SRZD


12/07/2008 07h23

Três contos do Zen Budismo
SRZD - Fé

Impermanência

Um famoso mestre espiritual aproximou-se do Portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se aonde o Rei em pessoa estava solenemente sentado, em seu trono.

"O que vós desejais?" perguntou o Monarca, imediatamente reconhecendo o visitante.

"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o mestre.

"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem," disse o Rei, divertido, "Este é o meu palácio."

"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.

"Meu pai. Ele está morto."

"E a quem pertenceu antes dele?"

"Meu avô," disse o Rei já bastante intrigado, "Mas ele também está morto."

"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem - vós me dizeis que tal lugar NÉO É uma hospedaria?"

Essência

Na China, havia um monge Zen, chamado mestre Dori, que, por fazer zazen empoleirado num pinheiro pára-sol, fora alcunhado de mestre Ninho de Passarinho.

Um poeta muito célebre, Sakuraten, foi visitá-lo e, ao vê-lo fazer zazen, disse-lhe:

"Tomai cuidado, que isso é perigoso; podereis, um dia, cair do pinheiro!"

"De maneira nenhuma," respondeu mestre Dori. "Vós é que correis perigo de um dia cair."

Sakuraten refletiu. "Com efeito, vivo dominado por paixão, é como brincar com o raio". E perguntou ao mestre Zen:

"Qual é a verdadeira essência do budismo?"
Mestre Dori respondeu:

"Não façais nada violento, praticai somente o aquilo que é justo e equilibrado."

"Mas até uma criança de três anos sabe disso!" exclamou o poeta.

"Sim, mas é uma coisa difícil de ser praticada até mesmo por um velho de oitenta anos..." completou o mestre.

Verdadeira regeneração

Ryokan devotou sua vida ao estudo do Zen. Um dia ele ouviu que seu sobrinho, a despeito das advertências de sua família, estava gastando seu dinheiro com uma prostituta. Uma vez que o sobrinho tinha substituído Ryokan na responsabilidade de gerenciar os proventos da família, e os bens desta portanto corriam risco de serem dissipados, os parentes pediram a Ryokan fazer algo.

Ryokan teve que viajar por uma longa estrada para encontrar seu sobrinho, o qual ele não via há muitos anos. O sobrinho ficou grato por encontrar seu tio novamente e o convidou a pernoitar em sua casa.

Por toda a noite Ryokan sentou em meditação. Quando ele estava partindo na manhã seguinte ele disse ao jovem: "Eu devo estar ficando velho, minhas mãos tremem tanto! Poderia me ajudar a amarrar minha sandália de palha?"

O sobrinho o ajudou devotadamente. "Obrigado," disse Ryokan finalmente, "você vê, a cada dia um homem se torna mais velho e frágil. Cuide-se com atenção."

Então Ryokan partiu, jamais mencionando uma palavra sobre a cortesã ou as reclamações de seus parentes. Mas, daquela manhã em diante, o esbanjamento do seu neto terminou.


Comentários
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    07/10/2008 04:05:29aristarco silveira guedesAnônimo

    As tres maiores mazelas do homem estão descritas de forma clara e suscinta para um ensinamento comportamental de cada ser: egoismo, vaidade e orgulho. Não basta saber, praticar é o aprendizado maior. Simples é a vida, complicado são os homens. O equilibrio é a fórmula da vida plena e feliz.

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