SRZD


03/07/2008 19h53

Sobre a inveja
Lula Branco Martins

Sou carnavalesco fresco, e até certo ponto invejoso. Sabe aquela inveja que faz a gente querer melhorar, mas sem destruir o objeto da inveja? Pois é, essa aí.

A Band transmitiu Parintins.

Não, eu não queria estar no lugar do Milton Cunha. Não queria ser ele comentando, no ar-condicionado, ao lado do enjoadamente ufanista José Luiz Datena, comendo de graça e assistindo ao espetáculo bem de frente, recebendo imagens de dez câmeras diferentes, dez ângulos distintos, e com toda aquela mordomia. A inveja não é essa.

A inveja também não é das alegorias da festa de lá. Aqueles bichos mexem, sim, mas não vejo tanta graça nisso. Maior esforço do mundo, um monte de operário lá dentro da coisa, e o resultado? Um boneco de onça que fica se parecendo não com uma onça, mas com um boneco de onça. Prefiro as nossas alegorias. Claro, quando as nossas alegorias são criativas.

A inveja tampouco é da música. As toadas são muito bonitas e, para um sujeito do Sudeste, como eu, soam diferentes. É uma batida que não existe por aqui. As melodias, contudo, se tornam, com o passar da noite, repetecos sonoros. E as letras se esforçam para roçar na poesia, mas por vezes escorregam no piegas. O nosso combalido samba-enredo tem mais vibração. Ébvio que tudo isso é relativo, e tem a ver com o ouvido de quem está analisando o tema. Alguém amazônico certamente não veria diferenças relevantes de estilo de samba de uma Imperatriz para o de uma Beija-Flor, de uma Tijuca para uma Mangueira. Mas tem, né... Ainda tem.

Se eu invejo as mulheres de lá? Olha, aqui tem mais mulher. A abundância é maior, e no Rio todo mundo fica mais pelado, né? Mas as de lá me parecem, olhando cá de longe, pela tela, tão mais verdadeiras... Índias de cabelão, aquele sorriso onde cabem 32 dentes, e todas elas cantando! Cantando! Que diferença de umas rainhas daqui que nem sabem o refrão dos nossos sambas... Taí, fico mesmo um pouco chateado de não ver por aqui as mulheres lindas do carnaval de Parintins.

Mas a inveja mesmo, a grande inveja, é o povo.

O povo. O povo. Aquelas arquibancadas parecem estar vivas. E na verdade as milhares de pessoas, que ali estão, estão. A participação do público em Parintins é algo que não se vê por aqui. Aqui é o contrário. Nossas arquibancadas no Sambódromo só ficam vendo, como diria o outro, a banda passar. Isso sem falar naquele setor de turistas, gringos que pedem autos uma da manhã e vão embora. Fica aquela arquibancada vazia, e um monte de desvalidos lá fora, se babando para entrar.

O carnaval de Parintins, do boi azul contra o outro, vermelho, para muitos é sempre igual e um tanto repetitivo, pois conta as mesmas histórias toda vez. É. Pode até ser. Fica meio dejá-vu. Mas alguma magia existe por lá, magia essa que está faltando por aqui.

Sabe o que acontece? Sabe por que lá tem magia?

É que lá o povo está junto. E por isso é uma festa. Festas são assim.

Aqui, com o povo quieto e sem cantar, e isso talvez aconteça pela decadência dos sambas, a coisa parece ser apenas um desfile, e não uma festa.

Quer desfile mesmo? Gosta de desfile? Acorde cedo no 7 de Setembro. É quando se tem um desfile ao pé da letra. Mas a Sapucaí não deveria ser a avenida de um desfile, e sim o palco de uma festa.

Inveja de Parintins.


Até!


