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Ruy Chaves

Ruy Chaves

Tem experiência em implantação, desenvolvimento e reestruturação de instituições de ensino superior. Cursou Altos Estudos de Políticas e Estratégias na Escola Superior de Guerra (ESG), onde foi membro do corpo permanente e do corpo de Conselheiros. Professor universitário, também atuou em cursos da Polícia Militar do Rio de Janeiro e do Pará, em cursos de planejamento estratégico na ACADEPOL de Minas Gerais e na Escola da magistratura do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Cidadão de Aracaju, tem as Medalhas Tiradentes, da ALERJ e da Polícia Militar do Pará, e Marechal Cordeiro de Farias, da ESG.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



19/04/2016 09h43

A culpa é... Das capitanias hereditárias!
Ruy Chaves

Olá pessoal. A mudança que você quer no mundo tem que começar por você sendo outra e melhor pessoa a cada dia. Normalmente, você quer que todos, como são imperfeitos, mudem, enquanto que você, perfeito, não precisa mudar. Então, as coisas acabam não funcionando como deveriam e os conflitos se acirram crescentemente porque a culpa é... sempre do outro! Daí este artigo. De quem é a culpa pelos tantos males que afligem o Brasil? A culpa já foi do Cabral, depois passamos a culpa para Napoleão e agora...

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

 

Financeiramente quebrada à época do descobrimento, a coroa portuguesa transferiu a guarda de seus interesses no Brasil, terra então sob ameaças de piratas e de corsários, à iniciativa privada. Como um imenso empreendimento imobiliário, o país foi dividido em lotes de terras, as capitanias hereditárias, entregues em caráter vitalício e hereditário ao domínio de senhores portugueses de nobres linhagens, os donatários, que deveriam colonizar suas capitanias, fundar vilas, construir engenhos e doar terras a quem se dispusesse a cultivá-las, as sesmarias.

Claro, para tornar possível a tarefa de tamanha responsabilidade, além de nomear funcionários, os donatários tinham direitos excepcionalíssimos como os de aplicar a justiça, inclusive pena de morte, de negociar escravos negros e de escravizar os brasileiros originários, os índios, obrigando-os a trabalhar na lavoura e podendo enviá-los como escravos para Portugal, mas somente até 30 índios por ano!

Nos limites do Tratado de Tordesilhas e inspiradas nos feudos medievais, as capitanias somente perderam o privilégio da hereditariedade em 1759 e foram formalmente extintas um ano antes da nossa independência. As capitanias de Pernambuco e de São Vicente prosperaram, todas as outras fracassaram em seus objetivos à exceção da guarda do território para a coroa.

Assim, fomos vítimas de um brutal processo de colonização apoiado em imensas propriedades rurais, na monocultura da cana de açúcar e no trabalho escravo que perdurou, que vergonha, até 1888. Somente Zanzibar, Etiópia, Arábia Saudita e Mauritânia aboliram a escravidão após o Brasil!

Em 2016 continuam a nos assombrar os terríveis fantasmas das capitanias hereditárias! A política do me garante que te garanto, do me dá que te dou, continua dominante. Ministérios, secretarias de governo, sindicatos, fundações, empresas públicas, verdadeiros feudos, lembram as capitanias hereditárias já que protegem os interesses das novas coroas e de seus donatários.  Em muitas regiões os currais eleitorais e o coronelismo hereditário ainda imperam, negros e índios escravizados substituídos por famílias sem água, sem trabalho, sem educação, sem esperança, mas com bolsa família como dádiva suprema, escravos do século XXI.  

A cada eleição o Messias sorridente suja suas botas para salvar seu povo, abraça gente suada, come bucho de bode, toma cachaça, pega criança no colo, promete o céu, vida dura a de político, mas logo tudo passa e ele volta ao seu feudo medieval absolutamente protegido por cerca elétrica e fosso com jacarés, armado até os dentes pela trágica competência de advogados capazes de provar que todo torcedor do Vasco ama o Flamengo. Feliz Lava Jato para todos!

Panta rei.



12/04/2016 12h00

As dez pragas do Brasil
Ruy Chaves

Olá pessoal, nosso tema parte da Bíblia, de tempos extremamente difíceis, de confrontos entre crenças e valores, conflitos que se repetem no Brasil contemporâneo. Então, que tal uma relação entre as célebres Pragas do Egito e as muitas Pragas que consomem a honra e a riqueza do Brasil. Daí este artigo,

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

Tremei, ó incrédulos! O fim dos tempos está próximo! O Papa é argentino, Deus não é mais brasileiro e tem se esquecido de olhar por esta terra antes tão abençoada. Sob crises ética, política e econômica, recessão e desemprego, afogados em corrupção, que fizemos para merecer a Sua ira? Descumprimos seus mandamentos, afastamo-nos de sua imagem e semelhança? Que mortais pecados temos cometido?

Diz a Bíblia que as dez Pragas do Egito foram impostas para a confirmação da supremacia do poder do Deus de Israel sobre os Deuses egípcios, obrigando o então Faraó a libertar os hebreus maltratados e humilhados pela escravidão. As águas do rio Nilo tingiram-se de sangue e todos os peixes morreram; rãs cobriram a terra e os piolhos infestaram todos os homens e todos os animais; as moscas se multiplicaram de tal forma que escureceram o dia; animais morriam por toda parte sem razão aparente; o Senhor ordenou a Moisés que jogasse cinzas para o ar e pústulas surgiram em homens e em animais; todas as plantações foram estruídas por nuvens de gafanhotos e por chuvas de granizo; a escuridão cobriu o sol por três dias seguidos; a última praga e a mais terrível: todos os primogênitos foram mortos, inclusive o filho do próprio Faraó. Somente após tantas tragédias, o Faraó libertou os escravos hebreus.

Será que Deus está impondo dez pragas ao Brasil para que possamos nos libertar das trevas da ignorância e da corrupção e assim edificar uma sociedade composta por homens justos, sábios e virtuosos como o desejava o Mestre Sócrates? Será que para o fim da sociedade da mentira e dos tempos do me garante que te garanto estamos sob o império das dez pragas? Claro, em vez das pragas bíblicas, estamos submetidos a pragas espetaculares como horário eleitoral gratuito; políticos, autoridades públicas e empresários atuando como quadrilhas, lobos ratos sempre famintos roendo a riqueza e a honra nacionais; a partidos políticos sem fundamentação ideológica atuando principalmente em acordos de negócios escusos; a funções extraordinariamente bem gratificadas sem a contrapartida de qualquer função de interesse público; carros com motoristas, auxílios paletó e moradia e outra tapeações criando sistema imoral de privilégios; a sindicatos com senhores que se eternizam no poder e se profissionalizam no princípio da desmoralização e do esfacelamento da autoridade; a fundações que sangram os recursos de seus associados envolvendo-se em negócios incompatíveis com suas destinações; às águas dos rios tingidas pela lama e pelo esgoto assassinando a vida; ao aedes brasiliensis, mosquito que suga a honra nacional, praga superior à dos piolhos, moscas e gafanhotos do Egito somados; à recessão econômica e suas terríveis consequências; à violência urbana, crimes de toda ordem agredindo a vida em sociedade; à derrota para a Alemanha por 7x1; ao valor absurdo da conta de energia elétrica e dos combustíveis; à Voz do Brasil, apresentando um mundo que não existe, no pior horário possível... Há muitas pragas mais, não?

