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Anthoni Santoro - Futebol

Anthoni Santoro - Futebol

Carioca de Copacabana, treinador de futebol e apaixonado pelos bens imateriais da cidade do Rio de Janeiro: mate de praia, futebol de areia e o Carnaval com suas escolas de samba.

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14/10/2011 17h57

Filho de peixe, peixinho é?
Anthoni Santoro

Para dar referências ao tema dessa coluna vou listar os nomes dos novos atletas e seus respectivos pais ou parentes que foram(são) jogadores de futebol. Não obtive informações sobre jogadores com este perfil no Fluminense ou no Botafogo. Podemos lembrar também dos filhos de jogadores de gerações mais antigas, como os do Pelé, Zico, Junior e Claudio Adão que não alcançaram as expectativas esperadas. Outros atletas projetaram os seus nomes e os das suas famílias: Djalminha, filho de Djalma Dias; Ademir da Guia, filho de Domingos da Guia; Zico, irmão do Edu Coimbra, Fórlan, filho do Pablo Fórlan; Ronaldinho Gaúcho, irmão do Assis e tantos mais.

C.R.Flamengo:
 
Matheus Oliveira - Meia - Sub-17 - Bebeto
Renan Donizete - Meia - Sub-16 - Donizete Pantera
Bernardo - Meia - Sub-15 - Leandro Ávila
Thiago - Atacante - Sub-12 - Irmão do Adriano
Rieguel - Lateral Direito - Neto do Valdir Espinosa
 
Jogadores que passaram pelo Flamengo:
 
Daniel - Volante - Sub-19 - Mozer
Luan - Atacante - Sub-19 - Paulo Nunes
Diego - Atacante - Sub-17 - Djalminha
Patrick  - Zagueiro - Sub-16 - Júnior Baiano
Rodrigo - Atacante - Sub-20 - Adalberto
É jogador do Benfica, ex-Real Madri e Seleção Sub-20 da Espanha
Thiago Alcântara e Rafael - Meia e Atacante - Sub-20 e Sub-18 - Mazinho
Ambos estão no Barcelona e o Thiago na Seleção Sub-20 e na Principal da Espanha. 
 
C.R.Vasco da Gama: 
 
Rodrigo - Atacante - Sub-18 - Roberto Dinamite
Stephano - Meia - Sub-16 - Branco
Andrey - Meia - Sub-17 - Geovani  
Romarinho - Atacante - Sub-18 - Romário

As chaves dos portões que dão acesso aos campos de futebol estão sempre de posse dos ex-jogadores. Seus filhos têm acesso livre aos gramados, e plantam as sementes de uma geração na expectativa da colheita dessa nova linhagem familiar. O manual de sobrevivência no futebol tem sempre um capítulo dedicado aos ex-jogadores e seus filhos. Histórias de esforços, de sucessos e de fracassos. Troféus de dedicação, insistência e decepção. Medalhas de ouro, de prata e de inglórias. Tentativas e mais tentativas. Chances e mais chances. As oportunidades de tornar-se jogador de futebol são inúmeras se comparadas a qualquer outro jovem. Para quem trás no DNA e no sobrenome algum talento o mundo dos clubes nas divisões de base é mais acessível. Afinal sempre herdamos algo dos nossos pais e doamos aos nossos filhos. Talvez a cor dos olhos, a cor da pele, o tipo de cabelo, os traços físicos, o caráter, a educação, ou quem sabe, toda uma genética privilegiada para a prática de futebol. E o mais importante: uma grade de relacionamentos que abre as portas e estende o tapete vermelho.

O exercício das funções afetivas torna-se restrito ao objetivo da descoberta de um novo talento. O sonho de todo pai é ver seu filho crescer e ser bem sucedido na profissão em que escolher, seja ela qual for. Mas alguns pais são exemplos, não só de vida, mas de profissionalismo para os filhos. Muitas crianças tentam repetir as atitudes e os passos de seus responsáveis. Normalmente, os comportamentos preferidos para serem imitados são aqueles de pessoas que são referências, como a figura paterna. Ou seja, há a reprodução das características principalmente pelo convívio, pela imposição e admiração. E essa tal admiração é tanta que os rebentos acompanham a escolha feita pelos pais na profissão. As semelhanças vão muito além de fisionomia e gostos. E quando crescem, os filhos formulam conceitos que quase sempre envolvem a personalidade dos pais. Como se houvesse a necessidade de comprovar que filho de peixe, peixinho é. E como poderia um peixe vivo viver fora da água fria? Será que sobreviveria?

