SRZD


17/03/2011 03h52

Análise do Carnaval 2011
Jorge Mendes

Entrando na seara do novo folhetim eletrônico global, pontuarei alguns assopros e mordidas proferidas pela entidades carnavalescas nos desfiles do Rio de Janeiro.

Jurados morderam, corretamente, os enredos do Salgueiro e Tijuca, assoprando o enredo da Beija-Flor, que também foi muito assoprada em fantasia, alegoria e, principalmente, na comissão de frente que errou bastante na 1ª cabine. Quanto a evolução e harmonia realmente foi perfeita.

Em evolução, Tijuca, Mangueira e Salgueiro, teriam de levar mordidas neste quesito, devido ao fato de seus respectivos abre-alas estancarem a escola por bastante tempo na fatídica curva da apoteose. Soube depois que dois carros do Salgueiro tiveram mesmo tipo de problema no 'joelho" do setor 1.

Acertaram na mordida das alegorias da Mangueira, que trouxe o abrea-alas desfeito pelo Serginho, além de ter diversos componentes de ala nos carros. Erraram na mordida da bateria que estava ótima e no sopro de nota dez nas fantasias. Mastigaram nas notas de fantasia e de alegoria do Porto da Pedra e da Vila Isabel.

Momentos mágicos? Desfile da Ilha, abre-alas e sapateado do Salgueiro, o rendimento do samba da Imperatriz, Carro da lady Godiva da Vila, empolgação da Mocidade, a lua do Porto da Pedra, os passistas da Portela, força da Grande Rio, o canto da Beija-Flor, alegria da São Clemente, comissão de frente, Harry Potter e Indiana Jones da Tijuca, e comissão de frente e a dança do casal da Mangueira.

No Grupo A, as mandíbulas trabalharam com tanta força que trucidaram os ótimos desfiles da Império da Tijuca e da Rocinha (7º e 9º lugares, respectivamente) e o retumbante desfile da Cubango (4º lugar). No Grupo B, bons ventos sopraram, trazendo justiça na vitória do Paraíso do Tuiuti.

Amigos internautas, em tantos anos acompanhando carnaval, não me lembro de haver apuração tão acirrada e emocionante como foi a do Grupo C, quando três escolas brigavam décimo a décimo pelo título, conquistado pela Vila Santa Teresa que, faltando dois quesitos a serem apurados, ocupava a sétima posição, imaginem vocês. Amigos meus que assistiram aos desfiles da Intendente Magalhães afirmam que foram coerentes, tanto a disputa acirrada, quanto a vencedora.


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01/03/2011 00h29

Confira a análise dos últimos ensaios técnicos
Jorge Mendes

Os três últimos ensaios técnicos serviram quase como uma confirmação de seus respectivos primeiros ensaios. Com a palavra, o canto forte aliado ao samba e a bateria.

IMPERATRIZ

A comissão de frente nada mostrou em relação a sua coreografia oficial. Diferentemente do casal de mestre-sala e porta-bandeira que mostrou bastante de sua dança. Maior cuidado deve ser tomado quanto à saída da cabine de jurados. Em uma das cabines, quando a dupla saiu estava de costas, atitude que pode ser mal interpretada pelo júri. O samba fluiu muito bem pelo desfile, contagiando componentes e público, impulsionado pela ótima bateria. O canto e a animação pela escola passaram fortes. A exceção foi a ala 27, onde havia muita gente calada.

BEIJA-FLOR

Confirmou-se a integração entre a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Na apresentação da comissão perante a primeira cabine aconteceram diversos deslizes e escorregões que ainda podem ser corrigidos. Também houve interferência e entrada de diretores de harmonia durante sua apresentação. Quanto ao bailado do casal, perfeito da entrada à saída, acompanhado de um item abstrato e tocante, que é a emoção. Assim como a escola que a antecedeu, o canto forte foi percebido por todo o desfile. Com exceção da ala Tom e Jerry, com elementos alcoolizados e muitas poses para fotos digitais.

UNIDOS DA TIJUCA

Conseguiu apresentar um desfile melhor que o primeiro, que já havia sido muito bom. Comissão de frente, emocionando e aplaudida, repetiu os truques do ano passado. Casal continua dançando o "fino". Harmonia perfeita e sem erros, aliando evolução e canto. Mantiveram filas na primeira e última fileira de cada ala, deixando todo o seu interior livre para os componentes brincarem com bastante energia. A bateria demorou um pouco para sair do primeiro recuo e deixou uma ponta de preocupação, mas que não influenciou no desfile arrebatador da escola. Novamente a Tijuca se credencia como uma das favoritas ao título. Porém, chovendo no molhado. Treinos são treinos, corridas são corridas. Que vença a melhor!

Bom carnaval a todos!


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22/02/2011 00h39

Análise dos ensaios
Jorge Mendes

Não consigo conter minhas palavras diante dos ótimos ensaios técnicos das três escolas atingidas pelas chamas. Muito tem se comentado sobre o efeito colateral que afetará os jurados, caso fossem julgadas. O colega internauta há de concordar comigo quando afirmo que faz parte da função de cada jurado julgar com total isenção, seja por pena de incêndio, seja por chuva ou por nome/peso da escola. Eles são pagos para exercer essa função através dos critérios de julgamento contidos no manual do jurado. Tenho certeza de que nenhum diretor ou componente iria reclamar de perda de décimos (bem justificados) nos quesitos afetados pelo incêndio. Reparem que não preenchendo a nota, deixando a justificativa também em branco, deduz-se que a nota foi a máxima (dez)...Ora, então a nota estaria sendo dada, pois não?

PORTO DA PEDRA

Comissão de frente fazendo já alguma coisa do desfile oficial, pois toda a coreografia está marcada com o carro da comissão que evidentemente não foi levado ao ensaio. Casal fez uma bela apresentação, sem se abalar pela perda da sandália da porta-bandeira. Impressionante a força do canto de toda a escola, não comprometendo a harmonia e a evolução. Destaque para a interessante coreografia dos guarda-chuvas. Pontos a melhorar: excesso do pessoal de camisa tanto na frente da escola como nas laterais, coisa que pode aumentar muito no desfile.

PORTELA

Comissão de frente bem comunicativa, fazendo já quase tudo do oficial. Casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação perfeita, sem erros, com saída muito bem executada. Como a escola anterior, o componente portelense cantou o samba a pleno pulmões. Destaque para ala de passistas mirins, sem excesso de coreografia, com garbo e, o melhor, sambando muito. Pontos (ainda) a melhorar: a ala de meninos das pipas continuam calados e andando como no primeiro ensaio.

INOCENTES DE BELFORD ROXO

Comissão de frente bem alegre e comunicativa, precisando "limpar" certos desenhos coreográficos, coisa facilmente resolvida. O casal de mestre-sala e porta-bandeira apresentou uma dança correta. A porta-bandeira pareceu um tanto nervosa, embora possuidora de um belo sorriso e ótimo par. Com exceção da ala que seguia o abre-alas, toda a escola cantou muito o alegre samba de irreverente enredo. Destaque para ala das crianças, passistas que deram show e a força do canto da velha guarda. Pontos a melhorar: falta de empenho de alguns da harmonia.

VILA ISABEL

Segundo ensaio da Vila não foi igual ao primeiro....foi muito melhor! Melhor, e sem diminuir a alegria que permeou todo o desfile; desde a comissão de frente, o casal de mestre sala e porta-bandeira, com apresentação intocável, sem mencionar com estonteante bateria. Tudo "regado" com animação evolução e folia. Destaque para ala 20. Pontos a melhorar: Ala 31, de nariz de palhaço, com fileiras emboladas.

GRANDE RIO

Mesmo sem fantasias e elementos cenográficos a comissão de frente foi perfeita, muitíssimo bem ensaiada. O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma bela apresentação, sem se melindrar com o chapéu solto do mestre sala. Perfeitos. Como foi o fim de semana do canto forte, a Grande Rio não foi exceção, mantendo o volume do canto do início ao fim. Destaque para o pessoal do carro 2 e o emocionante momento em que os componentes soltaram os balões simultaneamente. Pontos a melhorar: diretor entrando no meio da ala que tinha camisa cinza.


