atacado que são a capilaridade de vendas e baixos custos de administração podem acabar se tornando um pesade-lo, com perda de vendas pela falta de produtos, ou ainda caso cheguem fora do prazo de recebimento, serem recusados pelas multimarcas e assim deverão ser colocados no varejo de lojas próprias.

Em linhas gerais esta deve ser a estratégia macro a seguir, variando caso a caso segundo as peculiaridades de cada rede varejista. Mas como podemos verificar as duas estratégias podem ser sim, tratadas como forma complementares de venda sendo que uma pode potencilaizar a outra e não prejudicar, desde que o plano estratégico seja bem elaborado.



14/11/2014 09h03

Empresa familiar: Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura
Haroldo Monteiro

Há 15 anos, num sábado à tarde em um shopping do Rio de Janeiro, conversando com um grande empresário varejista das décadas de 80/90, ele me dizia: "Olhe bem estas lojas que estão abertas hoje, daqui a dez anos a maioria não existirá mais, você vai ver!". E realmente pude presenciar este fato, a sua profecia se tornou realidade, e o maior exemplo foi que seu império sumiu nesses próximos dez anos.

Com certeza, muitas grandes empresas já deixaram de existir ao longo dos anos, sendo elas familiares ou não. Porém existem algumas características inerentes a grandes empresas familiares, que as levam simplesmente a "sumirem do mapa" com o passar dos anos.

Estes erros de gerenciamento podem ser cometidos também por empresas profissionalizadas, mas é fato que as consequências de estratégias erradas de gerenciamento, falta de planejamento e, muitas vezes, o ego do empresário geram uma destruição de valor em empresas familiares muito maior do que em uma empresa multinacional ou de capital aberto.

Mas, afinal, o que levam estas empresas familiares a sumirem do mapa?

1) Não, o Chinês não é o culpado de seu fracasso como empresário - Muitos empresários sempre gostam de justificar seu fracasso à concorrência de produtos chineses. Na realidade os custos destes produtos são imbatíveis, mas lembrem-se que uma empresa deve sempre buscar a inovação, seja ela tecnológica, de processos, de oferta de novos serviços agregados aos produtos ou ainda na procura por um novo nicho de consumidores, nos quais os produtos chineses não sejam alvos de sua preferência.

2) Nossa rentabilidade está caindo, vamos aumentar os preços e economizar nos insumos de fabricação dos produtos - Esta decisão com certeza vai acabar de destruir o valor de sua empresa. O valor percebido de sua marca que já foi um dos grandes fatores de seu sucesso, devido à qualidade de seu produto, ficará comprometida e, desta forma, o consumidor não pagará mais "aquele preço", pois a qualidade estará prejudicada. Consequentemente, sua rentabilidade cairá mais ainda.

3) Você não precisa "só" de capital de giro para crescer - Quase sempre em conversas com donos de empresas familiares, me deparo com a frase - "preciso de capital de giro para fazer crescer minha empresa". Lógico que uma empresa em crescimento precisa de recursos financeiros, mas nem sempre o empréstimo é a única arma que um gestor tem para conseguir suprir as necessidades de capital de giro de uma empresa. A implementação de novas estratégias em compras, logística e produção podem fazer a diferença, e, assim, evitar a contratação de empréstimos que geram custos financeiros desnecessários.

4) A administração pela venda - Estamos vendendo muito, nunca vendemos tanto, diz o empresário. Então, pergunto, como estão seus custos? Qual o custo final de sua mercadoria? Aí começa o problema, quase sempre não sabem responder, pois não dão a devida importância ao monitoramento de seus custos. Enfim, muitas vezes vendem muito, mas ganham pouco ou ainda, o que é pior, "acham" que ganham muito, pois a empresa não tem números confiáveis.

5) Contratam um CEO a "peso de ouro", mas querem economizar no time operacional e de analistas - Os empresários que tomam esta atitude se esquecem do ditado - "Uma andorinha só não faz verão". Esta estratégia acaba levando tanto o empresário quanto o CEO contratado a uma grande decepção, pois as mudanças acabam não acontecendo. Para profissionalizar uma empresa com sucesso é preciso um time completo de profissionais gabaritados.

6) Toda marca é como uma planta, precisa ser regada todo dia para não morrer - Escrevi um artigo sobre este tema onde enfatizo a importância do glamour da marca, e da importância de não deixá-la envelhecer sob pena de ver sua empresa desaparecer. Muitos gestores de empresas familiares esquecem este conceito. Leia aqui.

7) Não enxergar que o mercado mudou - Muitos donos de empresas familiares cresceram do "nada", ou seja, começaram bem pequenos e montaram um império, atravessando vários momentos de dificuldades, seja por causa da volatilidade de nossa economia ou pela falta de recursos financeiros, mas venceram. Esta condição, muitas das vezes, faz com que estes empresários se tornem cegos, pois passam a acreditar que sempre vencerão as adversidades, pois no passado venceram. Ou ainda transformam seus egos em uma verdadeira arma de auto-aniquilação, pois acham que sabem mais do que todos.

