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Tadeu Kaçula

Tadeu Kaçula

CARNAVAL/SP. Sambista, sociólogo e pesquisador das origens do samba e da cultura tradicional de São Paulo. Fundador do Instituto Cultural Samba Autêntico e do Projeto Rua do Samba Paulista. Idealizador e produtor do projeto Memória do Samba Paulista, que reúne uma coleção com 12 CDs dos principais sambistas e Velha-Guardas das Escolas de Samba de São Paulo. Diretor cultural da Uesp - União das Escolas de Samba Paulistana - e membro do departamento cultural da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo. Ex-presidente da Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco. Autor do livro "Casa Verde - Uma pequena África na Zona Norte de São Paulo".

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



05/04/2016 10h15

'O Carnaval e o ornitorrinco'
Tadeu Kaçula

Todo mundo sabe o que é um ornitorrinco? Não?

Pois bem, ornitorrinco (nome científico: Ornithorhynchus anatinus, do grego: ornitho, ave + rhynchus, bico; e do latim: anati, pato + inus, semelhante a: "com bico de ave, semelhante a pato") é um mamífero semiaquático natural da Austrália e Tasmânia.

Ornitorrinco. Foto: Reprodução

É o único representante vivo da família Ornithorhynchidae, e a única espécie do gênero Ornithorhynchus. Juntamente com as equidnas, formam o grupo dos monotremados, os únicos mamíferos ovíparos existentes. A espécie é monotípica, ou seja, não tem subespécies ou variedades reconhecidas.

O ornitorrinco possui hábito crepuscular e noturno. Preferencialmente carnívoro, a sua dieta baseia-se em crustáceos de água doce, insetos evermes. Possui diversas adaptações para a vida em rios e lagoas, entre elas as membranas interdigitais, mais proeminentes nas patas dianteiras. É um animal ovíparo, cuja fêmea põe cerca de dois ovos, que incuba por aproximadamente dez dias num ninho especialmente construído.

Os monotremados recém-eclodidos apresentam um dente similar ao das aves, um carúnculo, utilizado na abertura da casca; os adultos não têm dentes. A fêmea não possui mamas, e o leite é diretamente lambido dos poros e sulcos abdominais. Os machos têm esporões venenosos nas patas, que são utilizados principalmente para defesa territorial e contra predadores. Possui uma cauda similar a de um castor.

Sendo assim, é dessa forma que vejo o Carnaval 2016. Um conjunto de formas indefinidas e resultados sem uma estética cuja lógica nem sempre sobrepuja a contradição.

É fato que hoje o carnaval de São Paulo atinge um nível incrível de desenvolvimento tecnológico e cênico no tocante a sua desenvoltura acompanhando os pensamentos e teorias Darwinianas evolucionistas, entretanto, não podemos desconsiderar a importância subliminar de cada entidade cujas características objetivas acabam sendo analisadas, observadas e julgadas de forma altamente subjetiva ocasionando um déficit "sambístico" e cultural sem precedentes.

O abismo entre a primeira colocada do Grupo Especial e a última colocada do Grupo de Acesso é algo assustador, pois na prática, a viabilidade dessa entidade obter a mesma estrutura que a primeira colocada do Especial é surreal e utópica tornando o processo idêntico ao que definimos como um verdadeiro Ornitorrinco.

Não estou criticando o nosso belo e valioso Carnaval construído e estruturado a duras penas pelos nossos grande baluartes do samba como Seo Inocêncio, madrinha Eunice, Pé Rachado, Seo Carlão do Peruche entre tantos mestres, mas penso, e pensando logo existo, que é fundamental uma análise mais aprofundada para observarmos de onde viemos, onde estamos e para onde iremos dadas as circunstâncias postas nos últimos anos, onde o Carnaval deixou de ser uma caixinha de surpresas para ser uma caixa de Pandora!

Viva o Carnaval de São Paulo e que o nosso bom e velho Ornitorrinco possa brilhar lá pelas bandas da Austrália e Tasmânia deixando o Carnaval de São Paulo para o sambista e suas amadas e incríveis escolas de samba.

