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Cláudio Francioni

Cláudio Francioni

MÚSICA. Carioca, apaixonado por música. Em relação ao assunto, estuda, pesquisa e bisbilhota tudo que está ao seu alcance. Foi professor da Oficina de Ritmos do Núcleo de Cultura Popular da UERJ, diretor de bateria e é músico amador, já tendo participado de diversas bandas tocando contrabaixo, percussão ou cantando.

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27/05/2012 22h20

Rock in Rio Lisboa: balanço da primeira semana
Cláudio Francioni

Foto: Divulgação

Terminou na noite de ontem o primeiro fim de semana do Rock in Rio Lisboa. O local é um pouco menor do que o Parque dos Atletas, porém a estrutura é bem parecida: Rock Street, tenda VIP, tirolesa, tenda eletrônica, roda-gigante e montanha russa. Ah, e também tem música. O mesmo Palco Sunset do ano passado com os encontros entre dois ou mais artistas e o Mundo, com uma moldura bem parecida com a versão carioca. Diferente daqui, só mesmo a quantidade de atrações principais. Quatro artistas por noite, como em além-mar, me parece menos cansativo do que as cinco daqui. Que a ideia seja pensada para o ano que vem, trazendo consigo uma justa redução de preços (momento gargalhada).

Semana da pauleira

Foto: DivulgaçãoA primeira parte do festival foi dedicada ao peso. Quem não gostasse de uma distorção ou de um overdrive que se mantivesse afastado do Parque da Bela Vista durante este fim de semana. Na sexta-feira, coube ao Sepultura abrir a festa. Mais uma vez acompanhados dos franceses do Les Tambours du Bronx, o show foi quase o mesmo apresentado no Sunset no ano passado. Capitaneados por Derrick e sua voz de quem acabou de engolir um diabrete, fizeram mais uma vez uma ótima apresentação para alguns poucos heróis que chegaram cedo à Cidade do Rock lusitana após um dia de labuta (ou não). Ainda sob o sol de 20:30h da noite (eles estão em horário de verão), o Mastodon subiu ao palco para agradar a meia dúzia de fãs e encher linguiça para a maioria, enquanto não chegava a hora do Metallica. Tirando as curiosas expressões faciais do cantor e leprechaun Troy Sanders, a banda faz um som que mistura o tal "nu-metal" com progressivo e não acrescenta nada em termos sonoros.

Amy Lee desafinada e Metallica arrasador, pra variar

Tocando a caravela, aí vem o Evanescence. A banda apresentou poucas diferenças em relação ao set list mostrado aqui na noite de encerramento do festival em 2011. Amy Lee, coitada, esteve em uma noite pra lá de infeliz. Com uma voz que já é irritante em condições normais, semitonou em várias ocasiões e não alcançava seus agudos característicos. E um som que para os meus ouvidos já soava chato, tornou-se insuportável. Enfim, Metallica. Com um ano de atraso, a banda comemora os 20 anos de lançamento do "Black Album", mas o set list não se resume às faixas do disco. Após um vídeo western com tema de Ennio Morricone, o show é aberto com "Hit the Lights". O clássico "Master of Puppets" também aparece neste início. Depois de cinco canções, o álbum preto é introduzido por um vídeo com imagens da época, como momentos de estúdio ou colagens de notícias sobre o estrondoso sucesso do disco. As músicas são executadas na ordem inversa, da última para a primeira, começando por "The Struggle Within", passando por "Nothing Else Matters", "Wherever I May Roam", "The Unforgiven" e fechando com "Enter Sandman". No bis, mais sucessos de outros álbuns: "Fight Fire With Fire", "One" e "Seek & Destroy". Através de duas passarelas em frente ao palco que se uniam no meio da galera, James, Robert e Kirk desciam e levavam a galera à loucura, fazendo valer o ingresso de uma noite pra lá de meia-bomba.

Mais peso na segunda noite

Foto: DivulgaçãoNo sábado, o Limp Bizkit abriu os trabalhos com suas levadas de rap recheadas de muito peso. Como de costume, o guitarrista Wes Borland usou uma máscara bizarríssima, de rebaixar o Slipknot a Três Porquinhos. Fred Durst fez bem o que sabe: gritar. Quando precisou cantar, como na versão de "Behind Blue Eyes" (The Who), ficou complicado. Com casa cheia desde cedo, agradaram bastante e inspiraram várias rodinhas na galera. Logo a seguir, o punk de boutique do Offspring. Já meio fora de forma, Dexter Holland comandou um bom show onde enfileiraram os hits que colecionaram quando estavam no auge, no fim da década de 90, como "Why don't You Get a Job" e "Pretty Fly". Diversão garantida e uma boa opção para vir ao Rio no ano que vem, quem sabe.

