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Rio Encena

Rio Encena

TEATRO. Com conteúdo do site RioEncena.com.br, vamos trazer notícias, entrevistas e prestação de serviços sobre espetáculos dos mais variados estilos e gêneros em cartaz no Rio de Janeiro.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



19/10/2016 09h26

Marcos Caruso sobre primeiro monólogo da carreira: 'Foi um convite do público'

Marcos Caruso é do tipo que deixa a vida o levar. Pelo menos na profissão. O ator paulista, de 64 anos, está em cartaz no Teatro Maison de France, no Centro, com o espetáculo "O Escândalo Philippe Dussaert", o primeiro monólogo dos seus mais de 40 anos de carreira. Justamente por não ter o hábito de planejar os passos seguintes no trabalho, ele precisou esperar todo esse tempo para fazer seu primeiro solo no teatro, o que acabou acontecendo de maneira inusitada.

Marcos Caruso. Foto: Divulgação

Três senhoras - sendo duas donas de uma galeria de arte e outra, diplomata - assistiram à montagem original em Paris e decidiram comprar os direitos do texto do francês Jacques Mougenot. Na volta para o Brasil, chegaram à conclusão de que Caruso seria o ator ideal para interpretar um palestrante que fala sobre pequenas mentiras a partir da história de Philippe Dussaert, um exímio pintor copista francês que reproduzia obras de artistas como Leonardo Da Vinci, Édouard Manet e outros.

"Elas ficaram entusiasmadas, compraram o texto, vieram no avião pensando em quem poderia fazer e me escolheram", conta Caruso, em entrevista ao Rio Encena.

Outro ponto que foge do lugar comum nessa peça - que tem direção de Fernando Philbert - acontece antes mesmo de soar o terceiro sinal. Em vez de surgir já no palco, como acontece em quase 100% das peças, Marcos Caruso recepciona os espectadores na entrada do teatro. A ideia, como conta ele, é se aproximar mais dos espectadores fora da peça. Além disso, o ator falou um pouco mais sobre seu personagem e fez um balanço da temporada, em relação a público e crítica. Só não topou falar muito sobre o final surpreendente do espetáculo. Confira a entrevista abaixo.

Acha que o primeiro monólogo da sua carreira chegou em boa hora? Como surgiu essa oportunidade?

Eu não esperava. Na verdade, nunca pretendi fazer um monólogo. Não sou assim de desejar fazer um musical, uma peça de William Shakespeare... As coisas vão acontecendo conforme vou vivendo. Um monólogo não estava nos planos e aconteceu por acaso. Foi um convite do público, de certa maneira. Geralmente, o ator é convidado por autores, diretores... Mas, dessa vez, três senhoras, que não têm nada a ver com teatro, assistiram ao espetáculo em Paris, ficaram entusiasmadas, compraram o texto, vieram no avião pensando e me escolheram. Uma delas traduziu o texto para o português. Nós nem nos conhecíamos, foi uma escolha delas. Acharam que eu seria o ator ideal e entraram em contato. Mas chega um momento que, obviamente, é uma hora boa. Já são 43 anos de carreira, quando você já tem uma segurança maior para estar sozinho no palco. Mas eu não estou nem chamando de monólogo, mas sim de solo coletivo. Eu falo com a plateia porque a peça é uma palestra. Não é uma coisa totalmente solitária.

Qual é o seu maior desafio nesse espetáculo? É estar sozinho no palco pela primeira vez, é o texto em si de um autor estrangeiro...

Um pouco de tudo. O fato de estar sozinho, não no sentido da solidão, mas de não ter num outro ator um interlocutor. Em 1h15 de peça, é preciso estar presente e se vendo de fora, preocupado com o andamento, com o ritmo do espetáculo, com a memorização do texto, se não pulou alguma parte, ocupar o palco com a tua energia. Existe uma cobrança maior porque não tem com quem dividir. Não me preocupa ficar sozinho no palco, no camarim. Recebo as pessoas na porta, o que já é prazeroso, vou dividindo a solidão com a plateia... Por outro lado, não pelo texto ser estrangeiro, porque a temática é universal, mas acho que o desafio é fazer um espetáculo inteligente, investigativo, que leva à reflexão, com humor. É uma peça que diverte. Não é comédia, mas tem humor. E a plateia raciocina junto sobre um escândalo sem precedentes na arte contemporânea. É gostoso saber que a plateia vai da reflexão ao riso.

Você falou que recebe o público na porta do teatro em vez de aparecer direto no palco. Essa ideia foi sua, da direção?

Essa ideia partiu de mim, da minha necessidade de ver quem está na plateia. A peça é uma palestra. Sou eu olhando para o público. Se eu desse uma palestra na minha casa, abriria a porta para receber as pessoas. Depois que todos estivessem acomodados, eu faria a palestra. A diferença é que acontece no teatro, que é minha segunda casa, muitas vezes a primeira. Então nada mais natural do que receber o público como se estivesse na minha casa. Vou olhar nos olhos das pessoas. E em vez de olhar todas juntas, olho uma por uma e as deixo muito felizes. É uma comunhão.

E que tipo de interpretação você procurou adotar para essa peça?

A montagem se utiliza de um mote, que é arte contemporânea, para falar dos pequenos escândalos que existem no cotidiano. Escândalos políticos, econômicos, policiais, sociais. Mentiras do tipo: "Será que essa obra vale essa fortuna?". "Será que isso é arte mesmo?". Ou então: "Por que o metro quadrado no Leblon é mais caro?". Falamos das pequenas mentiras. Nesse sentido, você ri, se diverte, mas não é uma comédia escrachada. É sofisticada e inteligente.

E o fim do espetáculo é surpreendente, não é? Teria como adiantar alguma coisa sobre esse desfecho?

É um golpe de teatro. É surpreendente nesse sentido. Não é um golpe que vem do nada, é algo dentro da própria peça. As peças que têm esse tipo de golpe são as que fazem com que uma pessoa diga a outra: "Gostei do espetáculo e ainda tem uma coisa no fim que não vou contar". Faz com que o boca a boca se torne uma progressão. Mas não posso falar mais.

Qual balanço você faz dessa temporada até agora em relação a público, crítica?

Sensacional. O teatro é longe de um chamado circuito do Leblon, da Zona Sul... É um dos melhores teatros do Rio de Janeiro, mas fica no Centro. Mas na porta, tem estacionamento Vallet, VLT, metrô. São facilidades que ajudam a levar público. Eu fico impressionado. E, inicialmente, parecia ser um título estranho. As pessoas podem errar a pronúncia, mas isso não é importante. E também, muitas vezes, o pessoal não gosta de monólogo, o que me levaria a crer que começaríamos com um público pequeno. Mas essa tese logo caiu por terra. Começamos bem, com sessões lotadas. Para um monólogo, acho muita coisa. Foi surpreendente, e eu fiquei muito feliz. A peça é um sucesso.

E planos a curto prazo?

Estamos estreando a segunda temporada da "Escolinha do Professor Raimundo" (TV Globo). Também na Globo, estou gravando uma minissérie  do Bruno Mazzeo que se chama "Filhos da Pátria", com estreia para novembro. E em abril começo a gravar uma novela das 7, chamada "Pega Ladrão". No teatro, fico com essa peça até março. Depois vou ter que parar por causa das gravações.

SERVIÇO

Local: Teatro Maison de France
Endereço: Avenida Presidente Antônio Carlos, Nº 58 - Centro.
Telefone: (21) 4003-2330
Sessões: Quinta e sexta às 20h; sábado às 21h; domingo às 18h
Período: 01/09  a 18/12
Elenco: Marcos Caruso
Direção: Fernando Philbert
Texto: Jacques Mougenot
Classificação: 12 anos
Entrada: R$ 25
Funcionamento da bilheteria: Terça e quarta entre 13h30 e 19h; Quinta a domingo a partir das 13h30
Gênero: Comédia
Duração: 80 minutos
Capacidade: 353 lugares



12/10/2016 09h37

Paulinho Gogó volta ao Rio de Janeiro com apresentações únicas

Em excursão pelo país, com passagens por cidades como Maringá (PR) e Botucatu (SP), entre outras, Paulinho Gogó volta ao Rio de Janeiro na próxima semana para duas apresentações. Interpretado por Maurício Manfrini, comediante carioca de 46 anos - que possui quadros na Rádio Tupi e no programa "A Praça é Nossa" (SBT) - o personagem contará seus "fatos venéreos" no dia 21 (sexta) na Areninha Carioca Hermeto Pascoal, em Bangu; e no dia 22 (sábado) no Imperator - Centro Cultural João Nogueira, no Méier. Ambas às 21h.

Paulinho Gogó. Foto: Divulgação

Sozinho no palco, Paulinho Gogó mistura ficção e realidade para dividir com público passagens hilárias de sua história. Em seus relatos - muitos exitosos, mas outros nem tanto - o malandro está sempre acompanhado da esposa Nêga Juju e dos amigos, Biricuticu e Luiz Perna-torta. Outra marca registrada do personagem é o famoso bordão que resume seu show: "Quem não tem dinheiro conta história".