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04/12/2015 14h50

Os Bambas de São Paulo e a Tiririca
Tadeu Kaçula

"Oia a banana oro i da terra" e as rodas noturnas com muito jongo, umbigada, samba rural e tiririca, que era uma espécie de capoeira paulista; "Zum, zum, zum, zum, zum, zum capoeira mata um".

Era assim que a "curriola", a nata da malandragem, passava o tempo no extinto largo da banana que era uma espécie de centro cerealista onde atualmente fica a sede do Memorial da America Latina no bairro da Barra Funda.

Largo da Banana. Foto: Acervo

Ali, em quanto não havia trens para descarregar, os negros faziam as batucadas nas caixas de frutas e de engraxates que nas horas vagas se ajuntavam com os bambas da região.

"É tumba moleque tumba é tumba pra derrubar...

Tiririca faca de ponte, capoeira vai te pegar...

Dona Chica do tabuleiro quem derrubou seu companheiro

Dona Chica do tabuleiro quem derrubou seu companheiro

Abre a roda minha gente que o batuque é diferente

Abre a roda minha gente que o batuque é diferente"

(Geraldo Filme)

Outros pontos importantes de encontro dos sambistas para as rodas de pernada, como também era chamada a tiririca, era as "Cinco esquinas" na Baixada do Glicério, na antiga Prainha, atualmente Vale do Anhangabaú, e um dos mais importantes pontos de encontro dos engraxates e bambas do samba paulista, a famosa Praça da Sé.

Lá, se reuniam Toniquinho Batuqueiro, Seo Silval, Carlão do Peruche, Germano Matias, dentre outros, mas, um dos principais bambas que, segundo Toniquinho batuqueiro, era o bom de pernas e o "valente" da época, foi Valter Gomes de Oliveira, o "Pato N´àgua".

"...o tira teima dos sambistas do passado...

Bexiga, Barra Funda e Lavapés

O jogo da tiririca era formado...

O ruim caia e o bom ficava de pé..."

(Geraldo Filme)

Enquanto a roda acontecia, os engraxates batucavam na tampa da lata de graxa e faziam a marcação nos caixotes e o ritmo conduzia os bambas que, no desafio, faziam de tudo para manter seus ternos brancos intactos, pois aquele que saísse da roda com o terno sujo éra porque tinha caído e, assim, não era o "bom de perna"!

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13/10/2015 15h36

Dos cordões às escolas de samba - parte 5
Tadeu Kaçula

Em 1935, Eupídio de Faria funda a escola de samba 1ª de São Paulo e, dois anos depois, em 1937, em plena instauração do estado novo no Brasil, Madrinha Eunice funda a primeira escola de samba ainda em atividade, a Lavapés!

Essas foram as primeiras escolas de samba fundadas em São Paulo em plena era dos saudosos Cordões carnavalescos que imperavam até o final da década de 1960 na capital paulista.

À época, o então prefeito da cidade de São Paulo, Faria Lima, achava o modelo do Carnaval em São Paulo um tanto desorganizado e, pensando nisso, determinou que os organizadores do evento adequassem algum regulamento para dar o caráter de competitividade e organização dos desfiles que os Cordões realizavam na Avenida São João e Vale do Anhangabaú.

Carnaval no Vale do Anhangabaú. Foto: Acervo

Em 1968, um grupo de sambistas liderados por Evaristo de Carvalho (jornalista e radialista), Carlos Alberto Caetano (o Carlão do Peruche, Fundador da Unidos do Peruche) e Alberto Alves da Silva (o Seo Nenê, fundador da Nenê de Vila Matilde), fundam a Federação das Escolas de Samba de São Paulo para organizar e administrar o Carnaval.

Faria Lima tinha um plano turístico e econômico para o Carnaval de São Paulo e, baseado nas experiências do gênero na cidade do Rio de Janeiro, ele pediu para os lideres do Carnaval adequarem o evento para que a cidade pudesse atrair turismo gerando uma receita considerável para os cofres públicos e, dessa forma, Evaristo de Carvalho e os demais sambistas viajam até o Rio de Janeiro e solicitam o regulamento do Carnaval carioca para implantar em São Paulo.

