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Joan Amato

Joan Amato

SAÚDE ESPORTIVA. Formada em 2002 pela UERJ, iniciou a carreira como médica intensivista. Para tratar as pessoas fora do hospital, fez pós-graduação em medicina do esporte e tornou-se especialista em Nutrologia. É membro da International Society Of Sports Nutrition. Por adorar escrever, fundou o site Nutroesporte.com.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



29/06/2015 11h01

Multivitamínicos e performance atlética
Joan Amato

Se você perguntar a um atleta de alto rendimento ou até mesmo a uma pessoa que pratica exercício 3 vezes na semana se eles já tomaram ou tomam algum multivitamínico, a resposta possivelmente será sim. É muito comum o uso deste suplemento baseado no argumento que atletas precisam regular a produção de radicais livres, fazendo uso de antioxidantes. Porém, os estudos mais recentes não concordam muito com essa prática.

Multivitamínicos e performance atlética. Foto: ReproduçãoQuando fazemos exercício de forma regular, o organismo apresenta respostas (como aumento do batimento cardíaco durante o exercício) e adaptações (como melhora da saúde cardiovascular, diminuição da pressão arterial, etc). Para que ele se adapte, ele precisa passar por um período de estresse que é o exercício em si. Toda vez que qualquer pessoa se exercita, o metabolismo produz radicais livres, moléculas que são uma ameaça à saúde e à estabilidade celular. A partir desse conceito, prega-se o uso de antioxidantes.

Porém, um organismo só se adapta ao estresse se ele fica estressado em algum período. Então, precisa haver um equilíbrio entre a produção de radicais livres e a quantidade de antioxidantes. Se houver radicais livres em demasia, o corpo vai sofrer com lesões musculares, lesões articulares e inflamações que demoram muito mais a melhorar. Agora, se pergunte: e se houver antioxidante demais, o que acontece?

Os atletas de alta performance têm necessidades maiores que a população em geral de vitaminas e sais minerais, até mesmo para balancear os radicais livres produzidos nos treinos intensos. Sabemos que a vitamina C melhora a defesa do organismo e aumenta o ganho de força. A vitamina E consegue balancear o gasto energético no exercício em altitudes elevadas. Geralmente, são usados como comprimidos ou cápsulas e não existe estudo mostrando melhora na performance atlética através do uso oral, das doses comuns. As vitaminas C e E não melhoram a performance nem evitam dano muscular em atletas normalmente nutridos que estão em altitudes baixas ou nível do mar.

Na contramão do que se pensa, o uso indiscriminado de antioxidantes pode até atrapalhar a adaptação do corpo aos treinamentos e ter um impacto negativo sobre a performance atlética. Vários artigos científicos mostram que impedir a ação dos radicais livres bloqueia a mensagem para a formação de vasos sanguíneos novos (angiogênese) e de estruturas que produzam energia no músculo (mitocôndrias). Além disso, o próprio sistema do corpo que combate os radicais livres deixa de ser "treinado" quando vários antioxidantes de fora já fazem essa função.

Mais uma vez, suplementos têm indicação. O uso de vitamina E em provas ou treinos am altitudes elevadas é justificado porque, nessas condições, existe uma produção aumentada de radicais livres. Sem muita comprovação, o uso de vitamina C, E e beta-caroteno, algumas semanas antes de competições, pode melhorar o equilíbrio entre radicais livres e antioxidantes por causa dos treinos mais intensos. Se o atleta tem deficiência de vitaminas ou de sais minerais, a reposição é imperativa. Para isso, ele precisa de acompanhamento profissional.



17/06/2015 12h10

Infarto na academia
Joan Emmanuelle Amato

Faça uma busca com os termos "infarto" e "academia" no Google. Você vai ficar impressionado com o número de resultados. E perceber que várias pessoas que tiveram um infarto ou um mal súbito na academia são pessoas de idades variadas. Geralmente, esperamos que o infarto aconteça num homem, na casa dos 50 a 60 anos, que entrou na academia há pouco tempo... Então, por que as vítimas também são jovens, praticantes de exercício e, em alguns casos, atletas amadores? O que pode ser feito para evitar que você caia duro na musculação ou correndo na esteira?

O desconhecimento do próprio estado de saúde é o maior fator de risco para infarto ou morte súbita no exercício. Para você ver como pode acontecer com qualquer um, aconteceu há um mês com um colega médico, que trabalhava comigo. Saindo da academia, apresentou uma dor no peito, achou que era só incômodo. Por persistência da namorada, foi à  emergência e eis que estava infartando. Ganhou uma angioplastia de presente aos 40 anos de idade.

A maioria das pessoas não procura um médico do esporte antes de começar a fazer exercícios. Por ser jovens, não ter sintomas, julgam desnecessário uma avaliação pré-participação. Nessas avaliações, o médico toma nota da história de saúde da pessoa e de sua família, faz o exame físico medindo a pressão, procura sopro no coração, alterações da circulação, da respiração e alterações da coluna e articulações.

- Atleta que não come, não rende

Foto: Reprodução de Internet

Diante dessas informações, são solicitados exames complementares, sendo o eletrocardiograma o exame que todos deveriam fazer antes de começar a se exercitar, conforme a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Muitos médicos também solicitam o teste ergométrico, que faz uma avaliação dinâmica do coração durante o esforço, mostrando se existem alterações que podem levar ao infarto ou à morte súbita durante o exercício. Ao contrário do eletrocardiograma, o teste ergométrico não é obrigatório para quem não apresenta sintomas. Mas no caso de história familiar com casos de infarto ou angina, ou em pessoas que tenham dor no tórax ou no peito, ele deve ser solicitado para uma avaliação mais profunda.

Mesmo explicando isso tudo, você ainda se pergunta: "o que justifica mortes em pessoas tão jovens?". Se o jovem não faz a avaliação, ele pode ter uma arritmia, um problema do coração desde seu nascimento ou um problema no sangue que pode levar à morte. Além disso, é muito comum o uso de anabolizantes nessa faixa etária. Eles usam sem necessidade, sem prescrição médica e compram de fontes desconhecidas. Os anabolizantes causam aumento da pressão, piora do colesterol, afetam os rins e o fígado e, do mesmo jeito que hipertrofia o bíceps, hipertrofia o coração. Um coração grande está associado com arritmias cardíacas graves e ao aumento do risco de infarto.

Também existem doenças mais raras relacionadas à morte súbita no exercício, como doenças genéticas e condições do sangue (como o traço falcêmico), fazendo a avaliação pré-participação uma ferramenta útil e necessária para diminuir o risco na prática de exercícios.

Ao contrário de muitos anos atrás, onde qualquer motivo afastava a pessoa do exercício, hoje, poucos motivos impedem a prática deles. É possível ter uma doença e se exercitar. A avaliação do médico especialista vai possibilitar o exercício dentro da capacidade funcional da pessoa. Nem todos vão poder correr uma maratona, ou fazer legpress com 200 quilos. Mas muitos vão poder caminhar, nadar e fazer musculação com segurança.

