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Valdeci

Valdeci

POLÍTICA. Jornalista da área de política com atuação em jornais, rádios, assessorias de imprensa e produção de TV. Já trabalhou para "O Popular", de Goiânia, e para "Correio Braziliense", "Jornal de Brasília" e "JB". Foi repórter de rádios como "CBN", "BandNews FM" e "Jovem Pan", em Brasília, e noticiarista das rádios "Araguaia FM", "Executiva FM", "Anhaguera AM" e "Terra FM", de Goiânia.

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12/01/2013 12h12

Fantasmas do Congresso Nacional
Valdeci Rodrigues

A figura do funcionário fantasma, extremamente comum na administração pública --- municipal, estadual e federal ---, volta e meia vira notícia. Como está acontecendo agora no Congresso Nacional.

Elias José Ferreira recebeu salários durante 22 anos da Câmara dos Deputados sem trabalhar. No caso dele, há a informação de que prestava serviços particulares para quem o contratou.

Funcionários fantasmas no Congresso nem costumam virar mais notícia por ser muito corriqueiros. Afinal, quando se trata do dinheiro do contribuinte, as maneiras de roubá-lo são intermináveis.

Não faz muito tempo, um segurança do plenário da Câmara puxou-me pelo braço e perguntou: "Companheiro, quando você vai fazer uma reportagem sobre esses fantasmas?".

Este servidor, que me conhece por causa do tempo que trabalhamos juntos, eu como repórter e ele cuidando da segurança dos nobres parlamentares no plenário, deu-me dicas que eu já sabia.

Por exemplo: por volta das 19h, chegam dezenas e dezenas de pessoas num determinado ponto de ônibus em frente ao Anexo III da Câmara. Todos dirigem-se ao Anexo IV.

Pasme! Vão assinar o ponto para ganhar hora extra! Isso mesmo! Depois das 19h, havendo sessão no plenário da Câmara, todos os servidores recebem dinheiro a mais nos vencimentos.

No Anexo IV, presenciei a movimentação dos funcionários fantasmas durante muitos anos. Nos andares, não somente eu, mas todos os que trabalham ali sabem identificar quem são os fantasmas.

Alguém do gabinete a que eles estão vinculados liga para avisar que naquele dia "vai dar ponto". Acompanhei o caso de um deputado, por exemplo, em que a mulher de seu motorista saía de Valparaíso (GO), no entorno do Distrito Federal, para ir assinar o ponto logo depois das 19h. E ganhar hora extra!

O caso deste deputado é comum demais. Ele havia contratado ao menos quatro servidores. São pessoas que recebem algum benefício como vale-refeição, vale-transporte e uma certa quantidade em dinheiro para não fazer nada --- além de serem cúmplices e beneficiários de uma fraude.

Servem apenas para alimentar mais um esquema criminoso de roubo de dinheiro do contribuinte. Seus salários são embolsados pelo parlamentar que os contrata. Era o caso deste deputado a que me referi acima.

Este parlamentar, que já chegou a integrar a Mesa Diretora da Câmara, tinha como servidora em seu gabinete também uma vendedora de marmitas que tem barraca em frente ao Anexo IV, prédio de dez andares, onde fica a maioria dos gabinetes.

No Senado, a situação é semelhante. Há fantasmas de vários tipos. Os mais comuns são os que servem como meio de o próprio deputado ou senador embolsar o vencimento da pessoa contratada, e os que prestam outro tipo de serviço aos políticos.

De todos os casos já noticiados, não houve nenhuma punição nem a devolução do suado dinheiro do contribuinte carreado na forma da segunda maior carga de impostos do planeta.

Ia me esquecendo. No caso que relatei acima, do deputado que contratou como fantasmas a vendedora de marmitas, fiz chegar à primeira página do Correio Braziliense a história, também publicada na Folha de S. Paulo.

O deputado em questão andou dizendo que iria processar-me. Esperei pelo processo, que não veio. Mas não tenho dúvidas de que era e é mais fácil um cidadão ou um repórter como eu ser incriminado por denunciar do que um nobre parlamentar por roubar descaradamente o dinheiro público.

As matérias foram publicadas em janeiro de 2007 e não aconteceu absolutamente nada com o deputado, que era da base governista do governo FHC, foi aliado do governo de Lula e, agora, perfila-se ao lado de Dilma Rousseff.

Quem quer se dar bem é sempre governista --- e aqui também não há mais nenhuma novidade. Infelizmente.


Comentários
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    12/01/2013 19:51:08carlos albertoAnônimo

    A revista inglesa The Economist, divulgou que os salários do funcionalismo publico , na sua maioria, no Brasil , é um "roubo" ao contribuinte . Citou os 15 salários do Congresso dos politicos, quando a população pagadora de impostos escorchantes, recebe apenas 13 salários anuais. A previdência do funcionalismo publico , levará o Brasil a bancarrota, é uma questão de tempo.

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    12/01/2013 17:32:54Nidia Jussara FdasilvaMembro SRZD desde 25/06/2012

    Um povo medíocre,governado por uma corja de políticos descarados!

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    12/01/2013 16:03:44AlbertoAnônimo

    Sociedade corrupta,políticos e governantes corruptos.

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