Deus, tende piedade de nós e livrai-nos de nossas pragas, muito piores que as bíblicas pragas do Egito, amém.

Panta rei.

 



29/03/2016 10h26

Pensar não dói!
Ruy Chaves

Olá Pessoal, vamos respirar ares menos traumáticos, sair desta prisão a que temos sido submetidos e que nos têm imposto o samba de uma nota só, a corrupção e a operação Lava Jato. Que tal uma reflexão sobre uma de nossas carências extraordinárias a quem responsabilizamos por tantos males que nos afligem: o tempo. Como não administramos corretamente o tempo, não temos tempo para ... pensar, o que nos custa muito, muito, caro. Daí este artigo

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

O pensamento faz infinita a capacidade humana, é o mais importante instrumento de trabalho: pensar para agir.O homem pode tanto quanto sabe. Quem não sabe pode muito pouco. Filosofia significa amor pelo saber. Livre o pensamento, infinita a capacidade de saber, qualificada a capacidade de ser, sem limites a capacidade de realizar.

Saber para ser, saber para fazer mais e melhor, saber para transformar. Quem não sabe não é parte deste mundo tão complexo e sob acelerado processo de mudanças, está absolutamente alienado em relação às suas circunstâncias, vive escravo de suas trevas. Sem o pensamento não há o saber qualificado determinante para a vida em condições verdadeiramente humanas.

Quem pensa pouco ou despreza o pensamento para a ação não erra pouco. Ao agir sem pensar, impulso sem razão, opta por caminhos tortuosos, de sombras e de ameaças, caminhos que levam a parte alguma. Será sempre escravo e não senhor de suas circunstâncias, limites estreitos de percepção, miopia e astigmatismo, pequeno e subjugado sempre, mero executor de tarefas rotineiras que não demandem formas complexas de fazer ou que não incitem novas formas de ser.

Atribui-se a Leonardo da Vinci: quem pensa pouco erra muito.

Quem pensa pouco ou despreza o pensamento para a ação será apenas parte da paisagem ou do mobiliário de sua empresa, jamais capital intelectual, provavelmente sem possibilidade de ascensão a posições de maior relevo em sua empresa, funções menores sempre.

Para Henry Ford, pensar é o trabalho mais difícil que existe; talvez por isso tão poucos se dediquem a ele.

Parece a muitos que pensar dói, deforma, distrai, confunde, amargura, constrange, assusta, reflete perda de tempo, incapacidade para trabalho produtivo...

Conhece-te a ti mesmo, ensinou Sócrates. Quem pensa mais se conhece melhor, conhece melhor a vida e age com mais sabedoria. Ideias que mudam o mundo nascem de quem pensa muito. Nada deve começar pelo meio ou pelo fim, o começo é o início de tudo e tudo começa no pensamento.

Conhecer o conhecido para ampliar os limites do conhecimento, conhecer o que poucos conhecem ou conhecer o que ninguém conhece, supremo ideal , é virtude fantástica que distingue, liberta e faz crescer.

Quem apenas conhece o que todos conhecem não se liberta e não permite o seu crescimento. Os iguais no que sabem são absolutamente iguais no que não sabem, serão apenas e sempre atores secundários, não serão prediletos dos deuses, apenas comerão comida e beberão bebida, não se destacarão entre os homens. Incapazes para a liderança e para o empreendedorismo e com baixa empregabilidade pertencerão à sociedade do excesso, em que há um excesso de pessoas e de instituições pensando e agindo de formas similares, sem criatividade, sem ousadia sem ...

Pense, não vai doer. Por outro lado, agir sem pensar pode doer muito. A ação que vem apenas do instinto ou da emoção ignora a razão e, normalmente, traz arrependimento, frustação, perdas e ... muita , muita dor.

Panta rei.



22/03/2016 11h24

Sub Cidadãos, Rendam-se, o Brasil é nosso!
Ruy Chaves

Olá, pessoal, impossível não ser possível que as coisas piorem. Desonrados pela política sem ética, pela corrupção, pela recessão trazendo as tragédias da inflação e do desemprego, ainda continuamos humilhados por um mosquito que além de beber nosso sangue deixa-nos um rastro de doenças aviltantes, todas estas questões incompatíveis com a natureza humana e o nosso projeto de nação. Daí este artigo,

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

Subcidadãos brasileiros, rendam-se, o Brasil é nosso! Continuem desonrados, humilhados, apavorados por nossos zumbidos, aguardando passivamente a inoculação de nossas seivas armadas com seleção de doenças vergonhosas especialmente dedicadas a vocês! Sou o seu novo Senhor, sou Ele, o Cara, sou o Aedes Aegypti Brasiliensis I, a perfeição da raça, o Rei, o Presidente, o Supremo, sou a resposta aos muitos séculos de degradação que vocês impuseram a esta terra privilegiada!

Nossos ancestrais sempre nos falavam da terra originária em que vivíamos em total harmonia, mosquitos e índios de diferentes etnias, florestas abundantes, rios e mares cristalinos. Bebíamos o frescor do sangue dos índios, o gosto levemente adocicado em que conseguíamos perceber traços de mandioca e de peixe. Testar o apuro de nossa sensibilidade era a nossa diversão predileta. Então, bebíamos o sangue do mesmo índio e apostávamos sobre que carnes ele teria comido recentemente. Capivara? Macaco? Cobra? Papagaio? Paca? Tatu? Vivíamos tempos idílicos, embora os índios nos detestassem. Neste paraíso, temíamos apenas sapos e pássaros que nos caçavam em êxtase.

Em 1.500, nosso mundo foi invadido e começou a destruição. De início, fomos à loucura, farra total com um tal de Cabral e outros gajos que acrescentaram deliciosos sabores à nossa dieta, o bacalhau, o presunto e o vinho. Com o fim do estoque destas maravilhas, logo o sangue dos portugueses ficou com gosto igual ao sangue dos índios, parecia ração de gato. Claro, em 1.808 tivemos novas oportunidades com a chegada da família real, mais portugueses branquinhos e gordinhos: quanto sangue delicioso, apesar de levemente azedo! Mas a tal de civilização trouxe também o lixo, a poluição, muitas doenças, o fim das florestas, o fim da ética, o fim do mundo.

