SRZD


19/09/2010 10h46

Superação Rio 2010: movimento une as diferenças em Copacabana
Sabrina Pirrho

A orla de Copacabana, Zona Sul do Rio, foi tomada, neste domingo, por pessoas que reivindicam respeito à diversidade. Cadeirantes, surdos, cegos, anões, pessoas com síndrome de down e outras deficiências participaram do Superação Rio 2010, organizado pelo Instituto Novo Ser em parceria com o Movimento Superação. Um trio elétrico, com participação de Marcelo Yuka, animou os participantes e quem passeava pela praia.

Movimento Superação. Foto: Sabrina PirrhoO SRZD esteve lá e entrevistou algumas dessas pessoas que tinham como maior objetivo a mobilização da sociedade para a causa.

Sérgio Costa. Foto: Sabrina PirrhoO técnico de seguros Sérgio Costa, que faz parte da produção da passeata, ficou paraplégico depois de ter sido baleado em um assalto há sete anos em São Paulo, onde mora. Sobre o preconceito que o deficiente sofre, Sérgio diz que melhorou. Para ele, "o maior preconceito é não saber lidar com a deficiência".

O psicólogo Messias Fernandes, de 29 anos, que tem sequelas de traumatismo raquimedular - mergulho em água rasa -, tem um discurso diferente da maioria. "Fala-se muito em incluir. Mas a pessoa nunca deixou de ser da sociedade. Como vai incluir o que já é da sociedade? O que precisa mudar é a filosofia das pessoas, inclusive quem tem deficiência". Messias, depois do acidente em 1995, chegou a ficar tetraplégico, mas com cirurgia, conseguiu ter recuperação dos movimentos, se livrando da cadeira de rodas dois anos depois.

Marcia Garcês. Foto: Sabrina PirrhoA escritora Marcia Garcês, autora do livro "O diário de Márcia Garcês", é cadeirante por causa da esclerose múltipla. Em 1996, ela ficou com debilidade do lado direito do corpo e foi diagnosticada como neurocistocirose - quando o ovo da solitária fica alojado no cérebro. Apenas em 2001, Márcia descobriu seu verdadeiro problema, e quatro anos depois a escritora estava em uma cadeira de rodas. Quanto ao movimento, Marcia diz que espera "realmente alertar as autoridades quanto à acessibilidade no Rio".

Jairo Marques. Foto: Sabrina PirrhoPara o jornalista Jairo Marques, cadeirante devido à poliomielite, é "imprescindível" uma melhoria na infraestrutura da cidade para se tornar mais acessível aos portadores de deficiência. Segundo ele, a acessibilidade "beira a indigência em uma das cidades mais importantes do mundo".

Apesar de a passeata não ter sido político-partidária, havia um grande número de pessoas aproveitando o momento e fazendo panfletagem de candidatos às próximas eleições. Jairo torce para que isso não seja apenas para ganharem votos. "Tomara que esses candidatos levem causa para frente".

Vinicius Rangel. Foto: Sabrina PirrhoEntre as pessoas presentes no evento, um menino chamou atenção por andar de um lado para o outro com sua cadeira de rodas com desenvoltura e a empinando. Vinícius Rangel, de 11 anos, é cadeirante desde os três. O menino está no 5º ano na escola e, perguntado sobre como é a infraestrutura do colégio, ele conta o que deveria acontecer em todos os estabelecimentos de ensino, mas que são raros. "Lá é tudo rampado, adaptado. Até o banheiro". Após falar com o SRZD, Vinícius disparou com sua cadeira. O pai foi atrás, enquanto a mãe, Isabel, falava com a gente.

Isabel conta que espera um país melhor para seu filho "em relação ao acesso e, principalmente, respeito". Quanto a Vinícius, a mãe revela: "ele é bem resolvido, muito bem. Dá sempre o jeito dele. Quando uma pessoa olha com pena, ele começa a empinar a cadeira e ela muda a visão".

Alarico Moura. Foto: Sabrina PirrhoSe Vinícius é bem adaptado em sua cadeira, Alarico Moura - mais conhecido como Alá -, de 66 anos, não sai de casa sem sua bicicleta. Morador da Ilha do Governador, Alá pedalou mais de 20 km para chegar a Copacabana. "Eu também dirijo, mas meu carro está enguiçado há quatro anos". O detalhe mais curioso: Alá é amputado, não tem a perna esquerda, depois de um atropelamento em 1979. Apesar disso, ele é ciclista profissional e já ganhou inúmeros campeonatos. Se o leitor acha 20 km muito, Alá conta mais: já fez viagens do Rio à Região dos Lagos de bicicleta e já visitou o sul de Minas Gerais pedalando. Suas palestras e eventos ainda não o deixam ir mais longe.

Durante a passeata, o SRZD encontrou o estudante Luciano Oliveira, tetraplégico e que usa a boca para fazer pinturas, que já havia contado sua história para o portal (leia aqui). Para ele, o movimento ajuda a divulgar a causa, que está longe de ser resolvida. "Acredito que estamos bem distantes do modelo ideal de acessibilidade, com barreiras arquitetônicas acentuadas".

- Veja galeria de fotos do evento

 

* Atualizada às 14h32


Comentários
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    20/09/2010 16:47:23JEFFERSON MAIAAnônimo

    COMO UM DOS ARTICULADORES DO SUPERAÃ?Ã?O-Rio, FICO FELIZ EM VER O QUANTO ESTE EVENTO REPERCUTIU POSITIVAMENTE EM NOSSA SOCIEDADE. OBGD SRZD PELA MORAL. E UM OBRIGADO, EM NOME DO 'INS', TAMBÃ?M AOS QUE LÁ ESTIVERAM, NOS AJUDANDO NESSA GD VIBE POSITIVA.

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    20/09/2010 11:16:03MÁRCIA GARCÃ?SAnônimo

    FICOU ESPETACULAR, Ã?TIMO MESMO!!! OBRIGADA AMIGÃ?O.BJINHOS.............

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    20/09/2010 05:58:34Gisele JorgeAnônimo

    Acho muito importante que ocorram eventos como esse,para que a visão da sociedade em relação a esses seus membros seja de respeito e não de paternalismo. O direito de ir e vir e os demais direitos de cidadania devem ser exercidos por todos,em condições de igualdade!Isso não é uma utopia!Só depende de nossa postura diante do não cumprimento dessa máxima: manifestemo-nos,sempre!

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    19/09/2010 21:24:14José carlos Nunes Jr.Anônimo

    Fui testemunha ocular do evento e endosso as palavras da Sabrina(que fez a reportagem), sou tetraplégico e não podeia deixar de estar neste evento que visa chamar a atenção da sociedade para o problema da acessibilidade na nossa cidade, conheço o Messias e concordo com a visão dele sobre " incluir, e ou discriminar, muitas das vezes o preconceito esta dentro de nós mesmos!!!!!!! VAMOS CONTINUAR FAZENDO BARULHOOOOOO!!!!!!!

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