Quanto ao meu colega, ele, apesar de médico, nunca fez uma avaliação pré-participação. Quem sabe, ele não teria infartado tão jovem...

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10/06/2015 10h34

Por que é tão difícil para crianças obesas emagrecerem, mesmo com exercícios?
Joan Emmanuelle Amato

É muito interessante ver como as mulheres estão dando mais atenção à sua saúde durante a gravidez (como a jornalista Fernanda Gentil, acompanhada pelas câmeras) ou como mulheres continuam a fazer exercícios durante a gestação. A preocupação é com elas e, obviamente, com o bebê que está para chegar. Mas você sabia que a saúde do seu filho pode ser alterada antes mesmo dele ser concebido?

Infelizmente, o número de crianças com sobrepeso e obesidade aumenta a cada ano no Brasil. Mesmo muitas dessas mães, extremamente cuidadosas na gravidez, têm filhos que começam a desenvolver obesidade numa idade precoce, por volta dos 5 anos de idade. E não só ficam obesos, como desenvolvem hipertensão arterial, colesterol alto e diabetes. São crianças que, mesmo fazendo exercícios, têm dificuldade em perder peso e ter uma vida saudável. Será que isso aconteceu só por causa de um biscoito recheado, ou por que a mãe os levou para comer hambúrguer no final de semana?

Não. A resposta está muito além dos genes da própria criança e toda sua doença pode ter começado ainda na juventude da mãe. Ao contrário do que Darwin pensava, as características adquiridas podem sim ser levadas às gerações futuras. Os óvulos de mulheres obesas podem ter passado por alterações genéticas, que vão influenciar na saúde dos seus filhos. E essas alterações se acumulam de geração para geração. Além disso, o estado nutricional da mãe durante a gestação também vai dizer que doenças as crianças desenvolverão mais tarde.

O nome disso é a "teoria da origem fetal". Cada pessoa herda genes dos seus pais. Porém, alguns outros são modificados por condições externas, que predispõe essa pessoa a desenvolver alguma doença crônica não transmissível (DCNT), como hipertensão, diabetes e câncer.

- Atleta que não come, não rende

Foto: Reprodução de Internet

Se a mãe sofre alterações na sua saúde por agressões externas (como excesso de junkfood ou exposição a disruptores endócrinos), os genes são alterados e passados para seus filhos. Se essas agressões ocorrem durante a gravidez, os genes da criança em desenvolvimento são afetados ainda na barriga da mãe. Um grande exemplo foi visto durante a Segunda Guerra: mulheres grávidas, famintas nos campos de concentração, deram à luz a crianças, em sua maioria com baixo peso ao nascimento. Essas crianças foram acompanhadas durante décadas e se tornaram adultos obesos, com pressão alta e diabéticos em sua maioria, estabelecendo uma relação entre o baixo peso ao nascimento com essas doenças.

E não é só antes (na juventude da mãe) ou durante a gravidez que essas alterações podem ocorrer. Os primeiros 1000 dias da vida de uma pessoa são um grande período crítico, pois vários órgãos e tecidos estão se formando. Se houver exposição a algum agente agressor, essa criança pode ter consequências a longo prazo, assim como aquelas que sofreram exposição na vida intra-útero. Sim, isso é extremamente complexo. Muitas mulheres se perguntam por que seus filhos estão obesos e por que continuam obesos, mesmo quando mudanças de estilo de vida são adotadas.

Com essa bagagem genética, é possível uma pessoa se manter saudável? Sim. Porém, ela vai ter que "apertar os botões" para ativar os genes certos, através da alimentação saudável e exercício físico. Esses são seus "remédios" e ela pode passar uma vida inteira sem nunca ter uma doença. O excesso de açúcar, de gordura trans e de calorias ativam os genes para desenvolvimento das DCNTs em todos nós, mas se a pessoa já os carrega, ela tende a desenvolver mais cedo e de forma mais severa, mais resistente aos tratamentos.

A gênese da obesidade é muito mais complexa do que imaginamos. Dizer que alguém é obeso por desleixo é minimizar uma doença multifatorial. Apesar das consequências da obesidade serem visíveis, as suas causas e suas alterações orgânicas são descobertas recentes. Tratar um obeso requer mais do que fazer uma dieta ou prescrever uma série de exercícios. É necessário um tratamento multidisciplinar. E, agora, já sabemos que esse tratamento começa antes mesmo da criança ter nascido.

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01/06/2015 15h49

Arnold Classic Brasil 2015: maior público e movimentação de mais de R$ 100 milhões
Joan Emmanuelle Amato

Após 3 dias de evento, o Arnold Classic Brasil 2015 recebeu mais de 80 mil visitantes. Destes, 3 mil compareceram ao Arnold Conference, o congresso técnico com palestras. De acordo com a organização do evento, houve um aumento de 15% em comparação ao público da edição anterior, além do aumento da área da feira, que ocupou 3 pavilhões do RioCentro.

- Schwarzenegger: 'Preconceito existe por falta de informação sobre levantamento de peso'

Foto: Andrea Rocha / Divulgação

Gracyanne Barbosa e Marcos Mion. Foto: Andrea Rocha / DivulgaçãoNum dos pavilhões, encontrávamos os expositores, dentre eles, marcas já consagradas da indústria do suplemento, marcas mais recentes no mercado, roupas e aparelhos de exercícios. Algumas dessas marcas são patrocinadoras de atletas do fisiculturismo, então foi fácil esbarrar com algum deles, como o Big Ramy, grande ganhador do Arnold Pro, o concurso de fisiculturismo profissional.

Mas o evento foi muito além do fisiculturismo: era possível encontrar esportes já esperados e outros que nem se sonhava existir. O Strong Man é uma competição com os homens mais fortes do mundo, levantando pesos absurdos (equivalentes a um carro!). Houve a 2ª Copa Pan-americana de Pole Dance, com predomínio argentino nos pódios masculino e feminino. Também era possível encontrar os grupos de capoeira, atletas do jiu-jítsu (o vencedor da categoria peso pesado foi o atleta Marcus Morcego, entrevistado recentemente aqui no blog).

O paradesporto teve apresentação de rugby, taekwondo, tênis de mesa, bocha, futebol de 7, judô e jiu-jitsu e contou com a apresentação de Breno Viola, primeiro judoca com síndrome de Down das Américas, fazendo a demonstração do esporte.

Algumas modalidades, como o Strong Man, foram realizadas em outros locais, como na praia da Barra da Tijuca, e a corrida Arnold Speed Run Series, na praia do Recreio dos Bandeirantes.

O mais interessante é que o evento não leva só o nome de Arnold Schwarzenegger. Era possível encontrá-lo em vários locais, pois, além da coletiva de imprensa, ele compareceu à feira, entregou premiações aos atletas e deu a largada na corrida, despedindo-se do evento com a frase "Hasta la vista, baby".

Devido ao sucesso também nos negócios, com a geração de mais de 100 milhões de reais, o evento já tem data para 2016: de 1 a 3 de abril. Portanto, agora é só esperar Arnold voltar.

