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Anthoni Santoro - Futebol

Anthoni Santoro - Futebol

Carioca de Copacabana, treinador de futebol e apaixonado pelos bens imateriais da cidade do Rio de Janeiro: mate de praia, futebol de areia e o Carnaval com suas escolas de samba.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



15/07/2011 22h46

A receita do sucesso no futebol é não ter receita
Anthoni Santoro

O ano de 2000 consagraria uma geração vitoriosa e promissora do Botafogo. A equipe juniores, sob o comando do treinador Dé, conquistava o tri campeonato da categoria. As apostas e os talentos daquele grupo eram esperados a desabrochar no elenco profissional do Clube. Destaques como Leozinho, Felipe, Daniel, Marcio Gomes, Cleber, entre outros aguardavam o sinal verde para seguir e estendiam os próprios tapetes vermelhos. Léo Moura, na época, o meio de campo, fazia parte do grupo, mas não alcançava o destaque de outros jogadores. A torcida do Botafogo aguardava ansiosa e com imensa expectativa os futuros craques vindos de Marechal Hermes.

Foi quando a surpresa desagradável apareceu: nenhum dos atletas dessa geração de ouro alcançou o êxito esperado. Apenas o reserva Léo Moura conseguiu uma grande projeção no futebol brasileiro, mas não pelo Botafogo. A geração ficou marcada como perdida, mal amparada, mal aproveitada e fracassada. As perguntas são feitas até hoje: por que esses atletas não brilharam no profissional do Botafogo? As respostas listadas são inúmeras: problemas extra-campo, infraestrutura ruim, péssimas condições de trabalho, incompetência administrativa esportiva, caos políticos, interesses financeiros, contratações de jogadores e escolhas técnicas do treinador.  A verdade dificilmente será descortinada e os fantasmas estarão sempre vagando pelos campos de Marechal Hermes e General Severiano.

Infelizmente, a grande verdade é que não há receita para o sucesso no futebol. O jogador que chega à categoria profissional e conquista o espaço dele nem sempre tem uma qualidade técnica ímpar e nem sempre manteve hábitos disciplinares corretos nas categorias de base. O discurso dos clubes e da gerência de futebol está sempre pronto e independe do resultado final das competições. Se for campeão, a resposta é sobre o trabalho que deu certo, que conseguiram formar atletas e que ganhar não é o mais importante e que foi consequência da dedicação. Se o resultado competitivo final não for o título, não há problema: o importante foi competir e o objetivo foi alcançado com a revelação de atletas e com o trabalho realizado. As respostas estão sempre prontas e iguais para todos.

O Botafogo, depois de mais de uma década, voltou a ser o campeão da categoria juniores. Essa categoria é tão importante que é a única onde o atleta pode permanecer por até três anos. É realmente o vestibular do futebol, tal qual o ensino médio para a educação. Mas é muito raro um jogador permanecer todo esse tempo, quase todos queimam etapas e são solicitados pelo profissional. O Botafogo hoje tem a oportunidade de rever todos esses conceitos do passado e de projetar para essa nova geração vitoriosa um futuro mais promissor com oportunidades justas no tempo certo de maturação dos jogadores. A competente e limpa gerência de Sidney Loureiro pode resgatar sonhos de Garrincha, Nilton Santos, Gerson e Didi respirando novos ares com Cidinho e companhia. Um novo tempo, apesar dos perigos, dos castigos e das injustiças, mostra um Botafogo mais crescido, mais atento, mais maduro e mais vivo para socorrer-se. 

O velho jogador foi jovem um dia. Quanto ao jovem, não se sabe se chegará à "velhice" com saúde e dinheiro. O Botafogo tem a oportunidade e sabe como tratar a juventude para quem sabe um dia festejar. 


Comentários
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    19/07/2012 00:21:39iGDIUHtqeoLAnônimo

    Sf3 pra evitar as gerlnaeizae7f5es geogre1ficas: na Copa de 2010, o Higuaedn pediu uma mfasica; no carioca do mesmo ano, o Loco Abreu tambe9m. Sem contar o Lavezzi dane7ando a Cumbia numa espe9cie de Fauste3o portenho.

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    17/07/2012 22:00:30dNXlIQaRssAnônimo

    Demorou pra acontecer isso. Singular!Mas daed a dizer que isso e9 care1ter aitrngeno, quase como se a imbecilidade fosse exclusiva dos brasileiros, ne3o. E pior ainda demonizar junto os jogadores com a GLOBO, como se aqueles fossem cfamplices desta. Pode ser exagero meu, mas acho que e9 confundir o opere1rio com a me1quina. O problema e9 esse, o jogador ter que se vender e ao mesmo tempo ne3o ser um vendido.

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    28/10/2011 16:35:35MarlieneAnônimo

    muito Legal a matéria de filhos de atletas que atuaram e que atuam em clubes hoje em dia. Porém gostaria de acrescentar mais alguns que atuaram e seus filhos tb no Flamengo: Silva Batuta, seus filhos Waltinho (volante) atualmente auxiliar técnico da categoria juvenil do C.R.flamengo e Wallace (atacante), Paulo Henrique e seu filho Paulo Henrique junior (atualmente Treinador da categoria sub 20 do C.R.Flamengo) Campeão da última Taça São Paulo de juniores e agora seu neto (Henrique) jogando no Pré - Mirim do C.R.Flamengo, vale aqui somente o registro.

