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Carlos Molinari

Carlos Molinari

FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

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22/05/2013 19h05

O novo rico do futebol carioca
Carlos Molinari

Foto: Divulgação

A liderança do Barra da Tijuca no Grupo A chama a atenção de qualquer um que olhar a classificação da Segundona do Rio.

O Barra da Tijuca pode não ter tradição alguma (afinal, começou no futebol com o singelo nome de Yasmin, em 2010). O nome Yasmin não era por acaso. Era o nome da filha do presidente, o empresário da construção civil Adílson de Oliveira Coutinho Filho.

No ano seguinte, como o clube começou a se aventurar no cenário do futebol profissional e o nome Yasmin soava amador demais, o time foi rebatizado como Clube Atlético da Barra da Tijuca.

Este ano, o time chamou, pela primeira vez, a atenção da imprensa ao contratar dois veteranos da bola: os atacantes Dodô e Tuta. Além disso, também é assunto de algumas matérias por outro fato peculiar: o presidente Adílson, aos 43 anos (nasceu em 14/5/1970) é o reserva do ataque.

Nesta quarta-feira contra o Bonsucesso, foi o presidente Adílson quem fez o gol da vitória por 2 a 1, aos 47 minutos do 2º tempo. Algo quase inacreditável.

O Barra da Tijuca é um clube realmente atípico. Manda suas partidas no estádio do Olaria e, normalmente, compra toda a pequena cota de ingressos que coloca à disposição, já que ainda não tem torcedores. Na última partida que fez no Mourão Filho, contra o Bonsucesso, o clube pagou por 210 ingressos e "distribuiu" 100 gratuidades.

O técnico da equipe é o ex-zagueiro Rogério, do Corinthians, mais famoso por cometer um pênalti na final do Campeonato Brasileiro de 2002, após assistir de perto as pedaladas do Robinho.

Outro fato que chama a atenção é que, diferente da penúria a que estão condenados vários clubes da Segundona do Rio, o Barra da Tijuca não aparenta ter problemas financeiros. Mas qual é a fonte do tricolor?

Adílson de Oliveira Coutinho Filho é um homem ligado não só à construção civil, mas também às máquinas caça-níqueis. Em 2009, suas ligações telefônicas foram rastreadas pela "Operação Furacão" da Polícia Federal. Na época, Adílson era apontado como sendo o braço direito do bicheiro Jaime Garcia Dias.

Em 2011, a "Operação Dedo de Deus" da Polícia Civil bateu na casa de Adílson, na Barra da Tijuca. Tinham informação que ali eram guardados os lucros de uma quadrilha do jogo do bicho, chefiada por seu tio, o presidente da Escola de Samba Grande Rio, Hélio de Oliveira, o Helinho.

Para resumir a história: a polícia apreendeu no apartamento de Adílson o valor total de R$ 3 milhões e 974 mil reais, que estava escondido em paredes falsas e até mesmo no sistema de esgoto do prédio.

A Justiça Federal da 2ª Região condenou Adílson, em 18 de dezembro de 2012, a 3 anos e seis meses de reclusão.

No entanto, beneficiado pelo artigo 44 do código penal, Adílson nem precisou se preocupar. Não iria ficar trancafiado. Era réu primário e não tinha antecedentes. Pagou multa de cinco salários mínimos. Ou seja, está livre para presidir seu time, vestir a camisa do Barra da Tijuca e marcar seus golzinhos no último minuto das partidas.

Não fosse o fato de realmente calçar as chuteiras e entrar em campo, Adílson não estaria fazendo nada de diferente. Estaria apenas seguindo as pegadas de Castor de Andrade (no Bangu), Carlinhos Maracanã (no Madureira), Luisinho Drummond (no Bonsucesso) e Emil Pinheiro (no Botafogo), que por anos, misturaram o dinheiro da contravenção com o futebol profissional.


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Comentários
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    22/05/2013 19:59:01Zé SofredorAnônimo

    Ã? malandro, o Bicho dá até prá joga,r áh! se o Mengão tivesse um patrono como este, teria só crak em seu elenco.

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