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André Bernardo

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13/03/2011 15h02

Carlos Lombardi é apontado por Maria Adelaide Amaral como sucessor de Cassiano Gabus Mendes
André Bernardo

Responsável pela nova versão da novela "Ti-ti-ti", que termina na próxima sexta-feira, dia 18, Maria Adelaide Amaral não pensa duas vezes na hora de afirmar que considera Carlos Lombardi o sucessor de Cassiano Gabus Mendes (foto) na teledramaturgia brasileira. A opinião de Maria Adelaide é compartilhada por Tato Gabus Mendes, filho de Cassiano. Segundo eles, o estilo irreverente de Lombardi é o que mais se aproxima do de Cassiano, autor de tramas inesquecíveis como "Elas por Elas", "Brega e Chique" e "Que Rei Sou Eu?", entre outras. "Sucessor seria demais. Sou um seguidor do Cassiano, como também do Silvio de Abreu, o outro grande autor de quem fui colaborador e com quem muito aprendi", avalia Carlos Lombardi, modesto.

Nesta entrevista exclusiva ao SRZD, Carlos Lombardi, que não assina um trabalho na TV desde "Pé na Jaca", exibida entre 2006 e 2007, relembra o clima nos bastidores de "Elas por Elas", fala dos truques que aprendeu com Cassiano e revela que, há cinco anos, entregou à direção da TV Globo o projeto de um "remake" de "Plumas e Paetês" e "Ti-ti-ti". "Naquela época, o Mário Lúcio Vaz só aceitava fazer "remakes" às 18 horas e achou que não seria o momento para uma comédia no horário", recorda.

André Bernardo - Você trabalhou como colaborador do Cassiano em "Elas por Elas" e "Champagne". Qual é a lembrança mais forte que guarda dele?

Carlos Lombardi - Trabalhei com Cassiano em "Elas por Elas". Entrei lá pelo capítulo 42, mais ou menos. Eu me dei muito bem com Cassiano. Ele era uma pessoa inteligente, bem-humorada e extremamente generosa. No começo, Cassiano escrevia quatro capítulos na semana, até sexta-feira, sozinho. Aí, ficávamos a sexta-feira juntos. Ele ia me dando o resumo do capítulo, cena a cena. Eu escrevia dois, durante o fim de semana, e os entregava na segunda. Ele fazia uma rápida revisão e, às vezes, me pedia para reescrever alguma coisa. Com o tempo, e com a aprovação dele, fui me soltando - e ele também. Como Cassiano escrevia pela primeira vez uma novela depois do enfarte que teve durante "Plumas e Paetês", ele, conforme a semana, me dava três capítulos para escrever e, também, passou a me dar mais liberdade na criação dos capítulos. Mas, que fique bem claro: a novela era dele e eu tentava emular tanto o jeito dele de resolver situações como o de fazer diálogos. Graças a Deus, Cassiano, que era ótimo dialoguista, gostou dos meus diálogos. E eu adorava escrever as cenas de Mario Fofoca (Luís Gustavo) e sua dona Márcia (Eva Wilma). Fiquei muito feliz quando o Cassiano adorou uns capítulos que escrevi envolvendo o velório do personagem de Ivan Cândido. Sem modéstia nenhuma, é um dos velórios mais divertidos que já se viu em novela brasileira - situação que acabei repetindo, meio como homenagem, em "Quatro por Quatro" com o personagem do Tato (filho do Cassiano). A diferença é que, em "Quatro por Quatro", ele não estava morto, só foi dado como morto. E, claro, como bom hipocondríaco, quando retomou a consciência e se viu no próprio velório, quase morreu de verdade. Já em "Champagne", entrei bem mais adiante, quando acabei de escrever "Vereda Tropical", já depois da metade da novela.

AB - Qual teria sido a maior lição que você aprendeu com o Cassiano?

