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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



30/09/2016 16h18

Sexualidade feminina de Ana Carolina a Fernanda Gentil
Sidney Rezende

Ana Carolina. Foto: Divulgação"Sou bi, e daí?". Ana Carolina, em 2005, resumiu seu estado de espírito quanto à sua sexualidade com duas ações em quatro palavras.

Não faltaram engraçadinhos para dizer que a MPB era porto de vozes potentes como Maria Bethânia, Simone, Gal Costa e Angela Ro Ro. 

Mas esse estereótipo de mulher masculinizada, "sapatão", caiu por terra. O que dizer da suavidade e poesia de Adriana Calcanhoto e Maria Gadú? Das suas vozes, ouvimos mais aconchegos do que heavy metal. 

Todas grandes artistas, mulheres importantes em tudo o que fazem. Uma palavra no plural? Dignas.

O tempo passou.

Thammy Miranda - filha de Gretchen - viaja de Pin-up desejada pelos homens até chegar aonde está: marido de Alessandra Ferreira. Talvez por conta do sorriso nos lábios. De jurada do Raul Gil, passa a ter sua condição aceita nos lares da boa família brasileira. Muitas famílias cristãs que um dia acolheram Astolfo Barroso Pinto no corpo de Rogéria.

Thammy e Alessandra Ferreira. Daniela Mercury e Malu Verçosa. Fotos: Reprodução

Em 2013, a cantora baiana Daniela Mercury foi outra que compartilhou seus sentimentos após assumir publicamente seu amor com a jornalista Malu Verçosa. "Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar", disse na ocasião. Esta foi a afirmação mais comentada, mas não a considero a mais relevante. Outra, me parece mais serena: "Tratei com a mesma naturalidade com que tratei minhas outras relações", disse em nota. 

Chegamos a Fernanda Gentil. Casada até abril com o pai de seu único filho. Amor maternal que Fernanda dedica também a um afilhado que ela cria após a mãe biológica dele ter morrido quando a criança tinha 1 um ano e meio.

Fernanda Gentil e Priscila Montandon. Foto: Reprodução/InstagramAo assumir seu namoro com a também jornalista Priscila Montandon, de 34 anos, ela repete o bom caminho da tranquilidade e não o preferido por detratores da moral alheia, a histeria. 

Seu texto vai direto ao ponto: "Estou só exercendo o meu direito de ser muito, muito feliz. Tenho apenas um recado, e é para os meus filhos, que mais cedo ou mais tarde podem ler ou ouvir tudo por aí: lembrem de não se importarem com tudo o que dizem sobre nossa vida - o que vale é que a mamãe fala com vocês em casa, olhando nos seus olhos. Não é o que vestimos que muda quem somos, e sim o que fazemos. Lembrem também, sempre, do nosso amor, que não tem cor, sexo ou raça. Amo vocês." 

O que avançamos de Ana Carolina até Fernanda Gentil? Cada vez mais mulheres decidem ser felizes da maneira que desejarem, sem precisar para isso a concordância de homens, autoridades, pastores religiosos, vizinhos, chefes ou qualquer segmento da sociedade. 

A liberdade de escolha não pode ser provisória. Ela precisa ser permanente, para ser democrática. Todos podem decidir o rumo que querem dar às suas vidas.

O que não avançamos de Ana Carolina até Fernanda Gentil? Eu escrever um artigo como este. O dia que tornar desnecessário falar sobre isso é porque temos outros assuntos mais importantes para tratar. Vamos voltar ao trabalho, porque sempre temos coisas mais relevantes pra fazer. Vou ali e já volto!


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28/09/2016 20h12

Violência política às vésperas das eleições

Multiplicam-se pelo país atentados por motivação política. Em Goiás, o vice-governador e secretário de Segurança Pública do Estado, José Eliton, e o candidato do PTB à prefeitura de Itumbiara, José Gomes, foram baleados por um atirador, que estava num carro preto, enquanto participavam de uma carreata na cidade goiana na tarde desta quarta-feira (28).

No Rio, a polícia investiga a possibilidade do então presidente da Portela e candidato a vereador, Marcos Falcon, ter sido assassinado nesta terça-feira (27) por desentendimento com um rival, também político.