Por contra partida, a prefeitura daria uma subvenção para ajudar na montagem das escolas, pois somente as escolas de samba receberiam a verba e, dessa forma, os Cordões mudam de categoria e passam a ser escolas de samba. Dois Cordões resistiram as mudanças até 1971; Vai-Vai e o Cordão Camisa Verde e Branco, pois do contrário, morreriam assim como os Cordões Fio de Ouro, Paulistano do Gloria, Rosas Negras e Campos Elíseos.

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24/07/2015 02h20

100 anos de samba urbano em São Paulo - parte 4
Tadeu Kaçula

O Carnaval em São Paulo teve uma significativa transformação cultural em sua centenária trajetória. Esse marco tem início em 1914 e foi nesse ano que Dionísio Barbosa, filho de escravo e um dos primeiros negros nascidos livres no Brasil, apaixonado pelos ranchos carnavalesco e inconformado com os corsos da alta sociedade paulista, uma folia exclusiva dos ricos e brancos, reuniu seus familiares e amigos para formar o Grupo Carnavalesco da Barra Funda posteriormente batizado de Grupo carnavalesco Camisa Verde, que desfilava pelas ruas do bairro da Barra Funda e adjacências com camisas verdes e calças brancas.

Grupo Barra Funda. Foto: Acervo

De certa forma, para época, esse grupo era considerado um "Quilombo urbano de resistência cultural" devido às características e costumes de seus integrantes.

O Grupo Carnavalesco Camisa Verde, entrentou sérios problemas de ordem política.

A cor adotada pelos integralistas da Ação Integralista Brasileira, frente política de oposição ao governo centralista de Getúlio Vargas, também era o verde.

Em meados de 1936, confundidos com simpatizantes da Ação integralista brasileira de Plínio Salgado que era oposição ao regime militar, os foliões do Grupo Carnavalesco Camisa Verde são perseguidos pela polícia política de Getúlio Vargas e deixam de aparecer publicamente e passam a viver na clandestinidade como uma forma de resistência aos anos de luta pela cultura do samba.

Seo Dionísio Barbosa. Foto: Acervo

O Grupo Barra Funda foi o pioneiro nas manifestações carnavalescas que ocorriam na periferia da cidade e desencadeou uma serie de iniciativas por toda a cidade.

Fio de Ouro, Rosas Negras, Paulistano da Glória, Vae-Vae, Coração de Bronze, Campos Elíseos, foram alguns dos cordões fundados em diferentes regiões da cidade com a finalidade de brincar o carnaval de rua, atividade esta que tomava força a cada ano e, com isso, o carnaval de São Paulo ganhava força.

Sem apoio das autoridades, com poucos recursos e marginalizado por uma parte da sociedade os cordões passam por dificuldades para saírem às ruas e, mesmo passando por estes problemas, os últimos Cordões a trocar o estandarte por pavilhão foram os Cordões Camisa Verde e Branco e Vai-Vai.

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02/07/2015 11h32

Tributo a Odair Menezes!
Tadeu Kaçula

Presto a minha sincera homenagem a um dos maiores músicos da história do samba no Brasil!

Odair Menezes. Foto: DivulgaçãoOdair Menezes nos deixou na última madrugada e com ele se foi um legado de uma vida dedicada à música popular brasileira!

Virtuoso em tudo que fazia, Odair Menezes ficou marcado na história pela maneira peculiar de tocar seu cavaquinho, pelo sorriso largo e sempre presente em seu semblante e como tocador de prato oficial da Bateria Furiosa da Barra Funda!

Compositor de samba-enredo, cantor, ritmista, cavaquinista e músico genial de primeira linha, Odair integrou a ala de compositores da tradicional escola de samba Camisa Verde e Branco em 1976.

Que Dzambi te receba e coloque no mais alto lugar junto de nossos ancestrais!

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11/06/2015 00h04

100 anos de samba urbano em São Paulo - parte 3
Tadeu Kaçula

O samba urbanizado. Esse marco tem início em 1914. Foi nesse ano que Dionísio Barbosa, filho de escravo e um dos primeiros negros nascidos livres no Brasil, apaixonado pelos ranchos carnavalescos e inconformado com os corsos da alta sociedade paulista, uma folia exclusiva dos ricos e brancos, reuniu seus familiares e amigos para formar o Grupo Carnavalesco da Barra Funda. Posteriormente batizado de Grupo carnavalesco Camisa Verde, desfilava pelas ruas do bairro da Barra Funda e adjacências com camisas verdes e calças brancas.

