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Claudio Russo

Claudio Russo

Formação em História pela Uerj e pós em História da África. Há 22 anos compõe sambas-enredo, conseguindo algumas vitórias neste espaço de tempo. Desde 2009, faz sambas para Nenê da Vila Matilde, em São Paulo.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



05/01/2012 11h58

Abram alas que eu quero passar...
Claudio Russo

Foto: DivulgaçãoA Comissão de frente de 2012 pede passagem e inicia o seu desfile, depois de muito treino, escolhas, ajustes e ensaios, eis o grande dia, quem sabe um grande ano? E nesse desfile de doze meses o que será que estará reservado para o nosso carnaval? Quais serão os destaques e as decepções, quem atravessará literalmente o samba, se soubesse dizer acho que usaria o trecho do famoso samba tijucano e cantaria: é segredo não conto a ninguém...

Quando comecei a compor, no fim da década de 80, ainda era mantida, na maioria das escolas de samba, a tradição de colocar senhores da velha guarda de fraque, bastão e cartola para abrirem o cortejo, eu sempre vi nesta prática a manutenção do samba como essência da resistência desta expressão cultural, nossa expressão... Os tempos mudaram, a festa mudou e evoluiu para uma grande peça de teatro musical ao vivo, não quero dizer que evolução neste caso signifique desenvolvimento ou melhora e sim uma transformação contínua e natural.

A caminhada das comissões de frente até chegarem à encenação atual passou por várias fases, posso dizer que dos quesitos em julgamento foi o último a alcançar o destaque característico de um espetáculo, desde mulheres e homens negros e altos seminus até fantasias que lembravam mais um destaque de alegorias, Joãosinho Trinta inovou, Luiz Fernando Reis revolucionou, Fernando Pinto quebrou paradigmas e a Vila Isabel da presidente Russa foi perfeita em 1990. Até hoje não consigo entender como uma comissão com mulheres grávidas simbolizando o direito à vida, no enredo direito é direito, possa perder pontos, coisas da difícil arte de julgar, como não entender a demonstração do primeiro direito que um ser humano possa ter?

O ano de 1994 foi marcante para as comissões: Renato Lage trouxe um tripé como elemento cenográfico auxiliar a coreografia e a Portela tornou-se a última escola a abandonar o binômio Velha Guarda e Comissão de frente aderindo a pseudomodernidades. Vila Lobos deve ter se orgulhado dos sapos e a sodade do cordão, no bailado da Mocidade Independente em 1999; Eu mesmo fiquei orgulhoso de viver o século do samba em verde e rosa neste ano musical, um trunfo mangueirense, quanto talento, tantos sambistas, foi de tirar o chapéu.

Foto: DivulgaçãoEm determinado momento veio após o carro abre alas, em algumas escolas de samba mais de uma comissão desfilou no mesmo carnaval, se não me falha a memória a Beija Flor já entrou no palco fixo do carnaval com três comissões, se bem que apenas uma seria julgada e por fim algumas vezes teve como elemento cenográfico o abre alas, lembro do ano de 2007 na Renascer de Jacarepaguá quando jacarés desceram da frente do carro alegórico, uma surpresa para todos.

Nos dois últimos anos uma revolução tomou conta do setor, vestidos foram trocados em segundos e os olhos expectadores não conseguiam entender o segredo da troca de roupas ao ar livre, cabeças caíram abandonando o resto dos corpos em cima de uma plataforma suspensa para ficar na altura do olhar dos jurados: mágica, mistério, Unidos da Tijuca de Paulo Barros...

A Comissão de frente do ano de 2012 pede passagem e inicia o seu desfile: Como será o amanhã? Pra quem já foi Popó, criança astronauta e amolador de faca; viveu uma crise existencial sendo metade noivo - metade noiva; nas águas foi escafandrista; usou sombrinha, leque, máscara e asas; uniu mendigos no luxo do lixo, voltou a pré-história com o tambor, Mary Shelley viu seu personagem sambar, Camões navegou num barquinho de papel e Moises levitou até o Monte Sinai; foi malandro subindo o morro e arauto tantas vezes que é melhor não perder a conta! Foi colibri, guerreiro, louco, saltimbanco, palhaço, o sorriso de Niterói; a Portela na essência maior do que é ser portelense foi: Bretas, Monarco, Ari do Cavaco, Wilson Moreira, Casemiro, Carioca, Jorge do Violão, Marcos, Edir Gomes, Zeca Pagodinho, Galo, Norival Reis e Jair do Cavaquinho...