Na região metropolitana do Rio de Janeiro, 14 candidatos foram assassinados. O banditismo revive uma página que se imaginava superada nas regiões sul e sudeste do país.

O reacendimento da discórdia que presume justiça com o uso de bala é o retrato do atraso. O país pós-impeachment, com um governo que, apesar de "legitimado" pelo Congresso, ainda transmite caráter provisório, a eleição mais importante distante em 2018, e a falta de equilíbrio financeiro, econômico e institucional, tudo isso empurra o Brasil para um perigoso fosso.

Certamente, o Rio de Janeiro e Goiás pedirão reforço da Guarda Nacional para que as eleições transcorram com alguma tranquilidade. A barra pesou.



28/09/2016 11h08

Por que a criminalidade aumentou no Rio de Janeiro
Sidney Rezende

Quem em sã consciência é capaz de afirmar que o pobre é criminoso em potencial? Se o raciocínio fosse este, não teríamos como explicar os milhões de brasileiros honestos que vivem com pouco. São trabalhadores, e longe de qualquer prática ilegal.

Ocorre que não podemos esquecer que todo período de crise financeira e econômica é mais estimulante para o descontrole social. É assim no mundo todo. Bill Clinton diria "é a economia, estúpido".

Na falta de dinheiro, rareiam os empregos, diminuem as oportunidades, aumenta a informalidade, desmantela o Estado, enfeixa-se riqueza nas mãos da elite e a falta de justiça social leva a um perigoso sentimento de abandono na cabeça dos mais desfavorecidos. 

Repare o que está acontecendo agora com o Rio de Janeiro. Encerrada a onda de megaeventos que começou com a Copa do Mundo de Futebol, Jogos Militares, encontros setoriais e a Olimpíada, voltou a dura realidade.

O Estado vive sérias dificuldades, a prefeitura não poderá investir como fez Eduardo Paes durante seus dois mandatos, e o governo federal nem sabe qual será o real destino do presidente que o comanda. A crise nacional está longe de acabar.

Virão dias mais duros, apesar da mídia e as autoridades de plantão desenharem a mais suave imagem do paraíso. Teremos longos meses de dureza absoluta pela frente.

A crise econômica se expressa em números. Quer a prova?

Os dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgados na última sexta-feira (23) escancara o que os cariocas estão vivendo nas ruas. Vamos analisar só o mês de agosto, os números mais atuais:

Homicídios Dolosos - Em agosto de 2016, foram 100. Em 2015, no mesmo mês, foram 86. Um crescimento de 16,2%.
        
Roubos a Transeuntes - 2016, foram 3.670 / 2015, foram 2.646 / crescimento de 38,7%.
        
Roubos de Celulares - 2016, foram 895 / 2015, foram 631 / crescimento de 41,8%.
        
Total de Roubos - 2016, foram 8.155 / 2015, foram 6.100 / crescimento de 33,6%.
        
Total de Furtos - 2016, foram 10.079 / 2015, foram 7.536 / crescimento de 33,7%.           

Roubos em Ônibus -  2016, foram 1204 / 2015, foram 628 /crescimento de 91,7%.
              
Roubo de Veículos -  2016, em agosto, foram 1269 / 2015, em agosto, foram 1099 / crescimento de 15,5%

A criminalidade aumentou no Rio de Janeiro, porque vivemos uma crise econômica e financeira e a nossa matriz de desenvolvimento está errada. Sentamos em cima do setor de petróleo e gás, não desenvolvemos alternativas. O setor de serviços - que é uma das vocações primordiais - vive um certo abandono. As políticas para a indústria também se perderam e precisam ser redefinidas.

Só um exemplo: 1/3 do leite consumido é produzido no estado e o complemento é importado. Os cariocas continuam comendo na mão dos outros.

A julgar pelas plataformas dos candidatos a prefeito, eles só vão reduzir investimentos, prometem cortar, mas ninguém fala em desenvolvimento sustentável.

Com a polícia militar debilitada, o descontrole da criminalidade vai continuar.