100 anos de samba urbano em São Paulo. Foto: Acervo

De certa forma, para a época, esse grupo era considerado um Quilombo urbano devido às características e costumes de seus integrantes. O bairro da Barra Funda, com o plano diretor daquele tempo, era considerado um bairro periférico e a maioria dos moradores era de negros que moravam nos porões dos casarões nas imediações da estrada de ferro da Sorocabana.

O extinto Largo da Banana, hoje Memorial da América Latina, é considerado o marco zero do samba paulistano por se tratar do ponto de encontro mais importante dos sambistas que ali viviam entre um descarregar de cargas de bananas vindas do interior, e uma pernada nas rodas de Tiririca, a capoeira paulista, jogada com a nata da malandragem paulistana.

Essa movimentação rítmica e cultural na região do Largo da Banana fora fundamental para que outras importantes manifestações carnavalescas desabrochassem em toda a cidade.

Fio de Ouro, Coração de Bronze, Vae-Vae, Rosas Negras, Paulistano da Glória, Campos Elíseos e a mãe de todas as escolas de samba de São Paulo, a Lavapés, fundada por madrinha Eunice em 1937.

Com a expansão do samba por toda a cidade, importantes núcleos de resistência foram se formando. A Praça da Sé era um importante ponto de encontro dos engraxates que, entre uma engraxada e outra, armavam uma roda de Tiririca. Outro ponto ficava na Baixada do Glicério, na "cinco esquinas", próximo à Lavapés e na antiga Prainha, onde hoje fica o Vale do Anhangabaú, que posteriormente seria o circuito dos cordões carnavalescos de São Paulo.

- Leia as edições anteriores

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21/05/2015 00h02

100 anos de samba urbano em São Paulo - parte 2
Tadeu Kaçula

Nesta segunda edição da série que conta os 100 anos de samba urbano em São Paulo, vamos tratar da influência dos rituais africanos e do catolicismo na formação do samba rural paulista.

O samba de São Paulo tem peculiaridades históricas quanto às origens. Diferente do Rio e de outros estados, o samba paulista tem um sotaque totalmente rural por conta de ter suas origens interioranas.

No final do século XVIII, no interior paulista na pequena cidade de Pirapora, às margens do rio Tietê, um grupo de pescadores encontram uma imagem que tinha as feições de Jesus. Eles achavam que se tratava de uma simples imagem perdida por algum devoto e decidiram transportá-la para a cidade vizinha de Santana do Parnaíba.

Parte II - 100 anos de samba urbano em São Paulo

Este transporte se deu em um carro de boi e era conduzido por escravos que trabalhavam naquela região e, ao conduzirem à imagem por uma antiga e esburacada estrada de terra a caminho de Santana de Parnaíba, um dos bois que puxava o carro empacou, o carro virou e a imagem caiu sobre os pés de um dos escravos do cortejo, escravo esse que nascera sem o dom da fala.

Mas ao cair a imagem sobre seus pés, este mesmo escravo falou: "ele não quer ir embora, ele quer ficar aqui". E assim se deu o primeiro milagre do santo e passaram a chamá-lo de "Bom Jesus".

Équela época o preconceito racial e social era tão viril e vistoso que em todas as festas religiosas tinha uma imposição unânime em toda comunidade branca que frequentava e organizava as procissões: "NÉO É PERMITIDO NEGROS NA PROCISSÉO". E assim com a exclusão do negro das festas religiosas, eles se refugiavam em um antigo barracão e lá faziam o que hoje é uma das principais referências do samba paulista: o samba de bumbo.

No barracão, os negros cantavam, dançavam e tocavam e ali reunidos em volta de um grande bumbo que, segundo história oral, era conduzido por Frederico Penteado (o Fredericão), um dos pais do bumbo. Quando alguém queria puxar um canto, um ponto, um verso, respeitando-se a tradição e a hierarquia africana, tinha que pedir licença para o pai do bumbo para cantar seu lamento com festa, dança e muita resistência cultural.