Pais são referências, transformadores, formadores e às vezes deformadores. Há pais que projetam os seus desejos e as suas frustrações nos seus filhos. Querem escolher para eles um bom futuro, digno, repleto de alegrias e facilidades. Acham-se capazes de nortear o futuro e indicar todo o caminho correto levando sempre em consideração o discurso da responsabilidade de educar e dar alicerce. Mas não podem, não devem e não conseguem impedir que os filhos cometam erros, indispensáveis ao aprendizado e amadurecimento do ser humano. Amar não é modelar o outro com as nossas mãos para que ele seja parecido com o que desejamos, mas sim deixá-los manusear a massa, retocá-la e construir o seu modelo de vida. Pessoas podem ser parecidas, ter características similares, mas não são iguais. Pais querem sonhar os sonhos dos filhos sem deixá-los acordar. As futuras páginas de nossas vidas estão em branco para nós preenchermos. Cada um de nós é responsável pela própria vida. Somos nós que escrevemos a nossa história. Livre arbítrio na ponta do lápis, ou melhor, da caneta. Não existem borrachas para o viver. 

Algumas figurinhas já foram coladas nesse álbum de futebol. Filhos de ex-jogadores que tiveram muitas oportunidades e não chegaram aos pés do talento de seus pais. Exemplos não faltam e não faltarão. Por que fica a constatação de que ser filho de um grande nome do futebol não é garantia de talento. Honrar a hereditariedade de alguém famoso é colocar um peso maior sobre as suas costas. Exemplos abundam na música, no rádio, na televisão e no próprio esporte. Não deve ser fácil conviver com todo esse assédio e pressão da mídia e de familiares. Não gerar expectativas e projeções futuras na tentativa de ser fazer presente no futebol desfaz o mito da celebridade e as comparações inevitáveis entre as gerações. Ex-jogador conhece os atalhos do campo, mas os caminhos curtos podem ser perigosos. Não adianta forçar uma situação. O processo tem que acontecer naturalmente. Nada de atropelar as etapas de formação. Tudo na sua hora, respeitando a maturação do homem. O tempo dará o seu veredito. Mas não precisamos culpar esses pais por tudo. Isso é absurdo! São crianças como "seus" atletas. Nada é fácil de entender... Pais e Filhos.

Parabéns, Adalberto e Mazinho! As estrelas dos seus filhos têm um brilho de vocês.


Comentários
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    28/10/2011 16:44:17NenAnônimo

    Marliene 28/10/2011 16:35:35 muito Legal a matéria de filhos de atletas que atuaram e que atuam em clubes hoje em dia. Porém gostaria de acrescentar mais alguns que atuaram e seus filhos tb no Flamengo: Silva Batuta, seus filhos Waltinho (volante) atualmente auxiliar técnico da categoria juvenil do C.R.flamengo e Wallace (atacante), Paulo Henrique e seu filho Paulo Henrique junior (atualmente Treinador da categoria sub 20 do C.R.Flamengo) Campeão da última Taça São Paulo de juniores e agora seu neto (Henrique) jogando no Pré - Mirim do C.R.Flamengo, vale aqui somente o registro.

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    19/10/2011 12:46:32Plinio CamposAnônimo

    "O exercício das funções afetivas torna-se restrito ao objetivo da descoberta de um novo talento". Isso aí, esquecem das funções primárias de ser pai pelo "simples" objetivo de projetar o filho no futebol. Muito bom o tema e a abordagem.

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    18/10/2011 21:20:56Marco Aurelio ImbroisiAnônimo

    Toni, venho lendo todas as suas colunas e elas estão muito pertinentes e legais, pricipalmente a que vc fala do futuro do futebol. Parabens, continue assim. Um abração do seu primo Marco Aurelio

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    18/10/2011 09:25:39Rogério Larbos SaidMembro SRZD desde 01/03/2014

    Parabéns! Sua matéria é uma grande verdade. Ã? preciso entender o sujeito é singular, mas ele é intersubjetivo também. Somos possuídos pela cultura que possuímos! Assim, os próprios pais são um meio que a criança percorre, com suas qualidades e potências, e cujo mapa ela traça. Cada corpo apresenta sua própria potencialidade e não há como interpretar o sujeito sem desconsiderar a leitura corporal, constantemente, dotada de sua intersubjetvudade, individualidade e historicidade. Eu mesmo tenho um amigo chamado Ito que faz a mesma coisa que o pai Haroldo. Belíssima matéria.....diferenciada! Abraços.

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    17/10/2011 15:24:31Julio NoronhaAnônimo

    Grande Verdade. Pais que projetam nos filhos uma situação financeira de estabilidade e frustrações e sonhos...nem todos são filhos de peixe graúdo.

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    14/10/2011 19:31:25diego benicioMembro SRZD desde 18/03/2014

    infelizmente, tem gente q vive às custas da fama dos pais, sem nenhum brilho proprio, e pais q mimam seus filhos

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    14/10/2011 19:18:17Claudio de OliveiraAnônimo

    Manda o filho do Branco ir para Xerém, pô! Matéria bem elucidativa. Parabéns Mazinho e Adalberto.

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