Comentários
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    21/07/2008 19:34:49Kierk SorenAnônimo

    Bom, eu sou fã das duas manifestações. Nunca tive a oportunidade de assistir ao vivo ao Carnaval do Rio mas minha mãe foi em 91 e gostou demais. Acho o seguinte, são duas festas diferentes. Vi o colunista dizer que as alegorias no Rio são mais bonitas e são mesmo, porque a diferença está na estrutura das festas. Desde cedo que os bois perceberam que os jurados que chegam a Parintins não se impressionam com beleza, mas se impressionam com movimento, impacto e surpresa. Por isso quem está na arena vê determinados monstros surgirem sabe-se lá de onde e se erguerem a uma altura inimaginável. No Carnaval é diferente porque não é um espetáculo de arena é um desfile, portanto uma alegoria se fizer alguma surpresa deve repetir essa surpresa até o final da avenida o que tira todo o clima de expectativa e todo a seqüência teatral da dramatização. São festas diferentes, cada uma com o seu valor e não dá pra comparar dizendo que uma eh melhor - os carnavalistas falam do luxo e da beleza das alegorias, os boizistas falam dos movimentos e das surpresas - uma coisa complementa a outra. Mas tem coisas que são fatos: Parintins não caiu na armadilha de vender ingressos pra galera e isso é fundamental além do fato de que galera (torcida) conta pontos; O Rio, se quiser, pode resolver o problema do afastamento do público, mas precisa reformar o sambódromo ou até construir outro que o aproxime mais do povo, e abrir mão da venda de ingressos, já que hoje em dia tem muito patrocínio. Outra coisa, tem que diminuir o número de escolas de samba para 10 ou 8, pra dividir melhor o patrocínio. O patrocínio do Boi não é muito, não chega a 8 milhões mas como só são dois, aí fica melhor.

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    08/07/2008 17:14:17Fabrício SmiderleAnônimo

    Concordo com tudo o que o Ewerton aí embaixo falou. Ã? complicado se falar de algo que vc nao tem conhecimento!

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    08/07/2008 17:00:19Ewerton FintelmanAnônimo

    Desculpa, Lula, mas algumas de suas afirmações foram muito infelizes em alguns pontos, no ponto de vista de quem vê o festival ao vivo em Parintins, como eu. Os temas não são os mesmos, e nada é repetido. Para isso é lançado atualmente um cd com 20 toadas de cada bumbá, além de um tema e três subtemas, desenvolvido nas três noites. Mas o que eu considero mais infeliz, foi a afirmação "carnaval de Parintins". Parintins não é um Carnaval. Essa comparação com o carnaval é inviável. Parintins é uma ópera a céu aberto, nada mais. Não é considerado carnaval. Eu entendo que não só você como todos os cariocas tenham essa visão, pois a festa não é tão conhecida, por enquanto, mesmo com a transmissão da Band(que por sinal foi péssima). Abraços, Ewerton Fintelman (Carioca que vive no Rio e ama o carnaval, mas que também é fascinado pela mágica de Parintins)

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    07/07/2008 14:58:19Augusto CarazzaAnônimo

    Concordo e discordo... As alegorias de lá são muito mais impactantes e feitas com materiais mais baratos do que as do Rio. Sem contar o complexo processo de construção delas, feitas em módulos e, durante, a festa se unem para formar um belo cenário. O Festival é místico e as toadas são belas. Como no carnaval carioca, que apresenta sambas pavorosos de vez em quando, lá há também toadas mal feitas. Porém, cada toada tem um destino certo: umas são compostas para animar a galera, outras para dar vida ao ritual indígena (essas místicas e musicalemente fantásticas. Sugiro escutar Tanameá Marubo, do Garantido, ou Ã?xtase Xamânico, do Caprichoso. Ã? só entrar no site dos bumbás). E com relação a participação do povo. Sim, aquilo lá é um máximo! E no carnaval carioca... Ã? o mínimo..... Mas, isso é lance de capital, não me meto muito, só que tudo na vida precisa de um equilíbrio. E o nosso carnaval está perdendo este equilíbrio, lamentavelmente....

