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Cadu Zugliani

Cadu Zugliani

CARNAVAL. Jornalista, trabalha no Sportv há 7 anos e na TV Globo há 18. Compositor campeão da Mangueira em 2004, 2015 e 2016. Louco, amante, apaixonado por Carnaval, onde já fez de tudo um pouco, ou muito.

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07/01/2013 21h34

Safra 2013: não chega a ser deliciosa, mas dá para beber!
Cadu Zugliani

É uma pena que a maioria das escolas tenha entrado no, processo acomodado e simplista, de permitir que os escritórios de samba dominem as escolhas. Não tenho nada contra os escritórios, que não tem nada de ilegal. Sou contra escutar um CD de sambas-enredo e achar que está tudo igual. Mesmo formato, mesma divisão, métricas parecidas e sambas feitos sem a identidade da escola. Poucas agremiações fogem deste formato e mantém características próprias, conseguindo assim sair da mesmice. Não por acaso, duas destas escolas têm seus sambas como destaques absolutos deste ano.

Vila Isabel - A super parceria funcionou sim. O samba é lindo, melodia de muito bom gosto, passagens que nos fazem entrar pelo enredo e viver a história a ser contada. O refrão do meio nos coloca numa fazenda do interior do Brasil "É MUIÉ O CUMPADRE CHEGOU...". Esta é uma característica dos sambas do André Diniz na Vila, um dos grandes compositores do nosso tempo. Imaginem só termos ainda, na mesma parceria, Arlindo Cruz e Martinho da Vila??? A letra é poesia pura, simples e bem escrita, com passagens de uma beleza impar, como " A LUA SE AJEITA, ENFEITA A PROCISSÉO". Parabéns Vila, é sempre um prazer ouvir sambas assim.

Portela - Mesmo sem repetir o brilhante samba de 2012, a parceria bi-campeã da Azul e Branca de Madureira mostra que encarnou o espírito dos grandes sambas antigos, sambas que ajudaram a construir a reputação e a fama desta escola gigante do nosso carnaval. E é o samba que vai liderar a Portela em mais um desfile, independente dos problemas internos. É este samba raçudo que vai fazer o portelense novamente cantar mais do que nunca, esperando que o resto da escola acompanhe a obra e que ela volte a ser gigante também na avenida. Não o considero tão bom quanto o do ano passado, pois o acho um pouco "entulhado" e, consequentemente, mais difícil de cantar. Tenho preferência por estrofes mais soltas, que sobravam em 2012. Me incomoda um pouco também o trecho "CAI NA FOLIA, SEM GRILO, MEU BEM VEM NA FÉ, NA ILUSÉO DA FANTASIA, VAI COMO PODE QUEM QUER", que é melodicamente muito parecido com o refrão do Salgueiro de 1990 - "O SALGUEIRO É PRA QUEM TEM FÉ, NO GINGADO DA BAIANA VEM MEU POVÉO DIZ NO PÉ". Mas nada disso tira da escola e dos compositores o mérito de, mais uma vez, terem ousado e apresentado mais uma grande obra.

É partir deste ponto, está tudo mais equilibrado e prefiro NÉO COLOCAR EM ORDEM DE PREFERÉNCIA. Por isso, falarei, apenas, sobre as características de cada um deles.

Mocidade - Melodicamente, o samba é um grande acerto. Infelizmente, trechos muito bonitos não tiveram a companhia de uma letra à altura. Mas não é culpa dos compositores. O tema Rock in Rio não ajuda. Quem leu a sinopse do Louzada (bem escrita, por sinal), vê que está tudo alí. Mas fica um gostinho de que poderia ser diferente. Não sei se por imposição do patrocinador ou por outros motivos, a escola perdeu a chance de contar a história do rock, que teria sido muito mais rica e interessante. Mesmo assim, o samba me agrada bastante. O refrão do meio, para mim, é o melhor do CD. E o começo da segunda parte é um primor: "MÉSICA ME LEVA..."