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    21/07/2011 23:07:08Diego BenicioMembro SRZD desde 18/03/2014

    sonho ver todos os atletas profissionais do Botafogo formados em mal hermes, um time raaçudo, envolvente, comprometido e sem grandes e caras estrelas o flu, q se gabava de ter xerém como referencia, hj em dia nada mais faz,e qd faz, logo os tartás e compania vão embora parabéns aos guerreirosde mal hermes, e q enfim o gov do estado fez o q era certo!

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    18/07/2011 19:13:16Marcelo MIRAGAYAAnônimo

    Realmente uma bela estréia!! Um profissional que sabe muito bem o que está falando. Parabéns Anthoni! Que vc possa, através deste veículo, nos manter atualizados sobre o futebol de base, das equipes de menos expressão... Abração!!

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    18/07/2011 15:21:22Kadú BorgesMembro SRZD desde 18/07/2011

    Mais uma vez, podemos refletir sobre o processo de formação de atletas em geral no futebol carioca, partindo de comentários altamente pertinentes e realizados com propriedade pela coluna acima. Tenho certeza que todos nós levamos exemplos de grandes valores, que talvez mal "gerenciados", ficaram 'pelos caminhos"...portanto, cabe a todos os profissionais de futebol fazer uma grande reflexão, não sobre a "grande receita" de formação de atletas, mas sim sobre a realização de uma profunda análise, cada um dentro de sua realidade, definindo com clareza, seus objetivos e metas dentro do processo formativo, gerando subsídios para o alcance do sucesso do respectivo processo e consequentemente, minimizando o fracasso que é para um clube, realizar um grande investimento, e ver seus talentos serem desperdiçados.

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    18/07/2011 12:47:49Eduardo de SouzaAnônimo

    Anthoni, profissional sério, dedicado e perfeccionista...fico feliz em vê-lo prosperar e ampliar sua área de atuação e não posso deixar de falar da minha gratidão a amizade e aos ensinamentos. Estarei sempre na torcida pelo seu sucesso. Abraço Eduardo

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    18/07/2011 11:35:43Rogerio Larbos SiadMembro SRZD desde 01/03/2014

    Acompanho o trabalho do Anthoni há tempos. Isso por si só já seria de extrema relevância para destacar sua qualidade como professor de Educação Física e técnico de futebol. Reparem que eu disse professor! Função essa que tenho dificuldades para encontrá-la no meio esportivo brasileiro. O fato é que ser professor e grande entendedor do esporte deu a Anthoni Santoro a possibilidade de uma ascensão segura e eficiente até sua chegada ao profissional. Mas quantos professores nós temos hoje no profissional e na base? Sem o professor, continuaremos nas arquibancadas o show de bobagens e rotatividades no cargo. Com esse texto, ratifico a qualidade de sua visão, que identifica e relaciona na base, um fato separado por anos. Parabéns pela coluna! Acompanhar-te-ei aqui em suas certas e sábias pontuações! Abraço.

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    18/07/2011 09:28:29Ozanir Roberti MartinsAnônimo

    Anthoni, você tem razão. Apenas, esse não é um problema do futebol brasileiro, e, sim, do Brasil como um todo. Queimamos etapas na formação de atletas e de cientistas. Aliás, começamos a fazer besteiras na formação das nossas crianças quando não lhes ensinamos direito o mínimo de português e matemática. Assim, tiramos das novas gerações a habilidade de pensar por si, de terem autonomia. Grande abraço.

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    17/07/2011 21:35:11Alexandre da Silva RamosAnônimo

    Parabéns Anthoni. Muito boa matéria. Fico orgulhoso de você esta falando do meu Botafogo, e meu avo Flavio Ramos (Fundador do Botafogo) deve estar gostando também la em cima. Abraços

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    17/07/2011 11:16:04Izabela FreitasAnônimo

    Parabens!!! Vc ja tinha falado comigo dessa geraçao!!! Vc merece sempre o melhor! ABRAÃ?OS

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    17/07/2011 10:48:01felipe oliveAnônimo

    Anthoni, Parabéns pela matéria, o título realmente diz tudo! Sucesso pra você.

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    17/07/2011 09:31:09Cláudio FrancioniMembro SRZD desde 20/06/2011

    Parabéns pela bela estreia! Grande abraço.

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    16/07/2011 11:06:14José Alberto QuiteteAnônimo

    Parabéns pela matéria e mostrando mais uma vez sua competência no futebol.Sendo claro ,objetivo e competente.Aguardo a próxima coluna.

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    16/07/2011 07:46:04AnizioAnônimo

    Ã?timo começo. Quem viveu ou vive este momento de "passagem" de meninos ara homens no futebol sabe do que você,que conhece como poucos este meio, está falando.

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