SRZD


25/04/2011 16h17

Maestro chegava com seguranças armados para ensaiar, afirma denúncia
Hélio Almeida

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que preside a Frente Parlamentar de Cultura no Congresso Nacional, disse que a presença do maestro Roberto Minczuk, ex-regente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), estava insustentável. "O maestro não tinha mais condições de permanecer. Ele já chegou com seguranças armados para ensaiar. Será que ele estava com medo de algum músico atacá-lo?", questiona Jandira, informando que pretende provocar a Receita e Ministério Público Federal e do Trabalho.
 
"Estamos solidários com os músicos. Vamos lutar para que eles voltem para a OSB. Não é uma prova de 30 minutos que irá avaliá-los. Isso tem que ser em todas as apresentações. O maestro estava na OSB, no Theatro Municipal e com uma orquestra do Canadá. Vamos investigar isso", disse a deputada federal, que chamou o contrato do maestro Minczuk de "grande mistério", devido seus rendimentos terem sido omitidos por uma "inexplicável cláusula de sigilo", que a parlamentar disse não ter descoberto nem mesmo quando foi Secretária Municipal de Cultura do Rio.
 
Mas, o silêncio foi quebrado quando Jandira leu publicamente o teor de um contrato terceirizado com empresa prestadora de serviços para a Fundação OSB, o que credita ao caso mais um detalhe intrigante. Embora o regente Minczuk não seja funcionário da OSB, seus proventos chegam, segundo Jandira, a 200 mil reais mensais, além dos rendimentos como diretor artístico e maestro da Filarmônica de Calgary, no Canadá.
 
"O estatuto determina que qualquer demissão deve ser submetida à Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu. Ele está assinando um atestado de incompetência ao pedir que seja feita uma avaliação da orquestra que ele mesmo rege há cinco anos. Se Minczuk não teve capacidade para analisar o desempenho dos músicos durante cinco anos, o que dizer de apenas 30 minutos de prova", indaga Jandira.
 
Roberto Minczuk, maestro da OSB, foi pivô de toda a crise que fez pedir exoneração de outro cargo, o de diretor artístico do Theatro Municipal, no mesmo dia em que foi realizada a audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para analisar o caso.
 
Os músicos já vinham criticando o acúmulo de funções por Roberto Minczuk. Na OSB, o clima ficou tão tenso que parte do corpo da orquestra pediu para a fundação que administra a orquestra que o maestro fosse afastado. A insatisfação se agravou com a tentativa de se implantar um teste de avaliação aos membros da orquestra. Descontentes com a medida, 33 músicos foram demitidos. Em carta aberta os músicos da OSB querem que os 33 demitidos sejam readmitidos, convertendo as justas causas em suspensão de dois dias.
 
A assessoria do Theatro Municipal informou em nota que a contratação de Minczuk  foi legal e de conhecimento de todos. "O maestro Roberto Minczuk foi Diretor Artístico do Theatro Municipal de dezembro de 2007 até pedir exoneração na última segunda-feira, dia 18 de abril. Sua contratação foi legal e de conhecimento público. É igualmente de conhecimento geral que o maestro era diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira".

Ações da Fundação foram dentro da lei

A assessoria da Fundação OSB (FOSB), informou ao SRZD que desde o início do ano, os músicos passariam por avaliações de desempenho, seguindo parâmetros adotados em grandes orquestras. Sobre o descontentamento dos rumos da OSB, a instituição diz ter oferecido um Programa de Demissão Voluntária, com verbas relativas à demissão sem justa causa. Segundo a assessoria, três músicos aderiram.

Segundo a assessoria, o maestro poderia ocupar diferentes cargos. "O maestro solicitou sua exoneração do Theatro Municipal, a pedido da Fundação OSB, para que possa se dedicar com exclusividade aqui no Rio de Janeiro às atividades da orquestra". A FOSB negou que Roberto Minczuk não anda com seguranças armados. "Os seguranças do Municipal não andam armados". Sobre a obrigatoriedade das avaliações de desempenho, a assessoria informou que todos os músicos foram avisados diversas vezes. "A Deborah, por ser dirigente sindical, teve seu contrato suspenso para apuração (pela Justiça) de falta grave".

Ainda de acordo com a Fundação OSB, a instituição sempre esteve à disposição para discutir a avaliação de desempenho com os músicos. A assessoria informou que medidas judiciais contra a instituição vem rejeitado pela Justiça em primeira e segunda instância, o que reforça a legalidade das ações da Fundação OSB.