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16/02/2011 13h06

Análise dos ensaios
Jorge Mendes

Amigo internauta, desculpe. Devido a prioridade das notícias relativas às chamas na Cidade do Samba, tive de adiar os comentários da semana passada, acumulando agora breve resumo de ensaios técnicos de oito escolas de samba.

IMPÉRIO SERRANO

Mesmo tratando-se de ensaio, o coreógrafo, Gabriel, não deveria entrar no meio da comissão de frente para passar instruções, principalmente, na frente à cabine de jurados. O casal de mestre sala e porta-bandeira apesar do incômodo vento desempenhou sua dança com desenvoltura; tendo apenas o cuidado de não conversar com seu par, mesmo sendo na saída, como a Andréia fez. Impulsionada pelo excelente samba, a grande maioria dos desfilantes cantou bem; destacando-se a ala 20; já o mesmo não acontecendo com as alas 5 e 21. Pontos a melhorar: apenas alguns passistas masculinos sambaram, femininos se resumiram a trejeitos corporais.

IMPÉRIO DA TIJUCA

Ocorreu o mesmo que a comissão de frente da Portela quando um tubo-surpresa não estourou, o do componente que estava fantasiado de califa também não. Lembrando sempre ser um detalhe mínimo, mas que pode ser fatal na perda de preciosos décimos, da alegre e bem entrosada comissão. O casal de mestre sala e porta-bandeira fez uma apresentação um tanto contida, aquém do que sabem fazer, saindo de costas para o "júri", coisa que certamente um jurado rigoroso não iria perdoar. Certamente que no desfile terão esse cuidado de não se repetir. A escola passou espalhando energia, canto e alegria como a ala 12 até a velha guarda. Bateria dando show junto com passistas. Pontos a melhorar: ala 16 não cantava.

SALGUEIRO

Percebia-se claramente que a comissão de frente trará diversos desenhos coreográficos e, pelo espaço deixado no meio, deve trazer um elemento cenográfico. Sei que não se trata do figurino do desfile, mas foi até um pouco engraçado o fato de uma cartola de um componente da ótima e bem ensaiada comissão de frente não caber na cabeça do componente (Marcelo), que teve um ótimo jogo de cintura (ou seria de cabeça) para não deixar transparecer tal incidente; servindo de alerta porém que cada peça a ser usada deve ser bastante experimentada bem antes do desfile. Desta vez, o experiente casal de mestre sala & porta-bandeira me pegou pelo pé (ou pela boca) por não me deixar perceber qualquer diálogo, pelo fato de o Sidclei estar usando máscara do homem aranha. Parabéns pela "silenciosa" apresentação. Alegres baianas chegaram ao requinte de trazer figurino diferente do 1º ensaio. O samba rendeu muito, contagiando a escola e o canto dos componentes, destacando as mariposas, passistas, Madame Satã, alas 24 e 25. Pontos a melhorar: ala 22 que não cantou e, no final, as harmonias entrando no meio das alas.

SÉO CLEMENTE

Comissão de frente bem alegre comunicativa e coordenada, trazendo diversos elementos alegóricos. Não sei se foi proposital para experimentar toda a diversidade de adereços, mas sua apresentação perante a 1ª cabine foi um tanto demorada.

Baianas alegres e comunicativas. Tanto o 1º quanto o 2º casal de mestre sala e porta-bandeira fizeram belas apresentações, mostrando excelente entrosamento. Passistas com excesso de coreografias, sem demonstrar o principal (samba no pé). Destaque para a ala dos guarda-chuvas e ala arco-íris. Pontos a melhorar: falta uniformidade na harmonia.

UNIÉO DA ILHA

A comissão de frente, já fez quase tudo do oficial, deu um show de sincronismo, coreografia, dança, ilustrando toda a paixão do pesquisador ao observar de perto cada animal que representavam. Com a mesma desenvoltura do 1º ensaio, o casal de mestre sala e porta-bandeira apresentou-se muito bem. Sei que é ensaio, mas tira muito da elegância e garbo o uso do chiclete, usado pela porta-bandeira. Também a harmonia deve ficar atenta ao enorme espaço que se formou entre a comissão e o casal. Mesmo sem fantasias, foi muito prazeroso assistir a apresentação do cardume e dos sapos que, pulando alternadamente, pareciam pular muito mais alto do que a realidade. Toda a Ilha desfilou sem perder uma de suas principais características que é a alegria. Pontos a melhorar: apenas os passistas masculinos sambavam.

ESTÁCIO

A alegre comissão de frente cometeu pequenos erros de sincronia, perfeitamente contornáveis para o desfile. Com coreografias repletas de movimentos bruscos, espero que sejam compatíveis com o figurino. O casal de mestre sala e porta-bandeira executou uma apresentação perfeita, desde a entrada no júri até a saída. Bateria de ritmo forte e estonteante impulsionando o canto de toda a escola, mesmo os destaques e composições, passistas e ala de chapéu de palha. Pontos a melhorar: ala Badalo Forte que passou calada.

MOCIDADE

A sincronizada comissão de frente serviu de guardiã do casal de mestre sala e porta-bandeira que fez uma ótima apresentação. Mesmo com o carro de som saindo do recuo um pouco antes do ideal, todo o ensaio foi contemplado pelo canto forte das baianas (de roupa de laise verde-limão), assim como das alas comunidade 6, 12, 15 e, se redimindo do 1º ensaio, ala Oba-oba que cantavam a plenos pulmões. Pontos a melhorar: a ala de passistas, ainda na 1ª cabine, parecia cansada.

MANGUEIRA

Fica até difícil falar sobre esse último ensaio técnico da verde e rosa que, embora ainda reduzida de tamanho em relação a ensaios anteriores, passou como se fosse o desfile oficial; tal a força do canto de cada setor, da maravilha de apresentação do casal de mestre sala e porta-bandeira, dos passistas e das baianas. Destaque para ala  1, 19, 26 e 27. Pontos a melhorar: no desfile oficial, é fisicamente impossível colocar 18 a 20 componentes por fila, como fez a ala 10.


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31/01/2011 15h31

Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes

Porto da Pedra

Embora a coreógrafa tenha afirmado não ter sido a oficial, a comissão de frente apresentou vários desenhos coreográficos com muita versatilidade e alegria. O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma boa apresentação, porém ocultando ainda muita coisa do desfile oficial, pois sei e vi que o casal rende muito além daquilo que foi apresentado (talvez a saia estivesse um pouco desconfortável). No início do desfile, o bom samba foi muito cantado pelos componentes; depois foi alternando com alas cantando muito e se esbaldando como as alas de crianças e a Guardião do Tigre 2, contra a ala atrás do carro 5, onde quase ninguém cantava. No geral foi um bom ensaio. Pontos a melhorar: na ala de passistas apenas os masculinos sambavam, enquanto as mulheres exageravam nos trejeitos e coreografias, sem sambar. Com certeza vão ensaiar melhor no próximo.

Portela

Diferente da escola anterior, a alegre comissão de frente apresentou bastante coisa de seu desfile oficial, fazendo até desenho de barco com os corpos, que levantou o público presente. Acredito que não utilizem no oficial, mas nesse ensaio os componentes da comissão utilizaram tubos-surpresa (aqueles que estouram, lançando fitas e papéis coloridos). Particularmente, acho um certo risco, pois se um deles não funcionar, como o do Cláudio, pode significar perda de preciosos décimos). O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma perfeita apresentação, mostrando técnica, alegria e harmonia do par. Interessante observar que as saias das baianas já mostravam certo efeito de redemoinho, retratando o que irão representar no desfile oficial. Mesmo não sendo um samba de explosão foi muito cantado pelas alas e entrosado com a excelente bateria e, não poderia deixar de mencionar, o show da ala de passistas mirins. Pontos a melhorar: a penúltima ala de jovens piratas com pipas de águia que simplesmente se negavam (ou não sabiam) cantar o samba.