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    07/07/2008 11:26:41jorge lopesMembro SRZD desde 30/04/2009

    Sim, o povo faz a diferença. Mas são dois espetáculos de culturas diferentes. Aqui, não há só o grupo especial. Ã? muito caro para os salários percebidos. Não podemos esquecer que nesta cidade há no mínimo 6 escolas, em dias diferentes, com torcidas diferentes, sendo que uma não torce para a outra. Somente em casos excepcionalíssimos de um samba reeditado é que podemos ver quase toda a avenida cantando o samba - Ã? hoje o dia, por exemplo. Em Parintins são somente dois bois e duas torcidas. Trata-se de uma ilha, onde ou se é Garantido ou o Caprichoso. Ã? bem diferente desta cidade, onde há mais de 50 escolas de samba. Quanto às mulheres, de perto, ainda que não sejam muito altas, muitas, muitas mesmo, são lindas e sem quaisquer cosméticos. Aqui no Rio, muitas fazem uso da academia de ginástica, plástica, botox, etc. O bom é que fazem tudo pela beleza. Nada mal.

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    07/07/2008 11:18:49Roberto do Império daTijucaAnônimo

    Ã? isso aí Lula. Foi bom ver o seu comentário. Concordo com tudo. Um abraço.

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    07/07/2008 10:59:04PenolopeMembro SRZD desde 07/04/2009

    Entendo que Parintins é tão bom e chato, quanto é tão bom e chato o carnaval da Bahia e consequentemente , tão bom e chato quanto as escolas de samba , dependendo do ponto de vista. Quanto ao povo está comparecendo em massa nos blocos do Rio para brincar , o resto torno a falar é pra gringo ver , é pra mídia promover modelos, é para uma meia dúzia ter o que comentar , é para outra meia duzia ganhar dinheiro, e assim vai...

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    06/07/2008 23:29:44Pedro AyresAnônimo

    Ã? amigos....quando bati com os olhos na transmissão da Band, algo chamou a atenção. Não soube identificar ao certo...mas o Lula matou a questão. Agora, acho que essa coluna pode ser desmembrada em outra várias. Isso porque me questiono: qual a viabilidade de revertermos essa condição do público nas arquibancadas de nossos desfiles? Para mim, está quase no zero essa chance. A receita dos ingressos da Sapucaí é grandiosa demais para crer que a Liga abrirá mão em prol do povo. Ao meu ver, o mecanismo adotado é botar o povo para dentro da pista, no melhor estilo "comunidade impõe respeito". Não que eu concorde com isso, mas é o que será feito. Cada vez mais, o público dos desfiles será o público de um show distanciado do dia-a-dia das comunidades e do clima de carnaval universal. O carnaval do sambódromo será, no máximo, globalizado...no sentido excluedente e elitista que esse conceito pode carregar.

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    06/07/2008 22:03:19DéboraMembro SRZD desde 10/04/2009

    Ã? Lula!!! Sua inveja tem sentido sim!!! Só que a galera, que aqui no Rio eu entendo por trabalhadores do carnaval, ou seja, a galera que trabalha o ano todo, todo ano, não pode ver nada, não tem direito pq não tem dinheiro pra pagar um ingresso absurdamente caro. Em Parintins é de graça (pelo menos foi o que o Datena disse). Desfile das Campeãs????? Povão????? Ã? Mui Difíci!!!!!

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    06/07/2008 01:28:10LenonAnônimo

    Paul, Camarote vai ser difícil pra mim. Mas quem sabe não podemos começar a organizar um bonde pra ocupar umas frisas. Nem q seja no A e no B. Quanto à parceria, precisamos achar Ringo e George, assim já seremos uma escola de samba. Unidos dos Besouros, Acadêmicos dos Besouros ou Besouros da Folia? Vai pensando... Voltando ao tema do Lula, insisto: sem repensar o sambódromo não tem como trazer o povão de volta. Agora, uma questão: Os setores 7 e 9 são de turistas desde 84. Os ingressos se tornaram realmente muito caros, a partir de 86. O q aconteceu com a Ilha em 89, Estácio em 92 e Salgueiro em 93, contrariaria a tese do problema ser a presença excessiva de turistas ou de almofadinhas. O problema não estaria no samba-enredo? Será que os sambas apresentados hoje e que ?servem tão bem aos desfiles? são tão incapazes de estabelecer qualquer forma de comunicação com o espectador, a ponto de ninguém se sentir estimulado a participar? Ao amigo Diego Martins: arquibancada por escola, seria impossível, pra começar, pelo número de arquibancadas e número de escolas. 9 (contando com os setores 1, 4, 6 e 13) para, hoje, 12 escolas. O segundo problema (que na verdade é uma bênção) é que aqui não existe a rivalidade que existe entre os bois, algo tipo Flamengo e Fluminense, Corinthians e Palmeiras... Aqui, o cara é, por exemplo, Mangueirense e anti-Beija-Flor até o carnaval chegar. Na hora do desfile se a Beija-Flor estiver desbundantemente maravilhosa ele vai cantar, pular e até torcer para que ela vença. Ou será que alguém acredita que em 93, 100% do sambódromo era ocupado por acalorados e colorados torcedores salgueirenses prontos pra cantar ?Meu Salgueirão é vermelho! / Hei, hei, hei!?

