SRZD


24/01/2013 16h41

"País do Desejo": o filme da hóstia com ketchup
Ana Carolina Garcia

"País do Desejo" (2011) chega aos cinemas nesta sexta-feira, dia 25, com dois anos de atraso. O SRZD já assistiu ao longa rodado em 2010 em Recife e que desperdiçou o talento de Fábio Assunção e Gabriel Braga Nunes.

- Veja o trailer do filme

O diretor Paulo Caldas, que também assinou o roteiro ao lado de Pedro Severien e Amim Steppler, optou por escalar atores conhecidos do grande público e consagrados pela televisão, para dar vida ao trio principal, o Padre José (Assunção), César (Braga Nunes) e Roberta (Maria Padilha). Até aí, nenhum problema, pois eles têm competência suficiente para protagonizar qualquer trabalho, seja na TV ou no cinema.

O problema consiste na trama em si, apresentada de forma totalmente nonsense. Fica óbvio para o espectador de que ela tem a pretensão de ser complexa e profunda; contudo, não passa da superfície porque seus diálogos são rasos e nada é aprofundado o suficiente para prender a atenção do público e conquistá-lo.

A história de "País do Desejo" é ambientada na cidade fictícia de Pasárgada e mostra a trajetória de um padre completamente dedicado à sua paróquia, que discorda de determinados preceitos da Igreja Católica e que larga tudo em nome da paixão por Roberta, paciente de seu irmão. Ou seja, tinha tudo para ser interessante. Só que não. Tudo acontece rápido demais. O padre conhece Roberta, descobre que ela é renal crônica, se apaixona, larga a batina e decide doar seu próprio rim para salvá-la. Tudo num estalar de dedos. Não convence.

Por se tratar de um filme que tem a religião como fio condutor de sua história, o mínimo que esperamos é que o tema seja abordado com mais afinco; nesse caso, mostrando toda a dualidade do Padre que foge às regras da Igreja Católica.

A trajetória de padre José podia ter sido bem desenvolvida, pois ele é um jovem padre que prega pelo bem de sua comunidade, mesmo que desrespeitando algumas regras impostas pela Igreja, inclusive participando de campanhas pelo uso de preservativo e apoiando o aborto de uma menina de 12 anos, estuprada pelo tio e excomungada pelo Arcebispo Dom Lázaro (Nicolau Breyner).

A situação piora quando os roteiristas tentam inserir algumas pitadas de humor. O que vou falar agora não é um spoiler, mas a cena em que a técnica de enfermagem de descendência japonesa, responsável por cuidar da mãe de José e César, lendo mangá pornô tendo como lanchinho hóstia com ketchup, não tem nenhuma função e é para lá de bizarra - e considerando toda a simbologia da hóstia, alguns católicos podem se sentir desrespeitados e ofendidos.

A produção peca também tecnicamente, seja na fotografia ou na montagem, passando pelo figurino e pela direção de arte. Nada salva, nem mesmo o elenco de apoio, péssimo em cena, vide Breyner que transformou Dom Lázaro num Arcebispo caricato.

Com tantos elementos negativos, pensamos que ao menos os protagonistas podem se destacar positivamente. Grande engano. O trio principal também não está bem em cena, mas, considerando seus trabalhos anteriores, não podemos culpá-los. O roteiro fraco não os ajudou em nada, transformando-os em personagens artificiais.

"País do Desejo" tinha tudo para ser um bom filme, porém é uma produção fraca que se perdeu em sub-tramas, sem nem ao menos apostar suas fichas na história principal. Enfim, só um milagre para salvar esse filme do fracasso.


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Comentários
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    03/02/2013 22:35:17ClaudioAnônimo

    O filme é ruim, mas a cena da hóstia com ketchup é otima! Adoro ver católico recalcado rasgando as vestes quando seus dogmas idiotas são questionados.

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    25/01/2013 11:08:43ArakémAnônimo

    Só me falta agora uma fila de descontentes com a igreja católica fazer fila para ver uma japonesa tarada comendo hóstia com ketchup. O filme pelo jeito é um saco, típico do cinema pseudointelectual brazuca, que os "intelectuais" da classe média adoram mesmo sem entender nada da história. Argh!

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    25/01/2013 01:23:18RUBENSAnônimo

    Rubens " Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra." Penso que os responsáveis por este filme, não desejarão a benção de um Padre quando estiverem agonizando no leito para morrer e muito menos desejarão receber a Hóstia , pois não acreditão que é a pessoa de Jesus que estaríam recebendo. Penso que se a doutrina, dógma, etc, Católica estiver errada, os responsáveis pelo filme não terão com que se preocupar quando a morte bater na porta. Mas se a doutrina, dógma, etc, Católica estiver correta, creio que quando chegar a hora de apresentar os furtos gerado na terra, acredito que nem os demônios desejaram estarem presenciando as consequência. . .

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    25/01/2013 00:23:10FranciscoAnônimo

    Se depender de meu suado real, este filme ja era. Esse tipo de produção que aposta no bizarro só progride porque ainda tem gente que em nome da arte (que arte?) relativiza seus próprios principios (a mioria do povo brasileiro é cristão) e paga pra ver sua fé (será que é sua mesmo?) ofendida. Povo morno e imaturo que não lê, não sabe, não pensa. Se pensasse não iria assistir e depois de algumas derrotas nas bilheterias esses diretores aprenderiam a respeitar os alicerces que os sustentam, queiram ou não.

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    24/01/2013 20:28:35BethAnônimo

    Uma falta de respeito com os católicos,pois nós acreditamos na eucaristia e isso é uma ofensa ao próprio Cristo.

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