Mangueira - Mais um bom samba escolhido pela verde e rosa na gestão Ivo Meirelles. Melodia bacana, boa letra, samba leve que,ao mesmo tempo, nos leva com a força de um trem. O único trecho que me incomoda é o excesso de sílabas no refrão final. "É POESIA DE-DI-CA-DA A CUIABÁ" ficou parecendo um manequim 46 para uma calça 38. Em compensação, a primeira parte do samba. até o trecho "CIDADE FORMOSA, VERDE-ROSA". é linda. Samba para nota 10.

Ilha - Ainda não foi desta vez que o Poetinha conseguiu uma homenagem à altura do que Vinicius de Moraes representou, mas o samba da Ilha não deve nada aos outros. Ao contrário, passa uma leveza e uma eficiência dignas de quem veio para brigar em cima. Tem ótimos trechos de melodia e letra. Os grandes destaques, para mim, são o refrão do meio e o trecho "LEVOU A BOSSA NO TOM D´ALEGRIA SE É CANTO DE OSSANHA MENINA, ENTÉO NÉO VÁ!"

Grande Rio - Mais um exemplo de que enredo fraco dificilmente dá samba. Os compositores tentam fazer evoluir com alguns trechos de melodia mais inspirados, mas esbarram num tema sofrível e pouco carnavalizado. O refrão principal diz pouco e, no geral, os assuntos ficam repetitivos. Acho bom o trecho "EU QUERO UM LUGAR PRA VIVER, SEGURANÉA E SAÉDE PRA DAR E VENDER E, ASSIM, RECICLANDO EU VOU VER A VIDA RENASCER". Mas é muito pouco.

Inocentes - Samba correto mas nada excepcional, dentro do padrão que todas as escolas se acostumaram a fazer. E aí está o erro. Acho que para enfrentar a dura batalha de permanecer no grupo especial, a turma da Baixada deveria ter ousado mais, arriscado mesmo. O samba apresenta alguns momentos mais inspirados, como o refrão do meio que é bonito e fácil de cantar. A letra e o enredo estão bem contados, mas, como disse antes, me parece pouco para quem sonha com a permanência na elite.

Beija-Flor - Gosto deste samba. Enxergo uma mudança na escolha deste ano. Apesar de ser melódico, a obra nilopolitana tem um aspecto mais guerreiro, mais forte. A gente consegue imaginar a escola desfilando e cantando muito. Alguns trechos, para mim, têm destaque, como " SOU PURO-SANGUE AZUL E BRANCO, UM ACALANTO, A MAIS SUBLIME CRIAÉÉO" e o refrão do meio, que fugiu bem ao estilo dos últimos sambas da Beija. Em compensação, acho que poderia ser evitada a citação sobre um possível título,que acaba passando uma visão arrogante - " SE A MEMÉRIA NÉO ME FALHA, CHEGOU A HORA DE GRITAR É CAMPEÉO".

Tijuca - É mais um samba correto, bem montado, com alguns momentos bonitos de melodia, mas que deixa a impressão de pasteurizado. Vai servir bem para o desfile e aí vem a diferença para o que falei sobre a Inocentes: a Tijuca já tem uma marca entre as grandes, um excelente carnavalesco e uma equipe de carnaval reconhecida no meio. Isso faz com que um samba correto funcione bem. Gosto muito do refrão principal - "METADE DO MEU CORAÉÉO É TIJUCA, A OUTRA METADE É TIJUCA TAMBÉM" - e gosto da exaltação no final da primeira parte, "TIJUCA, QUERIDA, RAZÉO DA MINHA VIDA".

