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11/04/2013 09h52

Aldir Blanc emociona público em lançamento de perfil biográfico
Leonardo Guedes*

Foto: Leonardo Guedes

Aldir Blanc por Aldir Blanc: "Sou um cara totalmente trôpego, sem convicções. Por aí, não tenho nada a acrescentar. Lutem, lutem por suas vidas".

Aldir Blanc por João Bosco: "O melhor contador de histórias que eu conheço".

Foto: Leonardo GuedesEsses foram as definições sobre o compositor Aldir Blanc por ele próprio e por seu principal parceiro de Música Popular Brasileira, ditas na noite de quarta-feira durante o lançamento do livro que narra os principais acontecimentos da vida do compositor, "Aldir Blanc: resposta ao tempo" (editado pela Casa da Palavra). O evento foi realizado na Livraria Argumento, no Leblon (Zona Sul do Rio) e contou com a presença de 150 pessoas, entre parentes, amigos e fãs. Entre os presentes, estavam os humoristas Jaguar e Reinaldo, os atores José Wilker, Antônio Pedro e Otávio Augusto, a cantora Dorina e a ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda. O autor do livro, o jornalista Luiz Fernando Vianna, falou sobre como foi produzir a obra: "Conheço ele pessoalmente há vinte anos e ouvia suas músicas desde criança. Valia a pena, mostrar o trabalho dele para os mais jovens. A intenção era produzir mais um perfil do que uma biografia", explicou Vianna. No livro, são narrados desde fatos envolvendo a infância e a adolescência de Aldir em lugares do Rio como Vila Isabel (bairro da Zona Norte) e a Ilha de Paquetá, a descoberta das letras e da música (Aldir começou tocando bateria e tumbadora) e episódios dolorosos da vida adulta, como a morte de duas filhas gêmeas recém-nascidas. Situações mais recentes, como o acalorado entrevero público com o também compositor Gutemberg Guarabira durante as eleições presidenciais de 2010 (Aldir manifestou apoio à então candidata petista Dilma Rousseff, enquanto o autor de "Margarida" fez uma réplica agressiva em defesa do candidato tucano José Serra) e o rompimento com um dos primeiros parceiros musicais, Cesar Costa Filho, não chegaram a ser citados.

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Além do perfil, o livro conta com um álbum de letras, totalizando cerca de 400 (no total, Blanc tem cerca de 600 composições com diversos parceiros, começando por João Bosco e passando por Guinga, Ivan Lins e Moacyr Luz). Por exemplo, é possível descobrir que Aldir Blanc fez a letra da música de abertura da novela espírita "A viagem" (exibida e reprisada pela "Rede Globo" na década de 1990) e sucesso na interpretação do Roupa Nova.

A expectativa era pela vinda (ou não) do grande homenageado, uma vez que Aldir, devido à problemas de saúde somados à timidez, tem evitado aparições públicas. Até que por volta das 19h15, ele surgiu, acompanhado da mulher, Mary, sob um fortíssimo clima de emoção e recebendo abraços entusiasmados. O desejo de reencontrar os velhos amigos fez com que Aldir ficasse muitos minutos na entrada do estabelecimento. Em seguida, o compositor de "Nação" se encaminhou até onde Luiz Fernando Vianna estava autografando os livros para os presentes na extensa fila formada.

"É uma espécie de criação minha. Ele é dono de um profundo senso de independência", disse Blanc sobre o jornalista. Em seguida, o compositor falou a este repórter sobre o momento de emoção que estava vivendo: "Eu sou um sujeito que sai pouco, gosto de ler, tenho meus amigos, que são poucos... Estou me divertindo profundamente".

Aldir Blanc, além das letras, mantém atividade literária intensa: escreve crônicas para jornais e revistas, tem dois livros publicados e produz há muito tempo um livro do gênero policial. Nunca pensou em ser candidato à Academia Brasileira de Letras? "De forma alguma", respondeu, "meu lugar é assim: traduzir o grande canto brasileiro".

Nesse instante, uma amiga de infância se aproxima e lhe dá um afetuoso abraço: "O que me caracteriza como letrista é ser uma besta quadrada", provoca, para reações indignadas da interlocutora. Em seguida, indagado por este repórter a definir Aldir Blanc Mendes por ele mesmo, fez a declaração que abre este texto.

Foto: Leonardo GuedesPor volta de 19h45, surgiu João Bosco, em uma rapidíssima aparição. A este escriba, só teve tempo de fazer a afirmação sobre Aldir que também abre o texto.

Outros compositores também marcaram presença no evento. Um deles era Hermínio Bello de Carvalho: "Aldir é um poeta transgressor, com enorme qualidade, originalidade". Marcou a música com essas características. Tem um texto incrível", explicou Hermínio, destacando que Bosco e Blanc foram os autores de um grande sucesso de uma amiga muito especial: "Incompatibilidade de gênios", na voz de Clementina de Jesus, cantora revelada por Hermínio Bello de Carvalho na década de 1960.

Paulinho da Viola destacou a importância de Aldir Blanc na luta por uma arrecadação mais justa dos direitos autorais durante a década de 1970, além de frisar que comum em comum o fato de serem vascaínos apaixonados. O autor de "Sinal fechado" lembrou ainda quando fez sucesso radiofônico com a música "50 anos" na década de 1990. A canção é de autoria de Blanc e do maestro Cristóvão Bastos: "Foi uma oportunidade que me deixou feliz e honrado".

Um dos presentes no lançamento, o jornalista Sergio Cabral (pai) deu uma exclamação rápida que pode ser tida como as palavras definitivas a respeito do autor da letra de "O bêbado e a equilibrista":

"Aldir Blanc é O CARIOCA!".

* Colaboração ao SRZD


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