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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

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14/09/2008 10h11

Panorama Brasil
Sidney Rezende

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Eu considero o "Panorama Brasil" a mais marcante experiência profissional da minha carreira. Nós tínhamos completa autonomia editorial, controle de tudo o que era veiculado e também participação na publicidade que conquistávamos. Quando decidi deixar a "Rádio JB" e trocá-la pela pequena rádio de Nilópolis, foi em busca dessa autonomia.

O jornalista Milton Temer, numa conversa informal, acabou me dando de presente o slogan que acompanhou o programa em todas as suas peças publicitárias: "Panorama Brasil, a liberdade é a diferença!!!". O amigo Roberto Faustino criou o conceito da campanha de lançamento: "Finalmente a FM Virou Notícia". Pela primeira vez na história do rádio, a notícia se incorporava à Frequência Modulada. Dizia-se que falação era na AM e música na FM; notícia, não. Pois provamos que isso era possível. Quando o dono da rádio, Wellington Pereira David, nos convidou, imediatamente eu conversei com Ricardo Bueno, amigo desde a época da "Rádio Roquette Pinto". Fiz um projeto e o submeti ao Ricardo, que aprovou na hora.

Na montagem da equipe, eu me voltei para os meus companheiros da rádio "JB". De lá, me acompanharam: Nicolau Maranini (famoso repórter aéreo, que informava sobre a situação do trânsito na cidade, direto do helicóptero); Marco Antonio Monteiro, que veio a ocupar a função de editor de Política, sendo também o nosso grande controlador das contas; Patrícia Maurício, sub-editora de Economia; e Clarice Abdalla, que por um período curto nos ajudou na montagem de produção. De fora da "JB", convidei Waldir Leite, que ficou pouco tempo, cedendo a editoria de Cultura para Sidney Garambone, que nos trazia novidades musicais que só o "Panorama Brasil" tinha. Na produção tivemos a dedicação exemplar de Elisa Mendes, que ainda nos socorria nas caronas da madrugada; e Cristina Massari, que vivia em permanente conflito com o tempo de fechamento da produção. Destaco, ainda, que já trabalhavam na rádio, como estagiários, profissionais que mais tarde se transformaram em profissionais respeitados, dentre eles, Adriana Pavlova, Paula Miller e Weden Clay. Nós os mantivemos e deles obtivemos todo o apoio.
 
Gostaria de prestar uma homenagem especial ao nosso companheiro Marcos de Oliveira. Nunca mediu esforços para realizar um trabalho de grande importância. Preparava o noticiário à noite e parte do dia com um entusiasmo contagiante. Um craque.

Como a liberdade era a diferença, o "Panorama Brasil" foi capaz de realizar experiências ousadas: Ricardo e eu entrevistamos Eduardo Dusek dentro do banheiro do teatro em que se apresentava. Detalhe: a porta emperrou e ficamos os três lá dentro e o Dusek desesperado porque o horário do início do show estava sendo atropelado. Houve também a entrevista histórica com Cássia Eller. Ela me recebeu à vontade no quarto do hotel e fizemos uma entrevista sensual e cheia de insinuações. Levamos o autor da Lei do Divórcio, senador Nelson Carneiro, ao estúdio, tendo que subir uma longa escada. Chegou lá, mas praticamente carregado. E ele, bem velhinho, se esforçando, porque era uma entrevista para o "Panorama Brasil". Levamos o temido deputado Roberto Campos e fizemos uma entrevista franca. Gargalhadas no ar, piadas, sacadas inusitadas. A irreverência, que o rádio não conhecia, passou a conhecer.

Outro segredo do sucesso é que, por amizade, e por compartilhar com a filosofia do "Panorama Brasil", tínhamos os melhores colunistas do país. Passaram por lá: Hermeto Paschoal, Jânio de Freitas, Maurício Dias, Marcio Erlich, Maria Lucia Dahl, Nelson Werneck Sodré, Cesar Vieira de Rezende, Ricardo Noblat, Scarlet Moon e muitos outros. A liberdade faz mesmo a diferença.


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