SRZD


29/06/2008 17h43

Confira sinopse da Imperatriz
Redação SRZD-Carnavalesco

Foto: Alberto JoãoEnredo: Imperatriz.... só quer mostrar que faz samba também!

Basta um rápido olhar sobre o presente para constatar a importância de Ramos na geografia carioca do samba. São deste bairro uma das principais escolas de samba, um dos principais blocos, o Cacique de Ramos, e um dos dos principais grupos - O Fundo de Quintal. Mas essa realidade de hoje tem origem num passado culturalmente rico, extremamente musicial, marca da região da Leopoldina.

O bairro surgiu com a chegada do trem em 1886, quando a Estrada de Ferro do Norte, futura Leopoldina Railway, precisava de passar no meio das terras que haviam pertencido ao capitão Luiz José Fonseca Ramos. Seus descendentes concordaram com a obra, desde que fosse criada uma parada bem ali, na fazenda, para facilitar a vida da família. Nasceu então a Parada de Ramos, e com ela o nome do bairro, que começaria a ganhar ruas, luz, esgoto, na virada do século.

Ramos foi deixando rapidamente de ser uma vila rural, tornando-se um centro metropolitano. Surgem as primeiras ruas: professor Lace e Uranos, entre outras. Nelas, foram construídos os primeiros casarões.

A praia de banhos era a praia de Ramos, também conhecida como Mariangú, nome de ave abundante no local. O balneário tinha até cabines para troca de trajes de banhos e uma elegante avenida beira-mar. A Praia de Ramos, única da região da Leopoldina, era um lugar muito aprazível, com seus cajueiros e caça aos caranguejos, além dos banhos de lamas medicinais, pouco a pouco foi abandonada... sobrevive apenas na memória de quem um dia conheceu a "Copacabana do Subúrbio".

O samba sempre teve presença forte em Ramos. No início, ainda não era o que chamamos de samba, mas já era um carnaval de rua fortíssimo. Na fecunda década de 1910, foram criados, sob inspiração dos ranchos, os clubes carnavalescos Prontos de Ramos "Promptos de Ramos") Ameno Heliotropo e Endiabrados de Ramos. Mais tarde, entre 30 e 50, quando o carnaval já era sinônimo de samba, os blocos mais conhecidos da região eram: Sai como pode, o Razão de Viver, o Paixão de Ramos e o Paz e Harmonia.

Outro bloco, o Recreio de Ramos, recebeu até o luxuosíssimo auxílio musical do maestro Villa-Lobos, assíduo, freqüentador do bairro, por causa dos encantos de uma moça, com a qual se casaria D.Lucília Guimarães. Villa-Lobos aderiu entusiasticamente ao bloco Recreio de Ramos, muito bem acompanhado por Pixinguinha, Mano Décio da Viola, Heitor dos Prazeres, Marçal e Bide. Inclusive o primeiro sucesso da dupla, surgiu no Recreio de Ramos, quando cantavam a primeira estrofe do grande sucesso - agora é cinza... O Bloco chegou a ser campeão, com o enredo sobre Machado de Assis: Que conseqüência teve o Bloco Recreio de Ramos?

Uma foi direta - o aparecimento do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. A escola nasceu de uma dissidência do bloco, combalido, no final da década de 50. Foi o farmaceûtico Amaury Jório que reuniu um grupo de foliões do bloco e assim criaram a escola de samba de Ramos. A novata Imperatriz, alcançou notoriedade em 1972, ao servir de cenária para a novela Bandeira Dois, de enorme sucesso. A história tratava do amor de dois jovens, filhos de famílias inimigas. Uma livre adaptação da imortal história de Shakespeare ? Romeu e Julieta. Nesta história, Zé Catimba, compositor da Imperatriz, foi representado por Grande Otelo. Quem não se lembra de trechos da música, que tocava na novela? Lá, lá, lá lá lauê fala Martim Cererê.... Embora a trama de Dias Gomes tenha obtido muito sucesso. Foi a partir de 1980, com a chegada de Arlindo Rodrigues, contratado como carnavalesco da escola, que ela chega ao patamar tão almejado de campeã do Grupo Especial, superando as tradicionais Portela, Mangueira, Império Serrano e Salgueiro.

Arlindo, deu a escola dois títulos (com um tema sobre a Bahia e outro, sobre Lamartine Babo - respectivamente com os títulos de "O que é que a Bahia tem" e "O teu cabelo não nega" e muitos outros carnavais inesquecíveis, colocando a escola no patamar das grandes campeãs.

