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Alemão do Cavaco

Alemão do Cavaco

CARNAVAL/RJ. Formado pela Faculdade de Música Carlos Gomes em São Paulo, é compositor, arranjador, produtor musical e multi-instrumentista (cavaquinho, bandolim e violão). Como compositor, é autor de diversas obras em escolas de samba, sendo 8 na Gaviões da Fiel, uma na X-9 Paulistana, duas na Estação Primeira de Mangueira, agremiação em que foi diretor de harmonia e musical no Carnaval de 2013.

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06/06/2013 13h39

Mais samba, menos caciques!
Alemão do Cavaco

Foto: DivulgaçãoDe volta meu povo à este espaço magnífico de comunicação, desta vez para falarmos sobre nossas agremiações e seus comandantes.

Claro que em todo lugar, empresa, ou até mesmo em um lar, é fundamental o papel do "chefe". Aquele que impõe regras, costumes, limites para fazer a coisa funcionar de verdade.

Em uma escola de samba isto não é diferente. Precisamos de chefes e diretores competentes para colocar o "Carnaval na rua" literalmente. Mas aí é que vem a questão: todos estes senhores tem condições para exercerem estes cargos?

Por anos, vivenciei vários setores de uma escola de samba. Iniciei como ritimista, atuei como compositor, diretor musical e diretor geral de harmonia, função que exerci na tradicional Estação Primeira de Mangueira no último Carnaval.

Acompanhando de perto os bastidores da folia, pude ter a certeza da veracidade daquela antiga e popular frase: "de poder à uma pessoa e saberás que és".

Sem generalizar é claro, fca uma sensação estranha e muitas vezes triste de observar pessoas que sem a menor capacidade intelectual e até mesmo emocional, se tornam peças chaves no comando de diversas agremiações.

Uma decisão mal pensada, um passo em falso em uma competição tão acirrada como é o Carnaval, pode representar mais do que um deslize, mas comprometer um trabalho de um ano feito por mais de três mil pessoas.

Atualmente, vejo muito "cacique" e poucos índios sendo comandados, confusões de ordens sem nexo e importância, por simples vaidades, questões particulares e pelo simples fato de "poder mandar".

Evidente que temos grandes diretores de Carnaval, harmonia, bateria e outras funções, mas quando a "Síndrome do pequeno poder" toma conta de um cidadão que coloca uma "farda" da entidade, tudo se modifica e geralmente não dá certo. É gente apitando demais, mandando muito, sem saber e ter o pensamento no coletivo.

Como pode por exemplo, um diretor de harmonia estar tão preocupado com as "calcas brancas" dos componentes, nao saber se a tonalidade do samba esta adequada para o canto da escola ou se o andamento do samba com a bateria é o ideal para a evolução?

Será que realmente estes "cacique" amam verdadeiramente o Carnaval? Será que seus interesses estão de acordo com aquilo que é mais importante para os objetivos de suas escolas? O interesse é pessoal ou coletivo?

Triste realidade que inevitavelmente encontramos nas quadras de diversas entidades de norte a sul do nosso país. Temos o dever de incentivar nossos jovens sambistas a pesquisarem a história dos grandes sambistas que tanto lutaram pelo nosso Carnaval e torcer para que sigam o caminho da correção e da dignidade.

Como nem tudo esta perdido, deixo o meu abraço especial aos verdadeiros comandantes na arte de dirigir com honestidade, capacidade e humildade. Independente da função, cargo ou grau de comando, é preciso ter sabedoria para liderar.

Salve o samba! Salve o nosso Carnaval!


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