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Cláudio Francioni

Cláudio Francioni

MÚSICA. Carioca, apaixonado por música. Em relação ao assunto, estuda, pesquisa e bisbilhota tudo que está ao seu alcance. Foi professor da Oficina de Ritmos do Núcleo de Cultura Popular da UERJ, diretor de bateria e é músico amador, já tendo participado de diversas bandas tocando contrabaixo, percussão ou cantando.

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15/08/2011 22h12

'Você não soube me amar' ganha documentário
Cláudio Francioni

Verão de 1982. Fervilhava no Rio de Janeiro um movimento cultural onde uma rapaziada altamente "descolada" começava a ganhar voz em meio à reta final da ditadura militar que asfixiava o país havia quase 18 anos. No olho do furacão das novas tendências estava o Circo Voador. Montado no Arpoador, o Circo servia de base para as montagens e oficinas do grupo teatral "Asdrúbal Trouxe o Trombone", de onde sairiam, entre outros, Regina Casé, L.F.Guimarães, Patricia Travassos e Evandro Mesquita. Ali, meio de brincadeira, surgia uma banda que mudaria a história do rock no país.

Ainda semi-marginalizado por aqui, o gênero contava com guerreiros que o sustentavam às custas de muito suor e afinco, como Rita Lee e Raul Seixas. Porém, faltava algo para que a grande mídia abrisse os olhos para o rock'n roll como um produto vendável e de fácil aceitação. Coube à BLITZ o chute na porta. E esse chute tinha nome: "Você não soube me amar" era uma canção que identificava um novo modo de se fazer rock. 

Foto: DivulgaçãoEssencialmente teatral e debochada, se transformou em mania nacional. Nos colégios, meninos deixavam o cabelo crescer na parte de trás "à la Evandro", meninas se dividiam em duplas para imitarem os vocais de Márcia e Fernandinha. Da letra irreverente, o povo sacou bordões que eram exaustivamente repetidos nas ruas: "ok, você venceu", "que felicidade, que felicidade" e vários outros. Na carona do mega sucesso, até uma paródia foi produzida pelo radialista Romilson Luiz, da rádio "Antena 1", sob o pseudônimo de Piu Piu de Marapendi, a fantástica "Eu hoje vou me dar bem" (relembre no link ali embaixo). Resumindo, só quem viveu aquela época é capaz de mensurar o feito da turma da BLITZ, certo? Errado.

Uma rapaziada que sequer sonhava em nascer naquela época acaba de produzir o documentário "Mais de três foi o diabo que fez", contando as histórias que cercam a canção. Leonardo Souza, Tita Berredo, Alan Ribeiro e Daniel Accioly são estudantes de publicidade e cinema da PUC-Rio e o mais velho tem apenas 26 anos. A ideia de resgatar o estopim daquele movimento surgiu pela paixão comum ao rock nacional e pelas influências das bandas nascidas na época. Durante o filme, há passagens comoventes e outras curiosas, como o fato de que dois dos quatro compositores não se conhecem pessoalmente até hoje! O nome do filme se refere a uma frase que certa vez Caetano Velloso falou para Ricardo Barreto: "Essa música foi feita por quatro autores, né? Você sabia que parceria de mais de três foi o diabo que fez?"

Gravações concluídas a custo zero, os "meninos" agora aguardam ajuda para finalizarem o trabalho. No momento, buscam apoio financeiro para os últimos detalhes como o custeio de direitos de imagem e edição final. Em troca, oferecem espaço para publicidade. A causa é nobre e os interessados podem entrar em contato com o e-mail [email protected] 

Não chego a ser radical como um amigo que fala que "se não fossem os Beatles, talvez nem teríamos nascido", mas posso afirmar que se não fosse "Você não soube me amar", muita coisa teria sido diferente para a minha geração.

Assista ao trailler do filme

 

Relembre a hilária "Eu hoje vou me dar bem" de Piu Piu de Marapendi


Comentários
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    13/01/2012 16:49:41Guilherme RahschmannAnônimo

    Tomara que esteja acessível, pois vou querer ver na íntegra!

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    14/10/2011 22:20:41fhBhSgZyLHCfWEAuAnônimo

    The purchases I make are entirely based on these atircles.

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    19/09/2011 22:48:11João SimõesAnônimo

    Muito bacana a ideia de se fazer um doc de uma música. Poderia haver mais doc`s deste gênero, uma vez que a produção e o consumo de doc`s no Brasil, cresce a cada dia.

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    10/09/2011 17:40:45HelenaAnônimo

    Documentário muito bem feito! Nos remete a um passeio por uma época única que não volta mais! Muito bom!!!

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    19/08/2011 00:29:01FabioAnônimo

    Porr*, Cláudio! POr causa desse post passei o dia inteiro cantando "ok, você venceu. Gargon, traz cachaça!" e "o nome dela é Valdemar". E o pior: com a voz do Piu piu de Marapendi.

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    16/08/2011 18:12:00BebetaAnônimo

    Cara, é nessas horas que eu me irrito profundamente! Aqui na Europa qualquer "porcariazinha" chamada cultura tem apoio do governo, de empresário, de restaurante, da monarquia, de todo mundo. No Brasil, nego fala de Blitz e os caras tem que cortar um dobrado para, pelo menos, finalizarem o documentário. Raiva!!! Ow, vou mandar o link desse artigo para um povo que eu conheço ainda de agência de publicidade, quem sabe os caras não curtem e reencaminham para possíveis patrocinadores? P.S. Evandro continua um gato! :)

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