Fotos: SRZD - Joan Amato

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30/05/2015 12h28

Schwarzenegger: 'Preconceito existe por falta de informação sobre levantamento de peso'
Joan Emmanuelle Amato*

Nesta sexta, aconteceu a coletiva de imprensa do Arnold Classic Brasil 2015, com a presença do governador Schwarzenegger. Sim, assim que ele foi anunciado, mas não diminuiu em nada sua mensagem como campeão passado de fisiculturismo, ex-atleta da modalidade e atual marca global de disseminação do exercício.

Arnold Scwarzenegger é uma marca que atrai as pessoas. Esse ano, o evento que leva seu nome cresceu no Brasil e ocupa vários pavilhões do Riocentro. Existe a feira com os expositores, o Arnold Conference (o congresso para área de saúde), o Arnold Pro (competição profissional de fisiculturismo), uma arena para competições de várias outras modalidades de esporte levando ao todo 33 competições esportivas.

Foto: SRZD - Joan Amato

Realmente, parece ser o que a propaganda promete: o maior evento multiesportivo do mundo. Apesar de ligarmos diretamente Arnold a fisiculturismo, o evento traz modalidades interessantes como o xadrez e o paradesporto. Quando perguntado sobre o xadrez na feira, o governador disse adorar o jogo, pois ativa seus neurônios, e que ele o mantém alerta durante as gravações de seus filmes. Sobre o paradesporto, o governador e os organizadores do evento ressaltaram a importância da inclusão dos atletas com necessidades especiais e que o evento seria mais um incentivo à essa categoria.

Obviamente, o fisiculturismo levantou questões, principalmente sobre o preconceito. O governador foi muito feliz na sua resposta, dizendo que o preconceito surge porque as pessoas não são informadas, educadas a respeito de bodybuilding e levantamento de peso. Ele ressaltou que, hoje nos EUA, não existe um hotel que não tenha academia, que o Exército, a Polícia e os Bombeiros têm equipamentos de musculação dentro de suas unidades, assim como existem os programas de reabilitação dentro dos hospitais, mostrando que o bodybuilding está mais presente na vida das pessoas do que elas imaginam. E ele espera que isso seja mais disseminado no Brasil.

Ao final, ele fecha dizendo que independente do tipo de esporte, as pessoas precisam praticar exercícios. Independente da modalidade escolhida, as pessoas precisam se manter mais saudáveis para deixar um mundo mais saudável e mais fit para seus filhos e netos.

Como essa blogueira concorda em gênero, número e grau com as palavras do governador, faço o convite em nome dele para quem puder comparecer ao evento, compareça. Se ainda for demais, leia sobre saúde esportiva (isso você pode fazer aqui mesmo). Mantenha-se informado porque muitas crenças sobre exercício e alimentação mudaram e mudam todos os dias, colocando as pessoas para fora de seus sofás e levando-as mais para o movimento.

E eu espero ver Arnold Schwarzenegger quando ele voltar.

Foto: SRZD - Joan Amato

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24/05/2015 12h06

SRZD entrevista Marcus Morcego, campeão brasileiro de jiu-jitsu
Joan Emmanuelle Amato

Marcus Morcego, atleta do jiu-jitsu categoria meio-pesado, vem se destacando nas competições nacionais e internacionais e acumulando um impressionante histórico de vitórias. Dentre elas, o bicampeonato Pan-Americano. Campeão do Chicago Open e em 16 de maio, minutos antes da entrevista, campeão brasileiro lutando na categoria pesado, uma categoria acima da sua. Além disso, a figura humana impressiona pelo amor ao filho e o sonho que não deixa abalar, mesmo com a falta de patrocínio, já que o jiu-jítsu não divide o status de esporte olímpico com as outras modalidades de luta.

Foto: Acervo pessoal

Confira a entrevista com o atleta:

Foto: Acervo pessoalJA: Marcus Vinicius, é uma honra estar aqui contigo, mas antes de qualquer pergunta, por que Morcego?
MM: Prazer é meu. Marcus Morcego veio por intermédio do meu pai, porque era o apelido dele quando garoto. Quando eu nasci, eu virei o Morceguinho. Eu comecei a treinar jiu-jítsu, o Morcego ficou. Agora, meu filho é o Morceguinho. Uma herança de família, Morcego passando de geração para geração.

JA: Quando você começou a lutar?
MM: Eu tinha 17 anos, tinha um quimono jogado lá em casa e um amigo, André Feio, que já treinava, me chamou para ir com ele. Eu fui e nunca mais parei.

JA: E quando você começou a competir?
MM: Duas semanas depois (risos).

JA: Os títulos vieram depois...
MM: Em 2006, eu peguei a faixa roxa e foi quando comecei a despontar nas competições. Em 2007, eu ganhei o estadual do Rio de Janeiro, mas depois tive uma lesão no ombro e precisei operar. Depois da recuperação, voltei e fui ganhando as etapas do campeonato estadual. Também fui passando de faixa. Na faixa preta, fui melhorando e conseguindo me manter entre a galera.

JA: Pelo teu histórico, você vem conseguindo títulos importantes na tua carreira. O ano de 2014 foi muito bom e 2015 já começou bem. Quais foram esses títulos de 2013, 2014 para cá?
MM: Em 2013, eu lutei o circuito estadual (do RJ) e fui campFoto: acervo pessoaleão da maioria das etapas. Consegui ser campeão da Confederação Brasileira e fui campeão brasileiro por equipe. Em 2014, comecei o ano sendo campeão da seletiva em Abu Dhabi para o Mundial, na categoria meio-pesado e no absoluto. No mundial, fui até a semi-final. Logo em seguida, fui para o Pan-Americano e fui campeão. Também fui campeão brasileiro na modalidade sem quimono. Esse ano, fui bicampeão Pan-Americano e campeão na categoria e no absoluto do Open de Chicago. Consegui pontos para participar do Mundial, mas infelizmente não vou poder ir.

JA: Está faltando patrocínio?
MM: Eu tenho um que já está comigo há 4 anos. Mas seria bom juntar outros patrocinadores. É muito caro bancar passagem e se manter lá.

JA: Mas com tantos títulos, você ainda conta com pouco patrocínio?
MM: (risos) Engraçado que foi essa mesma pergunta que o Seu Jair (dono da empresa que o patrocina) fez para mim. Em 2011, eu já estava desistindo. Não tinha mais dinheiro, como me manter e manter meu filho. Consegui uma reunião com o Seu Jair. Não tinha dinheiro para fazer um currículo, tirar uma foto. Então, coloquei todas as minhas medalhas na mochila e fui até o escritório dele, levando aquele peso todo. A reunião estava marcada para as 11h e ele teve um problema, só conseguiu chegar às 16h. Eu fiquei sem almoçar, não tinha dinheiro nem para isso. Quando a gente começou a conversar, abri a mochila e mostrei tudo para ele. E ele perguntou exatamente isso!

JA: Você já tem um calendário de lutas engatilhado. Mesmo com isso, você ainda tem tempo de cuidar do teu filho. Qual o nome dele?
MM: É o Marquinhos, Morceguinho.