O sucesso foi adiante, com seu substituto, Max Lopes, e mais um primeiro lugar com o enredo sobre a Proclamação da República, a que se deu o nome de "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós", campeã no ano em que a Beija-Flor desfilou com seus Ratos e Urubus, de Joãosinho Trinta.

Viriato Ferreira, foi o carnavalesco de 1991, conquistando um honroso terceiro lugar. Por motivo de saúde, chamou Rosa Magalhães, com quem fez parceria até 1993.

A escola continuou conquistando títulos em 1994, 95, 99, 2000 e 2001.

Este ano chega a maturidade, completando meio século de existência, com oito campeonatos, conquistados com a garra de seus componentes, a dedicação de seus diretores e sobretudo com a inspiração de seus compositores.

Ramos brilha no carnaval com sua escola de samba, com seu bloco mais famoso, o Cacique de Ramos e com o grupo mais conhecido, o Fundo de Quintal.

Pois que viva a Imperatriz, por seu aniversário e que Viva Ramos, celeiro de bambas!

Rosa Magalhães
Carnavalesca

Bibliografia Consultada:
- Livro produzido pela ala dos compositores do GRES Imperatriz Leopoldinense - segunda edição - tiragem limitada. 2006  


Comentários
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    04/08/2008 17:45:29Bruno VillaçaAnônimo

    Este enredo é uma jóia ! uma Rosa...maravilhoso!

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    05/07/2008 00:15:48RicardoAnônimo

    Adorei o comentário do Pedro....19"89"...19"99"... 20"09"... Vem com tudo Imperatriz...belíssimo enredo!!!!

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    02/07/2008 00:06:59WILLIAM COELHOAnônimo

    Contestando o que o amigo ALESSANDRO OSTELINO está comentando venho somente esclarecer: O Titulo do enredo da Imperatriz é uma licença poética da artista. A Vila Isabel ao qual se refere NOEL ROSA é a Vila Isabel BAIRRO e não a ESCOLA DE SAMBA. E a Rosa só quis mostrar que em Ramos tb se faz samba. Porque costuma-se dizer que os bairros boemios do Rio de Janeiro são LAPA, VILA ISABEL, COPACABANA... E não é bem assim que funciona as coisas. Alguém sabe me dizer qual era o endereço da Beija Flor antigamente? Pois eu digo : Rua Euclides Farias 291 RAMOS. Antigamente só podia desfilar escolas do rio e graças a Imperatriz, a escola de Nilópolis pôde desfilar. Ou seja, Ramos tem grande importância no cenario do samba carioca e o nome do enredo caiu como uma luva !!! Antes de criticar procure estudar os fatos pra não falar besteira !!!!

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    01/07/2008 23:02:40Ronald JuniorAnônimo

    Belissimo enredo... realmente a Rosa só confirma sua inteligencia de historiadora.... realmente uma honra estar numa escola que homenageia os seus iguais..., só espero que ela saiba explorar essa magnifica ideia.... beijos............

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    01/07/2008 22:41:06Ewerton da Silva CarvalhoMembro SRZD desde 15/01/2011

    Ã? um bom enredo.Achei algumas citações no enredo desnecessárias, mas faz parte de um enredo bem explicado. Vamos ver no que vai dar!!!

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    01/07/2008 19:52:07TatyAnônimo

    Eu concordo com o comentário do André. Rosa conseguiu se diferenciar da linha que Lage seguiu no 50 anos do Salgueiro. Parabéns Imperatriz, Rosa Magalhães!!

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    01/07/2008 18:49:18Pedro RosaAnônimo

    Isso me cheira (assim como "marques que é marques" e "quase no ano dois mil" a: "goytacazes", pelo aspecto miscelâneo, e colorido, bem carnavalesco; como tambem me remete a "cana-caiana..." a Imperatriz é a unica escola que tem um porte digamos médio (no aspecto estrututal, financeiro), e que consegue chegar nas "grandes" sem medo algum. Os enredos da Rosa costumam enganar, assim foi com o "jegue", e "cana-caiana"...nisso tudo "goytacazes" avacalhou... e a Imperatriz, onde ficou? em terceiro. Sei, lá de onde Rosa vai tirar seu delineamentoe simbologia plastica para marcar seu desfile. Ã? uma carnavalesca comedida, "artista" acima de tudo. Desvendar aqui o que será feito é uma utopia. Mas evidentemente que, com toda essa badalação que há em cima da Rosa, pelos premios e tudo o que aconteceu nos jogos panamericanos, acredito que ela não queira fazer feio e vai mostrar seu trabalho de forma exaustiva, pelo menos no sentodo artistico. Ã? aguardar e ver o que vai sair do barracão. Ah, outra coisa (meio tantan e subjetiva, espiritualista se assim posso dizer), a Imperatriz gahou em 19"89" e em 19"99" será que vai ter em mais um "dezenário", "aniversário" : 20"09"