A cada ano a espera por uma grande surpresa, uma coreografia inovadora é total, Foto: Divulgaçãosão segredos e mais segredos guardados a sete chaves, os profissionais do meio se desdobram para alçar destaque, conquistar o público e as notas máximas, tantos são os nomes inspirados a frente das comissões que me reservo o direito de não citar nomes, evitando um possível esquecimento, muita sorte a todos, feliz ano novo e abram alas para folia que as comissões de frente preparam-se para o show...


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Comentários
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    09/01/2012 10:59:43julio_sanMembro SRZD desde 13/04/2009

    Andrey, valeu!!!

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    09/01/2012 06:17:01Andrey Beija-FlorMembro SRZD desde 08/12/2011

    todos os itens sem exageros desse ou daquele detalhe. Até as coreografias sempre foram sucintas. Os movimentos, precisos e suaves jamais fugiam a esse padrão. Nunca vi nas comissões do Fabio coreografias â??ousadasâ?, tão costumeiras nas coreografias do Renato Vieira ex G. Rio. De certa forma eu poderia dizer que o â??pulo do gatoâ? das comissões do Fabio a perfeita junção do visual (figurinos e maquiagens irretocáveis), o não uso de â??cangalhasâ? e os movimentos coreográficos suaves e elegantes. Nessa comissão de 93 esses detalhes estão bem acentuados. A referência ao carnaval de Veneza que, como bem sabemos, é â??calmoâ? permitiu, mais uma vez, uma comissão sem espalhafatos (só a coreografia inspirada na comédia Dell´Arte, as mascaras e as capas atendiam bem ao objetivo final). Em resumo, é quando o menos fica mais. Não foi preciso nada além disso para que tenhamos ficado com essa (e outras) comissão gravada na memória. Já a de 2004 eu achei que o fator simplicidade foi levado aos extremos. Para â??os padrõesâ? da a Imperatriz, foi. Pra mim, faltou mais algum elemento cênico. Achei até a coreografia (embora perfeita na sincronia), um tanto aquém da proposta. Não ficava muito claro que ali estavam os bruxos alquimistas. A não ser pela maquilagem. Mas, se a finalidade de tais bruxos era transformar o pau Brasil em tinta vermelha, faltou algo que denotasse isso de maneira mais eficiente (por exemplo, a mudança no figurino do verde predominante para o vermelho em algum momento). Aliás, aquele carnaval de 2004 começa mostrar certo desgaste, tanto da Rosa, quanto do Fabio. Pelo menos é o que eu acho. Grande abraço.

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    09/01/2012 06:15:48Andrey Beija-FlorMembro SRZD desde 08/12/2011