Caso uma destas condições acima não seja revertida a tempo por um profissional de mercado ou por um bom profissional de coaching, a empresa estará indo no caminho da destruição. 

Mudar é preciso, o mundo mudou, o Brasil mudou, a tecnologia e a inovação no mundo atual nunca foram tão parceiras dos empresários que têm visão de futuro, mas também nunca tão cruéis inimigos para aqueles que queiram permanecer em seus pedestais de sabedoria primitiva.

8) Não buscar a perpetuidade do seu negócio - O empresário familiar precisa ter a vontade de perpetuação de seu negócio, conforme ele for ficando mais velho. Ou seja a procura por inovação, a contratação de um executivo com experiência para promover um plano de sucessão, ou ainda a criação de um conselho de administração, fazem parte deste processo. Todas estas atitudes contribuem para a perpetuidade da empresa.

O fracasso de uma empresa familiar tem, muitas das vezes, origens nos fatores descritos acima. Portanto, cabem a estes empreendedores buscarem soluções para estes problemas, o quanto antes sob pena de ser tarde demais para mudanças.


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07/10/2014 08h18

Outubro /2014 - O Brasil não é só o que vemos na mídia. Existe uma esperança!
Haroldo Monteiro

Estou cansado de ouvir tanta demagogia dos políticos, notícias de corrupção e também o incitamento ao ódio entre grupos sociais e pessoas de diferente raças, criando assim uma cortina de fumaça para encobrir os problemas mais graves que assolam nosso país. No meu artigo não vou discutir estes temas, apenas cito-os pois vejo como pano de fundo de uma estratégia para desviar a atenção do povo.

Sou a favor das campanhas contra o racismo pois precisamos banir o máximo que pudermos este mal de nossa sociedade, como também temos que reconhecer o direito dos homosexuais, e a relação empresário x trabalhador já está mudando pois quem tenta explorar seus empregados tende a sumir do mercado em um curto espaço de tempo e hoje o mais importante em uma empresa é o capital humano.

Mas apesar de tudo que está ocorrendo, esta semana as minhas expectativas se renovaram. Na realidade foi devido a dois programas de governo que deveriam ser mais difundidos entre nossa população, pois trazem enormes benefícios e podem no médio elongo prazo fazer deste país o "País do Presente". Estes projetos são: o "Ciência sem Fronteiras" e o "Startup Rio" (parceria Governo Rio e empresas), estes com certeza são exemplos deste fio de esperança.
Os dois programas já eram conhecidos, mas o fato de ter participado de uma rodada de mentoria, na sede do Startup Rio e também de ter conversado com um ex-aluno que estava fora do país e regressou recentemente, pois sua esposa foi fazer um pós doutorado, através do Ciência sem Fronteiras, me fizeram "cair a ficha" que existe um outro Brasil que não é tão divulgado.

Mas o que são estes programas?
O Startup Rio, fomenta a cultura de empreendedorismo, transformando o estado em um pólo de referência internacional em tecnologia digital. Na sede do polo você encontra um espaço dedicado a empreendedores de tecnologia digital, com toda a infraestutura de um escritório moderno. Jovens saídos de universidades com idéias inovadoras, criando produtos que buscam uma melhoria da produtividade das empresas. A FAPERJ disponibiliza recursos para cada projeto aprovado, e as empresas ficam na vitrine para que a iniciativa privada veja valor em seus projetos e também façam investimentos. É a cultura da inovação crescendo no Brasil!!!!!! (Fonte: Startuprio.org)

Já o programa Ciência sem Fronteiras, busca promover , expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O progama foi criado através dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC).
Este programa gera uma oportunidade para que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com centros educacionais de ponta em tecnologia e inovação.
O Ciência sem fronteiras também incentiva pesquisadores de empresas público ou privadas à receberem treinamento especializado no exterior. (Fonte: Ciência sem fronteiras).

Os benefícios para a sociedade Brasileira são indiscutíveis
Nestas conversas, pude comprovar a empolgação que os empreendedores do projeto Startup mostram em desenvolver produtos de alta tecnologia, que sirvam de ferramenta ao incentivo do aumento da competitividade para as empresas Brasileiras. Temos a certeza, que para nosso país se desenvolver, precisamos muito de empreendedores, que venham incentivar a cultura da inovação e do empreendedorismo, como forma de crescimento.
Da mesma forma, que precisamos de mais doutores, que desenvolvam novas pesquisas, em áreas como ciência, business, tecnologia, medicina, dentre outras . Só assim seremos reconhecidos internacionalmente e nossa qualidade de vida melhorará. E lembrem-se o futuro de nosso país deve ser construído por nós mesmos, cidadãos que devemos estar sempre em busca da inovação, competitividade, empreendedorismo e educação. Enfim, existe um Brasil escondido, e ainda há esperança!!!