SERVIÇO

ARENINHA HERMETO PASCOAL

Endereço: Praça Primeiro de Maio, S/Nº - Bangu.
Telefone: (21) 3463-4945
Sessão: Sexta-feira (21/10) às 21h
Classificação: 10 anos
Entrada: R$ 80 (inteira); R$ 40 (meia); R$ 30 (para os 150 primeiros que chegarem)
Gênero: Comédia
Duração: 90 minutos
Capacidade: Não informado

IMPERATOR

Endereço: Rua Dias da Cruz, Nº170 - Méier.
Telefone: (21) 2596-1090
Sessão: Sábado (22/10) às 21h
Classificação: 10 anos
Entrada: 1º lote (Limitado): R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia); 2º lote: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia)
Gênero: Comédia
Duração: 90 minutos
Capacidade: 642 lugares

* Segundo informações do teatro e/ou da produção do espetáculo



11/10/2016 15h01

Bruce Gomlevsky volta a interpretar Renato Russo após cinco anos e explica motivação: 'Mostrar às novas gerações'

O 11 de outubro, sem dúvida, é marcante para Bruce Gomlevsky. Nesse dia em 1996, ele soube da morte de um de seus ídolos de infância e adolescência: Renato Russo. Na mesma data, porém em 2006, ele estreou como protagonista do espetáculo "Renato Russo - O Musical". Já na próxima terça-feira (11) - em sessão apenas para convidados - o ator carioca de 41 anos volta aos palcos na pele do ex-líder da Legião Urbana para uma curta temporada no Theatro Net Rio, em Copacabana. Até 06/11, haverá apresentações de quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 19h.

Renato Russo - O Musical. Foto: Guga Melgar

Enquanto esteve em cartaz, de 2006 a 2010, o musical solo fez 349 apresentações em passagens por 40 cidades, tendo acumulado cerca de 200 mil espectadores. Já em premiações, foram três indicações no Prêmio Shel 2006, faturando o de Melhor Direção para Mauro Mendonça Filho; e mais três no Prêmio Eletrobrás do mesmo ano. Mas apesar dos números significativos, Bruce Gomlevsky, que canta 22 músicas, toca ao lado da banda Arte Profana e refaz todos os trejeitos de Renato no palco, decidiu sair do personagem por estafa e também pelo desejo de realizar outros trabalhos.

Mas depois de cinco anos de recesso, por quê voltar com o musical? Em entrevista ao RIO ENCENA, Bruce frisa duas razões: os 20 anos de falecimento de Renato e o desejo de voltar a propagar para novas gerações a obra do cantor e compositor, morto aos 36 anos.

"O espetáculo é o mesmo de 10 anos atrás (e a mesma equipe). Texto, músicas, marcações? Foi tão bem sucedido que é uma responsabilidade apresentar do mesmo jeito. Até para mostrar às novas gerações que eram crianças ou muito jovens e não assistiram. E desde que paramos, recebemos convites de todo o país para voltar. E aí essa data de 20 anos da morte dele serviu de gancho", afirma.

Dentro dessas novas gerações que não viram o musical nas primeiras temporadas, aliás, estão os filhos do próprio ator: Nicholas, de 13 anos, e Valentina, de 10. O fato de serem novos e não terem assistido ao espetáculo não os impede de gostar da obra de Renato Russo. A influência, claro, é do pai, fã confesso do músico.

"Eles conhecem e adoram. E a influência é totalmente minha, não poderia ser diferente (risos). Até porque qualquer jovem se identifica com a temática do Renato, que era um poeta. É fácil se identificar. Eu cresci ouvindo aquelas bandas dos anos 80, como Titãs, Barão Vermelho, mas sempre considerei o Renato um dos maiores poetas daquela geração. Li o livro do Arthur Dapieve (Renato Russo - O Trovador Solitário, 2006), que foi quando tive a ideia da peça. É a trilha da minha vida", destaca.

Na balança (literalmente)

Ainda sobre os motivos que pesaram para Bruce parar e depois retornar com o espetáculo, dois balanços chamam atenção. Primeiramente, é que nem a falta de patrocínio para a temporada no Net Rio - que a princípio é a única nessa retomada - foi mais forte do que a vontade de homenagear Renato Russo, trazendo seu legado à tona novamente no teatro.

"Foi na cara e na coragem, acreditando que vamos nos virar apenas com a bilheteria. Ainda tivemos que refazer o figurino e o cenário, mas não dá para ficar refém de patrocínio. Então resolvi bancar", conta Bruce, que recorreu a empréstimo bancário ao lado do diretor Mauro Mendonça Filho para viabilizar a peça.

Além disso, o cansaço que marcou Bruce nas primeiras cinco temporadas está prestes a voltar, mas não assusta. Para dar conta do desgaste de cada apresentação e ficar um pouco mais próximo do aspecto físico de Renato Russo, o ator já começou com uma preparação física específica e um severo regime (além de pintar o cabelo e a barba).

"Estou 10 anos mais velho em relação à estreia. Passei por um regime, estou cuidando do corpo e da voz? É um espetáculo muito atlético, que exige muito. É quase como correr uma maratona.  Perdi 8kg com o regime e perco uns 2kg a cada fim de semana de apresentações", encerra.

SERVIÇO

Local: Theatro Net Rio
Endereço: Rua Siqueira Campos, N°143 - Copacabana.
Telefone: (21) 2147-8060
Sessões: Quinta a sábado às 21h; domingo às 19h
Período: 13/10 a 06/11
Elenco: Bruce Gomlevsky
Direção: Mauro Mendonça Filho
Texto: Daniela Pereira de Carvalho
Classificação: 12 anos
Entrada: R$ 120 (plateia); R$100 (frisas e balcão I); R$80 (balcão II)
Funcionamento da bilheteria: Diariamente entre 10h e 22h
Gênero: Musical solo
Duração: 90 minutos
Capacidade: 622 lugares



06/10/2016 13h21

Projeto do DF apresenta no Rio e em Paraty espetáculo encenado dentro de ônibus em movimento

Quem pensa que espetáculos só podem ser encenados dentro de teatros, arenas ou lonas anda precisando rever os próprios conceitos. A fim de oferecer uma experiência inusitada ao público em geral, o projeto Teatro do Concreto faz duas curtas temporadas, uma no Rio de Janeiro e outra em Paraty, do espetáculo "Entrepartidas", que é encenado num... ônibus em circulação pelas ruas. Com trabalhos baseados em pesquisas sobre as relações entre teatro e outras linguagens artísticas como intervenção urbana e performance, o grupo do Distrito Federal busca com esta peça, que estreou em 2010, romper barreiras entre espaços públicos e privados.

Na capital, a montagem móvel estreia nesta sexta-feira (7), em Botafogo, onde ocorrem o embarque e o desembarque. As sessões acontecem sextas, sábados e segundas às 20h e domingos, às 19h. Já na cidade histórica do litoral sul fluminense, o Teatro do Concreto chega no dia 17 de novembro com locais de embarque ainda a serem definidos. Ao todo, serão 24 apresentações no Rio de Janeiro e quatro em Paraty, com ingressos a R$ 20. A estreia, porém, é gratuita para estudantes.

Entrepartidas. Foto: Divulgação

Ao longo da viagem, os espectadores conhecerão diversos personagens cujas histórias são pontuadas por breves instantes. Chegadas, partidas, saudades, desejos?

"A peça é um mergulho nas relações humanas e no espaço urbano. A partir de uma viagem pela cidade, queremos levar o espectador a uma viagem para dentro de si mesmo", explica o diretor Francis Wilker.

"Entrepartidas" foi vencedora do Prêmio Sesc do Teatro Candango em 2011 em quatro categorias: Melhor Espetaculo, Direção, Dramaturgia e Ator.

SERVIÇO

"Entrepartidas"

Elenco: Adilson Dias, Alonso Bento, Giselle Ziviank, Gleide Firmino, Jhony Gomantos, Lisbeth Rios, Maria Carolina Machado, Micheli Santini e Nei Cirqueira
Direção: Francis Wilker
Texto: Jonathan Andrade

RIO DE JANEIRO
Endereço: Rua General Polidoro, S/Nº - Botafogo (*em frente ao portão principal do cemitério São João Batista)
Telefone: (21) 7725-5278
Sessões: Sexta, sábado e segunda às 20h; domingo às 19h
Período: 07/10 a 14/11
Classificação: 16 anos
Entrada: R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Ingressos no local de embarque, com 30 minutos de antecedência
Gênero: Drama
Capacidade: 150 minutos
Duração: 29 lugares

PARATY
Endereço: A definir
Telefone: (21) 7725-5278
Sessões: Quinta, sexta e sábado às 20h; domingo, às 19h
Período: 17/11 a 20/11
Classificação: 16 anos
Entrada: R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Ingressos no local de embarque, com 30 minutos de antecedência
Gênero: Drama
Capacidade: 150 minutos
Duração: 29 lugares

* Segundo informações do teatro e/ou da produção do espetáculo



13/09/2016 16h37

Musical 'SamBRA' chega a teatro recém-inaugurado

Um verdadeiro passeio pelo centenário do samba, o musical "SamBRA - 100 Anos de Samba" faz uma curta temporada no recém-inaugurado Teatro Riachuelo Rio, na Cinelândia, onde fica entre esta terça-feira (13/09) e 30 de outubro, com sessões às terças e quintas às 20h e aos domingos, às 20h30. Com o cantor Diogo Nogueira no elenco, o espetáculo, escrito e dirigido por Gustavo Gasparani, homenageia e revisita a história do samba, desde "Pelo Telefone", considerada a primeira canção do gênero a ser registrada e gravada - o que marca o "nascimento" do samba - até a criação do Sambódromo. A montagem é uma co-produção entre Aventura Entretenimento e Musickeria.