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    06/07/2008 01:27:03LenonAnônimo

    Paul, Camarote vai ser difícil pra mim. Mas quem sabe não podemos começar a organizar um bonde pra ocupar umas frisas. Nem q seja no A e no B. Quanto à parceria, precisamos achar Ringo e George, assim já seremos uma escola de samba. Unidos dos Besouros, Acadêmicos dos Besouros ou Besouros da Folia? Vai pensando... Voltando ao tema do Lula, insisto: sem repensar o sambódromo não tem como trazer o povão de volta. Agora, uma questão: Os setores 7 e 9 são de turistas desde 84. Os ingressos se tornaram realmente muito caros, a partir de 86. O q aconteceu com a Ilha em 89, Estácio em 92 e Salgueiro em 93, contrariaria a tese do problema ser a presença excessiva de turistas ou de almofadinhas. O problema não estaria no samba-enredo? Será que os sambas apresentados hoje e que â??servem tão bem aos desfilesâ? são tão incapazes de estabelecer qualquer forma de comunicação com o espectador, a ponto de ninguém se sentir estimulado a participar? Ao amigo Diego Martins: arquibancada por escola, seria impossível, pra começar, pelo número de arquibancadas e número de escolas. 9 (contando com os setores 1, 4, 6 e 13) para, hoje, 12 escolas. O segundo problema (que na verdade é uma bênção) é que aqui não existe a rivalidade que existe entre os bois, algo tipo Flamengo e Fluminense, Corinthians e Palmeiras... Aqui, o cara é, por exemplo, Mangueirense e anti-Beija-Flor até o carnaval chegar. Na hora do desfile se a Beija-Flor estiver desbundantemente maravilhosa ele vai cantar, pular e até torcer para que ela vença. Ou será que alguém acredita que em 93, 100% do sambódromo era ocupado por acalorados e colorados torcedores salgueirenses prontos pra cantar â??Meu Salgueirão e vermelho! / Hei, hei, hei!â?

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    05/07/2008 14:22:35Diego Martins araujoMembro SRZD desde 14/10/2011

    Continuando... Ou se tu preferir Fred, tem essa aqui ó: Trecho da Toada Amazônia Terra Santa - Ronaldo Bazi, Mauro Souza E Wenderson Figueiredo "Terra Sagrada Um mar infinito Na verde imensidão Amazônia guerreira Encanto da natureza Pérola que Deus criou Fauna, flora, grandes rios Preservar é o desafio Herança dos meus ancestrais Essa terra, esse chão Hóstia de fé e união Que a mão do índio preservou Árvores são velas profanas Queimando a Terra Santa Amazônia, Terra Santa Amazônia..." Mas não fique assim Fred, eu sei que pode ler ou ouvir uma toada dos compositores do Caprichoso é uma emoção a mais na sua vida, quanto ao seu "boi" só lamentos, se vocês não tem capacidade o suficiente para serem organizados na arena, se não tem capacidade suficiente pra pagar os compositores em dia, por favor pede ao seu presidente vicente pra levar todo o "boi" pra tirar umas férias num igarapé, quem sabe assim vocês não criam vergonha na cara e param de culpar o pobre do Thiago de Mello pela derrota, ah por favor o não menos importante, não passem vexame querendo rasgar o regulamento no dia da apuração, não querem seguir as regras que gerem o festival? por favor(repetindo) vão tirar umas férias no igarapé mais próximo ou quem sabe a Baixa do São José que vive alagada já não virou um igarapé né? Por fim agradecendo mais uma vez a coluna do Lula e o espaço cedido aqui no Carnavalesco ao festival, não peço desculpas pelo caro amigo pois ele não representa o verdadeiro boi de parintins, o resto é mera concorrência ou pensa que é e também convido a todos a www.boicaprichoso.com Abração

