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02/02/2011 03h38

Ricardo Fernandes destaca o crescimento do chão da Unidos da Tijuca
Rodrigo Coutinho

Foto: Ricardo Almeida/DivulgaçãoO excelente desfile feito pela Unidos da Tijuca no Carnaval de 2010 e a aula de canto dada pelos componentes da escola do Borel em seu primeiro ensaio técnico oficial na Marquês de Sapucaí, chama a atenção para o crescimento dos quesitos de chão da atual campeã do Carnaval. Não que a comunidade tijucana nunca tenha tido um bom desempenho nesse sentido, mas a aparente melhora pode ser explicada pelo diretor de carnaval da agremiação, Ricardo Fernandes.

Com os diferentes setores integrados, Ricardo destaca a forma como os profissionais da Unidos da Tijuca organizam o desfile: - Hoje a Tijuca vive um momento muito bem equilibrado entre o técnico e o artístico. Eu, o Paulo Barros e o Fernando Costa (diretor de harmonia) tomamos as decisões em conjunto, isto é um facilitador, não temos vaidades. A estrela é a Unidos da Tijuca e o resultado acontece na Marquês de Sapucaí.

Ricardo explicou também que tem seguidas conversas com Paulo Barros com o objetivo de valorizar ainda mais a criatividade e ousadia do carnavalesco, mas sem prejudicar a perfeita evolução da Tijuca:

- Eu sou obrigado a planejar a escola. Em que minutagem vamos desfilar, de que forma, tudo dentro da concepção artística do carnavalesco. Ás vezes, o Paulo Barros planeja um setor para acontecer de certa forma e nós temos que sentar e discutir, esmiuçar isso, para ver como pode acontecer tecnicamente.

A figura do diretor de harmonia muitas vezes é vista com antipatia por parte dos desfilantes. O diretor de carnaval tijucano assume a alcunha de quem precisa cobrar o melhor desempenho do componente para obtenção das notas dez:

- Nós somos vistos como os chatos porque cobramos muito, mas não é isso. Nós defendemos quesitos. É a parte técnica da escola.

Ricardo Fernandes assumiu a direção de harmonia da Unidos da Tijuca em 2003. No ano seguinte, se manteve no cargo no desfile sobre a Ciência, que rendeu à escola o vice-campeonato. Em 2005, um convite do Porto da Pedra para ser o diretor de carnaval do Tigre o levou para São Gonçalo. Lá, conseguiu um honroso sétimo lugar com a reedição de Festa Profana.

O bom trabalho levou Ricardo para comandar o Carnaval campeão da Vila Isabel em 2006, quebrando um jejum que já durava 18 anos para escola do bairro de Noel. Depois disso, ele comandou a Vila por mais dois anos e no desfile de Candaces esteve no Salgueiro. Voltou à Tijuca em 2010 para quebrar mais um jejum, desta vez o de 74 anos da escola sem ganhar o caneco do Grupo Especial.
Das 50 notas recebidas pela Unidos da Tijuca em 2010, apenas cinco foram 9,9, porém quatro delas foram descartadas por ser a menor nota de um quesito. Na pontuação oficial, apenas o quesito bateria perdeu um décimo. Em harmonia, conjunto e evolução, a escola do Borel ganhou todas as notas dez.


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