Santa Cruz

A alegre e comunicativa comissão de frente fez uma bela apresentação, arrancando bastante aplausos dos presentes. Não sei se faz parte da apresentação oficial, porém temo pelo fato de, ao deixar um componente fazer sua performance, todo o restante dá uma recuada significativa, podendo ser mal interpretada com algum jurado rigoroso. O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma bela e tranquila apresentação, um pouco séria, mas eficaz. A escola fez um ensaio alegre e descontraído, porém poucos da harmonia (os com fones) desempenhavam sua função, acarretando falta de canto em determinadas alas como ala atrás da que usava chapéus brancos contrastando com a maioria das demais alas como a elegante velha guarda. Outro a se destacar foi jovem casal mirim Jeferson e Edna que deu show. Pontos a melhorar: a já citada falta (poucos) na direção harmônica.

Beija-Flor

Tenho quase certeza de que a comissão não fará uma roda para que o casal de mestre-sala e porta-bandeira se apresente no meio, como foi feito no ensaio, casal esse que apresentara uma dança digna de aplausos...soberbos. Não seria nenhuma novidade dizer que o ensaio foi permeado do início ao fim pelo canto, a pleno pulmões de seus componentes; sem diminuir, nem mesmo ao final quando ameaçou a atravessar, devido à distância do carro de som. Senti falta das famosas alas coreografadas/dramatizadas do Hilton (estariam guardando para o próximo ensaio?). Mesmo tratando-se de um ensaio, acho que deveria se evitar que a harmonia entrasse pelo meio das alas como ocorreu (pelo menos três diretores)  entre as fileiras das baianas. Pontos a melhorar: ala das crianças veio cantando muito, mas com cerca de 25/26 crianças por fila, ficaram emboladas, atrapalhando sua evolução.

Vila Isabel

A comissão de frente apenas apresentou a escola na 1ª cabine. O casal de mestre-sala e porta-bandeira deu outro show em sua apresentação, exibindo diversas coreografias muito bem ensaiadas e com harmonia de corpos e gestos. Não sei se será possível apresentar no desfile oficial, mesmo porque acho bastante arriscado o momento em que a Rute gira a bandeira com o mastro a poucos centímetros do chão. Além do risco de tocar o chão, não sei se o figurino vai permitir. Do resto, o que mais dizer do impecável desfile, harmonia e evolução da Vila? Passou com o mesmo canto forte de algumas rivais, trazendo porém algo que não se pode ensaiar madrugada a dentro... a ALEGRIA AO DESFILAR. Nisso, a Vila foi imbatível, mesmo nas alas coreografadas como as das gueixas, passistas, e, principalmente, a ala 26 que contagiava e emanava energia por onde passava. Pontos a melhorar: que a comissão apresente algo, mesmo extra oficial, para o público no próximo ensaio.


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24/01/2011 23h23

Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes

CAPRICHOSOS DE PILARES

Comissão de frente bem alegre. Embora tenham negado, na minha opinião já mostrou alguma coisa de seu desfile oficial quando apresentou um jovem fazendo "street dance" em frente à primeira cabine de "jurados". O casal de mestre-sala e porta-bandeira apresentou-se dignamente. Mostrando um certo nervosismo, perfeitamente normal, no início de sua apresentação. Destaco a apresentação e canto do intérprete Thiago Britto. A elegante galeria da velha guarda e o pessoal dos carros coreografados, pois, o restante da escola não demonstrou, nem de perto, a alegria, evolução e canto, que tem sido características em seus desfiles oficiais. Como a grande maioria de seus componentes não sabia o samba, tornou-se um desfile extremamente irregular. Nem mesmo as crianças no final da escola demonstraram força no canto. Não entendi o figurino de um grupo coreografado no início do ensaio com roupas sujas e esfarrapadas. Usando perucas e rostos sujos se justificaria se estivessem fazendo uma alusão aos mendigos, nunca aos hippies.

UNIÉO DA ILHA

Alegria! Essa foi a palavra que permeou todo o desfile da escola. Desde a comissão de frente que apresentou o cientista, Charles Daewin, pesquisando e se encantando com cada espécie de animal, passando pelas baianas, pelas formigas e outro grupo que representará alguns seres aquáticos. Sem mencionar a maravilhosa ala de passistas que provou que poder cantar e sambar, esbanjando alegria. O samba e a bateria renderam bem, impulsionando todos os componentes e a platéia.

Pontos a melhorar: espaço considerável entre comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, que se apresentou de forma digna e suave. Ala 26 juntando grupinhos para fotos e bate boca entre componentes da velha guarda, da ala que a seguia e da direção de harmonia.

RENASCER DE JACAREPAGUÁ

Comissão de frente fez uma apresentação ultra-rápida, nada revelando de seu desfile oficial. O  casal de mestre-sala e porta-bandeira apresentou-se bem, também demonstrando um pouco de nervosismo perante a primeira cabine. Fiquei curioso: como as passistas conseguem sambar loucamente, lá do alto daqueles saltos plataforma gigantescos? A escola fez um desfile correto, com intérprete seguro e tendo seu samba na boca da grande maioria de seus componentes, principalmente das alas com lenços vermelhos e brancos e de camisa branca no final. Pontos a melhorar: quase ninguém cantava na ala de camisa vermelha e branca, logo atrás das baianas.

GRANDE RIO

Comissão de frente com bastante elementos coreográficos (oficiais), indicando haver surpresas, transformações e/ou trocas de figurino. Mesmo com a entrada prematura da bateria na pista, deixando as últimas alas quase sem som, principalmente pelas longas paradinhas execitadas, à minha frente não ocorreu o atravessamento. A escola cantou muito o gostoso samba (com destaque para ala comunidade 11), atingindo e incentivando o público presente. O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação correta, mas um pouco prejudicada pelo vento forte que soprava no momento. Me atrevo a dizer que, de todos os ensaios técnicos da Grande Rio, o do último domingo foi um dos melhores, se não o melhor apresentado por ela.

Pontos a melhorar: na ala 19 quase ninguém sabia o samba.

Curiosidade: todo o desfile da Grande Rio, além da harmonia da escola, foi acompanhado por pessoas usando coletes dourados da Gaviões da Fiel.

MANGUEIRA

Comissão de frente parece ter apresentado algo do desfile oficial com um elemento de chapéu branco representando o homenageado Nélson Cavaquinho. Se for verdade, o que me antecipara o coreógrafo, que o casal de mestre-sala e porta-bandeira não apresentaria nada do oficial, imagino se apresentasse... a sintonia, graça, leveza e simpatia com que o casal se apresentou encheu os olhos de quem os observava...ainda bem que me incluo nesse grupo.

Quanto ao desfile é incrível como os componentes abraçaram o samba, que tem a cara da escola. O que só eleva a qualidade da harmonia de canto. Quanto ao desfile, lançaram mão dos tradicionais e eficazes postes de luzes vermelhas e azuis. No canto, destaque para ala 30 e ala das crianças que cantavam sem poupar os pulmões.

Pontos a melhorar: Ala 19 tirando fotos e ala 24 com parte dos componentes (acreditem) dançando "créu".


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17/01/2011 18h12

Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes

ALEGRIA DA ZONA SUL

A escola abriu os desfiles de sábado com uma abertura espetacular. Com a palavra, a comissão de frente. Muito bem ensaiados, o grupo apresentou para o público e para a cabine de jurados diversos desenhos coreográficos sem esquecer de apresentar a escola. Raramente assisti a uma comissão se apresentar cantando o samba naquele nível de força e volume (nos ensaios noturnos nos dias de semana na Sapucaí, eles se dão ao luxo de ensaiar sem qualquer auxílio de som). O coreógrafo, Patrick, ainda comenta que tudo aquilo foi preparado apenas para o ensaio. Uma pena que tal volume de canto não tenha sido repetido pelos demais componentes, tornando o canto/harmonia bastante irregular.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação correta, porém, na minha opinião, calcada num certo excesso de coreografia em relação à letra do samba. Fico temendo que no dia oficial não haja tempo suficiente para tudo o que apresentaram. A porta-bandeira, Naninha, dançou irradiando simpatia, postura e sorriso. Seu par, frente à primeira cabine demonstrou um certo cansaço.