Imperatriz - Entre letra e melodia, é um dos mais belos sambas do ano. A dúvida que fica é: será que vai funcionar???? Ano passado, a aposta num samba de estilo parecido arrastou junto com a Imperatriz na avenida. Este ano, a aposta é a mesma. Falando especificamente sobre a obra, é um conjunto de trechos corretos, com passagens muito belas. Apesar de ser um enredo já batido e da saudação à Virgem não ser nenhuma novidade, o trecho é belíssimo e de se cantar a plenos pulmões. Fica a torcida para que ele aconteça no desfile.

São Clemente - Ouvir este samba a primeira vez é de uma estranheza só. É medida que fui ouvindo, as coisas foram clareando e comecei a entender a ideia. É difícil você criar um elo entre histórias e personagens tão diferentes como o das novelas. Então, os compositores resolveram apostar numa "colcha de retalhos", juntando fatos e nomes. O ponto forte do samba da São Clemente é, mais uma vez, a diversão. O refrão do meio é ótimo e faz referência a algumas frases e expressões marcantes das novelas. A impressão que fica é que será um samba funcional para o desfile. Não é o tipo de samba que me agrada, mas pode fazer ferver o desfile da escola.

Salgueiro - Deixei o Sal por último, mas o motivo é especial. Aqui está uma prova de que não podemos julgar o que vem antes da hora. Quando a alvi-rubra fechou o patrocínio com a revista CARAS, muita gente torceu o nariz. Vamos combinar que, realmente, não era um cenário animador, mas Renato Lage entrou em ação, achou uma saída interessante e o samba de Marcelo Motta e cia, se não é um dos melhores, está longe de ser um dos piores. É um samba interessantíssimo, com um refrão principal que deixou de lado a mania dos "sambas pipoca" e um começo de primeira, bem melódico - "TENHO FAMA DE FAZER HISTÉRIA POR SER DIFERENTE, QUEM ME AMA É PARTE DAS PÁGINAS QUE ESCREVÍ, QUERO SIM, ETERNIZAR A MINHA VIDA, MEU NOME OUTRA VEZ NA AVENIDA, PORQUE SEMPRE FOI ASSIM". O problema é que, daí em diante, a melodia se perde, fica um pouco confusa e se torna o ponto fraco do samba. A obra volta a ficar bem interessante no final, quando fala nas celebridades - " VIDA DE CELEBRIDADE É UM VAI E VEM". No geral, acho que vai levantar a Sapucaí mesmo sendo a segunda escola de domingo.


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Comentários
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    15/01/2013 13:18:56EL AFARMembro SRZD desde 09/01/2013

    Galera! O tema em debate é sobre a safra de Sambas de Enredos de 2013, certo?

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    14/01/2013 10:55:03Duquesa Dholores: a nobresa da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Minino lindo do meu nobre coração duqueano... eu não comparei a busca humana pela FAMA com enredos como Xica da Silva ou Candaces, que são enredos, com começo, meio e fim. São históricos, lineares. Eu comparo FAMA ao abstracismo de enredos como água, fogo, fé, noite, jogo, corpo humano... agora, se vai render alguma coisa na avenida, disso eu não posso falar porque não tenho bola de cristal. Quando faço prognóstico faço segundo o que as escolas nos apresenta. Neste sentido, Fama, desenvolvido pelo Lage da forma como está, deve surpreender. Vê, bem, não me refiro ao texto, sinopse, mas aos argumentos expostos por ele que serão tranfsormados em setores e suas respectivas alas e alegorias. Ã? um pinico cheio, esse Fama, se fosse desenvolvido lá n BF, pode ter certeza, teria meu aval. Esse ano já tou assuntando por onde o pinico da BF já tá passando, e, como ano passado, quero dar a notícia em primeira mão. Se for um tema pinicado legal, dou meu aval sem pobrema nenhum, agora, se for outra diarréia, o pau vai comer na casa de noca! Abracinhos pro cê, tenha um bom dia, minino lindo!

