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14/08/2008 17h19

Um dia de piloto em Interlagos
Motor Haus

No início, alguns cones são inevitavelmente derrubados, mas com o passar do tempo a confiança cresce e a brincadeira fica ainda mais divertida (Fonte: Divulgação/Centro Pilotagem Robert Manzini)

No início, alguns cones são inevitavelmente derrubados, mas com o passar do tempo a confiança cresce e a brincadeira fica ainda mais divertida (Fonte: Divulgação/Centro Pilotagem Robert Manzini)

Por Vitor Matsubara, do blog Motor Haus

Inesquecível. Essa é a palavra que melhor descreve o "Dia de Piloto", um dos cursos do Centro de Pilotagem Roberto Manzini, ministrado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Só para se ter uma idéia, pelas mãos dos instrutores do curso já passaram pilotos como Cacá Bueno (atual bicampeão da Stock Car), Augusto Farfus Jr. (atualmente competindo pela BMW no Mundial de Turismo) e Felipe Massa, que dispensa comentários. Não era difícil imaginar que o dia prometia.

Depois de uma rápida apresentação, partimos para as atividades na pista, mais precisamente no antigo traçado do circuito paulistano. O primeiro exercício foi um slalom, realizado a bordo de um Mégane Sedan 1.6 16V. Confesso que, como quase tudo na vida, tudo parece mais fácil do lado de fora. Ao volante, alguns cones são inevitavelmente derrubados, mas com o passar do tempo a confiança cresce e a brincadeira fica ainda mais divertida.

Logo a seguir, novamente com o Mégane, testamos a eficácia dos freios ABS. A atividade consistia em atingir os 80 km/h, em 3ª marcha, e frear com toda a força possível ao avistar um cone - devidamente chutado por um instrutor - que fazia o papel de um pedestre desatento atravessando a frente do veículo. A frenagem era realizada em pista molhada e o grau de dificuldade aumentava gradativamente, testando o tempo de reação dos motoristas. Para felicidade geral da nação, nenhum pedestre, ou melhor, cone foi sacrificado.

Mas a cereja do bolo viria mesmo no período da tarde. Após as explicações técnicas, seguimos em comboio rumo aos boxes do autódromo. A adrenalina (e a expectativa) crescia à medida que nos aproximávamos do local. Fomos apresentados aos instrutores, todos eles com currículos respeitáveis nas pistas, como Alan Hellmeister (piloto da Stock Car V8 em 2007), Norberto Gresse (campeão da Stock Car Light 2007) e Thiago Riberi (campeão da Stock Car Junior), e logo partimos para uma volta a bordo de um Renault Sandero conduzido por um instrutor para conhecermos melhor o traçado.

Em seguida, era chegada a grande hora: de balaclava e capacete e acomodado em um veículo preparado para competição, 4.292 metros esperavam para ser devorados. A saída foi suave, respeitando o limite de velocidade nos boxes. A primeira volta foi realizada com certa cautela, para conhecer o carro e familiarizar com o circuito e sua ampla variedade de curvas e retas.

Aos poucos, o pé direito começa a ficar um pouco mais pesado, e o coração bate mais forte. Interlagos é, realmente, uma pista excitante. O trecho de declive que liga o Mergulho à Junção (e que antecede a Subida dos Boxes) é realizado com pé embaixo, situação que se repete na saída do ?S? do Senna e principalmente na curva do Laranjinha. Não demora muito para que um filme comece a passar em sua cabeça, relembrando das clássicas tomadas onboard da Fórmula 1. A diferença é que, vejam só, sou eu quem estou ao volante!

As duas retas, especialmente a reta oposta, permitem velocidades mais altas. Confesso que não me ative muito ao painel de instrumentos, mas das poucas vezes em que o observei, lembro de ter atingido algo em torno de 140 km/h, 150 km/h. Velocidade não muito alta, diriam alguns, mas pouco importa. Como bem disse o Zé David, instrutor do curso, o importante era curtir o momento e "matar o tesão de guiar em Interlagos".

A sensação ao sair do carro era indescritível. Uma mistura de emoções incomparáveis, alegria, êxtase, euforia. Não foi a minha primeira experiência em Interlagos (já que havia participado do Quatro Rodas Experience), mas foi minha primeira vez a bordo de um carro de competição "de verdade". Incrível.

E para fechar com chave de ouro, que tal uma Flying Lap na companhia de quem entende do assunto? Como um convite desses não se pode recusar, logo me sentei no banco concha do passageiro e afivelei o cinco de quatro pontos. Ao meu lado, Alan Hellmeister, que já havia me acompanhado anteriormente. As voltas em altíssima velocidade foram simplesmente sensacionais, uma amostra da perícia e habilidade do piloto paulista.

A Reta Oposta foi engolida a quase 190 km/h, e a Descida do Lago já se aproximava quando Alan reduziu da 5ª para a 3ª marcha e jogou o carro de lado. Muito mais emocionante do que qualquer drift. O ponto de frenagem estabelecido para nós era ignorado por ele, pilotando no limite da razão. Mesmo assim, sua precisão me impedia de sentir qualquer medo. O ponteiro voltaria a beliscar os 200 km/h na reta mais uma vez, sempre com a velocidade (e a adrenalina) lá no alto. E foi assim até chegarmos novamente aos boxes.

É, foi um dia realmente memorável. São Pedro, grande camarada, segurou a chuva até o momento em que deixamos o local. Mais do que carros e velocidade, a certeza de ter conhecido profissionais altamente gabaritados e competentes fez tudo valer a pena. Fiz uma promessa de que voltarei ao Centro de Pilotagem para realizar o curso integral daqui a alguns anos. E confesso: mal posso esperar para este dia chegar.

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Comentários
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    07/02/2013 21:25:33JARBAS JAMES PICCININIAnônimo

    Achei d+ ... é tudo o que eu queria fazer. O que tenho que fazer para realizar este sonho...

  • Avatar
    12/07/2009 12:20:48claudioAnônimo

    quero ser um piloto de formula 1 como começar 22557614 -86433064

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    03/04/2009 21:04:39robson limaAnônimo

    bao noite, gostaria de saber o valor de um curso de pilotagem.

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