Firme bateria e excelente ala de passistas. Muito bom canto e alegria da ala 25; pena não ser acompanhada pela embolada ala 9 e ala 20 que passou calada. Apontei esses deslizes (facilmente contornáveis) até com certa dificuldade, por ter ficado embevecido pelo maravilhoso samba, muito bem puxado, por sinal.

VIRADOURO

Apesar de haver descido para o Grupo A, a Viradouro desfilou com toda a estrutura do Especial. Toda escola cantou o ótimo samba com muita alegria e vigor, desde a elegante velha-guarda até a rodopiante ala de baianas. Outros pontos positivos foram: a bateria e a perfeita dança/harmonia/brilho do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Robson e Ana Paula (casal 20 do samba), assim como todo o chão da escola. Ponto a melhorar foi a ala de passistas que em frente à primeira cabine não sambaram, só saltaram. A comissão de frente, como a maioria das escolas, nada apresentou perante à cabine, apenas fazendo marcações e tradicionais palminhas.

IMPERATRIZ

Pareceu-me que alegre e comunicativa comissão de frente apresentou alguma coisa de oficial. Apesar de uma breve apresentação, o novo casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma boa exibição, enaltecendo a bela fantasia branca/prata. Foi uma grata surpresa o modo com que o samba se encaixou com a excelente bateria, energizando a escola e todos os componentes, principalmente a ala das baianas e a ala 23. Que refrão maravilhoso foi aquele. Ponto a melhorar: apenas metade dos passistas sambava.

CUBANGO

Acho que o asfalto molhado acabou limitando bastante a apresentação tanto da comissão de frente, quanto do casal de mestre-sala e porta-bandeira que acabou fazendo uma apresentação contida. Bateria firme também bem "casada" com samba e intérprete. Excelente grupo de passistas, abrindo mão do excesso de coreografias, mantendo o samba no pé. O canto foi quase que uniformemente entoado pelos componentes, principalmente pelas alas 12, 13, crianças, 18 e 19. Ponto a melhorar: ala 8 - pessoas batendo papo e outras tirando fotos.

MOCIDADE

Seguida de um grande carro abre-alas, composto de gerador, luzes e destaque, a comissão de frente apenas ficou fazendo marcações. Apesar de um pequeno problema com a saia da fantasia da porta-bandeira, o casal de mestre-sala e porta-bandeira apresentou-se muito bem; ignorando o tal incidente. O canto da escola foi soberbo, não se abalando, mesmo ficando longe da bateria que, na minha opinião, foi puxada muito à frente da escola (logo após o setor 1 de desfile), acarretando o bom e velho atravessamento do canto nos últimos setores. Muito interessante a colocação, em cada divisão de setores, de tripés com indicação do setor, ladeados de um casal de passistas, cuja ala vinha dando um show de samba. Ponto a melhorar: ala Oba-oba cuja maioria dos componente vieram "só no chiclete"...literalmente!

UNIDOS DA TIJUCA

Embora sendo uma coreografia "fake" (apenas para os ensaios técnicos) a comissão exerceu sua função de apresentar a escola, animando o público com uma coreografia alegre e comunicativa. Coreografia oficial?... agora aprendi... é segredo! O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação sem defeitos e suntuosa, com muita suavidade e sem atropelos, pois lançou mão de guardiães brecando qualquer aproximação de fotógrafo ou alguém que atrapalhe a apresentação.

Quanto ao resto do ensaio, queria fazer um pedido ao colega internauta: "Quer fazer o favor de avisar a alguém da diretoria da Tijuca que ainda estamos na fase de ENSAIO?" Pois o que vi foi um desfile oficial sem fantasias. Confesso que severamente fiquei catando ala ou componente sem cantar o samba, sem conseguir. Pensei até que obtive sucesso ao enxergar uma senhora de costas, se apoiando numa bengala. Para minha (feliz) decepção, ela se vira para mim, ergue a bengala, e grita "Eu sou Tijuca, estou em cartaz!!!" Avassalador!!!


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10/01/2011 15h47

Opinião sobre os ensaios técnicos
Jorge Mendes

Sabemos perfeitamente o quanto é prazeroso escrever, comentar e debater um assunto, principalmente quando o mesmo faz parte de nosso "habitat". Desta forma, inicio minhas resenhas dos ensaios técnicos já dentro de 2011. Relembro aos colegas internautas que minhas observações partem de um único ponto de visão que é à frente da 1ª cabine de jurados, situada entre os setores 3 e 5 da passarela. Relembro também que todos nós estamos cientes de que o ideal é que os erros aconteçam exatamente nestes ensaios para que, sendo corrigidos, não se repitam no desfile. (o amigo Guga Melo bem lembrou que, em 2010, por exemplo, após ensaio repleto de erros, a Grande Rio fez um desfile impecável e vibrante no dia principal).

ROCINHA

Atrasado pelo emocionante e envolvente desfile dos casais de velha-guarda e das baianas, o desfile da Rocinha, na minha opinião, despontou como a grata surpresa da noite; pois além de ter sido a 1ª escola da noite foi a 1ª da temporada; desdenhando o fato, fazendo um desfile alegre, correto impulsionado pela ótima bateria, firme intérprete, e um samba muito cantado, que se encaixou perfeitamente ao seu desfile, já conquistando o público presente. Não vejo como ponto negativo o fato de um ou outro componente passar com a letra na mão, pois mostra que o mesmo está interessado em aprender a letra; ao contrário de outros que passam calados, coisa que não ocorreu na Rocinha.

Comissão de frente bem alegre, trazendo elementos alegóricos (bandejas com garrafas coloridas), mesmo não sendo a coreografia oficial, nada apresentou perante a 1ª cabine, pois foi logo puxada à frente para a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, que se apresentou sem erros. O ponto alto foi a alegria com que todos os componentes passaram até mesmo o pessoal que vai desfilar nos carros e a velha-guarda.

SÉO CLEMENTE

Comissão de frente nada fez perante a cabine, só iniciando a coreografia quando foi mais à frente para que o casal de mestre-sala e porta-bandeira fizesse sua precisa apresentação, que nem parecia ser a primeira da dupla na avenida, tal seu entrosamento. Baianas evoluíram bem, porém não cantavam o samba, com grande maioria calada e séria. Reconheço que por tratar-se de um ensaio, deve-se evitar excesso de rigidez, para que o componente solte sua alegria; no entanto, temos que aproveitar o ensaio também para simular o mais próximo possível do desfile principal. No setor 2 (como no setor 6 azul) havia alas com 18/20 componentes por fila que além de ser impossível ocorrer no desfile, devido ao volume da fantasia, tira exatamente a liberdade do componente. A ala à frente da bateria nem fila tinha; era uma massa de gente; que se justificaria se fosse a ótima ala de bloco de sujo no final. Muitos diretores de harmonia, mas poucos exercendo muito bem a função. Os passistas deram um verdadeiro show de samba e de alegria em sintonia com a ótima bateria.
SALGUEIRO

Tenho quase certeza de que a comissão de frente apresentou algo já do desfile oficial. Se não forem os elementos coreográficos vai ser a alegria de sua apresentação, que misturava o filme "Cantando na chuva" com elementos cariocas. A apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira foi bem interessante. Inicialmente, foi uma apresentação perfeita, mas mesmo não conseguindo fazer leitura labial, percebi que ocorreu algo de errado pois o casal começou a dialogar, incrivelmente, com a boca estampando um largo sorriso, num truque muito bem realizado para que tal diálogo não fosse percebido. (Vou tentar descobrir as falas. Se descobrir, passo aos colegas). O excelente samba fluiu maravilhosamente, sem cansar, em um casamento perfeito entre puxadores, bateria e componentes que passaram alegres e cantando bastante. Sei que os "puristas" não irão gostar, mas está mais do que provado que, assim como o samba/bateria, o visual (indumentária preto e branco das baianas) aliado à coreografia (compositores imitavam gorila)/teatralização (o malandro se transformando em Madame Satã) conta muito no desfile e agora também no ensaio técnico. Como "efeito colateral", achei que os passistas estavam com excesso de coreografias, deixando de lado o samba no pé. Outro ponto a melhorar foi o excesso de componentes nas alas com  fila de 18/20. Isso aconteceu nas alas Noite na Lapa, Tucano, e na Tudo acaba em carnaval. No geral, foi um ótimo ensaio, fechando essa primeira noite. Tenho certeza de que a dupla de carnavalescos Renato & Márcia Lage nos prepara outro kit de surpresas para o desfile.