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27/09/2016 10h35

Como a perícia criminal vai chegar aos assassinos de Falcon
Sidney Rezende

O perito criminal Mauro Ricart, um dos profissionais mais experientes do país, concedeu uma entrevista esclarecedora a este blog do SRZD de como será o trabalho da Polícia Civil para chegar aos criminosos responsáveis pela execução do presidente da Portela, Marcos Falcon. Eu recomendo ouvir a entrevista abaixo na íntegra.

O perito de campo encarregado do caso Falcon já recolheu vestígios encontrados no local do crime, tirou fotos e está em elaboração dos croquis do ambiente. Projéteis foram recolhidos e colhidas amostras de sangue. 

Como os tiros foram de fuzil, a maioria das balas não fica no corpo do sambista. Entenda como tudo aconteceu ouvindo a entrevista.

Mauro Ricart é vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, aprovado em Concurso Público em maio de 1965. Aposentado por tempo de serviço em 1996, mas até hoje é uma referência.

Ele foi o perito criminal que atuou na solução de inúmeros crimes. Um dos mais rumorosos foi o caso Baumgarten, em que as personagens mais populares eram o delegado Ivan Vasquez, o general Newton Cruz e o bailarino Polila.

Ouça o que ele disse sobre a execução sumária de Marcos Falcon:

 

Veja mais:

- 'Ah, é Marcos Falcon!', gritam portelenses em velório de presidente

- Hélio Rainho: 'Nosso luto é mais azul!'

- Sidney Rezende: 'Quem era Falcon?'

- Morte de Falcon deixa um vazio na Portela e na Intendente Magalhães

- Corpo de Falcon é velado na quadra da Portela e Selminha Sorriso está em estado de choque

- Portelense, prefeito do Rio pede 'brevidade' nas investigações da morte de Falcon

- Artista falou com Falcon minutos antes de seu assassinato

- Nas redes sociais, sambistas manifestam tristeza por morte de Falcon

- Liesa lamenta morte de presidente da Portela

- Em nota, Beija-Flor lamenta morte de Marcos Falcon

- Presidente da Portela, Marcos Falcon é morto a tiros na Zona Norte do Rio

 


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26/09/2016 19h36

Quem era Falcon?
Sidney Rezende

Há um mês e meio, eu conversei longamente com Marcos Falcon. Ele era uma destas personagens lendárias do mundo do samba que conseguem equilibrar numa só pessoa respeito, medo e doçura. Tudo junto. No meu caso, sempre transmitiu consideração. Nunca recusou uma ligação em nome do SRZD

Sempre educadíssimo, ouvia com máxima atenção e pedia permissão para iniciar sua fala. Conversamos sobre o Carnaval do ano que vem, rapidamente sobre sua candidatura e bastante tempo sobre comunicação. Ele me comentou detalhes que o incomodavam na relação Portela e imprensa. Mas prefiro não falar neste momento. 

Depois da sua morte, executado a tiros de fuzil, certamente muito mais se dirá, ainda mais sobre alguém que galvaniza opiniões sobre si tão diferentes. Falcon se transformará numa destas lendas urbanas do samba em que os motivos da sua morte ainda gerarão muitas interpretações. Quem será que o matou e por quais razões?

Deixemos a polícia trabalhar. A minha aposta é que a execução nada tem a ver com sua condição de candidato a vereador.

Falcon já tinha sofrido quatro atentados, levado 18 tiros e se submetido a nove cirurgias reparadoras. Não era um homem comum, diríamos. 

Subtenente da PM, acusado e inocentado de integrar milícia, também tinha aquele jeitão de destemido. Passava firmeza, e tinha força na mão ao cumprimentar o interlocutor. 

Falcon atraia respeito dos portelenses, medo de inimigos e adversários - já que ele transitava por ambientes pouco recomendáveis para amadores - e doçura para aqueles que ele considerava pessoas especiais.

Por falar em doçura, na sua casa, sua mulher é a que melhor exprime esta expressão: Selminha Sorriso. Neste momento, não existe uma só pessoa que a conheça que não queria lhe estender o ombro. Condolências.



23/09/2016 14h15

O risco da educação virar cabide de emprego
Sidney Rezende

De boas intenções o inferno está cheio. Este dito popular voltou a ser atual.

O ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho, liderou a reforma do ensino que pretendia ampliar vagas na universidade. Ele queria criar oportunidades. O resultado foi a queda da qualidade e a proliferação de faculdades "tamboretes" pelo país. Mal que convivemos até hoje.

O erro de avaliação do passado propiciou o surgimento de novos milionários no segmento. Enquanto surgiam magnatas, muitos alunos que os sustentavam com suas mensalidades se viram analfabetos funcionais.

Ensino integral parece ser o sonho de todos. Balela. Quando o então governador do Rio, Leonel Brizola, resolveu implementar os Cieps, o projeto foi execrado pelos grandes meios de comunicação e pela elite endinheirada da época. Os de sempre detonaram o programa de Darcy Ribeiro.

O Governo Temer botou para jogo a sua nova proposta educacional. Modernizar métodos de ensino e buscar novas estruturações devem ser bem-vindas. Aí tem jabuti. Tem caroço neste angu. Senão vejamos:

"Serão aceitos profissionais com notório saber reconhecido pelos respectivos sistemas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação". Tudo bem. Mas alguém tem dúvidas que os coronéis da política vão aproveitar para indicar cabos eleitorais? Alguém em sã consciência duvida que os políticos vão impor apaniguados jabutis para se passarem por tartarugas e mamarem no Estado, empoleirar nas escolas? 

Sem comprovação alguma de títulos, o vale-tudo passará a prevalecer.

"A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, sendo sua prática facultativa ao aluno". Voltou aquela prática condenável do professor dizer para os alunos: "Vocês querem ter aula hoje?". O grupo, em uníssono, gritará: "NÃOOOOOOO!!" 

Quantos alunos preguiçosos em 30 dirão que estão com vontade de comparecer à aula de educação física?

No currículo do ensino fundamental, será ofertada a língua inglesa a partir do sexto ano. "Ofertar" é sempre um verbo complicado.

Recomendo aos professores que entrem nesta discussão antes que seja tarde. Os falsos jabutis de Brasília já estão nos galhos da educação e não vai sobrar uma frutinha sequer para vocês.


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22/09/2016 14h33

O problema da omissão
Sidney Rezende

Estamos fragilizados. Ninguém aguenta mais política. O nosso saco estourou. O divórcio da sociedade com os caras que mandam em Brasília é inegável. Até porque eles só nos trazem aborrecimentos. Raramente, soluções.

Nas redes sociais, a postagem de fotos e vídeos de "cacetadas" já representam cinco vezes mais do que qualquer assunto relevante.

A baixa leitura de notícias de política e a veloz substituição por imagens humorísticas - de zoeira como diz a nova geração - não deixam de ser o reflexo da exaustão. O escapismo é um lugar mais quentinho do que a dureza da realidade.

Já existiu um tempo em que repórteres descobriam através de longas apurações alguma coisa encoberta que se transformava em notícia. Hoje, já há relatos e testemunhos de que certas autoridades acertam agenda com as TVs e equipes são deslocadas em comum acordo.

A execração pública virou bilhete para uma futura delação premiada, quem sabe. O respeito foi substituído pelo esculacho.

O homem trabalhador é levado a pensar que isso que é o certo. Assim é que se tem que agir com suspeitos de "corrupção". Até o dia em que ele próprio é "esculachado" pelo policial numa revista dita de rotina, destratado pelo atendente de uma repartição pública, agredido pelo guarda municipal, ou humilhado por uma "autoridade" que invade seu rosto com uma credencial, ironizado pelo síndico do prédio, debochado pelo chefe, demitido com escárnio pelo dono da empresa, vasculhado pelo promotor público, enquadrado por suspeitas de juiz qualquer. Aí, o homem de bem entenderá a razão de existir direitos humanos e fiel cumprimento das leis que regem a civilização que todos estamos inseridos.

Mesmo fragilizados, de saco cheio, distantes do que os malucos em Brasília andam fazendo em praticamente todas as esferas, precisamos separar o permanente do transitório.

Queremos democracia como um regime duradouro no nosso país? Estamos mesmo interessados em enfrentar o autoritarismo, o abuso dos poderosos de plantão e a ilegalidade?

