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Carlos Molinari

Carlos Molinari

FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

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02/05/2013 18h45

Quem te viu, quem te vê...
Carlos Molinari

Foto: DivulgaçãoHá dez anos, o Americano era o terror dos "pequenos" e também dos "grandes". Chegou até as semifinais do Campeonato Carioca, ganhava respeito com uma equipe formada por desconhecidos que davam o recado. O técnico era o mesmo Gaúcho que anteontem estava no Vasco.

Jogar no Godofredo Cruz era sinal de armação. Nenhum time do mesmo porte conseguia ganhar lá. O Americano ficou invicto em casa por mais de dez anos. Só os "grandes" ainda venciam lá dentro. 

Normalmente, a estratégia era simples. Coagidos pelo presidente da Federação da época, Eduardo Vianna, os árbitros eram estimulados a fazer tudo pelo Americano. No 1º tempo já amarelavam todo o sistema defensivo do rival. Na etapa final, qualquer falta poderia significar uma expulsão. Se isso não desse certo, podia extender o jogo até os 55 minutos do 2º tempo. A imprensa não cobria essas partidas mesmo, ninguém ligaria se o Bangu, o América, a Cabofriense fossem roubados descaradamente.

E assim, com equipes bem limitadas, o Americano ia longe no Campeonato Carioca. Em 2002, chegou a erguer a Taça Guanabara e a Taça Rio. Pena que o regulamento não previa que o campeão dos dois turnos levasse também o Campeonato inteiro. 

Mas, depois da morte de seu protetor-mor, em agosto de 2006, o Americano passou a agonizar. Se o time tinha sido o 5º colocado em 2006, caiu para a 10ª posição no Estadual de 2007. E, a partir daí, não conseguiu nada de útil. Em 2008, foi o 13º. Até que, em 2012, ficou em 16º e último lugar, sendo rebaixado pela primeira vez em sua história.

O presidente César Gama, na época de "vacas gordas" era um dirigente detestado pelos cartolas dos outros clubes. Todos sabiam que ele se valia da substancial ajuda do presidente da Federação e de árbitros extremamente coagidos para levantar seu clube. 

Um dos que não gostavam de César Gama era o dirigente do Bangu, Rubens Lopes. Os dois não se bicavam. No entanto, para azar do presidente do Americano, eis que o cartola banguense ganha de herança a presidência da Federação. Era tudo o que faltava!

César Gama não titubeou. Em 2008, fez as pazes com seu antigo desafeto, dando-lhe o título de sócio benemérito do Americano. "Rubinho", como é chamado, jamais se comoveu com este título e não teve pena do clube de Campos quando este caiu para a 2ª Divisão em 2012.

Agora, agonizando na Segundona, depois de ter trocado o técnico Acácio por André Pimpolho, o Americano continua sem saber para onde ir. Está à beira do rebaixamento para a Terceirona Carioca. Por enquanto, é o antepenúltimo colocado, à frente apenas do Tigres (equipe que está em ascensão) e do Artsul. Dois times serão rebaixados. 

Ao mesmo tempo, a diretoria decidiu vender o próprio estádio Godofredo Cruz para a construtora IMBEG Engenharia. Cobiçado por ficar no Parque Tamandaré, bairro nobre de Campos, a construtora irá erguer um shopping no local. Em contrapartida, o clube recebeu uma área próxima ao aeroporto da cidade, onde a mesma IMBEG irá construir um novo estádio para o Americano, com capacidade para apenas 8 mil torcedores.

O estádio Godofredo Cruz podia receber, nos bons tempos, até 25 mil pessoas. Hoje, a capacidade está reduzida pela metade. Desde agora já se sabe que em 2014, o time não mandará seus jogos na cidade. Seja na Segundona ou na Terceirona Carioca, o Americano terá que atuar em Quissamã ou em São João da Barra, já que ninguém imagina que o Goytacaz emprestará seu campo para o arqui-rival.  

Nesta quarta-feira, para completar, o time estreou no 2º Turno perdendo para o Barra da Tijuca por 2 x 1...

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