Subcidadãos brasileiros , por muitos séculos fomos envenenados por suas incontáveis doenças! Que sangue de péssima qualidade, coquetéis de vírus e de bactérias! Vocês nos transmitiram pressão alta, diabetes, obesidade, diarreia, alarmantes níveis de colesterol e de triglicerídeos . Temos problemas de próstata, de vesícula, de hemorroidas e câncer de pulmão. Estamos morrendo de AIDS! Mas vocês perderam a guerra. Rendam-se e negociaremos uma trégua nas Olimpíadas! Querer nos derrotar apenas com mídias ufanistas, raquetes eletrocutadoras e repelentes baratos é ofender nossa inteligência. Fala sério! Vocês foram absolutamente competentes para torrar a honra e a riqueza do país com indignidades de toda ordem mas são muito incompetentes para nos derrotar. Aguardo resposta.

Panta rei.



16/03/2016 11h00

Quadrilhas
Ruy Chaves

Olá, pessoal, inacreditáveis as condições a que o país está submetido, aviltado pelo mais hediondo dos crimes, a corrupção, quadrilhas compostas por políticos, autoridades públicas e empresários sugando como vampiros a riqueza e a honra nacionais. A cada dia as tragédias se sucedem, facilitadas por delações de arrepiar os cabelos de carecas. Sob estes trágicos exemplos, criminosos comuns infestam as cidades e sob organizações precárias formam quadrilhas também.  Cercados por quadrilhas por todos os lados, sobram-nos as quadrilhas juninas-julinas e o poema de Drummond. Daí este artigo

 

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

Calma, gente, apesar das muitas razões para o susto! Claro, o termo QUADRILHA pode indicar associação de criminosos que sequestram e matam, especialistas que explodem bancos e carros fortes, que praticam o contrabando e o tráfico de drogas, e também criminosos à moda antiga que roubam celulares, cordões e relógios, que invadem moradias e roubam dinheiro escondido embaixo da cama, que roubam eletrodomésticos, botijões de gás e galinhas. Estas quadrilhas estão por toda parte, seus exércitos são sempre crescentes e normalmente abrigam criminosos incompetentes flagrados e agredidos pelas respostas das ruas e presos incontáveis vezes, sempre retomando seu ciclo de tragédias até a morte prematura sob violência extrema.

Também formam QUADRILHAS criminosos muito competentes, protegidos por advogados de extrema competência e por ritos processuais protelatórios e favoráveis à impunidade, criminosos difíceis de pegar, traiçoeiros príncipes com gravatas aparentemente do bem, políticos, empresários, autoridades públicas, lobos ratos ensaboados, involução da natureza humana, que acumulam riqueza que o trabalho jamais conquistaria, pinóquios do mal que roubam o patrimônio e a honra nacionais praticando crimes hediondos com danos terríveis à sociedade. Roedores insaciáveis, caras de pau, narizes sempre crescentes por suas mentiras, juram inocência , culpam sempre o outro, desonram o pai, a mãe, o filho e o Espírito Santo, destroem os valores e a riqueza da nação.

Felizmente, QUADRILHA é uma dança típica de épocas juninas e julinas em que todo mundo se associa com passos marcados e roupas coloridas, celebrando o casamento caipira: o único sujeito perseguido pelo delegado e ameaçado pelo futuro sogro é o noivo, que nada tem de criminoso, apenas reluta em casar. No mais, fogueiras, fogos, comidas, alegria, quentão, êta tempo bão!

Fantástico o poema QUADRILHA, de Carlos Drummond de Andrade: "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o Convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J Pinto Fernandes que não tinha entrado na história". Um atrevido e péssimo poeta, adaptando o texto ao mundo atual, diria: João era da quadrilha de Tereza que atuava como laranja de Raimundo que era sócio de uma offshore em paraíso fiscal com Maria que chantageava Joaquim que sempre jurava inocência mas era doleiro de Lili que não amava ninguém mas quebrava o galho de todo mundo. João virou o supremo marqueteiro, elegia até postes, Teresa não abriu o bico e foi presa na operação Lava Jato, Raimundo morreu morto de vergonha mas podre de rico, Maria virou vampira e tem uma muito bem sucedida rede de bancos de sangue, Joaquim fez delação premiada, suicidou-se, está em prisão domiciliar com coleira eletrônica e a fogosa Lili casou com o dono do sítio do Pica Pau Amarelo, que nada sabia sobre esta história. Ou não ?

Panta rei.

 



01/03/2016 09h36

Nossa Excelência, o mosquito!
Ruy Chaves

Olá, pessoal. Filmes de terror de quinta categoria normalmente não têm enredo, mas trazem muito sangue em sustos sucessivos e atores com desempenho também abaixo da crítica.Parecem com o Brasil destes últimos anos, a cada dia novas tragédias políticas, econômicas e sociais protagonizadas por atores que desonram a natureza humana, a ética derrotada, a sociedade derrotada até por... mosquitos! Daí este artigo,

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

Os padrões alimentares dos mosquitos brasileiros começaram a mudar com a chegada dos portugueses em 1.500. O sangue novo trouxe grande excitação às sanguessugas voadoras, especialmente por seu gosto estranho, com excesso de sal, mas totalmente diferente do gosto forte de mandioca e de peixe das vítimas de muitos séculos, os que foram chamados de índios porque Cabral achou que tinha chegado à Terra de Vera Cruz, nas Índias.

Lamentavelmente, os estoques de bacalhau, de presunto e de vinho verde logo acabaram, os portugueses caíram na mandioca, todos os sangues voltaram ao mesmo gosto e os mosquitos se sentiam comendo ração. Putz!
Com a chegada da família real em 1808, a mosquitada foi ao delírio. Afinal, além do cardápio farto garantido por população de origens e tipos sanguíneos variados como índios, escravos, portugueses e muitos estrangeiros, além dos nascidos nas terras do Brasil, mulatos, cafuzos, caboclos e mamelucos, nossos mosquitos passaram a beber o sangue azul dos reis e das rainhas, dos príncipes e das princesas, da nobreza com suas perucas, sedas e brocados, gente de pele branquinha , gordinha, com forte cheiro azedo, que delícia! Os mosquitos viviam o paraíso das muitas cidades brasileiras com esgoto correndo a céu aberto, ruas imundas perfumadas pela urina dos nobres senhores, pântanos e alagadiços por toda parte reproduzindo a cada dia legiões de novos mosquitos com sede absurda se incorporando ao banquete . Tempo de fartura!

Em 1903, ganhamos a guerra contra os mosquitos no RJ, uma das cidades mais sujas do mundo à época, sob a gestão competente, séria e ousada de Osvaldo Cruz, que chegou a ser considerado inimigo do povo nos jornais e parlamentos. Pobre Osvaldo Cruz, detestado pelo povo e detestado pelos mosquitos! Mas 516 anos após a chegada de Cabral, sem passarinhos, sapos e Osvaldos como ameaças, os mosquitos se sofisticaram, diminuíram os níveis de produção de febre amarela e de malária e sua obra prima, o Aedes Aegypti, passou a nos dominar com seu altíssimo nível de profissionalização e de tecnologia.