Se a sua resposta foi "sim", então saiba que a cada minuto sua convicção está sendo submetida a uma prova de fogo. E você está perdendo fileiras velozmente. A ditadura está mais perto do que você imagina, e, desta vez, ela virá muito mais feroz do que qualquer outra que você tenha ouvido dizer que já tenha existido.

E sabe por que? Porque o problema da nossa omissão é a permissão para que algo que você não conhece se instale. E quando você souber direitinho o que é que se instalou, já era. Já foi.

O problema da omissão é que, por causa dela, poderão ocorrer atropelos ao estado de direito. E isso não é grave. É gravíssimo.


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06/09/2016 09h17

O que é preciso saber sobre a carne
Sidney Rezende

O Brasil é um dos maiores produtores, exportadores e consumidores de carnes do mundo. O curioso é que nós desconhecemos detalhes das cadeias produtivas, principais matérias-primas utilizadas e, até mesmo, como funciona a produção de rações para os animais.

Eu serei moderador de um evento que pretende, ao lançar o Atlas da Carne, discutir justamente estes pontos ainda pouco claros para o cidadão.

Veja aqui como será o evento e entenda a importância de se tratar do assunto com seriedade.



03/09/2016 13h04

Eleições Municipais: Para o mundo que eu quero descer
Sidney Rezende

A longa crise política que culminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff acabou com o moral do brasileiro. Foi desgastante demais. Encheu o saco de todos. Na economia, só para resumir, empurrou milhões para o desemprego. Antipatizou o desejo da população em fazer militância. Seja a favor ou contra.

O ódio que divide esquerda e direita ultrapassou todos os limites. O sentimento de caça às bruxas, de patrulha ideológica, rançou os ânimos. Estamos mais irritadiços e impacientes. O ar está contaminado. Não há espaço para imaginar esperança em meio a este pântano. Embora seja este engodo que os meios de comunicação vão criar agora, a de que estamos livres para voar rumo ao paraíso. Mentira.

O sentimento revanchista paira no ar. Os pré-julgamentos e preconceitos tomaram lugar da cordialidade. A tolerância e a ternura estão em baixa. Está faltando respeito entre nós.

Neste processo arrastado em que, surpreendentemente, o deputado Eduardo Cunha e políticos citados na Operação Lava-Jato como beneficiários de corrupção continuam soltos, cresce a sensação terrível de impunidade.

Quem pôde ir embora para o exterior já o fez. Quem ainda está por aqui se sente como alguém que está por um fio antes de explodir.

Neste rescaldo, vêm os Jogos Olímpicos e nos lava a alma. Luz, beleza, cores, atletas saudáveis e vitoriosos, policiamento nas ruas, serviços com melhor qualidade, mobilidade mais eficiente do que nos dias normais... Enfim, êxtase. Foi curto. Acabou.

Voltamos para nossas vidas modorrentas. No lugar de jovens atléticos, temos um processo político que definirá prefeitos e vereadores no dia 2 de outubro. Se tiver segundo turno, no dia 30.

Repare que os candidatos com possibilidade de vitória são pertencentes a agremiações com menor estrutura. O povo quer se libertar das velhas raposas, mas não consegue. Estamos trocando seis por meia dúzia.

O mais complicado é que podemos ter uma safra de prefeitos pior do que a atual. O quadro não é bom. A campanha política é de tiro curto: de 90 foi reduzida para 45 dias.

Quem for mais conhecido leva vantagem. Quem tem mais dinheiro, como sempre, também. Quem tiver máquina pública terá uma baita vantagem sobre oponentes.

Estamos diante do mais do mesmo, com viés de baixa. O eleitor tem um papel inestimável que é não permitir o prosseguimento deste processo dilacerante de elevar bandidos à condição de autoridade e eleger vereadores realmente capazes de não negociar o seu voto em troca de dinheiro no bolso. Quem acredita em duendes?


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02/09/2016 10h25

As 'misteriosas' viagens de Silvio Santos
Sidney Rezende

O apresentador Silvio Santos é, comprovadamente, uma das três personalidades brasileiras que podemos chamar de celebridade. As outras duas são Pelé e Roberto Carlos. Ninguém mais ocupa este panteão. Lula tropeçou. Neymar não se aproxima destes "gigantes".

