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15/10/2008 09h31

Você Sabia? - Ayrton Senna e o flerte com a F-Indy
Gustavo Coelho

Foto: Extraída de www.jpezzolo.com / sem crédito divulgado

A temporada de 1992 havia sido uma decepção para Ayrton Senna. Quarto colocado no campeonato, o tricampeão evitava renovar o contrato com a McLaren, na esperança de receber uma proposta da poderosa Williams. Infelizmente para Senna, o convite não veio. Decepcionado, o piloto voltou ao Brasil após o fim do campeonato. Em dezembro, recebeu um telefonema do amigo Emerson Fittipaldi, que reservara uma mesa para os dois no restaurante Fasano, em São Paulo.

Naquele jantar, Ayrton confessou a Emerson que estava se sentido frustrado na Fórmula 1. Percebendo a oportunidade, Fittipaldi fez uma oferta que o amigo certamente não recusaria: um teste com o carro da equipe Penske de Fórmula Indy, sem nenhum tipo de compromisso. Sem hesitar, Senna topou e Emerson ligou imediatamente para o chefe Roger Penske.

''Roger, o Ayrton quer testar o carro'', disse Emerson. O dono da Penske aceitou, mas com uma condição: Senna experimentaria o modelo da equipe num circuito misto e não num oval, já que o tricampeão não tinha qualquer experiência nesse tipo de pista. Pouco depois, ficou acertado que Senna andaria com o modelo da Penske no dia 20 de dezembro, no circuito de Firebird, no Arizona.

Quando Senna chegou para testar, um problema inesperado: o cockpit estava moldado para Emerson, que era bem mais corpulento. A solução foi improvisar almofadas para evitar que Senna ficasse sendo jogado de um lado para o outro do carro. De início, o tricampeão pegou leve. Mas não demorou muito para provar toda a sua capacidade. ''Fizemos uma mudança no acerto e ele pegou o ritmo. Virou um tempo espetacular. Quando saiu do carro, parecia um moleque que havia acabado de ganhar um presente fantástico'', contou Emerson mais tarde.

Senna também gostou da experiência: ''É um carro muito gostoso de pilotar. Ele avisa o que vai fazer. Num Fórmula 1, é muito mais fácil cometer um erro'', explicou Senna. O tricampeão não completou mais do que algumas dezenas de voltas no teste, que parecia ter servido apenas para matar uma curiosidade. Em fevereiro de 1993, porém, Roger Penske recebeu um telefonema surpreendente:

''Se vocês quiserem um terceiro piloto para Indianapolis, eu topo'', garantiu Senna. O problema era que a Penske só dispunha de dois carros, já reservados para Emerson Fittipaldi e Al Unser Jr. Senna entendeu a recusa e assinou um novo contrato com a McLaren. Tempos depois, finalmente acertou com a Williams para a temporada seguinte. E, antes que pudesse realizar o sonho de correr junto de Emerson, encontrou o destino no dia 1º de maio de 1994.

*A seção ''Você Sabia?'' é publicada todas as segundas e quartas no Pit Stop


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