SRZD



André Bernardo

André Bernardo



* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



30/12/2010 21h14

'Especial Roque Santeiro - 25 anos' - Joaquim Assis, colaborador
André Bernardo

A amizade entre Marcílio Moraes e Joaquim Assis é das mais antigas. E remonta ao ano de 1985, quando os dois escreveram "Roque Santeiro", em parceria com Aguinaldo Silva. De lá para cá, as carreiras de Marcílio e Joaquim seguiram por diferentes caminhos. O primeiro optou por continuar na TV. Trabalhou como colaborador em diversas novelas até estrear como autor-principal em "Sonho Meu", em 1994. Já o segundo preferiu enveredar pelo cinema. Na tela grande, roteirizou diversos filmes, como "Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão", de Zelito Viana, "O Toque do Oboé", de Cláudio MacDowell, e "For All - O Trampolim da Vitória", de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz. Em 2006, os caminhos de Marcílio e Joaquim voltaram a se cruzar. Juntos, já assinaram duas novelas, "Vida Opostas" e "Ribeirão do Tempo", e uma série, "A Lei e o Crime", todas na Record. Em entrevista ao SRZD, Joaquim de Assis Ribeiro Neto, 76 anos, fala do clima nos bastidores de "Roque Santeiro", relembra o sucesso da novela em outros países e revela um truque que criou para checar, diariamente, se certos personagens já não estavam há muitos capítulos sem aparecer na novela.

André Bernardo - O que você achou da ideia da Globo Marcas de lançar uma versão compactada de "Roque Santeiro" em DVD?

Joaquim Assis - Achei uma boa idéia. Só espero que não esqueçam de ninguém nos créditos, como, às vezes, infelizmente, acontece.

AB - Vinte e cinco anos depois, qual é a lembrança mais forte que você guarda de "Roque Santeiro"?

JA - A lembrança mais forte é o ótimo clima que reinava no grupo. Éramos três escrevendo: Aguinaldo, comandante da equipe, o Marcilio e eu. Havia também a pesquisadora, Lilian Garcia, que participava das reuniões semanais de criação e fez um belo trabalho. Tenho saudade daquele tempo...ã??E não podemos esquecer do Dias Gomes, o criador de "Roque Santeiro", sem o qual nada teria acontecido, e de quem tenho também muita saudade.

AB - Como você explicaria o sucesso de "Roque Santeiro"?

JA - Há várias explicações. "Roque Santeiro" já mereceu, inclusive, teses universitárias. Para mim, o que houve foi um somatório de fatores: a começar pela maravilhosa idéia central do Dias. E outros mais: um bom time de escritores, modestamente, ótimos atores, boa direção, e, finalmente, o momento político que o país atravessava, saindo de uma sinistra e longa ditadura militar. Não esquecer que a novela foi proibida durante anos pela estupidez da censura, o que gerou uma grande e benéfica expectativa. Mas a explicação principal para o sucesso, no meu entender e resumindo tudo, é que "Roque Santeiro" continha várias histórias bem contadas, com muito humor. Não fosse isto, os outros fatores de nada teriam valido após algum tempo de exibição.

AB - Como era a divisão de trabalho entre você, o Aguinaldo Silva e o Marcílio Moraes?

JA - A divisão de trabalho variou um pouco ao longo do processo. Cada um escrevia um capitulo inteiro, não havendo divisão por núcleos ou personagens. Houve um pequeno período, por exemplo, em que parei de escrever para preparar diariamente um controle da novela, inventado por mim, e que acabou dando certo, funcionando bem. Eu relacionava as tramas em andamento, fazia uma lista das expectativas criadas em cada cena, verificava que personagens ou que tramas estavam presentes ou ausentes nos capítulos. Aliás, para isto, utilizava, entre outras coisas, um caderno de chamada escolar. Depois, ao retomar a escrita, continuei fazendo o tal controle. É bom lembrar que, naquela época, trabalhávamos com máquina de escrever - era um tempo pré-computador. O que hoje se faz em minutos poderia levar uma hora.

AB - Naquela época, você tinha noção de que estava ajudando a escrever um clássico da teledramaturgia brasileira?

JA - Não tinha a menor noção. Sabia apenas que estava participando de um grande sucesso e isto já era para lá de bom. Uma década depois, vivi em Cuba durante dois anos e pude constatar a popularidade de "Roque Santeiro" também por lá. Em outros países, o mesmo sucesso se repetiu. Hoje, me dou conta de ter tido a sorte de participar da criação de um clássico e, claro, é gratificante. Mas bom mesmo foi durante a novela no ar, com aquele clima raro de alegria e companheirismo no grupo, além da satisfação de ver meu trabalho sendo publicamente reconhecido e valorizado, o que raramente acontece com roteiristas.  

Não perca amanhã: Lilian Garcia e os 25 anos de "Roque Santeiro"...


Comentários
  • Avatar
    19/02/2011 20:41:18Fabiana Lira de AlmeidaAnônimo

    Sou filha do Wilson Ferreira entre contato conosco Abraços!!!!

Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.