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10/02/2011 01h59

Jurada diz que samba tem que unir lírico e popular
Vicente Almeida

O mundo do samba começa a se movimentar para dar sequência na programação normal depois da tragédia que acontenceu na Cidade do Samba na manhã de segunda-feira. Na noite desta quarta, foi feita a segunda etapa do curso para os jurados que vão avaliar os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial no Carnaval 2011. As diretorias das agremiações estiveram presentes e foi ministrada uma palestra para os julgadores de samba-enredo, harmonia e evolução.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, comandou as orientações e ressaltou que não foi passada nenhuma dica especial em relação às escolas que tiveram seus barracões incendidados e foram retiradas da disputa pelo título do carnaval. Casos de Portela, Grande Rio e União da Ilha.

- Não precisamos fazer nenhuma orientação especial sobre a exclusão das escolas prejudicadas no incêndio de segunda-feira. No mapa de julgamento essas agremiações estarão identificadas como hour-concours. Pedimos para os jurados avaliarem quem estiver no concurso com clareza, imparcialidade, bom senso, integridade. Pedimos para terem atenção na hora de justificar as notas que não forem dez, essas coisas. Afinal eles são responsáveis pela credibilidade de um dos maiores espetáculos do planeta - declarou.

Castanheira ressaltou que erros causados por terceiros que não tenham nada a ver com a escola sejam avaliados com peso menor. Muitas agremiações se manifestaram sobre essa possibilidade, principalmente, depois dos problemas ocorridos com o som do desfile da Vila Isabel no último carnaval.

- Problemas causados por terceiros não devem ser considerados pelos julgadores. Por exemplo, em 2010, a Vila Isabel teve problemas com o som que prejudicou o canto da escola. Não tem como descontar pontos por causa disso. Mesma coisa com a comissão de frente ou com o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Se eles tropeçam em um cabo de televisão, são prejudicados por um câmera ou por um fotógrafo, seria injusto descontar ponto desses profissionais por uma falha que não foi culpa deles. Temos alguns companheiros novos e pedimos que eles desenvolvam um critério para avaliar determinado quesito.

No próximo carnaval teremos a estreia de cinco jurados na avenida. Uma das novatas é Maria Amélia Martins que fará a avaliação de samba-enredo. Formada em letras e literatura, a nova julgadora do quesito também é cantora e fã das escolas de samba. A jurada declarou que a forma ideal de fazer a avaliação é unir o lírico ao popular e que o samba também tem que mexer com o público.

- Sempre gostei de carnaval. Minha família, como todos os brasileiros é fã dessa festa popular. É uma grande responsabilidade avaliar o carnaval. Sou formada em letras e literatura, além de cantar a muito tempo. Acho que para avaliar o samba-enredo a gente não pode se deixar influenciar pela gravação do CD. O samba deve contar bem o enredo, ter uma letra elaborada e uma melodia trabalhada, mas ao mesmo tempo deve animar o desfilante e as arquibancadas. O samba não tem que ser apenas lírico ou simplesmente popular, mas uma mistura dos dois - disse.

Outro membro estreante do corpo de julgadores é o professor de harmonia musical da Unirio, Antônio Guerreiro de Faria, que avaliará o quesito harmonia. Considerado, por muitos, um dos quesitos mais difíceis de serem avaliados no carnaval atual, o quesito julga basicamente o canto dos componentes da escola, o que depois da adoção dos ensaios técnicos evoluiu bastante.

- Muita gente diz que avaliar harmonia hoje é complicado, mas a Liesa tem cinco pontos de avaliação de cada quesito e isso faz que, dificilmente, uma falha da escola passe despercebida. A disputa será boa, pois, todas as escolas evoluíram muito, mas é na hora mesmo que a gente sabe o que acontece. Não tem segredo para as escolas, não tem dica. O jogo é duro - afirmou.

Luiz Eduardo Rezende, um dos mais antigos julgadores das escolas de samba ao lado de Eri Galvão, que avaliam evolução e samba-enredo há mais de duas décadas, declarou que no julgamento deve ser considerado a escola que mostra o melhor trabalho e que os ensaios técnicos são o grande teste para as agremiações se prepararem.

- O julgamento é comparativo. As escolas começam com dez e vão perdendo, mas o dez não é para quem é perfeita na avenida e sim para a que se apresentou melhor. Nem sempre a melhor é perfeita. O julgamento tem que ser coerente. Existe um espaço entre as alas que é permitido, mas claro que um espaço maior faz a escola perder ponto. A gente tem uma tolerância que é aplicada para maior comodidade do folião. No recuo da bateria, que agora está sendo feito de frente, a ala que está a frente dos ritmistas só pode andar quando a que vem atrás da bateria encostar. Caso contrário o buraco é comprovado e a escola será penalizada - confirmou.


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Comentários
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    16/02/2011 11:14:36lucasMembro SRZD desde 19/09/2010

    o samba da beija flor e lirico e popular

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    14/02/2011 16:01:19waguinho do salgueiroMembro SRZD desde 07/05/2010

    bla bla bla

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    11/02/2011 16:13:09CarnafutMembro SRZD desde 20/04/2009

    Unir lírico e popular, hahahaha, quer dizer unir a politicagem da LIE$$A aos intereses da plim-plim. não acredito nisso e nesse curso que e para dar nota as escolas de samba filiadas aos contraventores da liga.

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    11/02/2011 07:52:25Alsan MatosMembro SRZD desde 08/04/2009

    Blá, blá, blá... Se tem uma coisa que o jurado NÃ?O FAZ é julgar o desfile. Há uns 10 anos pelo menos é assim. A verdade é que esses "cursos" servem pro chefe passar as orientações da manipulação do resultado pros pau-mandados. Se bem que essa ano a manipulação do resultado foi feita a "ferro e fogo", né...

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    10/02/2011 21:34:59Sérgio Rodrigues - SCMembro SRZD desde 06/12/2009

    Ah, esses buracos...

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    10/02/2011 09:17:41marcoMembro SRZD desde 03/08/2010

    Ã? uma responsabilidade muito grande...

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