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Anthoni Santoro - Futebol

Anthoni Santoro - Futebol

Carioca de Copacabana, treinador de futebol e apaixonado pelos bens imateriais da cidade do Rio de Janeiro: mate de praia, futebol de areia e o Carnaval com suas escolas de samba.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



23/09/2011 17h12

O treinador é sempre o culpado?
Anthoni Santoro

"Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar". A citação à música do Paulinho da Viola refaz os sentidos, os pensamentos e os oceanos cheios de correntezas que os comandantes-timoneiros-treinadores de futebol percorrem. Contudo, o mar não pode ser um obstáculo, tem que ser o caminho. Maré baixa e calmaria iludem os navegantes. Maré alta e fortes ventos comprometem qualquer navegação. As marés alteram e modificam as rotas de chegada de quem se aventura a navegar em condições adversas. As ondas que nos levam podem ser as mesmas que nos trarão de volta. O treinador não é um mero navegador, não é, necessariamente, aquele que navega um barco em alto mar, mas sim aquele que se orienta através das "cartas de navegação", ou por outras referências da natureza. Estrelas.

Cartas hidrográficas, dos oceanos e mares, com indicação das profundidades, perigos, canais, faróis etc. servem ao traçado de rotas de navegação. São mapas com orientações direcionadas que nos ajudam a seguir. Pontos de apoio, portos seguros e alegres que invadem as nossas terras, tornando férteis os redutos de semeadura. Cada carta tem características e indicações específicas para orientar o navegador. As cartas visam dotar quem percebe os sinais das coordenadas essenciais à navegação. São mapas usados para guiar os navegantes! E os comandantes podem e devem usufruir desse apoio. O mar é traiçoeiro, mas também é de Iemanjá.

Amyr Klink, o solitário navegador brasileiro, planeja suas viagens de forma meticulosa. Os detalhes, centímetros de cada planejamento, são transformados em quilômetros ao longo das travessias. Uma vez que, sozinho, ele não depende de ninguém para o êxito de suas jornadas. Os resultados dos seus esforços não são divididos. Pretende-se, apenas, de forma segura, conduzir a navegação de um ponto a outro e antecipar os problemas que possam aparecer. O que não alcanço, e que pretendo entender no futebol, é como que um comandante não consegue compartilhar as idéias, distribuir competências, ouvir e gerar um ambiente de trabalho agradável e prazeroso com a sua tripulação. Não perceber que ele não está sozinho, que o troféu fica no clube, e não vai para a sua casa. Tem treinadores que precisam compreender que para a sua estrela brilhar não precisa apagar a de ninguém. A estrela que brilha é a que guia. Parafraseando Gandhi: "quer conhecer um treinador, dê poder a ele".

Mudanças bruscas no futebol são corriqueiras. Treinadores balançam em suas embarcações e o velho comandante da nau continua a falar de planejamento e estratégia. Não existe um projeto a longo prazo e uma ordenação de metas futuras. Há qualquer momento o mar pode virar. Os perigos para a navegação são eminentes. São correntes e tempestades que mudam as rotas. Respeito às leis da natureza. Respeito às leis do futebol. O projeto é diário, com sol ou na chuva. Comandante é comandante, na dor ou na alegria, nos barcos a remo, a motor, iates, navios, transatlânticos ou jangadas. Mas há comandantes que jogam a âncora, largam seus remos, abandonam a sua tripulação, esquecem das bússolas e dos mapas. Embarcação à deriva. Não há sinalizadores que possam norteá-los.

E onde estão as bóias e os salva vidas?


Comentários
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    07/10/2011 18:20:30Bruno da costa moojen menezesAnônimo

    Fala Anthoni.. Tudo bem? Sou o Bruno de Buzios lateral direito, lembra que treinou com vc no flamengo que na época queriam fazer gato em mim, e meu pai te ligou falando a verdade..ta lembrado? queria falar com vc, pode me passar algum contato?

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    27/09/2011 07:51:13diego benicioMembro SRZD desde 18/03/2014

    sim, o treinador é total responsavel pela escalação dos melhores jogadores e da montagem do eskema tatico

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    26/09/2011 13:36:12Pedro de AlcântaraAnônimo

    Fica a idéia de um movimento de mudanças pelos ventos externos...quando o comandante teria que saber de todas as possibilidades das "correntes". Filosofia pura!

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    23/09/2011 22:01:44Julio CezarAnônimo

    Que texto maravilhoso. Adorei ! Como é complicada a vida de treinador. Há muitos anos ouvimos falar em planejamentos. Isso não existe no futebol brasileiro, e não vejo uma boa perspectiva para que isso aconteça nos próximos 10 anos ( talvez nunca). Como um treinador pode ficar no cargo depois de perder umas 3, 4 ou 5 vezes? Como um clube ,que tem vários diretores que olham o lado financeiro deles, pode ter um planejamento?

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    23/09/2011 21:15:11Claudio de SouzaAnônimo

    Show de coluna e abordagem. Treinador é culpado quando quer abraçar o mundo, quando acha que sabe demais, quando pensa que ser o dono da verdade é o máximo. Depois que o barco tá afundando eles pulam do barco.

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    23/09/2011 19:12:50Edson SouzaAnônimo

    Edson Souza Beleza Anthoni a colocação , será que um dia teremos a tranquilidade e o tempo que requer para colocarmos as nossas ideias e nossa filosofia de jogo , para depois sim sermos cobrados pelos resultados . Durante toda minha carreira de jgdr (25 anos ),poucas vezes vi um treinador com menos de seis meses formar uma equipe sólida e concistente , as vezes os resultados vinham rápido , porém eram passageiros .

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    23/09/2011 19:11:12Edson SouzaAnônimo

    Edson Souza Beleza Anthoni a colocação , será que um dia teremos a tranquilidade e o tempo que requer para colocarmos as nossas ideias e nossa filosofia de jogo , para depois sim sermos cobrados pelos resultados . Durante toda minha carreira de jgdr (25 anos ),poucas vezes vi um treinador com menos de seis meses formar uma equipe sólida e concistente , as vezes os resultados vinham rápido , porém eram passageiros .

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    23/09/2011 18:47:07ZappaAnônimo

    Santoro, infelizmente algumas de suas descobertas futebolistas estão justamente no elenco rubro-negro como Negueba, Wellington, Diego Maurício, Jael e Wanderlei por ser, como ele mesmo intitula-se, o â??comandanteâ?, é o responsável pelo tormento do Mengão, ao não ter coragem e mudar o curso equivocado que o barco Flamengo tomou. Nem sempre o mar é o responsável pelo naufrágio de uma embarcação. Poseidon ou Titanic findaram por incompetência de seus comandos. Saudações!

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