Em duas horas e meia de peça, os atores/cantores, acompanhados de 11 músicos, encenam prólogo, abertura e 14 quadros que englobam cerca de 70 músicas cantadas e outras 25 que ligam as canções em formato de texto. No repertório, estão nomes lá dos primórdios, como Pixinguinha, Tia Ciata e Cartola, até outros tantos que ainda seguem na ativa, exemplos de Beth Carvalho, Martinho da Vila e Jorge Aragão.

Além dos desfiles de Carnaval, as cenas fazem referências a outros elementos pertinentes ao gênero. Entre eles, a Praça XI, considerado o berço do samba; os morros, a boemia e a malandragem cariocas; o teatro de revista; o samba politizado e o subúrbio do Rio.

Em passagens por capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Porto Alegre e Curitiba, "SamBRA" - um neologismo que une as palavras samba e Brasil - já foi assistido por cerca de 60 mil espectadores. Já mais dois milhões de pessoas puderam assistir de uma só vez à montagem no último Réveillón, na primeira oportunidade em que uma peça de teatro foi apresentada numa virada de ano em Copacabana.

Serviço:

Local: Teatro Riachuelo Rio
Endereço: Rua do Passeio, Nº38/40 - Cinelândia, Centro.
Telefone: Não informado
Sessões: Terça e quinta às 20h; domingo às 20h30
Período: 13/09 a 30/10
Elenco: Diogo Nogueira, Ana Velloso, Beatriz Rabello, Izabella Bicalho, Cátia Cabral, Charles Fernandes, Édio Nunes, Jorge Maya, Lilian Valeska, Mauricio Detoni, Milton Filho, Cristiano Gualda, Pablo Dutra, Patricia Costa, Patrícia Ferrer, Paulo Mazzoni, Shirlene Paixão, Simone Debett, Patricia Costa e Wladimir Pinheiro
Direção: Gustavo Gasparani
Texto: Gustavo Gasparani
Classificação: Livre
Entrada: Terça: R$ 80 (plateia VIP), R$ 60 (plateia e balcão nobre), R$ 40 (balcão); quinta e domingo: R$ 110 (plateia VIP), R$ 80 (plateia e balcão nobre), R$ 50 (balcão)
Funcionamento da bilheteria: Terça e quarta entre 12h e 20h; quinta a domingo de 12h até 1 hora após o início do espetáculo
Gênero: Musical
Duração: 150 minutos (com intervalo de 15 minutos)
Capacidade: 1.000 lugares



12/09/2016 12h09

Xô, crise! Com programação mais enxuta, Festival Encontrarte chega a Nova Iguaçu com sessões gratuitas

Já que ainda não se avista ao horizonte o fim da atual crise pela qual o Brasil passa, o jeito é se virar com o que se tem. E foi exatamente isso o que fizeram Claudinah Oliveira, Fabio Mateus e Tiago Costa, idealizadores do Encontrarte, considerado o maior festival de teatro da Baixada Fluminense, que será atração gratuita entre os dias 21 e 30 de setembro em Nova Iguaçu. Diante da instabilidade financeira do país, o trio se viu obrigado a reduzir consideravelmente o orçamento do evento, tanto que só tiveram a certeza de que a 15ª edição ia sair do papel apenas dois meses antes da cerimônia de abertura.

Em entrevista ao RIO ENCENA, Claudinah Oliveira admitiu que desta vez a dificuldade para erguer o Encontrarte foi maior, mas não chegou a ser novidade. Depois de realizar a edição de 2014 com 23 peças, além de outras atrações, o festival repete em 2016 o mesmo número de espetáculos do ano passado: 12. Ou seja, uma redução de quase 50%. No entanto, ela procura olhar a situação pelo lado positivo e vibra por ter conseguido, ao lado dos colegas que estão ao seu lado desde a primeira edição, realizar mais uma vez o festival que tem como objetivo formar novos públicos para o teatro e levar arte e cultura a quem pouco as consome.

Luiz e Nazinha. Foto: Divulgação

"A crise nos afetou. Tivemos redução nos patrocínios, e só há dois meses tivemos uma resposta positiva da Petrobrás (que já patrocina o festival há 10 anos). Então, fomos até o último segundo acreditando e ainda estamos esperançosos de que o Brasil vai superar essa fase", torce Claudinah, completando: "A sensação é de dever cumprido. Afinal, são poucos que conseguem chegar a 15 edições de forma ininterrupta".

Apesar das adversidades financeiras, porém, Claudinah afirma que nunca foi cogitada a possibilidade de cobrar ingressos para as sessões teatrais.

"Não pensamos nisso, pois a ideia é mesmo formar público. Vêm muitos jovens que ainda são estudantes e não têm o hábito de comprar ingressos. Oferecemos entradas a alunos das redes estadual e municipal, de escolas que não têm muito acesso à cultura. Nossa região também tem poucos teatros. Ao fim das sessões, perguntamos quem está num teatro pela primeira vez, e 30 a 40% dizem que nunca assistiram a uma peça. O desejo é de levar esse trabalho à frente", ressalta.

Crise à parte, mesmo enxuta, a programação do Encontrarte 2016 tem espetáculos para todos os gostos. Dentre 0s 12 espetáculos, seis possuem classificação etária livre. Inclusive o musical infantil "Luiz e Nazinha - Luiz Gonzaga Para Crianças", que abre as apresentações no Sesc Nova Iguaçu, no dia 22.

Além disso, o festival conta ainda com dramas ("Precisa-se de Velhos Palhços" e "Os Contadores") e comédias ("A Farsa do Amor Acabado" e "A Farra do Boi Bumbá"), além de artes circenses ("Mix Dux") e até uma obra de William Shakespeare ("Avesso").

No shopping

Em 15 anos, o festival acumula números que chamam atenção. Ao todo, foram 248 espetáculos, 31 oficinas de qualificação, 10 seminários e 51 homenagens a artistas. E para celebrar toda essa história, estão programadas duas atrações especiais no Shopping de Nova Iguaçu, ambas no dia 26. Às 16h, haverá uma exposição com fotos dos espetáculos apresentados no Encontrarte desde a primeira edição. Já às 18h, o público acompanha a Mostra E AI (EncontrArte Artes Integradas), que promove a integração de linguagens e gêneros, com diversos coletivos da Baixada dedicados a shows e performances de artes visuais, artes cênicas, literatura, fotografia e música.

Serviço:

Quarta (21/09)

Cerimônia de Abertura
Local: Complexo Cultural de Nova Iguaçu
Endereço: Rua Getúlio Vargas, nº 51 - centro.
Telefone: (21) 2667-6208
Início: 19h (*duração de 3h)
Obs: Com homenagens e coquetel

ESPETÁCULOS

Local: Sesc Nova Iguaçu
Endereço: Rua Dom Adriano Hipólito, Nº10 - Moquetá.
Telefone: (21) 2797-3001
Período: 21/09 a 30/09
Entrada: Franca

Quinta (22/09)

"Luiz e Nazinha - Luiz Gonzaga Para Crianças"

Início: 19h
Elenco: Aline Carrocino, Pedro Henrique Lopes, Martina Blink e Sergio
Somene
Direção: Diego Morais
Texto: Pedro Henrique Lopes
Classificação: Livre
Gênero: Musical infantil
Duração: 57 minutos
Sinopse: O musical Luiz e Nazinha mostra a infância de Luiz Gonzaga no
interior nordestino e a descoberta do amor. A proibição do namoro entre os
dois jovens faz com que vivam um romance às escondidas em terras
nordestinas. Ambientado no sertão nordestino, fábula, muito engraçada, do
amor inocente é costurada com sucessos do Rei do Baião.

Sexta (23/09)

"A Farsa do Amor Acabado"

Início: 19h
Elenco: Jessé Cabral, Nancy Calixto, Francisco Farnum, Eve Penha, Cesário
Candhi, Pedro Lages e Beto Gaspari
Direção: Marcos Covask
Texto: Cesário Candhí
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia
Duração: 60 minutos
Sinopse: O espetáculo traz sentimentos e comportamentos humanos para serem
vasculhados e colocados no palco com os elementos da cultura popular num
misto de realidade fictícia ou ficção realista.

Sábado (24/09)

"Ser ou? Não sei!"

Início: 19h
Elenco: Almir Rodrigues e Malu Saldanha
Direção: Júlio Venâncio
Texto: Malu Saldanha
Classificação: 10 anos
Gênero: Drama
Duração: 60 minutos
Sinopse: Duas "crianças" e muitas caixas. O que existe dentro daquela
caixa trancada? O que acontece quando saímos da caixa? Perguntas, dúvidas,
hipóteses, sonhos? Segredos e descobertas.

Domingo (25/09)

"Mix Dux"

Início: 16h
Elenco: Fabricio Dorneles e Lucas Moreira
Direção: Circo Dux
Texto: Fabricio Dorneles e Lucas Moreira
Classificação: Livre
Gênero: Comédia
Duração: 40 minutos
Sinopse: O espetáculo "Mix Dux é composto por uma seleção dos melhores
números do repertório do Circo Dux, lapidados ao longo de centenas de
apresentações no Brasil e no mundo.

