SRZD



Haroldo Monteiro

Haroldo Monteiro

VAREJO. Formado em Administração de Empresas e Engenharia Econômica pela UERJ. Possui vasta experiência no mercado de varejo tendo atuado como executivo em várias empresas deste setor. MBA em Business Administration pela Ohio University, e sócio da Planning & Management, consultoria especializada em gestão e estudos de tendências econômicas para o varejo. É professor convidado do Coppead, onde ministra Administração Financeira de Curto Prazo.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.



17/05/2013 18h14

Se for para comprar, compre Renner
Haroldo Monteiro

Fim da divulgação dos balanços das varejistas de vestuário e nenhuma surpresa no front. Nada para o bem e nem para o mal, apenas em linha com as minhas expectativas. Na verdade, fiquei espantado com os comentários de algumas casas que ficaram surpresas com alguns resultados, como, por exemplo, o da Le Lis, e emitiram relatórios sugerindo cautela, ou diminuindo estimativas de ganhos. Mas só agora???

Conforme eu vinha falando, as margens brutas foram muito afetadas pelos descontos, pois em janeiro a demanda estava fraca e não aumentava conforme os preços baixavam. Na realidade, ainda não existe no horizonte nenhum driver que me faça pensar em fazer uma aposta maior em alguma empresa deste setor. Posso dizer que a situação ainda está complicada, e planejar uma coleção neste momento de mercado parece ser mais difícil que acertar o próximo campeão de futebol brasileiro, devido ao ciclo operacional muito grande das empresas.

Os tecidos, por exemplo, são, geralmente, exclusivos, e tem que ser escolhidos e comprados com muita antecedência. Caso haja erro não dará para comprar mais ou cancelar pedido. Desta forma vejo as varejistas trabalhando com conservadorismo nas apostas de vendas, o que acho também a melhor estratégia. Caso haja alguma mudança de cenário por menor que seja, sabemos que a choradeira será geral - "Não vendemos pois não tínhamos produto, apostamos mal". Mas enfim ainda acredito ser a melhor estratégia!!! E quem estiver apostando muito no sonho chinês de compras, aí pode ter mais problemas ainda, pois terá que se organizar para comprar mais cedo ainda.

Portanto ainda continuo com minha opinião imutável: caso tenha que comprar varejo de vestuário para diversificação de carteira , compre Renner.
Abaixo faço uma breve análise das empresas:

Renner - Continua tendo boa performance, o seu 1º trim veio com crescimento de same store sales de 9%. Vejo também na sua estratégia o grande diferencial, focada em reforma de lojas, visual merchandising e design de loja aumentando cada vez mais a percepção de valor à marca Renner. Clientes classe C querendo melhores produtos, a classe B trocando algumas lojas "caras" por Renner, faz com que esta loja trafegue muito bem pelas classes sociais, e assim obtendo uma boa performance de vendas.

Marisa - Minha segunda aposta. Estratégia de vendas de - mais por m2 ou projeto mais pela margem estão fazendo a diferença. Além disto, vem crescendo e adaptando bem o tamanho das novas lojas a realidade das cidades e shoppings. Esta teve o melhor crescimento same store sales do setor de 12%. Vamos ver nos próximos meses "A venda porta a porta"!!!!

Riachuelo - Ainda muito dependente de sua receita financeira, algumas melhoras operacionais mas nada demais.

Hering - Esta parece que esta agora se ajustando, teve um crescimento muito acelerado via franquias e agora um crescimento mais conservador faz sentido. Não sabemos a performance de suas franquias ponto a ponto com esta parada da economia, mas perece que não foi muito bem haja vista o seu same store sales foi de -0,8%.

Restoque - Essa continua patinando e me parece perdida em sua estratégia. Não há espaço para este crescimento desejado para uma marca como a Le lis, John John, e Noir. Ou parte para o conceito top high end mesmo, ou vai queimar margem. Lojas enormes, shoppings novos, aumento forte de quantidade de lojas fazem com que suas vendas por m2 só caiam, e por tabela seu ticket médio. Papo de maturação, não me parece muito aceitável para esta marca.

Arezzo - Continua reinando sozinha no setor de varejo de calçado. Neste 1º trim obteve uma boa performance apesar do mercado adverso. Sua estratégia de ter um mix de franquias e lojas próprias parece muito com o case Hering, só que com a diferença da Arezzo ser uma empresa que tem muito poucos concorrentes do seu tamanho. Sabe aproveitar bastante introdução de novas marcas e com isso consegue espaços para crescimento. Acredito ser uma boa aposta também.

E aí investidor em que papel você vai apostar?


Comentários
Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.