Como um caça supersônico indetectável ao radar, o Aedes , armado até os dentes, impõe-nos a vergonha e as tragédias da dengue, da chikungunya e da microcefalia. Como é impossível não ser possível que as coisas piorem, piada infeliz, querem acabar com os mosquitos por decreto, por apelos nas mídias, mas verdade é que se estamos sendo derrotados por mosquitos estamos preparados para ganhar qual guerra? Estamos perdendo todas as guerras, perdidos entre a corrupção e a recessão, entre a inflação e o desemprego, destruímos as florestas e a ética, mas nossos mosquitos são muito famosos, inclusive objeto de discursos de presidentes de países de primeiro mundo e de conferências da ONU que recomendam: não viajem para o Brasil! Ok, não viajarei para o Brasil mas sou brasileiro e vivo no Brasil: que faço para proteger minha família e a sociedade?

Não sou criador de mosquitos, procuro e combato possíveis águas de parto e uso repelentes e raquetes eletrocutadoras que estalam frequentemente ao garantir mais um mosquito brasileiro privado de picar e de beber nosso sangue e de nos transmitir doenças, além de ameaçar o mundo. Você, o que faz? Cria mosquitos ? Jura inocência, que não viu nada e que não sabe de nada ?Continuaremos o país derrotado por Nossa Excelência, o Aedes ? O comediante de saudosa memória diria Fala sério!


Panta rei.



23/02/2016 10h30

O Estranho Vamp
Ruy Chaves

Olá, pessoal, o carnaval acabou e a tragédia brasileira continua, ainda muitos mascarados fantasiados nos assombrando, as notícias sobre a corrupção que desonram e destroem a nação se sucedendo como um filme de terror. São novas operações desdobrando a Lava Jato, identificando novos criminosos, cercando velhos criminosos ainda como protagonistas da vida política, gente muito cara de pau querendo salvar os pescoços de seus amados líderes e protetores para salvar seus próprios pescoços, outros querendo processos intermináveis que protejam os criminosos, ... parece o fim do mundo. Então, vamos falar de um personagem especial, quem sabem vocês o identificam ao final do texto.

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

Vamp sempre foi um sujeito muito estranho. Nunca mamou no peito nem tomou mamadeira nem usou chupeta, mas vivia chorando aos berros querendo limão galego, pescoço e sangue de galinha. Suas primeiras palavras não foram papá nem mamã nem vovó, mas palavrões impublicáveis. Também nunca engatinhou: começou a andar de quatro, a correr de quatro e aos quatro anos conseguiu ficar de pé. Aos seis vestia-se todo de preto, adorava filme de terror e ganhou seus primeiros dentes, quatro caninos pontudos que brilhavam nas noites de lua cheia. Tempos depois, ganhou algo de que não se separaria por toda a sua vida, um trono onde aprendeu a fazer suas necessidades.

A vida de seus amiguinhos foi experiência inesquecível. Vamp usava ki chute - aos nove anos calçava 42 - e se deliciava chutando todas as canelas que ficassem à sua frente. Levava vantagem em tudo, roubava até no par ou ímpar, e chegava ao cúmulo de engolir bolas de gude para não perder os jogos, razão por que também engolia pedras de dama e de xadrez e sua eterna paixão, moedas de dólar. Claro, depois era obrigado a correr para o seu trono e lágrimas escorriam de seus olhos.

Vamp não era popular entre as garotas que se benziam ao vê-lo e corriam para casa. Afinal, eram suas diversões fazer xixi no pé das garotas, puxar seus cabelos, morder seus pescoços, soltar pum perto delas. Vamp nunca gostou de garotas. E gostava menos ainda de animais: comia ursinhos de pelúcia, matava passarinho com sua atiradeira, torcia pescoço de pintinhos, mas os gatos,... ah, os gatos! No rabo dos bichanos amarrava bombas e morteiros, chutava gato morto... Só por um bicho ele tinha amor: por rato, rato mesmo, não rato branco ou qualquer rato de adorno, rato de esgoto, rato de porão, rato de lixão, rato rato. Vamp não se importava quando, morrendo de medo e de longe, alguém gritava : " Vamp cara de rato ! "

Aos 16 anos, Vamp não completara o primário, mal sabia escrever o próprio nome. Não prestava atenção às aulas nem fazia os deveres de casa. A única operação matemática que dominava como ninguém era cálculo de percentual, nisto era o campeão. Sempre tentava colar, mas como era grandão e desajeitado era surpreendido em suas más ações e tirava zero. Seus pais nunca assinavam sua caderneta nem iam às reuniões do colégio.

Com 18 anos Vamp ficou ainda mais estranho: pelos cresceram na palma de suas mãos e ele... desapareceu, após ser demitido do laboratório de coleta de sangue: bebia 10% de tudo que colhia! Depois, e por muitos anos, acompanhamos suas travessuras pelas mídias. Figura proeminente da República, sempre no trono, com uma rede de apaixonados e fiéis seguidores, muito , muito rico, contas na Suíça que nunca foram dele, jurando absoluta inocência , em um dia muito, muito especial foi preso na operação Lava Jato. Na cela da federal, além de alho e crucifixo, sangue sempre escorrendo de sua boca, Vamp recebeu uma regalia especial : um trono para depositar suas necessidades. Cruz credo!

Panta rei.



16/02/2016 22h44

Democracia, Ética e Poder
Ruy Chaves

Olá pessoal!

O ano começa após o Carnaval. Então, é mais que tempo de se tirar as máscaras. O Brasil vive tempos difíceis como nunca, sob tempestade perfeita. A crise que é política e econômica é, sobretudo uma crise de valores: os homens e as instituições não creem nos homens e nas instituições.

São temas diários e tenebrosos o impeachment da presidência e da vice presidência por suposta fraude eleitoral, as pressões contra os presidentes do senado e da Câmara implicados na operação Lava Jato que destrói partidos políticos e políticos, empreiteiras e grandes senhores, que destrói a maior empresa nacional. Por toda parte denúncias sobre propinas, desvios,... Daí este artigo,
 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

As democracias contemporâneas, abertas, participativas, sua visibilidade total garantida por mídias formais e sociais, estão em crise, absolutamente violentadas por formas extremas de corrupção associadas ao exercício do poder. A vida é um ato naturalmente político, ensinou-nos Aristóteles, e o mais capaz de fazer o bem é exatamente o mais capaz de fazer o mal. A política é ciência e arte e a ação política que não é capaz de realizar o bem comum serve aos senhores das trevas, que submetem as razões de Estado às perniciosas razões de governo. Quando a ética não impera sobre a consciência da ação política, a crise pode se transformar em caos.