Segunda (26/09)

Exposição Fotográfica - 15 anos de Encontrarte

Local: Shopping Nova Iguaçu
Endereço: Avenida Abílio Augusto Távora, Nº1111 - Luz.
Telefone: (21) 3812-1900
Início: 16h
Classificação: Livre
Gênero: Variedades
Duração: 180 minutos
Sinopse: Exposição reúne fotos de espetáculos teatrais que fizeram parte
do Encontrarte desde sua 1ª edição.

Segunda (26/09)

Mostra E AÌ

Local: Shopping Nova Iguaçu
Endereço: Avenida Abílio Augusto Távora, Nº1111 - Luz.
Telefone: (21) 3812-1900
Início: 18h
Classificação: Livre
Gênero: Variedades
Duração: 100 minutos
Sinopse: Mostra artísticas de integração de linguagens e gêneros, com
diversos coletivos da Baixada Fluminense, onde se apresentarão através de
shows e performances diversos através das artes visuais, artes cênicas,
literatura, fotografia, musica entre outros.

Terça (27/09)

"A Farra do Boi Bumbá"

Início: 10h
Elenco: Carla Meirelles, Getulio Nascimento, Juliana Santos, Julio Cesar
Ferreira, Nívea Nascimento e Renato Neves
Direção: Ribamar Ribeiro
Texto: Ribamar Ribeiro
Classificação: Livre
Gênero: Comédia
Duração: 50 minutos
Sinopse: A história se desenvolve em torno de um rico fazendeiro que tem
um boi muito bonito. Pai Chico, trabalhador da fazenda, para satisfazer a
sua mulher Catirina, que está grávida e sente desejo de comer a língua do
boi. Além da história do boi, a trama também traz pequenos contos do
folclorista Câmara Cascudo.

Terça (27/09)

"Avesso"

Início: 19h
Elenco: Bruna Lopez, Erika Monteiro, Getulio Nascimento, Gustavo Araújo,
Marcos Pinheiro e Nívea Nascimento
Direção: Renato Neves e Ribamar Ribeiro
Texto: William Shakespeare e Heiner Muller
Classificação: 12 anos
Gênero: Drama
Duração: 70 minutos
Sinopse: Inspirado em três textos de William Shakespeare: Romeu e Julieta,
MacBeth e Hamlet, espetáculo é o Avesso de Shakespeare numa visão
contemporânea.

Quarta (28/09)

"A Jornada de Kim"

Início: 10h
Elenco: Alexandre Francisco, Farley Matos, Laura Becker e Mika Makino
Direção: Diogo Villa Maior
Texto: Diogo Villa Maior
Classificação: Livre
Gênero: Infantil
Duração: 50 minutos
Sinopse: A jovem Kim descobre que sua mãe está doente e que há apenas uma
forma de salvá-la: encontrar a misteriosa Flor de Irauadí. Nessa busca, Kim
encontra diversos seres estranhos, que nem sempre tentam ajudá-la.

Quarta (28/09)

"Precisa-se de Velhos Palhaços"

Início: 19h
Elenco: Fábio Mateus, Felipe Villela e Johnny Rocha
Direção: Anderson Marques
Texto: Matei Visniec
Classificação: 12 anos
Gênero: Drama
Duração: 70 minutos
Sinopse: O espetáculo relata o encontro de 3 palhaços, amigos, em que
Nicollo, Felippo e Peppino destilam suas angústias, seus cansaços, suas
lembranças, enquanto aguardam uma oportunidade de emprego.

Quinta (29/09)

"Os Contadores"

Início: 10h
Elenco: Débora Rodrigues; Tamara Innocente; Cleyton Diirr; Rafael Reis;
Matheus Meira; Gisele Silgom , Vinícius Dominguez e Michel Ramos
Direção: Angelo Faria Turci
Texto: Angelo Faria Turci
Classificação: Livre
Gênero: Drama
Duração: 50 minutos
Sinopse: Montagem resgata o encontro entre o contador de histórias e o
ouvinte. Uma emocionante combinação entre atores, objetos e música ao vivo.

Quinta (29/09)

"Joio"

Início: 19h
Elenco: Gabriela Estolano, Maíra Zago, Higor Nery, Leandro Fazolla e
Vinicius Baião
Direção: Vinicius Baião
Texto: Vinicius Baião
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama
Duração: 55 minutos
Sinopse: "Joio" conta a história de Jéssica, adolescente que tem a
trajetória de sua vida alterada a partir do agravamento da dependência
química de sua mãe.

Sexta (30/09)

"Dom Pedro II, o Imperador Carioca"

Início: 10h
Elenco: Martina Blink, Horácio Storani, Ricardo Kennupp, Teka Ballutt,
Larissa Landim e Hector Gomes
Direção: Marcelo Marrakett
Texto: Marcelo Marrakett
Classificação: Livre
Gênero: Comédia
Duração: 60 minutos
Sinopse: Montagem musicada e bem humorada sobre a vida de Dom Pedro II.
Com o aval da licença poética, o enredo é contado por personagens do Sertão
de forma clara e rica, contemplando o lado lúdico do teatro infanto-juvenil.

Sexta (30/09)

"Luiz Gama - Uma voz Pela Liberdade"

Início: 19h
Elenco: Deo Garcez e Nivia Helen
Direção: Ricardo Torres
Texto: Deo Garcez
Classificação: 14h
Gênero: Drama
Duração: 50 minutos
Sinopse: A peça relata a história de um advogado negro que viveu entre
1830 e 1882 e sofreu todas as mazelas por ter nascido numa época em que a
cor da pele era sinônimo de servidão. Gama foi vendido como escravo, aos 10
anos, pelo próprio pai.



07/09/2016 11h41

Inspirado em caso real de pedofilia, 'Blackbird' faz curta temporada

Pedofilia e abuso sexual são alguns dos polêmicos temas tratados na peça "Blackbird", que estreou nesta terça-feira (6), às 19h30, no Teatro Serrador, na Cinelândia. Com sessões também às quartas, no mesmo horário, o drama, com direção de Bruce Gomlevsky e texto do escocês David Harrover, fica em cartaz apenas até o próximo dia 28.

Blackbird. Foto: Victor Damasceno

Inspirada num caso real, a montagem é protagonizada por Viviani Rayes e Yashar Zambuzzi - Débora Ozório completa o elenco - que interpretam Ray, um homem de 56 anos, e Una, uma jovem de 27, que se reencontram 15 anos depois de uma relação amorosa. Ou seja, quando ele tinha 41 anos e ela, apenas 12. Aliás, na época, o romance foi considerado pedofilia, o que o levou a ser condenado pelo crime e cumprir pena.

Diálogo a diálogo, o espetáculo destrincha a relação conturbada entre esse casal nada convencional e mostra as sequelas que o abuso sexual pode deixar numa pessoa. Além disso, há também o desafio de discutir, com responsabilidade e sensibilidade, as várias formas de amar. Inclusive aquelas fora do padrão, que passam longe da ética moral e que a sociedade tem para si.

Nos últimos dois anos, "Blackbird" foi considerada pela crítica especializada uma das 10 melhores peças teatrais em cartaz no Rio de Janeiro e obteve seis indicações a prêmios.

Serviço:

Local: Teatro Serrador
Endereço: Rua Senador Dantas, Nº13 - Cinelândia.
Telefone: (21) 2220-5033
Sessões: Terça e quarta às 19h30
Período: 6/9 a 28/9
Elenco: Viviani Rayes, Yashar Zambuzzi, Debora Ozório
Direção: Bruce Gomlevsky
Texto: David Harrower (tradução: Alexandre J. Negreiros)
Classificação: 16 anos
Entrada: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Terça a sábado entre 16h e 20h
Gênero: Drama
Duração: 80 minutos
Capacidade: 340 lugares



05/09/2016 13h59

Com trabalhos ao lado de Porchat, Adnet e outros humoristas, autor fala sobre 'Sucesso'

Se você já riu assistindo a Fábio Porchat, Tatá Werneck, Bruno Mazzeo, Marcelo Adnet e outros nomes de peso da nova geração do humor, saiba que são consideráveis as chances de essas gargalhadas terem sido provocadas por uma piada de Leandro Muniz. Em 19 anos de carreira, o autor, diretor, roteirista, músico e ator de 38 anos acumula trabalhos com estes grandes humoristas que, mesmo que indiretamente, colaboraram para sua mais nova empreitada: a comédia "Sucesso", que estreou na última sexta-feira (2), no Centro Cultural Justiça Federal, no Centro.

Sucesso. Foto: Daniel Moragas da Costa

Resumidamente, Leandro tem no currículo textos para TV como "Junto e Misturado" e "Escolinha do Professor Raimundo" (TV Globo); e "Meu Passado me Condena" (Multishow), além de produções teatrais como "Peça por peça" - selecionada para o Concurso Nacional de Dramaturgia do CCBB, em 2007 - e "Relações - Peça Quase Romântica" (2009), que chegou a ser apresentada em Nova York, no fim do ano passado. Em comum com "Sucesso", esses trabalhos carregam um humor ágil - às vezes até ácido - característica das parcerias entre Leandro e estes comediantes.