Silvio Santos. Foto: SBT

Tudo o que envolve o animador desperta curiosidade. E, Silvio, sejamos justos, consegue a cada domingo, durante seu programa, surpreender seus telespectadores com o que há de mais inusitado.

O amor do povo é tão grande que um fã escreveu numa rede social: "Silvio tinha que ser eterno". Para ele, Senor Abravanel (nome de nascença do dono do "SBT") é tão divertido que não deveria morrer nunca.

Até o fim do ano, Silvio deverá fazer outras viagens ao exterior. Para um senhor de 84 anos, ele está demonstrando uma saúde de ferro diante de percursos tão longos. Ele faz esteira diariamente, cuida da sua saúde, faz acompanhamento médico e trabalha com disposição durante a semana.

De acordo com um dos sites que acompanha o mundo dos famosos, "só neste ano, é a quarta vez que o dono do SBT viaja para fora do Brasil. Ele passou o Ano Novo nos Estados Unidos, voltou para lá depois do Carnaval. No meio do ano, foi curtir um cruzeiro pela Europa com a mulher e uma das filhas. Desta vez, Silvio deve voltar ao Brasil em 12 de setembro. A ideia é aproveitar o feriado da Independência do Brasil na próxima quarta-feira (07)."

Segundo o colunista Flávio Ricco, o dono do SBT viajou na noite desta quinta-feira (1°) para Orlando, nos Estados Unidos. O Homem do Baú será acompanhado pela esposa, a escritora de novelas Iris Abravanel.

Silvio gosta quando viaja, principalmente para os Estados Unidos, acompanhar o que as televisões locais estão exibindo. De lá, tira muitas das suas ideias para quadros em seu próprio programa ou séries e modelos para o resto da programação do "SBT".

No final do ano passado, pouco tempo depois de casar a sua filha mais nova, Renata, no Guarujá, no hotel Jequitimar, de sua propriedade, Silvio voou para a Europa. Ele retornou para apresentar o "Teleton", animado como sempre. E deu aquele espetáculo ao contar que tinha incontinência urinária e que adoraria experimentar as novidades do mercado que oferecem fraldas geriátricas. No dia seguinte, ganhou algumas coisas. Mesmo ano que também ganhou uma assinatura vitalícia do Netflix.

Apesar destas viagens sempre trazerem notícias de que Silvio está curtindo com a família, descansando, e aproveitando sua vida madura, muita gente suspeita que por trás delas possam existir negócios, contratações ou outros compromissos não revelados. Por isso, estas pessoas, sempre costumam especular que há algo misterioso no ar.

Teoria conspiratória de lado, no que tange a celebridades, nada pode ser descartado.

Numa outra ocasião, se desconfiou que o magnata teria ido para a Europa para um encontro reservado com o também animador Gugu Liberato, hoje na "Record", que estaria na Grécia com a família. A especulação ficou por aí.

Silvio Santos. Foto: ReproduçãoEmbora hoje o empresário, que gosta de Gugu, sinalize que preferiria trazer Rodrigo Faro para os domingos do "SBT". Está fresco na memória a cena, durante uma das edições do Troféu Imprensa, em que Silvio franqueou o púlpito para Faro. Fala-se nos corredores do canal que o sonho de Silvio, quando aposentar, seria ter o apresentador da emissora de Edir Macedo no seu lugar.

Se este ano as inúmeras férias de Silvio são particulares, como a usufruída por qualquer trabalhador, misteriosas ou não, elas são direito privado do empresário. Até porque Silvio não se importa de se deixar fotografar com roupas desconexas como fez em Miami; em cima de jegue, quando passou dias no Caribe... E logo saberemos.

O dono do Baú é um pouco Assis Chateaubriand, o Chatô. Ele desperta curiosidade por ser que famoso e rico. Mas também porque é íntimo, e é celebridade.

Silvio Santos é amado como Pelé e Roberto Carlos. E os fofoqueiros não dormem, não é mesmo?



01/09/2016 09h46

O alívio da direita e a missão da esquerda de derrotar o PMDB nas eleições
Sidney Rezende

Um dia depois do afastamento definitivo da presidente eleita Dilma Rousseff, o quadro político ganha um novo contorno.