A questão é clássica. De um lado, a ética de princípios, a justiça como valor supremo, fundamento de toda ação, homens justos e sábios: Sócrates. Em oposição, a ética de resultados, a justiça como uma mera circunstância, o ser justo apenas quando a ação traz vantagem pessoal, o parecer justo e não o ser justo, o injusto perfeito: Sofistas.
Temendo a omissão do homem bom e a corrupção, Sócrates disse há 2.450 anos ser indecoroso pleitear o poder. Os bons não querem governar por dinheiro ou por honras, não são ambiciosos. Devem ser induzidos a governar e até coagidos pelo temor de castigo. E o maior castigo está em ser, o que recusa, governado por um homem pior. Em uma cidade formada apenas por homens justos e sábios haveria luta para não governar, como sempre há para governar. Para os sofistas, os justos viviam coroados e bêbados, em eterno banquete, como se a embriaguez fosse a melhor recompensa para a virtude.

Os fins justificam os meios? Desejando a unidade italiana, Maquiavel, em1513, escreveu De Principatibus, à época a Itália espoliada, dividida por três grandes forças: príncipes, Igreja e exércitos mercenários. O príncipe perfeito, com fortuna e virtú, capaz de conquistar e manter a unidade italiana, teria a força do leão e a astúcia da raposa e criaria um Estado aético comprometido com a eficiência. Toda ação destinada ao bem maior, a unidade italiana, seria legítima. Apenas neste sentido os fins justificariam os meios.

Poder e corrupção. De que tempos falamos? Para Hobbes, em O Leviatã, 1651, há no homem um desejo perpétuo e contínuo pelo poder que somente cessa com a morte e o homem é o lobo do homem. Ultrapassar de qualquer forma quem estiver à frente é viver.
Montesquieu, em1748, voltou ao tema com Lord Acton, opondo-se a toda forma de despotismo: O poder corrompe... É preciso que, pela disposição das coisas, o poder limite o poder. Em O Espírito das Leis, Montesquieu estruturou teorias sobre Tripartição do Poder e sobre Freios e Contrapesos, pilares do Estado Democrático de Direito.

No séc 21, em muitas democracias o poder não limita o poder, governar não é remediar os males alheios e a ética não é essência do poder. A corrupção está em toda parte, especialmente onde jamais poderia estar, nos Executivos, nos Legislativos e nos Judiciários, poderes que deveriam ser fundamentos da cidadania e da dignidade da nação.

Poder, corrupção e o injusto perfeito em sua sombra protetora. Sócrates, perseguindo a Ideia do Bem, identificou virtudes humanas de que os sofistas conheciam apenas sombras. Quando os homens bons e justos se confortam em suas virtudes, disso se aproveitam leões e raposas humanas. Qualquer forma de corrupção é absolutamente inaceitável. Praticada por autoridades públicas, é crime hediondo.

Panta rei.



03/02/2016 09h07

O insuperável cordeiro
Ruy Chaves

Olá, pessoal!

Vamos voltar a estes tempos amargos, tempos da sociedade da mentira que nos impõe sucessivas desonras, muita decepção, e, sobretudo, perdas irreparáveis de recursos financeiros de que carecemos tanto para a cidadania e a justiça social.

Todos os dias novos sustos, novas delações permitindo a descoberta de crimes hediondos praticados por governantes e por políticos federais, estaduais e municipais, por empresários da elite, por funcionários públicos, criaturas das trevas em transição para o Malvado, lobos - ratos que representam a involução da natureza humana. Recentemente, falamos sobre Vamp, hoje cuidaremos de outro nefasto personagem, o cordeiro.

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

Nunca houve uma pessoa como Cordeiro.  Dizem as línguas ferinas que ele nasceu de banho tomado, perfumado e com roupas de grife, acenando para médicos e enfermeiras, já com todos os dentinhos, e que suas primeiras palavras foram: Oi, Mami, você é tão linda quanto eu!

Sempre Príncipe na vida, Cordeiro nunca precisou usar fraldas. Aos cinco anos, fluente também em inglês, francês e mandarim ganhou sua primeira olimpíada de matemática: dominava todas as operações mais rapidamente que qualquer computador, especialmente cálculo de %. Aos doze anos fazia tudo com perfeição: cantava, dançava tango, tocava piano e harpa, era campeão no bridge, no pôquer e no golfe, declamava poemas em italiano, já lera em grego todos os Diálogos de Platão. Tirar selfie abraçadinha com Cordeiro era objeto de desejo de muitas garotas. Os garotos se roíam de inveja.

Excepcional aluno nos ensinos fundamental e médio, Cordeiro graduou-se no Japão e concluiu seu mestrado na Alemanha.  Carismático, com um olhar muito estranho, orador insuperável, conseguia provar o improvável, convencer todos os céticos, andar sobre as águas, subir cachoeira a nado, enxergar na escuridão, alimentar-se de luz. Era mais veloz que bala de revólver, mais potente que locomotiva, transformava rato em coelho e urubu em arara azul. Insuperável, o Cordeiro! Tudo em que tocava se transformava em ouro e estava sempre envolvido em projetos extraordinários que movimentavam incríveis volumes de recursos, em parceria com países, empresas e altas autoridades públicas e privadas.

Cordeiro possuía jatos, helicópteros, iates e carros de luxo e protegia uma legião de fiéis e apaixonados seguidores que o viam como um novo Messias, davam sua vida e sua honra por Ele. Era não apenas o líder, mas o Mestre Insuperável que com sua sombra protetora trazia o céu para os amigos e o inferno para os que se opusessem a seus caminhos.

A última imagem de Cordeiro na televisão surpreendeu a civilização ocidental : jurando inocência e afirmando ser o mais honesto dos homens, ele estava sendo preso na operação Lava Jato. Depois se soube que na prisão, antes de dormir, Cordeiro tirava sua roupa de cordeiro e revelava sua verdadeira identidade : era apenas um lobo mau e faminto, muito bem disfarçado desde que nasceu . Vade retro, Satana!

Panta rei.



26/01/2016 11h15

Lembranças de um míope astigmático: Maquiavel e o príncipe perfeito
Ruy Chaves

Olá, pessoal.

Vamos voltar ao pensamento político clássico que rompe com suas circunstâncias de tempo e de espaço, eterniza-se para o bem ou para o mal, inspira o amor ou o ódio, a todo momento é recorrente.

Em artigo recente, Míope Astigmático encontrou-se com seu amigo Hobbes e terminou a conversa confuso, como sempre. Agora, o encontro é com outro amigo de longa data, com Maquiavel, autor político que poucos compreendem em sua essência e que muitos citam como justificativa para ações indignas. Daí este artigo.

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

- Maquiavel, amigo caríssimo, há séculos não te vejo! Tudo bem? Outro dia encontrei Hobbes e saí tonto com o que ele me disse: que o homem é o lobo do homem, que o homem é ruim em sua natureza e que fica ainda pior na vida em sociedade, que é incapaz de usar a razão, que tem desejo perpétuo e contínuo pelo poder que somente cessa com a morte e que ultrapassar sob qualquer condição quem está à frente é a extrema felicidade. Chocado, tentei negar seus argumentos reafirmando minha crença no homem justo, sábio e virtuoso como ensinou o Mestre Sócrates e sabe o que ele me disse? Míope, não seja ingênuo!

