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Novas perspectivas no combate à dor crônica

Laís Ferenzini* | Ciência e Saúde | 23/09/2010 21h28

Novas perspectivas no combate à dor crônicaConsiderado o evento mais importante do mundo sobre o estudo da dor, o 13º Congresso Mundial de Dor em Montreal, realizado no mês de setembro, trouxe novas expectativas para o tratamento da dor crônica. Um dos consensos é de que ninguém precisa sofrer com dor já que ela pode ser controlada caso não se consiga obter a cura do problema.

O neurocirurgião Alexandre Amaral, médico do Hospital dos Servidores do Estado do Estado e do Centro Multidisciplinar da Dor, afirma que é possível reduzir a intensidade da dor e até mesmo fazer com que o paciente, em muitos momentos, nem sinta mais a dor. "A medicina atualmente tem meios para devolver a qualidade de vida aos pacientes. Nos chamamos isso de modulação da dor", diz.

Tratamento de modulação da dor

O tratamento de modulação da dor, ou seja, do controle da sua intensidade é multidisciplinar e envolve o uso de medicamentos, fisioterapia e auxílio psicológico. Uma das abordagens é verificar se o paciente apresenta alterações no sono e tratar o problema. O neurocirurgião explica que ter uma boa noite de sono é importante no combate à dor crônica. "Durante o sono, o organismo libera substâncias que fazem com que o paciente tenha uma melhor resposta ao tratamento", explica ele.

O neurocirurgião Alexandre Amaral lembra que a dor é um sinal emitido pelo cérebro para alertar de que algo está errado. Para bloquear esta resposta emitida pelos neurônios, faz-se o uso de analgésicos, de drogas moduladoras da dor e também de antidepressivos.

O auxílio da fisioterapia

Novas perspectivas no combate à dor crônica. Foto: Divulgação.A dor também pode ser combatida com a fisioterapia. O profissional pressiona os pontos dolorosos a fim de dissolver os nódulos de dor. "Com o estímulo do local, aumenta a circulação sanguínea na região e, com isso, substâncias que provocam a dor são eliminadas", afirma o fisioterapeuta Artur Padão, médico do Hospital dos Servidores do Estado e do Centro Multidisciplinar da Dor.

Padão conta que também ensina exercícios para que os pacientes façam em casa. Muitos destes exercícios têm o objetivo de levar os pacientes a adquirirem novos hábitos, como os de usar melhor o corpo no dia a dia e aprender a se movimentar com segurança, práticas que a longo prazo vão fazer com que o tratamento funcione melhor.

Quando o tratamento convencional falha: a neurocirurgia funcional

Se o tratamento convencional falha e o paciente não responde aos medicamentos, entra em campo a neurocirurgia funcional. "Vamos modular a dor, estimulando os sistemas inibidores de dor", explica o neurocirurgião funcional Alexandre Amaral.

Na técnica, o neurocirurgião realiza o implante de microchips, no cérebro ou em cima da medula óssea, que mandam um estímulo elétrico para a região e bloqueiam a dor.

* Laís Ferenzini é colaboradora do SRZD.