JA: Como você faz para administrar teu tempo entre treinos, viagens e cuidar dele?
MM: Eu estava fora do Brasil, fiquei por 2 meses e foi horrível ficar longe dele. É muito ruim. Aqui no Brasil, eu dou aula até tarde à noite. Eu chego e ele já está dormindo. És vezes, ele vai no treino comigo. Depois, eu levo no futebol e de lá, para casa.

Foto: Acervo pessoalJA: Ele ainda não entrou no mundo do jiu-jitsu?
MM: Ele faz karatê. Deu uma enjoada de jiu-jítsu porque eu sempre brinco com ele, desde que nasceu. Mas eu não forço. Quando ele estiver pronto, ele vem.

JA: A tua trajetória é ascendente. O que você faz de diferente para em tão pouco tempo, ter conseguido tantos títulos?
MM: Acho que dei sorte. A minha equipe é muito grande, com vários faixas preta, atletas que treinam forte. Quando você está no meio, você tem que treinar forte e acaba ficando forte. Nós temos a referência do jiu-jítsu, o Rodolfo Vieira, que treina com a gente. Ele é considerado um dos maiores lutadores. O Victor Honório também. Ele acabou de participar da Copa Pódio, um evento onde só convidados lutam. Ele, que é faixa marrom, ganhou do campeão mundial da categoria dele. Eu estou com ele todo dia. Então, se você treina com o cara que desponta, por que eu não posso despontar? O segredo é estar sempre ali, acompanhando, treinando e acreditando em você. Eu sempre acreditei em mim, nunca duvidei.

JA: Aonde o Marcus Morcego quer chegar?
MM: O cara que quer ser atleta de jiu-jítsu tem como meta ser campeão mundial. Essa é a minha meta. Ainda não sou campeão mundial no adulto, mas eu treino e sei que tenho condições físicas de buscar isso. Esse é o meu sonho é só quem pode me derrubar sou eu mesmo.

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12/05/2015 12h51

Atleta que não come, não rende
Joan Emmanuelle Amato

O campo da Nutrologia Esportiva é enorme e, num mundo cercado de suplementos por todos os lados, quase ninguém acredita que uma dieta balanceada é o melhor recurso ergogênico que existe para os atletas. Esse equilíbrio acontece quando o esportista ingere a quantidade correta de calorias, proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais. Existem trabalhos científicos realizados nas federações de modalidades esportivas brasileiras, ou pelo Comitê Olímpico Brasileiro, que mostram a alimentação e nutrição dos atletas e como eles consomem muito menos calorias, macro e micronutrientes do que precisam, permanecendo com um déficit calórico crônico. As implicações disso na saúde esportiva vão além de só atingir marcas melhores e pode acometer com atletas profissionais ou amadores.

Ao ingerir menos do que precisamos de forma contínua, o corpo não tem "tijolos" para a construção do seu "prédio": os tijolos são as proteínas e carboidratos e o prédio são os músculos. Nesse modo economia, toda caloria que entra é armazenada em forma de gordura, pois o corpo entende que ele precisa ter um estoque porque está passando por um momento de privação. Assim, não é difícil vermos atletas que não atingem o shape ideal. O que eles acabam fazendo? Aumentando a intensidade dos treinos ou cortando calorias da dieta. O que acontece? O quadro só piora e existe uma chance maior de lesões ósseas ou musculares.

Vamos imaginar que esse atleta aí tenha uma lesão muscular moderada. Se ele também consome pouca gordura, ele tem mais um ponto contra sua recuperação. De todas as calorias consumidas, entre 20% e 25% devem ser consumidas na forma de gordura. Nosso organismo precisa de colesterol para fabricar hormônios; precisa de gordura saturada que carrega as vitaminas A,D, E e K; precisa das gorduras insaturadas para garantir o funcionamento do sistema imunológico e defesa; precisa dos ômegas 3,6,9 para auxiliar em todas essas funções; e também precisa da gordura para recuperar a membrana basal das células musculares e ajudar no processo de cicatrização.

- Estresse, exercício e proatividade

Foto: Reprodução de Internet

Se, ainda assim, esse déficit calórico se mantiver, o atleta começa a perder sua massa muscular. O organismo entra num processo de inflamação crônica que consome a massa muscular, altera os hormônios do estresse e ainda piora a saúde óssea. Voltando ao atleta da lesão muscular, além de não conseguir se recuperar de forma definitiva dessa lesão, ele ainda pode apresentar fraturas ósseas de estresse, causado pelo excesso de treinamento (ou overtraining) num corpo que já está no seu limite e que não tem substratos para se recuperar.

Nós já vimos isso acontecer com a ginasta Daiane dos Santos. No caso dessa modalidade, a cultura de um corpo muito magro ajuda ainda mais a perpetuar o corte calórico que pode levar a esse quadro. No caso das mulheres, elas podem parar de menstruar pela baixa ingestão e perda de gordura corporal, constituindo a tríade da mulher atleta, definida como a presença de anorexia, osteoporose (que leva às fraturas) e amenorréia (parada da menstruação).

Com os atletas amadores, é muito comum acontecer isso. Muitas pessoas começam um programa de exercícios ou aderem à uma modalidade esportiva para perder peso e melhorar seu estilo de vida. Nesse início, a dieta hipocalórica pode ajudar na perda de peso, na melhora da glicose ou do colesterol. Mas muitos tomam gosto pelo esporte e começam a participar de competições e aumentam o volume e a intensidade dos treinos. E continuam com uma dieta que não mais cobre suas necessidades, pois o momento metabólico mudou, pois o gasto energético é maior, a taxa metabólica basal é maior. Com o aumento da necessidade, a dieta deve ser toda reajustada e, acreditem, muitos perdem a gordura do modo econômico comendo mais.

Só vou chamar atenção para um detalhe: comer mais não quer dizer comer pior. Precisar de 3000 calorias por dia não é passe livre para hambúrguer, batata frita e refrigerante, até porque esses alimentos têm muitas calorias, mas são pobres em nutrientes! Um corpo ativo precisa de escolhas sábias. Um atleta possivelmente não vai entender tudo sobre nutrição, nem seu técnico ou preparador físico. Por isso, o médico nutrólogo ou o nutricionista esportivo são os profissionais mais indicados no campo da nutrição desportiva para orientá-los, sejam de alto rendimento ou amadores. Não adianta suplementar quem não come. Primeiro, toda a nutroterapia deve ser repensada e, num segundo momento, se houver necessidade, a suplementação esportiva pode ser prescrita.

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09/05/2015 10h19

Estresse, exercício e produtividade
Joan Emmanuelle Amato

Assim como os atletas e esportistas podem ter sua performance prejudicada pelo excesso de treino, os "atletas" da vida corporativa podem sofrer do mesmo mal. Não, eles não vão se quebrar por ultrapassar o limite do seu corpo, mas eventos piores podem acontecer quando a causa deles, o estresse, não é reconhecida e tratada.

