SRZD


27/09/2013 20h21

Metrô na Barra tende a piorar trânsito na região
Aldir Cony

Os centenas de milhares de cariocas que fazem diariamente o trajeto entre seus bairros e a Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e vice-versa, vêem a chegada da linha 4 do metrô ao bairro como uma solução para o trânsito caótico que afeta o local. Mas é melhor pensar duas vezes antes de comemorar.

Segundo disso ao SRZD o especialista Celso Luiz Martins, autor do livro Código de Trânsito Brasileiro Comentado, da editora Elsevier, a nova linha do transporte metroviário tende a piorar ainda mais o trânsito em boa parte da Barra.

"Atualmente, muitos consultórios e escritórios têm se instalado por lá, gerando uma superlotação em todo o bairro. Mas o metrô levará somente até o centro da Barra", comenta, em referência ao Jardim Oceânico, onde será construída a nova estação. "Mas e dali para as outras regiões, como o Recreio? O trânsito será um caos ainda maior."

Linha 4 do Metrô. Foto: Reprodução

Segundo Celso, uma solução seria - além de extender a malha metroviária - desenvolver o transporte aquaviário pela lagoa que banha a região, mas que isso não é feito pelo governo porque envolve outros investimentos, como a limpeza das águas poluídas.

Ainda para melhorar o trânsito na Zona Oeste, Martins aponta a necessidade de aumentar a quantidade de veículos do BRT. "As pessoas querem usar, mas os ônibus não acompanham a demanda. A solução é simples, basta aumentar a frota", aponta.

Trânsito no Rio não tem solução a curto prazo, afirma professor

Trânsito no Rio. Foto: Reprodução

O prognóstico nada animador não se limita à Barra da Tijuca. Na opinião do professor, o trânsito do Rio de Janeiro simplesmente não tem solução a curto prazo. "E se não houver vontade política e honestidade, também não haverá solução a médio nem a longo prazo."

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) mostrou que a quantidade de usuários de meios de transporte individuais aumentou em quase três pontos percentuais no Rio, chegando a 28,5%. Já de quem utiliza transporte coletivo caiu para 71,5%.

Na opinião de Martins, o fato de menos pessoas utilizarem o transporte público não será alterado com campanhas de conscientização a favor dessa causa. "Para as pessoas buscarem meios coletivos é preciso corrigir os problemas existentes. As empresas têm que se responsabilizar por fazer aquilo a que se propõem: transportar pessoas de forma decente."

E o que precisa ser feito para que os problemas sejam resolvidos? O especialista é enfático: "Tem que mudar tudo". Segundo ele, é necessário que sejam feitas novas concessões para que outras empresas administrem tanto as linhas rodoviárias quanto as ferroviárias.

Trânsito no Rio. Foto: Reprodução"Outro ponto são as dificuldades no próprio trânsito. Com tantas obras e caminhões, não há regras para embarque, desembaque, carga e descarga, o tráfego fica cada vez mais sufocado", critica. "O governo não fiscaliza e as empresas não querem saber".

A violência é outro fator que prejudica o trânsito. "Se você entrar em um ônibus após as 22h - caso você consiga pegar um -, não há segurança. Da mesma forma, não há como utilizar a bicicleta, pois mesmo que existam ciclovias, elas nem sempre são seguras."

Além das soluções envolvendo o próprio tráfego, outras medidas indiretas podem ser tomadas. "Deveriam ser criados polos de trabalho em diversas regiões, evitando que pessoas precisassem se locomover tanto, saindo de Nova Iguaçu, por exemplo, para trabalhar no Centro do Rio", sugere o especialista.

"No Brasil, o longo prazo nunca chega. As medidas têm que ser mais imediatas", afirma. "Porém, para isso acontecer, é perciso que haja vontade política e honestidade."



Comentários
  • Avatar
    29/09/2013 22:16:43Augusto Cesar NunesAnônimo

    As pessoas vão continuar utilizando os seus automóveis porque o transporte público na nossa cidade é péssimo. Com isso ficamos cada vez mais próximos do rodízio de veículos, como já acontece em São Paulo.

Comentar

Isso evita spams e mensagens automáticas.