SRZD


01/06/2012 15h14

Memórias do Carnaval Carioca VI
Raymondh Junior

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

O bairro de Ramos, assim como diversos bairros do subúrbio do Rio Janeiro  surgiu na segunda metade do século 19, com a chegada do trem. Com o passar do tempo, por suas ruas passaram a desfilar clubes carnavalescos, como o Ameno Heliotropo e o Endiabrados de Ramos; e blocos de todos os tipos, como o Sai Como Pode, o Paixão de Ramos, o Paz e Amor e o Recreio de Ramos - o mais importante deles, ao lado do legendário Cacique de Ramos, criado em 1961.

Foi uma dissidência do Recreio de Ramos, no final da década de 50, que surgiu, sob a liderança do farmacêutico Amaury Jorio, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense.

O nome da escola foi escolhido sem maiores polêmicas. A elaboração da bandeira, porém, gerou algumas controvérsias, já que várias propostas para o pavilhão foram apresentadas. Prevaleceu a ideia de usar como símbolo da agremiação uma coroa dourada circundada por 11 estrelas, representando os bairros do subúrbio da Leopoldina, e encimada por uma estrela maior representando Ramos, o local de fundação da escola.

Em 1965, um fato curioso ocorreu na agremiação, a Imperatriz teve problemas e desfilou sem mestre-sala e porta-bandeira, com o enredo "Homenagem ao Brasil no IV Centenário do Rio de Janeiro". De forma surpreendente -  inexplicável até hoje - os julgadores deram notas para o casal de mestre-sala e porta-bandeira que não cruzaram a avenida.

Entre seus grandes carnavais, destaco aqui: "As Três Capitais" 1963, "A Favorita do Imperador" 1964, "Brasil, Flor Amorosa de Três Raças" 1969, "Oropa, França e Bahia" 1970, Barra de Ouro, Barra de Rio e Barra de Saia" 1971, o clássico "Martim Cererê" 1972, "Viagem Fantástica às Terras de Ibirapitanga" 1977, Vamos Brincar de Ser Criança" 1978, "O Rei da Costa do Marfim Visita Chica da Silva" 1983, Liberdade! Liberdade! Abre as Asas Sobre Nós" 1989 e "Leopoldina, Imperatriz do Brasil" 1996.

A escola de Ramos possui uma das mais invejáveis ala de compositores, basta lembrar de Bidi, Zé Catimba, Matias de Freitas, Carlinhos Sideral, Gibi, Niltinho Tristeza, Guga, Dominguinhos do Estácio e Darcy Nascimento.

ACADÉMICOS DO CUBANGO

Por muitos anos no outro lado da Baía de Guanabara, o desfile das escolas de samba de Niterói mobilizou o carnaval da cidade. Dentre as escolas que participavam dos desfiles niteroienses, a mais popular na cidade - dividindo a torcida com a Unidos do Viradouro - era a Acadêmicos do Cubango, agremiação fundada em 1959, no bairro de mesmo nome.

A Cubango conquistou 15 títulos no carnaval de Niterói - com destaque para os cincos campeonatos seguidos, entre 1975 e 1979. Além dos títulos, caracterizou-se como uma agremiação que desfilou com os melhores sambas de enredo da cidade, em geral abordando temas afro-brasileiros. Nenhum é favor nenhum dizer que a Cubango tem uma tradição de sambas de enredo inigualável em Niterói, e é capaz de rivalizar com as grandes escolas do Rio de Janeiro.

Seus grandes carnavais podem ser citados através de "Afoxé" em 1979, "Fruto do Amor Proibido" 1981, "Por que Oxalá Usa Ekodidé" em 1984, "De Fio a Fio Na Real, Pra Lá, Pra Ali: Paracambi" em 2007.

Em 1986, a agremiação passou a integrar o carnaval da cidade do Rio de Janeiro. Em 2009, inclusive, reeditou o clássico "Afoxé" para muitos o maior samba da história do carnaval de Niterói. 

Axé!


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Comentários
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    01/06/2012 16:04:19GustavoMembro SRZD desde 29/02/2012

    Cubango é uma escola a parte! Bravo, muito boa a matéria, ainda estou esperando minha querida Vila Isabel!

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