Nosso maior ativo é a saúde. Porém, aplicamos pouco nela. Quando um executivo está saudável física e mentalmente, ele produz mais, tem mais disposição. Obviamente, vai ter mais ganhos, trazendo paz interior (Osho fala isso). Nós precisamos ter paz financeira. Ela é um dos campos da nossa vida que não podemos ignorar na busca da saúde integrada. Ao ter ganhos, frutos da produtividade, o executivo consegue também oferecer mais de si para sua equipe, sua família e seus amigos. É uma grande roda alimentada pela saúde e, ao mesmo tempo, influenciada pelos aspectos pessoais (família e amigos), pelo trabalho, pelas emoções e até espiritualidade.

Quem está estressado de verdade, não está em contato consigo mesmo. O elo foi quebrado e, por mais que o executivo saiba o que precisa ser feito, ele não consegue sair do ciclo vicioso do estresse na sua vida. Nessas horas, só fazer exercício não resolve. É preciso tratar da saúde e do bem-estar dessa pessoa como indivíduo orgânico, mental e emocional. É preciso reconhecer o problema e se despir de preconceitos para procurar e aceitar ajuda.

Mas não dá para oferecer ajuda a quem não se sente doente. "Meu colesterol está um pouco alto, vou tomar um remédio". Você está tratando seu colesterol, mas está tratando a verdadeira causa? O estresse muda o funcionamento do organismo. Hormônios começam a ser lançados na circulação, mandando a mensagem para o corpo "ficar alerta". O batimento cardíaco aumenta, a pressão aumenta, o açúcar no sangue aumenta para ser combustível do músculo na hora da fuga. Porém, não existe uma ameaça real de perigo, como um tigre te caçando. Esses hormônios ficam constantemente sendo liberados porque o estresse é constante e não mais pontual, como na vida dos nossos antepassados. Isso tem impacto em toda a fisiologia: os batimentos vão estar sempre altos, assim como a pressão e a glicose. Qual o resultado disso? Hipertensão, diabetes e todas as conseqüências que essas doenças trazem. E em que momento essa pessoa se reconhece doente? Quando está na emergência de um hospital, sentindo dor no peito e medo de morrer.

Foto: Reprodução de Internet

O burn out da vida executiva é o paralelo do overtraining da vida esportiva. Ambos ultrapassaram o limite. Ambos estão estão colocando seus corpos à prova. No caso do atleta, com risco de lesão, de fraturas. No caso dos executivos, com risco de infarto, acidente vascular cerebral e até morte. Mesmo em quem pratica exercício, porque até o fato de ir para a academia se torna mais uma competição, mais uma meta de produtividade a ser atingida. E aí, nós vamos ter um estressado, em pleno burn out, prestes também a entrar em overtraining, porque os hormônios de estresse liberados numa síndrome são os mesmos liberada na outra.

Quem nunca ouviu falar do fulano, novo, que não tinha nada, corria maratona e infartou? Conheço um desses fulanos. Um dos maiores executivos da sua empresa e também estava sempre na academia. Mas estressado no seu interior, desconectado do seu real estado de saúde. Teve um infarto grave após receber um prêmio. Cirurgia cardíaca, ponte de safena. Com menos de 50 anos.

Eu sou pró-exercício 110%, mas uma só andorinha não faz verão. Num momento de desequilíbrio grave, precisamos de intervenção em outras áreas. Assim, o exercício vai ser uma arma contra o estresse e, não um potencializador dele.

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04/05/2015 14h07

Água alcalina melhora a saúde?
Joan Emmanuelle Amato

Decidi fazer esse post extra devido aos vários e-mails que recebo com dúvidas sobre a água alcalina. E hoje, em especial, sei que vou receber mais alguns porque um jornal de TV trouxe uma matéria que abordou a água alcalina e quais seriam seus benefícios. Então, já me antecipando à caixa de entrada cheia, vamos lá.

O mito da água alcalina começou recentemente. O argumento é que a dieta ocidental, cheia de fast-food, comidas gordurosas e cheia de carboidratos refinados, aumentaria a acidez do sangue. Essa acidez contribuiria para um quadro de inflamação crônica e subclínica, que podemos ver associado à obesidade, diabetes, síndrome metabólica e outras doenças crônicas não transmissíveis.

Nosso sangue tem um pH que fica entre 7,35 e 7,45 e nosso organismo dispõe de mecanismos para regular esse pH, altamente complexos, que envolvem vários órgãos e sistemas. Além disso, o pH do sangue não vai ser o mesmo encontrado em outros órgãos. Nosso estômago precisa ter um pH extremamente ácido, pois ele serve como barreira para a entrada de bactérias no nosso corpo e também para dar continuidade ao processo de digestão dos alimentos, iniciado na boca.

- O sedentarismo antecipa a morte

Foto: Reprodução de Internet

Explicado isso, agora vamos adentrar no mundo da "dieta alcalina". Se você fizer uma busca na internet, vai achar essa expressão. Ela prega comer mais frutas e legumes e que essa mudança de hábito alimentar melhoraria o pH no sangue e, consequentemente, aquela inflamação crônica que mencionei acima. Porém, existe um desentendimento entre o nome da dieta e os alimentos usados nela, pois a dieta alcalina não é uma dieta onde só alimentos com pH acima de 7 sejam consumidos. Existem frutas e legumes ácidos.

Onde a água alcalina entra nisso tudo? Ela ajudaria a conter a inflamação do corpo, causada pela dieta ocidental. Por ser alcalina, ela teria propriedades anticâncer, rejuvenescedoras e antioxidantes. Em relação aos atletas, é dito que ela melhora a performance atlética. E a pergunta é: isso tudo é verdade? A resposta é: ainda é cedo para falar. Aliás, muito cedo mesmo!

Existem poucos estudos científicos que tragam uma informação robusta sobre o papel da água alcalina na prevenção de doenças e na saúde esportiva. Alguns poucos trabalhos recentes mostram uma tendência de melhora da saúde óssea; outros mostram a tendência de melhora da saúde quando a dieta alcalina é consumida. Mas ainda não foi mostrada uma evidência forte, de comparação entre uso da água normal e água alcalina sobre esses indicadores de saúde e performance. E levando em consideração que a água alcalina encontra um meio super ácido no estômago, seu pH já é anulado numa das primeiras portas de entrada do trato digestivo.

Enquanto os trabalhos científicos não mostram evidências sobre a água alcalina, é melhor ficarmos com o que já está mais do que estabelecido: alimentação e nutrição balanceadas, hidratação e exercício físico. Até porque não vai ter água alcalina que dê jeito se a pessoa mantém um estilo de vida nada saudável...

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02/05/2015 11h42

O sedentarismo antecipa a morte
Joan Emmanuelle Amato

Tenso ler esse título, não? Ainda mais numa coluna de saúde esportiva... Então, ao invés de repetir tudo aquilo que você provavelmente já leu ou escutou sobre os benefícios do exercício, vou trazer à luz as trevas do sedentarismo.
Nosso corpo foi programado para estar em movimento. Nossos ancestrais eram nômades, andavam de local em local, fundando pequenas comunidades e, depois, se mudavam devido às alterações climáticas ou oferta de comida. Eles também percorriam grandes distâncias para caçar e colocar alimento na boca de sua cria. "Ah, mas eles morriam cedo". Sim, se formos comparar a expectativa de vida há milhares de anos, as pessoas morriam bem mais jovens. Mas morriam por causas externas (o caçador virou caça) ou por infecções (numa era onde nem se pensava na palavra antibiótico).

