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14/08/2013 14h28

Polêmica: grupo protesta pelo fim das charretes em Petrópolis
Lucas Torres

Patricia, Luciana e Juliana protestam contra maus tratos a animais. Foto: SRZD/ Lucas Torres

Um grupo de ativistas de direitos animais protestou, nesta quarta-feira, contra o uso de cavalos para passeios turísticos em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. O ato foi em frente à Câmara Municipal, onde um trio de mulheres segurava um cartaz contra o serviço de charretes, conhecidas como vitórias.

A polêmica sobre as condições dos animais utilizados para os passeios pelo Centro Histórico da cidade se intensificou quando um dos cavalos passou mal e desmaiou de cansaço, em junho deste ano. Para Patrícia Fitipaldi, ativista que mantém a ONG de proteção a animais abandonados Santuário das Fadas, as tradicionais charretes não podem continuar. Além dos cavalos, ela também disse ao SRZD que se opõe ao uso de bodes na Praça da Liberdade para passeios infantis.

"Pedimos a abolição da exploração dos cavalos e dos bodinhos. Esses animais estão sendo escravizados, submetidos a péssimas condições e maus tratos. Isso tem que acabar", disse a manifestante.

As vitórias são um dos atrativos turísticos da Cidade Imperial. Com saída do Museu Imperial, o visitante paga por um passeio pelos principais pontos de visitação de Petrópolis, recordando a forma de deslocamento utilizada durante o Império. Ciente da tradição, Patrícia propõe a substituição de cavalos por carros elétricos.

"Existem carros elétricos que são ecologicamente corretos e que poderiam fazer esse serviço. Falta boa vontade dos governos para acabar com os maus tratos" afirmou Patrícia, que não consome nada que venha de origem animal.

Ativista da Peta, uma associação francesa de defesa animal, Juliana Marques pede que nenhum turista ande nas charretes. " Acredito que Petrópolis pode ser uma cidade a partir do momento em que suspender as vitórias."

"Não podemos pagar pelo único caso de maus tratos", diz condutora de charrete

Condutora defende continuidade de vitórias. Foto: SRZD/ Lucas TorresDo outro lado da rua, onde 14 vitórias ficam estacionadas, Cibele Raposo se opõe à manifestação. Ela é filha de Walter, de 85 anos, 63 deles dedicados à função de conduzir charretes. Segundo Cibele, todos os cavalos passaram a receber atendimento veterinário da prefeitura e contam com veterinários particulares.

 "Essas pessoas não sabem nada do que está sendo feito. Nenhum cavalo recebe maus tratos, pelo contrário, estão sendo devidamente acompanhados", disse.  "Os condutores dependem dos cavalos para trabalhar, isso ninguém valoriza", completou.

Dona de uma das vitórias, Kaynara Oliveira conta que os cavalos foram diagnosticados com quadro de anemia leve,  mas que já estão recebendo medicamentos e estão em boas condições. Ela teme que as licenças sejam cassadas por conta da pressão pelo fim do serviço.

"Não podemos pagar pela falta de cuidado de um condutor. Esse foi um caso isolado, ele já foi impedido de trabalhar", disse. "O animal é feito para trabalhar mesmo. Se eles proibirem, serão 36 famílias sem emprego. O que a prefeitura vai fazer para tanta gente se sustentar?", questionou.

O condutor Anderson Oliveira destaca que as charretes têm significado histórico para a cidade, e se opõe à ideia de substituir os cavalos por carros elétricos.

"Se o turista quiser andar de carro ele já anda no próprio veículo. As charretes são uma tradição que não pode terminar", argumentou.

Vitórias em Petrópolis. Foto: SRZD/Lucas Torres

 

 

 

 


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Comentários
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    16/08/2013 19:36:05Anna LudmillaAnônimo

    Por que dever ser 8 ou 80? Talvez o problema seja a mais valia. Pensar na qualidade de vida dos animais talvez exija pensar na demanda do que ganha com o animal. Geral uma alternativa sem excluir totalmente o padrão histórico acabando com a sobrecarga e ajudando os criadores de cavalos a recalcularem o custo beneficio e a complementação da renda com a alternativa eletrônica. Resposta fáceis não são sempre radicais. Defender o animal de fato mostrando ao que lucra com o mesmo que é possível.

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    15/08/2013 16:12:46HellenAnônimo

    "animal é feito pra trabalhar mesmo"?!?!?!!? Que absurdo! Além de pensamento arcaico, a pessoa mostra que não tem a mínima compaixão pelos seres mais frágeis. Quando a sociedade respeitar todos os animais, estará também respeitando os idosos, as crianças, os mais pobres, enfim. E o Planeta será melhor quando o ser humano parar de olhar só pra si e conscientizar-se que outros seres são tão importantes quanto ele nesse mundo, e tem direito a viverem em paz! Outra coisa: o cavalo não está bem. Bem estar não é só comida, é FELICIDADE. E vê-se claramente que são tristes. Se os condutores das charretes não querem puxar carroças, com certeza os cavalos também não querem! Há saída para todos os problemas, desde que haja VONTADE para resolvê-los.

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    15/08/2013 08:27:36ArakémAnônimo

    Tudo agora é motivo pra tirarem a roupa.

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    14/08/2013 15:04:36ervalAnônimo

    ñ sou ativista,mas,penso que o pedido é mt justo,isto de ficar utilizando um animal que foi útil em época passada,ñ é desculpa para continuarem na época atual,oferecendo um serviço = do passado,sugiro que eles das vitórias utilizem um veículo = ao da china,que é o passageiro sendo puxado pelo homem,e tbm se a desculpa de que cuidam do aninal fosse verdade o cavalo ñ estaria debilitado,e alguns pode tbm estar,mas,ñ demonstraram;uma boa a idéia dlas da ong.(ñ precisava estar sem roupa,a causa é importante)

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