Leandro Muniz. Foto: DivulgaçãoNo entanto, quem for assistir à peça, dirigida pelo próprio Leandro, não irá encontrar apenas humor. Em conversa com o RIO ENCENA, ele explica que a montagem, obviamente, tem piadas, mas também é pontuada por momentos mais poéticos que dão emoção à trajetória do protagonista -  batizado com o sugestivo nome de Ordinário - um homem que tenta entender porque é um fracassado pessoal e profissionalmente.

"Comecei minha carreira com Os Privilegiados, que sempre foi companhia de humor ácido. Então, de certa forma, estou conectado com o humor dessa geração. Mas quando o Porchat e a Tatá, por exemplo, estão improvisando, num stand-up, o humor é mais frenético. "Sucesso" tem agilidade nos diálogos, mas não é piada o tempo todo. Também tem assuntos delicados que vão causar reflexão, mas de forma leve", pondera.

Sobre esses assuntos delicados, o autor e diretor adianta que as cenas cômicas dividem espaço com os dramas do personagem. A mãe de Ordinário sempre foi ausente e o pai, ele sequer conheceu. Inclusive, de acordo com Leandro, é essa ausência fraterna a responsável pelos momentos de reflexão.

"O histórico familiar dele é barra pesada. Tiramos sarro, mas quando o assunto é o pai, vemos os momentos mais sérios. E acho que precisa ser assim. Gosto da comédia só para rir, mas é fundamental usar o poder da comédia para falar de problemas que afetam a todos", destaca Leandro, completando: "A reflexão é porque o Ordinário é inspirado em situações reais. Todo mundo tem essa pressão da família e da sociedade para ser bem sucedido. E ele é fracassado em tudo: negócios, amor, família. Então a peça é sobre ele tentando resolver sua vida".

Além de humor e reflexão, "Sucesso" tem trilha musical também. Desde que estreou no teatro em 1998 como músico, numa montagem dirigida por Antônio Abujamra (1932-2015) de "O Auto da Compadecida", Leandro tem procurado colocar música em seus espetáculos. Um exemplo é a esquete "Musical Dísnei", que ganhou um festival no Rio de Janeiro em 2008 e que deve virar musical no ano que vem. Já em "Sucesso", essa parte fica a cargo do elenco, que canta e reproduz com as próprias vozes sons de instrumentos como baixo, bateria e guitarra.

"Gosto de misturar humor e música. No elenco tem atores de um grupo vocal do Rio, os Gogó Boys, que inclusive já dirigi", encerra.

Serviço: 

Local: Centro Cultural da Justiça Federal
Endereço: Avenida Rio Branco, Nº241 - Cinelândia.
Telefone: (21) 3261-2550
Sessões: Sexta a domingo às 19h
Período: 02/09 a 02/10
Elenco: Anderson Cunha, Daniela Fontan, Diego de Abreu, Fabiano Lacombe, Juliana Guimarães, Pedroca Monteiro e Rafael Pissurno
Direção: Leandro Muniz
Texto: Leandro Muniz
Classificação: 14 anos
Entrada: R$30 (inteira); R$15 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Terça a domingo entre 12h e 19h
Gênero: Comédia dramática
Duração: 70 minutos
Capacidade: 140 lugares



04/09/2016 16h51

'Um dia a casa cai': Retrato de uma família à beira das falências financeira e emocional

Com a ideia de abordar temas contemporâneos, mas que na verdade já são discutidos há séculos, a comédia "Um dia a casa cai", escrita originalmente pela americana Mary Agnes, leva ao público uma conversa bem humorada sobre a mulher, amor, casamento e machismo. O espetáculo estreou na última sexta-feira (2), no Teatro I do Sesc Tijuca, às 20h, dando início a uma curta temporada, que vai apenas até 25 de setembro.

Na trama, Luiza é casada com Zé, um arquiteto desempregado que, por não conseguir construir coisa alguma, vem destruindo aos poucos a casa dos dois por dentro, o que faz com que a cada parede derrubada, caia aos poucos também a falsa aparência da família feliz. Para completar, ela ainda sonha com Thomaz, um namorado imaginário que poderia ter lhe dado um presente bem melhor do que atual, caso ela não tivesse dado o mau passo de rejeitá-lo tantos anos antes. A visita de Bibi, sua melhor amiga, faz com que as duas revisem o plano, ou seja, as fantasias que ambas nutrem para escapar dos escombros de suas vidas.

Um dia a casa cai. Foto: Trívia Produções

Sob direção de Rose Abdallah, "Um Dia a Casa Cai" tenta retratar de forma divertida a vida de uma família de classe média, que está à beira da falência financeira e emocional.

Em cena, estão Babi Xavier, Igor Cotrim, Juliana Martins e Renato Calvet questionando as opções escolhidas pela mulher contemporânea com uma linguagem mais próxima de nossa realidade.

"Estão totalmente inseridos nos nossos costumes tanto as preferências de indumentária da dona da casa, o projeto das malocas desenvolvido pelo marido arquiteto, os dotes culinários da amiga aspirante a atriz, e as canções do ex-namorado imaginário", acrescenta Paulo Reis, responsável pela adaptação e tradução da dramaturgia.

Serviço:

Local: Sesc Tijuca
Endereço: Rua Barão de Mesquita, Nº539 - Tijuca.
Telefone: (21) 3238-2164
Sessões: Sexta a domingo às 20h
Período: 2/9 a 25/9
Elenco: Babi Xavier, Igor Cotrim, Juliana Martins e Renato Calvet
Direção: Rose Abdallah
Texto: Mary Agnes Donoghue (tradução e adaptação e Paulo Reis)
Classificação: 14 anos
Entrada: R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia); R$ 5 (associados)
Funcionamento da bilheteria: Terça a sexta entre 7h e 21h; sábado, domingos e feriados entre 09h e 18h (*ligar antes para confirmar horário de venda de ingressos)
Gênero: Comédia
Duração: 70 minutos
Capacidade: 228 lugares



31/08/2016 12h40

Monólogo 'Ricardo III' estreia a preços populares

Com texto original de William Shakespeare (1564-1616), o monólogo "Ricardo III", protagonizado por Gustavo Gasparani, faz sua reestreia no próximo sábado (2), no Teatro Café Pequeno, no Leblon, para uma curta temporada, com sessões às 20h de sexta a domingo, e ingressos a preços populares (R$ 20). A peça, que foi encenada pela primeira vez entre 1592 e 1593, se passa no fim da Guerra das Rosas, e conta o conflito pelo trono da Inglaterra.

Ricardo III. Foto: Nill Caniné

Sob direção de Sergio Módena, Gasparani, que também fez a adaptação da dramaturgia, interpreta o texto cujo foco recai sobre a imoralidade e a ambição incansável pelo poder nos bastidores políticos. Mesmo com o passar de tantos anos, os temas abordados na peça são atuais e propõem uma análise sobre o modo de vida contemporâneo.

"Foi assistindo à versão de Ricardo III de Laurence Olivier para o cinema, lá pelos meus vinte anos, que me encantei pelo personagem e pela peça. Quando o Sergio me propôs contar essa história para o público, sozinho em cena, me senti instigado pelo desafio. Todos os meus instrumentos de ator estão sendo exigidos no seu máximo, além da proposta remeter ao processo de criação dos meus textos e personagens. Sozinho na minha casa fui criando este universo ficcional com o que encontrava pela frente... de almofadas a cadeiras, todos os objetos foram bem-vindos para serem transformados nesta 'brincadeira' criativa", relembra o ator.

Este, inclusive, não é o primeiro trabalho em parceria entre Módena e Gasparani. Em 2012, os dois estiveram juntos no musical "As Mimosas da Praça Tiradentes", que acabou rendendo a Gustavo mais um prêmio Shell de melhor ator.

Serviço:

Local: Teatro Municipal Café Pequeno
Endereço: Rua Ataulfo de Paiva, Nº269 - Leblon.
Telefone: (21) 2294-4480
Sessões: Sexta a domingo às 20h
Período: 2/09 a 25/09
Elenco: Gustavo Gasparani
Direção: Sergio Módena
Texto: William Shakespeare (adaptação de Gustavo Gasparani e Sergio Módena)
Classificação: 12 anos
Entrada: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia para casos previstos em lei e Passaporte Cultural)
Funcionamento da bilheteria: Quarta a domingo entre 14h e 20h
Gênero: Drama
Duração: 90 minutos
Capacidade: 200 lugares



27/08/2016 10h06

Terror infantil estreia no teatro, e diretor comenta proposta: 'Mensagem para aceitar o diferente'

Se o gênero terror infantil lhe soa incômodo, saiba que por trás daquilo que parece estranho, pode haver uma bela mensagem. E no caso do espetáculo "A Casa bem Assombrada", que estreia neste sábado (27/08), às 17h, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, o recado é justamente de respeito ao que à primeira vista pode causar aversão nas crianças. Responsável pelo texto e pela direção, Ivan Fernandes conversou com o RIO ENCENA e falou sobre a proposta de tocar os pequenos de uma forma mais intensa e alertá-los para a importância de não pré-julgar quem lhes parece diferentes. Para tanto, ele criou a história de Juju (Maíra Kestenberg), uma menina fissurada por contos de terror que vive numa casa habitada por monstros e não vê problemas em fazer amizade com uma deles (Adriano Pelegrini).

