SRZD


25/10/2011 16h27

"Mais um crime aconteceu no processo dos bondes de Santa Teresa", diz vereador
André Silva

DivulgaçãoProcurado pelo SRZD, o vereador Paulo Messina (PV) falou com mais detalhes sobre a denúncia que recebeu contra o Secretário Estadual de Transportes do Rio de Janeiro Júlio Lopes. O documento que chegou às mãos do vereador aponta o secretário de ter doado materiais tombados como patrimônio histórico dos bondes de Santa Teresa, como também a existência de um local de desova para as peças do transporte chamada como "cemitério dos bondes".

Antes de falar sobre a denúncia, Paulo Messina fez questão em citar trecho do processo de tombamento do bonde.

"Esse é um processo de tombamento do Instituto estadual do patrimônio cultural (Inepac). Esse bem foi tombado provisoriamente em 19 de outubro de 1983 e teve o tombamento definitivo em 8 de abril de 1988. O que está tombado no sistema dos bondes de Santa Teresa? O tombamento inclui todo o sistema de transporte, inclusive os trilhos, mecanismos e acessórios ligados ao funcionamento dos bondinhos abertos",
citou. "Bem como a garagem e oficina", completa.

Com esse processo em mãos, Messina garante que o secretário jamais poderia ter doado partes de um patrimônio histórico, e sim, uma reforma poderia ter sido feita. "Ele teria que ter reformado", disse.

Messina foi até o local citado na denúncia, verificou a existência e gravou um vídeo que pode ser acessado em seu blog pessoal (blog.messina.com.br). De acordo com a denúncia, o material foi para lá transportado, na calada da noite, dias após o acidente.

"O documento é muito claro quando fala: 'são bens oriundos do bonde de Santa Teresa', então são sucatas originárias do bonde que é tombado paralelamente pelo patrimônio", afirmou o vereador. "Mais um crime aconteceu no processo de desmanche nos bondes de Santa Teresa", completou.

Durante todo seu relato dava para notar a revolta que Messina sentia com o descaso ao transporte histórico da cidade.

"É chocante ver o patrimônio histórico de nossa gente, um dos símbolos do Brasil (e não só do Rio!) ao lado do Cristo e do Pão-de-Açúcar, tratados desta forma. Peças inclusive aparentemente novas e reformadas, expostas ao tempo, estragando. Isso é patrimônio público! O relatório que o DETRO fez ao governo do estado tem diversos erros, começando pelas quantidades de bondes que foram enviados à reforma e quantos ficaram na garagem. A verdade está finalmente às claras".

Juntando com o que presenciou e com a resposta dada pelo secretário ao SRZD através de uma nota, ele diz que Júlio Lopes "não pode dizer que o bem encontrado é inservível ou não".

"Não é da cabeça dele dizer que o bem é inservível. Ele teria que destombar para fazer o que ele fez. Não Pode! Desmanchar e doar como sucata. Aquilo que foi encontrado é patrimônio histórico desmanchado, várias peças que foram encontradas que não tem como dizer que não é inservível, tem algumas que chegaram a ser reformadas".

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O documento que comprova a doação do patrimônio histórico para a ONG Riosolidário, empresa privada, cuja presidente é a Drª Adriana Ancelmo, mulher do governador Sérgio Cabral, é uma ata de reunião da Diretoria da Central (empresa que administra os bondes) e deixa claro que houve o desmanche e sucateamento.

"Ele se apropriou de um bem público, tombado como patrimônio histórico para beneficiar terceiros. E outra coisa, não tem mais nenhuma outra ONG no Rio de Janeiro? Só tem a da esposa do governador?", disse revoltado.

Em uma nota enviada à imprensa, o vereador Paulo Messina diz que através dessas comprovações, irá encaminhar tal denúncia ao "Ministério Público, na pessoa de seu subprocurador Antônio José, responsável pelo inquérito" do acidente envolvendo um dos bondes de Santa Teresa, no Centro, no dia 27 de agosto. Ele também informou que encaminharia ao "delegado Janssen, titular da 7ª DP, que também era responsável pelo inquérito".



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