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Carlos Molinari

Carlos Molinari

FUTRJ - FUTEBOL DOS TIMES PEQUENOS. Jornalista da TV Brasil e historiador, nascido e criado no bairro de Bangu, onde conheceu sua grande paixão: o tradicional Bangu Atlético Clube. É autor de três livros: "Nós é que somos banguenses", "Almanaque do Bangu" e "A História das Copas". Pesquisador da história do futebol carioca e atento às notícias dos times do Rio, especialmente aqueles que estão fora da grande mídia. Hoje, apesar de trabalhar em Brasília, acompanha cada detalhe do Campeonato Carioca e da Copa Rio, torcendo sempre para que os pequenos "Davis" derrotem os quatro grandes "Golias". Neste blog, iremos dar palpites, especular, criticar, alfinetar as arbitragens (sempre tão prejudiciais aos nossos clubes) e abrir um canal de diálogo com os fanáticos pelo Madureira, Olaria, Bangu, América, Bonsucesso, Volta Redonda, Goytacaz, Resende, Americano, Friburguense, Portuguesa...

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18/06/2013 17h48

Copa das Manifestações: o torneio que foi para o vinagre
Redação SRZD

Protesto no Maracanã (Foto: Divulgação)

Não há como ficar indiferente. O futebol está intimamente ligado às manifestações. Não foi só o aumento de 20 centavos nas passagens ou a truculência com que os policiais de São Paulo agiram contra os manifestantes na semana passada. Mas, a Copa das Confederações também despertou a ira de muitos jovens.

Lembro-me bem que, ano passado, quando fui fazer uma entrevista num pequeno escritório de uma ONG de ativistas ecológicos, deparei-me com um "protesto embrionário". Enquanto uma engajada me falava da falta de políticas públicas para os povos da Amazônia, sua amiga me fornecia vários panfletos contra a Copa do Mundo. Estava ali, na minha frente, uma integrante do "Comitê Popular da Copa"

A Copa representava gastos que chegariam a mais de 27 bilhões de reais, enquanto isso, os problemas sociais continuavam intactos - era basicamente isso que diziam os panfletos.

Mas, o brasileiro acordou mesmo quando a inflação subiu, o preço dos alimentos disparou e, enfim, as arenas foram ficando prontas. Ali estava a prova. O país tinha recursos, tinha capacidade de fazer estádios suntuosos, de primeiro mundo, para agradar o exigente "padrão Fifa".

Porém, ano após ano, jamais se preocupou em erguer construções assim, tão aparelhadas, tão modernas para hospitais, escolas e universidades. Os brasileiros viram também os ônibus que transportam as delegações e olharam para as carroças em que se locomovem todos os dias. Não havia comparação.

O aparato de segurança que se instalou nas cidades-sedes em dias de jogo também chamou atenção. O Estado tem tropas, tem viaturas, tem tudo, mas no dia a dia, sem Copa por perto, a insegurança é constante nas ruas.

Por isso a revolta, seja ela do vinagre, dos 20 centavos, das redes sociais. No Rio de Janeiro, a remodelação do Maracanã custou 1 bilhão e 200 mil reais. Um Maracanã que já tinha passado por uma grande reforma antes do Pan de 2007. Depois disso, o governo ainda transfere a sua administração para o capital privado, para o mega-empresário Eike Batista e para o grupo Odebrecht, que pagarão 5.5 milhões de reais por ano durante 34 anos ao governo e, em troca, poderão explorar livremente o uso do estádio.

Como comparação, a renda do jogo Santos x Flamengo, em Brasília, quase ultrapassou os 7 milhões de reais. Então, em um grande clássico, é possível quitar a obrigação do consórcio com o Estado. O que vier depois, é lucro certo!

A população não aguentou. Desde 1950, o "Maraca era nosso", como diziam as torcidas. Não é mais. O antigo cântico "domingo eu vou ao Maracanã..." ficou mais caro. No plano do consórcio Maracanã S. A., lê-se claramente: "mudança do perfil do público e consequente aumento do valor médio dos ingressos".

Já falei aqui neste espaço. Ingressos baratos (ou a preços justos) só irão existir em jogos desinteressantes (e ainda existem muitos) ou entre os nossos times "pequenos". A torcida do Bangu, por exemplo, achava que 20 reais era um preço caríssimo para acompanhar o time, rodada após rodada. Agora, começa a pensar diferente... Já vê como um grande negócio pagar 20 reais por um jogo do seu clube de coração.

Nesta semana, o governo de Brasília tenta trazer ou Flamengo x Coritiba ou Botafogo x Fluminense para a sua mega-arena de 1 bilhão e 200 milhões. Se o governo do Distrito Federal ofereceu 800 mil reais para o Santos vir para a capital, imagine quanto não se está oferecendo para os clubes do Rio?

Paradoxalmente, o tal do "futebol moderno" está dando uma volta no tempo, elitizando nossas arquibancadas, assim como na época em que o "esporte bretão" era uma novidade no Rio e as partidas, eventos que atraíam a "fina flor da sociedade" às arquibancadas do "Stadium" das Laranjeiras.

Por enquanto, o único legado dessa "Copa das Manifestações" foi o despertar do povo brasileiro!



Comentários
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    20/06/2013 23:34:53fatima nascimentoMembro SRZD desde 18/03/2014

    tadinha da globo, exclusiva num torneio qd as pessoas mais querem saber dos protestos, q podem ser vistos de qlq tv por essa os marinho nao esperavam. bem feito!

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