CL - A de prestar atenção ao jeito que os atores leem um texto e ir adequando-o à boca deles. Cassiano sempre dizia que a gente tinha que descobrir quem sabe ler nossos textos (e não são todos que sabem) e mantê-los por perto, como ele fazia com Luís Gustavo, Reginaldo Faria e Eva Wilma. E a outra lição é que, se você quer divertir o público, precisa se divertir também. Estilisticamente, acho que tenho alguns pontos em comum com ele, como o gosto de misturar comédia com drama e tentar sempre lembrar que ninguém se acha o vilão. Cada personagem é o seu herói, o herói de sua história. O vilão é alguém que, em geral, quer coisas diferentes dos outros personagens e, por isso, quer levar as situações para uma direção diferente da que querem os outros, mas, que, quase sempre, o vilão se acha correto e justificado em suas ações. Cassiano não acreditava em vilões de caricatura e tento manter em meus textos essa tradição.

AB - A autora Maria Adelaide Amaral e o ator Tato Gabus Mendes disseram que você pode ser considerado o "sucessor" de Cassiano Gabus Mendes na teledramaturgia brasileira. Concorda com eles?

CL - É muito gentil da parte deles dizerem isso. Eu dizer isso seria muita pretensão de minha parte. Não, sou um "seguidor" do Cassiano como também do Silvio de Abreu, o outro grande autor de quem fui colaborador e com quem muito aprendi. "Sucessor" seria demais. Me faça essa pergunta de novo em algum momento em que eu não esteja nada modesto... (risos)

AB - Em "Perigosas Peruas", você convidou o Cassiano Gabus Mendes para interpretar o mafioso dom Franco Torremolinos. Se pudesse, gostaria de adaptar alguma de suas novelas? Quais?

CL - Há quatro anos, pedi ao Mário Lúcio (então diretor da Central Globo de Controle de Qualidade) para fazer um remake de "Plumas e Paetês" mais "Tititi", exatamente o "remake" que Adelaide está fazendo agora. Só que, naquela época, o Mário só aceitava fazer "remakes" às 18 horas e achou que não seria o momento para uma comédia no horário. Há um ano, pedi novamente, agora para Ary Grandinetti Nogueira (diretor da Central Globo de Desenvolvimento Artístico), mas ele me disse que o projeto já estava com Adelaide. Sei que seriam visões diferentes: eu queria centrar o projeto mais em "Plumas e Paetês", uma trama que sempre me agradou muito, principalmente porque o problema da protagonista, apesar de extremamente dramático, permitia evoluções tanto no drama como na comedia romântica mais leve e tratava de temas que me interessam muito. Mas, temos algo em comum: eu também queria Murilo Benício para fazer o Victor Valentim. Confesso que não pensei no Alexandre Borges para o Jaques Léclair (e é uma ótima e inesperada escalação). Meu Jaques seria o Bruno Garcia. Há uma outra trama de Cassiano que me interessa muito. Em "Champagne", um dos casais centrais, João Maria e Antônio Regina, interpretados por Antônio Fagundes e Irene Ravache, eram ladrões de casaca concorrentes, mas a trama acabou desfigurada pela censura. Gostaria muito de poder retomá-la e contá-la como o Cassiano a imaginou. Quanto ao Cassiano participar de "Perigosas Peruas", não lembro se foi ele mesmo que falou que queria fazer ou se a ideia partiu do (Roberto) Talma. Só lembro que não foi minha, mas a aceitei na hora. Foi muito, muito bom mesmo, vê-lo falando meu texto com tanto sabor. Acima de tudo, Cassiano sempre me deu muita força. Quando, às vezes, algum texto está meio enrolado, dou uma "rezadinha" e peço por sua ajuda. Nada mal imaginar que ele, às vezes, possa ser meu anjo da guarda...


Comentários
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    02/09/2011 16:07:40Rita de OliveiraAnônimo

    Estou morrendo se saudades de ver uma novela do Lombardi, acho ele genial tanto no humor como no drama, ele tem uma sensibilidade única!

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    24/03/2011 22:04:09RodrigoAnônimo

    Carlos Lombardi é genial!

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    15/03/2011 15:16:25HenriqueAnônimo

    E muito bom ver q um renomado autor como o Carlos Lombardi ñ se esquece daqueles que o ajudaram um dia lá atrás no começo de carreira, e de fato Cassiano Gabus Mendes é um grande mestre da tv cheio de sucessos que sairam de sua mente brilhante

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