    Ok, Júlio. Bem, amigo, pra te ser muito sincero, não possuo embasamento adequado para fazer uma análise apropriada. O que te direi é fruto, unicamente, de um conceito cru e totalmente pessoal. Sabemos que as comissões de frente atuais precisam atender há muitas e exigentes etapas. Uma comissão de frente â?? destas de 90 pra cá â?? para suprir às â??especificaçõesâ? e expectativas exigem uma quantidade elevada de fatores. O principal e diria, também, o mais perigoso deles é a necessidade imprescindível do show! Depois da â??modernizaçãoâ? desse quesito, quando passamos a ver atuações inusitadas, fantásticas muitas vezes, nada que não seja o minimamente interessante, por mais bem executado que venha a ser, â??não serve!â? Por exemplo, as comissões de frente da Beija-Flor (à exceção de 2002). Na maioria das vezes elas estavam corretas e muito bonitas, porém, água com açúcar. Desenvolviam satisfatoriamente suas funções e asseguravam as notas máximas dos jurados, enquanto que do público em geral, no máximo alguns aplausos sem maiores entusiasmos (Deus permita que em 2012 essa â??regraâ? mude â?? rsrsrsr). O que mais gosto nestas comissões da Imperatriz da era Rosa e Fabio de Mello é exatamente a perfeita sincronia de todos os elementos (adereços, caracterização, figurinos, etc.) de maneira totalmente leve e harmônica. Algumas comissões de outras escolas que também se destacaram fizeram uso de acessórios de forma exagerada e, por isso, a meu ver, e o uso dos mesmos acabavam por interferir negativamente na concepção. De certa maneira, mais â??sujavamâ? que auxiliavam. Muitos elementos cênicos, muitas pirotecnias podem vir a ser perfeitos, porém, são infinitamente mais difíceis de realizarem-se (Tijuca 2011). O que sempre me chamou a atenção nas comissões da sua escola é exatamente a leveza e, poderia até dizer, descrição que as mesmas sempre apresentavam. Eram as comissões que ajustavam de forma linear to

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    08/01/2012 20:22:57C A R L O S R I V E R A ®Membro SRZD desde 06/09/2011

    ATENÃ?Ã?O : Escrever sobre Comissão de Frente exige um conhecimento específico, jornalismo de carnaval é piada quando o assunto é Comissão de Frente pois não alcança esse conhecimento, é abrangente demais e paradoxal , tá preocupado desde a história de um importante baluarte até o silicone do bumbum de uma rainha de bateria, enfim, é desfocado. Comissão de Frente faz parte de um universo que tem vida própria, existem coreógrafos, diretores e componentes aparentemente fora da mídia, todavia nas "tribos" das Comissões eles reinam, são famosos, respeitados e colecionam prêmios - isso sim, lhe daria uma matéria irretocável !!! Bola fora prá você Claudio Russo.

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    08/01/2012 19:35:22ClaudioMembro SRZD desde 04/06/2011

    Amigos gostaria de citar mais uma vez que não deixei as comissões belissimas por sinal da imperatriz de fora, posso não ter dado o destaque que vcs gostariam que fosse dado, mas afirmo novamente como no começo da discussão que as comissões de Fabio de Melo merecem sim um texto só para elas, acho até que anteciparei isto no texto que venho preparando para Imperatriz Leolpoldinense, afirmo tb que não sou o dono da verdade em nada, muito menos em comissão de frente, porém tenho 23 anos de carnaval e isto nos traz lembranças e experiência, nos mais peço desculpas por não atender as espectativas, mas friso que a discussão é muito salutar e nos traz conhecimento, grande abraço a todos. Claudio Russo

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    08/01/2012 14:38:24julio_sanMembro SRZD desde 13/04/2009

    Queria apenas a sua opinião, pois as duas me encantam já que são muito calcadas no bailado e utilizam nenhum ou poucos elementos cênicos que não o próprio integrante da CF, assim como de 1998 "Quase no Ano 2000". Era apenas pra conhecer a sua opinião, mas relaxe.

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    08/01/2012 14:23:51Daiv EickhoffMembro SRZD desde 20/11/2009

    Ã?s vezes os comentaristas daqui parecem estar mais fundamentados para escrever uma matéria do tipo do que o próprio jornalista. Esse é o risco de se escrever matérias em primeira pessoa. Pois o conhecimento dos leitores acabou por ridicularizar um texto que não é de todo ruim, mas que tem falhas gravíssimas.

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    08/01/2012 10:24:29Andrey Beija-FlorMembro SRZD desde 08/12/2011

    Não entendi, Júlio! Não entendi se você quer que eu dê minha opinião sobre estas duas comissões, ou se foi algum equívoco que cometi!

