SRZD


10/11/2011 09h28

Mestre Mug: 'Nunca gostei de paradinhas'
Nilcemar Nogueira

Foto: Divulgação

As escolas já iniciam seus ensaios técnicos, e assim os mestres, de harmonia, bateria, começam organizar seus componente para o desfile. Em homenagem a esses guardiões de nossa cultura, destaquei uma entrevista de Mestre Mug, prestada para o Projeto Memória das Matrizes do Rio de Janeiro, que coordeno no Centro Cultural Cartola, para que possamos refletir sobre o processo de transmissão de nossas tradições. A participação de famílias nas quadras, garantia a passagem do saber de geração a geração. Hoje os mais antigos, são ou estão afastados de seus terreiros, e esses espaços não mais divididos com seus herdeiros.

Quando Mestre Mug começou a frequentar a Vila Isabel o soberano da bateria chamava-se Ernesto. E Mestre Ernesto era da seguinte filosofia: "O aprendiz tem que usar o poder da observação, o aprendiz tem que olhar, prestar atenção, e repetir quantas vezes forem necessárias. Esta orientação vale para todos os integrantes da bateria, sejam eles, parentes ou não". Segundo Mug, grande parte dos ritmistas chegavam à bateria adulta meio "selvagens"; com muita pressa, e o Mestre Ernesto, "botava um freio neles".

Não foi à toa que Mestre Mug reconheceu o "jeito vaselina" como uma grande qualidade para um mestre de bateria. "O diretor de bateria não pode ser brigão. Tem que levar a turma no bico, ser vaselina". Como referência de liderança, exemplo de atitude, lembrou de Waldomiro da Mangueira, Marçal da Portela, André da Mocidade de Padre Miguel, Mestre Chico e Mestre Louro do Salgueiro.

Sucessor de Mestre Erneto, Mestre Mug deixou sua marca na Vila Isabel. Defensor da tradição, Mestre Mug se angustia com as mudanças no desfile. Acredita, por isso, que as diferenças rítmicas, entre as escolas, estão com dias contados. O regulamento, segundo ele, é um conjunto de imposições que pode levar a pasteurização do desfile.

Além da rigidez do regulamento, ele denuncia outro vilão: o poder econômico, uma espécie de mal necessário, ele reconhece que fazer carnaval é muito caro. Daí, a importância do patrono. Quanto às paradinhas e coreografias, confessa que nunca gostou destas estripulias.

O amor pela azul e branco de Vila Isabel lhe credita quase um recorde: 12 anos de trabalho sem salário. A crise não afastou a escola do coração. Na época, sem quadra e sem dinheiro, a bateria usava como palanque a marquise de uma agência bancária. Solidário, o Clube Maxwell cedeu espaço para tirar a Vila Isabel da triste condição de sem-teto.

Protagonista de todos estes momentos, ele filosofa para traduzir sua firmeza: "a atitude é um fator fundamental no samba". E a atitude de Mestre Mug tem sido de total coerência, sobretudo, no momento em que abriu mão do cargo de Ogã, para entrar no mundo do samba. Ele chegou à bateria da Vila Isabel, em 1967, ainda Amadeu Amaral. Cinco anos depois, em 1972, aceitou o desafio de substituir pela primeira vez Mestre Ernesto. O afastamento de Mestre Ernesto durou até 1974. Com a volta de Mestre Ernesto passou a modesto assistente do velho titular. Esta condição se estendeu até 1978 quando Mestre Ernesto se afastou definitivamente da Vila. Naquele ano, Mestre Mug amargou o rebaixamento da escola. Em 1979, lá estava ele, dignamente defendendo as cores da Vila Isabel, no segundo grupo. A recompensa viria, em 1988, quando a Vila ganha, pela primeira vez, o título de campeã com o clássico Quizomba, Festa da Raça. Passaram-se 18 anos para que Mestre Mug viesse a comemorar o segundo campeonato. A maestria de Mestre Mug e seus ritmistas embalaram o Soy Louco Por Ti América, enredo de 2006, com o qual a escola sagrou-se campeã.

Depois de 37 anos de dedicação e amor, Mestre Mug sonhava em passar o apito para o filho ou sobrinho, que vinham sendo treinados por ele para essa condição. A diretoria da escola, contudo, tinha outros planos. Em 2008, o sonho de Mestre Mug acabou. Era o fim de uma era.


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Comentários
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    16/11/2011 08:17:41Tamborim quenteMembro SRZD desde 16/02/2010

    Juadir, vc é recalcado esse mestre MUG tem MEDO de fazer paradinhas, quantas vezes a bateria ensaiou uma bossa e chaga na hora passa reto se´é que me entende. Outra coisa fui da bateria Pura Cadência sim de 2001 até 2010 e você frequentou alguma bateria para poder falar alguma coisa.

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    16/11/2011 01:32:48meu samba é assimMembro SRZD desde 16/11/2011

    Eu tenho pena dele jogou 30 ANOS COMO ELE FALA na lama não deu moral nem o filho dele !!!!!!!!!!!!!!!!!

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    16/11/2011 01:12:37D`jalmaMembro SRZD desde 15/09/2011

    Este Mestre Mug quer aparecer, pois esta no ostracismo, dai vem pra mídia falar M... P... pq não vai posar nu em Mestre Mug?

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    15/11/2011 21:39:17JAMAICAMembro SRZD desde 28/09/2011

    GENTE confesso que não sou muito chegado á esse negocio de paradinha de bateria,acho que cai um pouco o conjunto harmonico da escola, á Mangueira parou por 21 segundos á sua bateria este ano, voces não acham que é muita coisa?.

