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Sidney Rezende

Sidney Rezende

ATUALIDADE. Jornalista, diretor do SRZD e um dos profissionais mais inovadores do país.

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03/10/2008 15h23

Encontro com a Imprensa
Sidney Rezende

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Nos anos oitenta, os que trabalhavam em emissoras de menor projeção tinham a "Rádio Jornal do Brasil" como meta profissional. A programação elegante, a linha editorial liberal, o respeito aos valores democráticos e jornalistas de qualidade eram que mantinham viva a marca diferenciada.

Nas coberturas de rua eu conheci dois amigos, Augusto Fonseca e Marcos Gomes, que me ajudaram a realizar o sonho de trabalhar lá. Surgiu uma oportunidade, e por indicação deles fui convidado. O meu contratante era o próprio gerente de Jornalismo. Não era um negociante fácil; ao contrário. Experiente, austero, severo com os subordinados e, segundo os mais próximos, ríspido no trato. No dia combinado eu fui para a conversa com uma imensa felicidade interior. Ele foi educado, mas algo dentro de mim me dizia que não deveria aceitar.

A minha sensação era a de que não ia dar certo. Os nossos temperamentos eram muito diferentes. Ouvi a proposta e prometi pensar. Não foi uma decisão fácil. Antes da negativa, voltei à luxuosa redação na Avenida Brasil, 500, para dizer pessoalmente as minhas razões. Dessa vez, eu surpreendi a todos ofertando uma caixa de bombons para a então chefe de reportagem, Fátima França. Eu queria voltar. E voltei.

Por insistência dos meus amigos e empenho pessoal do Gomes, o novo gerente do setor que assumiu, Carlos Drummond (homônimo do poeta) me convocou para ocupar uma vaga de repórter, que surgira de repente. A proposta era semelhante à anterior, só que dessa vez eu pedi uma condição nova: que também pudesse acumular a função de jornalista convidado do "Encontro com a Imprensa", programa de entrevistas e debate que ia ao ar às 13 horas. Ele aceitou. O meu pedido: uma única colaboração semanal. Ela tornou-se diária, desde a minha estreia. Pouco tempo depois, Marcos Gomes, titular do horário, me puxa para o lado e diz que havia tomado uma decisão irrevogável.

Por não suportar pressões inerentes à função, e por ter outras missões da organização, me comunicou sua saída e adiantou que havia me indicado para o posto!!!! O meu coração disparou. Consultei a produtora do programa, Clarice Abdalla, que me aceitou com generosidade, e assumi a responsabilidade que o momento exigia. Com muito orgulho, eu ocupei o posto de apresentador do "Encontro com a Imprensa", até o dia que propus aumentar a quantidade de informação na programação. A direção analisou a minha proposta, que nos Estados Unidos se intitulava "all news".

Eles acharam melhor não mudar. Diante da recusa, levei a ideia à direção da rádio "Alvorada FM", que também preferiu não endossar a novidade. Sem saída para viabilizar a ideia, continuei o meu trabalho na "Rádio JB", até que um colega passou pela minha mesa e disse que o dono da rádio "Panorama FM" era admirador do meu trabalho e que tinha curiosidade em me conhecer. Era uma pequena rádio de Nilópolis, que transmitia só músicas destinadas a um público qualificado.

Eu vi ali uma oportunidade. Fui até a sua emissora e apresentei-lhe uma proposta inovadora: notícias em FM. Para minha completa surpresa, ele aceitou de pronto. Eu era o maior salário da redação da rádio "Jornal do Brasil", pedi demissão e fui para a menor cidade da periferia, realizar o primeiro programa jornalístico da FM brasileira: "Panorama Brasil". Mas aí já é o próximo capítulo.


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