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04/11/2010 17h06

Protótipos
Jorge Mendes

Paralelamente às escolhas dos sambas enredos para o carnaval de 2011, começa o burburinho dos ateliers e barracões no preparo de seus protótipos, que são modelos de cada fantasia de ala a ser apresentada no desfile. Conta a lenda que esse tipo de evento teve seu início ainda nos anos 80, obviamente sem todo esse aparato e envolvimento de hoje em dia. Nos últimos anos, algumas escolas desistiram de fazer esse tipo de  festa/show por diversos motivos: certas surpresas eram reveladas, falsas expectativas eram criadas e surgiam críticas muitas vezes geradas por pessoas que não haviam assistido ao desfile, ou mesmo através de duas ou três fotos divulgadas. Cientes de que algumas roupas sofrem modificações e implantando algumas restrições (proibindo fotos e/ou filmagens), algumas escolas estão voltando aos poucos com a referida festa que é muito bem recebida, principalmente pelos desfilantes que voltam a antever ou escolher sua fantasia para o próximo carnaval.

Das que assisti, pude constatar que o nível subiu bastante em relação às fantasias de 2010.

Mangueira (Mauro Quintaes & Wagner Gonçalves) realizou sua festa de protótipos com a tradicional passarela onde os modelos apresentaram as fantasias muito bem acabadas, predominantemente (óbvio) o verde e rosa. Em tons pastéis, o enredo foi claramente apresentado e desenvolvido pelos carnavalescos. Calcados quase que totalmente nas obras de Nelson Cavaquinho, os setores estavam leves, e de muito bom gosto. Destaque para ala do sol e baianas (Folhas Secas) e para o narrador que comentava as fantasias sem recorrer a qualquer leitura.

Grande Rio (Cahê) aboliu a passarela e apresentou uma nova maneira seus protótipos. Colocou as fantasias em manequins (bonecos) já na ordem de desfile atrás de um imenso cortinado. É medida em que abria cada setor, surgiam as fantasias, devidamente explicadas pelo próprio carnavalesco.
Bastante aplaudido, o 1o setor representava a bruxa protetora de cada elemento da natureza da Ilha de Florianópolis: roupas de efeitos cenográficos, com cada elemento em um tom de cor.  As  demais representavam folclore, lenda, natureza, cultura e esporte da ilha, terminando com um grande carnaval "bruxólico" como disse Cahê. Tudo com muito colorido, volume e bom gosto. Destaque para as baianas (arraias) e boitatá de fogo, todo em vermelho e de forte apelo visual.

União da Ilha (Alex de Sousa) lançou mão de outra maneira de apresentação. Com a quadra às escuras, montou três mini palcos brancos circulares que acendiam no momento em que cada fantasia subia, sendo acompanhado de um foco de holofote. Com o enredo sobre Charles Darwin sobre evolução da vida, todo o desfile transcorreu sem qualquer tipo de narração nem de roupa nem setor, nem desfilante. A escola apostou na leitura que as roupas proporcionariam. Com a divisão das espécies em anfíbios, aves, insetos, répteis e mamíferos, todos os presentes foram capazes de uma imediata leitura de cada roupa. Bastante originalidade, colorido, aliadas ao bom gosto, as fantasias e setores eram acompanhados de bateria junto a diferentes ruídos, pios, rugidos e sons remetidos a cada gênero de animais. Os trajes pareciam sair de dentro de uma tela de desenho animado digital de gosto muito apurado. Destaque para o escorpião, pavão e tatu.

Imperatriz (Max Lopes) optou pelo tradicional desfile das fantasias na passarela. Todo o primeiro setor mostrou civilizações antigas como Indianos, Gregos, Chineses, etc, em tons de de rosa ao lilás, excetuando o Egito mais puxado ao ouro. Em seguida veio o setor das lendas e entes místicos já nas cores salmão e ocre, tudo com muito brilho holográfico e tecidos esvoaçantes. A Idade das Trevas foi mostrada com muitas cores, o mesmo ocorrendo com a Idade Média, Renascimento e as alas representando, microscópio e micro organismos. Adventos da medicina foi pontuado  com roupas com bastante elementos coloridos como as alas do  raio X, antibióticos e bactérias. Largando um pouco o tom sério do enredo, vieram as alas alusivas às enfermidades da era moderna como a gripe suína, representada por  um porquinho de arlequim, uma galinha, como gripe asiática, e a da vaca louca,  como uma vaquinha serelepe. Bom acabamento, utilizando quase  sempre plumas aparadas. As baianas representavam os banhos terapêuticos gregos, que, por estarem nas cores ocre, salmão e dourado, percebia-se que desfilarão no segundo setor.

Porto da Pedra (Paulo Menezes), como o próprio site informou, apresentou as roupas no salão nobre do Teatro Carlos Gomes  em manequins estáticos. A marca e característica de Menezes pode-se sentir logo nas primeiras alas e durante toda a mostra, com igual ou mais requinte do que as do carnaval passado. Setorizou o enredo através das peças, personagens e cores. Vou me abster de tentar descrever o material utilizado da grande maioria das alas, tal a gama de diversidade. Ousado (ou abusado), Menezes não deixou de detalhar cada roupa, na intenção de descrever seu significado.
O Noé, por exemplo,  além de ter sobre sua cabeça uma nuvem com raios e gotas de chuva, tinha em seu cinto pares de bichinhos de pelúcia. Outra que  chamou atenção pela originalidade foi a ala que representava  "a menina que viajava na corcunda do vento"...pois não é que conseguiram personificar o vento, que tinha forma a e até óculos de proteção, exibindo toda sua roupa em ráfia branca. Baianas de bruxas nas cores preto verde-escuro e laranja, acompanhadas de companheiros de profissão,na mesma cor, representavam "a Bruxinha que era boa". Setor medieval - todo em branco e prata - "A roupa do rei"  e "Dragão verde"; e, como não poderia deixar de ser, azul foi a cor referente à peça "O cavalinho azul" onde desfilará os músicos bandidos e a esperada ala infantil,cuja saia das meninas é formada por carrosséis. Bateria irá assombrar a todos, pois virá de fantasminha Pluft.

O internauta que tenha acompanhado algum destes eventos lembra de mais algum detalhe?  Alguém saberia qual escola foi a pioneira em desfile de protótipos?


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27/04/2010 16h23

Pérolas (ainda) de carnaval
Jorge Mendes

Com as realizações dos carnavais fora de época de Uruguaiana-RS e de Campos-RJ, nos quais atuei como jurado, obtive cenas e fatos interessantes e pitorescos que, além de incluí-los no livro que escrevo sobre bastidores dos desfiles, decidi compartilhá-los, já em primeira mão, com os colegas internautas.

Tanto em Uruguaiana como em Campos existe o quesito Abre-alas, que é julgado à parte do quesito Alegorias e adereços.

Cena 1 - Nos desfiles de Uruguaiana, você vê os carros alegóricos desfilando e percebe que todos se apagam e acendem o tempo todo. O caro internauta irá logo imaginar tratar-se de efeitos de luz, pois não? Negativo. Excetuando esse ano em que já houve alegorias com geradores, 95% das escolas são ligados à rede elétrica ao longo da avenida através de tomadas; ou seja, aquele acende-apaga nada mas é que chegada ao limite do fio da tomada, quando é desconectada e rapidamente religada em outra tomada 50m à frente.