A Casa Bem Assombrada. Foto: Helmut Hossmann

"Criamos nossas crianças com medo do que é diferente. E a mensagem é para que o diferente seja agregado e não algo a se temer", enfatiza Ivan, que também escreveu e dirigiu o infantil "Leonardo - O Pequeno Gênio Da Vinci", que faturou o Prêmio Zilka Salaberry 2011 em quatro categorias: ator, texto, direção e espetáculo infantil.

Com esta mesma mensagem, Ivan abarca ainda temas como bullying, solidão e separação familiar. Isso porque antes de engatar a inusitada amizade com o monstrinho, Juju passa por maus bocados. Primeiro, ela precisa lidar com o divórcio dos pais e depois se adaptar à cidade e à escola novas, onde é hostilizada pelos colegas. Mostrar esse lado um pouco mais duro da infância, aliás, foi um dos fatores que motivaram Ivan a fugir do lugar-comum no teatro infantil. Ou seja, um mundo das maravilhas, repleto de fadas, príncipes encantados e afins.

"O terror tem o lado sombrio que, na criança, pode representar a ansiedade, o medo... Muitas crianças lidam com isso, e o teatro infantil muitas vezes não aborda", alerta o diretor, que, para criar "A Casa bem Assombrada", se inspirou no universo de Tim Burton, diretor respeitado por fãs do gênero, e nas animações americanas que seguem na moda.

No entanto, papais e mamães podem ficar tranquilos porque embora trate de emoções mais profundas da fase infantil e seja protagonizada por monstros, a peça não dá sustos nos pimpolhos. O terror, no caso, é apenas um pano de fundo. Depois que estreou no início do ano passado no Oi Futuro Ipanema, o espetáculo excursionou pelo interior do Rio de Janeiro atraindo e entretendo crianças de 5 a 11 anos - algumas até de 2!

"A gente não investe pesadamente no susto. Tem o humor", garante Ivan, que falou muito mais sobre a peça na entrevista abaixo:

O que te motivou de verdade a montar esse espetáculo foi o simples fato de fugir do óbvio?

Busco um diferencial. Os infantis evitam lidar com certas emoções mais intensas. Não que a gente vá fazer exatamente um (filme) "Sexta-feira 13", mas o terror também pode atrair crianças. Eu adorava quando era pequeno. Então foi isso que pensei de primeira. O terror tem o lado sombrio que, na criança, pode representar a ansiedade, o medo... Então, o grande objetivo era mostrar a criança tentando lidar com seus próprios monstros. A menina passa pela separação dos pais, se muda para uma cidade nova, uma escola nova... Então há um paralelo desse universo de terror, pelo qual ela já é fanática, com as sombras passando na vida dela. Muitas crianças lidam com isso, e o teatro infantil muitas vezes não aborda. Tem sempre aquela coisa da criança esperta, que tudo é muito fácil... A angústia e o medo também estão presentes na infância.

E você já ouviu alguma opinião que freasse sua ideia? Tipo: "Tem certeza que vai escrever uma história de terror para crianças?"

Não. Ouvi só pessoas que ficaram surpresas. Tipo: "Nossa, que legal!". Isso me motivou. Na verdade, o mote do terror foi descoberto pelas animações norte-americanas há um tempo já. Tem o "Mostros SA.", o "Hotel Transilvania"... No teatro é que ainda falta explorar isso. Até temos um clássico, da década de 50, que é o "Pluft - O Fantasminha". Mas também é só isso. Então vi essa lacuna a ser preenchida. O que a peça tem provocado surpresa, é ser diferente.

Mas a montagem não tem momentos de sustos, como nos filmes adultos, não é? Leva mais para o humor?

A gente não investe pesadamente no susto. Tem o humor. Tem só uma coisa que no início fiquei com medo. Em certo momento no cenário, são exibidas as gêmeas do filme "O Iluminado" (de Stanley Kubrick, de 1980). Quando vi, achei adulto demais, que passaria do tom. Mas depois fui convencido do contrário. E logo na primeira semana ninguém se assustou. As crianças acompanham atentas, ficam envolvidas com a história. Às vezes, chegam a dar dicas aos personagens. (risos). A ênfase não está no susto, só o universo do terror que é abordado.

A inspiração para escrever um terror infantil vem de Tim Burton apenas ou tem mais alguma? Algo fora do cinema...

Tim Burton é referência muito no visual, nas cenas de luar... Já as narrativas, o elenco e nós todos vimos o máximo possível de produtos para infância que abordam terror. Esses americanos que comentei.

E dentro desse enredo tem uma mensagem bacana que é saber respeitar as diferenças. De que forma você passa isso para as crianças?

A peça está o tempo todo preocupada em dialogar com crianças, mas também com pais, que às vezes ficam esquecidos em peças infantis. Para eles, criamos a personagem da mãe que cria a filha, encara dificuldades. Mas a mensagem central é contra a exclusão. Na história, os monstros são excluídos. E o espetáculo fala pelo ângulo deles, que também têm medo dos humanos. Um lado tem medo do outro. Ninguém se aproxima, e quem quebra isso é a criança, com sua inocência. Criamos nossas crianças com medo do que é diferente. E a mensagem é para que o diferente seja agregado e não como algo a se temer. Ainda sobre os pais, tem a questão da separação e a forma como a menina lida com isso. É um tema espinhoso, mas muitas famílias lidam com isso. Uma mãe já chegou para mim e agradeceu por abordar o assunto porque ela estava passando por essa situação com a filha e não estava sabendo se posicionar. Ela me contou que a peça disse o que ela queria dizer e não sabia como.

A próxima pergunta seria exatamente sobre isso. Como costuma ser as reações de pais e filhos depois da peça?

A gente sempre procura conversar com o público depois das apresentações. Primeiro, porque criança é espontânea. Se ela não gostar, ela vai falar. Os atores vão tirar fotos, e sempre acabamos sabendo das reações. E nunca vimos uma reação de medo. Pelo contrário, elas querem os monstros, ficam encantadas com esse universo, querem tirar foto, se aproximar... Mesmo fora do teatro, elas não veem como atores, mas como monstros. E os pais ficam felizes com esse tipo de mensagem e discussão, que geralmente o teatro infantil não trata. E, geralmente, se identificam com a mãe, que está ali numa roubada porque ela é uma mulher que acabou de se divorciar, que se muda para uma outra cidade, passa a trabalhar por dois. Se identificam pelas características, percebem o que está por trás da personagem, que foi feito para isso mesmo. Ela está imersa no trabalho, com problemas e não enxerga o lúdico e os desafios das crianças, e acaba demonstrando uma atitude de pouca atenção. A reação dos adultos é essa. Falam que a personagem da mãe mostrou que tem que prestar mais atenção nos próprios filhos, que não pode colocar os problemas à frente.

Serviço:

Local: Teatro Glaucio Gill
Endereço: Praça Cardeal Arcoverde S/Nº - Copacabana.
Telefone: (21) 2332-7904
Sessões: Sábado e domingo às 17h
Período: 27/08 a 18/09
Elenco: Adriano Pellegrini, Mabel Cezar, Marcelo Dias, Maíra Kestenberg e Vinícius Messias
Direção: Ivan Fernandes
Texto: Ivan Fernandes
Classificação: Livre
Entrada: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Segunda a domingo entre 16h e 21h
Gênero: Infantil
Duração: 60 minutos
Capacidade: 152 lugares



25/08/2016 09h14

Classe artística prestigia inauguração do Teatro Riachuelo Rio

A noite da última terça-feira (23/08) foi diferente na região da Cinelândia, no Centro, como há muito não se via. Com uma apresentação reservada a convidados e imprensa do espetáculo "Garota de Ipanema, o Amor é Bossa", o recém-reformado Teatro Riachuelo Rio abriu suas portas na Rua do Passeio Nº 38/40 pela primeira vez, depois de um processo de três anos de revitalização, orçada em R$42 milhões, do prédio do antigo Cine Palácio. Como não poderia deixar de ser, antes dos três sinais soarem, dezenas de artistas brindavam uma unanimidade: a importância da inauguração de um novo espaço para as artes cênicas no Rio de Janeiro.

Letícia Persiles e Thiago Fragoso. Foto: Divulgação

Na imponente galeria do teatro, enquanto a sessão não começava, a reportagem do RIO ENCENA conversou com alguns dos convidados sobre a mais nova casa do teatro carioca. Um dos mais animados era o ator e diretor Guilherme Leme Garcia, que confessou que antes mesmo da abertura da sala, deu um jeito de dar uma conferida no palco de 280m² e na plateia com capacidade para 1.000 espectadores.

"A galeria está linda, a festa linda e sala mais linda, pois eu já vi antes (risos). E só o fato de termos um teatro novo no Rio de Janeiro já é uma obra de arte por si só. Então que seja muito bem-vinda", vibrou Guilherme, já pensando em pisar no novo palco: "Ano que vem estarei aqui (risos)".

Companheira de cena de Guilherme recentemente no drama "Santa", Angela Vieira fez uma menção aos tempos de crise pelos quais o país passa atualmente para valorizar ainda mais o novo equipamento cultural da Cidade Maravilhosa.

Guilherme Leme Garcia.

"É importante um espaço novo, principalmente pelas salas que estão sendo fechadas no Rio. É uma dó. Dá um alento um espaço importante assim no Centro sendo revitalizado. Estamos num momento especial como há tempos não vivíamos. Todos estamos machucados, não só os artistas, mas o povo em geral. Então precisamos unir forças, esperar essa maré melhorar e não deixar essa onda nos cobrir", ressaltou a atriz, que em outubro, estreia no Teatro Ipanema com a comédia romântica "Até o fim da Noite", com texto de Julia Spadacini e direção de Alexandre Melo.