"Todos os músicos que faltaram à avaliação na primeira e na segunda chamadas estavam cientes de que o ato se configurava caso de insubordinação, passível de punição prevista no art. 482, h da CLT, que rege as leis trabalhistas. Todas as punições foram conduzidas internamente, diretamente entre a FOSB e cada um dos músicos", disse a assessoria.


Comentários
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    09/05/2011 18:01:45Marco MendonçaAnônimo

    Verdade isso ai, vimos o Minczuk com um Kalaschnikov nas costas, disseram que ele tem conexões com a máfia russa que protege ele.

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    26/04/2011 18:28:45Antonio MendonçaAnônimo

    Porque manter um maestro? Questão estratégica de mercado? Maçonaria? Dinheiro? Daqui alguns anos saberemos, quando a história for revelada, como quando aconteceu anteriormente com o maestro Eleazar de Carvalho ou Neshling na OSESP.

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    26/04/2011 17:50:44sara corrêaAnônimo

    A legalidade das ações da FOSB é questionável. O que se quer saber é: por que a FOSB, após esse imbroglio de repercussão internacional, ainda insiste em manter o maestro - causador de toda essa confusão - por quê?

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    26/04/2011 16:05:05Antonio MendonçaAnônimo

    Se você passou 5 anos e nunca viu seu motorista...isto não pressupõe que a informação seja falsa, e sim, que você a desconheça. Que havia segurança, é verdade. Mas do Teatro, no dia referido pelo comentário do musico da OSBJovem. Importante ressaltar que acredito nas razões dos músicos, mas inventar historinhas para piorar mais ainda as coisas... não é verdade que muitos dos líderes do movimento não querem chegar a um acordo porque tem outros empregos? E que as coisas se tornaram pessoais até chegar no ponto deste impasse entre a FOSB e os músicos demitidos? Espero que FOSB consiga consertar a lambança feita, para o bem dos músicos, orquestra e funcionários.

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    26/04/2011 15:14:56músico da OSBAnônimo

    Convivi 5 anos trabalhando com o maestro diáriamente e nunca vi e nem soube que ele tem motorista muito menos vi acompanhado do mesmo, portanto esta afirmação é falsa. Ã? muito fácil agora tentar difamar os outros, por que ele não assume o que fez e fica inventando desculpas nem a carta que mandou no dia 7 se janeiro para os músicos estava assinada constava apenas fundação orquestra sinfonica Brasileira COVARDE !!!!

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    26/04/2011 12:53:11Antonio MendonçaAnônimo

    No dia da apresentação que os músicos da OSBjovem protestaram, tinham seguranças que normalmente estão no TMRJ, alguns armados e outros não, contratados pela administração do teatro. Os motoristas estavam lá desarmados.Até porque qualquer protesto é válido, desde que a integridade física de todos seja respeitada. Talvez você, prezado jovem não tenha o costume de circular nos dias de apresentação pelo teatro, quando é comum ter a segurança uniformizada do teatro armada. Muitas vezes, quem está dentro também desconhece as ameaças de pessoas que superam o verbal. Concorda que a situação é insustentável para todas as partes e desgastante? Tudo está sendo extremo, menos um acordo que viabilize a existência da FOSB e consequentemente da OSBJovem. Você depois pensa em tocar onde? Em casamentos para se sustentar?

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    26/04/2011 12:34:57Musico OsbjovemAnônimo

    Muitos que estão de fora que na verdade não sabem o que acontecem dentro. No dia da apresentação um músico da Osb jovem foi ameaçado pelo segurança do RM. Ele mostrou a pochete, e logo após abriu para ele, mostrando assim sua arma! Então isso é fato! Se fosse motorista não ficava acompanhando o Sr Minczuk a todo lugar que ele ia, inclusive dentro da sala de ensaio! Grande Abraço

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    26/04/2011 08:32:18Antonio MendonçaAnônimo

    Algumas fatos precisam ser esclarecidos. O maestro RM chegava sempre com seu motorista e muitos não sabiam disto e classificavam o rapaz como segurança. Neste momento muitos querem jogar gasolina na fogueira e de jeito nenhum querem resolver o problema. Muitos dos líderes do movimento dos músicos são professores de Universidades, tocam em outras orquestras, são aposentados e não dependem da FOSB para sobreviver. Por isso, radicalizam em relação a saída do maestro, pois não tem muito a perder. Poucos músicos ali dependem só da OSB para sobreviver. No novo regimento que a FOSB propõe para julho, existe uma cláusula que exige exclusividade, e muitos não querem abrir mão das suas outras obrigações. Para alguns lideres do movimento é melhor fechar a FOSB do que chegar a um acordo que beneficie a orquestra, seus músicos e funcionários.

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