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'Deus da carnificina': comédia trágica que conquista público do Rio de Janeiro

Laura Machado | Arte e Fama | 17/01/2011 12h14

Apesar do título, "Deus da Carnificina" não é um espetáculo sobre religião ou profanação como fizeram questão de destacar os atores Orã Figueiredo e Paulo Betti ao SRZD. A peça  é uma comédia com situações trágicas e diálogos irônicos que conquistam o público e arrancam risos da plateia. O texto é da autora francesa Yasmina Reza, que já conquistou prêmios como o Tony Awards 2009 , considerado o Oscar do teatro, na Broadway. Em cartaz no Teatro Maison de France PSA Peugeot Citroën, no Centro do Rio, o espetáculo deve ter temporadas em Niterói, São Paulo e outras cidades.

"Muitas senhoras que vem assistir à peça pensam que o nome é por causa de algum tipo de profanação religiosa, mas todos riem bastante e se divertem", destacou Orã depois da apresentação da noite deste domingo ao SRZD. "Não se assustem com o nome é uma comédia com conteúdo", complementou Betti. Além deles, as atrizes Deborah Evelyn e Julia Lemmertz também dão um show de interpretação.

A peça começa com uma reunião entre os pais de um menino que foi agredido e com os do agressor. Os personagens tentam resolver de forma civilizada o incidente das crianças, mas ao longo da conversa vão expondo suas fraquezas com revelações pessoais e se estressando com acusações, o que revela a verdadeira personalidade de cada um.

A intelectual Verônica (Deborah Evelyn) é culpada pelo início das exposições pessoais ao contar que o marido Michel (Orã Figueiredo) sumiu com o hamster Rói Rói da filha do casal porque se incomodava com o barulho do bicho. Ele ainda tenta se justificar alegando que tem aversão a roedores e por isso deixou Rói Rói na rua. Annette (Julia Lemmertz) fica chocada com o abandono do animal, que teria ficado petrificado de terror ao sair da caixa pelo relato.

Ela também vai se sentindo a vontade para fazer reclamações sobre o marido Alan (Paulo Betti), advogado de uma indústria farmacêutica, que é interrompido a todo instante por chamadas do seu celular, o que leva  Annete a loucura.

Alan é o responsável pela citação do título da peça. Ao discutir com Verônica em cena ele dispara: "Eu acredito no Deus da carnificina, ele é o único que governa, sozinho, desde os tempos mais remotos", diz o advogado em um dos momentos de revelações do encontro de pais.

"O casamento é o caixão e o filho são os pregos", resume Michel em outro momento de discussão dos personagens para delírio da plateia, que não consegue segurar o riso ao longo do espetáculo.

A montagem carioca é dirigida por Emilio de Mello. O Teatro Maison de France fica na Avenida Presidente Antônio Carlos 58, no Centro do Rio. O preço dos ingressos varia de R$ 60 a R$ 80. Mais informações: 2544-2533.

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