Quem também está para voltar aos palcos é Isabel Fillardis, que por falta de recursos, tem encontrado dificuldades para levar seu espetáculo "Lapinha" para São Paulo. Já sobre a inauguração desta terça, ela também destaca que o momento financeiro instável do Brasil tem refletido na cultura, mas procura olhar pelo lado positivo. Se recentemente alguns espaços foram perdidos como a Sede das Cias., na Lapa; e a Sala Tônia Carrero, no Leblon; em contrapartida, outros surgiram como o Teatro Nathalia Timberg, na Barra; e o Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido; além do próprio Riachuelo Rio.

"A vida é assim. O ideal é não perder somente. Cinemas e teatros virarem igrejas é péssimo para nós. Mas perder e ganhar novos, também acho bom. Perder e ganhar faz parte da vida, não tem jeito", constatou.

Ainda sobre esse movimento de instalações culturais darem lugar a igrejas, o ator Nelson Freitas afirmou que é preciso ter espaço para todos.

"Fiquei louco quando soube desse novo teatro há uns dois anos. Tantos cinemas e teatros antigos sendo destruídos e trocados por motivos outros, igrejas etc e tal. Nada contra igrejas, absolutamente, mas enfim? A cultura não pode perder espaço. Faz parte do nosso desenvolvimento social, e um espaço desse é belíssimo", destacou o ator, que em novembro estreia com o musical "Whiskey e Água", no Teatro dos Quatro, na Gávea: "Direção do Sacha Bali e baseado em texto de Bukowski (1920-1994). Acho que vai dar uma guinada na minha carreira, fazer uma coisa diferente da comédia. Mas a gente conversa mais para frente".

Já Marcelo Serrado, no ar como o Carlos Eduardo da novela "Velho Chico", da TV Globo, estava meio que como um anfitrião da noite. Isso porque ele fez parte da produção do espetáculo, um sócio, como o próprio definiu. Mas, por enquanto, a ideia é estrear o Teatro Riachuelo Rio apenas atrás das cortinas e não no palco.

"Esse é um momento muito importante para o teatro do Brasil. Estamos muito felizes, até porque sou sócio do espetáculo. Vamos ver o que o pessoal vai achar, mas está muito bonito. Já fui aos ensaios", frisou o ator, desconversando sobre protagonizar uma peça na sala recém-inaugurada: "Faço parte desse projeto, me sinto dentro dele. Por enquanto só a novela, e depois preciso descansar".

Elenco de espetáculo.

Temporada

Antes da sessão desta terça, os sócios da Aventura Entretenimento e da Aventura Teatros - empresas que encabeçaram a reforma do teatro - Aniela Jordan, Fernando Campos, e Luiz Calainho conversaram com os convidados sobre o projeto e chamaram ao palco o presidente da Riachuelo, principal investidora do projeto, Flávio Rocha.

Após os breves discursos, foi exibido um vídeo, com texto de Ruy Castro, tratando da importância cultural da histórica região da Cinelândia - que recebe esse nome por ter recebido muitos cinemas - e da recuperação do prédio fundado no início do século passado, que hoje é tombado pelo Patrimônio Histórico do Rio. Passadas as apresentações, teve início o espetáculo "Garota de Ipanema, o Amor é Bossa", com Letícia Persiles, Thiago Fragoso, Claudio Lins e grande elenco, sob direção de Gustavo Gasparani e texto de Thelma Guedes. A temporada aberta ao público começa nessa sexta-feira (26/08) e vai até 27/09, com sessões de quinta a sábado às 21h e domingos, às 20h. Os ingressos vão de R$ 25 (meia) a R$ 140.



23/08/2016 10h46

Novamente no papel de Simonal, Ícaro Silva espera vida longa para espetáculo intimista: 'Podemos rodar o país'

Dois espetáculos diferentes, porém com um mesmo personagem central e um mesmo protagonista. Assim pode ser definido o paralelo entre "S'imbora, O Musical - a história de Wilson Simonal", que estreou no ano passado no Rio de Janeiro, e "Show em Simonal", em cartaz no Teatro do Leblon desde o último dia 18, com sessões de quinta a sábado às 21h e domingo, às 20h. Como os títulos já adiantam, ambos, cada um com suas características, contam a vida e a obra de Wilson Simonal (1939-2000), com interpretação de Ícaro Silva, que, por sua vez, torce para que as semelhanças não parem por aí.

Com uma estrutura de grande espetáculo, feito para plateias populosas, "S'imbora" foi assistido por mais de 100 mil pessoas em 2015, mas não conseguiu viajar muito além de capitais como Rio, São Paulo e Salvador. Animado com a boa recepção por onde a peça passou, o diretor Pedro Brício adaptou texto e encenação para criar "Show em Simonal", este com um formato mais intimista e enxuto, o que fez com que a equipe criasse expectativas a respeito de turnês e sucesso maiores.

Show em Simonal. Foto: Leo Aversa

"Infelizmente, não tínhamos como levar o musical para todo lugar. Já esse show, por ter uma estrutura e uma equipe menores, pode ser apresentado em teatros menores ou maiores. É um show mais fácil de ser carregado. Por isso, penso que podemos atingir a mesma quantidade de público do "S'imbora" ou até mais. Isso porque muitas pessoas quiseram assistir, não conseguiram, mas agora vão ter mais uma oportunidade. Acho que podemos rodar o país", torce o ator, de 29 anos, em entrevista ao RIO ENCENA.

Aliás, quem não assistiu a "Símbora", deixou de conferir um trabalho muito bem repercutido de Ícaro. Um dos elogios, inclusive, partiu do próprio Pedro Brício, que certa vez chegou a comentar que a performance do ator no musical foi um motivo forte que o fez trabalhar num novo projeto baseado em Simonal. Já Ícaro desconversa.

"Ouvi ele dizer isso, mas vejo como um trabalho de todos. "S'imbora" fez sucesso porque era um grupo muito a fim de fazer, eram pessoas especiais. Todos os artistas e técnicos trabalharam com muito carinho. Uma equipe apaixonada que fez bem", destaca, o ator, que em 15 anos de carreira acumula cerca de 10 peças teatrais no currículo.

Primeiro fim de semana

Acompanhado pelas atrizes Ariane Souza, Julia Gorman e Aline Wirley, que encarnam as Simonetes, e pelos músicos Ananda Torres (piano), Romulo Duarte (baixo) e Kim Pereira (bateria), Ícaro mostra versatilidade ao fazer não apenas Simonal, como também ele próprio na função de apresentador do show, além de interagir com a plateia.

E essa relação próxima, relembra ele, foi fundamental no fim de semana de estreia. Logo na primeira sessão, houve um problema com a mesa de som, mas como o público já estava à vontade com o "anfitrião", a espera foi minimizada.

"A estreia foi linda, com aquele público típico de estreia, grandes amigos... Tivemos o problema no som, mas o pessoal foi generoso. Com a participação do público, fica mais fácil contornar problemas. E em todos os dias, a casa estava cheia", conta o ator, ressaltando que a figura do controverso cantor é outro trunfo para que o público siga comparecendo: "A plateia compra muito a proposta porque a obra do Simonal é maravilhosa, independentemente das dúvidas que a história dele pode levantar".

Serviço:

Local: Teatro do Leblon - Sala Marília Pêra
Endereço: Rua  Conde de Bernadotte, Nº26 - Leblon.
Telefone: (21) 2529-7700
Sessões: Quinta a sábado às 21h; domingo às 20h
Período: 12/08 a 02/10
Elenco: Ícaro Silva, Ariane Souza, Julia Gorman e Aline Wirley; piano - Ananda Torres; bateria - Kim Pereira; baixo acústico - Romulo Duarte
Direção: Pedro Brício
Texto: Pedro Brício
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos
Entrada: R$ 70,00 (quintas); R$ 80,00 (sextas e domingos); R$ 90,00 (sábados)
Funcionamento da bilheteria: Terça a  domingo de 15h até uma hora antes do início da sessão para venda antecipada; a partir de uma hora antes da sessão, a venda será apenas para o espetáculo do dia.
Gênero: Musical
Duração: 90 minutos
Capacidade: 430 lugares


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17/08/2016 11h54

Espetáculo 'Race' estreia discutindo questão de etnia

A Cia. de Teatro Epigênia leva ao Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, o espetáculo "Race", segunda parte da Trilogia Mamet, do autor americano David Mamet - "Oleanna" e "Hollywood" completam a obra. Com direção de Gustavo Paso, a montagem estreia nesse sábado (20), às 20h, mostrando os bastidores do julgamento de um homem branco acusado de estuprar uma mulher negra.

Race. Foto: Gustavo Paso

Com essa trama - encenada por Gustavo Falcão, Heloisa Jorge, Nill Marcondes e Yashar Zambuzzi - "Race" (corrida, raça do inglês) suscita discussões sobre etnia, preconceito e racismo. O foco é nas relações humanas do ser contemporâneo e seus frutos, como incomunicabilidade busca pelo poder, racismo e pensamento politicamente correto.

Essas características no texto, inclusive, apenas corroboram com uma linha de escrita que já se tornou marca de Mamet. Suas obras, geralmente, falam sobre questões atuais e pontos de vista controversos, gerando histórias com grandes confrontos de ideias.

