SRZD



André Bernardo

André Bernardo



* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



08/12/2010 21h45

Longe da TV, Ana Maria Moretzsohn traça panorama da carreira em diferentes emissoras
André Bernardo

Ganhar um bilhete da loteria. É assim que Ana Maria Coelho Moretzsohn descreve a oportunidade que teve de trabalhar ao lado dos autores Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Juntos, os três escreveram "Tieta", "Pedra Sobre Pedra", e "Fera Ferida", todas na TV Globo. Ao longo da carreira, essa carioca de 63 anos passou por outras emissoras. A Band foi uma delas. Lá, assinou "Perdidos de Amor", "Serras Azuis" e "Meu Pé de Laranja Lima". "A passagem pela Band me ensinou que é possível trabalhar com orçamento menor e, ainda assim, fazer boas novelas", assegura. De volta à Globo, em 2000, escreveu mais três novelas: "Esplendor", "Estrela-Guia" e "Sabor da Paixão" (foto). Em 2006, transferiu-se para a Record, onde escreveu "Luz do Sol", sua última incursão pelo gênero. As recordações, porém, não são das melhores. "Na Record, consegui fazer apenas uma novela. Fiz uma aposta na emissora. Achávamos que ia decolar. Mas isso não aconteceu", lamenta. Enquanto aguarda um convite para voltar à TV, Ana Maria Moretzsohn dedica-se a outros projetos, como dar cursos de roteiro e escrever para o cinema. Mesmo assim, não perde de vista o que considera ser a sua maior paixão: novelas. Tanto que já tem uma sinopse pronta à espera de produção. Trata-se de "Corpos Partidos", que aborda o tráfico de órgãos. "Mas, sobre esse assunto, ainda não posso falar nada", faz mistério.

André Bernardo - Ao lado de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, você escreveu grandes sucessos da teledramaturgia brasileira, como "Tieta", "Pedra Sobre Pedra" e "Fera Ferida". Qual é a lembrança mais forte que você guarda desta parceria?

Ana Maria Moretzsohn - A generosidade do Aguinaldo, que nos ensinou tudo, e a confiança que ele depositou em nós, ao nos dar a coautoria das novelas.

AB - O seu mais recente trabalho no gênero foi "Luz do Sol", exibida pela Record em 2006. Quando pretende retornar ao gênero?

AMM - Assim que for possível. Estou fazendo cinema e literatura, mas gosto mesmo é de escrever novelas.

AB - Sua filha, Patrícia, também seguiu a carreira de roteirista. Qual teria sido a lição mais importante que você ensinou a ela?

AMM - Que o nosso trabalho tem que ser feito com prazer e alegria.

AB - Dos muitos trabalhos que já escreveu para a TV, de qual você se orgulha mais?

AMM - Essa escolha é difícil. Afinal, me dediquei a tudo o que fiz. Mas, talvez pelas muitas dificuldades vencidas, acho que "Perdidos de Amor" tenha um espaço de mais carinho no meu coração.

AB - Além de escrever novelas, você também dá cursos de roteiro. Qual é a maior virtude que alguém precisa ter para ser bem-sucedido na profissão?

AMM - Não é virtude, é lição de vida. A pessoa deve sempre gostar do que faz, para poder fazer bem.

AB - Você foi uma das idealizadoras de "Malhação", seriado que já está há 15 anos no ar. A que você atribui a longevidade dele? "Malhação" tem fôlego para mais 15 anos?

AMM - Acho que sim, mas o ideal seria repaginá-lo. Talvez os assuntos não envelheçam, mas a maneira de apresentá-los, sim. As escolas mudaram, os jovens também, o gosto do jovem mudou. É necessário buscar esse jovem de agora e sua linguagem.

AB - Você ingressou na TV Globo em 1984, quando participou da Casa de Criação Janete Clair, projeto que buscava revelar novos talentos. Que conselhos daria para quem sonha em seguir a carreira de roteirista na TV?

AMM - Ler muito, escrever sempre e rezar para surgirem outras Casas de Criação! (risos)


Comentários
  • Avatar
    15/01/2011 22:01:58Julio GalvãoAnônimo

    Ana, meu grande sonho é escrever novelas e minisséries. Sou fã do seu trabalho, não desista nunca... vc é uma das melhores melhores autoras do Brasil. Beijos, Julio.

Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.