Hoje, vivemos mais. No Brasil, a expectativa de vida de homens é de 70 anos e mulheres 77. Mas estamos vivendo melhor? Preste atenção na sua família. Quem tem pressão alta, diabetes? Quem está acima do peso? Você já teve um parente que infartou? Ou teve um derrame? Alguém teve câncer? Essas doenças modernas também são conhecidas como doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Elas não pegam como uma infecção. Mas elas pioram nossa história familiar e aumentam nosso risco de morrer. Ou pior, de viver mal. Todas essas doenças dançam de mão dadas. É muito comum um obeso ter a pressão alta e diabetes. Ainda sofre dos joelhos e a obesidade é fator de risco para vários tipos de tumor.

Foto; Reprodução de Internet

São gastos milhares de dólares, reais, qualquer moeda para o tratamento das conseqüências dessas doenças e, infelizmente, a prevenção e o tratamento mais baratos seriam o combate ao sedentarismo. Você já respondeu quem tem doenças na sua família. Agora responda: quem se exercita? Das pessoas que têm alguma doença, quantas são sedentárias e não sobem nem um lance de escadas? Você sobe?

Atualmente, a ciência já nos mostrou que o sedentarismo mata mais que estas doenças. Sim, o fato de você ficar sentado na frente da TV por 30 minutos aumenta a chance de você desenvolver DCNT e morrer antes do tempo. Quem é sedentário morre antes do que quem faz exercício. E eu não estou falando em se tornar um atleta. Estou falando de dar o primeiro passo. Caminhar 30 minutos por dia. E que essa caminhada pode ser dividida: para melhorar sua saúde, você pode caminhar 10 minutos, 3 vezes ao dia, por 5 dias na semana. Sabe o que significa andar 10 minutos? Você pode ir e voltar do banco a pé. Você pode dar duas voltas no quarteirão onde você trabalha na sua hora do almoço ou no intervalo do cafezinho. No início, vai ser difícil (não vou te enganar), porque vencer a inércia é um desafio. Mas também, uma conquista.

Só de aumentar o tempo de atividade física (as atividades normais do dia a dia, como ficar em pé, subir escada, se deslocar dentro do trabalho), você já diminui suas chances de ter DCNT. E se você associar exercícios a isso, sua chance de morrer diminuiu assustadoramente em 10 anos.

As recomendações de exercício pelas maiores autoridades médicas são de 150 minutos de exercício moderado por semana. O que é moderado? Se você caminha e consegue conversar ou cantar com pouca dificuldade, isso é um exercício moderado. Outra recomendação é praticar 75 minutos de exercício intenso na semana. Ao intensificar o ritmo, você vai falar ou cantar com muita dificuldade. Qual é melhor? O melhor exercício físico é aquele que você consegue se comprometer a fazer. Quem é sedentário não vai virar atleta na segunda-feira. Mas pode começar a mudar seus hábitos para ter uma vida mais saudável e mais longa.

"Ah, mas eu já tenho pressão alta e já tive problema no coração". Melhor ainda! Sair do sedentarismo, mesmo para as pessoas que já têm alguma doença, também melhora a sobrevida! "Mas eu tenho câncer". Exercício auxilia muito a recuperação de quem faz quimioterapia ou radioterapia, porque evita que essas pessoas percam massa muscular e aumentam a imunidade do organismo.

Sedentarismo é um dos maiores fatores de risco para doenças. Ele aumenta o risco de ataque cardíaco e derrame tanto quanto o cigarro. Ele mata mais que a obesidade. Ele está associado com o desenvolvimento de câncer. Sair da inércia é complicado. Muitos pensam "isso não é para mim". Mas é... Toda caminhada começa no primeiro passo. Então, deixo a reflexão se pagar o preço de uma vida mais breve ou mais doente vale a pena quando precisamos de tão pouco para viver mais e melhor.

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28/04/2015 14h25

Vegetarianismo e suplementos
Joan Emmanuelle Amato

Continuando a discussão sobre vegetarianismo e veganismo, vamos abordar hoje a suplementação, principalmente, dos atletas que aderem a esse estilo de vida. A questão é se foi uma escolha pensando na saúde ou se foi uma escolha também pensando na preservação da vida animal. Mas o que isso afetaria a prescrição de um suplemento?

Suplementos são produtos industrializados. Por mais que alguns contenham somente produtos de origem vegetal, eles passam por todo um processamento. Muitos vegetarianos se recusam a consumir um produto desses, por motivos muitos justos, mas isso pode ter impacto negativo em alguns aspectos da dieta. Voltamos às proteínas: as de origem vegetal são incompletas e têm menor biodisponibilidade, exceto a soja e a quinoa. Um atleta vegetariano precisa aumentar seu consumo de proteína, pois a dieta vegetariana muitas vezes não cobre sua necessidade de calorias. Quando ele treina ou compete em déficit calórico, ele vai precisar de mais proteína na dieta para evitar perda de massa muscular.

Os suplementos da proteína de soja podem ser prescritos. Quando comparado ao whey protein, a soja mostra síntese de massa muscular semelhante ao whey e,por ser vegetal, seu papel oxidante é melhor. Porém, os trabalhos sobre a influência da soja no perfil hormonal ainda é controverso. A soja contém fitoestrógenos, uma molécula semelhante ao estrogênio, sendo recomendada para mulheres na menopausa, pois seria uma forma de manter a proteção do estrogênio sem usar um hormônio sintético. Mas esses mesmos fitoestrógenos podem alterar o perfil hormonal, desequilibrando a razão entre testosterona e estrogênio, principalmente nos homens. Alguns estudos não mostram diferença na testosterona em quem usa suplemento de soja, enquanto outros apontam uma piora do padrão. A testosterona é hormônio sexual masculino, que mulheres também produzem em pequena quantidade, e está relacionado ao ganho de massa muscular. Assim, alguns atletas não vão aceitar por questões filosóficas, enquanto outros vão ter medo do impacto na performance.

Foto: Reprodução de Internet

Outro suplemento que pode seriado, principalmente para a melhora da performance de atletas vegetarianos, é a creatina. As maiores fontes de creatina são as carnes, portanto, o atleta vegetariano tende a ter uma quantidade menor de creatina no seu organismo, diminuindo a capacidade nos exercícios de alta intensidade ou de explosão. A creatina melhora a performance dos vegetarianos quando comparados àqueles vegetarianos que não consomem creatina, porém, a performance foi semelhante ao grupo de atletas omnívoros (os carnívoros).