Cena 2 - Em Campos existem os blocos (mini escolas de samba), as escolas de samba e os "bois", que são blocos locais, sempre com encenações de bois ao final. Pois bem, numa dessas encenações de boi, bem em frente à cabine de jurados, uma "diretora" já com algum grau de bebedeira, começou a brigar com o rapaz que atuava de dentro do boi e o expulsou de seu personagem. Como ninguém se prontificou a assumir seu lugar, ela, a poderosa, entrou dentro boi fumando cigarro. Devido ao seu grau de embriaguez, o "boi", além de liberar fumaça pelos olhos, rodava alucinadamente e, cada vez mais tonto, começou a chifrar todos os componentes ao redor. Sem nada enxergar, foi parar dentro da bateria que ficou totalmente dispersa fugindo das chifradas do boi.

No próximo episódio... destaques fora de série.


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03/02/2010 23h11

Os ensaios noturnos na Sapucaí
Jorge Mendes

Antes da análise do último fim de semana, gostaria de pontuar aos amigos internautas que já na reta final dos preparativos para o carnaval, a Sapucaí está cada vez mais repleta de ensaios noturnos nos dias de semana. O que são?

No cair da noite, começa uma aglomeração, a partir do portão de início de desfile, antecipado por carrocinhas de bebidas, pipocas e cachorro quente. Então, começam a surgir comissões de frente, algumas já com seus adereços ou carros, casais de mestre-sala e porta-bandeira (primeiros, segundos e até terceiros) e grupos ou alas com coreografia ou apenas para treinarem canto; tudo numa harmonia, parecendo até pertencerem a uma mesma escola.

Entretanto, em alguns momentos que alguns casais ou grupos ficam mais lentos e são "ultrapassados" por outro casal ou alguma comissão de frente. Sem problema, o grupo da frente pára e encosta no alambrado para o grupo de trás passar. A maioria das comissões de frente revela movimentos ou alguns "segredos" que não exibe nos ensaios com a escola completa nos fins de semana no Sambódromo.

Há momentos em que casais ou comissões são surpreendidos por aplausos vindos de operários que param seus serviços e ovacionam apresentações, como ocorreu recentemente com o casal da Mangueira, Marcela e Rafael.

Existem momentos pitorescos também quando um coreógrafo se distraiu por atender o celular e foi atropelado pela própria comissão de frente.

Fim de semana

Estácio - Bastante alegre e impulsionada pela excelente bateria, fez uma ótima e animada apresentação. Comissão bem ensaiada e percebe-se que vai trocar de vestimenta ou algum tipo de capa em sua apresentação. Casal de mestre-sala  e porta-bandeira  fez uma correta apresentação. O mestre-sala, porém, deve ter o cuidado de, no momento de sua apresentação para o jurado, não conversar com seu par.

Porto da Pedra - Mesmo com um samba que não faz parte dos melhores do grupo, os componentes  cantaram muito, não pecando na harmonia e mantendo a energia até o fim. Casal e comissão ótimos, bateria segura e carro de som forte e em sintonia com samba e com bateria.

Portela - Repetindo a excelente apresentação anterior, com algumas bossas e coreografias, no que se refere à excelente bateria, momento aliás que merece atenção da harmonia, pois, quando fez o desenho em que a rainha ia passando e erguendo os batedores, não percebeu que o grupo anterior avançara, causando um espaço, que logo foi ocupado. Casal de mestre-sala e porta-bandeira e comissão bem ensaiados, causando ótimo efeito em suas apresentações. Canto cada vez melhor tanto dos componentes como do intérprete Gilsinho.

Renascer - Muito bem estruturada e animada, a escola fez uma apresentação de "gente grande". Comissão bastante movimentada com muitos desenhos interessantes. Casal apresentou-se corretamente, descuidando apenas no final, dando as costas para a cabine. A qualidade do som do carro (técnica, não do intérprete) foi bem aquém do que devia. Tinha-se a impressão de como se o auto-falante estiva furado, causando um incômodo na reprodução. Canto excelente do contagiante samba.

Grande Rio - Já consertando muita coisa de seu primeiro ensaio, porém sofrendo com  destoante e imensa carreta de som, que não trazia auto-falante na parte da frente ou virados para frente, prejudicando bastante o canto da escola, ritmado pelo show de bateria comandada por Ciça. Comissão de frente retratando bem o enredo, mostrando a cara do samba carioca, e casal de mestre-sala e porta-bandeira de dança harmoniosa.

Vila Isabel - Assim como a Portela, a Vila confirmou com brilhantismo e garra o seu primeiro ensaio. Excetuando a comissão de frente que desta vez nada fez do seu desfile oficial, o restante da escola foi magnífico, diga-se canto, garra, casal de mestre-sala e porta-bandeira e, principalmente Tinga e mestre Átila, que formaram uma dupla harmônica e imbatível em suas áreas.


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26/01/2010 22h55

Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes

IMPERATRIZ

O objetivo do samba de "esquenta" não foi alcançado, pois além de muito demorado não animou o público, causando irritação na plateia. Ainda bem que o maravilhoso samba oficial para 2010 comprovou que sua linha melódica atrelada à letra, não menos brilhante, é competente para o desfile, mesmo havendo ainda um certo mal-estar entre a ritmada bateria e o irregular carro de som. No canto, a irregularidade foi bem menor, pois as alas que cantavam (a maioria) superaram os grupos nas alas que, além de não cantarem, paravam a evolução para tirar fotos digitais em diversas poses. Mesmo a coreógrafa da comissão de frente alegando que não seria a coreografia oficial, haviam tantos desenhos (belos) que não me surpreenderia se visse tudo aquilo no desfile. O casal de mestre-sala e porta-bandeira mostrou que estão muito bem ensaiados com uma dança harmoniosa. A escola fez um desfile compacto, sem abrir buracos, como é sua característica. Talvez, pelo ótimo samba, tenha criado muita expectativa pelo desfile, que no geral foi bom e, com certeza, vai corrigir os erros no próximo ensaio.

ROCINHA

Comissão de frente usou a mesma fala da coreógrafa da Imperatriz ao dizer que não era apresentação oficial. Suspeito que pelo menos 80% já seria. Dança indígena, retratando o enredo; porém havia uma componente que não estava em sincronia com os demais, comprometendo o conjunto. O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma bela e digna apresentação destacando muito a beleza da fantasia com a qual desfilaram. O samba de refrão forte e fácil foi muito bem puxado, melhorando muito sua performance. Bateria bem cadenciada e adequada à puxada do samba, bastante cantado pelas alas.

MANGUEIRA

Mais uma prova da eficácia dos ensaios técnicos, pois a escola melhorou bastante em relação ao seu primeiro ensaio. Com um samba cada vez rendendo mais, não cansando e impulsionando o desfilante pra frente, tem tudo para abrilhantar seu desfile. As famosas luzes piscantes ajudaram a harmonia não deixando abrir claros. Comissão de frente muito bem ensaiada e, de novo, apresentando quase tudo do desfile. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, agora, com algumas nuances diferentes em suas coreografias, parecia um único corpo dividido em dois, tal foi a sincronia e suavidade de seus passos. Uma apresentação magnífica que espero seja repetida no desfile. Bateria forte e firme em perfeito "casamento" com seu potente carro de som. Énico senão, que não tem como ser reprisado no desfile, foi o fato de alas dos últimos setores se apresentarem com fileiras com 18, 20 e até 22 pessoas cada, que por menor que seja a fantasia do desfile, torna impossível acontecer pela física.

UNIDOS DA TIJUCA

Avassalador! Esse foi o adjetivo que encontrei para traduzir o que foi aquele ensaio. Me perdoem os diretores de harmonia, mas como disse um amigo meu, a Tijuca parecia não precisar deles. Confesso que procurei alas ou grupos de componentes sem cantar ou mesmo sem evoluir... em vão. Assim como a Mangueira, o samba da escola do Borel parece se encaixar perfeitamente à escola, bateria, ao excelente carro de som, e também ao estilo de desfile da Tijuca, que, repetindo esse ensaio vai dar muito trabalho no domingo de carnaval. A comissão de frente afirma que não era coreografia oficial, o que acho difícil, mas... fazendo jus ao enredo: é segredo! O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez também uma apresentação perfeita e sem erros.