Smashing Pumpkins, mal escalado, faz show morno

Que me desculpem os fãs, mas a atração seguinte, o Linkin Park, é outro som que não me desce. Me incomodam demais os sintetizadores meio kraftkerkianos e as batidas eletrônicas no meio do peso do metal. Não combina, pelo menos para meus ouvidos. Soa angustiante, se é que me entendem. Mas, gosto à parte, arrastaram uma multidão para o festival e parecem ter agradado, exceto no momento em que o desavisado cantor Chester Bennington levantou um cachecol do Futebol Clube do Porto (que acabara de receber de um fã) em plena Lisboa, envolto à uma multidão de benfiquistas e sportinguistas, adversários históricos do time do norte do país. Pra fechar o fim de semana, o Smashing Pumpkins em mais um erro de escalação, afinal de contas é Rock in Rio e esta é uma das especialidades da casa. Completamente fora de contexto, a banda que hoje se resume a Billy Corgan tocando com músicos contratados, optou pelo minimalismo mesmo com todos os recursos que um festival deste porte oferecem. Sem grandes produções, tocaram alguns de seus hits mas acabaram vacilando ao colocarem no set list algumas canções "lado B" e outras ainda inéditas. O público, que já não estava muito a fim, começou a ir embora ainda no início do show. Semana que vem tem mais: Lenny Kravitz, Stevie Wonder, Bryan Adams e Bruce Springsteen, entre outros. Até lá.

"Roots Bloody Roots" - Sepultura e Les Tambours du Bronx 

"Enter Sandman" - Metallica

"1979" - Smashing Pumpkins


Comentários
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    11/06/2012 03:28:34DanielliAnônimo

    Continuando .... â??Amy desafinada e semitonou várias vezesâ?? n?o é? Ent?o vamos falar um pouco sobre a extens?o vocal delaâ?¦ Possui uma ampla escala que vai do B2 ao C7, num total de 4 oitavas. Notas mais baixas de Amy é B2 nos backvocais de My last breath e um C3 em Never go Back; Eb3, em Cloud Nine; G5 em voz de peito (alcançado em What you Want), B5 (Whisper), C#6 (Weight of the World), D6 (versões ao vivo de Weight of the Word) e E6 e C7[14] em aquecimento vocal. /E existe uma matéria de uma Fonoaudióloga: Mara Behlau elogiando a voz da Amy Lee ( onde n posso citar aqui,mas vc pode ver depois) Agora vamos fazer o comentário correto sobre o show do Evanescence em Lisboa.... O Evanescence teve uma recepção mais â??difícilâ? por parte do público, maioritariamente constituído por metaleiros. E é perceptível a mudança no tom de voz da Amy qd começaram as vaias, e foi então que ela desanimou, ... E vc n?o escuta os agudos dela t?o intensos, ( Lithium e My heart is broken) é só isso que vc sente na voz dela ... Mas desafinar sem condições n?o tem como, e semitonar ... A desafinação é muito imprecisa e variada. Por exemplo, quem costuma ser bem afinado durante sua performance, normalmente, 'nunca' vai desafinar ao ponto de descer ou subir um semitom....e bom eu já citei a extens?o da voz dela/ Ent?o ela n?o falhou ou desafinou somente sentimos q as vaias desanimaram ela.

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    10/06/2012 22:46:49melodyAnônimo

    Vc nao consegue responder meus comentários??? Ent?o pq apaga???

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    10/06/2012 22:45:30MelodyAnônimo

    Ok vc se explicou com relaç?o ao usar a express?o â??coitadaâ??para a situaç?o que a Amy se encontravaâ?¦ e disse que â??A Amy Lee é uma cantora com excelente técnica e uma boa vozâ?? Bom.. acho q vc entrou em uma contradiç?o consigo mesmo pois na sua materia disse que a voz da Amy é irritante já em condições normais â?¦/ Sem mais aqui está a minha opini?o sobre vc â?¦ Total falta de Ã?tica e Imparcialidade e Moralâ?¦. Vai dar aula de Educaç?o Física!

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    04/06/2012 19:16:44Cláudio FrancioniAnônimo

    Boa noite, Jessica. Obrigado pelo comentário respeitoso e educado, mesmo discordando de mim. Quando utilizei a palavra "coitada", me referi apenas à situação em que ela se encontrava naquela noite. "Coitado" sou eu, se é que me entende. A Amy Lee é uma cantora com excelente técnica e uma boa voz para interpretar outros gêneros musicais (embora eu ache que ela grita demais). Para mim, repito, PARA MIM seu timbre de voz não combina com o peso do instrumental deles. Isso é gosto. Ã? ORGÃ?NICO! Aos meus ouvidos, não faz bem. Se ela não tivesse falhado neste show, eu elogiaria sua performance mesmo não gostando da banda, assim como fiz com vários artistas na edição carioca do festival. Não gosto da Ivete Sangalo ou de Capital Inicial, por exemplo, mas fiz os maiores elogios aos dois shows. Pra finalizar, não aplaudo de forma alguma quem vaia um artista. Não gosta, vai passear ou então fica em casa.

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    04/06/2012 01:10:12CarolyneAnônimo

    Meu Deus!!! Cládio,o que foi é isso? é impressão minha ou os fãs da pseudo-gótica Amy Lee estam lhe acabando? que baixo!