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    15/11/2011 13:34:36D`jalmaMembro SRZD desde 15/09/2011

    Este Mestre Mug é um boçal como é q pode não gostar de paradinha???????? Por isso q tá fora do desfile das escolas principais. Sempre foi um ignorante e incompetente.

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    13/11/2011 03:25:30DesculpemasMembro SRZD desde 07/08/2011

    ...walcyr, como você disse, o porquê do nível dos ritmistas está péssimo? Porque os caras não são valorizados, dão sangue e suor e às vezes nem um muito obrigado. Vê-se sambas comercializados, rainhas que não samba, desanima...as escolas têm que valorizar os caras...

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    13/11/2011 00:12:41juadir sampaioMembro SRZD desde 12/11/2011

    esse djalma deve ser algum pela saco do paulinho botelho.

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    13/11/2011 00:11:05juadir sampaioMembro SRZD desde 12/11/2011

    caro sr.tamborim quente respeito é bome os mais velhos gostam vai aprender a tocar o seu istrumento primeiro pra depois criticar alguem valeu vc pegou bateria cadênciada???????vê se vc se enxerga seu fedelho e ignorânte e é por isso que eu digo o samba acabou mesmo..........

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    13/11/2011 00:01:26juadir sampaioMembro SRZD desde 12/11/2011

    foi-se a epoca em que as baterias das escolas de sambas do rio eram cadênciadas .agora é só correria só tijuca ainda tem um pouco de cadência e o mestre odilon foi pra tentar retornar com o ritmo da mocidade que tambem esse ano correu muito. tenho saudade dos anos 80,90 e até 2000. porque agora e principalmente com essa garotada que tá chegando no samba tá uma coisa horrorosa e alguns já se achando e se esqueçendo do passado dos mais velhos pois eles não pegaram e nem conheceram o que é cadencia. agora .....só correria!!!!!!!!. mas viva o samba............ainda.

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    12/11/2011 22:32:57licoMembro SRZD desde 20/10/2010

    Graças a Deus nossa bateria ainda não se contaminou!!!!! Caixa embaixo tarol emcima , Mestre Ernesto, Mestre Mug e segue a geração por favor não se contaminem, E assim nossa bateria ,sempre fará a diferença, vamos que vamos!!!!

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    12/11/2011 14:47:27Antonio JorgeMembro SRZD desde 13/10/2011

    Mestre Mug é o grande responsável por uma das melhores cadências de bateria entre todas as escolas. A bateria da Vila Isabel sob sua batuta desfilava solta e sem correria. Boa sorte ao grande Mestre em sua nova jornada !

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    11/11/2011 17:56:20Walcyr BorgesMembro SRZD desde 24/07/2009

    O Mestre Mug tem total razão quanto a pasteurização e o excesso de paradinhas nas baterias. O que caracterizava uma bateria eram as caixas (como era linda a levada da Vila no tempo do Mestre ernesto e que o Mug manteve): cada escola com a sua levada. hoje encontra-se diversas batidas de caixa na mesma escola e pouco são os ritmistas que conhecem a batida tradicional da sua escola. quanto as paradinhas, que serviam de surpresa e destaque nas baterias, transformaram-se em regra. Mas, o nível dos ritmistas, com excessões, está péssimo (perguntem aos grandes mestres), assim as baterias vão se transformando em espetáculos de circo. Tomara que volte a levada das caixas, o carreteiro bem tocado, a terceira característica de cada escola. As batidas têm história nas nações africanas, tem motivo cada escola ter a sua levada tradicional. Parabéns Mestre Mug. Agora, quanto a briga da Vila, façam bom proveito.

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    11/11/2011 17:19:55ZappaMembro SRZD desde 16/04/2009

    Sambista Desculpemas conheço Mug visualmente, nunca fomos apresentados, mas tenho alguns amigos na escola e as referências sobre o mestre são mais que positivas. Tanto no comentário do Marcos Farias, que com certeza é um componente da bateria ou no belo texto da professora Nilcemar, fica mais ou menos entendido o que aconteceu ou está acontecendo com Mug na sua Vila Isabel. Sei que é muito difícil estar à frente de um setor como bateria durante tantos anos e conseguir se manter unânime, livre de invejas, intrigas e dos inimigos gratuitos, mas também sei que é complicado para quem se dedicou durante tantos anos a uma agremiação ver tudo se perder como coisa qualquer. Tomara Mug consiga fazer um bom trabalho na Cabuçu, pois a vida segue. Saudações!

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    11/11/2011 10:58:04ZappaMembro SRZD desde 16/04/2009

    Mestre Mug faz parte de um tempo em que o samba era o foco e hoje o foco são rainhas de bateria, diretores ou personalidades diversas, menos o sambista. Até as escolas referidas como guardiãs, para faturar uns trocados, são capazes em promover uma festa da cultura americana como o tal halloween como fez a Mangueira. Ainda menino conheci mestre Waldomiro, assim como mestre Ernesto, um branco respeitadíssimo que sabia tudo de samba. Acabei de ler aqui mesmo no SRZD/CARNAVAL, que um político que se apresenta como doutor Manaia, quer impedir que menores participem de qualquer desfile carnavalesco sob a justificativa de proteger as crianças da malignidade e perversão contidas nas escolas, blocos, bandas etc, mas em nenhum momento, o texto do projeto demagógico do deputado, faz qualquer alusão às dezenas de menores expostos diariamente nas ruas, dormindo ao relento, passando fome ou usando drogas. Saudações!

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    11/11/2011 08:05:56Tamborim quenteMembro SRZD desde 16/02/2010

    Ele não gosta das paradinhas porque não sabe executá-las, és um ridículo mesmo

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