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29/09/2008 06h29

Você Sabia? - As dobradinhas brasileiras na F-1
Gustavo Coelho

Piquet e Senna comemoram primeiro e segundo lugares no GP do Brasil de 1986 (Foto: extraída de http://f1critics.blogspot.com/2008/07/pdios-brasileiros-introduo.html / sem crédito divulgado)

O Brasil está em jejum de títulos na Fórmula 1 desde 1991, quando Ayrton Senna levou seu terceiro e último troféu de campeão. Apesar disso, o país permanece como um dos mais tradicionais da história da categoria, tendo acumulado oito campeonatos e um total de 98 vitórias contando até o triunfo de Felipe Massa no último GP da Bélgica. Para completar, os pilotos brasileiros já fizeram onze dobradinhas em Grandes Prêmios.

Essa história começa em 1975, ano da memorável vitória do saudoso José Carlos Pace no GP do Brasil. Na frente da indisciplina e festeira torcida no antigo circuito de Interlagos, "Moco" venceu pela primeira e única vez na Fórmula 1, escoltado pelo amigo Emerson Fittipaldi. A comemoração dos torcedores brasileiros lembrou a dos fanáticos tifosi da Ferrari em Monza, incluindo invasões de pista e os pilotos sendo praticamente carregados até o pódio.

Mais tarde naquela temporada, Emerson ganhou o caótico GP da Inglaterra, disputado em meio a um temporal em Silverstone. Moco finalizou no segundo lugar, garantindo a festa brasileira. Infelizmente, a corrida marcaria o início de um longo intervalo até que dois brasucas voltassem a dominar as primeiras posições do pódio. Absorvido pelo projeto da equipe Copersucar, Emerson deixou o grupo dos líderes. Pior ainda, Moco faleceu num trágico acidente de avião no início de 1977, antes de ter uma chance real de provar seu valor.

A torcida brasileira só voltaria a ver dobradinhas a partir do surgimento de dois geniais campeões. Rivais dentro e fora da pista, Nelson Piquet e Ayrton Senna nunca se deram muito bem, mas garantiram várias alegrias juntos. A primeira delas foi justamente no GP do Brasil de 1986, em Jacarepaguá. Piquet venceu com a Williams, seguido pela Lotus preta de Senna. No pódio, de forma meio envergonhada, os dois dividiram uma bandeira brasileira, numa cena que ficou marcada.

Mais memorável ainda seria o duelo que ambos travaram no GP da Hungria daquele ano. Líder, Senna segurou a ponta até Piquet realizar uma espetacular manobra por fora, naquela que é considerada por muitos a maior ultrapassagem já vista na Fórmula 1. De novo, Piquet ficou com o triunfo, enquanto Senna precisou se contentar com a segunda posição.

O ano de 1987 seria o mais fértil em termos de dobradinha brasucas. Foram quatro no total. Duas vezes com Senna liderando Piquet - nos circuitos de rua de Mônaco e Detroit - e duas com Piquet batendo Senna, na Hungria e na Itália. No fim da temporada, entretanto, Piquet fez uma escolha pouco inspirada ao se transferir para a Lotus, que perderia muita competitividade a partir de 1988. Somente dois anos depois ele teria possibilidade de lutar por pódios e vitórias novamente.

E assim aconteceu: no GP do Canadá de 1990, Piquet chegou em segundo lugar, atrás apenas de Senna. Era a décima dobradinha brasileira, e a oitava incluindo os dois principais nomes do país na Fórmula 1. Mas a grande festa dos torcedores brasucas estava reservada para o GP do Japão, que poderia decidir o campeonato entre Senna e o arqui-rival Alain Prost.

Já na largada, Senna e o francês bateram, o que confirmou o segundo título para o piloto da McLaren. De quebra, Piquet venceu depois que os favoritos Gerhard Berger e Nigel Mansell não completaram a prova. Velho companheiro de Piquet nas oficinas de Brasília, Roberto Moreno substituiu o machucado Alessandro Nannini na Benetton e faturou um excepcional segundo lugar. Seria seu único pódio na Fórmula 1 e o último que teria uma dupla de brasileiro nos dois degraus mais altos.

Desde então, o máximo que o país conseguiu foi um primeiro e terceiro com Senna e Piquet no GP da Bélgica de 1991. Nesta mesma prova, um certo Michael Schumacher fez sua estréia na categoria. Coincidência ou não, foi a partir daí que os pilotos brasileiros começaram a ter menos sucesso na Fórmula 1. A longa seca de pódios sem dois brasileiros durou até o GP da Alemanha deste ano, quando Nelsinho Piquet finalizou em segundo e Felipe Massa terminou na terceira posição.

O jejum de dobradinhas brasileiras, porém, permanece firme. Será que Massa, Nelsinho, Rubens Barrichello, Bruno Senna, Lucas di Grassi e companhia vão conseguir derrubar a escrita num futuro próximo? Parece difícil, mas a Fórmula 1 já aprendeu a respeitar os pilotos brasileiros há várias décadas. Logo abaixo, confira a lista completa de dobradinhas brasucas na categoria:

GP do Brasil de 1975 - José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi
GP da Inglaterra de 1975 - Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace
GP do Brasil de 1986 - Nelson Piquet e Ayrton Senna
GP da Alemanha de 1986 - Nelson Piquet e Ayrton Senna
GP da Hungria de 1986 - Nelson Piquet e Ayrton Senna
GP de Mônaco de 1987 - Ayrton Senna e Nelson Piquet
GP dos Estados Unidos de 1987 - Ayrton Senna e Nelson Piquet
GP da Hungria de 1987 - Nelson Piquet e Ayrton Senna
GP da Itália de 1987 - Nelson Piquet e Ayrton Senna
GP do Canadá de 1990 - Ayrton Senna e Nelson Piquet
GP do Japão de 1990 - Nelson Piquet e Roberto Moreno

*A seção "Você Sabia?" é publicada todas as segundas e quartas no Pit Stop


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