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    01/06/2012 22:31:21Jéssica ContieroAnônimo

    Cláudio, parabéns pelos vários comentários bem argumentados e coerentes que você fez sobre o incrível show do Metallica.Mas infelizmente eu gosto tanto de Metallica quanto de Evanescence e achei ridícula a atitude de muitos dos fãs de Metallica quando vaiaram a Amy. Assim como acho que não cabe chamar uma cantora com uma voz tão linda de "coitada", independente da sua opinião sobre as musicas ou sobre a banda, foi por causa de pessoas como você que a Amy falhou, pois é perceptível a mudança no tom de voz dela depois que começaram as vaias, e foi então que ela começou a falhar nos agudos... Concordo que cada um tenha uma opinião, é seu direito não gostar... mas também é meu direito gostar, portanto, do que adianta criticar ? vaiar? fica a dica Claudio, comente do que você gosta mas nem por isso diminua (ou seja tão severo) com o que não gosta.

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    29/05/2012 09:54:22RicardoAnônimo

    Boa, Claudio mandou bem de novo. Não sei se viste, mas até o Jamari França retuitou teu texto. Eu até gosto do Evanescence mas a Amy Lee desafinou demais mesmo. No ano passado aqui no Rio ela ja tinha dado uns moles. De resto é gosto e quanto a isso nao ha discussao. O cara aqui embaixo manda os outros aprenderem a escrever colocando INVÃ?S com Z. kkkkkkkkkkkkkkkkkk Cada figura

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    29/05/2012 00:28:45Tiago AbreuAnônimo

    evanescence é chato demais, concordo contigo isso é chororo de tiete que nao aceita critica..kkkkkkkkkl

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    28/05/2012 20:13:50RicardoAnônimo

    Suba em um palco e tenho certeza que vc não teria o peito que a Amy teve, desafinando ou não, sua opnião não vale para milhões de fãs do Evanescence ! pelo amor de Deus você acha que eu perderia o meu tempo, em show que tem um velho ridiculo de trancinhas ? Pelo amor de Deus quem é essa banda ? Ela é tão boa assim ? Então cadê um Cd dela vivo na minha casa ? Ou músicas no celular ? Não se a Amy juntamente não presta com o Evanescence na opnião de milhares METALLICA tbm não ! _||_

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    28/05/2012 15:26:02Cláudio FrancioniMembro SRZD desde 20/06/2011

    Boa tarde, Anonimo Silva. Não há comparações quanto à "melhor ou pior". Ambos são ótimos e tem seus altos e baixos. O fato do palco ser parecido não é uma "imitação". O padrão do festival é o mesmo e é normal que sejam similares. Quanto ao número de atrações por noite, citei no texto que quatro é ideal, da forma que está acontecendo aí. Obrigado pelo comentário!

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    28/05/2012 13:37:04Anónimo SilvaAnônimo

    Penso que os comentários feitos ao show, pelo menos do dia 26, são injustos. Em primeiro lugar, nao devia comparar o de cá com o do brasil, afinal o nosso pais esta a passar um momento de crise e os brasileiros, segundo se diz, a ascender na economia. Quanto ao numero de bandas, foram 4 e os concertos de todas foram muito bons! O vocalista dos offspring nao estava "meio fora de forma", estava muito bem em comparação com os outros espetaculos que da! A musica estava optima e sempre em moda! Os linkin park foram a melhor banda na noite, deram e mostraram muita energia em palco! Em relaçao às misturas das musicas, bom sao estilos, e se eles adoptaram este estilo, melhor ainda, as musicas nao ficam tao pesadas e dá mais ritmo ao show. Pessoalmente, acho que ficaram muito boas! Os limp bizkit foram uma banda de abertura perfeita, o vocalista tem sempre aquela energia e "alegria" em palco que ativa as pessoas e o guitarrista estava super! Os smashing pumpkins tambem estavam muito bons, reconheço mesmo nao apreciando muito a sua musica. Por isso sim, o show foi muito bom, e se foi melhor que o do brasil ou nao, isso nao sei, mas que foi muito melhor que os dos outros anos isso sim! E nao, nao imitamos o estilo de palco e de espaço dos brasileiros.

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    28/05/2012 11:29:34Cláudio FrancioniMembro SRZD desde 20/06/2011

    Bom dia, Luiz Felipe. Vimos o mesmo evento sim. O problema é que não existe "melhor" ou "pior" banda. Existe sim, gosto. O artista A pode ser o melhor do mundo pra você enquanto eu prefiro o B. Mesmo assim, não disse em momento nenhum que o festival está ruim e sim que EU não gosto de algumas atrações. Bons e e maus momentos ocorrerão sempre. Obrigado pelo comentário.

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    28/05/2012 11:12:28Luis Felipe BaltazarAnônimo

    Nao foi isso que eu acompanhei pelo YouTube, não. Mas opinião é opinião. Mesmo com tudo isso que você falou, que não concordo nem nas virgulas, o Rock In Rio Lisboa dá de 10 a 0 no do Brasil. As bandas são bem melhores e a escalação feita de forma homogênea. Acho que o seus vídeos do YouTube estavam em outro festival.

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