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    08/01/2012 07:35:46julio_sanMembro SRZD desde 13/04/2009

    Andrey..comente, se possível, sobre as comissões da Imperatriz de 1993 e 2004, Marquês que é Marquês do Sassarico é Freguês e Breazil. Grato, abraços

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    07/01/2012 20:54:19Ivan LeiteMembro SRZD desde 07/01/2012

    li em um lugar que a melhor comissão de frente foi de uma escola de são paulo não me lembro exatamente o nome, acho que e unidos do piruche

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    07/01/2012 16:12:50Maria José de FreitasMembro SRZD desde 03/05/2009

    E para concluir : Ao contrário do que se imagina, no universo das Comissões as ESCOLAS não fazem a diferença nesse Quesito e sim os profissionais por elas contratados !

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    07/01/2012 16:07:11Maria José de FreitasMembro SRZD desde 03/05/2009

    O colega CARLOS RIVERA está corretíssimo ! Em 89 a então carnavalesca da Estácio de Sá, Rosa Magalhães, tenta essa revolução inserindo coreografia na Comissão de Frente da Escola mas o sucesso frustrou-se a inúmeros problemas ... No ano seguinte, a mesma Rosa Magalhães já contratada pelo Salgueiro insiste nessa nova linguagem e aí o sucesso vem avassalador, com Notas Máximas e todos os Prêmios. enfim, nascia uma nova era para o Carnaval gerando novas imagens e muitos empregos também sobretudo para aqueles que vivem da dança nesse país ! Dois anos depois, 1992, já contratada pela Imperatriz Leopoldinense e ao lado do coreógrafo Fabio de Mello consagra definitivamente o quesito e a Comissão de Frente de Ramos com seus espetaculares, revolucionários e inesquecíveis efeitos ... Uma pena, já que o autor da matéria fala em história do quesito, esteja desinformado desses fatos prá lá de principais, aliás, já que ele esquece de nomes como Suzana Braga, Fabio de Mello, Carlinhos de Jesus e Marcelo Misailidis seria bom que ele soubesse que uma Comissão de Frente não vive só de sucesso, aliás o sucesso é rápido e dura apenas o tempo do aplauso, uma Comissão de Frente vive de sucessos, vários que entram prá história e atravessam o tempo, aliás ninguém se consagra com apenas 1 ou 2 trabalhos, é preciso atravessar o tempo brilhando ! História não significa modismo !

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    07/01/2012 11:47:15Andrey Beija-FlorMembro SRZD desde 08/12/2011

    MOCIDADE 1999: VILLA LOBOS E A APOTEOSE BRASILEIRA. / IMPERATRIZ 2000: QUEM DESCOBRIU O BRASIL FOI SEU CABRAL... DIA 22 DE ABRIL, DOIS MESES DEPOIS DO CARNAVAL. / MANGUEIRA 2000: DOM UBÁ II - REI DOS ESFARRAPADOS, PRÍNCIPE DO POVO! / IJA-FLOR DE NILOPOLIS 2002: O BRASIL DÁ O AR DA SUA GRAÃ?A! DE ÍCARO A RUBEM BERTA, O ÍMPETO DE VOAR! / UNIDOS DA TIJUCA 2002: O SOL BRILHA ETERNAMENTE SOBRE O MUNDO DE LÍNGUA PORTUGUESA. / MANGUEIRA 2004: MANGUEIRA REDESCOBRE A ESTRADA REAL E DESTE ELDORADO FAZ SEU CARNAVAL. / PORTO DA PEDRA: SOU TIGRE, SOU PORTO, DA PEDRA Ã? INTERNET. MENSAGEIRO DA HISTÃ?RIA DA VIDA DO LEVA E TRAZ. / SALGUEIRO 2005: DO FOGO QUE ILUMINA A VIDA, SALGUEIRO Ã? CHAMA QUE NÃ?O SE APAGA! / VIRADOURO 2006: ARQUITETANDO FOLIAS! / MANGUEIRA 2007: MINHA PÁTRIA Ã? MINHA LÍNGUA, MANGUEIRA MEU GRANDE AMOR! / MOCIDADE 2008: O QUINTO IMPÃ?RIO DO BRASIL. / VILA ISABEL 2009: NESTE PALCO DA FOLIA, Ã? MINHA VILA QUE ANUNCIA: THEATRO MUNICIPAL - A CENTENÁRIA MARAVILHA! / - UNIDOS DA TIJUCA 2010: Ã? SEGREDO. Torçamos para que em 2012 possamos vislumbrar algo, ao menos, aproximado dessas comissões citadas.