- Leia a edição anterior

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08/05/2015 12h00

Evento: Vinte anos sem Geraldo Filme
Tadeu Kaçula

De 11 a 13 de maio, acontece, no Sesc São Paulo, uma série de palestras sobre a vida e a obra de um dos maiores sambistas do país, Geraldo Filme.

Sambista, compositor e versador, Geraldo foi um dos símbolos na direção contrária aos que chamavam São Paulo de "o túmulo do samba".

Geraldo Filme. Foto: Divulgação

Por conta dos vinte anos de sua morte, o ciclo de palestras discute sua obra musical, suas influências e o legado deixado para o samba paulista.

Conheça os palestrantes:

Kelly Adriano Oliveira

Doutora em Ciências Sociais e Gerente-adjunta da Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo.

Tadeu Kaçula

Sambista, Sociólogo e Pesquisador da História do Samba Paulista. Fundador do Instituto Cultural Samba Autêntico idealizador da Rua do Samba Paulista.

Amailton Magno Azevedo

Doutor em História e Pós-doutor pela Universidade do Texas. Atua também como músico. Professor do Departamento de História da PUC-SP.

Bruna Prado

Cantora, compositora, professora e pesquisadora. Mestre em Antropologia Social e doutoranda em Música.

Renato Dias

Compositor, músico, produtor musical e fundador do G.R.R.C. Kolombolo diá Piratininga. Realizou com T. Kaçula o projeto "Samba Rural Urbano".

Fernando Penteado

Compositor, embaixador do samba e diretor de harmonia da Vai-Vai.

Simone Tobias

Graduada em Pedagogia, compositora, e ex-presidente da Camisa Verde e Branco.

Geraldo Filme. Foto: Divulgação

As palestras acontecem das 19h às 21h30, na Rua Doutor Plínio Barreto, 285, 4º andar, no bairro da Bela Vista.

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30/04/2015 00h03

100 anos de samba urbano em São Paulo
Tadeu Kaçula

Me sinto muito honrado com o convite em publicar meus textos, artigos e comentários sobre o nosso samba neste espaço tão importante para a valorização da nossa cultura.

Tadeu Kaçula. Foto: Divulgação

Vamos iniciar uma série que conta os 100 anos de samba urbano em São Paulo a partir do samba rural paulista.

Parte I - Ruralidade e oralidade, herança afro-bantu na formação do samba paulista

Os ciclos econômicos do Brasil tiveram um papel fundamental para a formação das diversas manifestações culturais espalhadas em todo o país.

Com a chegada dos africanos, surgiram diversas manifestações culturais que ainda hoje podem ser identificadas no Nordeste do Brasil, como o Maracatu, o Tambor de Crioula, Boi Bumbá, dentre outros.

Séculos depois, inicia-se um novo ciclo econômico, o ciclo do Ouro. Com a migração dos negros que lavoravam no Nordeste, somado aos milhares trazidos do Norte da África, o Centro-Oeste do Brasil se transformou em uma fecunda fonte de extração de minérios.

Com a chegada desses cativos, surgiram diversas manifestações da cultura popular brasileira, que, com a influência do catolicismo, podemos observar ainda hoje, principalmente em Minas Gerais, como o Congado, Folia de Reis, e outros.

Foi no final do século XIX que o mais próspero ciclo econômico trouxe para o Sudeste do país uma significante contribuição político-econômica, o ciclo do café. Neste período, há uma elevação na receita do país pelas diversas articulações na exportação de mercadorias, principalmente do café, que na época era conhecido como "ouro negro". Os negros que trabalhavam no plantio do café traziam em seus diversos conhecimentos a cultura africana e afro-brasileira que fizeram de São Paulo um fecundo terreiro de samba criado e desenvolvido no Brasil.

São Paulo cultua a partir de então o "Samba Rural".

Ainda hoje, respeitando-se os saberes da tradição e oralidade dos ancestrais africanos, esse Samba Rural Caipira é quem dá especificidade ao nosso jeito de fazer samba.

Como referência, temos a cidade de Pirapora do Bom Jesus que ainda preserva o Samba de Bumbo, as cidades de Guaratinguetá e Piquete preservando o Jongo, e as cidades de Piracicaba, Tietê e Capivari que preservam o Tambú, seus ritmos, danças e cantos exclusivamente paulistas que nos permitem uma identidade cultural.

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