Vamos pinçar o mosaico para que você reflita sobre o todo:

Os empresários estão empenhados no discurso de que é preciso esquecer a agenda política e focar na economia. E, como tal, ativar os investimentos e estancar o desemprego. O tom é que tudo deverá ser feito para turbinar a máquina do setor produtivo no intuito de devolver a sensação de desenvolvimento e a prosperidade.

Os meios de comunicação ajudarão nesta tarefa. Qualquer pequena notícia boa será elevada à condição de manchete principal. Sem publicidade, a mídia não se mantém em pé.

As Forças Armadas continuam sabiamente equidistantes, afinal são guardiãs da Constituição, mas os militares, em sua maioria, respiraram aliviados após a destituição de Dilma e o enfraquecimento real do PT e dos chamados "comunistas que poderiam levar o Brasil a tornar-se uma Venezuela". Uma das mais importantes instituições do Brasil é, historicamente, conservadora.

A bancada religiosa integrada por católicos e evangélicos também se sente mais bem representada por Michel Temer e seu grupo do que por Dilma e Lula. Os pastores trabalharam ativamente pela viabilidade do governo atual.

A esquerda está discutindo duas propostas. Uma, lançada por Lula, a criação de uma Frente Ampla de Esquerda. Outra ação, esta anunciada ontem à noite pelo candidato do Psol à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, que é intensificar "a luta contra o PMDB e derrotar o partido nas eleições municipais em todo o Brasil". É preciso humilhar eleitoralmente os "golpistas", vamos dizer assim.

O que querem Lula, Freixo e Dilma - reafirmado pela presidente deposta no seu primeiro discurso após a derrota no Senado - é manter ataque constante ao Governo Temer e aos "golpistas". Dia e noite.

O presidente Temer, agora oficialmente empossado, deixou claro que o seu movimento não será rumo à "união" ou à "pacificação" - embora em palavras isso tem sido dito com todas as letras - mas de guerra aos opositores.

E, curiosamente, o "fogo amigo" chegou no pedaço, quando Temer propagou aquele recado dominador ao parlamento de que não tolerará atitudes independentes de deputados e senadores.

O recado duro também foi para dentro do Governo. Ao dar início à primeira reunião com sua equipe, Temer afirmou que será "inadmissível" qualquer tipo de divisão em sua base parlamentar e determinou que "se é governo, tem de ser governo".

Já a imprensa, esta se divide em dois grupos. O hegemônico, composto por proprietários de rádio, TV e jornais impressos - de apoio irrestrito a Michel Temer. O que leva a crer que será difícil prosperar na Justiça qualquer leve ameaça que aparente risco de desestabilização do estabilishment.

É duro reconhecer, mas nesta empreitada, patrões e empregados estão juntos. Jornalistas chegaram a estampar bandeiras do Brasil nas páginas dos seus veículos quando o resultado da saída de Dilma foi anunciado.

Colegas também publicaram em redes sociais textos, vídeos e fotos expressando felicidade diante do ocorrido.

E, num outro grupo, este mais presente na internet, profissionais se equilibram entre os que acham que a democracia sofreu um golpe; e aqueles, mais conservadores, que optaram por memes e galhofas. Por isso, a associação da imagem de Lula à cachaça; Dilma à imbecilidade; PT a Chávez; e a esquerda às bandeiras comunistas.

Os novos tempos serão sombrios.

Manifestação após impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Claudia Villas Boas


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01/09/2016 09h29

Vida de aposentada
Sidney Rezende

Somos cinco irmãos. Fui alfabetizado pela minha irmã mais velha, Nair Rezende. E, agora, tenho a alegria de ler o seu blog. Compartilho com vocês: vidadeaposentada-nair.blogspot.com.br


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31/08/2016 14h33

Dilma, fora. E agora?
Sidney Rezende

O grande "acordo" por cima que uniu maioria do Congresso, Mídia, parte da Justiça, Ministério Público e a elite conservadora selou o destino de Dilma Rousseff e, com o impeachment, encerra o ciclo do PT conquistado no voto, e que só poderá voltar a existir numa próxima oportunidade. Não se sabe quando. E nem se haverá eleições em 2018.

Como em 1964, boa parte do povo apoiou o processo e reedita-se o modelo conservador, centralizador e autoritário do passado.

