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16/10/2013 18h04

Ex-rainha da União de Jacarepaguá divulga carta aberta
Redação SRZD

Amanda com mestre / foto: Divulgação Ritmo CariocaA ex-rainha de bateria da escola de samba União de Jacarepaguá, Amanda Mattos, divulgou uma carta aberta, nesta quarta-feira, 16 de outubro, destacando seu amor pela agremiação.

Leia na íntegra:

Venho por meio desse comunicado mostrar a minha imensa satisfação pelos anos dedicados ao Carnaval. Em 2014, completarei 24 anos de amor e devoção ao Carnaval carioca.

Em especial, cito as duas agremiações que me deram oportunidade de mostrar a minha arte do "riscado no chão", o meu furioso samba no pé, digno de uma mulata cabrocha de raiz. Honra e glória aos pavilhões da GRES Estação Primeira de Mangueira e da GRES União de Jacarepaguá.

Hoje, vos falo não como passista ou rainha de bateria, funções que desempenhei com muito afinco. Dei o meu sangue, meu suor, dediquei meu tempo para representar com muita alegria e samba no pé a personalidade que a função designava. Em consequência disso, fui aclamada como ETERNA, perceberam que tive/tenho um diferencial. 

Tudo tem um começo, não poderia negar minha origem no Carnaval. Sou fruto de uma raiz "e a semente cresceu formosa", minha origem é "o tronco forte que dá fruto a vida inteira", "o destino selou um amor tão perfeito, virou tatuagem na alma e no peito, rola um pranto de felicidade" eu cresci e muito aprendi numa "sublime estação das flores". "Todo mundo te conhece ao longe, pelo som do seus tamborins e o rufar do seu tambor", enfim, "quero lhe dizer que sou Mangueira". 

Foi na Mangueira que eu aprendi o significado do samba, eu convivi com ilustres baluartes Tia Neuma, Dona Zica, Jamelão, Seu Delegado. Meu sentimento de amor e gratidão pela verde e rosa é enorme. Comecei a desfilar com 7 anos na Mangueira do Amanhã, passei para Mangueira "mãe" onde fui passista e por três anos consecutivos integrei a Corte da Bateria. Participei dos concursos que me elegeram Segunda Princesa em 2003, Primeira Princesa em 2004 e, finalmente, Rainha de Bateria em 2005 (posto que me possibilitou ter uma visibilidade imensa, até hoje sou reconhecida por essa conquista). Fiz parte dos projetos sociais da escola, fui atleta da Vila Olímpica e através da Mangueira concluí os meus estudos e fiz um ensino superior, onde hoje tenho orgulho de ser professora da Escola Tia Neuma. Então, tudo isso, toda minha história com a Mangueira tem uma grande importância para o meu reconhecimento no samba, afinal, eu reinei em 2005 aos versos de "a energia do samba é combustível do amor".

Sempre fui muito tímida, mesmo assim, consegui transmitir o meu dom de sambar no Carnaval. Os elogios e os apoios foram essenciais para que pudesse enfrentar esse obstáculo (a timidez), a fim de encantar a todos com o meu samba no pé. Talvez seja por isso que meu samba no pé seja considerado "FURIOSO", toda minha timidez é liberada em sintonia com o som da bateria.

Os ventos sopraram e fui acolhida pela minha querida agremiação GRES União de Jacarepaguá, meu amor por essa escola cresce a cada dia, somos uma família de verdade, a união sempre prevalece, da presidência ao componente da comunidade. Fui muito agraciada em 10 anos desfilando à frente da bateria, meu laço com a escola é eterno, tenho identidade, sou parte da comunidade.

Mesmo desfilando à frente da bateria, só em 2008, recebi a coroa de rainha de bateria. Mas o que é ser rainha de bateria de uma escola como a GRES União de Jacarepaguá? Acredito que tenho propriedade para falar sobre, fiquei no posto por 6 carnavais. Ser rainha da União não é fácil, tem que ter amor pela escola, agradar a comunidade, colaborar ao máximo, e, principalmente, mostrar samba no pé. Graças a Deus, fui muito bem acolhida como rainha de bateria, acho que a cada ano me sentia mais realizada no cargo pelo carinho que recebia. Dentro da escola, nunca ninguém "torcia o bico" para mim, nunca fui reclamada por descumprimento das diretrizes da função, que reúnem beleza, simpatia, comprometimento e, claro, samba no pé. Fui além do cargo de rainha, pude coordenar a Ala das Crianças. Enfim, acho que tive um bom conjunto da obra.

O que fazer quando uma fórmula dá certo: a rainha perfeita para a escola perfeita? O segredo seria eternizar essa relação? Eis a questão. Fico honrada em saber que fui aclamada por toda comunidade como ETERNA RAINHA da minha maravilhosa bateria "Ritmo União" comandada desde 2008 pelo Mestre Marcus Vinicius. Me pergunto, as vezes, se tenho tal mérito para essa honraria, já que serei comparada com uma das minhas inspirações, a Neide dos Santos, que foi consagrada como madrinha da bateria "vitalícia" da Mangueira. Espero que sim, pois a responsabilidade será enorme, por mais que receber o título de Eterna Rainha e Madrinha é mostrar competência durante anos. Acho que isso eu fiz.

Venho, primeiramente, agradecer a minha escola de origem GRES Estação Primeira de Mangueira por ter encaminhado meus primeiros passos no carnaval. Para, sobretudo, reverenciar todos os integrantes da minha escola amada GRES União de Jacarepaguá pelo reconhecimento ofertado a mim. Especialmente ao meu presidente Reinaldo Bandeira, minha primeira dama Éngela, minha querida vice-presidente e amiga Ana Livia e ao meu mestre de bateria Marcus Vinicius. Se a rainha de 2008 é ETERNA, o mestre também é. Meu imenso e eterno MUITO OBRIGADA, não existe palavras suficientes para agradecer o carinho de todos vocês.

Aclamada ETERNA RAINHA, prosseguirei desfilando a frente da Ritmo União, seja com fantasia ou com vestido, como a Dodô da Portela desfilou glamourosa em 2004. Sou madrinha "VITALÍCIA" da União, portanto, integro agora o Estatuto da escola, onde independente da troca de cargos internos, permanecerei no posto de madrinha de bateria. 

Meus sentimentos estão aflorados, sinto uma energia muito boa, de fato é a maior emoção da minha vida, em todos esses anos no Carnaval. 

Realmente emocionada! 

Atenciosamente, 

Amanda Mattos, Eterna Rainha e Madrinha de Bateria do GRES União de Jacarepaguá

 

 


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