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    14/01/2013 08:43:25Rodrigo VilelaMembro SRZD desde 23/11/2012

    Assino embaixo!! E que bom ler que você gosta do samba da Mocidade. Outro colunista, igualmente bem conceituado, já elogiou o barracão. Meu temor de rebaixamento vai sumindo, ainda bem!!! Grande abraço, Cadu. Bom poder ler suas colunas novamente!

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    13/01/2013 16:35:23TedMembro SRZD desde 12/04/2012

    Duquesa,... seu texto é desenvolvido como torcedora, tá é direito seu, só acho estranho, você que malha tanto o "pinico" dos outros, achar o seu "pinico", ótimo?... estranho! ... Querer colocar "Fama" no mesmo patamar, de "Candaces", de "Cordel", e até de "Xica da Silva"... é forçar a barra demais!.... Cada um sabe o que, quer né?

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    13/01/2013 16:16:46TedMembro SRZD desde 12/04/2012

    Respondendo ao colega Salgueirense,... realmente é verdade que a Beija-Flor deseja o Lage, isso não é segredo pra ninguém. Até porque o Lage vem fazendo as melhores alegorias, como a do pavão, por exemplo. Peço desculpas, exagerei com relação ao Lage, é apenas carnavalesco, ele apenas desenvolve o enredo.

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    13/01/2013 10:33:17Duquesa Dholores: a nobresa da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Ã? mô bem... pra quem só sabe falar abobrinha e ler também, falar com eu dá um nó em tico e teco (os dois neurosnios) faz o seguinte: volta pra escolinha... ou vai cagar na praia!

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    12/01/2013 21:36:48Daiv EickhoffMembro SRZD desde 20/11/2009

    Quem tem Lage como carnavalesco, não tem nada a temer em quesitos como Alegorias e Adereços e Fantasia. De quebra, Conjunto e Enredo acabam sendo afetados porque não tem ninguém que trabalhe com qualquer temática tão bem quanto ele e que dê o devido desenvolvimento. Ã? o carnavalesco mais completo do nosso tempo. Não é à toa que a Beija Flor sonha com ele há anos. Maaaaaas, como pelas bandas de Nilópolis ele não terá a gerência total sobre seu trabalho, ele fica no meu Salgueirão, igualmente bem estruturado e democrático!!!

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    12/01/2013 19:30:27TedMembro SRZD desde 12/04/2012

    Seu texto, é longo, confuso, nem um pouco explicativo, só pra esconder o que esta na cara: esse enredo sobre a Fama, é chato p/ ca-ce-t-e.

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    12/01/2013 15:41:57Duquesa Dholores: a nobresa da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Agora, para falar em samba, já que a matéria aborda esse tema... também axo que o samba salgueirense serve aos propósitos da escola. Se a sinopse tivesse sido mais bem idealizada e materializada, talvez teriámsos um samba mais valente, poético e melhor melodicamente. Mas repito, serve aos propósitos do sal e da fama. Como escreveu a ilustre salgueirense Eliomar, o samba parece sim bem animado e também acredito que vá levantar a Sapucaí. Vai levantar não apenas porque é um samba oba-oba, mas porque comunica de maneira direta a proposta da temática, além, é claro, da melodia que é bem pra cima. Tamo confiante, apesar de ser a segunda escola e saber dos pobremas que é desfilar nessa posição.

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    12/01/2013 15:36:06eliomar g silvaMembro SRZD desde 09/04/2009

    Apesar da minha ignorância musical. não acho que a melodia do samba enredo do Salgueiro se perca e fique confusa no meo do samba. Para os meus ouvidos, menos exigentes, acho que o samba do Sal mantém o mesmo nível desde o princípio. Concordo que ele não tenha a mesma poesia do samba da Vila, mas apesar disso, parece-me o mais animado de todos os sambas. Acredito que vá levantar a Sapucaí.