- Míope, você realmente é muito ingênuo ! Ainda acredita no homem absolutamente justo, na ética de princípios e em Papai Noel? Quem se preocupa com o fazer ideal e não com o que é necessário fazer se arruína entre tantos que são maus. Os homens são realmente ingratos, volúveis, dissimuladores e ambiciosos.

Se você os protege contra tudo e contra todos, eles dão o sangue e a alma por você, mas se cai em desgraça seus "fiéis seguidores" jogam você no fundo do poço e vão buscar outro senhor que mantenha seus privilégios. Muitos homens lamentam mais a perda de sua fortuna que a perda de seus pais.

- Barbaridade, Maquiavel! Repetes Hobbes para quem a maioria dos homens vê em cada homem um inimigo feroz, ávido por sua destruição. Crês que os homens esquecem o bem que recebem, cobram o bem que não merecem e não cumprem seus débitos com o bem?

- Isso mesmo! E como os homens não têm em sua natureza o Bem, para manter o poder o Príncipe deve ser capaz, se necessário, de decidir contra a vontade de todos, contra a caridade e a humanidade, tem que ser dissimulador e não é obrigado a manter a palavra empenhada. Os homens precisam ser mimados ou eliminados e se tiver que fazer o bem o Príncipe deve fazê-lo pouco a pouco mas o mal deve fazer de uma só vez e absolutamente. O Príncipe Perfeito deve agir como animal perfeito, com a força do leão e a astúcia da raposa, e eliminar o poder das antigas lideranças.

Claro, sem alterar leis ou criar impostos. Quem gosta de imposto? O próprio nome é péssimo, se é imposto é contra a vontade de todos. E mais, não há boas leis sem o apoio de boas armas e para atender às razões de Estado, que muito frequentemente são apenas razões de governo e não obedecem aos ideais do bem comum e da ética de princípios, os fins justificam os meios.

- Maquiavel, seus argumentos são absurdos! Vou encontrar Sócrates, tomar um bom vinho e depois falaremos novamente.

Panta rei.



19/01/2016 12h16

CHAPEUZINHO VERMELHO E O LOBO-RATO
Ruy Chaves

Olá pessoal!

A longa noite da sociedade da mentira parece não ter fim. A corrupção, a maior praga do século 21, continua com seus muitos tentáculos sugando a riqueza nacional, fruto do trabalho de todos nós, sugando a honra nacional, os nossos valores , as nossas crenças, o nosso futuro .

A humilhação da saúde sem recursos, a indignidade da escola que não prepara para a vida nem para o trabalho qualificado, as condições deprimentes do saneamento e dos transportes públicos ... são a consequência mais evidente destes criminosos hediondos em sua fome insaciável, criaturas das trevas , lobos-ratos, involução da natureza humana. Daí este artigo,    

 

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

Não me lembro se foi exatamente assim, mas Chapeuzinho Vermelho era uma mocinha muito ingênua que acreditava em quase tudo que lhe diziam. Um dia sua mãe a chamou: - Leve para sua Vovozinha bolo e vinho, mas não se desvie do caminho nem dê ouvidos a estranhos. Claro, Chapeuzinho desobedeceu sua mãe, caiu na conversa do Lobo Mau, pegou um caminho que não conhecia e foi colher flores.

Ao entrar na casa, Chapeuzinho se surpreendeu com a mal disfarçada criatura peluda, grandes olhos e orelhas, boca grandona. Era o Lobo que acabara de comer a Vovozinha e que logo também comeu Chapeuzinho. Barriga cheia, o Malvado dormiu e roncou tanto que despertou a desconfiança do caçador que passava próximo e que abriu sua barriga, onde colocou muitas pedras, salvando a Vovozinha e Chapeuzinho.

Ensina o poeta: caminhante, não há caminho, faz-se o caminho ao andar. A vida tem muitos caminhos, mas há sempre apenas duas direções, uma que se percorre por caminhos mais longos e seguros e outra que conduz por atalhos mais rápidos e perigosos. A boa educação, fundada em valores e na ética de princípios, orienta pelos caminhos do bem e da justiça. Já os caminhos do Lobo são atraentes e tentadores, mas servem principalmente para engordar o próprio Lobo que nada tem de bobo, quer comer todo mundo e dificilmente se deixa surpreender com sinais externos de sua engorda. Acaba de comer e quer comer sempre, compulsivamente, olhos cada vez mais arregalados, dentes poderosos que trituram corpo e alma de suas vítimas. Somente em contos de fadas heroicos caçadores chegam no último momento e salvam as inocentes vítimas do Malvado.  

Parece que os Lobos Famintos estão por toda parte, à espreita, e se multiplicam aceleradamente. Muitas pessoas têm se afastado da condição humana em transição para o Malvado, desonrando o pai, a mãe, o filho e o Espírito Santo. Os Lobos Famintos roem a si próprios, além de roerem o mundo a sua volta. Roem empresas públicas, roem a merenda escolar, roem equipamentos de saúde, roem estradas e viadutos, roem pneus, hélices, turbinas, roem navios, usinas atômicas e hidrelétricas, roem a honra nacional. São Lobos Ratos, uma nova espécie do reino animal, uma involução da natureza humana, uma mutação genética de filme de terror, criaturas sem alma, sem ética, seres dos porões e das trevas, uma praga do século XXI. Cruz credo !

Que fazer? O Lobo que comeu Chapeuzinho e sua Vovozinha se deu muito mal. Como não é possível encher de pedras as barrigas dos Lobos Ratos atuais e do futuro, é imprescindível investigar minuciosamente suas ações e relações e julgá-los com celeridade e isenção por eventuais crimes praticados contra a nação - crimes que, por isso, deveriam ser tratados como hediondos - preservados o direito de ampla defesa e o benefício da dúvida, mas com perda de privilégios funcionais de toda ordem que deixaram de merecer com seus maus atos. Se condenar o Lobo Rato, a justiça deverá tomar todos os seus bens adquiridos ilegalmente e deixá-lo roncar o máximo de tempo possível nas prisões. Em certos casos, eletrônicas devem ser as coleiras e não as tornozeleiras.  

Panta rei.



12/01/2016 11h53

Lembranças de Míope Astigmático: Hobbes, Homem e Sociedade
Ruy Chaves

Olá, pessoal!

Vamos voltar à filosofia, desta vez com Thomas Hobbes, filósofo político inglês do século 17, um autor clássico, permanentemente "vivo" por suas idéias sempre em discussão e especialmente em prática, e a seu incrível livro O Leviatã ou a Matéria e a Forma de um Governo Eclesiástico e Civil. Hobbes tem uma percepção muito negativa sobre o comportamento do homem em estado de natureza e sobre sua vida em sociedade.

Então, defende a necessidade de supressão da liberdade e a formação de um Estado absolutista como única solução para manter a paz social e o desenvolvimento. Para ele, o Estado é um produto artificial de um pacto voluntário - teoria do contrato social - que uma vez instituído não pode ser rompido.