Esses atletas também devem tomar cuidado com ferro, zinco e cálcio. Como os treinos e competições exigem muito do corpo, as necessidades desses minerais aumentam para que o equilíbrio seja mantido. Os vegetais são boas fontes dos três, mas os vegetais também contêm fitatos, oxalatos e tanina, que podem comprometer sua absorção. Os fitatos podem ser encontrados na aveia e grãos integrais, enquanto o oxalato está na beterraba e no espinafre. Portanto, o consumo de alimentos fortificados com esses minerais e vitamina B12 é necessário para evitar a deficiência deles. A vitamina B12 foi discutida no artigo anterior.

Mais uma vez: o papel do médico nutrólogo ou do nutricionista esportivo é auxiliar o esportista na sua alimentação e saúde, para que a performance possa ser maximizada. A opção do estilo de vida do atleta deve ser respeitada e o papel do profissional é conseguir oferecer opções, enquanto a do atleta é entender quais são as melhores estratégias para a saúde esportiva e alto rendimento.

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20/04/2015 14h35

Vegetarianismo e preconceitos
Joan Emmanuelle Amato

Decidi abordar esse tema devido a uma amiga vegetariana, no caminho do veganismo e, principalmente, pela sua queixa principal: ter consultado profissionais de saúde que confrontaram sua decisão. Então, vamos esclarecer alguns pontos do vegetarianismo e até saber do que se trata.

Vegetariano é a pessoa que tira da sua dieta qualquer tipo de carne. Se ela consome leite e derivados e ovos, ela é ovo-lacto-vegetariana. Se só consome, de origem animal, ovos, é ovo-vegetariana e se só leite, lacto-vegetariana. Quem não consome qualquer produto de origem animal é vegano. Se você come peixe, mesmo que uma vez por semana, você não é vegetariano.

"Cortei a carne, sou vegetariano e estou com sobrepeso". Sim, pode ter cortado as carnes, mas se mantém grande consumo de massas, alimentos com farinha branca, açúcar refinado e frituras, a dieta continua ruim e o peso com tendência a aumentar. Não basta cortar carne, tem que saber escolher os alimentos.

As maiores preocupações com os vegetarianos são as deficiências de algumas vitaminas e minerais e o baixo consumo de proteína. Os alimentos de origem animal são a única fonte de vitamina B12 na natureza. Assim, quem consome pouco deles, não ingere a necessidade diária vitamina B12. Essa vitamina é responsável pela formação das células sanguíneas, pela transmissão dos impulsos nervosos e formação do sistema nervoso central quando ainda somos embriões. Além de participar de várias reações metabólicas no nosso corpo. Sabiamente, a natureza nos deu um estoque de B12, mas extremamente limitado. Quem tem deficiência dessa vitamina, pode ter anemia e alterações neurológicas graves, levando até a paralisia de movimentos, alterações do equilíbrio e psicoses. Se a pessoa não consome alimento animal, ela precisa fazer exames regulares para saber o nível de B12 e, se necessário, fazer a reposição através de comprimidos ou injeções.

A anemia também pode ser causada por deficiência de ferro, incomum entre vegetarianos, pois o ferro é encontrado em folhas escuras, leguminosas e em legumes. O zinco pode estar abaixo do normal, pois apesar de existir zinco nos alimentos vegetais, a quantidade seria menor. Quem é ovo-lacto ou lacto-vegetariano, consome cálcio nos derivados do leite e conseguem manter os níveis normais deste mineral.

Mas a dieta vegetariana tem um grande porém: as proteínas. Proteínas completas são aquelas que contém todos os aminoácidos essenciais (aqueles que nosso corpo não produz). As proteínas completas da natureza são as de fonte animal, a soja e a quinoa. Com exceção desses dois últimos, as proteínas vegetais são incompletas. Para que um vegetariano consuma proteína de alta qualidade além da soja e da quinoa, ele precisa combinar alimentos, pois a deficiência de um pode ser o forte do outro. O grande exemplo está no prato do brasileiro: feijão com arroz, a mistura da leguminosa (feijão) com o grão (arroz), que formam uma proteína completa. Entretanto, a quantidade de proteína ainda é menor que nos produtos animais.Por razões de filosofia de vida, muitos não aceitam produtos industrializados, o que, por muitas vezes, dificulta atingir a necessidade diária de proteína, que poderia ser feita através de suplementação.

Repito o que disse a essa amiga. Primeiro, não acho que seja papel do profissional de saúde julgar essa escolha e, sim, orientar para que a pessoa mantenha sua saúde. Segundo, é necessário acompanhamento médico sim, pois as deficiências nutricionais podem surgir sim, mas de uma forma lenta, de difícil reconhecimento e podem levar a um quadro grave. Terceiro, se for mulher, em idade fértil e querendo engravidar, é necessário traçar um plano com estratégias, pois o bebê necessita de vitamina B12 e vários outros nutrientes para que haja formação do seu organismo e do sistema nervoso, principalmente no início da gravidez. Quarto, adultos têm capacidade de julgamento, crianças ainda não. Forçar uma criança a ser vegetariana ou vegana desde muito cedo é complicado, pois assim como o bebê dentro do útero da mãe, a criança é um organismo em desenvolvimento que precisa de grandes quantidades de nutrientes e que podem estar diminuídos ou ausentes quando retiramos um grupo inteiro de alimentos de suas dietas.

Informação é importante para manter os vegetarianos saudáveis, pois consumir menos alimentos animais já é um grande passo da direção de uma saúde melhor. Bastam pequenos ajustes e escolher o momento adequado para praticar essa filosofia de vida. E se você é atleta e se pergunta se é uma boa opção virar ou permanecer vegetariano/vegano, aguarde o próximo artigo.

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13/04/2015 16h37

Futebol e suplementos, parte 2: suplementos para performance
Joan Emmanuelle Amato

Na primeira parte sobre futebol, falamos sobre hidratação e seu papel fundamental entre os atletas dessa modalidade esportiva (clique aqui para relembrar). Hoje, vamos falar sobre alguns suplementos e se existe benefício ou não no uso deles.

Por ser um esporte de explosão, o futebol requer muito das fibras musculares de contração rápida. Para ter energia de forma rápida, as fibras utilizam o sistema energético da fósforo-creatina. Assim, pensou-se que a cretina mono-hidratada poderia ser um bom suplemento para o futebol. Bem, os estudos são controversos. Um estudo diz que a creatina evita perda de força muscular durante a pré-temporada; outro mostra que seu uso não melhorou a performance atlética nos 90 minutos de jogo. Um terceiro estudo mostrou uma tendência à melhora da performance, mas somente em pessoas que têm certo grupo de gens que melhora a resposta delas ao uso de creatina. Ou seja, ainda não temos uma certeza do papel da creatina, apesar de muitos atletas ainda usarem, com ou sem orientação profissional.

Foto: Reprodução de Internet

A cafeína também é muito usada por esses atletas. Nós já sabemos que ela diminui a fadiga, aumenta a concentração. Mas, assim como a creatina, seu efeito não foi bem estabelecido no futebol. Um estudo de 2014 mostrou que a cafeína não melhora a resistência à fadiga em jogadores jovens. Outro trabalho diz que o estresse muscular pode ser piorado pelo uso de cafeína, dentro da faixa de dose aceitável.