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    05/07/2008 14:21:17Diego Martins araujoMembro SRZD desde 14/10/2011

    Respondendo ao Fred. A forma com qual vc se porta num mural que pertence a um site de carnaval e que abre espaço pros bumbás só serve pra alimentar uma idéia de "fanatismo" dos torcedores dos bumbás, o que não é aplicado a todos do bumbá Garantido ou do Caprichso. Eu não vou entrar em muitos detalhes aqui pois seria perda de tempo debater com uma pessoa que demonstra um nivel de sociabilidade baixo, só pediria para que não venha desmerecer os compositores do Boi Caprichoso pois você como torcedor do Garantido deveria saber muito bem que a lenda Anhangá e o Ritual Yanomami são composições que primeiro participaram da seleção do Caprichoso e pelo fato de não terem sido selecionadas pela Comissão de Arte os compositores(do Caprichoso) resolveram levar elas pro outro Bumbá onde elas foram selecionadas, então antes de falar mal dos compositores do BI CAMPEÃ?O agradeça eles por presentear seu bumbá com uma das poucas toadas que salvam aquela coisa troncha que vocês chamam de "CD" e que a torcida de você só fez o de sempre que é decorar as toadas pra criança de primário que são compostas de "lelele" "ooo" "lalala" e "batendo palmas". Colega SOU MUITO MAIS MEU BOI! que é poesia pura, a verdadeira poesia cabocla, quer uma prova? "No despertar das manhãs Sob o pólen das auroras A floresta mãe aflora e lança no ar A clorofila da vida pro verde da mata reinar..." Trecho da Toada - Caboclo Mateiro - Adriano Aguiar e Geovane Bastos Ou se tu preferir Fred, tem essa aqui ó: Trecho da Toada Amazônia Terra Santa - Ronaldo Bazi, Mauro Souza E Wenderson Figueiredo "Terra Sagrada Um mar infinito Na verde imensidão Amazônia guerreira Encanto da natureza Pérola que Deus criou Fauna, flora, grandes rios Preservar é o desafio Herança dos meus ancestrais Essa terra, esse chão Hóstia de fé e união Que a mão do índio preservou Árvores são velas profanas Queimando a Terra Santa Amazônia, Terra Santa Amazô

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    05/07/2008 12:57:34Carlos MaiaAnônimo

    Como já foi ressaltado em outra mensagem, em Parintins, a torcida vale ponto. Além disso, o público carioca tem sido paulatinamente afastado do carnaval pelo preço dos ingressos e a maldita venda por telefone (e não em agências bancárias do Rio, como acontecia antes). Não é possível também imputar a falta de animação a uma suposta falta de qualidade dos sambas, pois nos ensaios técnicos (gratuitos e predominantemente assistidos pelo povo do Rio) há uma alegria contagiante, já que temos na maior parte das vezes torcedores das escolas invadindo espontaneamente as arquibancadas. Imagino que se tivéssemos setores de arquibancadas destinados a cada torcida e isto pontuasse também teríamos uma participação "orquestrada" como em Parintins, mas não sei se isto seria bom ou não para o carnaval. Prefiro manifestações espontâneas de "furor" como tivemos no Salgueiro, com Peguei um Ita no Norte, da Estácio, com a Paulicéia Desvairada, ou mesmo o silêncio de emoção profunda e êxtase, com a Kizomba da Vila e os Ratos e Urubus da Beija-Flor. Para finalizar é preciso que se tenha uma visão mais arejada do que é uma festa popular.

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    04/07/2008 17:03:26CelsoMembro SRZD desde 25/10/2009

    Só complementando: Não precisamos ir muito longe para observar a participação popular em numa festa de carnaval. Basta ver o desfile 2008 das escolas de samba de São Paulo, especialmente o da Vai-Vai. Foi um desfile do povo para o povo. Emocionante do início ao fim.

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