 

Daí este artigo,

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

Lembro-me de conversas sobre O Leviatã, talvez em 1651. Incrível a capa do livro, o gigante coroado maior que as montanhas, seu corpo a soma de pequenos corpos, em suas mãos a espada e a cruz, o poder total.

- Míope Astigmático, disse-me Hobbes, a natureza é arte de Deus e o homem sua obra prima. Por sua arte, o homem criou o Estado, sua maior obra. Então, o Estado é um homem artificial, soma dos seres que o criaram para a sua proteção. A soberania é a sua alma, dá vida ao corpo. A segurança do povo o seu objetivo, justiça e leis sua razão e sua vontade. Concórdia é saúde, corrupção, doença mortal. Sem o poder absoluto, haverá guerra permanente de todos contra todos, homo homini lupus!

- Hobbes, ouvi de Sócrates lições em que acredito : se homens justos e sábios não assumem o poder por temer sua associação com a corrupção os injustos o fazem, não cuidam do bem de todos, arruinam as cidades. Dizes que o homem é por natureza ruim e fica pior ao viver em sociedade?

- Onde não há poder não há leis, onde não há leis não há injustiça. Na vida sem o Estado nada é injusto, tudo é possível, especialmente a morte violenta, e o que distingue o homem do animal é a razão, que a imensa maioria dos homens não sabe usar. Muitos agem não como homens, mas como verdadeiros animais.

Então, a vida em sociedade somente é possível se tiramos dos homens todo o seu poder submetendo-os ao Leviatã, o ser total, a soma do poder de todos os homens. O Estado é uma só pessoa, o Deus é único e a Igreja deve se curvar ao poder do Estado. Impossível a contradição entre leis de Deus e leis do Estado.

- Absurdo, Hobbes! E a liberdade, a felicidade? Mais que razão de ser, felicidade é razão do ser. Como ser feliz sem liberdade?

- Jovem Míope Astigmático, não seja ingênuo! Pertence ao homem apenas o que ele é capaz de tomar e enquanto capaz de manter. Levado por suas paixões, o homem procura não o Bem, mas o seu bem, o bem dos que o defendem, o bem dos que decide proteger. O Bem de todos não existe, apenas o mal pode ser absoluto. Há no homem um desejo perpétuo pelo poder que somente cessa com a morte e ultrapassar sob qualquer condição quem está à frente é a felicidade.

Assim, a liberdade é do Estado, não do indivíduo e o poder soberano é de vida e morte sobre seus súditos. Direito e justiça expressam a vontade dos senhores do poder e a principal causa da dissolução do Estado é o esfacelamento da autoridade que, portanto, tem que ser preservada a qualquer custo.
- Hobbes, seus argumentos são absurdos. Vou encontrar Sócrates, tomar um bom vinho e depois falamos novamente.

Panta rei.



05/01/2016 19h39

FELIZ 2016? SÓ COM OS SUPER HERÓIS!
Ruy Chaves

Olá pessoal!

Depois da carta ao Papai Noel é momento de pensarmos em 2016, que pode ser o pior ano de nossa história recente, à exceção de 2015. A nação se desconsolida , absolutamente partida entre os que defendem a continuidade dos padrões políticos e éticos atuais e os que lutam por uma vida em dignidade, sob valores do bem e da justiça. Quem vencerá a mãe de todas as batalhas? Para a defesa da sociedade do Bem dependemos de grandes heróis que nos guiem. Daí este artigo, na verdade um pedido de socorro aos Super Heróis.

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

Quando a Terra estava sob ameaças, ou para preservar a justiça e a paz no universo, Billy Batson dizia "SHAZAM!" e, imediatamente atingido por raio mágico, se transformava no Capitão Marvel, o campeão da humanidade, um super herói esvoaçante com poderes que somavam incríveis dons: de Salomão, a sabedoria; de Hércules, a força; de Atlas, o vigor; de Zeus, o poder; de Aquiles, a coragem; de Mercúrio, a velocidade. O Capitão Marvel, lutando contra o inimigo de sempre, o Dr Silvana, ou contra muitos outros gênios do mal, nunca deixou os homens de bem na mão.

Enviado por seu pai Jor El em um OVII, objeto voador interplanetário identificado, Kal El ao ser adotado por humanos virou Clark Kent e, ao longo do tempo, viu seus poderes se multiplicarem até se transformar no Super Homem, para muitos o mais forte, o mais durão, o mais corajoso e o mais altruísta dos super-heróis. Ao tirar camisa e óculos, ficava mais potente que uma locomotiva e mais veloz que uma bala de revólver e adorava pular por uma janela, não era pássaro nem avião.

Apesar de sua absoluta fragilidade diante de kryptonita, pedra verde que retirava todos os seus poderes e que o deixava negativamente doidão, o Super Homem venceu incríveis inimigos como Metallo, Mxyzptlk, o Parasita, Mongul, Zod, Bizarro e Apocalypse, que até o matou. Mas nenhum vilão superou Lex Luthor, empresário corrupto, cientista maníaco, sempre a serviço do mal, não apenas o seu maior inimigo, mas o maior inimigo de todo o universo.

Quando Gotham City estava sob o terror imposto pelo Coringa, pelo Pinguim, pelo Charada, pelo Sr Frio, pelo Duas Caras ou por outros criminosos, o multimilionário Bruce Wayne se transformava no justiceiro e destemido Batman e garantia à cidade o retorno à vida em segurança, naturalmente até a próxima aventura. Apesar de nunca ter conseguido voar, Batman usava uma capa preta que além de compor muito bem seu personagem permitia que ele planasse sobre os céus de Gotham.

Seu capuz especial, além de disfarce também era usado para que ele se comunicasse com o Oráculo ou com a Liga da Justiça. Seu uniforme, com placas de Kevlar reforçadas por malha com fibra de titânio, sempre foi elegantíssimo. Mas seu cinto de utilidades e seu batmóvel sempre foram apenas o máximo.

Dom Quixote de La Mancha, ingênuo fidalgo cinquentão, de tanto ler histórias de cavaleiros medievais confundiu fantasia e realidade, decidiu se tornar um cavaleiro andante e correu o mundo atrás de seus delírios. Com sua armadura enferrujada, venceu moinhos, gigantes e dragões salvando donzelas e desfazendo injustiças.

Capitão Marvel, Super Homem, Batman e Dom Quixote, socorro! Seus maiores inimigos, portanto, os maiores inimigos da humanidade, estão vivos e unidos na sociedade da mentira, ameaçando-nos, pobres brasileiros, com o fim dos tempos humanos. Esta será a maior aventura de suas vidas, a mãe de todas as batalhas, garantindo a nossa honra. Sem grandes heróis que nos mostrem os caminhos da razão e da justiça não sobreviveremos. Lava Jato nos vilões!

Panta rei.



29/12/2015 21h51

A VIDA É CRISE, ENTÃO, ESTUDE MUITO E SEMPRE!
Ruy Chaves

Olá, pessoal.