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19/01/2010 16h27

Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes

INOCENTES DE BELFORD ROXO

Bem compacta, a escola fez um ensaio correto e harmonioso. Embora algumas pessoas ainda não saibam o samba, a grande maioria cantou com bastante vontade. A comissão de frente passou um tanto tensa e errando algumas marcações, talvez por se apresentar com uma coreografia exclusiva para aquela noite, guardando a oficial para o dia do desfile. O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação digna e harmoniosa. Bateria passou bem. Destaque para a excelente ala de passistas, que da noite foi a que mais levou o samba no pé...

CAPRICHOSOS DE PILARES


Trazendo uma reedição de 1985 com um samba irreverente e bem "pra cima", a escola de Pilares tinha munição para abalar a noite. Entretanto havia momentos em que, por incrível que pareça, se ouvia mais o público cantando do que algumas alas da escola, tornando o canto irregular, com setores cantando e brincando, enquanto outros apenas andavam. Bateria muito bem marcada e comissão bem alegre e movimentada, já mostrando bastante coisa de seu desfile oficial. Casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma bela apresentação com bastante coisa nova, com cuidado de nem na saída, dar as costas à cabine do júri. Harmonia deve ter cuidado neste momento da apresentação do casal, segurando a comissão de frente pra que não abra aquele espaço grande como ocorreu.

UNIÉO DA ILHA

Juntamente com a Mocidade, a União da Ilha fez seu segundo ensaio técnico, provando sua eficácia, pois corrigiu bastante coisa do primeiro ensaio. Comissão se apresentou bem, mostrando também bastante desenho de seu desfile principal. O casal de mestre-sala e porta-bandeira deu um verdadeiro show de precisão, dança e sintonia. O samba rendeu bem mais do que em seu primeiro ensaio, com bateria forte e perfeita. A escola cantou bastante o samba, só diminuindo um pouco nas últimas alas.

SÉO CLEMENTE

Achei que para um enredo que fala sobre choque de ordem, a escola nas primeiras alas veio muito burocrática, tentando manter com alguma rigidez as alas enfileiradas, "engessando" o componente. Apesar de não ser um samba forte, as alas, em sua maioria, cantara bastante. Com a intenção de não abrir o espaço entre a ala da frente e o mestre-sala e porta-bandeira, a harmonia daquele local interrompeu a apresentação do ótimo casal perante a primeira cabine, que, se fosse pra valer, perderia décimos preciosos. No último setor do ensaio foi onde apareceu a animação harmonia e evolução peculiar da escola. Bateria muito boa, com puxador fazendo bonito na sua estreia na Sapucaí.

VIRADOURO

Boa apresentação com componentes mantendo o canto do início ao fim, mesmo não tendo um samba de letra de fácil assimilação. Bateria dando um show com suas paradas, bossas e desenhos. Parabéns Jorjão. Comissão de frente com bastante desenhos e movimentos, parecendo ser muita coisa do desfile oficial. O experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ana Paula e Robson, fez uma apresentação bem elaborada. Não sei se fará parte de sua apresentação oficial, mas, em certo momento, o casal se aproxima um do outro, e, num momento de sedução, dá um sensual beijo na boca. Pergunto aos amigos internautas: o que acham desse gesto? Seria um risco de perda de pontos? Você como jurado penalizaria? Gostaria de destacar também a excelente apresentação do segundo casal (Vanderson e Carla) que nem sempre é apreciado pelo grande público e pela mídia.

GRANDE RIO

Excetuando a falta de fantasias e de alegorias, já parecia o desfile oficial, até mesmo pela quantidade de pessoas com camisas à frente da escola. Muito se falou do enredo e do samba, que rendeu muito bem, pelo menos até a metade de seu desfile que, até agora, foi o de maior contingente. Bateria de mestre Ciça veio muito bem, fazendo paradas e coreografias que levantaram o público presente. Comissão de frente apresentando sambistas/passistas com uma mulata, mostrando toda a essência do enredo. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, mesmo trazendo fantasias pesadas (do desfile de 2009), fez uma apresentação digna. No entanto, na metade de seu desfile, iniciou-se uma correria, com uma sucessão de abertura de buracos. A pior parte ficou por conta da correria. As alas pararam de cantar o samba, quebrando toda a harmonia de seu desfile. Assim como Mocidade e Ilha consertaram os erros de seus primeiros ensaios, acredito que a Grande Rio também o faça.


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12/01/2010 16h46

Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes

Finalmente, chegou a temporada de 2010 dos ensaios técnicos. Muito bom ver e rever amigos e escolas. Considerei ter sido o fim de semana dos carros de som.

PARAÍSO DO TUIUTI

Foi com muita animação que a Paraíso do Tuiuti abriu a segunda parte da temporada de ensaios técnicos para o carnaval 2010. Impulsionada pelo ótimo samba e o vigor da voz de Anderson Paz, a escola de São Cristóvão nos brindou com um desfile muito alegre, aliás, como foi o oficial de 2009. Casal de mestre-sala e porta-bandeira, bem entrosados, não se atrapalhou com o peso da roupa e fizeram uma apresentação digna. O fato de algumas alas estarem ainda aprendendo o samba e a pouca quantidade de componentes não tiraram o brilho da apresentação da bateria que cumpriu maravilhosamente sua função de acompanhar samba e intérprete, deixando de lambuja a alegria e contagiando o público.

* Peço desculpas aos amigos internautas por não ter condições de comentar a comissão de frente da escola, pois ainda estava sob impacto da emoção de assistir a Renatinha (coreógrafa) vir à frente da escola e, o melhor, sendo responsável pelo desenho coreográfico da comissão, mesmo sob condições físicas adversas. Essa demonstração de tamanha perseverança faz-nos pensar de como damos importância e nos estressamos com coisas tão insignificantes na nossa vida. Parabéns à Renatinha e à diretoria da escola pela sua contratação.

PORTO DA PEDRA

A competente Alice Arja, coreógrafa da comissão de frente, preparou  uma apresentação exclusiva para o ensaio. Mesmo não se apresentando em frente à 1ª cabine, a comissão ia arrancando aplausos no seu percurso com apresentação bem movimentada. Havia até uma "arara" com roupas que iam sendo trocadas nas apresentações.

O canto das alas foi irregular, com algumas cantando bastante, e outras não. Cena interessante aconteceu em uma ala, em pleno desfile, em que um grupo de "componentes" faziam poses para fotos digitais, pediam para ver como as fotos ficavam e, quando não gostavam, pediam para repetir. Um absurdo ! O casal de mestre-sala e porta-bandeira, bem entrosados, ensaiados e apresentados como sempre, foi perfeito. Luizinho Andanças também cumpriu muito bem seu papel com sua potente voz, mesmo com um samba sem muito "poder de fogo".

PORTELA

"Maldito" Mestre de bateria, Nilo Sérgio! Fez com que sua bateria causasse meu segundo arrepio da temporada de ensaios para o carnaval 2010. Não esperava que o samba fluísse de forma tão magnífica; talvez pela química de alegria + vontade + bateria + carro de som. E que carro de som! Comissão de frente já com alguma coisa do desfile oficial, apresentou-se bem, assim como o casal, Lucinha e Rogerinho, que a seguia. O único ponto negativo, que pode perfeitamente ser corrigido, foi a falta de um harmonia entre a comissão e o casal, causando um grande espaço entre os mesmos, o que, com certeza, não seria perdoado pelo júri oficial. O canto foi forte e uníssono, mesmo nas alas afastadas da bateria.