O uso de beta-alanina, L-carnitina e aminoácidos de cadeia ramificada não alterou a performance nem os índices estudados, porém esses 3 suplementos agiram como anti-oxidantes. Apesar de não evitarem o dano muscular do exercício, houve diminuição do grau de dano durante essas suplementações. No caso dos BCAAs, ele foi recomendado principalmente para modalidades esportivas de intensidades diferentes, como o futebol.

Na ânsia de aumentar sua performance, muitas vezes os atletas consomem o que o colega está consumindo, desrespeitando seu organismo e correndo o risco de ser pego num teste antidoping. Tudo que entra no organismo do atleta é responsabilidade dele, portanto o cuidado com a procedência e o tipo de suplemento tem que ser enorme. Tudo deve ser relatado para a equipe médica do clube.

Também precisamos ter em mente que o suplemento que funciona para um, não necessariamente, vai funcionar para outro. Estudos recentes sobre a genética humana mostram, cada vez mais, que existem respondedores e não-respondedores. Isso vale tanto para alimentos, como para remédios e suplementos. Não só no futebol, como em todas as modalidades esportivas a até no nosso cotidiano. Poucos são os profissionais que falam sobre a interação genética com suplementos e alimentos. Mas é algo que precisa ser mais divulgado. Vamos aproveitar porque falar de ciência ainda não leva à suspensão. Ao contrário do Luxemburgo...

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06/04/2015 09h25

Futebol e suplementação - Parte 1
Joan Emmanuelle Amato*

O futebol é o esporte mais popular e mais praticado no mundo. Na Copa do Mundo de 2014, aproximadamente 3,4 milhões de torcedores compareceram às 64 partidas do Mundial no Brasil. Em termos atléticos, é um esporte de exercícios intermitentes e intensidade variável, sendo que, numa partida, 12% das atividades consistem em exercícios anaeróbios de alta intensidade, como corridas em explosão (ou sprint). Os jogadores da primeira divisão tem maiores períodos de atividade de alta intensidade que os de divisões inferiores. Durante uma partida, em média, o jogador realiza 1350 atividades diferentes, sendo que destas, 220 são em alta velocidade.

Milhares de crianças e pré-adolescentes tentam, todos os anos, ingressar em clubes de grande projeção, pois a fama e os altos salários dos jogadores profissionais são atrativos para muitas famílias humildes. Porém, nem sempre estar num clube é garantia que os jovens atletas vão ter acompanhamento médico especializado e uma equipe apara atender suas necessidades. Isso é preocupante, porque o calendário do futebol brasileiro não permite uma recuperação adequada entre as partidas e os treinos (o que aumenta a chance de lesões musculares e ósteo-articulares graves) e também afeta a recuperação do estado de hidratação dos atletas (o que pode ter impacto metabólico importante). Assim, muitas vezes a suplementação visa mais a recuperação muscular do que a performance atlética.

Quando falamos de futebol, precisamos falar de hidratação e temos que pensar no contexto: muitas vezes os jogos são à tarde, no calor e em locais de tempo úmido, o que afeta a regulação da temperatura corporal e leva à desidratação. Quando o atleta sua muito, perde peso, mas perde peso em água. Se ele perder 2% do seu peso, seu raciocínio já pode ser comprometido. O desempenho físico cai quando perde de 5 a 6% do peso. As habilidades específicas diminuem, como o drible; diminui a coordenação, elevando o risco de lesões; e diminuem os sprints, força e a velocidade. A desidratação afeta a função muscular, aumenta as cãibras e o risco de hipertermia.

Foto: Reprodução de Internet

A hidratação é um dos maiores recursos ergogênicos no futebol, pois tem impacto direto na performance atlética e na recuperação. Quanto mais próximo da hidratação ideal o atleta permanecer, melhor consegue se recuperar entre as partidas, pois a chance de lesão diminui. Consumir água é importante mas o consumo de bebidas esportivas que contêm glicose e sais minerais também é importante, já que no suor, perdemos sal e os minerais da bebida esportiva fazem essa reposição. Se o sal perdido no suor não é reposto, podemos ter cãibras, o que é muito comum de vermos nos jogos que vão para prorrogação ou cobrança de pênaltis.

Outra opção de reidratação é o uso pós-treino de leite desnatado com achocolatado. Essa combinação é muito semelhante aos suplementos de recuperação, com uma razão de 4g de carboidrato para 1g de proteína. O leite com achocolatado contém sódio, atua na recuperação muscular diminuído o dano causado pelo exercício e ajuda a reposição da energia muscular (síntese de glicogênio intra-muscular). Quando comparados, ele é tão eficiente quanto as bebidas esportivas e os estudos mostram uma tendência a maior tolerância até a fadiga nos atletas do sexo masculino. Além disso, ele pode ser mais barato do que suplementos de recuperação.

No próximo artigo, vamos abordar quais suplementos são usados para performance pelos atletas do futebol.

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30/03/2015 10h31

Alfarroba, o 'Denorex' dos chocolates
Joan Emmanuelle Amato

Páscoa se aproximando e não existe quem fique imune aos ovos de chocolate pendurados nos mercados. Se você está de dieta, então, é quase uma cena de filme de terror ter que passar por aqueles corredores e sentir a essência. Mantenha a calma, pois existe solução para a sua agonia dietética, um "Denorex" para o paladar.

A alfarroba é uma planta do Mediterrâneo, semelhante a uma vagem. Os doces provenientes da alfarroba são muito semelhantes ao chocolate, tanto em aparência quanto em gosto e uma das principais diferenças é que não contêm glúten, lactose ou açúcar. Ela apresenta esse gostinho doce porque tem mais carboidratos que o chocolate, mas, em compensação, tem menos gorduras, o que diminui suas calorias. Para quem não pode consumir cafeína por conta de gastrite ou enxaqueca, a alfarroba também é uma excelente opção, pois é isenta desta substância. Em comparação ao chocolate, tem mais fibras, auxiliando no funcionamento do intestino.

- Bicarbonato, o suplemento barato que ninguém te oferece

Foto: Reprodução de Internet

Mas vale a pena trocar? A alfarroba não é liberada por não ser chocolate, pois apesar de menos gorduras, ela tem mais carboidratos. O chocolate não é um vilão, muito pelo contrário. Chocolates com alta concentração de cacau são ricos em anti-oxidantes e em cafeína. Vamos lembrar que a cafeína é um termogênico natural e também tem ação anti-oxidante. A gordura dos chocolates, apesar de mais alta que nas alfarrobas, é gordura de origem vegetal, com alto teor de poli e monoinsaturados. Quanto mais cacau, menos leite na composição. Logo, alguns chocolates podem ser tolerados por quem tem intolerância leve à lactose.

Qual a recomendação? O que você gostar mais. É uma questão de paladar ou de necessidade. Mas não caia na armadilha de achar que alfarroba é livre de calorias e que, por não ser chocolate, você pode se entupir desse doce como se fosse a última Páscoa da sua vida! O coelhinho passa e o pneuzinho fica!

E se você se perguntou que "Denorex" é esse: foi uma marca de shampoo muito famosa nos anos 80, com o slogan "parece mas não é".