O conhecimento é o pressuposto da ação e profissionais não se improvisam. Todos os dias acordamos para viver mais um dia de oportunidades e de riscos e os caminhos para a nossa realização pessoal e profissional são normalmente longos e complexos. Então, a busca pelo saber tem que ser permanente, ele é imprescindível à vida em tempos tão críticos e dependentes de habilidades e competências. Daí este artigo

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

A vida é crise. Crise é um estado permanente de mudanças e as mudanças sempre trazem ameaças e oportunidades. Sabedoria significa transformar ameaças em oportunidades e é imprescindível ser outro a cada dia, afinal, nenhum dia é igual ao outro.

Não reconhecer oportunidades ou, pior, transformar oportunidades em ameaças, o que se percebe com frequência indesejada, é um indicativo da incapacidade de usar o pensamento como o mais importante instrumento de trabalho, o que expressa o pensar pouco ou o desprezar o pensamento. Pensar para agir não dói e, normalmente, leva a excelentes resultados.

A crise pode gerar o caos, relação entre ameaças e oportunidades em que as ameaças são muito fortes e em que as oportunidades oferecem grandes riscos.
A vida é crise e caos. Portanto, em tempos sob velocidade de mudanças, compreender a vida em crise permanente é um ato de sabedoria. Arrancar os cabelos, viver se lamentando, chorar em desespero, enfiar a cabeça em qualquer buraco, se esconder debaixo do cobertor, fugir de tudo e de todos são comportamentos que indicam sabedoria zero, não solucionam crises e levam ao caos.

Menino, ainda, Míope Astigmático o meu nome, há cerca de 2.500 anos, em minhas longas conversas com meu Mestre, Sócrates - quanto ainda não consegui compreender - repetidas vezes ouvi:
"Jovem Míope Astigmático, a coragem é a primeira virtude humana, porque permite as outras virtudes".

Finalmente consegui compreender que a coragem é pilar para a vida e a esperança, imprescindível sempre e para tudo, até no fracasso. Porque o fracasso não pode ser a consequência da derrota, o fracasso não pode ser apenas o fracasso, nunca pode ser o fim. O fracasso tem que ser recomeço sempre, tem que impor sempre novas e melhores oportunidades de fazer, um fazer com mais motivação e sabedoria. O fracasso precisa ser uma forma importante de aprendizado e aprender com o fracasso do outro é sabedoria e dói muito menos do que no outro que fracassou.

Então, sim, o Brasil está em crise, mas a inflação, a recessão e o desemprego expressam o fracasso da ética, da política e da economia, não o seu fracasso. Daí, mais que sempre, coragem! Esteja sempre forte para superar as crises geradas pelo fracasso dos que estão à frente da economia e da política e que impactam tanto a sua vida. Esteja sempre forte para lutar pelo Bem Comum, para a garantia da ética de princípios e dos valores que fazem do animal homem um ser verdadeiramente humano.

Estude muito, estude sempre, não há melhor investimento. Como ensinou meu amigo Sun Tzu, se você se conhece e conhece seus inimigos está preparado para enfrentar cem batalhas. A crise pode ser inimiga mortal. Rompa com a sociedade do excesso, excesso de pessoas e de instituições que pensam e agem de formas similares, que somente tem para oferecer ao mercado o que o mercado já tem em excesso. Quem estuda por toda a vida está sempre preparado para enfrentar cem batalhas. Seja senhor de seu destino e não escravo de suas circunstâncias.

Panta rei.



22/12/2015 14h10

Carta ao Papai Noel : feliz Natal, mas, como ?

Olá, pessoal.

Ano difícil o de 2015, não? O Brasil viveu a tempestade perfeita, tudo o que poderia dar errado ou que não deveria dar errado de jeito algum deu muito errado. Além de crises simultâneas econômica e política, uma crise de valores sem precedente, em que os homens e as instituições não creem nos homens e nas instituições. A corrupção brutal, hedionda, assassina colocou-nos sob trevas profundas. A mentira assumiu proporções inimagináveis e trouxe à vida personagens de filmes de terror, frankesteins do século 21. Daí esta

 

PERSIGA AS SUAS UTOPIAS!

 

Querido Papai Noel, escrevo estas tão mal traçadas linhas antes desejando te encontrar em paz e saúde, com lucidez e plena capacidade de trabalho. Quando criança, fui teu maior fã. Adolescente e adulto esperto, sabia que não eras real. Depois, a vida me mostrou tantas coisas absolutamente inacreditáveis que voltei a acreditar em tua magia. Hoje, confesso, em tempos de pedaladas fiscais, de mensalão e de petrolão, de delação e de lobistas, de doleiros e de cavaleiros e de amazonas do apocalipse, acredito também em saci pererê, mula sem cabeça, chupa cabras, vampiros, bruxas e feitiços e em almas penadas. Perdi a capacidade de desacreditar, afinal, sou brasileiro, setentão, e isto basta para que saibas o que tenho visto e ouvido com estes olhos e ouvidos que um dia a terra haverá de comer, espero, daqui a 40 anos.

Com certeza, este Natal será um dos mais difíceis de toda a tua longa vida. Então, se queres continuar como Papai Noel, põe teus olhos no mundo, põe o mundo nos teus olhos e vê se não choras. As crianças querem boas escolas e boa educação de transformação , além de trabalho e renda para seus pais, e nesta brutal crise ética, com recessão, desemprego e inflação, não respondas apenas distribuindo brinquedos baratos de plástico.

Voa, Noel, por baixo dos pés do mundo! Corta teu cabelo e tua barba, encolhe tua barriga e para de prometer a paz! Falhastes como símbolo da justiça social e do desenvolvimento! Tu não és mais o senhor do tempo e das estrelas! Passou o tempo de passarmos o tempo sonhando. É mais que tempo de caírem as máscaras: crianças que esmolam nos sinais, que dormem nas calçadas e se prostituem, não se enganam mais com tuas cópias mal feitas e suadas que tiram fotografias pelas cidades.

Estamos cansados da estória do Papai Noel que "...não se esquece de ninguém, seja rico ou seja pobre o velhinho ..." porque te esqueces de muitos de nós. Há poucas mesas fartas reunidas no bem e na esperança e tu também acabarás sem emprego, Velho Noel, e ai de ti, encostado na Previdência, apesar de teu tempo de serviço.

Acorda, Papai Noel, troca de roupa e ... ação! Chega de hô, hô,hô! Constrói um novo tempo, lavando a jato os vampiros que sugam a riqueza, a honra e a alma da nação. Se perdemos o tempo, quem sabe o que tua lágrima fará brotar da terra ácida ? Sei que recebes zilhões de cartas, mas olha com piedade para o Brasil. Pessoas más e corruptas não merecem presentes: deveriam substituir vacas em presépios ou renas em teu trenó. Feliz Natal , Papai Noel, não te esqueças do filme de terror que parece não ter fim por aqui e não nos decepciones. Te amo!

Panta rei.