SANTA CRUZ

Com samba de refrões fortes e melodia exuberante, a Santa Cruz passou muito bem, embora ainda haja muitos componentes sem saber a letra do samba. Comissão de frente bastante movimentada e teatralizada, já mostrando quase tudo de seu desfile oficial. É primeira vista, pareceu-me ser pessoas de épocas remotas, assustadas com o cenário atual. O que seriam ? Casal bem sintonizado, também demonstrando desenhos de dança um pouco diferentes de outros anos. Lógico que trata-se de um ensaio, mas deve a porta-bandeira Cíntia evitar, no desfile oficial, falar com seu par durante a apresentação perante o "júri". Provida de ótimo carro de som e bateria harmoniosa, a escola fez com que o samba fluísse bem e alegre durante o ensaio.

MOCIDADE

O magnífico ensaio da Mocidade fez com que, além de brindar todos com sua energia, nos demonstrasse realmente a eficácia dos ensaios técnicos, porque, percebendo e aceitando as críticas, reduziu quase a zero os erros cometidos no seu primeiro ensaio do mês passado, mexendo em seu carro de som e também no andamento do samba e da bateria. O canto conseguiu suplantar o do primeiro ensaio, que tinha sido muito forte. O do último ensaio manteve-se forte até nas últimas alas com a bateria bastante distante. Destaque para a velha guarda que de todas as escolas até hoje foi a que mais cantou o samba.

Desta vez, a comissão de frente apresentou bastante elementos de seu desfile oficial, e o casal, Fabrício e Cristiane, já parecia ter muito tempo juntos, tamanha era sua desenvoltura e entrosamento.

SALGUEIRO

Logo nos primeiros acordes do samba, puxados pelo fantástico trio ou quarteto do carro de som, além do forte refrão, o Salgueiro prometia fechar com chave de ouro o último fim de semana. A escola cantou bastante o samba, inferior, porém, à Mocidade. Havia alas que desfilavam destilando alegria e dança, porém não seguida por outras, fazendo com que o desfile ficasse irregular. Na minha opinião particular contribuíram para essa irregularidade a não simetria de quantidade de componentes por fila. Por menor que seja a fantasia no dia do desfile, é impossível desfilar perfilado em fileiras com 18 até 21 pessoas, como aconteceu em algumas alas. Outro revés, que espero não acontecer no desfile, é bate-boca seguido de briga e palavrões trocados por diretores, pois, além de quebrar a harmonia no local, tira toda autoridade de sua função como"arrumador" da escola. Casal de m sala e p bandeira fez uma apresentação de muito garbo e elegância. Não tenho certeza, mas acho que a comissão apresentou bastante coisa de seu desfile oficial, mesclando com detalhes exclusivos para o ensaio. Achei bastante válida a ideia e quase toda a apresentação da ala de escravos. Muito bem maquiados de preto, com chagas e feridas bem delineadas. Apenas no final de cada apresentação achei que houve uma super-exposição de seu coreógrafo, que achei totalmente desnecessária. Embora a arquibancada não acompanhasse o canto do samba na íntegra, seus componentes, ao contrário, o cantavam até a última linha.


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23/12/2009 01h03

Análise dos ensaios técnicos
Jorge Mendes

UNIDOS DE PADRE MIGUEL

A Unidos de Padre Miguel veio do Grupo Rio de Janeiro I (ex Grupo B) como a Acadêmicos do Cubango. Ela fez seu primeiro ensaio técnico na Sapucaí com maestria e competência. Pela minha ótica, pareceu ser a escola que maior número de contingente trouxe até agora, empatando ou perdendo por pouco pela Vila Isabel.

A escola cantou bastante o samba-enredo sobre o aço, excetuando as primeiras alas onde ainda havia gente com a letra na mão. Repito que não acho isso nenhum demérito, pois além de ser ensaio, prova que os componentes desejam aprender o samba.

Comissão de frente bem simpática apresentou-se bem, já mostrando alguma coisa do desfile oficial. O casal de mestre-sala e porta-bandeira não foi avisado do momento de se apresentar para o "jurado" pelo diretor, que também não os alertou no segundo momento. A bateria apresentou-se muito bem, mantendo o ritmo, animando seus componentes do início ao fim. Destaque para a excelente ala de passistas que distribuiu samba, graça e energia em sua apresentação.

UNIÉO DA ILHA

Já antes de seu desfile, a União da Ilha já vinha sendo saudada pelo público presente nas arquibancadas do Sambódromo. A bateria do mestre Riquinho não os decepcionou, trazendo paradinhas, bossas e coreografias. O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação digna e sem erros, com cuidado de, em nenhum momento dar as costas ao "jurado". Comissão de frente preparou uma apresentação exclusiva para o ensaio, cumprimentando o público com alegria e apresentando a escola.

O canto da escola não acompanhou a força e a energia da bateria e do carro de som. Com a volta da Ilha ao Especial, acho que todos presentes esperavam um pouco mais do canto e da alegria com que a Ilha costuma desfilar. Não sei se foi intencional, mas percebi que os componentes ocupando a ponta das fileiras das alas cantavam e evoluiam bastante; o mesmo não acontecendo com o contingente do meio. Lembrando sempre que se trata de um ensaio, no geral, a União da Ilha fez uma apresentação agradável.

IMPÉRIO DA TIJUCA

Com um maravilhoso samba sobre rainha Ginga, o Império da Tijuca prometia fazer um retumbante ensaio, principalmente pela belíssima apresentação de sua comissão de frente, com maquiagem e traje especiais para o ensaio. A equipe do coreógrafo Jr. Scapin não decepcionou. Já com algumas marcações de andamento do desfile oficial, o grupo levantava o público por onde passava e, na frente da 1ª cabine, se deu ao luxo de passar várias coreografias diferentes, talvez testando a melhor a ser apresentada no desfile oficial. Parabéns ao grupo.

A ótima e experiente dupla de casal de mestre-sala e porta-bandeira, Mosquito e Jaçanã, fez uma apresentação simples, um pouco contida, talvez causada pelo vento que insistia em soprar muito naquele momento. Também contida foi a alegria dos componentes que pouco cantaram o excelente samba puxado, pelo não menos excelente Pixulé, acompanhado pela ótima bateria do mestre Capoeira.

BEIJA-FLOR

Como quase sempre, a soberana de Nilópolis fez um ensaio correto, levando a sério, cuidando de cada detalhe, já como se fosse o desfile oficial. A comissão de frente pareceu já fazer alguns desenhos do desfile oficial, trocando a maioria de seus componentes, inclusive, o transformista Kaika Sabatela, que regressou para uma ala coreografada, fazendo a tradicional troca de roupa.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha, fizeram uma apresentação correta, cumprindo cada item do critério de julgamento de seu quesito, com muita graça e leveza, sem ser perturbados pelo vento. O casal era acompanhado de guardiões que, além da função de resguardar o casal, ainda vão ter uma coreografia com algum tipo de capa, que ainda precisa ser mais ensaiada assim como seu posicionamento no momento de apresentação do casal.

Além de várias alas com coreografia, assistimos a outras teatralizadas, sendo a dos calangos a que mais chamou atenção por vir com caracterização, fazendo uma interação com público. Samba bastante cantado pela escola e bem acompanhado pela ritmada bateria.

UNIDOS DA TIJUCA

Trazendo uma comissão de frente bem jovem e movimentada, a Unidos da Tijuca abriu seu ensaio dando um prenúncio do estaria por vir. Pareceu-me que a comissão se apresentou mostrando alguns traços de sua coreografia, deixando o resto para o desfile; fazendo jus ao enredo...é segredo!

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marquinhos e Geovanna, mesmo trazendo uma fantasia pesada de desfile, fez uma apresentação correta, mostrando o entrosamento de sempre.

O que mais posso falar do desfile, além da avassaladora onda de energia, canto e ritmo da bateria? Samba, estilo de desfile, bateria e puxador se encaixaram de tal forma, que contagiava até os sisudos seguranças da Sapucaí. Eu, equivocadamente, iria falar sobre fileiras de alas com 18/20 pessoas, mas me sopraram no ouvido dois versos do samba: "...Cuidado, o que se vê pode não ser, será?" Parabéns Tijuca, pelo ensaio emocionante e apoteótico.. se fizer o dever de casa....


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