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    01/07/2008 12:00:12JOSE DE RIBAMAR LIMAAnônimo

    A ALA DE COMPOSITORES DA IMPERATRIZ está em festa, pois a confecção da sinópse de Rosa Magalhães foi inspirada na no LIVRO editado pela Ala. Essa foi outra grande sacada de Rosa, que parece passar despercebida por muitos. Vejam no final da sinopse a bibliografia. Parabéns Cigano e sua incansável Diretoria da Ala de Compositores do GRESIL.

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    01/07/2008 10:43:50Alessandro OstelinoMembro SRZD desde 10/10/2011

    Pelo amor de Deus, mudem esse título, ele remete à Vila Isabel, aliás pertence à escola de Noel. No Tamborins - www.tamborins.com.br - sugeriram: "O MEU SONHO DE SER FELIZ... VEM DE LÁ, SOU IMPERATRIZ". Autêntico e da própria escola, muito mais adequado. Rosa trabalha bem, mas quero ver funcionalidade sem muita grana.

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    30/06/2008 19:17:14JUAN RODRIGUEZMembro SRZD desde 09/04/2009

    LINDO! :)

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    30/06/2008 18:37:33Anderson DiasAnônimo

    Lindo! A Rosa, masi uma vez, esteve muito inspirada! Ã? o subúrbio da Leopoldina na Avenida! Viva! Parabéns Imperatriz!

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    30/06/2008 17:04:42Pedro RosaAnônimo

    Achei o enredo com amarraçoes meio sem nexo. Rosa vai fazer uma continuação do enredo do ano passado. Contando, como eu imaginei, a historia da escola em seu respectivo aniversário. "O trem que passa em ramos e onde imperam marias e joaos...(Enredo 2008)" continua sua viagem em um outro aspecto. Eu gosto de ver Rosa desenvolver enredos difíceis, mas esse, confesso, não me agradou tanto. Não imagino como será a estética da escola. Mas percebam: a levada do enredo é muito parecida com a do "Marques que é marques, do sasssarico é fregues", proporcionando uma estética carnavalesca e bem divertida - o que nos leva a imaginar que a imperatriz vai querer buscar a atenção do publico assim como "Quase no ano dois mil" onde a escola afim de mudar o aspecto barroco da escola decidiu por uma tematica mais futurista. Mestra Rosa, apronte e surpreenda, voçê é a melhor!!!!!!!

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    30/06/2008 14:19:14AdmilsonMembro SRZD desde 07/04/2009

    Tai gostei, a Rosa apesar de antipatica é Maravilhosamente inteligente e sabe o que faz. Eu so espero que o Samba enredo seja um senhor samba porque ainda estou "P" com o samba do Bacalhau e triste porque o samba de 2008 não foi tão maravilhoso na avenida como pensei ser. Paulinho é a cara da Imperatriz, apesar de gostar muito do Preto...a troca foi boa. Ã? esperar pra ver um outro maravilhoso trabalho da Rosa. Um abraço a todos da verde e branco de Ramos

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    30/06/2008 14:10:42AndréMembro SRZD desde 31/07/2009

    A princípio era contra este enredo, afinal ñ é nada competitivo falar de glórias passadas... vide Salgueiro, Mocidade, respectivamente levaram para sapucaí o mesmo enredo. Ambas focaram nos títulos, enfim, "carnaval em si". Tinha medo de ver a Imperatriz na mesmice. Rosa foi além.. muito bacana a sinopse, a visão "histórica sobre Ramos". Essa junção ao cinqüentenário da escola lembrando os grandes carnavais ficou ótimo.

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    30/06/2008 14:00:17vera oliveiraAnônimo

    Como sempre a Rosa é divina! eu já havia pensado neste tema e desfilando na escola já há alguns anos, fico feliz com esta nossa comemoração de 50 anos. E Viva Ramos e Viva a Imperatriz.

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