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    12/01/2013 13:09:49Duquesa Dholores: a nobresa da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Da próxima vez vou cobrar pela aulinha, viu meu lindo... Fique esperto, mô bem, quando o tema-enredo é bom vira um desfile antológico. Enredo ou tema-enredo de primeira é atemporal. Se a Bf reeditar ratos e urubus, com certeza acrescenta novas facetas da concepção dada po J30 e tenho certeza que fará um belíssimo e ousado (caso a comissão não engesse o desfile) carnaval. Chuê chuá tá na galeria de enredos antológico e atemporais. Não sei se vassuncê se recorda, mas a sua BF em 2005 fez um enredo sobre águas... o pano de fundo era Poço de caldas, mas as águas era a temática princial, ou seje, um chuê chuá disfarçado. Se ocê reassistir esse desfile, verá que no último ano a comissão egipciana até colocou fetos dentro de bolhas com água nos mermos moldes do segundo carro da Mocidade em 91 (carro das águas continentais). Então, a água sempre será um excelente caminho para se fazê enredos. Imperio Serrano segue essa linha temática esse ano e deve realizar um tremendo carnaval. Se Xica da Silva for reeditada novamente, enredo feito pelo Sal em 68, vai dá show em muito esterco por aí disfarçado de enredo... só com a cara de moderno. Renato lage não mudou. Ele, como o vinho, apenas melhorou. Lembro muito bem que no enredo sobre o fogo, no sal em 2005, ele falou que aquele enredo salgueirense seria o chuê chuá vermelho e branco. A temática era abstrata igual ao elemento líquido, só que esse erra era um elemento físico quente tão abrangentemente usado pelo homem ao longo da história. E foi um excelente desfile.

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    12/01/2013 13:07:41Duquesa Dholores: a nobresa da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Renato é um dos poucos carnavalescos que não se repetem. Lembro que a Rosa Magalhães por mais de 6 anos utilizou o mermo formato de abre alas... alguns elementos girando no meio, composições ao lado e pronto, estava feita a fórmula que rendeu a Imperatriz alguns canecos. Renato é um carnavalesco que oscila entre o clássico, o moderno e o futurista. Sempre tem boas soluções para determinados setores em seus enredos. Por exemplo, o antológico carro das áuguas continentais nunca mais foi editado por ele. Ele até poderia, pois se trata de uma criação sua, mais o grobo terrestre foi utilizado pelo carnavalesco de outras formas, criativas, inovadoras (vide o abre-alas de criatura e criador carnaval 96 Mocidade). Então, não existe elemento prausível esses seus argumentos tão toscos quanto as inverdades ditas por ocê. Renato não só faria fantasias com narizes colados por toda parte,como fez em 2007 uma fantasia com pernas espalhadas por todas as partes para simbolizar os loucos no enredo de corpo e alma na avenida. Isso vai depender da configuração de cada enredo. Ele nunca fez narizes espalhados porque nunca houve necessidade para isso. Agora tem. Esse carro será uma alegoria chamada fotoshopping... um shopping onde os que desejam fama â??compramâ?, mandam fazer através de prásticas não só narizes como bocas, olhos, e tem até periquitas usadas lacradas como se fossem encabaçadas. O mundo da fama tem dessas coisas. O importante é chamar a atenção por qualquer fato, fútil, mas dá ibope. Se isso vai funcionar no enredo, só teremos certeza quando o Sal terminar de passar pela avenida com a leitura da fama feita pelo mestre Renato. Euzinha aposto minhas fixas nele, não sou besta!