Serviço:

Local: Teatro Glaucio Gill
Endereço: Praça Cardeal Arco Verde, S/Nº - Copacabana.
Telefone: (21) 2332-7970
Sessões: Sábado a segunda às 20h
Período: 20/08 a 26/09
Elenco: Gustavo Falcão, Heloisa Jorge, Nill Marcondes e Yashar Zambuzzi
Direção: Gustavo Paso
Texto: David Mamet
Classificação: 16 anos
Entrada: R$ 40 (inteira) R$ 20 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Diariamente a partir das 16h
Gênero: Drama
Duração: 75 minutos
Capacidade: 104 lugares



13/08/2016 10h41

Marcos Veras fala sobre peça que ironiza busca insana por fama e dinheiro: 'Questiona absurdos'

Sem noção, desleal, mau caráter... A classificação pouco importa, afinal podem ser postas todas no mesmo grupo. São elas as pessoas que passam a vida numa busca tresloucada por fama, sucesso e dinheiro, muitas vezes desconhecendo a ética e os limites. Esse é o caso, por exemplo, de José da Silva, personagem de Marcos Veras, que bateu um papo descontraído com o RIO ENCENA antes de estrear na última sexta-feira (12) com a peça "Acorda pra Cuspir", que fica em cartaz no Teatro do Leblon até 2 de outubro, com sessões sextas e sábados, às 21h e domingos, às 20h. Com direção de Daniel Herz e texto do americano Eric Bogosian - traduzido por Maurício Guilherme -, a comédia faz uma crítica ácida e bem humorada a quem perde a linha quando o assunto é o triunfo profissional.

"É um questionamento sobre os absurdos, os extremos e os exageros de quem topa passar por cima de tudo nessa busca", explica o ator, que chega ao Rio de Janeiro pela primeira vez com esta comédia, depois de passagens por outras capitais brasileiras como São Paulo, Florianópolis, e Fortaleza, entre outras.

Acorda Pra Cuspir. Foto: Divulgação

Assim como em seu último trabalho de destaque no teatro, o show de stand-up comedy "Falando a Veras", o ator e humorista sobe sozinho ao palco também em "Acorda pra Cuspir" - "Wake up and Smell the Coffe", no original - porém, desta vez interpretando um texto com início, meio e fim. Nesse roteiro, seu personagem se mostra um cara frustrado por ainda não ter se tornado uma celebridade.

Tal sonho de José da Silva, inclusive, serviu de gancho para Veras nos responder também sobre as subcelebridades que têm surgido aos montes nos últimos anos, a concorrência nem sempre justa no meio artístico e outros assuntos mais. Confira na entrevista abaixo:

A peça faz uma crítica ácida a pessoas que podem deixar a ética e o bom senso de lado na busca  por dinheiro, fama, sucesso... Mas trata-se de uma comédia. Como passar essa mensagem de questionamento, mas de maneira engraçada?

O drama e a tragédia podem ser engraçados também. Vou dar um exemplo bobo: a gente ri quando alguém cai no chão. A pessoa pode até ter se machucado, mas a primeira reação, quase sempre, é rir. O ser humano, o brasileiro principalmente, tem o humor na veia. Está sempre debochando, sobrevivendo em meio ao caos muito por causa do humor. O segredo é rir de si mesmo. E o espetáculo mostra quão ridículos podemos ser nessa busca por sucesso, dinheiro e fama. Não é um julgamento, porque todos nós queremos ser bem sucedidos, mas sim um questionamento sobre os absurdos, os extremos e os exageros de quem topa passar por cima de tudo nessa busca. E esse questionamento é todo feito pelo viés do humor, que é um caminho fácil para esse tipo de crítica.

Você acha que essa busca pelo sucesso é uma cobrança particular que parte de dentro de cada um ou há uma cobrança da sociedade como um todo?

Acredito que seja mais da sociedade em geral. Quando a gente nasce, já é cobrado pelos pais, para falar papai e mamãe. Depois vem a cobrança para engatinhar e depois a pergunta sobre o que a criança quer ser quando crescer. Aos 17, já se pergunta pela faculdade. Sempre somos cobrados pela família, pelos amigos e pela sociedade para sermos alguém. Não que isso seja errado, mas é uma coisa natural do ser humano. E a gente debocha desse exagero, porque tudo o que é demais pode ser nocivo. Ambição, às vezes, é uma palavra mal colocada. Tratamos de ambição, que pode ser positiva, mas também negativa, dependendo de como é colocada. Tem que ter ambição, mas quando é demais pode ser uma loucura. Como no caso do José, que é ranzinza, frustrado e pessimista, muito ao contrário de mim (risos).

E, esse comportamento, você acha que reflete nas subcelebridades que vemos por aí hoje em dia? A pessoa não canta, não atua, mas quer estar sempre na mídia.

Pois é, são pessoas que esquecem que para ser artista, além do dom, tem que ter disciplina, estudar... Acham que é uma profissão fácil. Fama é algo subjetivo. Hoje todo mundo pode ser famoso. Já o sucesso profissional é uma outra coisa. Você pode ser famoso no Instagram, no Facebook... Aliás, as redes sociais trouxeram esses caminhos para todos se mostrarem. Antigamente, para aparecer, a pessoa precisava atuar numa peça, fazer uma novela, gravar um CD... Acho válido essas redes sociais, que vieram para ficar. Mas, como eu disse, tudo o que é demais, pode ser questionável. Todos têm direito aos 15 minutos de fama. Mas sucesso profissional é outra coisa. Fama e sucesso são coisas diferentes.

No meio artístico, você vê deslealdade, falta de ética ou algo do tipo na busca por espaço?

Me considero um cara de sorte porque sou cercado por gente do bem. Nunca tropecei, nunca tive no caminho pessoas ruins para me derrubar. Sou cercado de bons amigos. Isso tem a ver com bênção, sorte... Sou muito religioso, acredito em tudo e em nada ao mesmo tempo (risos). Nunca passei por isso, mas é fato que a profissão exerce um fascínio. Mas fascínio sobre o público é legal, afinal, esse é o objetivo. Mas o problema é quando fascina também quem já está dentro do meio. Ao meu ver, quem já está dentro tem que encarar como uma profissão qualquer. Acordamos todos os dias para trabalhar, para ensaiar, gravar... Eu levo com os pés no chão e acho que deveria ser assim.

Para compor esse personagem, que tipos de inspirações e referências você buscou?

Está tudo muito no texto. É um texto claro, um cara se cobrando mais do que deveria, frustrado, ranzinza, pessimista, que como eu disse, é o contrário de mim, que sou bem otimista, não tão mal humorado... O que tenho parecido com ele é a ironia e o deboche. Mas tirando isso, ele é o oposto de mim, o que já é uma referência para a composição do personagem. É um grande material. E o teatro é o lugar de soltar os bichos, não é? Nós assistimos muitos filmes do (diretor americano) David Lynch, paralelamente, com a série Homeland, que tem um personagem tenso, ora bom, ora mal. Essa dubiedade é interessante, porque ninguém é 100% bom ou 100% mau. Ele é um ser humano. E as pessoas se identificam. Riem e se questionam: 'Será que devo rir disso?"

E há momentos no espetáculo em que você nota um silêncio absoluto no espetáculo, com as pessoas refletindo sobre determinada passagem do texto?

Tem vários. Aliás, a peça é pontuada por esses momentos. Sinto um silêncio proposital. Tem uma frase que o personagem diz assim: "O momento menos importante da minha vida vai ser o momento mais importante do que o momento mais importante da vida delas". Isso porque muitas pessoas acham que a vida do famoso é sempre mais interessante que as delas. E o texto questiona isso. Tem outro momento em que ele vê uma tragédia na TV e chama a esposa porque ela adora assistir a essas coisas. A gente está sempre assistindo a um show de horrores. É do ser humano, mas é curioso.

E esse é um trabalho um pouco diferente do que você fez bastante recentemente no teatro, que é o stand-up comedy, não é?

É diferente do "Falando a Veras", que também era monólogo e crítico, mas com um humor mais direto e de entretenimento. O "Acorda pra Cuspir" tem uma história com começo, meio e fim, tem curvas no texto, um humor presente, mas também nas entrelinhas. Você ri, para, repensa e volta a rir. É uma comédia dramática.

Já tem previsão para outros trabalhos no teatro ainda para esse ano?

Não. Por enquanto só esse. É um trabalho recente, que quero fazer por mais tempo. Tem um projeto de musical com o Charles Möeller e o Claudio Botelho, mas ainda está em processo de captação de recursos etc. Então só mais para frente.

SERVIÇO

Local: Teatro do Leblon - Sala Fernanda Montenegro
Endereço: Rua Conde de Bernadotte, Nº26 - Leblon.
Telefone: (21) 2529-7700
Sessões: Sexta e sábado às 21h; domingo às 20h
Período: 12/08 a 02/10
Elenco: Marcos Veras
Direção: Daniel Herz
Texto: Eric Bogosian (tradução de Maurício Guilherme)
Classificação: 14 anos
Entrada: Sexta - R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia); sábado- R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia); domingo - R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Terça a sábado entre 15h e 21h; domingo entre 15h e 20h
Gênero: Comédia
Duração: 70 minutos
Capacidade: 408 lugares