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    07/01/2012 11:45:23Andrey Beija-FlorMembro SRZD desde 08/12/2011

    A Portela lançou moda. Foi. Foi a primeira escola a substituir os diretores armados com bastões que vinham à frente da escola por senhores com fraques e cartolas, em movimentos elegantes. Logo todas as escolas lhe copiaram a ideia. Pelo que pesquisei, a 01ª comissão de frente inusitada e ousada para os padrões da época foi da Escola Vizinha Faladeira em 1930, quando a escola trouxe a uma alegoria de uma limusine e de cavalos. Pagou um alto preço por isso, já que foi duramente criticada e despontuada, embora tenha sagrado-se campeã naquele ano. De 90 pra cá eu destaco a comissão estandarte de Ouro do Salgueiro (elaborada por Rosa e a coreógrafa Suzana Braga, como muito corretamente citou o amigo abaixo), mas, não posso deixar de mencionar a comissão que mais se destacou naquele ano que foi a da São Clemente (1990 - â??E o Samba Sambouâ?). Leve, simpática, irônica, política e que melhor apresentava o enredo, já que bastava vê-la para claramente se entender tudo o que a escola queria dizer com o seu enredo. Me perdoem os Salgueirenses, em minha opinião, foi uma grande injustiça a São Clemente ter perdido o Estandarte de Ouro para o Salgueiro. Aí, depois dessas comissões as demais escolas passaram a elaborar comissões mais trabalhadas e é quando a Imperatriz desponta â?? com a Mangueira em sua cola â?? como a escola de comissões de frente mais originais e belas. Foi quando tivemos oportunidade de ver, coisas magníficas como estas comissões aí: SÃ?O CLEMENTE 1990: E O SAMBA SAMBOU! / ESTÁCIO DE SÁ 1992: PAULICIEA DESVAIRADA. 100 ANOS DE MODERNISMO. / IMPERATRIZ 1993: MARQUÃ?S QUE Ã? MARQUÃ?S DO SACARRICO Ã? FRÃ?GUES! / IMPERATRIZ 1994: CATARINA DE MÃ?DECIS NA CORTE DOS TUPINANBÃ?S E TAPAJARÃ?S. / IMPERATRIZ 1995: MAIS VALE UM JEGUE QUE ME CARREGUE QUE UM CAMELO QUE ME DERRUBE... LÁ NO CEARÁ! / IMPERATRIZ 1997: SOU DA LIRA...NÃ?O POSSO NEGAR! / MANGUEIRA 1998: CHICO BUARQUE DA MANGUEIRA. / MANGUEIRA 1999: O SÃ?CULO DO SAMBA. /

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    07/01/2012 00:03:08Andrey Beija-FlorMembro SRZD desde 08/12/2011

    O lado bom de toda essa valorização dada às comissões de frente é que elas, quando bem realizadas, diga-se de passagem, engrandecem e muito ao espetáculo. Isso não temos como negar. O ar poético e terno que as comissões tinham - aquelas formadas somente pelos senhores da velha guarda â?? cedeu lugar à dita â??modernidadeâ?. Acredito que seja, hoje, o quesito mais aguardado em um desfile, já que infinda maioria que o assiste nada â?? ou, quase nada â?? entende de escola de samba. Porém, tudo na vida tem um preço e o preço que essa â??modernidadeâ? cobra e, por vezes, muito alto. Sem se darem conta as escolas â?? principalmente aquelas que realizaram verdadeiros espetáculos com suas comissões de frente (Imperatriz e U. da Tijuca) â?? passarem a ser reféns de si mesmas e do grande público. Ã? preciso inovar, impactar, deslumbrar. Qualquer coisa abaixo disso não serve hoje. No entanto, realizar, anualmente, artifícios que atendam a esses desejos é tarefa nada fácil! Hoje, uma escola com uma comissão de frente que arrebate leva, pelo menos, 10% de vantagem em relação às demais. E a grande responsável por isso sem dúvida foi a Imperatriz!

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