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    12/01/2013 13:06:36Duquesa Dholores: a nobresa da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Bem... meu lindo, axo que você não leu ou leu com má vontade minhas expricações sobre enredo e tema-enredo.De um modo geral os enredos podem seguir dois caminhos bastante distintos. Eles podem ser temas enredos ou simplesmente temas. Nos carnavais de outrora os enredos eram quase sempre temas enredo, eram históricos, fielmente descritivos e cronologicamente montados. Nos carnavais atuais os temas são bem mais freqüentes. Os enredos deixaram de ser históricos nessa visão cronológica que eles tinham e passaram a ser bem mais interpretativos. Mas a coisa não é tão simples assim, muitas vezes não sabemos definir se um enredo é um tema enredo ou simplesmente um tema. Situemos-nos em alguns enredos: O Domingo da talentosa Maria Augusta claramente foi um tema, O Descobrimento do Brasil do Mestre Arlindo Rodrigues foi um tema enredo. Chica da Silva do grande Fernando Pamplona foi um tema enredo, Tambor do grande campeão Renato Lage foi um tema. Ratos e Urubus do Mestre João Jorge Trinta foi um tema fantástico. E o inesquecível Fernando Pinto nos brindou com o maravilhoso tema Tupinicópolis. Os enredos geralmente seguem uma linha histórica. São lineares, ou seje, tem começo, meio e fim. Já os temas-enredos, não há necessidade de seguir uma linha cronológica evidenciando momentos históricos. Os elementos argumentativos são jogados ao Léo, como uma colcha de retalhos mermo, não existe necessidade duma evidencia histórica dos fatos, por isso são não lineares. São textos bem mais ousados e, quando bem feitos, criativos. Ganham pontos de muitos jurados desse quesito.

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    12/01/2013 13:06:03Duquesa Dholores: a nobresa da favela em pessoa!Membro SRZD desde 18/10/2010

    Assim como foi a pequeníssima sinopse chuê chuá, Tambor, fogo, a noite (Portela 97), sonho, são todos temas-enredos muito bem construídos e dignos dos grandes espetáculos apresentados na Sapucaí. Talvez, pra ocê, meu lindo, a fama não seje algo admirável, continuará uma pessoa comumzinha e mais uma na multidão. Agora, pra um artista como Elvis, Michael Jacson, O rei sol Luiz 14, Creopatra, Alexandre da macedônia, a cacatua coroada Roberto Carlos (tema na sua escola) e tantos outros como citou Nilton, a fama faz a diferença. Roberto Carlos, por exemplo, famoso pelo tipo de música brega que faz, fez sua escola â??ganharâ? mais um caneco. E todos vocês defenderam esse enredo por se tratar de uma estrela da musica popular brasileira. Então, foi graças a fama desse cantor que a escola de ocês resolveu homenagea-lo. Dholores Arruda ninguém quer homenagiar, NE?!... porque hein? Não tenho a Nestlé pra patrocinar, não tenho fãs, não faço arte alguma, logo, não tenho fama, só dou cacetada nas mulinhas de prantão (não seu caso). Então fama é sim um elemento importante desenvolvido pelo comportamento humano. Alguns dão muita importância, outros pouca, mas a fama está aí entre fleches, cliques, clipes, fazendo caras e bocas no diversos canais midiáticos. Este enredo do Sal é interessantíssimo por retratar esse comportamento tipicamente humano. Até os cavalos Maga largas são famosos segundo a análise de quem cria e admira esse bichano... se não fossem e não rendessem verdinhas pincadas não iriam parar na BF, né?

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    12/01/2013 02:06:13niltonMembro SRZD desde 25/10/2009

    A 'caras' patrocina o salgueiro, a Mocidade tem Medina no patrocinio, são clemente o 'aval' da plin plin e a Beija-Flor o parente do anizio que é dono de aras. Chega de hipocrisia. Nem só de bumba meu boi, cavalhada, africa e bahia vivem os enredos....que venham as ousadias... que bom que as escolas diversificaram... que bom q a Portela é madureira, que o Império Serrano e caxambu e que a Mangueira é cuiaba mas que bom que outras possibilidades existem...rock, fama, novelas... quando houve o enredo sobre Janete Clair na Leão de Nova Iguaçu em 1992, a escola fez uma belissima passagem pelo grupo especial... esperem fevereiro de 2013, e ai sim julguem se o q foi apresentado agradou ou não; que venham os cavalos, o ouro negro e Vinicius....

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