SRZD


24/05/2013 18h33

MC Marcinho fala ao SRZD sobre funk, história de vida e projetos
Ana Luiza Albuquerque, Marina Nardino e Thaiane Silveira

"Glamurosa... rainha do funk. Poderosa... olhar de diamante". É claro que estamos falando do príncipe do funk: MC Marcinho. Nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, em 1977, Marcinho começou sua carreira há 18 anos. Após ter ficado um ano e meio afastado dos palcos, em função de um acidente de carro, o MC lançou em 2011 o DVD "Tudo é Festa", com novos e antigos sucessos, e já prepara o segundo, com previsão de lançamento para este ano. Parece que Marcinho voltou a mil por hora.

Foto: Divulgação

Em entrevista ao SRZD, MC Marcinho falou sobre o movimento funk, as diferenças entre o funk antigo e o atual e sua relação com o gênero musical.

Papel social do funk

"O funk é uma forma de se expressar. Quando surgiu nos anos 90, com força total, mudou a vida de muitas pessoas da favela", diz Marcinho. "O funk tirou o jovem de uma vida muito pior que ele poderia ter tido", ele acrescenta.

Funk antigo x funk atual

"Do início do funk pra hoje piorou a qualidade das letras", critica o MC. "Mas hoje tem uma produção melhor, muito mais tecnologia", ele ressalta.

Funk melodyFoto: Divulgação

Marcinho é considerado por muitos o maior representante do funk melody no Brasil, estilo que conta com músicas e letras mais românticas e leves. "Na época que eu comecei era muita gente falando sobre as comunidades, e ninguém falava de amor. Aí eu quis fazer um funk diferente e pegou", Marcinho conta ao SRZD. "São músicas que entram na casa das pessoas e não as agridem", ele afirma.

Trajetória no funk

MC Marcinho teve seu primeiro hit, o "Rap do Solitário", lançado em 1994. Desde então, foram sete CDs lançados e um DVD, além de centenas de shows, entrevistas, parcerias e participações especiais. "Comecei em 1994, tenho 18 anos de carreira. Em 1993 estava tentando colocar o 'Rap do Solitário' para tocar, e demorou um ano para que uma rádio lançasse", fala o príncipe do funk. "O funk é tudo para mim, deu tudo o que tenho hoje, mudou minha vida", declara Marcinho, agradecido.

Funk carioca x funk de outros estados

"Tem muita gente boa fora do Rio, mas aqui começou tudo, é referência, o berço do funk", exalta o MC.

Preconceito

Por muito tempo o preconceito contra funkeiros era visível na sociedade. De acordo com Marcinho, hoje a situação é outra. "Hoje não tem mais preconceito, as pessoas não olham para um funkeiro e pensam que ele é marginal", garante o autor de "Glamurosa". "O preconceito existia em uma época, mas hoje todo mundo é funkeiro e bate no peito. O funk invadiu as boates. Se você for no Barra Music, tem uma mistura de classes sociais", ressalta o MC.

Proibidões

O proibidão, subgênero do funk que surgiu na década de 90, exalta a violência e o tráfico de drogas, sendo pouco divulgado fora das favelas. Sobre isto, Marcinho afirma: "Os proibidões diminuíram bastante, as pessoas viram que o caminho certo não era esse, é um caminho pro Naldo, Buchecha, Hawaianos". Ele alerta, também, para o papel que o funk possui na formação dos mais novos. "Tem que ter um cuidado maior com os jovens e crianças, procurar lançar uma mensagem positiva", diz Marcinho.

"Quando estava triste o meu coração, eu fui para um canto e fiz essa canção". Dezoito anos após o lançamento nas rádios, MC Marcinho deixou sua marca na história do funk e ainda se mantém vivo no jogo.

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