Ao Partido dos Trabalhadores, só resta uma única chance, e ela seria com Lula, o seu principal líder. Mas o que acontecerá com ele?

Ao agora presidente da República, Michel Temer, caberá definir o ritmo: se o da "pacificação", visando a permitir que a democracia volte aos trilhos, ou a "caçada" a Lula, para tirá-lo de vez do caminho.

A julgar pelos atos durante a interinidade, podemos prever o prosseguimento da "higienização" de qualquer vestígio de pensamento divergente.

Perdem importância Eduardo Cunha ou mesmo a Lava-Jato, de Sergio Moro. A inocência de Cunha, por exemplo, não será surpresa. Ou mesmo uma saída negociada. O deputado fluminense fez muito para o "fora Dilma". Não é nem justo com ele que se exija que cumpra a lei.

A história brasileira está repleta de "aos amigos, tudo, e aos inimigos, a Lei". Cunha é amigo.

Confirmado o afastamento da presidente Dilma Rousseff, o governo Temer terá até dezembro de 2018 para executar seu programa.

O TSE poderá reprovar as contas de campanha da chapa Dilma-Temer antes de 31 de dezembro deste ano e o presidente teria, neste caso, o mandato cassado. No seu lugar, assumiria o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, e, em 90 dias, haveria nova eleição presidencial.

Se a condenação do TSE acontecer após 31 de dezembro próximo, mesma situação, mas, em eleição indireta, o Congresso elege outro presidente.


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30/08/2016 08h23

Políticos profissionais e você
Sidney Rezende

Existem momentos cruciais em que precisamos escolher um lado. Este é um deles.

Quantos de nós detestam políticos? Por que o nosso desamor? Eles mentem, roubam, são egoístas e especialistas na arte de enganar e trair princípios. Esta é a explicação mais comum que ouço por aí.

Este artigo não é para defendê-los, e muito menos para protegê-los. É para tornar separáveis na nossa cabeça "políticos" de "política". Por entender políticos como inaceitáveis, nos divorciamos da política. Deste processo nasce o subdesenvolvimento e cria os espaços livres para os larápios da política.

Nós é que estamos errados. Os políticos agem confirme seu DNA. Elefante é elefante. Cachorro é cachorro. Inseto é inseto. Não espere de nenhum deles conduta integral de seres humanos.

Os políticos brasileiros são aqueles que vimos na Câmara no dia da votação da admissibilidade do processo de impeachment da desajeitada presidente Dilma Rousseff. Os mesmos que no Senado se pronunciaram, dando sequência ao afastamento da chefe da nação eleita por 54 milhões de votos.

São políticos profissionais Romero Jucá, Moreira Franco, Jair Bolsonaro, Pastor Feliciano, Michel Temer, Agripino Maia, Cássio Cunha Lima, Ronaldo Caiado, José Sarney, Renan Calheiros. Estes são os vencedores. Não de agora, mas de sempre. Eles representam a "elite" da política brasileira.

Aos que entendem a prática da política como ação real de transformação, devemos destemor aos protagonistas, mas escolher o lado que se empenha em resgatar os pobres. O nosso lado, a meu juízo, é o da prioridade máxima para educação, reciclagem urgente para professores e profissionais da área.

O nosso lado é o da inclusão. O nosso princípio precisa ser o de "amar o próximo como a ti mesmo". Se o nosso lado não coincidir com o dos "vencedores", não tem importância. Estamos onde estamos por causa deles.

O apelo central aqui é... não abandone a arte da política. Mas escolha um lado. O mais fácil é o dos vencedores. É isto que você quer para nós e para o país?


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23/08/2016 18h08

Usain Bolt é um dos atletas mais ricos do mundo

O escândalo sexual envolvendo Usain Bolt ganha ainda mais projeção depois de se saber que o jamaicano tem uma fortuna superior a US$ 71,4 milhões - ante US$ 44 milhões de Phelps.

Entre patrocínios e prêmios, incluindo um acordo de US$ 10 milhões por ano até 2025 com a Puma, Bolt ganha dinheiro que já chama a atenção do mundo esportivo mundial. 

Jady 'Bolt', sua musa brasileira, está de olho nesta conta bancária.